sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Georgino Rocha - Alegrai-vos comigo e façamos festa!

DOMINGO XXIV 

Filho pródigo
A misericórdia de Deus é o centro do Evangelho da liturgia de hoje apresentado a partir de três parábolas acessíveis: a da ovelha e a da moeda perdidas e a do filho “pródigo” lançado na aventura da sua liberdade. Em cada uma, há um protagonista diligente que aponta para mais longe: o agir de Deus para com a humanidade, para com o seu povo. Parábolas narradas por Jesus ao ver a multidão que o acompanha. Lc 15, 1-32.
Lucas, médico de grande sensibilidade e ternura, anota as “intenções” dos que seguiam Jesus e o contraste que se ia acentuando. Os indesejados da sociedade escutam-no com interesse. Os defensores da ordem estabelecida fazem-se ouvir em comentários críticos. Publicanos e pecados aproximam-se. Fariseus e escribas distanciam-se. Jesus, como sábio narrador de contos e “histórias”, aproveita a circunstância para realçar, uma vez mais, a sua missão de dar a conhecer o autêntico rosto de Deus Pai. E que bem que o faz!
Recorre a exemplos da vida corrente: pastor que busca a ovelha perdida, dona de casa que procura moeda desaparecida e pai de dois filhos com comportamentos diferentes. Em cada um destes casos, destaca traços que configuram o modo de ser e agir de Deus: o apreço pela harmonia e proximidade que se alteram inesperadamente: a ovelha perdida do rebanho, a dracma desaparecida na casa da dona e o jovem aventureiro ansioso de liberdade e de novas experiências.
Este apreço constitui uma autêntica novidade que supera a simples tolerância e se situa no amor generoso. Novidade provocante numa sociedade que dificilmente aceita o diferente, respeita o diverso, admite o estranho.

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Faleceu José Manuel Sacramento

A roda dos amigos continua a encolher a passos largos. Paulatinamente, os elos físicos vão caindo como as folhas no outono. Ficam os elos das recordações e amizades imorredoiras. Ontem foi o José Manuel Sacramento que conheci há muito, sobretudo depois que segurou o leme de O Ilhavense. De seu pai, que também evoco hoje, herdou o gosto pelo jornalismo e a paixão pela sua terra que defendia com coragem, sem nunca renunciar aos princípios da verdade e da frontalidade. 
Particularmente, facilitou-me pesquisas nos arquivos do seu jornal, dando-me informações preciosas sobre temas dos meus interesses. 
O nosso último contacto aconteceu em finais de Novembro, dando-me conta da doença que o inquietava. Nunca pensei, nunca pensamos, que pode ser fatal. E foi. 
Ontem, partiu para Deus, que sempre e tudo perdoa. Até um dia, amigo Sacramento. 
Os meus pêsames a toda a família. 

Fernando Martins

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Cruzeiro dos Centenários na Gafanha da Encarnação

Para memória futura: 
Discurso do Pe. Rezende, 
primeiro prior da Gafanha da Encarnação, 
na inauguração do cruzeiro em 1940

Cruzeiro renovado (foto da Junta de Freguesia)



Lê-se no Correio do Vouga, jornal católico e órgão da Diocese de Aveiro:

Pe. Rezende
"Conforme prometemos no último número deste jornal, publicamos hoje [14 de Setembro de 1940] o discurso proferido pelo Rev. P.e João Vieira Rezende, na inauguração do Cruzeiro dos Centenários, na Gafanha da Encarnação:

"Eis-nos aqui, em frente dêste monumento histórico, que na algidez e dureza da sua pedra, ficará a atestar pelas eras em fora a nossa fé e a nossa piedade. Alem disso, será êle também um documento e um testemunho de que nós, o povo da Gafanha da Encarnação, não quisemos ficar insensíveis e indiferentes a êsse movimento de fé e de patriotismo, que há quási dois anos tem alastrado de norte a sul de Portugal.
Colaboraremos também nós, com essas entusiásticas e vibrantes manifestações dos dois amores lusitanos: o amor de Deus e o amor da Pátria. Êste humilde plinto, encimado pela cruz (símbolo de fé e de fraternidade) foi edificado por nós neste cantinho da frèguezia, em comemoração dos dois centenários, dessas festas evocativas da rota gloriosa que Portugal traçou no mundo, desde o seu providencial nascimento em Ourique até aos tempos auspiciosos que vão passando. Nós queremos também neste ano jubiloso de 1940, relembrar os feitos heróicos, praticados pelos portugueses, quer nas horas festivas da nossa Independência, quer nas horas redentoras da nossa Restauração, quer ainda nestas horas que passam, de verdadeira e reconstrutiva Revolução social.
Quando D. Afonso Henriques combatia pela nossa Independência nos campos de Ourique, viu no Céu o sinal que lhe prometia a vitória. Na Cruz que Cristo lhe mostrava lá no alto, estavam garantidos o milagre e a promessa que, em pouco tempo, se haviam de realizar. In hoc signo vinces - Com êste sinal vencerás! estava lá escrito. E o príncipe venceu. E aquela hora que Deus marcou com êste sinal, no Céu, firmou a nossa Independência, já oito vezes secular, e, o que Portugal foi durante êsses oito séculos dí-lo a nossa História cheia de heroismos, repleta de tradições gloriosas.
A Cruz do Céu de Ourique, tinha-se ligado num amplexo imorredoiro à espada victoriosa do Rei Conquistador, e aquele abraço da Cruz e da Espada naquele campo histórico, foi o pronúncio do eterno cantar, sempre glorioso e cavalheiresco, da alma nacional.

Alexandrina - A primeira batizada na Gafanha da Senhora da Nazaré

Alexandrina Cordeiro
Não se sabendo quando, de facto, se concretizou a aplicação do decreto do Bispo de Coimbra da ereção canónica da freguesia, apesar de o Padre João Vieira Resende dizer que tal aconteceu no dia 10 de Setembro de 1910, sabe-se, todavia, que o primeiro Prior da Gafanha da Nazaré, Padre João Ferreira Sardo, batizou, no dia seguinte, 11, Alexandrina, “na Capella da Calle da Villa, d’este logar da Gafanha e freguesia de Nossa Senhora de Nazareth, do mesmo logar servindo provisoriamente de Egreja parochial da freguesia de Nossa Senhora de Nazareth, concelho d’Ilhavo, Diocese de Coimbra”, na qualidade de pároco encomendado. 
Alexandrina, a primeira pessoa batizada na nova paróquia, com o assento n.º 2, nasceu em 26 de Agosto de 1910, sendo filha legítima de Domingos Ferreira e de Joana de Jesus, jornaleiros, naturais desta freguesia e nela residentes e recebidos na freguesia de Ílhavo. 
O assento n.º 1 apenas apresenta o nome de Maria, sem qualquer outra anotação no corpo da primeira página. Porém, na margem esquerda, debaixo do nome referido, tem a informação de que faleceu a 28-11-1910. 
Sobre Alexandrina Cordeiro, como sempre foi conhecida, podemos adiantar que durante toda a vida foi uma pessoa envolvida na comunidade católica, tendo integrado, inclusivamente, uma comissão que se deslocou aos EUA para angariação de fundos destinados à construção do Lar Nossa Senhora da Nazaré. 
Frequentou na infância a catequese dada pelo Padre Sardo, que lhe ministrou, depois, a primeira comunhão. E na inauguração da estátua do nosso primeiro prior, no Jardim 31 de Agosto, foi distinguida com a honra de descerrar o monumento, a convite do então Governador Civil de Aveiro, Gilberto Madail. Mulher dinâmica, faleceu em 12 de Outubro de 1995. 
E de onde vem este apelido Cordeiro, assumido pela família, já que os seus pais não assinavam tal apelido? Segundo sua filha Dália, o apelido nasceu de seu avô, Domingos Ferreira, que guardava um rebanho antes de casar, imitar na perfeição os balidos dos cordeiros. De tal forma, que o Cordeiro, enquanto apelido, se impôs, passando, naturalmente, para os filhos e netos. 

Fernando Martins 

Dia do Bombeiro Profissional - 11 de Setembro


Celebra-se hoje, 11 de Setembro, o Dia do Bombeiro Profissional, mas nele ouso incluir os Bombeiros Voluntários, porque os objetivos que perseguem é o mesmo: A defesa das pessoas e bens em fogos, acidentes, catástrofes, doença, mas ainda na proteção de tanta gente indefesa, perdida, esquecida, abandonada. Todos estão disponíveis, atentos e determinados para agir. 
Nestes tempos de calor e vento fortes, os Bombeiro são presença assídua nos meios de comunicação social, não tanto para falar, missão que cabe aos dirigentes, mas para agir, contra as garras das chamas devastadoras, que deixam rastos de dor indescritíveis de quem perdeu tudo ou muito do que construiu ao longo de vidas de canseiras. 
A nossa homenagem vai toda para os Bombeiro, que bem merecem o nosso apoio e ajuda possíveis, sem esquecer que eles dão, imensas vezes, o impossível.

F. M. 

Notas do Meu Diário – O fim de semana (2)

Jardim Oudinot e ambiente 


No sábado, passámos pelo Jardim Oudinot entre o meio-dia e a hora do almoço. Nas mesas com bancos, ou no chão, à sombra das árvores, famílias descontraídas ajeitavam-se para os petiscos preparados para o momento. Senti como o Verão proporciona convívios contagiantes, mas daqui a uns dias o Outono roubar-nos-á, decerto, a possibilidades de partilha num ambiente acolhedor como este, ora vivido, que o ventinho, inebriado pela maresia, vai temperando. 
Olhei as palmeiras, altíssimas, com as novas raízes no cocuruto, com sistema, ao que julgo, para as alimentar, a partir de ordens emanadas de baixo, naturalmente. Um torneio ou competição estava armado ao fundo, no outro extremo do jardim, para quem o desejasse ver e junto da réplica da guarita, agora transformada em bar, olhei à volta para contemplar o Farol e o canal de Mira, qual espelho que reflete o céu na sua pureza de um dia claro. 
No bar da Marina, pedimos água, simplesmente água. A empregada, com natural simpatia, serve-nos duas garrafinhas de água. Garrafinhas de vidros e copos também de vidro. Achei curioso e perguntei. “É em nome do ambiente que nos servem a água em garrafas de vidro?” . “Exatamente.” — disse-nos a jovem. E acrescentou: “Estamos a apostar nisso.” 
Gostei, sim senhor. 

F. M. 

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Festa em honra da Senhora dos Navegantes

14 e 15 de Setembro



Depois das festas em honra da nossa Padroeira, Nossa Senhora da Nazaré, a paróquia volta a animar-se, 15 dias depois, agora com as festas de Nossa Senhora dos Navegantes, venerada na igreja do Forte da Barra. Destaca-se nesta festa a já célebre procissão pela Ria de Aveiro que atrai muita gente de perto e de longe, não só para honrar a Senhora da devoção dos homens do mar e da laguna, bem como suas famílias, mas também para participar e apreciar as múltiplas embarcações engalanadas que se incorporam na procissão, com passagem obrigatória pela terra de São Jacinto e da Senhora das Areias, que aplaude e venera a Senhora dos Navegantes, também sua, como povo profundamente ligado ao mar e à ria.
Os festejos são uma organização do Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré, contando com os apoios de diversas entidades particulares, religiosas e oficiais, nomeadamente, do Porto de Aveiro e  Autarquias, mas ainda da paróquia de Nossa Senhora da Nazaré, sem os quais tudo seria muito difícil de levar a cabo com a dignidade habitual.
Destas festas, importa destacar a procissão lagunar com início marcado para as 14 horas, estando previsto o desembarque pelas 16h30 no Forte da Barra, seguindo-se a Eucaristia junto à igreja daquele lugar da Gafanha da Nazaré, fulcro de toda a devoção a Nossa Senhora e ao Senhor da Vida, que não deixará de ouvir as preces dos fiéis católicos, em especial homens do mar e seus familiares.
O Festival de Folclore que faz parte destas festas dedicadas à Senhora dos Navegantes conta este ano com a participação do Rancho Folclórico da Casa do Povo da Aguçadoura (Póvoa do Varzim), Rancho Folclórico do Centro Recreativo e Desportivo do Fial (Albergaria a Velha) e Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré, que tudo organiza, desde a restauração desta festa com procissão pela Ria.
A organização espera que os proprietários de barcos se associem para, com a sua participação, tornarem a festa mais vistosa e atraente para quem nos visita.

Fernando Martins

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Notas do meu Diário – O fim de semana (1)

Sábado – Um livro 


No sábado, comprei um livro de viagens. Gosto imenso de literatura de viagens porque nos permitem viajar sem sair de casa. Não é o mesmo, mas sempre aprendemos e alimentar sonhos de seguir os passos do viajante que partilha com o mundo a sua vivência. O livro, “Leva-me contigo”, é da autoria de Afonso Reis Cabral, o autor de “O Meu Irmão”, um trabalho premiado e de que gostei bastante. 
“Lava-me Contigo” relata-nos a peregrinação do autor a caminho do mar, partindo de Chaves e seguindo até Faro pela Estrada Nacional 2, 739 quilómetros,  durante 24 dias. Por companhia, contou com muitos amigos, conhecidos e desconhecidos, que o animaram, via Facebook, dia a dia, durante todo o trajeto.
Deixando que a estrada o guiasse, “cruzou montanhas, e planície, mergulhou em rios, caminhou debaixo de tempestades e sob o sol ardente”. E não adianto mais para suscitar a leitura do relato. A mítica estrada, a mais comprida de Portugal, foi vencida, a pé, pela primeira vez,  pelo Afonso Reis Cabral. Outros já o fizeram de carro, de bicicleta, de moto, mas a pé, qual maratona difícil de vencer, foi ele o primeiro. É ele o recordista. E não faltarão outros corajosos a segui-lo.

F. M. 

domingo, 8 de setembro de 2019

Anselmo Borges - Sobre a campanha eleitoral

 O  que se propõem fazer os partidos a favor da natalidade e da família? 
“Metade dos deputados no Parlamento não fazem 
nada de concreto ou sequer útil, anda lá só a ocupar o tempo.”

Macário Correia

1. É evidente que estou contente com o crescimento económico, com as notas positivas das agências de rating, com a diminuição do desemprego... Significa esse meu contentamento que participo da aparente euforia nacional sobre a situação do país? Não, infelizmente, não. E vou tentar explicar. 
Com a dívida pública que temos, com o endividamento privado para o consumo, dentro do fascínio causado pela percepção de que a situação económico-financeira está como nunca, com a recessão que se anuncia para a economia mundial (a Alemanha estagna, estão aí a “guerra” comercial entre os Estados Unidos e a China, o Brexit, a instabilidade na Itália...), e dado que vivemos internamente mais de uma situação conjuntural favorável do que de investimentos sólidos para um desenvolvimento estrutural sustentável, receio que o país venha a confrontar-se com percalços inesperados. 
Tenho a sensação de que a aparente euforia tenha na sua fonte um manto de mentira e ilusão que se foi abatendo sobre o país. Porventura acabou a austeridade? Veja-se o preço dos combustíveis, a carga de impostos e taxas e mais taxas, não sem sublinhar os impostos indirectos, que são os mais injustos porque cegos. E as famosas cativações? A saúde está bem? Quem é que o pode dizer e garantir com verdade? A educação está bem? Sinceramente, com louváveis excepções até de excelência, não creio: falo com professores, autênticos e dedicados profissionais, e dizem-me que não; pessoalmente, temo que, com alguns novos métodos já superados noutros países, o permanente experimentalismo e o imenso facilitismo reinante, entre outras coisas, estejamos a contribuir para o apagamento do pensamento crítico e o que o escritor Pérez-Reverte denunciou recentemente: “nunca o ser humano foi tão estúpido como agora”; em relação aos professores, veja-se a instabilidade em que vivem: há antigos alunos meus da Faculdade que andam há anos de escola em escola, percorrendo o país de norte a sul, dificilmente podendo constituir família ou ter filhos, e instala-se a desmotivação; no ensino superior, reconheço manchas de excelência também, mas não sei se está, no seu todo, a contribuir para que o nível de conhecimento real e crítico se mantenha, e é necessário apoiar harmonicamente tanto as ciências ditas exactas e as tecnologias como as ciências humanas, pois, sem ética e humanismo, para onde pode levar-nos o progresso tecnológico? E ainda: em vez de se acabar com as propinas para todos, atribua-se bolsas aos mais frágeis economicamente, mas capazes.

Bento Domingues - De Agosto para Setembro, Deus mudou?



1. Quando interrompi estas crónicas, as preocupações dos meios de comunicação, acerca do fenómeno religioso, estavam centradas em algumas sondagens, nomeadamente numa realizada na Alemanha, revelando que 52% dos inquiridos acreditava em Deus, mas só 22% se declarava religioso e comprometido com alguma instituição religiosa. Saiu daí o slogan: “espiritualidade sim, religião não”! Uma minoria mais jovem designava-se a si própria como “crente sem religião”.
Não vou regressar hoje a essa problemática. Com a modernidade, a religião deixou, em alguns países, de estruturar o Estado e a sociedade, mas só por miopia se poderia julgar que iria desaparecer. Foi-se reconfigurando, de modos diferentes, segundo as geografias culturais. As medições estatísticas são importantes para detectar alguns sinais de mudança. O futuro é, no entanto, o tempo das surpresas. Por razões que não irei explicitar, suponho que haverá muitas mudanças e eclipses, mas não me parece que o fim da religião, mesmo no Ocidente secularizado, esteja para breve.
Parece-me que o diálogo inter-religioso, no qual os participantes sejam capazes de rever as respectivas posições, no que poderão ter de agressivo, será um caminho com futuro. S. Pedro deixou uma boa regra para os cristãos: estai sempre prontos a dar a razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la pede; fazei-o, porém, com mansidão e respeito [1].
S. Pedro tocou no essencial: convicção, razão e bons modos são o caminho do cristão e, se o diálogo correr mal, mais vale sofrer do que fazer sofrer.

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