domingo, 20 de setembro de 2015

Festa da Senhora dos Navegantes

Procissão pela Ria 
foi manifestação de fé 
muito expressiva

Nossa Senhora no barco "Jesus nas Oliveiras" antes da partida


Hoje andei envolvido com a festa em honra de Nossa Senhora dos Navegantes, que tem o seu altar no mais antigo templo das Gafanhas, no Forte da Barra, Gafanha da Nazaré. Desde o meio-dia até quase ao fim da tarde, sem ter em conta as horas. Digo quase porque nem me lembrei de olhar para o relógio de tão cansado estar por permanecer de pé tanto tempo, ora caminhando, ora ficando como estaca à espera de motivos de interesse para registar. Havia-me comprometido a escrever um texto com ilustração adequada para o nosso “Timoneiro”, o que farei por estes dias. 
Tenho para mim que talvez seja esta a minha última reportagem sobre Nossa Senhora dos Navegantes, que merece e conta com a devoção de muita gente, direta ou indiretamente ligada ao mar e à ria. Digo isto por sentir que já não tenho forças para este tipo de trabalho.
Não se julgue, porém, que não gosto de trabalhar. Nada disso. Gosto mesmo de me ocupar com assuntos que me aproximem das pessoas e dos ambientes que mexem com a minha sensibilidade e com a minha fé. Nossa Senhora dos Navegantes era evocada inúmeras vezes por minha saudosa mãe, ou não fosse meu pai um marítimo que sentiu as agruras das ondas bravias desde tenra idade. 
A festa, que é enriquecida por uma procissão pela laguna aveirense, estende-se desde a Cale da Vila até à capelinha do Forte,  passa por terras de S. Jacinto e Senhora das Areias, que também dedicam merecida ternura à Mãe de Deus e nossa Mãe, permitiu-me a feliz oportunidade de reencontrar muitas pessoas que não via há anos e de falar com outras tantas com quem me cruzo frequentemente. Deu para perceber que a estes festejos da Senhora dos Navegantes não vão apenas os que têm fé, porque há quem simplesmente goste da apreciar o colorido e a alegria de quem participa com os seus barcos e barquinhos na procissão, ao jeito de quem se sente bem ao lado de Nossa Senhora nesta viagem anual.
A Eucaristia, presidida pelo nosso Bispo, D. António Moiteiro, logo depois da procissão, contou com a participação de muitos crentes e a seguir houve música pela Filarmónica Gafanhense e Festival de Folclore. Os foguetes ouviram-se longe e percebeu-se que o Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré se esmerou na organização, em parceria com a paróquia e diversas entidades públicas e privadas. 
No final, cansado mas feliz, deitei-me por sugestão da minha Lita, mas não consegui dormir. E se calhar, no próximo ano, lá estarei mais uma vez. Até Deus querer e enquanto me gratificar com a saúde necessária e suficiente. 



Uma igreja ou um museu?

Crónica de Frei Bento Domingues 

«Na preparação da viagem aos EUA, 
o Papa lembra aos americanos 
que todos são responsáveis por todos»


1. Este Papa continua a ser visto como um provocador na Igreja e na sociedade, a nível local e global. Uns gostam muito, outros não gostam mesmo nada. Os que se alegram com a sua chegada dizem que ele anda a reabrir janelas e a arrombar portas construídas para abafar a revolução libertadora de João XXIII e do Vaticano II.
Os assustados com a sua desenvoltura teológica e canónica esperam que a idade e o cansaço se encarreguem de os aliviar deste pesadelo. Não podem com as suas manias colegiais e a sistemática teimosia em interpretar os textos dos Evangelhos em ligação com as situações actuais da vida das pessoas e dos grupos, sejam essas situações de ordem espiritual, social, financeira, económica ou política.
Porque não deixa ele os textos bíblicos dormir em paz e sossego? A sua antiguidade merece e recomenda um eterno descanso.

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