Crónica Semanal
de Anselmo Borges
O que queremos verdadeiramente?
Porque em devir e abertos ao futuro, a esperança é princípio constituinte do cosmos, do ser humano e da história. A abertura ao futuro torna-se espera no animal, que precisa de procurar o que lhe falta. Tanto o animal como o ser humano esperam, com uma diferença: o animal fica satisfeito, quando obtém o que procura, mas o ser humano, após a realização de cada projecto, continua ilimitadamente aberto a um para lá, que o move, num transcendimento sem fim.
Segundo essa abertura ao futuro aconteça na confiança ou na desconfiança, a espera configura-se como esperança ou desesperança.
A esperança tem um duplo pólo: subjectivo e objectivo, devendo assim falar-se de esperança esperante e esperança esperada. Neste quadro, é fácil constatar no ser humano a diferença constitutiva entre a primeira e a segunda: por mais que a esperança esperante se materialize nas suas realizações concretas, nunca se realiza adequadamente, continuando insuperável um abismo, de tal modo que se impõe um plus ultra, um para lá de todo alcançado.


