domingo, 27 de setembro de 2020

POSTAL ILUSTRADO - Guarita

Réplica da antiga Guarita


 

INVENTÁRIO

Da crónica de António Barreto 
no PÚBLICO

Que pensa quem olha para este inventário? 

Chegámos a um cume nunca antes atingido! 
E ainda não vimos tudo. Um primeiro-ministro, um punhado de ministros, diversos secretários de Estado, vários directores-gerais, numerosos membros de gabinetes, múltiplos gestores, muitos banqueiros, directores bancários sem fim, juízes, procuradores, presidentes da Relação, desembargadores, advogados, professores de Direito, deputados, presidentes de câmara, vereadores, dirigentes de partidos nacionais e locais, chefes da polícia e oficiais das Forças Armadas: há de tudo entre notoriamente suspeitos, investigados, sob inquérito, em curso de instrução, arguidos, à espera de julgamento, condenados, à espera de recurso, a cumprir pena, presos e em detenção domiciliária! O elenco dos suspeitos de corrupção é uma lista de celebridades. 
Não há paralelo na história do país. E parece haver poucos casos semelhantes, se é que existe algum, na história recente da Europa… 

Deus onde está?

Crónica de Bento Domingues 
no PÚBLICO


Cristo não sacralizou a pobreza. Ao centrar o seu olhar e os seus cuidados 
nos marginalizados, abriu o caminho aos seus discípulos:
 fazei tudo para eliminar as periferias.

1. De Fátima a Meca ou a Jerusalém, o desconsolo é evidente em quem deseja e não consegue participar nas grandes celebrações da fé a que se estava habituado. As assembleias reduzidas, com observância rigorosa do novo ritual que impõe distâncias, uso obrigatório de máscara e um ritmo marcado de purificações das mãos, acentuam um clima de desconfiança mútua num cenário de catacumba.
Não é por causa de qualquer medida contra a liberdade religiosa, mas para defesa das ameaças de um vírus que não pergunta aos seus hóspedes se são crentes, agnósticos ou ateus.
A ciência tem-se mostrado muito lenta, como é normal, a encontrar remédios para o vencer e não surgem milagres disponíveis para a substituir. A oração intensa – nas suas inumeráveis formas – pode ajudar-nos a criar em nós um espírito de resistência e de esperança. Precisamos de abrir os olhos para todas as possibilidades de trabalhar por um mundo, onde a busca da justiça, banhada de sabedoria política dos cidadãos, se torne o nosso pão de cada dia. 

sábado, 26 de setembro de 2020

Prémio para o Expresso


«A Igreja Católica em Portugal atribuiu ontem o Prémio de Jornalismo Dom Manuel Falcão à reportagem sobre o ‘adeus dos monges da Cartuxa’, do jornal do Expresso.
O presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais destacou o “excelente trabalho” escolhido pelo júri, que “interliga o que é um comunicador, o que é uma peça jornalista, perante um espaço que é tão querido como a Cartuxa”.
“Com tudo o que a Cartuxa nos pode revelar, a partir da espiritualidade, do silêncio, do que foi uma história que teve agora uma pausa, que vai continuar com uma nova comunidade”, acrescentou D. João Lavrador, bispo de Angra.
Na cerimónia de entrega do Prémio de Jornalismo Dom Manuel Falcão que se realizou no final das Jornadas Nacionais de Comunicações Social 2020, o presidente do organismo da Igreja Católica em Portugal salientou ainda que “é um encanto muito grande” poder contar com estes contributos e, sobretudo, “em áreas tão específicas do que é a cultura íntima e profunda da espiritualidade de um povo como é o povo português que se vê também nestes espaços”.
O trabalho que abordou a saída dos monges Cartuxos de Portugal, em outubro de 2019, tem texto de Christiana Martins, fotografia de António Pedro Ferreira e vídeo e edição de José Cedovim Pinto.»

Fonte: Ecclesia 

Homem Corajoso

"Eu aprendi que a coragem não é a ausência de medo, mas o triunfo sobre ele. O homem corajoso não é aquele que não sente medo, mas aquele que conquista por cima do medo."

Nelson Mandela 
(1918-2013) 
Nobel da Paz 

Escrito na Pedra 
do PÙBLICO de hoje

OS PRAZERES DA COMIDA E DO SEXO: “DIVINOS”

Crónica de Anselmo Borges 
no Diário de Notícias

Papa e Carlo Petrini


1. Quando se fala da Igreja e do sexo, entra-se numa história muito complexa e pouco edificante. 
Significativamente, não é com a Bíblia que há dificuldades. De facto, no Antigo Testamento, lê-se, logo no primeiro livro, o Génesis, que Deus criou também a sexualidade e viu que era boa. Do mesmo Antigo Testamento faz parte um dos livros mais belos a cantar o amor erótico: o Cântico dos Cânticos. 
Já no Novo Testamento, Jesus raramente se referiu ao sexo, aliás nunca por iniciativa própria, mas para responder a perguntas que lhe foram feitas a propósito do divórcio e para defender a mulher. 

2. Factor decisivo para o envenenamento da relação foi a gnose, a primeira grande heresia com que o cristianismo teve de confrontar-se e que, desgraçadamente, não terminou. Segundo a gnose ou gnosticismo, a salvação não se alcança pela fé, mas pelo conhecimento, que é secreto e, em última análise, acessível apenas aos iniciados. Elemento essencial desta doutrina é que o Deus do Antigo Testamento, que é o criador do mundo, não é o mesmo que o Pai de Jesus Cristo. Este mundo, que é o mundo material, procede de uma queda e é mau. Os membros desta heresia insistiam concretamente, na continuação do platonismo, num dualismo radical de alma e corpo, matéria e espírito, sendo o corpo apenas uma espécie de “contentor” da alma: necessário, mas sempre inferior e indesejável. 

ARES DO OUTONO - Na varanda das memórias

Fotografia de José Manuel Rodrigues em "Jardins de Cristal" da Câmara Municipal do Porto


NA VARANDA DAS MEMÓRIAS

O teu rosto na varanda das memórias
é feito de sol.

Sento-me no banco velho do jardim,
e há palavras novas que se vêm
sentar no meu regaço.

Um pássaro cansado de céu
pousa no muro do outono,
e os meus olhos voam até ao sul,
agitados e brilhantes, no sol
do teu sorriso.

Era o tempo das cerejas,
e a idade dos rios correndo
na euforia das tardes,
até ao mar das palavras quentes.

Elas diziam tanto…
nada dizendo, afinal.

Mas isso que era nada e era tudo
bastava para o pôr-do-sol ser
o horizonte dos teus olhos nos meus.
E as cerejas eram sempre rubras,
tão doces, tão maduras na idade.

A cerejeira já não existe,
mas eu permaneço na varanda.

Sentada no sossego das lembranças,
afago o sol no meu regaço,
o sorriso do teu rosto.

Turíbia

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Rio do Silêncio

Pela Positiva há 10 anos


«Somente quando tiverdes bebido do rio do silêncio é que verdadeiramente cantareis. E quando tiverdes chegado ao cume da montanha é que começareis a escalada. E quando a terra reclamar os vossos membros, então dançareis.»

Khalil Gibran

Em “O Profeta”

Dr. José Rito

Figuras da nossa terra

José Rito nasceu a 19 de março de 1894, na Gafanha da Nazaré, filho de José Francisco Novo e de Custódia de Jesus. Licenciou-se em Medicina e especializou-se em Cirurgia na Universidade de Coimbra, a 30 de outubro de 1918, sendo o primeiro habitante da Gafanha a possuir este tipo de formação. 
Casou com D. Esperança Maria de Azevedo. Deste enlace nasceram dois filhos: Maria Henriqueta (20 janeiro 1932) e Frederico Elísio (13 de maio de 1935). 
Foi Delegado de Saúde de Ílhavo, tendo estabelecido o seu primeiro consultório, alugado, na Rua Arcebispo Pereira Bilhano. Em outubro de 1924, terminou a construção da sua casa na Rua José Estêvão (hoje pertença do CASCI), tendo mudado o seu consultório para esta morada. 
Mais tarde, a família mudou-se para o Solar dos Maias, na Rua de Alqueidão, propriedade que ainda hoje se mantém na família. 
São diversos os relatos que descrevem José Rito como uma pessoa muito preocupada com a comunidade onde se inseria, prestando cuidados às pessoas mais necessitadas de forma gratuita, chegando mesmo a custear-lhes os medicamentos. Aliás, a estima que os ilhavenses nutriam ao seu médico era tal que, a 11 de novembro de 1944, O Ilhavense, para responder às muitas solicitações que vinha recebendo, publicou que o Dr. José Rito se encontrava a aguardar uma intervenção cirúrgica numa casa de saúde de Coimbra, mas que se encontrava fora de perigo. 
Na sua lista de pacientes incluía-se D. Maria Henriqueta da Maia Alcoforado Cerveira, a quem prestou cuidados devido a uma grave depressão que a senhora enfrentou após a morte do marido, António Frederico Morais Cerveira. 
Faleceu a 11 de março de 1946, após doença prolongada. O funeral foi realizado no dia 13 de março, ficando sepultado no cemitério local. 

Notas:

1. Trabalho do Centro de Documentação de Ílhavo, integrado no projeto "Se esta rua fosse minha" 
2. O Dr. José Rito encontra-se representado na toponímia ilhavense, na Gafanha da Encarnação e na Gafanha da Nazaré. Na primeira, o topónimo foi criado em a 03/04/1996 (ata da CMI n.º 11/1996), após proposta da Junta e Assembleia de Freguesia da Gafanha da Encarnação e do Vereador João José Resende Bio. Na segunda, a primeira referência ao topónimo é de 1984 no Plano Geral de Urbanização das Gafanhas.

Curvas

Sugestão para passeio


Curva e contracurva no Caramulo. Nos horizontes que mudam minuto a minuto há necessariamente paisagens raras para quem vive na planície. Eu gosto enquanto penso nos que residem em aldeias isoladas, se calhar sonhando com outros ares. Bom fim de semana que já está a chegar.