Crónica Semanal de Anselmo Borges
1. Embora ao princípio tenha sido bastante ignorada, trata-se de uma obra decisivamente importante: Die Welt als Wille und Vorstellung (O mundo como vontade e representação), de Arthur Schopenhauer. “O mundo é a minha representação”, assim começa, pois é sempre com a nossa estrutura humana que o captamos. Mas o ser humano não se reduz ao conhecimento. Antes de pensarmos, vivemos: respiramos, comemos, bebemos, movimentamo-nos. Somos um corpo vivo que quer viver. No mais fundo de nós, somos vontade de viver e a mais forte expressão dessa vontade está no sexo e no instinto de reprodução.
Toda a vida orgânica é manifestação dessa vontade. É aterrador o que se passa na selva — também na “selva humana”. Mais: a vontade está na raiz das manifestações da natureza inorgânica — pense-se na potência que põe os astros em movimento, na energia nuclear, na força de atracção e repulsa dos elementos, nas tempestades, nos terramotos, nos vulcões.
O universo, aparentemente sereno, é um reboliço infindo, gigantesco.
Foi também aqui que Nietzsche veio beber a sua teorização da vontade de poder e do super-homem. O que é a moral vulgar senão a manifestação do ressentimento dos fracos contra os fortes?


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