sábado, 9 de maio de 2026

As “aparições” de Fátima

Crónica semanal de Anselmo Borges
Padre e professor de Filosofia

Nota introdutória

Em 2017, a célebre revista CONCILIUM, que se publica em várias línguas, pediu-me, atendendo ao centenário de Fátima, um texto sobre as aparições.
Porque muitas pessoas continuam a interrogar-se sobre as ditas aparições, permito-me, neste mês de Maio, retomar o texto.

1. Perguntam-me por vezes se acredito em Fátima. Respondo que Fátima não faz parte da fé católica, pode-se ser católico e não acreditar em Fátima. De qualquer forma, Fátima não é o centro do catolicismo.
Acrescento que não me repugna aceitar que houve em Fátima uma experiência religiosa. Os pastorinhos tiveram uma experiência religiosa, mas, evidentemente, foi uma experiência de crianças e à maneira de crianças, e enquadrada em esquemas próprios da sua visão do mundo e da religião, concretamente, a partir daquilo que ouviam na igreja e em casa. Por exemplo, nesse tempo, havia as famosas “missões”, com pregadores que chegavam armados com pregações aterrorizantes sobre o inferno, contra os pecadores, e, assim, é claro que a sua experiência teve aspectos benfazejos, mas também e talvez sobretudo aspectos tremendamente negativos, com dimensões de verdadeiro terror, quando, por exemplo, Nossa Senhora lhes teria feito ver as almas a arder no fogo do inferno. Que mãe agiria deste modo com os filhos, sobretudo na idade dos “videntes”, ainda crianças? Estou convicto de que essas imagens lhes tolheram a existência.

terça-feira, 5 de maio de 2026

Faleceu Senos da Fonseca


SAUDADES DE MIM MENINO

Ai barcas, ai barcas
Tão triste é vosso negror,
Por onde ides navegar?
Que espreita
O olho que levais na proa?
Ai amores, ai amores
Da ria amada.
Ai amores do verde pino…
Ai saudades de mim, menino
Levai-me em vosso vagar.

Senos da Fonseca

NOTA: Senos da Fonseca  vai ficar, assim creio, na memória de muitos amigos, nos quais me incluo. Sobre a sua extensa obra, há muito para reler e no meu blogue há diversas referências. 
A partida dos amigos é sempre dolorosa... é sempre inesperada...  é sempre inoportuna.  Como crente que sou, acredito que Deus o acolherá  no seu regaço maternal.

Em Fátima, rezei por ti

Jorge Pires Ferreira, 
Diocese de Aveiro

Quando era criança, guardei durante anos um bocado de sobreiro envernizado com um bocado de latão representando Nossa Senhora e os Pastorinhos e a legenda “Em Fátima, rezei por ti”. Se fosse hoje, talvez escondesse num canto tal oferta de um familiar. Aquele objeto, enquanto peça artística, corresponde ao mau gosto que enche tantas lojas de lembranças e recordações, como tão bem criticou Frei Bento Domingues. E muitos outros. Mas, para mim, na mesa de cabeceira, foi a certeza de que aquele familiar tinha rezado por mim, num tempo que que ir a Fátima era coisa que se fazia de cinco em cinco anos e levava o dia todo, mesmo para quem vivia apenas a pouco mais de cem quilómetros de Fátima, como é o caso de quem está na região de Aveiro. Só havia autoestradas à entrada de Lisboa e Porto.

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Liberdade de Imprensa


O Papa associou-se ontem, 3 de Maio, ao Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, promovido pela UNESCO, com uma evocação dos profissionais da comunicação social que perderam a vida no exercício da sua missão. A liberdade de imprensa implica esforço, coragem e riscos para chegar à verdade e para divulgar os factos, correndo riscos...
“Infelizmente, este direito é frequentemente violado, por vezes de forma flagrante, por vezes de forma escondida. Recordamos os muitos jornalistas e repórteres que foram vítimas da guerra e da violência”, lamentou o líder da Igreja Católica, falando aos peregrinos reunidos no Vaticano, para a recitação da oração do ‘Regina Caeli’.
Em Portugal, o presidente da República associou-se à data com uma mensagem focada no papel da comunicação social como pilar da democracia e contrapoder institucional.
“A Liberdade é o fundamento da democracia. E a Liberdade de Imprensa é uma das suas expressões mais exigentes – porque não se limita a existir, tem a obrigação de incomodar”, indicou António José Seguro, numa nota enviada hoje aos jornalistas.

Lugares da Gafanha da Nazaré

Cruzeiro antigo

"A Gafanha da Nazaré estava dividida em diversos lugares, fundamentalmente para definir a residência dos seus moradores. As habitações, na sua maioria modestas, eram construídas segundo a disponibilidade de terreno dos gafanhões. Mesmo nos princípios do século XX, as ruas e estradas eram poucas, fazendo-se as ligações às terras vizinhas, aos campos agrícolas ou entre os habitantes por simples caminhos de areia, que o rodado dos carros das vacas iam marcando. 
Não havia outra forma de indicar, por isso, as moradas dos gafanhões, que por estes areais se foram fixando. Foi, pois, natural a divisão da Gafanha da Nazaré em lugares, com designações que ainda hoje perduram, mas já sem qualquer importância. 
Presentemente, com ruas batizadas e numeração das portas, é muito fácil dar com a casa ou pessoa procurada. 
Para a história, portanto, aqui ficam os lugares da Gafanha da Nazaré: Bebedouro, Cale da Vila, Cambeia, Chave, Forte da Barra, Marinha Velha, Praia da Barra e Remelha (ou Romelha?)."

Maio de 2008


Dia Internacional do Bombeiro


O Dia Internacional do Bombeiro observa-se anualmente a 4 de Maio e é uma data dedicada a homenagear o trabalho, a coragem e o sacrifício dos bombeiros em todo o mundo.
Neste dia, dedicado aos "soldados" da paz, quero aproveitar esta data para saudar todos os que arriscam a vida para nos ajudar nos momentos difíceis dos fogos e dos acidentes, em especial.

sábado, 2 de maio de 2026

A vontade de poder e o Reino de Deus

Crónica Semanal de Anselmo Borges

1. Embora ao princípio tenha sido bastante ignorada, trata-se de uma obra decisivamente importante: Die Welt als Wille und Vorstellung (O mundo como vontade e representação), de Arthur Schopenhauer. “O mundo é a minha representação”, assim começa, pois é sempre com a nossa estrutura humana que o captamos. Mas o ser humano não se reduz ao conhecimento. Antes de pensarmos, vivemos: respiramos, comemos, bebemos, movimentamo-nos. Somos um corpo vivo que quer viver. No mais fundo de nós, somos vontade de viver e a mais forte expressão dessa vontade está no sexo e no instinto de reprodução.
Toda a vida orgânica é manifestação dessa vontade. É aterrador o que se passa na selva — também na “selva humana”. Mais: a vontade está na raiz das manifestações da natureza inorgânica — pense-se na potência que põe os astros em movimento, na energia nuclear, na força de atracção e repulsa dos elementos, nas tempestades, nos terramotos, nos vulcões.
O universo, aparentemente sereno, é um reboliço infindo, gigantesco.
Foi também aqui que Nietzsche veio beber a sua teorização da vontade de poder e do super-homem. O que é a moral vulgar senão a manifestação do ressentimento dos fracos contra os fortes?

As “aparições” de Fátima

Crónica semanal de Anselmo Borges Padre e professor de Filosofia Nota introdutória Em 2017, a célebre revista CONCILIUM, que se publica em ...