sábado, 27 de abril de 2024

SONETOS - Camões


Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?


Luís de Camões

NOTA: De "Os grandes livros portugueses" tentarei mostrar retalhos de vez em quando.

Depois da Festa - A vida continua

Festa na Gafanha da Nazaré

Depois da Festa, a vida continua. A Festa foi digna da efeméride que os portugueses celebraram com brio. Todos sentimos, porém, que a Abril, sinónimo de liberdade e de democracia, não é estável. É caminhada com rumo, mas sem fim à vista. O rumo está na felicidade que almejamos para TODOS.
Bom fim de semana.

sexta-feira, 26 de abril de 2024

25 DE ABRIL - A FESTA VOLTOU À RUA


Ontem, celebrámos o quinquagésimo aniversário do 25 de Abril como se fosse o Dia da Revolução. Diversas estruturas nacionais deram o seu melhor, mas o povo, tal como há 50 anos, mostrou à evidência que é quem mais ordena. Porque, meus amigos, se o povo se refugiasse na sua comodidade a festa não teria sentido. Palmas para todos os que conseguiram manter viva a chama da alma da Pátria, sustentada pela liberdada, pela democracia e pelo progesso. Tão protegida que se reacendeu com colorido e calor fraterno meio século depois.
Os cravos repartidos de mãos em mãos, as memórias frescas e genuínas dos amantes da liberdade, as canções e as vozes dos poetas que souberam refletir os apelos de paz, de democracia e de fraternidade sonhados durante décadas, voltaram a encher as nossas almas. Tudo isto aconteceu no 25 de Abril de 1974 e se repetiu ontem um pouco por todo o país e no coração de amantes da paz, da justica social, da democracia e do progresso sustentado.
Urge dar as mãos aos sem-abrigo e sem-pão para poderem suportar a caminhada da vida, em liberdade e paz. 
Viva o 25 de Abril!

Fernando Martins

quinta-feira, 25 de abril de 2024

25 de Abril - Um poema Sofia

25 de Abril

Esta é a madrugada que eu esperava
0 dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

Sofia Mello Breyner

Onde estava eu no 25 de Abril?



Manhã cedo, saio de casa rumo a Sever do Vouga. Rádio ligado era o meu companheiro de viagens. Uma boa forma para estar atento ao mundo. Estranhamente, enquanto metia gasolina na Cale da Vila, Gafanha da Nazaré, ouvi uma notícia que recomendava que nos mantivéssemos por casa. Havia problemas em Lisboa com militares. Uma professora de Ílhavo, que lecionava na Gafanha da Nazaré, estava a abastecer o seu carro, no sentido contrário ao meu. E dei-lhe a notícia que ouvira. — Não sei de nada… Eu vou para a escola. E foi.
Eu segui para Sever do Vouga. O que lá fiz está nos meus blogues. Pode ler, por exemplo, aqui.

O 25 de Abril foi, sem dúvida, o mais marcante acontecimento histórico da nossa  geração, mas não só. A criação de novas mentalidades, as transformações profundas a todos os níveis, a tomada de consciência dos direitos e deveres individuais e coletivos, bem como as aprendizagens do viver democrático surgiram aí.

Hoje, cinquenta anos passados, devemos à revolução dos cravos a consciência de que a marcha da história continuará a iluminar os nossos horizontes até desaparecerem as fomes, os sem-abrigo, os explorados e os perseguidos.


terça-feira, 23 de abril de 2024

Na casa de Afonso Lopes Vieira


Sempre gostei de visitar museus e outros espaços de arte. Passei umas três vezes pela Casa Museu Afonso Lopes Vieira, situada na Praia de São Pedro de Moel, onde registei alumas fotografias. Uma delas aqui exibo para matar saudades.

Dia Mundial do Livro

 


Grandes livros portugueses

Os Lusíadas – Luís de Camões
Os Maias – Eça de Queirós
Amor de Perdição – Camilo Castelo Branco
Mensagem – Fernando Pessoa
Auto da Barca do Inferno – Gil Vicente
Memorial do Convento – José Saramago
Sermão de St. António aos Peixes – Padre António Vieira
Peregrinação – Fernão Mendes Pinto
As Pupilas do Senhor Reitor – Júlio Dinis
Bichos – Miguel Torga
Viagens na Minha Terra – Almeida Garrett
Aparição – Vergílio Ferreira
Rimas – Bocage
O Livro de Cesário Verde – Cesário Verde
Clepsidra – Camilo Pessanha
Gaibéus – Alves Redol
Balada da Praia dos Cães – José Cardoso Pires
Mau Tempo No Canal – Vitorino Nemésio
As Mãos e os Frutos – Eugénio de Andrade
A Sibila – Augustina Bessa-Luís
Pena Capital – Mário Cesariny
O Medo – Al Berto
A Colher na Boca – Herberto Helder
Felizmente Há Luar! – Luís de Sttau Monteiro
Sinais de Fogo – Jorge de Sena
Charneca em Flor – Florbela Espanca
Poesia – Sophia de Mello Breyner Andresen

segunda-feira, 22 de abril de 2024

DIA DA TERRA

 



O Dia da Terra,  que hoje celebramos, é um alerta para os nossos comportamentos, face às obrigações que temos para quem tudo nos dá.  O ar que  respiramos, a água que bebemos  e o pão que comemos deviam levar-nos a refletir sobre os nossos comportamentos agressivos. 

Um dos meus prazeres é apreciar a natureza  na sua pureza virgem. Como o Caramulo que aqui deixo como desafio  aos meus amigos leitores,   para que o visitem.

Conduz-nos, Deus

"Conduz-nos, Deus,
de questão em questão,
de fogo em fogo,
sem satisfações que ao tempo bastem
e a nós assombrem

que passemos da catalogação
do que julgamos conhecer
ao poço dos enigmas infindáveis
onde o rosto é para sempre fundo,
desmentido, diferido

não nos mure a estrutura em espelho
que escamoteia a procura da verdade,
mas que o dom da tua palavra nos visite
como o cantar do galo,
a lembrar o dia novo,
o perdão e a graça."

José Augusto Mourão,

O Nome e a Forma,
Pedra Angular

domingo, 21 de abril de 2024

Flores do nosso jardim

 

Quando cirando à volta da nossa casa não resisto aos desafios que a natureza me lança. Hoje não pude passar indiferente à beleza das flores.


Ler faz bem

Frequentemente aparecem por aqui uns papéis publicitários com dizeres interessantes. O que tenho à mão diz uma coisa óbvia: "Ler faz bem". Pois é verdade, mas ainda há quem nunca tenha lido um livro. E diz mais: "Ler é sonhar pela mão de outrem", conforme sublinha Fernando Pessoa. E Voltaire garante que "A leitura engrandece a alma".
Querem um conselho? Aqui vai: Comecem a ler um livro que tenham por aí esquecido em qualquer canto. Bom domingo.

Declaração sobre a dignidade humana. 1

Crónica de Anselmo Borges 
no Diário de Notícias

No passado dia 8, o Vaticano publicou, com a aprovação do Papa Francisco, a Declaração Dignitas infinita (Dignidade infinita), um documento elaborado ao longo de 8 anos pelo Dicastério da Doutrina da Fé, presidido desde 2023 pelo teólogo argentino cardeal Victor Manuel Fernández. Nela, que lembra que este ano se celebram os 75 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, onde a palavra dignidade aparece cinco vezes e é declarada como “intrínseca a todos os membros da família humana” e que “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos”, tudo gira, como diz o título - Dignidade infinita - à volta da dignidade humana, “uma questão central no pensamento cristão”, como sublinhou o prefeito do Dicastério. De facto, o que é o Evangelho senão uma notícia boa e felicitante: Deus é bom, Pai e Mãe, tendo todos os homens e mulheres a dignidade soberana de filhos de Deus?

“Fenómenos de ausência de liberdade”

Razões, esperança, sonho para 
«os próximos 50 anos de democracia em Portugal»




«Juntos, construímos os próximos 50 anos de Democracia e Liberdade». Hoje, domingo, é o primeiro dia da semana que nos leva até aos primeiros 50 anos do 25 de abril de 1974.
“Apesar dos desafios da nossa época, 50 anos volvidos sobre o 25 de Abril, há razões para termos esperança e para sonharmos os próximos 50 anos de democracia em Portugal” - Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP)
Este organismo laical da Igreja Católica em Portugal alertou, numa nota, para a persistência de “fenómenos de ausência de liberdade”, como o aumento da intolerância.
“A sociedade portuguesa viveu grandes transformações positivas nos últimos 50 anos. Que este aniversário de abril nos reanime e comprometa na construção diária da liberdade que assenta na fraternidade, na justiça e na paz.”

NOTA: Ao abrir o PC, hoje de manhã, deparei com esta mensagem. 

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