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sábado, 22 de dezembro de 2018

Bom bacalhau na ceia da consoada



Por tradição ancestral, o bacalhau vai estar na mesa de muitos portugueses na próxima noite de consoada, 24 de dezembro. Não faltarão os doces próprios de cada região e outros petiscos, mas o fiel amigo faz jus ao seu apelido, ou não fosse ele, há bons anos, um peixe de pobres, sobretudo o miúdo e corrente. A partir daí, os mais crescidos, graúdos e especiais marcavam presença apenas nas mesas mais fartas.
Escolher o bacalhau para uma boa ceia de natal nem sempre está ao alcance de qualquer apreciador, mas as gentes com raízes nas Gafanhas, Ílhavo e arredores têm obrigação de conhecer umas dicas, não vá dar-se o caso de se comer gato por lebre.
Um gafanhão, António (Tony) Ribau, é especialista do assunto e dá uns conselhos, que a jornalista  Maria José Santana publicou no suplemento Fugas, do PÚBLICO.
Como aperitivo para ler a reportagem daquela jornalista, podem começar pelo texto que segue:

“O nosso vem da Noruega e é pescado por navios russos”, desvenda Tony Ribau. Chega aos Cais dos Bacalhoeiros, na Gafanha da Nazaré, Ílhavo, inteiro (à excepção da cabeça) e congelado. “É aqui que o escalamos, salgamos e secamos”, nota, sem deixar de lamentar que o antigo processo de secagem do bacalhau a céu aberto tenha sido proibido. “No fundo, quando se diz que o bacalhau tem cura tradicional portuguesa não é bem verdade, pois o peixe já não é colocado no exterior”, adverte o empresário, para o qual não restam quaisquer dúvidas: “O bacalhau ficava com outro sabor quando ficava ‘ao tempo’”.

Ler reportagem aqui 

domingo, 27 de dezembro de 2015

Notas do meu diário — Natal de 2015


1. Perdi a conta aos textos que escrevi por encomenda sobre o Natal. Há anos tive a coragem de declinar os convites que me chegavam nesta quadra talvez por recear repetir-me nas ideias, nos conceitos, na forma e no estilo. Julgo, porém, que podia e devia ter evitado a indelicadeza de dizer não, sobretudo a pessoas que muito estimo, mas na realidade fi-lo por receio de não dizer coisa de jeito. Contudo, gosto de escrever quando a vontade de o fazer me aperta ou quando sinto uma razão motivadora. Foi o caso deste ano...

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Visita à Costa Nova para arejar

Ria com as águas um pouco agitadas


«Hoje a Costa Nova 
deu-me a sensação 
de ter lavado a cara 
com mais cuidado»

Passei hoje de manhã pela Costa Nova para refrescar as ideias perturbadas um pouquinho por alguns excessos. Excessos próprios da quadra e estimulados pela excelente presença dos familiares que connosco consoaram até fora de horas. Nestas circunstâncias, nem damos pelo passar das horas. Graças a Deus pela alegria que todos proporcionaram, dando e recebendo o melhor que cada um tinha para partilhar. 
A Costa Nova estava desértica como nunca a vi. Comércio e restaurantes fechados tornaram mais visíveis o colorido das casas típicas que são um regalo para a vista. Hoje a Costa Nova deu-me a sensação de ter lavado a cara com mais cuidado, tal era o ar perfumado que se desprendia dos traços largos de cores brilhantes das paredes que o sol tornava mais atraentes para quem passava.
Junto à ria, com as águas um pouco agitadas e mais bonitas por isso, uns passaritos por ali andavam tranquilos à cata de minúsculos insetos. Habituados à presença dos residentes e veraneantes, olhavam de soslaio mas sem qualquer receio para mim e para quem me acompanhava. E seguiram a sua vida sem pressas.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Natal — Velha Mesa

O avô e a avó, logo à noite

Velha Mesa

Pai e Mãe.
À cabeceira,
Nosso Avô e nossa Avó…
Perto, o calor da lareira,
Que não deixa ninguém só.
E a história daquela mesa,
De ano a ano, repetida,
Lembra uma lanterna acesa,
Que alumia toda a vida!

Pedro Homem de Mello
Natal de 1959

Publicado na Agenda-Almanaque 
de Olegário Fernandes Artes Gráficas, S.A. 

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

A consoada

Bacalhau com todos

«É comum, por exemplo, que os emigrantes adotem no dia a dia a dieta alimentar dos países para onde se deslocaram. Mas há momentos (sobretudo os mais marcantes: um aniversário, uma festividade…) em que só o sabor das origens lhes dá o sabor da alegria.» Isto foi escrito por José Tolentino Mendonça, poeta, biblista, académico e padre no seu livro “A Mística do Instante — O tempo e a promessa”.
Partindo desta verdade, podemos dizer que na noite de consoada tudo isto se confirma, porquanto não serão as iguarias doutras terras (e mesmo as nossas, profundamente alteradas ou adulteradas pela indústria alimentar) que nos trazem o sabor da alegria natalícia. Por mim falo: Se houvesse mesa farta de tudo e mais alguma coisa, sem o “fiel amigo” com todos, as rabanadas e os bilharacos não seria consoada natalina.