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domingo, 24 de novembro de 2019

Bento Domingues - Hoje estarás comigo no paraíso


«Jesus já tinha rezado por todos os que o condenaram e maltrataram. Não tinha inferno para ninguém e deixou-nos uma missão: tirai as pessoas do inferno em que vivem.»

1. Anselmo Borges publicou, recentemente, dois artigos sobre A pena de morte e o inferno [1]. São duas peças notáveis de filosofia e teologia que é preciso meditar para perceber as razões que o levaram a dizer: Não há inferno. E, para explicitar mais o sentido dessa afirmação, remete para o livro editado pela Gradiva, Conversas com Anselmo Borges.
Antes de manifestar o prazer e o proveito que essa obra me ofereceu, gostaria de contar uma história que se passou comigo, numa aula de teologia, em Fátima, no âmbito dos Cursos de Verão do Instituto de S. Tomás de Aquino (ISTA).
Numa dessas aulas perguntaram-me se há ou não há inferno. Respondi que a minha esperança era nunca chegar a saber. Comentei, a brincar, que um amigo dizia que talvez existisse, pois sem ele os padres não tinham um instrumento forte para meter medo aos seus fregueses com a repetição cadenciada do estribilho dos sermões de Quaresma e de preparação para uma confissão assustada: sempre, nunca! Quem é condenado ao inferno, nunca de lá pode sair.
A resposta não caiu bem. Uma aluna indignada gritou-me: com coisas sérias não se brinca. O inferno existe. Nossa Senhora mostrou-o aos pastorinhos, junto da actual Capelinha das Aparições.
Tentei mostrar que acreditar em Fátima não fazia parte do credo da Igreja. É possível ser católico e não acreditar em Fátima. As impressões das criancinhas estavam condicionadas pelas figurações que aprendiam na catequese, nos sermões, nas conversas e orações das respectivas famílias. Nossa Senhora teria de lhes falar no imaginário e na linguagem que elas pudessem entender. As crianças também têm direito à imaginação e cada um à sua opinião.

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Festa de Cristo Rei

Georgino Rocha - Hoje estarás comigo no paraíso




Jesus responde, com esta certeza/promessa, à súplica do condenado à morte que está crucificado à sua direita. A súplica brota do reconhecimento da inocência de Jesus, injustamente sentenciado. Não assim, ele e o seu parceiro de aventuras malfeitoras. “Lembra-te de mim quando vieres com a tua realeza”, pede confiante, após ter censurado o colega pelos insultos e imprecações que vociferava. Apesar de ambos quererem salvar-se, que contraste de atitudes e sentimentos, de perspectivas e desejos! Um queria voltar à fase anterior à condenação, outro abre-se confiadamente à nova situação que intui de Jesus e humildemente faz-lhe um pedido comovedor. Lc 23, 35-43.
“Lembra-te de mim” é prece que tem sentido profético e ecoará por todo o tempo, fruto dos corações silenciados pela violência torturante, pela fome e pelas doenças esgotantes. Escutar e dar resposta a estes dramas é respeitar a humanidade, viver a solidariedade, potenciar a fraternidade. E está ao alcance de todos, sobretudo de quem, autorizado pelo povo, detém o poder. Sejamos humanos, escutemos os gemidos dos nossos irmãos!

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Festa de Cristo Rei: Seguir Jesus, o Senhor da Verdade

Georgino Rocha


"A Igreja quer estar liberta para servir a verdade. Em todas as situações. É missão que diz respeito a cada um/a. Conforme o espaço onde habita e o ambiente onde trabalha. A começar pela proximidade na família e alargando-se a outras lonjuras, pois o mundo é a nossa casa e a natureza nossa mãe."


Jesus, preso e amarrado, é levado a Pilatos por uma delegação das autoridades judaicas. Era de manhã e estava próxima a páscoa. O episódio abre a narração que São João faz do desfecho do processo de condenação à morte. Jesus é entregue como malfeitor e vai passar a ser um criminoso político. A sequência da acusação torna-se esclarecedora de tantas situações em que a verdade é sacrificada porque o interesse, a conveniência e o preconceito falam mais alto. Vamos deter-nos nos diálogos de Pilatos com Jesus e procurar penetrar nos sentimentos de cada um. Vamos ver pontos concretos que, à maneira de projectores, iluminam a consciência de quem quer agir livremente e tem regras para cumprir. Vamos acolher a novidade que Jesus nos transmite com a sua atitude, seu silêncio e sua palavra. (Jo 18, 33b-37).

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Georgino Rocha - A atenção aos pobres faz brilhar a glória do Senhor



Jesus manifesta grande preocupação em deixar claro aos discípulos o futuro definitivo e a sua articulação com o dia-a-dia da vida presente. Hoje recorre a uma visão profética, antecipando o que vai acontecer. Mateus, inspirando-se em relatos bíblicos solenes, apresenta os ensinamentos de Jesus de uma forma majestática: sentado em trono de glória, à maneira de juiz universal, a convocar todas as nações como um pastor ao seu rebanho, a fazer o discernimento final, a indicar a sorte de todos que será coerente com as decisões tomadas por cada um. É um momento que faz suster a respiração. É um instante que desvenda o sentido da vida e o seu desfecho definitivo, eterno. Sem possibilidades de recomeçar, de voltar atrás.

A imponência do juiz é suavizada pela proximidade e pela ternura do pastor que sem cessar cuida de cada uma, mesmo perdida em vales tenebrosos; pela solicitude que o leva a dar a vida pelo rebanho, a procurar o melhor alimento de que precisa. De facto, Jesus, Rei de Glória, pela ressurreição, é o mesmo que no poço de Jacob conversa com a samaritana e lhe pede de beber, o mesmo que colhe espigas de campo alheio para saciar a fome, o mesmo que se senta à mesa de Zaqueu, o mesmo que não tem onde repousar a cabeça por se ter doado inteiramente pelo bem dos outros. Que prodigiosa manifestação e que assombrosa catequese! A transformação operada na ressurreição confirma e eleva o sentido das acções quotidianas, da relação de convivío, do gesto de ajuda gratuita. Este é o critério decisivo. Cada um semeia no tempo o que colherá na eternidade. Não porque Deus se desinteresse de nós, mas porque respeita incondicionalmente a nossa liberdade. Que responsabilidade assumimos ao sermos livres! Sejamos dignos da confiança que Deus tem em nós e poupemos-lhe o risco de nos ver afastados para sempre do seu abraço de Pai.

O espanto dos convocados é geral. Nem sequer suspeitam do alcance do bem que fizeram aos pobres, de toda a espécie. “Quando é que Te vimos com fome e te demos de comer?” E a lista das obras de misericórdia continua, abrangendo as necessidades fundamentais do ser humano. A resposta não deixa dúvidas: “Sempre que o fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, foi a Mim que o fizestes”. Ou o contrário: deixastes de fazer a eles, a Mim o deixastes de fazer. A estes é confirmada a sua opção de afastamento realizada na recusa; àqueles, é reconhecida a sua atitude de bem-fazer e selada com uma grande abraço, acompanhado do convite amoroso: “Vinde benditos de Meu Pai. Recebei em herança o Reino preparado para vós”.

O Papa Francisco, na homilia da missa do Dia Mundial dos Pobres, afirma que “nos pobres "manifesta-se a presença de Jesus, que, sendo rico, fez-se pobre”. Neles, pois, “na sua fraqueza, há uma ‘força de salvação’. E, se aos olhos do mundo eles têm pouco valor, são eles que nos abrem o caminho para o céu, são o ‘nosso passaporte para o paraíso’”. E "para nós, é um dever evangélico cuidar deles, que são a nossa verdadeira riqueza; e fazê-lo não só dando pão, mas também repartindo com eles o pão da Palavra, do qual são os destinatários mais naturais. Amar o pobre significa lutar contra todas as pobrezas, espirituais e materiais". E insistiu que "nos fará bem" lembrar-nos disso. Na verdade, concluiu: "aproximar-se de quem é mais pobre do que nós, tocará as nossas vidas”.

‘Para mim, o que conta na vida? Em que invisto? Na riqueza que passa, da qual o mundo nunca se sacia, ou na riqueza de Deus, que dá a vida eterna?’ Diante de nós está esta escolha: viver para ter na terra ou dar para ganhar o céu. Com efeito, para o céu, não vale o que se tem, mas o que se dá”, conclui o Papa a sua forte interpelação.

Jesus é um Rei surpreendente e desconcertante. Ele, o Senhor da Glória, deixa-nos o exemplo e o apelo, o valor da atenção gratuita e da relação confiante, do sentido das coisas e do seu uso funcional, da solidariedade operativa e da caridade que realiza por amor o que não se faria por preço nenhum deste mundo. Este é o nosso Rei e Senhor. Não desfiguremos o seu rosto. Avivemos os seus traços com as nossas atitudes.
 

domingo, 23 de novembro de 2014

Que rei é este?

Crónica de Frei Bento Domingues 

Que rei é este que esvazia 
a solenidade divina 
e exalta a condição humana?


1. A celebração litúrgica de Cristo Rei foi instituída por Pio XI, em 1925, com as monarquias em crise e as repúblicas em conflito com a Igreja Católica.
Tornou-se, depois, a coroa do ano litúrgico que recomeça com o Advento, ritmando o infindável acontecer da graça divina – simbolizado na Liturgia – que atinge todos os tempos e lugares, como fonte de libertação das nossas servidões mentais e afectivas, antigas ou novas, materiais, culturais ou religiosas. Sem um programa libertário, o ciclo litúrgico anual dará a ideia do eterno retorno do mesmo.
Quem, por outro lado, desejar conhecer a história do Santuário Nacional de Cristo Rei, elevado, em Almada, a 113 metros acima do Tejo, pode recorrer às informações do Google. Mas com ou sem esse facilitador, abandone os preconceitos e suba ao miradouro mais abrangente sobre a deslumbrante e inesgotável beleza de Lisboa. Regale os olhos e medite no que o tempo faz às cidades e à nossa vida, entre a ruina e o contínuo renascer. Com passaportes dourados ou não, não deixemos privatizar as cidades de milenares gerações de povos e culturas. Que as mil formas de criatividade as tornem cada vez mais acolhedoras.
A simbólica bíblica de “Cristo Rei” implica a luta contra miragens de grandeza efêmera das dominações imperiais e a redescoberta de uma cidadania de acolhimento e serviço de todos, a começar pelos mais pobres, os sobrantes e descartáveis, na linguagem do Papa Francisco.

sábado, 23 de novembro de 2013

Festa de Cristo Rei


HOJE ESTARÁS COMIGO NO PARAÍSO


Georgino Rocha

Jesus responde com esta certeza/promessa à súplica do condenado à morte que está crucifixado à sua direita. A súplica brota do reconhecimento da inocência de Jesus, injustamente sentenciado. Não assim ele e o seu parceiro de aventuras malfeitoras. “Lembra-te de mim quando vieres com a tua realeza”, pede confiante, após ter censurado o colega pelos insultos e imprecações que vociferava.

“Lembra-te de mim” é prece que tem sentido profético e ecoará por todo o tempo, fruto dos corações silenciados pela violência torturante, pela fome e pelas doenças esgotantes. Os países mais pobres do mundo ou mais fustigados pelos cataclismos ocupam, hoje, o lugar e erguem a voz daquele condenado: Somália, Sudão do Sul, Haiti, Bolívia, Filipinas, República Centro Africana; a onda dos imigrantes indocumentados, dos sem trabalho nem quaisquer garantias sociais, dos doentes sem apoio médico e medicamentoso, dos idosos descartáveis, dos escravizados, das crianças sujeitas às mais vis sevícias e tantos outros “perseguidos” pela indiferença de muitos e pelas garras do poder. Escutar e dar resposta é respeitar a humanidade, viver a solidariedade, potenciar a fraternidade. E está ao alcance de todos, sobretudo de quem, autorizado pelo povo, detém o poder. Sejamos humanos, escutemos os gemidos dos nossos irmãos! 

domingo, 17 de maio de 2009

Bento XVI deixa mensagem por ocasião dos 50 anos do Cristo Rei

Papa apela a um «Portugal melhor"
Bento XVI deixou este Domingo uma “súplica” ao Cristo Rei por “um Portugal melhor”, assinalando os 50 anos da inauguração do monumento, em Almada. O Papa, que falava depois da recitação da oração mariana do Regina Coeli, na Praça de São Pedro pediu que o nosso país seja “fiel na fé católica, fértil na santidade, próspero na economia, justo na partilha da riqueza, fraterno no desenvolvimento, alegre no serviço público”. “Quero saudar os cristãos de Portugal que neste dia se reúnem com todo o Episcopado para celebrar - sob a presidência do meu Enviado Especial, o Cardeal Dom José Saraiva Martins - o cinquentenário da inauguração do Santuário de Cristo Rei em Almada, na diocese de Setúbal”, disse, no Vaticano. Para Bento XVI, “lá erguido bem alto, bem visível, o Redentor divino com o coração e os braços abertos é oferta de paz à humanidade”. “Bem o sabe o povo português que, há cinquenta anos, se uniu para levantar aquele memorial da paz, por graça recebida em atenção à sua consagração ao Imaculado Coração de Maria”, acrescentou. Em conclusão, o Papa exortou “a perseverar na referida consagração à Virgem Mãe, que arrasta os corações, como ninguém mais sabe fazer, e lança-os nos braços da misericórdia do Senhor”. Bento XVI abordou, neste encontro com os peregrinos, a sua recente viagem à Terra Santa e a situação no Sri Lanka.