Mostrar mensagens com a etiqueta Casa Gafanhoa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Casa Gafanhoa. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 5 de julho de 2022

CASA GAFANHOA - Vale a pena recordar

A propósito do Festival de Folclore 
que vai realizar-se no próximo sábado 



Maria Merendeiro - proprietária
A CASA GAFANHOA, pólo museológico do Museu Marítimo de Ílhavo,  foi inaugurada em 11 de Novembro de 2000. Trata-se de um edifício do princípio do século XX, que foi adquirido pela Câmara Municipal de Ílhavo e entregue à administração do Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré, a entidade que mais lutou por este espaço, que reflecte a vida de um lavrador rico desta região. 
A casa antiga, depois de bem restaurada com todo o respeito pela traça original, mostra um recheio totalmente dominado por móveis e utensílios do princípio do século, num desafio constante à pesquisa e estudo de quanto os primeiros gafanhões nos legaram, mostrando um viver simples, mas prático, que não pode hoje deixar de nos encantar pela simplicidade que se desprende de tudo. 


Recorrendo à minha memória, posso lembrar que nas casas gafanhoas podia ver-se a cozinha com a sua trempe de ferro, panelas de três pés, aparadores, mesa e bancos toscos. Os talheres eram de ferro e alguns de cabo de osso. A um canto havia a cantareira com a respectiva cântara de ir à fonte buscar água, junto à mata da Gafanha, que dava gosto beber pela sua limpidez e frescura (que lhe era dada pela cântara de barro). 

Cozinha com membro do GEGN

Na cozinha de fora, mais modesta, com chão de junco, e na principal, de tudo um pouco ali se encontrava, desde roupa pendurada nos cabides até aos armários com louça e com comida que se não estragasse com o calor. O forno, onde se fabricava a sempre apetecida boroa de milho (e com que apetite era esperada a bola — boroa pequena e achatada — para comer com chouriço ou alguma carne de porco, mesmo gorda), era obrigatório em quase todas as casas gafanhoas. E também a salgadeira que guardava, no sal, o porco, governo de todo o ano. Também ali ficava, a um canto, a barrica com sardinha salgada, bem acamada. 

Quarto com cama de casal

Na CASA GAFANHOA, podem apreciar-se os quartos pequenos, onde mal cabia uma cama e a respectiva mesa-de-cabeceira, com a mala do enxoval da casa, quantas vezes sem guarda-fatos e sem outros móveis, que o dinheiro e os hábitos não davam para mais. Sobre as camas das casas gafanhoas não faltavam as mantas de tiras, que as tecedeiras fabricavam com farrapos e restos de roupa velha, tiras essas cortadas nas noites de Inverno, ao serão, sobretudo pelas mulheres da casa. Mas ainda se hão-de admirar cobertores grosseiros de lã, lençóis de linho churro, e a um canto, o lavatório, normalmente só usado aquando da visita do médico a algum familiar doente. 

Sala do Senhor

A Sala do Senhor, à frente, que se abria na Páscoa ou em dias de casamento ou baptizado, com um crucifixo sobre uma toalha alva, em cima da cómoda, onde se guardavam as roupas brancas e de festa. Havia cadeiras à volta, retratos nas paredes, principalmente dos casamentos, ampliados, que são actualmente grandes e importantes fontes de conhecimento da maneira de vestir e de ser das pessoas dos tempos antigos, sobretudo desde que a fotografia começou a marcar presença e a registar os principais acontecimentos das famílias. Aliás, em cima da cómoda, onde dois castiçais suportavam outras tantas velas para acender em dias de trovoada e, ainda, quando havia a visita das “almas” e quando se velavam os mortos, podiam ver-se algumas fotos de datas marcantes da família, a par das jarras de flores, renovadas semana após semana. 

Currais e arrumos
No pátio interior não faltam as padiolas, os carros de mão e de vacas ou bois, com todos os seus apetrechos, as várias alfaias agrícolas, encabadas com paus toscos, a charrua e o arado, a um canto o galinheiro para as galinhas e galos, sobretudo, se refugiarem à noite, pois que de dia andavam, normalmente, a campo, comendo sementes, restos de comida e bicharada, quando não comiam outras coisas bem piores. E também não falta a retrete, pequena e de tampo de madeira, com o indispensável buraco a meio, que quarto de banho era coisa que não existia. E porque falamos de quarto de banho, o tal que só apareceu muito mais tarde, talvez na década de 50 para o grosso da população, que os mais ricos já o tinham havia algum tempo, se não nos falha a memória, perguntar-se-á onde tomavam banho os gafanhões. Ao que nos têm dito, tomavam-no na cozinha, geralmente ampla e que dava para o viver do dia-a-dia, numa grande bacia de lata, com água aquecida nas panelas de ferro de três pés. 
Forno
A água estava sempre quente, para o que fosse preciso, porque se cozinhava em panelas mais pequenas. Para o que fosse preciso, significa para lavar a loiça e para se lavarem, antes de se deitarem, especialmente os pés, que nem tudo podia ser lavado todos os dias, talvez por falta de hábito. Para o pátio interior ainda davam os currais dos porcos e das vacas ou bois, que sempre berravam acusando a falta da "lavagem", os primeiros, e da erva ou palha seca, de milho, os segundos. O celeiro também tinha uma porta para este pátio e às vezes para o exterior. 
Nos beirais dos telhado viam-se as abóboras a secar e à espera do Natal, para fazer os bilharacos. No pátio de fora não faltava a eira, onde se malhavam e secavam os cereais, cobertos de noite pelo tolde, feito de palha de centeio, a estrumeira (quando não era no pátio interior), para onde se deitava tudo o que pudesse transformar-se com o tempo em esterco, tão necessário à fertilização dos solos, a par do moliço e de mistura com ele. 

Poço de rega
Viam-se as medas de palha e o “cabanéu” (prisma triangular, feito de uma armação de troncos de eucalipto e de ripas, e deitada sobre uma face), onde se arrumavam lateralmente e num dos topos, bem apertadas para não entrar a chuva, as palhas de milho, secas, para no Inverno servirem para alimento do gado. No interior guardavam-se alfaias agrícolas, menos usadas no dia-a-dia, e também ali dormiam, em especial os filhos da família, quando havia milho na eira, para o guardar dos ladrões que às vezes deixavam o lavrador sem nada do que granjeou durante todo o ano agrícola. Claro que não podemos esquecer, o poço, de onde se tirava a água para os usos domésticos, e um outro, o de rega, com o seu engenho puxado por vaca ou boi, que servia para regar o aido. 

Fernando Martins



NOTA: Texto escrito há anos e agora republicado

quarta-feira, 18 de maio de 2022

Dia Internacional dos Museus

Meras sugestões

Museu Marítimo de Ílhavo

Santo André

Casa Gafanhoa

Celebra-se hoje, 18 de Maio, o Dia Internacional dos Museus, que nasceu em 1977. Não vale a pena explicar o que é um museu, mas importa dizer que nasceram para preservar o que não pode ser esquecido. Há museus de tudo e para todos, muito embora não falte quem lhes passe ao lado.
Eu sempre gostei de museus e quando os visito saio sempre muito mais rico, pelas recordações que me suscitam. Há sempre imensa coisa que recordamos, levando-nos a reviver tempos idos.
Sugiro aos meus leitores que visitem hoje ou no próximo fim de semana um museu do nosso concelho.

FM

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Festival Nacional de Folclore da Gafanha da Nazaré

Espaço da "Casa Gafanhoa" vai ser melhorado e ampliado 

Ferreira da Silva na abertura do festival
Ana Abrantes com o GEGN
Ana do Grupo Etnográfico, Miguel Almeida e Ana Abrantes

Paulo Costa com o grupo Cantarinhas de Triana
Fernando Martins com o grupo de Pevidém
Vasco Lagarto com os Camponeses de Vale das Mós
Carlos Rocha com o Rancho de Parada de Gonta
Realizou-se no sábado, 2 de julho, no Jardim 31 de Agosto, o XXXIII Festival Nacional de Folclore, com organização do Grupo Etnográfico da nossa terra, não faltando a habitual presença do público, sobretudo do que se revê com gosto nestas manifestações que trazem até ao presente vivências, usos e costumes dos nossos antepassados.
Na abertura do Festival, na Casa Gafanhoa, o vereador da Cultura, Paulo Costa, em representação da Câmara Municipal de Ílhavo, afirmou, referindo-se à Casa Gafanhoa, que a Gafanha da Nazaré tem «a caraterística ligação à terra e ao mar», sublinhando que somos hoje a Capital do Bacalhau, estando nesta terra «o maior património nacional relacionado com a pesca e transformação do fiel amigo».
Referiu que foi com muito gosto que há uns anos atrás foi membro do grupo, desempenhando o papel de jornaleiro, «andando com o malho às costas». Disse que «não fazemos nenhum favor aos grupos etnográficos», sendo certo «que são eles que muito nos dão a nós». E garantiu que o GEGN é para a CMI «um parceiro de excelência, tendo a autarquia trabalhado com ele desde a sua fundação». 
Paulo Costa informou que a Casa Gafanhoa vai sofrer obras «a médio prazo», para que o museu se apresente «com mais qualidade» para receber o espólio que o GEGN tem conseguido juntar. «O espaço vai ser melhorado e ampliado, com novas condições», disse. Ao desejar as boas-vindas aos grupos convidados, manifestou o desejo de que fiquem com vontade de voltar ao nosso concelho, que muito tem para oferecer.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Folclore na Gafanha da Nazaré

XXXIII Festival Nacional de Folclore 
da Gafanha da Nazaré

Cozinha da Casa Gafanhoa (foto de arquivo)

 Vai realizar-se, no próximo dia 2 de julho, o XXXIII Festival Nacional de Folclore da Gafanha da Nazaré, no Jardim 31 de Agosto, às 21h30, por iniciativa do Grupo Etnográfico da nossa terra, esperando-se a adesão de todos os amantes das tradições etnográficas.
Para além do grupo anfitrião, participam o Grupo Folclórico de Parada de Gonta — Tondela, Viseu; a Associação Folclórica Cantarinhas da Triana — Rio Tinto; o Rancho Folclórico e Etnográfico "Os Camponeses de Vale das Mós" — Abrantes; e o Grupo Regional Folclórico e Agrícola de Pevidém — Guimarães. Do programa consta a receção aos grupos convidados, uma visita à Casa Gafanhoa com cerimónia de abertura e entrega de lembranças, jantar na Escola Preparatória da Gafanha da Nazaré para convidados e autoridades, desfile às 21h, seguindo-se o festival.

sábado, 9 de abril de 2016

Gastronomia: “Prato à Casa Gafanhoa”

Bom apetite


Ingredientes:

1 posta de bacalhau 
4 batatas 
120g de feijão verde 
1 cebola 
2 dentes de alho 
Vinho Branco 
Pimento verde 
Pimento vermelho 
Louro 
Azeite 
Polpa de tomate

Preparação:

Passe a posta de bacalhau previamente demolhada pela farinha, frite em azeite e retire. 
Aproveite a fritura e coloque a cebola às rodelas, o alho picado, os pimentos às tiras, o louro, a polpa de tomate e, por fim, o vinho branco. 
Regue a posta de bacalhau com o molho e leve ao forno a gratinar. Sirva com batata cozida e feijão verde. 
Decore a gosto.

Receita gentilmente cedida pelo Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré, Associação participante no Concurso Gastronómico do Festival do Bacalhau 2015.

Fonte: Agenda "Viver em..." da CMI


segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Universidade Sénior visita a Casa Gafanhoa









Azulejos da Casa Gafanhoa

A Casa Gafanhoa precisa de mais apoios


Um grupo de pessoas que frequentam a Universidade Sénior visitou hoje a Casa Gafanhoa, onde foi possível recordar vivências de tempos que já lá vão. Uns conheceram os antigos proprietários, Vergílio Ribau e Maria Merendeiro, e outros deles ouviram falar. Mas todos preservam na memória estórias do viver antigo, de gente que fez a Gafanha, com tenacidade indesmentível.



Alunos da Universidade Sénior

O fundador e presidente da direcção do Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré, Alfredo Ferreira da Silva, teve a gentileza de acompanhar os visitantes, prestando os esclarecimentos que se impunham, para quem gosta de saber. Em cada compartimento da Casa Gafanhoa sublinhou o que era de sublinhar, mas não escondeu que este espaço museológico precisa de ser mais dinamizado e acarinhado por toda a gente.
Apontou as peças expostas pela casa que vieram do tempo dos proprietários, referiu as que foram adquiridas e lembrou as que foram oferecidas. Há algumas que, por falta de espaço, aguardam que o Grupo possa usufruir de outro edifício, anexo à Casa Gafanhoa ou outro, para as apresentar aos que apreciam o que resta do tempo dos nossos avós.



Pintura das paredes (interior)

Durante a visita foi sublinhado que esta iniciativa da Universidade Sénior da Fundação Prior Sardo se apresenta como estímulo para novos desafios, à volta da identidade dos nossos avoengos, que o mesmo é dizer, dos actuais gafanhões.

FM

sábado, 21 de junho de 2008

Casa Gafanhoa

Há tempos escrevi aqui um texto, ilustrado com fotos da Casa Gafanhoa. Volto a ele e às fotos, por me parecer pertinente, neste início do Verão, época das férias grandes. Grandes significa com mais tempo para visitar o que há de importante.

domingo, 16 de janeiro de 2005

A Casa Gafanhoa


O Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré concretizou, há anos, um sonho, quando montou uma casa-museu - "A casa gafanhoa" -, não só para recrear o lar tradicional dos nossos avós, com todos os seus pertences, mas também para tudo depois poder mostrar aos actuais e futuros gafanhões e, ainda, aos turistas mais interessados em conhecer de perto a vida dos nossos antepassados. 
A casa antiga, que foi do senhor Vergílio Ribau e de esposa, D. Maria Merendeiro, foi preservada com muitos dos seus haveres e enriquecida com outros, oferece aos visitantes um conjunto agradável de ver. Vale a pena, por isso, ser visitada, para se ficar a conhecer um espaço museológico com muitos sinais do princípio do século XX. 

Publicação em destaque

PELA POSITIVA CHEGOU AO FIM

 Saudações especiais para todos os amigos leitores. Terei de seguir outros caminhos porque parar é morrer. Fernando Martins

Os meus blogues

Seguidores