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sábado, 6 de outubro de 2018

Pensantes e não pensantes

Anselmo Borges

Imersos numa crise sem precedentes da Igreja Católica, que está longe de terminar, retomo, na substância e com a devida vénia, um texto que escrevi para o livro Portugal Católico. A Beleza na Diversidade.

1. Quando cheguei à universidade, admirava-me com o espanto de estudantes e até de professores por causa do meu pensar interrogativo no que se refere à religião. No entanto, I. Kant tinha razão ao escrever que a religião, apesar da sua majestade, não pode ficar imune à crítica. Só uma Igreja autocrítica e que acolhe a crítica da sua realidade tantas vezes tenebrosa pode criticar as infâmias do mundo.
Julgo que continua em Portugal a ideia de que o católico na Igreja está infectado por uma fé dogmática, imóvel e incapaz de pensamento aberto e crítico. A pergunta é: Quem assim pensa estará enganado? Infelizmente, parece-me que não. De facto, quando se pensa nas feridas deixadas pela Inquisição, que tolheu a abertura do pensar, e num clero frequentemente inculto, que se deixou ultrapassar pelo mundo moderno - ouça-se as homilias de grande parte dos padres, impreparadas, inúteis ou mesmo prejudiciais -, fica-se com a convicção de que a Igreja se imobilizou num mundo do dogma repetitivo de uma doutrina que já não é aliciante para a vida e que, pelo contrário, transformou o Evangelho, notícia boa e felicitante, em Disangelho, notícia infeliz e de desgraça, para utilizar a palavra de Nietzsche. Drama maior: a modernidade acabou por ter de impor à Igreja oficial o que é património e herança do Evangelho: os direitos humanos, a liberdade, a igualdade, a separação da Igreja e do Estado.

domingo, 17 de setembro de 2017

Miguel Torga — Um poema


UM POEMA

Um poema, poeta!
É o que a vida te pede.
A fome diligente
Colhe
E recolhe
Os frutos e a semente
Doutros frutos.
Junta à fecundidade
Da natureza
Os frutos da beleza...
Versos grados e doces
Na festa do pomar!
Versos, como se fosses
Mais um ramo, a vergar.


Miguel Torga,
in "Poesia Completa"

Ilustração da rede global

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Da beleza



"Depois, um poeta disse-lhe: Fala-nos da beleza.

E ele respondeu:
Onde procurareis a beleza e como a encontrareis se ela não for o vosso caminho e o vosso guia?
E como falareis dela se ela não for o artesão que tece os vossos discursos?"

Khalil Gibran
in "O Profeta"

domingo, 27 de dezembro de 2015

As belezas da natureza


A Natureza é uma fonte inesgotável de belezas. As paisagens, os animais e as plantas das infindáveis espécies e as pessoas, fontes intermináveis de expressões. Julgo que sei apreciar a beleza, esteja ela onde estiver, mas nunca consegui identificar certas plantas e animais que saiam do nosso quotidiano. Como esta ave que vi na margem da Ria.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Beleza


O desgaste da vida por vezes arrasta-nos para uma normal ansiedade. Nem sabemos o que fazer, mas sabemos que temos de fazer alguma coisa, que nos devolva a alegria de viver. Para mim, o olhar para a natureza, tão bela e tão benfazeja, é razão mais do que suficiente para acalmar e recuperar o sabor de estar vivo. Daí a busca do belo reconfortante que se encontra em cada canto. Como aconteceu hoje com esta flor  encostada ao muro, tímida mas brilhante, serena e estimulante. E tanto basta para a partilhar com os meus amigos.

sábado, 24 de julho de 2010

As Teias que a Vida Tece

Foto de Carlos Duarte


Ao passar pelo  seu jardim, os olhos perscrutantes de desafios  inesperados do fotógrafo-artista Carlos Duarte depararam-se com esta beleza da natureza. Tanto bastou para que a teia da asa da borboleta,  trespassada pela luz rejuvenescedora de vida e cores, de traços e enigmas, pudesse correr mundo, saltando do  canteiro do meu amigo,  neste sábado de sol luminoso, para o mundo cheio de encantos por descobrir. 

FM

Nota: Clicar na foto para ver melhor.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

O Belo, por João Bénard da Costa

Quando me sentei aqui e olhei à volta, pensei que estava numa situação paradoxal. Ou seja, vinha falar sobre o Belo, num sítio que nos impõe imediatamente o conceito de Beleza. Este é um lugar de beleza. Se podemos secundarizar a Sé de Lisboa em relação a outras grandes catedrais românicas anteriores ou da mesma época, se podemos e devemos recordar todas as destruições, modificações, restauros que sofreu durante os tempos, nenhuma dessas contingências ou comparações diminui a beleza deste espaço. E aqui começa a primeira pergunta ou o primeiro mistério. Porquê e a quê chamamos Belo? A segunda pergunta que podemos fazer, associada a essa, é porque é que, não só na religião católica mas em praticamente todas as religiões, os templos, os lugares de oração, são – ou foram – privilegiadamente lugares de Beleza? Isto acontece no Oriente, no Ocidente, no Japão, na China, na Grécia, no Egipto, etc. Porquê a imediata associação da Beleza a um lugar onde se vai não para admirar uma coisa bela, mas para rezar, para entrar em diálogo com o transcendente, qualquer que seja o nome ou a forma de que esse transcendente se reveste.
Leia todo o texto aqui