domingo, 28 de dezembro de 2008

O Nosso Mar

Nós, os da beira-mar, gostamos de ver o nosso mar. Pode não haver nenhum motivo especial, mas essa vontade de contemplação e, por que não dizê-lo?, de êxtase, acontece-nos frequentemente. Hoje, por exemplo, alguém me desafiou para experimentar esse prazer. Compromissos inadiáveis impediram-me a curta viagem que nos separava do oceano. Mas como não fiquei de consciência tranquila, aqui estou a manifestar a necessidade que sinto de o olhar de perto e de frente. Não fui até ele, mas peguei numa foto, há tempos fixada pela minha digital, e deste modo manifesto o sabor que o nosso mar me dá. Nos dá.
FM

Em tempo de festas

Serviço Cívico Europeu
A Comunidade Ecuménica de Taizé inicia hoje, em Bruxelas, o Encontro de Jovens de toda a Europa. Mais de 40 mil vão viver, até ao dia 1 de Janeiro de 2009, uma experiência de fé, de oração e de comunhão, em torno do tema “Por uma Europa Aberta e Solidária”. Foi já anunciada, como tarefa a seguir, a proposta da implementação do serviço cívico europeu, como forma de levar à prática iniciativas de solidariedade entre povos e nações. Os jovens entendem que, face à crise económica que se vive, à escala mundial, importa criar mecanismos de auxílio para apoiar os países e as pessoas mais pobres. Ainda sugerem, com toda a generosidade que caracteriza a juventude capaz de pensar, que, à mundialização da economia, se associe uma mundialização da solidariedade. Em tempo de tantas festas, carregadas de nadas, onde muitos jovens e menos jovens se afogam no efémero de prazeres egoístas, importa lembrar, aqui e agora, que, felizmente, ainda há quem queira pensar e viver de forma diferente. FM

Suave Aparição

Eu sou AQUELE...
Desde que fora assolada por violenta tempestade, na sua vida, procurava, afanosamente, a sua alma gémea, a sua companhia de jornada, o seu alter ego! Desde os píncaros gelados e puros do Kilimanjaro, onde a atmosfera rarefeita condiciona a existência de vida, até aos pântanos nauseabundos da WWW, onde a diversidade biológica é surpreendente, tudo fora analisado e estudado, minuciosamente! Se no primeiro lugar, mal deparara com algum exemplar da espécie humana, no segundo, pululavam aos magotes, atropelando-se e “chafurdando” no lodo! Dalila, empurrada para uma solidão forçada, ainda acreditou que a Divina Providência a recompensaria por todo o seu empenho e esforço, na construção de caminhos úteis. Afinal, a vida havia-lhe demonstrado que são os mais ousados, os mais hábeis que singram na vida! Serão? Não se arrependera, no entanto, de ter conduzido toda a sua vida, com abnegação e espírito de sacrifício! Deus, que tudo ouve e tudo vê, haveria de a recompensar. Deixava fluir os dias, e numa atitude de dádiva aos outros, repartia-os, entre as suas atribuições profissionais e os seus hobbies que lhe preenchem as ânsias da alma. Era neste cenário que se preparava para a vivência de mais um Natal. Sentia uma alegria genuína, uma serenidade, há muito arredia, e a sua casa era disso um sinal bem evidente. Luzes multicores, acordes natalícios, numa ornamentação colorida, em amplexo envolvente, recebiam as visitas e os amigos, nessa quadra calorosa. Já pela noite dentro, depois de satisfeita a curiosidade das prendas, quando se preparava para ir assistir ao ritual da missa do galo, eis que se abre a porta, lenta e suavemente... Uma luz diáfana envolvia uma figura resplandecente, que balbuciou: - Estou aqui! Eu sou o J... o Jesus... o José, o Jorge, o João... aqueles que, nas procelas da vida, estiveram presentes e nunca te desampararam. Dalila teve um rebate... Aquele... demarcava-se dos outros, daqueles... que, antes de estenderem um braço, já o outro apresentava o orçamento! Sou... Aquele que, quando te sentias desamparada, a calcorrear, sozinha, os caminhos da vida, eram as minhas pegadas que vias, nos sulcos da areia, pois pegara em ti ao colo! Mª Donzília Almeida 21 de Dezembro de 2008

TECENDO A VIDA UMAS COISITAS - 110

FÉRIAS
Caríssima/o: Logo que o Professor se despedia, era uma corrida desenfreada para a Borda que nos atraía qual íman benfazejo: naquelas águas transparentes, nos moliços verdes, nas pedras lamacentas, nos miopores, nos macios, nas Portas d'Água, na Cambeia, no Paredão Arrunhado, no Esteiro Pequeno e no Grande, no Jardim Oudinot e em toda a zona envolvente residia agora o nosso novo mundo de estudo e de experiência. A roupa ia sendo desenfiada à medida que corríamos para o Esteiro que nos apanhava já descontraídos e na mais aferroada das competições nas travessias e mergulhos. E as pescarias? Não havia pedra que ficasse por virar e o cesto ia-se enchendo...Os robalitos também não deviam estar muito satisfeitos: em cada maré apanhávamos algumas dezenas... A serradela levava cá uma destas tareias que nem vos conto! É que para iscar os anzóis era precisa muita e nós lá andávamos pelo lamaçal em busca dos melhores sítios (a lama mais rija e areenta com muitos buraquinhos como que a dizer-nos que as bichas estavam lá por baixo à nossa espera... era só dar a cavadela, virar e, rápidos, apanhá-las pelas cabeças e puxá-las sem as partir!...) Dias e dias se passavam entre a ria e o jogo da bola; era um corropio e uma animação, apenas e só interrompidos quando um ralhete da Mãe nos chamava para tomar conta de um irmão mais pequeno! Oh, céus! Grande desconsolo... Por vezes, os mais velhos permitiam que assistíssemos aos seus jogos, mas tínhamos de estar caladinhos como cordeiros mansinhos: nem pio! O mais animado era o jogo do xui! Claro, na Cambeia, só os mais velhos estavam autorizados a nadar; os mais novos podíamos dar umas pajadelas mas só se um irmão mais crescido rondasse por perto. Entretanto, o tempo passava muito depressa, tão rápido que já não se sabia quais eram os trabalhos marcados para férias e até o poiso dos cadernos e dos livros se foi... Mesmo, mesmo no último dia, lá se corria a casa de companheiro cuidadoso e num lufa-lufa apertadinho tudo ficava em ordem ... Uf! [Agora com o magalhães não há o perigo de perder o TPF... Há que aproveitar as vantagens...] Não esqueço que alguns e algumas passavam umas férias amarguradinhas sempre atrás do rabo da vaca, na rega, até esvaziar o velho estanca-rios ... e em todos os trabalhos agrícolas próprios da época; de vez em quando lá davam uma escapadela para integrar o nosso grupo de natação no Esteiro! E por estes lados aproveitamos a escapadela para desejar um fim de ano à nossa maneira e que seja o prenúncio de um ANO NOVO repleto de saúde e de tudo o que de melhor a vida nos pode reservar.
Manuel

A Família

PRESENTE COM FORÇA DE FUTURO
O ser humano é familiar por natureza. Começa na família de sangue e vai crescendo em horizontes progressivos de toda a humanidade e, sendo crente, da própria religião a que vem a aderir. Sempre a família o acompanha, ainda que seja como nostalgia de a haver perdido ou a de verificar que as regras pedidas pelo coração estão a ser alteradas. Toda a família humana cria um estilo de vida relacional típico que facilita a cada membro ser ele mesmo, ganhar identidade própria, desenvolver a sua personalidade, expandir as suas capacidades, buscar espaços para a sua realização integral. Este crescimento vai-se fazendo de muitos modos, sendo o mais básico e comum a relação recíproca, a de ser amado e aprender a amar, a de dialogar partilhando emoções e experiências, a de receber e dar confidências, a de gerar certezas e enraizar convicções. Emerge assim, condicionado também por outros factores, um tipo de pessoa capaz de se afirmar perante outras e de aceitar benevolamente o que são e como são, consentindo nas diferenças e procurando dar-lhes harmonia construtiva. Sem uma personalidade estruturada nas suas diversas funções e em harmonia com as demais, dificilmente o companheirismo e a vizinhança se desenvolvem, as associações de convivência e lazer, de cooperação e reivindicação, de crenças e religiões encontram a consistência indispensável para estar ao serviço do bem comum. Sem consistência, irrompe a insegurança e a fragilidade, o medo da aventura e o risco da surpresa frustrante. Sem consistência, nem a liberdade alcança os seus voos atraentes e sedutores próprios dos espíritos desinibidos face à verdade e à sua aceitação incondicional. A família, alicerçada na verdade do seu ser, é um valor escolhido livremente que exige cultivo constante. Como os outros valores. Como as árvores de rega. Pode assim atingir uma qualidade de vida em sintonia com as aspirações mais profundas e constantes do coração humano. Pode assim construir-se como uma história de vivências e recordações, de envelhecimentos progressivos, de memórias inesquecíveis, de sonhos e expectativas, de cumplicidades aliciantes, de amizades confiantes. O estilo de vida familiar facilita ou dificulta o crescer do seu ser e o afirmar da sua verdade. Neste vaivém, não diminui, desaparece ou se destrói aquela realidade que, à maneira de sonho ideal, aumenta a apetência e aguarda realização. Uma família, para quem a vê com olhos de fé cristã, emite sinais da presença de Deus, espaço da realização do seu amor, fonte de vida em relação, oportunidade especial de encontro e comunhão. Não sendo a única nem frequentemente a mais publicitada, é certamente a mais válida e qualificada escola de educação e humanização, a melhor configuração do espaço de partilha de experiências de vida, a mais promissora e eficaz força de esperança no futuro. Georgino Rocha

sábado, 27 de dezembro de 2008

IDOSOS ABANDONADOS

Francisco José Viegas, escritor e director da revista LER, afirmou, na sua pequena mas oportuna crónica do Correio da Manhã, transcrita depois para o seu blogue, A Origem das Espécies, o seguinte, que aqui ofereço aos meus amigos, para reflexão:
"Segundo parece, o 'jantar de consoada' é cada vez mais encomendado de fora ou servido nos hotéis. Nas sociedades tradicionais, as festas tradicionais são essencialmente domésticas, caseiras, familiares – e Portugal está a mudar de hábitos. Não vem daí grande mal, a não ser a revelação de que as pessoas já não sabem nem gostam de cozinhar. Ou não têm tempo para isso, porque trabalham muito. Também não têm tempo para os seus velhos, e isso é mais grave: por esta altura, há famílias que entregam os seus velhos nos hospitais e dão, em troca, números de telefone falsos para não serem incomodados. Uma sociedade sem generosidade nem compaixão, fria e sem paciência – e com vergonha dos seus velhos, que incomodam e relembram que todos morremos e envelhecemos. É um retrato abjecto."

INVERNO

Assumindo como indiscutível que todas as Estações do Ano têm o seu encanto e a sua beleza, não quero deixar de assinalar, aqui, essa verdade, que sempre me acompanhou na vida. Desde tenra idade. Eu até costumava dizer, como ainda agora digo, que um dia de chuva não deixa de ser belo, tanto quanto nos permite saborear o aconchego da nossa casa e dos nossos recantos dentro dela. Ouvindo a chuva a bater nas vidraças, enquanto se lê um bom livro ou se ouve uma música melodiosa, sentimos um não sei quê que nos faz olhar para o nosso interior, quantas vezes em busca de sonhos à cata de verem a luz do dia. Hoje sinto isso, impedido de sair com uma constipaçãozita arreliadora. Por isso, aqui desta minha tebaida, vendo o sol muito tímido coado pela vidraça e tecido pelos ramos hibernados da árvore, gozo o prazer de alimentar os meus anseios.
Bom fim-de-semana para todos. Fernando Martins

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