domingo, 21 de março de 2021

A alegria não se decreta (2)

Crónica de Bento Domingues 
no PÚBLICO

A prática da fraternidade religiosa deve estar ao serviço da fraternidade universal, em colaboração com todas as pessoas e movimentos, sem descriminações

1. A viagem do Papa ao Iraque já foi muito comentada. Parece-me, no entanto, que não foi destacado o seu contributo para robustecer a alteração profunda que está a acontecer, na história e no relançamento do diálogo inter-religioso, com incidência dirceta nas práticas sociais.
Não basta denunciar a cobertura falsamente religiosa dos discursos do ódio e da violência e proclamar o diálogo como caminho para abordar as dificuldades nas relações entre seres humanos.
No primeiro momento de qualquer diálogo, o mais importante é a escuta do outro na sua irredutível alteridade e nas suas imprevisíveis manifestações. No chamado diálogo inter-religioso, como é praticado nas mesas-redondas dos meios de comunicação e noutros espaços, em geral não se vai muito além de uma escuta inconsequente, pois não parece destinado a alterar o presente e o futuro dos intervenientes. Apresenta-se, por vezes, como uma passagem de modelos religiosos: os representantes de cada religião em foco passam a fazer a apologia da sua própria religião, procurando desfazer as acusações que habitualmente lhe são feitas, fruto de ignorâncias e preconceitos persistentes.
É uma fase necessária, mas muito insuficiente, porque lhe falta a análise crítica da situação actual e as propostas de reforma para o futuro.
O que, no entanto, está a acontecer, ao nível das grandes lideranças religiosas, anuncia o despontar de algo que julgo muito novo.

sábado, 20 de março de 2021

Dia Internacional da Felicidade

Reino do Butão

Hoje, 20 de Março, também se celebra o Dia Internacional da Felicidade e até acho muito bem que se pense nisso, porque ninguém deseja ser infeliz. A procura da felicidade é inerente à condição humana. Contudo, temos de reconhecer que a busca da felicidade deve ser contagiante, para assim  contribuirmos  para a felicidade da humanidade.
Foi em 2013 que se comemorou pela primeira vez o Dia Internacional da Felicidade por sugestão de um pequeno reino budista — Butão —, localizado nos Himalaias, que adota, como estatística oficial,  a “Felicidade Nacional Bruta em vez do Produto Interno Bruto (PIB).
É curioso sublinhar que o Dia Internacional da Felicidade foi aprovado por unanimidade pelos membros da ONU em 2012. Nem podia deixar de ser. Haverá alguém que queira ser infeliz?

Primavera



A esperada e desejada Primavera chegou neste preciso momento, 9h37, segundo o Observatório Astronómico de Lisboa. A partir de agora, importa que todos renovem os votos de alegria e de esperança num mundo mais fraterno e mais sadio. O colorido multifacetado das paisagens e os sonhos de vida sem pandemias conta com a nossa participação ativa e solidária. 
Primavera é sinal de renascimento, rejuvenescimento e ressurreições. Novos ares, ambientes floridos e recomeços sempre apetecidos estarão nos horizontes de todos nós.
Que todos saibamos construir e animar a  Primavera, na certeza de que saberemos mantê-la sempre florida. 

As teses de católicas alemãs

Crónica de Anselmo Borges 
no Diário de Notícias

1. Já toda a gente percebeu ou deveria ter percebido que a Igreja precisa urgentemente de reformas profundas, e elas não podem continuar a ser impostas a partir de cima. Exige-se a participação de todos, exercendo a sinodalidade, como quer o Papa Francisco, isto é, caminhando juntos, nas paróquias, nas dioceses, na Igreja universal - aliás, o próximo Sínodo dos Bispos, em 2022, terá por temática precisamente a sinodalidade.
Neste contexto, a Igreja alemã, com o seu "Caminho Sinodal", tem sido um belo exemplo. Com quatro fóruns de discussão em funcionamento - sobre o poder na Igreja enquanto instituição hierárquica e o seu controlo, a forma de vida dos padres na sociedade actual e o celibato obrigatório, o amor e a moral sexual (já não é tabu falar em bênção para casais homossexuais), a mulher e os ministérios ordenados -, após discussão e aprovação no respectivo fórum, realizar-se-á no próximo Outono a Assembleia Sinodal formal, com 230 delegados (69 membros da Conferência Episcopal), para novos debates e votação.

sexta-feira, 19 de março de 2021

O meu pai

Celebra-se hoje o Dia do Pai associado, entre os cristãos, ao Dia de São José, pai adotivo de Jesus Cristo. O que vejo de semelhante entre eles é a humildade. De São José, a Bíblia não nos diz muito, mas todos sentimos que ele foi um homem santo e atento às suas responsabilidades paternais. Direi o mesmo do meu saudoso pai. Falava pouco, conversava com total disponibilidade, ajudava quanto podia, dava os seus conselhos com oportunidade e o saber de experiência feito. Nunca o vi exaltado. Tinha um sorriso permanente. Quando os netos nasceram, tinha por hábito atravessar à tardinha o quintal comum para se rir com as brincadeiras deles. Depois de ver e ouvir o telejornal, regressava a casa, feliz da vida. Morreu com  62 anos sem nunca ter estado doente. Sempre o vi a fumar. Um enfarte foi fatal. 
Resta-me a certeza de que ainda terei muito  que falar com ele. Sem pressas. E cá para mim, o meu pai, Armando Lourenço Martins (mais conhecido por Armando Grilo), continuará  com o sorriso e a palavra serena que sempre o caracterizaram. 

Nota: O meu pai nunca usou barbas, mas um dia, quando chegou da viagem, apresentou-se assim para espanto de todos nós. Perante a nossa reação, logo esclareceu: -  «Calma, é só para tirar a fotografia.» E lá foi no dia seguinte a Aveiro resolver a situação.

Aldeias e Vilas Medievais - Monsaraz



De ruas caiadas de branco e um imponente castelo, Monsaraz é local incontornável no Alentejo. A vila-museu, como é conhecida, encanta mal se entra no interior das muralhas medievais construídas em xisto.
O Castelo de Monsaraz surpreende pela vista sobre o Grande Lago do Alqueva, mas há outros locais a destacar intramuralhas, como a Igreja da Nossa Senhora da Lagoa e o antigo Pelourinho, a Casa da Inquisição ou a Casa Monsaraz, onde encontra os antigos Paços de Audiência, um dos edifícios mais nobres e representativos da Monsaraz antiga.

NOTA: Sugestão de passeio e visita da Via Verde

Queremos ver a hora de Jesus

Reflexão de Georgino Rocha Rocha 
para o Domingo V da Quaresma

A CAMINHO DA PÁSCOA

Uns gregos foram ter com Filipe e disseram-lhe: “queríamos ver a Jesus”. Filipe foi dizê-lo a André e ambos foram dizê-lo a Jesus. Este episódio ocorre em Jerusalém e é muito significativo na fase final da quaresma que vivemos. Como os gregos somos buscadores natos do rosto de Jesus. Como discípulos estamos mandatados para sermos mediadores, ponte de relação e proximidade. Quando desistimos de procurar e nos acomodamos, o coração inquieto atrofia-se e mergulha na mediocridade, ele que nasceu para a glória. Jo 12, 20-33.
Jesus assume o pedido e alarga horizontes, desvenda a parte final do seu percurso histórico. Recorre à à semente lança à terra para iniciar a resposta a André e Filipe. O encontro dá-se em Jerusalém, junto ao templo, por ocasião da festa da páscoa judaica e condensa o alcance da “hora” que se aproxima: A paixão e exaltação de Jesus constituem a maior manifestação de Deus, a sua suprema glorificação. Deste modo, é satisfeita a aspiração mais profunda do coração humano. Ver a Jesus é entrar nesta relação existencial, captar a sua verdade, viver o seu dinamismo e comungar os seus sentimentos.