sábado, 31 de março de 2018

SAUDADES DESTES HORIZONTES



Tenho saudades dos horizontes vistos do cimo da Serra da Boa Viagem, Figueira da Foz. Enquadrado pelo arvoredo da serra, Quiaios em baixo e ao lado o oceano, o nosso oceano, e ainda a marca sempre expressiva de Fernando Pessoa a recordar-nos, harmoniosamente, que vale a pena ter nascido, sinto a certeza de que na próxima visita à Figueira, ali mesmo hei de reconhecer a magia de ouvir o vento passar.

A NOSSA RESSURREIÇÃO NA MORTE

Uma reflexão de Leonardo Boff


«O fato maior para o cristianismo não é a cruz de Cristo mas sua ressurreição. Sem a ressurreição Cristo teria ficado no passado, no panteão dos mártires abnegados, sacrificados por uma grande causa, um sonho de um Reino de justiça,de amor incondicional e de total entrega a Deus. Mas nunca reuniria pessoas para celebrarem sua presença viva entre nós. A ressurreição significa exatamente essa presença inefável de toda a realidade de Jesus,chamado por São Paulo como o “novissimo Adão”, com um corpo transfigurado, corpo-espiritual, dentro da história humana.»

Ler toda a reflexão aqui 

sexta-feira, 30 de março de 2018

A IMPRESSIONANTE MORTE DE JESUS

Reflexão de Georgino Rocha



João, o apóstolo predilecto, é testemunha da morte de Jesus, juntamente com algumas mulheres, de que se destaca Maria, a Mãe. E descreve os momentos principais dos instantes derradeiros que, com alguns elementos dos outros evangelistas, nos oferecem um quadro exemplar da “arte de bem morrer”, da boa morte. A situação não podia ser mais dramática: insultos dos ladrões crucificados, mofa dos soldados romanos, no ofício de algozes e vigias, João e a Mãe de Jesus com o pequeno grupo de mulheres indefectíveis. A ver o acontecimento está o centurião. A dar sinais do sucedido fica o templo e o universo. E, nós à distância que o coração aproxima, contemplamos com devoção o evoluir da vida do Nazareno prestes a findar-se. Ele, o agonizante, é o protagonista. Entregando o espírito entre gritos e lágrimas. Com dignidade. Em liberdade. Com confiança filial.
Jesus toma a iniciativa. De silêncio e respeito, para com o ladrão revoltado e injurioso; de aceitação benevolente do pedido do ladrão arrependido; de entrega da Mãe a João e desta àquela; de reclinar a cabeça, antes de confiar ao Pai o seu espírito. Que maravilha, humanamente falando! Tudo prevê em harmonia. Tudo deixa a indicar que a missão fora cumprida com perfeição. Tudo com enorme dignidade.
E parecia ser tão natural e humano agir de modo diferente. Ao ladrão revoltado dizer-lhe: recebes o que mereces; ao arrependido, ainda bem que reconheces; à Mãe e a João, não se esqueçam de mim e guardem a minha memória; aos soldados vigilantes, satisfazer-lhes o desejo vencendo o desafio. Mas a atitude de Jesus manifesta a novidade do ser humano tão diferente que “transpira” de divino. Não desce da cruz, dando provas de um amor inexcedível e da justeza da opção tomada livremente; não se preocupa pela sua memória efémera (havia previsto outra presença na ceia e no mandamento novo); não retribui os ladrões com repreensões e censuras; não condiciona a natureza e demais elementos da criação, mantendo-os fora do que lhe estava a acontecer. De facto, Deus humanado em Jesus é totalmente diferente. O episódio do Calvário manifesta-o claramente. E fica como símbolo emblemático para todo o sempre. Olhar para ele é ver o visível e admirar o Invisível. Vêem-se dores, descobrem-se amores. Vêem-se trevas, descobrem auroras da Páscoa. Vêem-se lágrimas de desolação, descobrem-se sinais de júbilo e consolação. Só a fé no Crucificado/Ressuscitado abre o acesso a esta realidade nova.

HOJE ACORDEI ASSIM…






Hoje acordei assim… com as nuvens ameaçadoras, descarregando, quando menos se espera, a chuva benfazeja, mas incomodativa para quem espera e desespera com a ausência real da primavera. Mas ela há de vir, mais dia menos dia, com a ressurreição de Jesus, que é sempre, desde há 20 séculos, a certeza de vida nova.
Boa Páscoa para todos.

PRAIA DA VAGUEIRA



Por este empedrado inacabado da praia da Vagueira andei um dia destes, saboreando a maresia debaixo duma aragem agreste, mas reconfortante. Os prazeres da alma não suplantam, imensas vezes, as dores físicas?

SEXTA-FEIRA SANTA

Anselmo Borges 


1 Estava já sentado para escrever este texto, quando me telefonam da portaria: que estava lá uma senhora, já de idade, que precisava muito de falar comigo. A senhora: "Como é que se pode acreditar em Deus que enviou o seu Filho para ser crucificado?" E eu: "Não se pode, minha senhora." Porque esse seria um deus bárbaro.
Em termos simples, foi assim. Pregou-se o pecado original - chamo a atenção para o facto de Jesus nunca ter falado em pecado original. De qualquer modo, pressupondo o pecado original, pensou-se que ele constituiu uma ofensa infinita a Deus, ficando uma dívida infinita para com Ele, que o ser humano não podia pagar. No contexto do direito feudal, Santo Anselmo teorizou sobre a doutrina da satisfação: Deus enviou então o seu Filho, que, sacrificado na Cruz, pagava a dívida, aplacando a ira de Deus e reconciliando-o com a humanidade.
Aí está um Deus sádico, pior do que um pai normal, sadio, um Deus que aliás contradiz o núcleo da mensagem de Jesus, que revelou que Deus é Pai-Mãe, de tal modo que a Primeira Carta de São João, a partir da experiência que os discípulos fizeram com Jesus, escreveu, na tentativa de dizer quem é Deus, que "Deus é amor incondicional". Este é o único Deus que é Evangelho, isto é, literalmente, notícia boa e felicitante, em quem se pode acreditar, entregar-se a Ele confiadamente na vida e na morte. O outro deus, tão frequentemente pregado e que tolheu e envenenou a vida de tantos, seria um deus sádico, em relação ao qual, portanto, só haveria uma atitude humanamente digna: ser ateu.

2 Jesus não foi vítima de Deus, mas dos homens. O cristianismo constitui a maior revolução na história da humanidade: uma revolução de e para a liberdade, a mais humanizadora. E tudo com fundamento na nova compreensão de Deus. Jesus fez a experiência filial de Deus, que não é omnipotente no sentido da omnipotência enquanto dominação e arbítrio, mas Força infinita de criar. Deus tudo criou e cria por amor e o seu único interesse é a alegria, a felicidade, a realização e a plenitude de vida de todos os homens e mulheres. A partir desse encontro com Deus Pai-Mãe, Jesus fez o que Deus faz: amou a todos, por palavras e obras, a começar pelos mais frágeis, os excluídos, os tristes, aqueles e aquelas que ninguém ama. E ousou transgredir as leis religiosas, como o Sábado, porque "o Sábado é para a pessoa e não a pessoa para o Sábado". E enfrentou os sacerdotes e as leis, curando ao Sábado. E disse que o núcleo da religião na sua verdade essencial passa pelo compromisso a favor dos abandonados e não pelos rituais religiosos: "Eu tive fome e destes-me de comer, eu tive sede e destes-me de beber, eu estava nu e vestistes-me, estava na cadeia e no hospital e fostes ver-me." "E quando é que o fizemos, Senhor?" "Sempre que o fizestes a um destes mais pequeninos foi a mim que o fizestes." Nada de explicitamente religioso nem confessional. O combate religioso essencial trava-se na luta pela justiça, pela dignidade de todos.

ENCONTRO FELIZ COM O SENHOR RESSUSCITADO

Reflexão de Georgino Rocha


Maria virou-se e viu Jesus


É manhãzinha. Maria Madalena está sentada à beira do túmulo de José de Arimateia. Tinha ido, com outras mulheres, ultimar o ritual de despedida que se fazia a pessoas de bem. A surpresa apanha-a em cheio. O coração havia ficado preso a sexta-feira “de trevas”, sobretudo ao enterro de Jesus, de que fora testemunha. Agora, a pedra de entrada tinha sido removida, o sudário arrumado e dobrado o lençol. Dir-se-ia que tudo estava disposto com o cuidado de quem termina a missão recebida. Surgia o vazio com toda a sua eloquência, a ausência com todo o seu enigma a suscitar dúvidas, a levantar interrogações. As lágrimas da saudade intensificam-se com hipóteses de desrespeito, de profanação, de rouba. Olhava para o chão e estava cheia de medo, diz o texto de Lucas, pois “dois homens, com roupas brilhantes, pararam perto delas e disseram: Porque procurais entre os mortos Aquele que está vivo? Ressuscitou”. (Lc 24, 1-12; Jo 20, 1-9).
“A manhã desse primeiro da semana, explica a Bíblia Pastoral em nota de rodapé, marca a transformação radical na compreensão e respeito do homem e da vida. O projecto vivido por Jesus não é caminho para a morte, mas caminho aprovado por Deus que, através da morte, conduz à vida. Doravante, o encontro com Jesus realiza-se no momento em que os homens se dispõem a anunciar o coração da fé cristã”.

quinta-feira, 29 de março de 2018

O DISCERNIMENTO É ESSENCIAL PARA O CRESCIMENTO ESPIRITUAL

Bênção dos Santos Óleos

Citando o decreto do Concílio Vaticano II sobre o Ministério e a Vida dos sacerdotes, o Bispo de Aveiro, António Moiteiro, lembrou hoje, Quinta-Feira Santa, na homilia da Missa Crismal, na Sé de Aveiro, às 10 horas, que os presbíteros devem viver entre os homens como bons pastores  que conhecem  as suas ovelhas,  procurando «trazer aquelas que não pertencem a este redil, para que também elas oiçam a voz de Cristo e haja um só rebanho e um só pastor».
O Bispo de Aveiro falou sobre o dom da vocação presbiteral, salientando que nesta Quinta-Feira Santa «revemos a nossa identidade, as nossas dificuldades e possibilidades», tendo acrescentado que «a vida do padre está sujeita a muitas contradições na sociedade em que vivemos, mesmo nas comunidades cristãs onde exercemos o nosso ministério». «Somos vistos como pessoas solitárias, muitas vezes alheados das preocupações do mundo de hoje, ou então construímos um estilo de vida bastante individual e pouco comunitário», disse.
Ao responder à questão que colocou a si próprio e aos presentes, sobre como e onde «buscar forças para sermos sal que dê sabor e luz que ilumine tantos dos nossos irmãos que andam afastados do projeto que Deus tem para a humanidade», o nosso bispo, dirigindo-se mais concretamente aos presbíteros e diáconos, frisou a importância da dimensão humana, «que deve estar muito presente na nossa vida e na relação com os nossos irmãos». Destacou a necessidade de todos cultivarem «o trato amável», sendo «autênticos, leais, interiormente livres, afetivamente estáveis» e, ainda, capazes de todos se dedicarem aos outros,  «com a alegria de sermos amados por Deus». 
António Moiteiro falou da dimensão espiritual, «a qual nunca se pode dar por adquirida», tendo em conta que «a consciência da nossa identidade presbiteral não se mede por aquilo que fazemos, nem pelo modo como organizamos a vida das nossas paróquias, mas sim em sermos discípulos verdadeiramente enamorados do Senhor, cuja vida e ministério se fundam na íntima relação com Deus e na configuração a Cristo, o Bom Pastor». 
Disse que o cristão deve «abrir o coração às sugestões interiores do Espírito, que convida a ler em profundidade os desígnios da Providência», sem esquecer que «o discernimento é essencial para a maturidade e o crescimento espiritual». 

Fernando Martins

terça-feira, 27 de março de 2018

VITORINO NEMÉSIO - PRECE



PRECE 

Meu Deus, aqui me tens aflito e retirado,
Como quem deixa à porta o saco para o pão.
Enche-o do que quiseres. Estou firme e preparado.
O que for, assim seja, à tua mão.
Tua vontade se faça, a minha não.

Senhor, abre ainda mais meu lado ardente,
Do flanco de teu Filho copiado.
Corre água, tempo e pus no sangue quente:
Outro bem não me é dado.
Tudo e sempre assim seja,
E não o que a alma tíbia só deseja.

Se te pedir piedade, dá-me lume a comer,
Que com pontas de fogo o podre se adormenta.
O teu perdão de Pai ainda não pode ser,
Mas lembre-te que é fraca a alma que aguenta:
Se é possível, desvia o fel do vaso:
Se não é beberei. Não faças caso.

Vitorino Nemésio


Li aqui 

A BELEZA DO NOSSO MAR E DA NOSSA LAGUNA







A beleza do nosso mar e da nossa laguna fazem-me sentir outro. As águas, ora um pouco agitadas, as do oceano, ora serenas, as da ria, como espelhos do céu, entram-nos na alma e dão lugar à imaginação reconfortante. Depois do almoço, andei por ali com um amigo a conversar. Ouvidos nas palavras, atenção nas conversas e olhos nos horizontes. O dia era para isto e o tempo até se mostrou cúmplice da nossa ânsia de primavera. 
Pessoalmente, fiquei agradecido a Deus pela tranquilidade que interiorizei, fixado na paisagem marítima e lagunar, com ondas de espumas brancas, segundo a segundo renovadas, e na aragem a emoldurar tudo e todos, num remanso inspirador de novos desafios para os tempos que aí vêm. E prometi voltar… que a vida tem de ser continuamente uma ressurreição da harmonia contagiante para chegarmos aos que nos estão próximos.

BISPO DE AVEIRO EVOCA D. ANTÓNIO DOS SANTOS

O bispo de Aveiro afirmou que D. António dos Santos 
viveu uma vida “simples e austera” 
ao longo de uma “extensa atividade apostólica”

D. António Santos

«O bispo de Aveiro afirmou que D. António dos Santos, que faleceu esta segunda-feira, viveu uma vida “simples e austera” ao longo de uma “extensa atividade apostólica”, assumindo como “causa de primeira importância na Igreja” as vocações
D. António dos Santos era natural da Diocese de Aveiro e foi bispo da Guarda durante 25 anos, tendo ordenado sacerdote o atual bispo de Aveiro, D. António Moiteiro.
“Viveu uma vida simples e austera, e para aqueles que o conhecemos mais de perto fica a sua amizade, o seu zelo de pastor e a espiritualidade profunda que transmitia a todos nós”, afirmou D. António Moiteiro.
Num comunicado enviado à Agência ECCLESIA, o bispo de Aveiro refere a “extensa atividade apostólica” de D. António dos Santos, em Aveiro e na Guarda, destacando “o seu amor às vocações sacerdotais e de consagração”
D. António Moiteiro lembra que D. António dos Santos apelava “constantemente” às comunidades cristãs a “darem as mãos” na oração pelas vocações, uma “causa de primeira importância na Igreja”.
“Ainda estou a ouvi-lo pedir às paróquias o seu compromisso por esta causa e a cadeia de orações que ele intensificou na Diocese. Afirmava, no momento das ordenações, que os maiores benfeitores da Diocese eram as famílias que davam o melhor que tinham, isto é, os seus filhos”, referiu.»

Ler mais aqui 

NOTA: Conheci D. António dos Santos desde o tempo em que foi prior de São Salvador, Ílhavo, e dele guardo gratas recordações assentes numa dedicação à Igreja sem limites e numa humildade cativante. Depois, como Bispo Auxiliar de Aveiro, soube estar à altura de colaborar com entusiasmo com D. Manuel de Almeida Trindade. Seguiu para a Guarda e quando nos encontrávamos dirigia-me naturalmente palavras amigas, de onde sobressaía a simplicidade e a amizade do seu coração. 
Que Deus o receba com muita ternura. 

segunda-feira, 26 de março de 2018

POLÍCIA DE RENDIMENTOS E INTERESSES DOS POLÍTICOS



«O Parlamento vai criar um organismo que funcionará como uma espécie de polícia dos rendimentos e interesses dos políticos e detentores de altos cargos públicos.
A iniciativa, que originalmente pertence ao Bloco de Esquerda, decorrerá no âmbito da comissão eventual para o reforço da transparência no exercício de funções públicas (CERTEFP). Segundo o DN apurou, há maioria (pelo menos à esquerda) para aprovar a proposta bloquista.»

Ler mais no  Diário de Notícias 

NOTA: Ora aqui está uma boa forma de levar os nossos políticos e outros responsáveis de cargos públicos a cuidarem da sua honorabilidade. Eu sei, todos sabemos, que há políticos honestos e incapazes de cometerem crimes da ordem do peculato e semelhantes, levando-os a enriquecerem por vezes de forma escandalosa. Também sei que numa sociedade democrática não devia ser preciso haver "polícias" para vigiarem os rendimentos dos políticos, os tais servidores do povo e do governo da pólis, mas a verdade, infelizmente, é que a desonestidade campeia por aí. 

ÍLHAVO - FERIADO MUNICIPAL


CMI assume obras no complexo desportivo

Campo de treinos no Complexo Desportivo da Gafanha da Nazaré

A Câmara Municipal de Ílhavo (CMI) assinou, na passada sexta-feira, 23 de março, um contrato programa com o Grupo Desportivo da Gafanha (GDG) e a Junta de Freguesia da Gafanha da Nazaré, proprietária do Complexo Desportivo, válido até 31 de dezembro de 2019, no respeito pela Lei de Bases da Atividade Física e do Desporto. 
Na cerimónia de assinatura do contrato, que decorreu nas instalações do Complexo Desportivo da Gafanha da Nazaré, o presidente CMI, Fernando Caçoilo, destacou o importante passo que foi dado para a requalificação, com o apoio da autarquia, do Parque Desportivo do GDG, através do levantamento das infraestruturas existentes, promovendo «o estímulo à prática desportiva, principalmente dos mais jovens, com condições dignas e atrativas». 
Este acordo tripartido, entre a CMI, como investidora, a Junta de Freguesia, como titular do complexo, e o GDG, como associação desportiva que diretamente usufrui do Parque Desportivo, reflete a importância da política desportiva e do apoio ao associativismo, promovidos pela autarquia, como alavanca do desenvolvimento das comunidades e do bem-estar dos cidadãos. 
As obras previstas, requalificação da bancada e balneários, instalações sociais e áreas envolventes do Complexo Desportivo, devem ficar concluídas até finais de 2019. 

F.M. 

Fonte: CMI

domingo, 25 de março de 2018

AINDA A QUESTÃO DA MUDANÇA DE HORA

Crónica de Miguel Esteves Cardoso 
no PÚBLICO

Larguem-me as horas

Quando é que deixarão as horas em paz? 
Quando é que será crime manipular assim o nosso querido tempo, 
já de si tão excessivamente curto e comprido como é?

Costumo deitar-me à 1h e meia da manhã. Senti-me roubado quando a hora avançou automaticamente da 1h para as 2h da manhã. E agora? O que é que aconteceu à 1h e meia? A Maria João diz que passou para as 2h e meia. E as 2h e meia? Passaram para as 3h e meia. Mas isso não pode continuar assim.
Fico acordado até às 2h e meia mas é tarde demais para dormir. O meu organismo foi enganado: pensa que eu vou fazer uma directa.

Ler mais aqui 

JAIME BORGES NO MUSEU DE SANTA JOANA


JERUSALÉM, SÍMBOLO DA GUERRA OU DA PAZ?

Frei Bento Domingues 

Bento Domingues

1. Nunca fui a Jerusalém. Um grande amigo que lá viveu 45 anos e lá morreu, Frei Francolino Gonçalves, nunca tentou convencer-me de que essa seria a peregrinação indispensável. Se não pudesse dispor pelo menos de um mês para observar e estudar as suas loucuras e contradições, era melhor não pôr lá os pés. Lamentava que as "peregrinações paroquiais" se esquecessem de visitar e apoiar as comunidades cristãs vivas, de língua árabe, e se fixassem apenas em pedras e lugares sagrados da memória, resgatados pela arqueologia.
Li narrativas, reportagens e obras sobre a chamada Terra Santa e os seus lugares de importância diferente para judeus, cristãos e muçulmanos.
Sei que o conhecimento directo da geografia dos acontecimentos bíblicos, históricos ou lendários, pode ajudar a imaginação de um leitor da Bíblia. Não consigo, porém, entrar na ideologia dos lugares sagrados ou santos. Esta facilmente resvala para a idolatria e para a magia. Um bom negócio, em todo o mundo, contra o qual o próprio Jesus se insurgiu. Sagradas são as pessoas de todos os povos e culturas. Nem acho graça nenhuma que um povo, seja ele qual for, se possa chamar povo de Deus, como um privilégio. Os outros povos de quem são?
Jesus teve um encontro inesperado com uma Samaritana. Um encontro fantástico. Entre outras questões, ela procurou tirar a limpo a dos lugares sagrados: os nossos pais adoraram neste Monte (Garizim), mas vós dizeis que é em Jerusalém que se deve adorar. Jesus, depois de muitas considerações, concluiu: Vem a hora — e é agora — em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; pois tais são os adoradores que o Pai procura. Deus é espírito e aqueles que o adoram devem adorá-lo em espírito e verdade [1]. Deus não está preso a nenhum lugar.

sábado, 24 de março de 2018

MUDANÇA DE HORA DEPOIS DA MEIA-NOITE


A chamada hora de verão vai mudar amanhã, domingo, 25 de março. Na prática, depois da meia-noite, devemos adiantar uma hora e quando acordarmos, decerto depois do sono normal, dormimos menos uma hora. É claro que daqui a uns dias já estaremos habituados e tudo cai na normalidade. Cá para mim, até gostaria de ficar sempre com a hora de verão para não passarmos a vida com este jogo de atrasa e adianta uma hora durante o ano. Os políticos é que sabem... mas eu também gostaria de saber se estas alterações se justificam. 

sexta-feira, 23 de março de 2018

CINCO ANOS DE FRANCISCO E O NOVO BISPO DO PORTO

Anselmo Borges no DN 
Anselmo Borges 


1. Dá que pensar. Segundo o Código de Direito Canónico, o Papa é o homem mais poderoso, já que tem "poder ordinário, que é supremo, pleno, imediato e universal na Igreja, que pode exercer sempre livremente". No entanto, Bento XVI, que resignou, marcando com esse gesto corajoso a história do papado, veio dizer mais tarde que o Papa pode menos do que se julga. O teólogo José M. Castillo revelou recentemente que pouco tempo antes da sua renúncia uma personalidade muito importante em Roma lhe disse: "Reza pela Igreja, que está tão mal que já não pode cair mais baixo."
Os cardeais foram buscar o sucessor "ao fim do mundo", o primeiro Papa jesuíta e latino-americano da história, que escolheu como nome Francisco, indicando já aí todo um programa. Foi há cinco anos, no dia 13 de Março de 2013.
A revolução de Francisco é simples e é toda: é um Papa cristão, não porque é baptizado mas porque tenta ser discípulo de Jesus. Acredita no Evangelho como notícia boa e felicitante para ele próprio, isso mesmo: para ele próprio, em primeiro lugar. Não acredita por obrigação ou imposição exterior, histórica ou social, mas simplesmente porque é a mensagem mais humanizante e libertadora que ele conhece: Deus é amor incondicional e o seu único interesse é a alegria, a felicidade de todos os homens e mulheres e a sua plena realização na vida e na morte.

FERREIRA DE ALMEIDA — ARQUIVO E MEMÓRIA DA COLÓNIA AGRÍCOLA

Ferreira de Almeida na visita guiada

Mário Ferreira de Almeida apresentou recentemente, entre 16 de fevereiro e 18 de março, em Aveiro, no Museu Santa Joana, uma mostra intitulada “Arquivo e Memória”, que encerrou com uma visita guiada pelo artista, natural da Gafanha do Carmo, onde reside e onde tem o seu atelier criativo e de trabalho. Esta foi a sua segunda exposição naquele espaço simbólico da cidade dos canais, tendo a primeira acontecido há 12 anos.
“Arquivo e Memória” faz parte da investigação integrada no projeto de doutoramento em Arte Multimédia, que o artista está a concluir na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa.
No seu trabalho de investigação, Ferreira de Almeida debruçou-se sobre a Colónia Agrícola da Gafanha, tendo desenvolvido o tema “Colónia Agrícola da Gafanha: um olhar sobre as reservas. De que modo o lugar e a paisagem sobrevivem, ainda hoje, nos habitantes da Colónia Agrícola da Gafanha”.
A paixão pela arte, nas vertentes do desenho, pintura e fotografia, «surgiu muito cedo, ainda jovem, muito jovem», numa altura em que a vida de artista não era vista com bons olhos, tida como «não dando sustento», razão por que a sua paixão foi sendo adiada.
Anos mais tarde, entrou para a faculdade «e o sonho que carregava em si ganhou novo fulgor», entregando-se mais à pintura e ao desenho, mas sempre a partir do seu atelier, «na convicção de que a arte pode acontecer e manifestar-se em qualquer lugar e não apenas nas grandes cidades», mas também no pressuposto de que a «arte deve estar ao alcance de todos».
Com aquele objetivo, Ferreira de Almeida lançou recentemente o projeto “Brincar com Arte”, visando aproximar a arte das pessoas, nomeadamente, crianças, jovens, pais, tios, avós..., sensibilizando-as para o desenho e para a pintura e levando-as a «transportar para as telas sentimentos». «Cada um desenha e pinta ao sabor da sua imaginação e de acordo com as suas capacidades», frisou o artista.
Ainda sobre a exposição, Ferreira de Almeida disse que, para Foucault, o arquivo não é apenas o lugar onde se depositam documentos, «mas um espaço vivo onde tudo é depositável, o saber, as memórias, um conjunto de informações que ajudarão as gerações vindouras a construir o futuro». E lembra que Derrida chama a atenção para a utilização que pode ter a forma como o arquivo é colocado à disposição do povo, sublinhando que, «se for selecionada por alguém que queira instrumentalizar uma sociedade, pode levar a que sejam feitas barbaridades como já aconteceu no passado».
Na sua mostra, porém, não se correu esse risco, porque quis tão-só «que as memórias de um povo fossem mostradas no arquivo, onde as pessoas que passaram os portões imprimiram os seus sentimentos, emoções, alegrias, tristezas, em suma, as suas vidas».
Nesta exposição, o artista gafanhão lembra que foram apresentou 12 trabalhos, de que se destacaram «sete antigos portões de chapa zincada subtraídos do seu contexto original», os quais foram colocados num espaço museológico que «convoca para a reflexão sobre o arquivo e memória», e quatro caixas de vidro com elementos retirados dos portões: pregos, parafusos e outros elementos e, ainda, uma tela que está na génese desta mostra.

Fernando Martins

Nota: Entrevista feita por e-mail.

JESUS APRESENTA-SE MONTADO NUM JUMENTO

Georgino Rocha


De Jerusalém para o mundo


Jesus sabe que a sua vida corre perigo e pressente que os últimos dias estão a chegar. A paixão por dar a conhecer a novidade do Reino de Deus, de que é portador/realizador, leva-o a ser criativo, a inventar maneiras, ainda que apoiando-se em citações e reminiscências dos profetas. A paixão por despertar a consciência ensonada dos responsáveis políticos e religiosos impele-o a empreender novas ousadias, a enfrentar armadilhas fatais. A paixão por desvendar ao povo humilde a verdade do que está a acontecer leva-o a apresentar-se montado num jumento na cidade de Jerusalém. Esta realidade constitui o pórtico da Semana Santa que, hoje, se entreabre com a bênção e procissão dos Ramos e a proclamação da narração da Paixão segundo Marcos (Mc 14, 1-15, 47).
Jesus está nas imediações do monte das Oliveiras, na aldeia de Betfagé, vindo de Betânia, terra do amigo Lázaro e sua família. Sonha com uma nova oportunidade e quer criar um facto histórico de grande alcance simbólico. Chama dois discípulos e diz-lhes: “Ide à povoação que está em frente e, logo à entrada, vereis um jumentinho preso…Soltai-o e trazei-o” (Mc 11, 1-11). Eles assim fizeram.
E o sonho converte-se em realidade. Entregam o animal a Jesus, preparam a montada, estendendo pelo dorso capas de protecção. Jesus sobe e começa a procissão rumo a Jerusalém, cidade do Templo que está ao alcance da vista. Os acompanhantes e outros peregrinos vão-se incorporando e o barulho aumenta. Capas estendidas, ramos de verdura agitados, gritos de hossana e outras aclamações são sinais da sua alegria e do seu entusiasmo. Cena, agora, evocada nas famílias e comunidades cristãs, a testemunhar a robustez da convicção religiosa e da fé católica numa sociedade que se afirma laicizada e, em que grupos aguerridos, teimam em impor a sua ideologia intolerante.

quinta-feira, 22 de março de 2018

MARCELO SENTE "VERGONHA PELA POBREZA"


Li no PÚBLICO que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, expressou ontem, numa conferência, sentir vergonha pela pobreza existente em Portugal e apelou à criação, com urgência, de uma estratégia nacional. "Temos de ser capazes de fazer chegar à sociedade portuguesa a seguinte mensagem: ninguém é feliz ou pode ser feliz fingindo que não existe pobreza ao seu lado. Ou, dito de outra forma: é uma vergonha nacional sermos, em 2017, e agora já em 2018, das sociedades mais desiguais e com tão elevado risco de pobreza na Europa. Eu tenho vergonha", afirmou.


Ler mais no jornal PÚBLICO  

NOTA: "Ninguém é feliz ou pode ser feliz fingindo que não existe pobreza a seu lado." É isso mesmo. Um dia, Madre Teresa de Calcutá respondeu a quem lhe perguntou se seria possível erradicar a pobreza no mundo: — É... se cada um de nós matar a fome ao primeiro pobre com quem se cruza no dia a dia.



quarta-feira, 21 de março de 2018

"O ENGANO DAS ILUSÕES" DE PAOLO SCQUIZZATO

 Georgino Rocha 


Acabei de ler, com muito proveito e grande satisfação, o livro “O engano das ilusões” de Paolo Scquizzato, editado por Paulinas, no início de 2018. A leitura desperta, desde o início, uma verdadeira paixão: pelo estilo e pelo tema que situa a pessoa humana numa área abrangente de espiritualidade e psicologia.
O autor, possuidor de uma notável experiência de vida, coordena uma equipa de colaboradores que nesta obra fazem um percurso singular. Partem do princípio salutar que, para chegar a Deus, temos de nos conhecermos a nós mesmos, as nossas próprias sombras. Reconhecem que esta aventura exige uma autenticidade honesta, capaz de assumir as máscaras que cobrem o nosso rosto. Confessam que “onde estiver o meu maior problema, aí também está a maior oportunidade de salvação” (A. Grun).
O livro abre com um belo texto intitulado “Em busca de nós mesmos como arte de viver” e pretende responder, como afirma na Introdução, “ao desejo de oferecer um panorama o mais vasto possível, de modo a permitir a cada um fazer algumas reflexões, tendo à sua disposição leituras que partem da dimensão humana para a dimensão espiritual”.
A leitura da obra leva-nos a mergulhar no modo de ser humano, a identificar desvios (vícios que no texto surgem na designação tradicional de pecados capitais) e a procurar compreender o seu conteúdo e a sua repercussão na vida, a re-situar o desejo de felicidade, mediante um caminho de adequada terapia.

DIA MUNDIAL DA ÁRVORE - PELA PÁTRIA

Um soneto de António Correia de Oliveira

Pela Pátria

Ouve, meu Filho: cheio de carinho,
Ama as Árvores, ama. E, se puderes,
(E poderás: tu podes quanto queres!)
Vai-as plantando à beira do caminho.

Hoje uma, outra amanhã, devagarinho.
Serão em fruto e em flor, quando cresceres.
Façam os outros como tu fizeres:
Aves de Abril que vão compondo o ninho.

Torne fecunda e bela cada qual,
a terra em que nascer: e Portugal
Será fecundo e belo, e o mundo inteiro.

Fortes e unidos, trabalhai assim…
– A Pátria não é mais do que um jardim
Onde nós todos temos um canteiro.

António Correia de Oliveira 
(S. Pedro do Sul, 1878 – Antas, 1960)

NOTA: Um soneto dedicado à criança de um poeta muito esquecido. A foto é da rede global. 

terça-feira, 20 de março de 2018

BEM-VINDA, PRIMAVERA!




Flores do meu quintal

A esperada, desejada e ansiada primavera chegou neste preciso momento, segundo o Observatório Astronómico de Lisboa. São, pois, 16h15, e a partir de agora voltam a alegria, o colorido multifacetado das paisagens e os sonhos, porque primavera é sinal de renascimento, rejuvenescimento, ressurreição, leveza, novos ares, ambientes floridos e  de recomeços sempre apetecidos. Afinal, nova vida carregada de quimeras,  de viagens adiadas, de projetos renovadores, de gargalhadas sadias e abertas à felicidade pessoal e coletiva. 
Boa primavera para todos.

segunda-feira, 19 de março de 2018

“BRIGADA BARBATANAS” DÁ 1.º PRÉMIO A ESCOLA DA GAFANHA DA NAZARÉ

Um trabalho muito expressivo

Os alunos  da turma premiada

Entrega do diploma a um aluno pelo vereador da CMI, Tiago Lourenço 
A turma do 1.º ano do CE St. Maria Manuela da professora Maria de Lurdes Pereira  e das professoras estagiárias da Universidade de Aveiro participou no desafio lançado  pela Escola Mágica. O desafio “BRIGADA BARBATANAS” teve o apoio do SEA LIFE  Porto. 
A participação no desafio da Escola Mágica foi muito importante para os alunos  e professoras, pois foi ao encontro do que está a ser trabalhado na sala de aula. A turma tem um projeto sobre "CONHECER O OCEANO/RIA DE AVEIRO"; e uma página na net. para dar conhecimento aos encarregados de educação das atividades realizadas na turma,  no âmbito do  projecto e da flexibilidade curricular.
Os meninos do 1.º ano mostraram um novo olhar  sobre a conhecida obra de Edevard Munch - o Grito. - "o grito do oceano"; - que  consta numa chamada de atenção para o que se passa atualmente nos oceanos  devido à enorme poluição existente. 
Com esta participação,  ganhámos o primeiro  prémio, um tablet e uma visita ao SEA LIFE Porto. Na passada sexta-feira,  dia 16 de  março, toda a turma usufruiu de uma visita guiada ao SEA LIFE Porto.
A CMI ofereceu o transporte para fazermos a visita.

Maria de Lurdes Pereira

NOTA: Felicito professoras e alunos pelo êxito alcançado no âmbito do desafio lançado pela "Escola Mágica" e pelo projeto "Conhecer o Oceano/Ria de Aveiro". Formulo votos de que esta vitória continue, tendo nos horizontes a ambição urgente de todos  lutarmos, no dia a dia,  por uma natureza mais limpa, mais bonita  e mais saudável. Os meus parabéns a todos.

BONS PROGRAMAS TALVEZ POUCO CONHECIDOS




Há bons programas nas TV que, penso eu, talvez sejam pouco vistos e pouco conhecidos, como são os da Sociedade Civil, na RTP2. Hoje assisti a um desses programas, precisamente dedicado ao Dia do Pai, no qual foram entrevistados três pais. Cada um partilhou algo das suas experiências relacionadas com a educação dos seus filhos, crianças ainda, que me apraz sublinhar, indicando dois links, pois à hora a que foi apresentado, hora de trabalho para a maioria das pessoas, não pôde ser visto por muita gente. 
A educação dos filhos e netos não é tarefa fácil e necessita, por isso, de muita preparação, quer ao nível da formação para os valores, quer para uma vida saudável, numa sociedade em que as solicitações, desafios e propostas, imensas vezes os mais esquisitos, podem deixar marcas para a vida, abrindo portas para o bem e o belo, mas também para o mal.
Como ajuda, mesmo sem sugestão de ninguém, deixo duas propostas que julgo de interesse. É o meu contributo para este Dia do Pai.

Ver:




domingo, 18 de março de 2018

PASSEIO PELAS MONTANHAS MÁGICAS

Reportagem de Maria José Santana
para o PÚBLICO

Não é só a paisagem que faz com que 
estas montanhas sejam mágicas

Aldeia

No território que abrange as serras da Freita, Arada, Arestal e Montemuro há muito para descobrir e sentir. O desafio passa por fazê-lo ao longo de uma rota centrada em atractivos ligados à água e à pedra.
É no município de Sever do Vouga — terra do mirtilo (e não só) — que damos início à descoberta da Rota da Água e da Pedra. E sem motivos para queixumes: aquela sexta-feira de Fevereiro, que tinha começado com temperaturas bem baixas, acabou por se transformar num belo dia de (quase) Primavera. A aventura começa junto à antiga estação de Paradela, na antiga linha do Vouga, com uma pequena caminhada. Era aqui, junto às margens do rio Vouga, que passava o troço ferroviário que ligava a linha do Norte à do Dão (entre Espinho e Viseu), numa extensão de 140 quilómetros. 

NOTAS:
 
1. Sigo há anos os trabalhos de Maria José Santana publicados nos jornais.  Escreve com sabor e alma sobre  o que observa nas reportagens que faz, dando-nos retratos fiéis e expressivos que sempre me sensibilizam. Daí que, ao lê-la, me apeteça seguir os seus caminhos e propostas para lavar o espírito e desentorpecer as pernas já cansadas pelos anos. Ontem brindou-nos com texto e imagens, algumas das quais me são familiares há muito. Aconselho, portanto, uma leitura pelos trilhos que calcorreou pela Rota da Água e da Pedra.

 2. Os textos  em itálico e a foto são do PÚBLICO e foram editadas no caderno Fugas de sábado.

QUANDO PERDER É GANHAR

Frei Bento Domingues 

Bento Domingues
"É perdendo o poder de dominar
que se ganha o gosto da vida como dom,
a alegria verdadeira."


1. Não fui eu que inventei o título desta crónica. Vem direitinho do Evangelho segundo S. João, com paralelo em S. Lucas, escolhido para ser proclamado na Missa deste Domingo. Quem, dentro ou fora dessa celebração, gastar algum tempo a meditar e a confrontar a sua vida com este texto, absolutamente espantoso, só tem a ganhar. A sua lógica é estranha, mais acertada, porém, do que qualquer outra lógica mundana, religiosa ou eclesiástica.
Começa numa conversa e vai acabar noutra. O contexto já é o da Páscoa judaica: seis dias antes da Páscoa, Jesus foi a Betânia, onde estava Lázaro que Jesus tinha arrancado da morte. Por esse motivo, a família de Lázaro ofereceu um jantar em sua casa. Pelos vistos, os discípulos também foram convidados.
Marta, como de costume, estava a preparar tudo e a servir à mesa. Maria, a irmã, era mais para o louco e foi buscar o melhor perfume para lavar os pés de Jesus. Enxugou-os com os seus cabelos. O seu reconhecimento por ver o irmão vivo era sem medida. Toda a casa ficou perfumada por aquela alegria.
Judas Iscariotes não gostou dessa extravagância. Aproveitou a cena para se mostrar o defensor dos pobres e marcar pontos aos olhos do Mestre: porque não se vendeu este perfume por trezentos denários — eram 300 dias de trabalho normal — para os dar aos mendigos? O narrador observa com malícia: ele disse isto, não porque se preocupasse com os mendigos, mas porque era ladrão e, como tinha a bolsa comum, metia a mão na massa; o “pobre” a beneficiar com a poupança seria ele próprio. Jesus cortou essa conversa e disse algo que teve consequências dramáticas: mendigos tendes sempre entre vós. Esta fala foi usada pelos exploradores para não se tocar nas injustas estruturas da sociedade. Jesus teria consagrado a desordem social. Se lermos bem, descobrimos que essa não era e não é o sentido da fatídica sentença. Verificaremos que Judas estava numa onda e Jesus noutra totalmente diferente. Pobres, desgraçadamente, nunca faltam. O que continua a faltar é a vontade de acabar com as causas da pobreza imposta.

sábado, 17 de março de 2018

EGAS SALGUEIRO HOMENAGEADO EM AVEIRO



«Fez ontem 124 anos que nasceu Egas da Silva Salgueiro, que durante a sua vida deixou marcas em Aveiro e Ílhavo na sua actividade empresarial e cívica, e ontem foram inaugurados dois sinais que prolongam a memória da sua passagem, dando nome a uma rua, nas imediações da Av. Artur Ravara, e um busto, junto a esta placa, no relvado da Baixa de Santo António. Será possível conhecer mais sobre a sua vida numa biografia que Manuel Ferreira Rodrigues está a preparar. Para já, desde ontem estão na cidade aquelas duas marcas. O busto é da autoria de Helder Bandarra, posicionado para o lado do Museu e da Sé. Para o lado contrário, a alguns metros, fica o actual hospital junto ao antigo da Misericórdia, na qual Egas Salgueiro foi provedor. Para além da vida empresarial - fundou a Empresa de Pesca de Aveiro (EPA), na Gafanha da Nazaré presidiu à Companhia Aveirense de Moagens (onde atualmente se encontra instalada a Fábrica - Centro Ciência Viva), foi diretor do Banco Regional de Aveiro - a sua actividade cívica foi intensa.»

Li no Diário de Aveiro 

Texto e foto do Diário de Aveiro

NOTA: Congratulo-me com a homenagem prestada, em Aveiro,  ao industrial Egas Salgueiro, a quem a região muito deve pelo seu dinamismo e visão em várias frentes. 
Permitam-me que sublinhe o seu contributo para o desenvolvimento da Gafanha da Nazaré, em especial, onde instalou a célebre EPA (Empresa de Pesca de Aveiro), que empregou centenas de gafanhões, tanto nos barcos de pesca como na seca do bacalhau e nas oficinas, destinadas, fundamentalmente, à  reparação dos seus navios e instalações.  Também por isso, entendo que lhe é devida uma homenagem, para além da rua que já ostenta, há muito, o seu nome.

OLIVEIRA DE SETE VIDAS



Passei ontem pelo parque de estacionamento nas traseiras da Junta de Freguesia da Gafanha da Nazaré. Ia sem pressas que as forças não dão para mais. Talvez por isso,  numa curta paragem, olhei para uma oliveira que tranquilamente renasceu de uma raiz que, segundo me garantiram, tinha uns 300 anos de vida. 
Sabe-se que as oliveiras, decerto como outras árvores, duram muitos anos, mais do que centenárias. Um dia ouvi que havia oliveiras dos tempos de Cristo, cuja existência talvez se deva a múltiplas transplantações ao longo dos tempos. 
Falando da nossa, que ali brotou por oferta da raiz ao preidente da junta Manuel Serra, penso que deve ser cuidada e tratada com algumas podas, para crescer com qualidade de vida, ficando para a posteridade.

sexta-feira, 16 de março de 2018

HIDROAVIÕES CHEGARAM HÁ 100 ANOS

Hidroavião na ria
«O Exército agendou para o período compreendido entre 24 de março e 15 de abril uma série de eventos para assinalar a passagem dos 100 anos da chegada à freguesia [atual S. Jacinto] da aviação naval, inicialmente a cargo de franceses.
O ponto alto das comemorações será a cerimónia militar do Regimento de Infantaria n.º 10, a 4 de abril. Destaque ainda para uma conferência / exposição do centenário, a 12 de abril. A sétima edição da ‘Corrida das Areias, a 15 de abril, também integra o programa (ver abaixo).
O complexo de S. Jacinto é a única unidade militar com história nos três ramos das Forças Armada em Portugal.»

Li aqui

CONTRA FRANCISCO, CONTRA O CONCÍLIO

Anselmo Borges no DN


O Papa Francisco tem opositores e inimigos? Sim, isso é claro. E é bom que se perceba que opor-se a Francisco é opor-se ao Concílio Vaticano II. A linha de separação passa pelo Concílio. Afinal, depois da primavera conciliar, veio um longo inverno, de que muitos, nomeadamente Karl Rahner, talvez o maior teólogo católico do século XX, se queixaram. Com Francisco, regressou a primavera. Que se passa então? Dou dois exemplos.

1. Um dos núcleos da discórdia, a ponto de Francisco ser atacado por ser débil em teologia e até herético, é a sua reflexão sobre a possibilidade de, no quadro do devido discernimento, católicos recasados serem admitidos à comunhão. Mas, afinal, o próprio Bento XVI, quando era apenas professor Joseph Ratzinger, escreveu, em 1972, um texto nessa direcção. Sim, o casamento é indissolúvel, mas, cito, quando "um primeiro casamento se rompeu há já algum tempo" e de modo irreparável, e quando "um segundo enlace se vem manifestando como uma realidade moral e está presidido pela fé, especialmente no que se refere à educação dos filhos (de tal maneira que a destruição deste segundo casamento acabaria por destroçar uma realidade moral e provocaria danos morais irreparáveis), neste caso - mediante uma via extrajudicial -, contando com o parecer do pároco e dos membros da comunidade, dever-se-ia consentir a aproximação da comunhão aos que assim vivem".

CHEGA A HORA: JESUS MORRE PARA NOS DAR A VIDA NOVA

Reflexão de Georgino Rocha

Georgino Rocha

Como o grão de trigo


O coração humano alberga e alimenta desejos genuínos, especialmente a alegria da festa e o encontro com Jesus, ainda que vagamente figurado. Desejos que afloram mais visivelmente em certas oportunidades como a celebração da Páscoa e a proximidade de pessoas disponíveis e acolhedoras. Desejos que abrem “janelas” por onde pode entrar uma nova luz de esperança e de sentido. Desejos que aspiram a um outro nível de realização, mediante a passagem vital, tão bem expressa, da semente que germina no seio da terra, cresce e dá fruto. Esta é a realidade que se configura na atitude dos gregos que sobem a Jerusalém para a festa e querem ver Jesus, recorrendo a Filipe e André como mediadores. (Jo 12, 20-33).

O Papa Francisco que, nesta semana completou cinco anos como bispo de Roma e pastor da Igreja universal, fez aos cristãos as seguintes perguntas: “Como é o meu desejo? (…) Busco o Senhor? Ou tenho medo, sou medíocre? (…) Qual é a medida do meu desejo? A migalha ou todo o banquete?” Imagens fortes que ficam a interpelar-nos e nos convidam a não sermos cristãos estacionados, acomodados demasiado, a arriscar, a avançar. 

O pedido dos peregrinos gregos chega a Jesus que dá uma resposta “estranha”. E não assume qualquer outra atitude directa. Faz um anúncio do futuro que se aproxima. Recorre à metáfora do grão de trigo que, para ser fecundo não pode continuar no celeiro, mas tem de ser lançado à terra e germinar. Assim, acontece com Ele. “Chegou a hora, diz-lhes, em que o Filho do homem vai ser glorificado”. E há-de acontecer com os discípulos, seus servos; connosco, seus amigos. De contrário, ocorre a esterilidade de uma vida vocacionada a ser fecunda, o definhamento de energias ressequidas. E triunfa o egoísmo, a acomodação, a mesquinhez e a estreiteza de horizontes, a indiferença insolidária com o presente e o futuro.

quinta-feira, 15 de março de 2018

A BELINHA PARTIU PARA O PAI


O funeral será amanhã 
na igreja matriz
às 11 horas 

Belinha e Maria da Luz na festa dos 50 anos da Obra da Providência
Belinha - 1955

Ontem à noite, soube da partida da Belinha para o seio de Deus. Estava há muito acamada e o seu falecimento, embora esperado, deixa um vazio em muita gente que a conheceu, que privou de perto com ela, que dela recebeu apoio em horas difíceis, e, naturalmente, na sua família e nos amigos mais próximos. A Belinha foi sempre uma pessoa extraordinariamente atenta aos mais pobres, aos mais frágeis e mais desprotegidos, mas também aos marginalizados e esquecidos, aos doentes e carentes de afeto. 
Belinha era o diminutivo que a tornou mais conhecida na Gafanha da Nazaré e arredores, de seu nome Rosa Bela Vieira, registada como Rosa Vechina Vieira. Nasceu em 2 de março de 1928 e desde cedo mostrou uma sensibilidade especial para apoiar os mais sofredores a vários níveis. Ligada a Maria da Luz Rocha, por afinidades estimuladas pela ação vicentina junto dos mais pobres, avançaram ambas para a criação de serviços de ajuda a raparigas e mulheres mal-amadas e rejeitadas pelas suas famílias de raiz, namorados ou maridos, pelo simples facto de terem ficado grávidas. E algumas, por motivos compreensíveis, acabaram por cair na prostituição. A Obra da Providência nasceu precisamente por isso. 
A Belinha, contudo, continuou durante toda a sua vida ativa com ações benemerentes em favor de quem precisasse. Deu injeções a doentes acamados, gratuitamente,  andando de porta em porta, de bicicleta, promoveu o internamento de alguns em hospitais, alimentou em sua casa quem não tinha que comer nem onde comer, vestiu pobres e conseguiu emprego para muitos. 
Nas suas andanças de casa em casa dos doentes foi registando múltiplas dificuldades que as famílias enfrentavam, partindo daí para a resolução de diversos problemas, sabendo as portas onde devia bater, nomeadamente nos departamentos estatais e junto de amigos. 
A Belinha e Maria da Luz, amigas muito próximas, tinham por hábito reunir-se à porta da igreja matriz, depois da missa da manhã, todos os dias, para fazem o ponto da situação, em ordem a levar a ajuda a quem precisasse, repartindo o trabalho entre si. Entendiam-se perfeitamente, talvez por terem maneiras de ser complementares. Belinha e Maria da Luz representavam, na prática, o coração e a razão de mãos dadas na paixão de levar à vida a mensagem evangélica de que se alimentavam diariamente pela comunhão e pela oração na eucaristia. 
Pelo bem que fez bem feito e pelas marcas de caridade que nos legou, sei que a Belinha já está no regaço maternal de Deus. 
Apresento condolências a toda a família.

Fernando Martins

quarta-feira, 14 de março de 2018

DIÁCONOS PERMANENTES GRATOS AO P.e GEORGINO ROCHA

P.e Georgino com D. António num encontro de diáconos permanentes
P.e Georgino Rocha

Coube-me a honra de dirigir  algumas palavras de gratidão ao P.e Georgino Rocha, que nos acompanhou, durante quase 30 anos, como delegado do nosso bispo para o diaconado permanente. Faço-o numa perspetiva da fé que nos anima e da amizade que nos une, na certeza de que muito dele recebemos ao longo deste tempo, tanto ao nível eclesial como humano. Não apenas nós, aqui presentes, mas também os que não puderem estar connosco e, ainda, os que já partiram para o regaço maternal de Deus, que hoje queremos evocar, considerando-os vivos em nós e connosco. 

O P.e Georgino pautou a sua ação, na nossa ótica, por uma amizade franca e espírito aberto, tendo como matriz a Boa Nova de Jesus e a leitura dos sinais dos tempos, fundamentais nos nossos quotidianos, assentes no serviço aos homens e mulheres das gerações atuais, crentes ou não crentes. Realmente, todos os povos necessitam de testemunhos concretos, que exprimam o rosto misericordioso que Cristo legou à Igreja. 
Na hora do acolhimento, onde quer que estivéssemos, o P.e Georgino foi o amigo solidário, o responsável compreensivo, o mestre de cultura multifacetada, o presbítero disponível e o conselheiro com a arte de saber escutar, sem nunca descurar o fim pedagógico da sua postura na vida. Nas conversas, formais ou informais, que mantinha connosco, a ponderação e a objetividade sobressaíam nas suas intervenções, como pistas abertas a novos desafios. 
Vezes sem conta o vi silencioso durante as nossas reuniões, deixando-nos falar abertamente. Cada um dizia o que entendia ser o melhor, mas sem consenso à vista. Tomando a palavra, o P.e Georgino, serenamente, com uma capacidade de síntese notável, ditava as palavras certas, os conceitos fundamentais e os conselhos oportunos. Eram, no fundo, lições para o dia a dia de cada um de nós e para a nossa sociedade, em constantes e rápidas mutações, tão frequentemente ao arrepio dos nossos princípios e valores cristãos. 
Do ritual da ordenação diaconal, permitam-me que recorde, hoje e aqui, o que então nos marcou, reforçando a nossa vocação, direcionada para uma disponibilidade de serviço em nome da Igreja no mundo secularizado, onde presbíteros e bispos nem sempre podem agir. E destaco uma expressão muito simples e muito clara, que, julgo, jamais olvidaremos: