quarta-feira, 31 de maio de 2006

Formação de portugueses

Novos centros para formar um milhão de cidadãos
O primeiro-ministro, José Só-crates, lança 122 novos centros de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC), entida-des em que o Governo pretende envolver em acções de qualificação cerca de um milhão de pessoas até 2010.
Os centros RVCC destinam-se a reconhecer a formação e aprendizagem de adultos em várias áreas profissionais fora do sistema escolar tradicional, permitindo à população activa com escolaridade reduzida obter habilitações reconhecidas equivalentes ao 9º e 12º anos de escolaridade.
José Sócrates assinalará o lançamento dos novos centros, que fazem parte do programa "Novas Oportunidades", durante uma sessão que decorrerá no Centro de Formação Profissional da Indústria de Construção Civil e Obras Públicas do Sul (Cenfic), no Prior Velho, em Lisboa.
Além do chefe do Governo, estarão também presentes na sessão - em que será assinado "um compromisso de missão" pelos directores dos novos centros -, os ministros da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, e do Trabalho e Solidariedade, Vieira da Silva.
De acordo com dados do Governo, a abertura dos novos 122 centros RVCC permitirá que se encontrem em funcionamento 220 centos de RVCC no final de 2006 - valor que o Executivo diz estar "acima da meta traçada" para este ano, no âmbito do programa "Novas Oportunidades".
Entre os principais objectivos do programa "Novas Oportunidades" está a "qualificação de um milhão de activos até 2010, através do sistema de RVCC e de formação complementar ao nível do 9º e do 12º anos de escolaridade.
O programa "Novas oportunidades" pretende ainda dar prioridade às vias tecnológicas e profissionalizantes para jovens, fazendo com que cerca de 650 mil pessoas sejam abrangidas. No caso do ramo da construção civil, segundo os dados do Cenfic, a mão-de-obra no sector atinge "aproximadamente meio milhão de trabalhadores, estando 50 por cento nas regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve".
Entre os 250 mil trabalhadores desta zona do país, o Cenfic refere que 16.750 tem menos do que o quarto ano de escolaridade, cerca de 149 mil não possui o sexto ano e cerca de 46500 não completou o 9º ano de escolaridade.
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Fonte: SOLIDARIEDADE

Uma homenagem ao sábio Egas Moniz

"NA ESTEIRA DE EGAS MONIZ": Documentário será transmitido no Biography Channel
Revelar o homem que foi Egas Moniz porque “poucas pessoas conhecem o nosso Nobel da Medicina”. A constatação esteve na génese do documentário “Na Esteira de Egas Moniz”, da autoria de Rui Pinto de Almeida e de Alexandrina Pereira, exibido em ante - estreia nacional no Cine Teatro de Estarreja.
Ao longo de 58 minutos, os testemunhos de familiares, de antigos pacientes, e dos neurologistas António Damásio, Alexandre Castro Caldas e João Lobo Antunes constroem uma narrativa onde a representação da figura de Egas Moniz aparece contando na primeira pessoa momentos da sua vida.
O realizador do documentário “Na Esteira de Egas Moniz”, Rui Pinto de Almeida, considera que o resultado final vai de encontro aos objectivos traçados, no sentido de se divulgar a parte menos conhecida do Nobel, o Homem, o Cientista, o Político, o Escritor.
Em qualquer uma das facetas de Egas Moniz, “ressalta a genialidade do Cientista”, conclui o Vereador da Educação e Cultura da Câmara Municipal de Estarreja, João Alegria. O documentário “dá-nos uma visão de quem foi Egas Moniz nas suas várias vertentes”.
No documentário, é feita a referência ao homem de fortes convicções, dotado de um grande sentido de justiça, na vida política e nos trabalhos que apresentava na Assembleia Constituinte de 1911.
Descobrir o político “foi um maravilhar constante”, diz deslumbrada Alexandra Pereira porquanto Egas Moniz “tinha ideais muito próximos dos nossos de hoje em dia. Foi muito gratificante ter contacto com as ideias dele, com uma parte da sua vida que eu desconhecia”.
Um homem sensível e carinhoso, ainda hoje muito recordado na família, pelos sobrinhos – netos que educou, pelo afecto e pela atenção que dispensava. Ao fazer as entrevistas, Alexandra Pereira percebeu que “ainda hoje as pessoas se comovem ao falar sobre ele”.
Após o profundo trabalho de pesquisa e investigação em torno da vida e obra de Egas Moniz, Rui Pinto tem apenas um aspecto a lamentar, “a falta de registo de imagens em movimento do Nobel”.
Existindo uma razão para essa lacuna. “Ele era uma ‘persona non grata’ do regime salazarista que o ignorava o mais possível. Não são conhecidos registos e como realizador sinto a falta de o ver em movimento”.
Outubro de 2004 foi a data de início do projecto. A criação de uma comissão científica foi um dos primeiros passos e encetar.
Sabendo-se que o “tema da leucotomia não é devidamente conhecido, entra em confusão com a lobotomia”, e para o devido esclarecimento e desmistificação da questão, foi imprescindível o contributo “dos dois principais neurologistas portugueses e a nível mundial também”, afirmou Rui Pinto de Almeida, referindo-se a João Lobo Antunes e Alexandre Castro Caldas.
A comissão científica ficou completa com a participação da Directora da Casa Museu Egas Moniz, Rosa Maria Rodrigues, numa aproximação à faceta humanista do investigador, tendo havido desde logo, a anuência da Câmara Municipal, colocando ao dispor da dupla o espólio existente em Avanca.
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Um poema de Reinaldo Matos

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BORBOLETAS Não mates a lagartinha Que se arrasta no jardim Do pomar do meu quintal; Não a mates nem persigas. Defende-a de qualquer mal: Da poeira das valetas E das garras das formigas; Defende-a, que bem precisa. Gostas de ver borboletas A voar de rosa em rosa, E aprecias mariposas? – Não mates a lagartinha Que se arrasta no jardim Do pomar do teu quintal!

Um artigo de António Rego

Os filhos
da Nação
Porquê, pergunta-se, o des-porto é o lugar de despejo de tantas angústias e esperanças de gente das mais variadas condições sociais e culturais? Porquê esse amontoado de sentimentos de vitória ou frustração, pelo simples facto – sejamos claros, falemos do futebol – de uma bola atravessar a linha desejada e interdita da baliza, depois de tantas leis aleatórias criadas e retocadas para tornar mais complexa e sedutora a operação vitória? Porquê tudo isto, se sabemos de antemão, que nada se passa, além dum prévio acordo convencional que dará a palma da vitória ou desonra da humilhação? E se entrarmos no terreno da empresa e do investimento, do estádio e de todos os suportes que estão na retaguarda dum jogo de futebol, que diferença entre o jogo do grande estádio e um entretenimento de bairro com uma insignificante bola de trapos? As coisas não são apenas o que são. São o que simbolizam, mais as metáforas que escondem, os sentimentos que expressam, as explosões de apreço ou fúria que acordam num clube, numa equipa, num país, numa pátria. E nesta matéria, o desporto - o futebol, no caso - aproxima-se de todo o discurso político, económico, social e até religioso, quase litúrgico, reflectindo-se no estímulo e no desencanto, nos êxitos e fracassos paralelos e eventualmente prenunciadores da colagem do real ao assumidamente simbólico do futebol. Parece que o país, perdido ou ganho um torneio, se sente perdido ou reencontrado no seu evoluir económico, social, internacional, como imagem de prestígio ou objecto de compaixão ou desprezo. O futebol ultrapassa as suas linhas, rompe as suas redes, suspende ou manda prosseguir o desafio da vida, puxa de cartões para castigar ou determinar os que devem ser expulsos do campo da dignidade. E mesmo quem não gosta de futebol quer saber o que aconteceu ou vai acontecer a Portugal como quem perscruta o oráculo dos deuses sobre o seu futuro. Estamos perante um jogo que se liga, mais do que se pensa, a um transcendente recheado de surpresa. Como escreveu Peguy: “Eu jogo por vezes com o homem, diz Deus, mas quem quer perder é ele – tonto - e sou eu quem quer que ele ganhe. E consegui, algumas vezes, que fosse o homem a ganhar…” Surpreendente, o jogo da vida, mais que os grandes jogos de estádio.

terça-feira, 30 de maio de 2006

Roteiro para a inclusão social

Cavaco Silva quer
"insuflar um
novo espírito
de solidariedade"
na sociedade
O Presidente da República, Cavaco Silva, defendeu hoje a necessidade de "insuflar um novo espírito de solidariedade" na sociedade portuguesa para minorar as situações de exclusão social no país. "É preciso insuflar um novo espírito de solidariedade na sociedade portuguesa e mostrar as boas práticas que têm vindo a ser seguidas para atender às carências dos mais desfavorecidos", disse Cavaco Silva, ao dar início, em Reguengos de Monsaraz, ao segundo e último dia do “Roteiro para a Inclusão” e contra a pobreza.
Cavaco Silva lembrou alguns dados que ilustram a exclusão em Portugal - "ainda ontem estive num concelho [Alcoutim] com 500 idosos por cada 100 jovens" - e manifestou o seu desejo de "aprender mais" para poder agir a partir de Belém. "Estou aqui para aprender mais. Acho que o Presidente da República deve conhecer bem a realidade do seu país. Só assim pode actuar", declarou.
O chefe de Estado vincou depois que as realidades da exclusão, do envelhecimento e do êxodo contínuo do interior colocam os responsáveis políticos perante "especiais responsabilidades".
O primeiro Roteiro para a Inclusão conclui-se em Vila Velha de Ródão, com a inauguração da Casa de Artes e Cultura do Tejo e a inauguração de duas exposições: Arte Rupestre do Vale do Tejo e Tapeçarias de M. Cargaleiro.
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Fonte: PÚBLICO on-line

PAPA NA POLÓNIA

Lições de Bento XVI
em Auschwitz discutidas
por todo o mundo
Dois dias depois da passagem de Bento XVI pelo campo de concentração nazi de Auschwitz, continuam vivas as discussões sobre as suas palavras no local de morte, onde procurou a reconciliação com todos os que sofreram os horrores do regime de Hitler. A visita do Papa ao antigo campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau foi saudada pelo grande rabino da Polónia, Michael Schudrich, descrevendo-a como “um grande momento no processo de reconciliação” entre cristãos e judeus. Bento XVI denunciou a Shoah (Holocausto), não deixando de confessar que, “para um cristão e para um Papa alemão”, era difícil exprimir-se no cenário central do genocídio dos judeus da Europa. Mais de um milhão e 100 mil pessoas foram mortas em Auschwitz-Birkenau entre 1940 e 1945. Apesar de, como lembrava o jornal católico francês “La Croix”, Bento XVI ter sido bastante mais explícito na condenação da Shoah do que João Paulo II, jornalistas e analistas esperavam do Papa uma palavra mais forte sobre as responsabilidades dos alemães – tendo atribuído o genocídio a um “grupo de criminosos” que utilizou o povo alemão como “instrumento da sua sede de destruição e de poder”. Para entender estas palavras, é preciso levar em conta que o Papa falou para muitas pessoas: o povo polaco, os judeus, os ciganos e os próprios alemães. Uma das lições da sua passagem por Auschwitz é que a reconciliação se faz com todos. O Pe. Peter Stilwell, director da Faculdade de Teologia da UCP e responsável pelo Departamento das relações ecuménicas e do diálogo inter-religioso do Patriarcado de Lisboa, destaca a presença de representantes de várias comunidades, em Auschwitz, lembrando os vários grupos que sofreram os horrores do nazismo. “Ele não reduziu Auschwitz à comunidade judaica, evocou a comunidade dos ciganos, os polacos – um povo que foi dizimado -, os russos e os próprios alemães que morreram ali, considerados como lixo”, lembra. A referência à comunidade judaica, em especial, ficou marcada pela "dimensão teológica" que esteve presente na perseguição, que tinha em vista "eliminar aquilo que o Judaísmo representa como testemunho de uma revelação, de uma exigência ética que permanece nos nossos tempos". A questão do “silêncio de Deus” durante o genocídio foi particularmente destacada. O director da FT lembra que esta é “uma questão clássica na discussão teológica”, à qual Bento XVI dá uma resposta particular: “essa interrogação, dirigida a Deus, deve incidir também no nosso coração, para despertar aí essa presença divina no íntimo de cada um”. “A resposta, de certo modo, começou a ser dada, na medida em que tem surgido, sobre as trevas deste horror, a estrela da reconciliação”, acrescenta o Pe. Peter Stilwell. Bento XVI quis deixar, assim, "um desafio à actual Europa, para que não esqueçam que os grandes valores humanos são essenciais à sua construção" e para as consequências dramáticas desse esquecimento, como se pode ver em Auschwitz.
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Fonte: Ecclesia

Bispos da UE defendem maior justiça social

Desemprego e integração
dos imigrantes
são os principais problemas
A Comissão dos Bispos Católicos da UE (COMECE) manifestou hoje o desejo de que a justiça social aumente nos Estados-membros, lembrando que "o desemprego e a integração dos imigrantes" são os principais problemas, neste momento.
Representantes de doze dos episcopados estiveram hoje reunidos em Bruxelas para um dia de estudo sobre as prioridades do debate ético e social. "Confrontados com os desafios das mudanças demográficas na Europa e da globalização, a discussão foi marcada pela questão de como poderá a UE chegar a uma protecção social eficiente e sustentável para os que estão em necessidade, enquanto elemento do modelo social europeu", refere o comunicado final do encontro.
Debatendo o tema "Estratégia de Lisboa e Europa social", os Bispos encontraram-se com o comissário para a política social e de emprego, Vladimir Spidla. A COMECE pediu "uma atenção especial para saber que incentivos podem ser dados aos empresários, para que aceitem a suas responsabilidade social de forma global".Como última nota, os Bispos pedem que, respeitando o princípio da subsidiariedade, se trabalhe a nível europeu "para fortalecer a família e o matrimónio".
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Fonte: Ecclesia

Um artigo de Francisco Perestrello, na Ecclesia

O Espólio Cinematográfico
As principais funções da Cinemateca Portuguesa - a conservação e divulgação de filmes - tem vindo a ser cumprida de uma forma bastante eficiente. Nas salas Félix Ribeiro e Luís de Pina, na Rua Barata Salgueiro, sucedem-se os ciclos cinematográficos e algumas antestreias de obras nacionais, o que, por vezes, representa a única projecção por estas conseguida. Paralelamente, em Bucelas, a secção ANIM (Arquivo Nacional de Imagens em Movimento) procede à recuperação de cópias de filmes, muitas vezes obras de grande qualidade que se encontravam quase perdidas, algumas ainda em suporte de nitrato (material de mais difícil conservação e altamente inflamável). Mais que a quantidade importa conservar a qualidade, nem tudo merecendo o custo da conservação em cofres especialmente ambientados para uma prolongada permanência de películas cinematográficas. Por outro lado, os múltiplos filmes estreados no circuito comercial, vêem as suas cópias destruídas quando terminados os poucos anos de direitos de exibição. A alternativa prevista na Lei - doação de uma cópia à Cinemateca - já fora adoptada pela 20th Century Fox, por iniciativa de Fimes Castello Lopes, ou melhor, de José Manuel Castello Lopes. Em data recente a Columbia Pictures seguiu o exemplo do seu concorrente, tendo assinado um protocolo entre a director-geral da distribuidora em Portugal, João Cameira, e o presidente da Cinemateca, João Bénard da Costa. Dois problemas se põem agora: como rejeitar alguns trabalhos menores sem ferir o espírito do acordo com a Columbia (de que desconhecemos o texto); como estender o mesmo processo a outras produtoras, não só americanas mas de muitas outras origens, especialmente europeias. Alargar o sistema é o passo essencial, tendo sempre em conta que há um limite do número de cópias arquiváveis. Deverá haver sempre um critério rigoroso na sua escolha.

Um artigo do director do EXPRESSO, Henrique Monteiro

Lei e natureza
É UMA PERGUNTA difícil: em que ponto se estabelece o limite para o que não é natural, no que respeita à vida humana? E não tem seguramente uma só resposta. Mas, se fosse possível estabelecer esse ponto, teríamos uma resposta fácil a questões como a reprodução medicamente assistida, o aborto, a adopção de filhos por homossexuais, a clonagem e uma série de outras técnicas ou métodos cujo desenvolvimento acarreta uma série de efeitos secundários imprevisíveis (e, provavelmente, a muito longo prazo) a par de uma enorme quantidade de benefícios visíveis e imediatos. Sinceramente não sei responder. Mas espanta-me que os partidos saibam, e o saibam não consoante a consciência de cada militante, mas, salvo raras excepções, de acordo com a facção. Ou, dito de forma mais directa, admira-me que os «partidos de esquerda» (PCP e BE, segundo o «Público») defendam o acesso de mulheres sós à reprodução medicamente assistida, ao passo que os partidos não-de-esquerda (presumo que todos os outros) acham que não. E surpreende-me que a Associação Portuguesa de Infertilidade diga que a lei, deste modo (como a não-esquerda impôs), seja inconstitucional. Se os partidos mais liberais fossem a favor de cada um fazer a sua vontade e os de esquerda reclamassem regulamentação do Estado, teríamos uma extensão, por assim dizer, das suas visões habituais de sociedade. Mas acontece que nestes casos se dá o contrário. Os partidos mais liberais regulam e os que passam a vida a reclamar Estado querem desregular - se uma mulher só quer um filho e é infértil, que o tenha. O Estado, afirmam, nada tem a ver com o facto de a mulher ser casada, unida de facto ou solitária. A lei pode substituir-se à natureza, porque só ninguém tem filhos. É interessante verificar este facto, embora dê por certo que quase ninguém o vai achar relevante. Actualmente desistiu-se de pensar sobre as consequências das ideias. UMA MULHER infértil, só, sem marido nem companheiro estável, com mais de 18 anos, desde que mentalmente saudável, deve poder recorrer à Reprodução Medicamente Assistida. Eis o ponto da esquerda! Mas porquê da esquerda? Do ponto de vista da esquerda uma mulher sozinha tem de ser igual a mulher casada ou unida? Deve ser encorajada a ter filhos porque, solitariamente, o decidiu? É isto que demarca a esquerda da direita? É esta a ideia de igualdade? A de que todas as mulheres com mais de 18 anos devem ser iguais - ponto final - e não queremos saber das condições familiares em que ocorre a natalidade? Mas, nesse caso, uma rapariga de 18 anos, se for fértil e mentalmente saudável, deve ser educada no pressuposto de que é indiferente ter ou não ter família? Devemos transmitir-lhes que a ideia da gravidez é diferente da ideia da estabilidade familiar? Se ninguém - nem a «esquerda» educa assim as suas filhas por que se propõem leis destas? Todas estas perguntas parecem ridículas, mas a vida é inesperada e o futuro é-o ainda mais. Não é possível enquadrar a vida de cada um em categorias iguais, nem legislar como se cada pessoa fosse uma peça ou uma máquina exactamente cópia de outra. Não sei a resposta à pergunta inicial - em que ponto se estabelece o limite para o que não é natural, no que respeita à vida humana? - mas sei que a única possibilidade de avançar neste campo é tentar evitar erros e andar com muita, mesmo muita prudência. hmonteiro@expresso.pt

segunda-feira, 29 de maio de 2006

Um artigo de Joaquim Franco, na SIC

A ironia e a evidência
"Para lá da polémica, sobra a verdade - esta, inquestionável - das consequências: o livro "O código da Vinci" e o filme nele baseado não trouxeram qualquer novo contributo para a Teologia ou para a História. Nada"
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Com a perspicácia de uma escrita apelativa e um enredo à volta de um tema que mexe com todo o ser pensante - o "inexplicável" religioso -, Dan Brown teve, no entanto, o mérito de reforçar na praça pública, para o comum dos mortais, o debate sobre os dramas de uma ancestral reflexão, até há poucos anos enclausurada nas academias.
O livro apresentou-se como "história alternativa" para fazer vacilar os alicerces do poder da Igreja, centralizado em Roma. O filme é apenas "entretenimento". E, passada a poeira do primeiro impacto, sobra uma reforçada curiosidade sobre o tema.
Num tempo em que tudo se discute e as verdades outrora adquiridas resvalam na incerteza, a polémica desencadeou a maior campanha de promoção do cristianismo.
Nunca se falou tanto - sem complexos e retomando as dúvidas que assolaram os primeiros evangelizados - sobre Jesus, Maria, Madalena…
Os meios de comunicação social de todo o mundo, impulsionados e ao mesmo tempo promotores da polémica, multiplicaram reportagens, documentários e debates sobre a historicidade de Jesus e os enquadramentos de fé. De um momento para o outro, os meios de referência despertaram para um debate sem tréguas ou respostas definitivas, aumentando o alcance da dúvida e suscitando um maior interesse.
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Há mais católicos no mundo

Jovens católicos (Foto de arquivo) Número de católicos em todo
o mundo aumentou
45 por cento em 25 anos
O número de católicos no mundo aumentou 45 por cento de 1978 para 2004, atingindo neste ano um bilião e 98 milhões de pessoas, mas a Europa, incluindo Portugal, viu decrescer ligeiramente a influência da Igreja. Os números foram este mês divulgados pela Secretaria de Estado da Santa Sé, através do Departamento Central de Estatística, que faz uma análise da evolução da Igreja Católica até 2004.
Se o catolicismo cresceu sobretudo em África e na América e representa hoje 17,2 por cento da população mundial (89,8 dos portugueses), acompanhando o aumento dessa população, na Europa houve um crescimento mais reduzido, com Portugal a acompanhar essa tendência.
Entre 1978 e 2004, na Europa os católicos baixaram de 40,5 por cento da população para 39,5 por cento. Há agora na Europa quase 279 milhões de católicos, um aumento de 12 milhões em relação a 1978.
Situação muito diferente em África, onde o número de católicos quase triplicou, passando de 55 milhões em 1978 para os actuais 148,8 milhões. Na América (549 milhões em 2004, 62 por cento) esse aumento foi de 49 por cento e na Ásia (113,4 milhões, três por cento) de 79 por cento.
Em Portugal, embora tenha aumentado entre 1999 e 2004 o número de centros pastorais (de 6.801 para 7.131) baixou o número de católicos por cada centro, de 1.349 em 1999 para 1.316 em 2004. Comparando 2002 com 2004 verifica-se que aumentou também em cada ano o número de sacerdotes, chegando-se a 4.377 em 2004 (mais 19 do que em 2003 e mais 45 do que em 2002).
Entre 2001 e 2004, tendo em conta nomeadamente as mortes de sacerdotes diocesanos e as ordenações, Portugal teve sempre uma variação negativa entre os 41 e os 54 pontos, muito diferente da evolução positiva tendo em conta os dados à escala mundial, o que mostra que foram muitos mais os novos padres que surgiram do que os que deixaram de o ser, por morte ou outros motivos.
O número de baptismos também baixou de 2001 para 2004, tendo ultrapassado os 100 mil (100.256) em 2001, para descer para 91.194 em 2002, para 88.156 em 2003 e para 86.096 em 2004.
Segundo os dados, Portugal tinha em 2004 um total de 10.450 milhões de pessoas, dos quais 9.388 milhões de católicos, uma percentagem de 89,8.
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Padre José Maia sem papas na língua

"É urgente evitar que o idoso morra na lama, sem nada"
O Padre José Maia, antigo presidente da UIPSS (União das Instituições Particulares de Solidariedade Social e actual presidente da Fundação Filos, é um homem sem papas na língua. Fala sem complexos e diz verdades que muitos calam. No "PÚBLICO" de hoje volta à carga com a frontalidade que se lhe conhece. Diz ele: "Se o Estado gasta três milhões de contos para salvar um lobo, por causa do impacte ambiental [na construção da A24], porque não há-de gastar o mesmo com os idosos, por impacte humanitário? É urgente evitar que o idoso morra na lama, sem nada."
Na entrevista ao mesmo diário, adianta: "grande parte dos idosos têm casas abandonadas, sem dinheiro para as restaurar. Porque não há-de o Estado subsidiar a recuperação das casas, de forma a que os idosos possam receber o apoio dos vizinhos desempregados, que também seriam pagos pela Segurança Social?"
Defende, ainda, a criação de "Redes Comunitárias de Vizinhança", ao mesmo tempo que esclarece: "Sempre que um idoso não tem condições, vai, ou tenta ir, para um equipamento. Não. É preciso mantê-lo em casa, perto do mundo em que vive. Os equipamentos são para os doentes ou para as pessoas não autónomas."
F.M.

Presidência Aberta começa a Sul

Voluntariado de apoio a idosos no roteiro de Cavaco Silva
Se há locais do país onde a comemora-ção de uma efeméride teve efeitos duradouros e que conseguiram ultrapassar o medo ao que é novo, Mértola está nesse mapa. E nele inscreveu um núcleo de voluntariado persistente, que há já quatro anos diariamente leva "o mundo lá de fora" a 70 idosos internados no lar da Santa Casa da Misericórdia. Este é um dos projectos com os quais o Presidente da República irá tomar contacto e que foi incluído nas primeiras actividades desta espécie de Presidência Aberta de Cavaco Silva - a que prefere chamar roteiros -, em torno do tema da inclusão social.
"Foi em Dezembro de 2001, quando se comemorou aqui o Ano Internacional do Voluntário, que me lançaram o desafio de criar em Mértola um núcleo de voluntariado", conta Maria Fernanda Romba, ex-chefe de repartição na Câmara Municipal. "Eu tinha-me aposentado e no início fiquei assustada, tinha medo de começar algo que depois não durasse. Mas comecei a contactar pessoas e, em Março de 2002, o projecto arrancou. Hoje somos 36 voluntários activos", diz a voluntária número um da vila de Mértola que tem cerca de três mil habitantes.
"A maioria das pessoas que aceitaram fazer voluntariado tem entre 50 e 60 anos e alguns, até, mais. Eram as que tinham mais disponibilidade, porque ou se aposentaram ou estavam na pré-reforma. Isso foi uma mais valia para o projecto. Mas também temos gente mais nova: uma psicóloga, com 28, uma estudante que está a acabar o 12º ano, com 18, e uma doméstica com 30", acrescenta.
"O nosso papel é levar o mundo cá de fora às pessoas que estão internadas no lar da Santa Casa da Misericórdia, algumas delas acamadas e a maioria com pouca mobilidade. Para os que são autónomos, que são uma minoria, organizam-se passeios e outras saídas", explica Fernanda Romba.
O núcleo tem várias equipas de apoio - além das dez pessoas que ao todo prestam serviço no lar - entre elas uma que acompanha doentes em recuperação do Hospital de Beja, a par de outra que serve lanches aos doentes à espera de consultas, no centro de saúde de Mértola.
As populações idosas e o apoio que lhes é prestado preenchem boa parte do programa de Cavaco Silva, cuja primeira jornada deste ano começa em Alcoutim, onde o Presidente se informará também sobre os projectos de combate a um outro problema nacional: o alcoolismo, outra face da exclusão.
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Texto de Fernanda Ribeiro, no PÚBLICO
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Para ler mais, clique PÚBLICO

domingo, 28 de maio de 2006

Um texto de Pedro Vassalo, no PÚBLICO

Os deputados sabichões
Depois de assistirem a uma sessão de esclarecimento, em Faro, Maria e Francisco perceberam o problema: o que fazer dos três embriões congelados há anos? A idade desaconselha a educação de uma nova criança (e há três embriões), e Francisco recusa-se que outra mulher possa receber o embrião. Explica que não quer dar de caras, no futuro, com um filho que não conhece. E destruí-los? Quem decide? O médico?
Carlos, lisboeta, concebido artificialmente, namora com Joana, também concebida da mesma forma. Querem casar, ou viver juntos, mas têm medo de fazer o teste não vá serem irmãos! É que eles não sabem, nem podem saber, porque o dador é anónimo.
António, portuense de gema, é meio psicopata. Como sabe que não há limite para ser dador tem um sonho (louco) de ser pai de mil crianças. Pode? Pode, porque não há qualquer limite para um homem ser dador.
Teresa, alentejana de Évora, concebeu artificialmente, mas nada disse ao marido, porque a lei permite que a mulher possa conceber artificialmente quando quiser. E assim viveram anos. O filho/a é herdeiro/a?
Quem leu até aqui o texto, julgará que trata sobre ficção científica. Mas engana-se. Tudo isto está previsto na lei aprovada no Parlamento na quinta-feira. Duvido que os deputados percebam o que votaram. E a dúvida só existe porque uma lei desta magnitude merece a reflexão que não aconteceu. E porquê? Não sei dizer.
Há inúmeros países na Europa que já trataram deste assunto e o debateram vezes sem conta. Foram consultados especialistas médicos e juristas de renome, académicos que estudam a ética em profundidade e escreveram sobre o assunto. E falo de países que estão longe, muito longe, de poderem ser considerados confessionais ou onde não exista investigação científica digna do nome (caso da Alemanha). E o que se sabe é que as soluções foram muito diferentes do que foi aprovado entre nós.
Talvez por isso um conjunto de cidadãos conseguiu recolher quase 80 mil assinaturas em pouco mais de dois meses e meio. A intenção? Pedir aos deputados que se querem aprovar uma lei sem um mínimo de debate público, que não consta do seu programa eleitoral e se não querem saber de outras experiências, então que se dignem a consultar o povo.
Há uns meses, o país votou expressivamente num candidato (por acaso socialista) que clamava por maior intervenção do povo na política. Há semanas, um conjunto de arquitectos influenciou, e bem, o Parlamento para aprovar uma lei. Agora há quase 80 mil eleitores, reunidos em tempo recorde, que pedem para serem ouvidos e... nada.
Dir-se-á que é gente simples, sem formação e incapaz de perceberem este problema. Talvez. Mas convinha saber que estão no rol apenas cinco membros do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, um antigo reitor da Faculdade de Medicina de Lisboa, Toscano Rico, professores de Medicina como Gentil Martins, juristas como Germano Marques da Silva, políticos como António Capucho e Bagão Félix, jornalistas como Laurinda Alves.
Fico pois satisfeito de saber que os nossos deputados encerram em si sabedoria tamanha que lhes permite dispensar tantos e avisados conselhos. Provavelmente devem estudar tudo isto quando tiram as tais férias sem explicação aparente, ou suspendem os mandatos.
Mas estou a ser injusto, porque as tais férias a que me refiro são com certeza para ir junto do povo, nos respectivos círculos eleitorais, explicar que o querem ouvir, saber das suas angústias porque, afinal de contas, eles (deputados) só lá estão para o representar. Como diz uma amiga, só faltava que o poder consultasse o povo.
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Pedro Vassalo, mandatário para o referendo sobre a RMA.
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Fonte: PÚBLICO de 26 de Maio de 2006

Mensagem do Papa para o dia Mundial das Comunicações Sociais

:: «Os Media:
rede de comunicação,
comunhão e cooperação»
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"Iluminar as consciências dos indivíduos e ajudá-los a desenvolver o próprio pensamento não é uma tarefa fácil. A comunicação autêntica deve basear-se na coragem e na decisão. Quantos trabalham nos media devem estar determinados a não se deixarem subjugar pela grande quantidade de informações e não devem contentar-se com verdades parciais ou transitórias. De facto, é preciso procurar difundir as verdades fundamentais e o significado profundo da existência humana, pessoal e social (cf. Fides et ratio, 5). Desta forma os meios de comunicação podem contribuir construtivamente para a difusão de tudo o que é bom e verdadeiro"
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Gotas do Arco-Íris - 19

Torreira: Ria de Aveiro
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ENGUIAS vs. CABO-DE-MAR
Caríssimo/a: «Enguias. São a tentação da gente marinhoa da Beira-Ria: negócio chorudo para alguns; delicioso passatempo para outros; petisco especioso para turistas; reclame sonoro da Murtosa e de toda a orla ribeirinha. Nas águas temperadas da Ria de Aveiro, onde a poluição lhes permite viver, fazem estágio permanente, ocultando a todos a sua origem misteriosa e hábitos. Dentre as artes tradicionais da pesca, a fisga, a fisga proibida, é a preferida. Os marinheiros, sempre no encalço dos prevaricadores, às ordens da Capitania e da Lei,são eterna consumição e perdição destes pescadores furtivos. As histórias que correm pela Borda d'Água sobre peripécias, fugas desvairadas, ludíbrios engenhosos da marinhagem na caça aos audazes prevaricadores, não têm conto. Vamos hoje a casa do Abílio da Pega ouvi-lo contar o que lhe aconteceu por mor das enguias e da maldita fisga. Personagens: o Abílio, o Cabo-do-Mar Madeira, o Comandante da Capitania de Aveiro. Repartamos esta miniatura trágico-cómica por três actos. Cenário do 1.º acto, a Ribeira do Solão. Cenário do 2.º acto, a Sala de Julgamentos da Capitania. O 3.º acto tem por cenário aquele que o leitor quiser imaginar a seu gosto. Todas as personagens fixaram há muito a sua residência no Bairro Social dos Mortos. Os cenários continuam os mesmos, tais como naqueles tempos, e os instrumentos do crime estão longe de serem considerados peças de museu, pelo contrário, têm-se multiplicado e aperfeiçoado, num repto audacioso à repressão policial e à lei. O Abílio não tinha família. Ninguém se sentia honrado em contá-lo no número dos familiares e amigos... Vivia sozinho num cubículo sem divisões, com uma única porta de contacto com o mundo exterior. Apesar da exiguidade do quartelho, conseguia inventar espaço para a tarimba, para a cozinha, para o w. c., e para a oficina de sapateiro-biscateiro-remendão, onde a mesa de trabalho era o móvel de maior vulto e valor. Pobre como Job e maroto como uma pega, quando os rendimentos das tombas e da graxa não davam para enganar o estômago exigente, pegava na fisga e, aos saltos (era coxo da perna direita e usava muleta) atravessava o adro da igreja de que era vizinho, e em meia dúzia de passos tinha a Ribeira do Solão, meio escondida do lado do cemitério e fora das vistas de quem passava na estrada a nascente. Tomava a bateira mais a jeito e, vamos a isto! Sempre junto à borda, porque o perigo rondava e os recursos para a fuga não eram muitos, uma mancheia de bichatas dava para a caldeirada. Depois, na loja, sempre havia alma caridosa que o obsequiasse com um copo, porque, embora vivam na água, as enguias, na caldeirada, ou na sertã, dão-se melhor com uma pinguita. Ora um dia, o Cabo Madeira, terror e caçador traiçoeiro dos fisgueiros, apanhou-o com a boca na botija. O Abílio não teve tempo sequer de se esconder entre a canízia que por ali cresce à vontade, e caíu como avezinha nas garras do gavião. Fisga apreendida e ordem para se apresentar na Capitania, em dia e hora aprazados. O Abílio não se afligiu. Não tinha nada a perder. No dia indicado na notificação que o correio trouxera dias depois, ainda no céu ardiam todas as estrelas, vestiu os andrajos mais sujos e rotos que encontrou, e com a barba de cinco semanas, meteu-se a caminho, a pé, por atalhos da marinha que bem conhecia. Passou a muleta quase cinco léguas, com incrível ligeireza para um coxo. O sol veio dar com ele à porta da Capitania. Aí aguardou, sob os olhares curiosos de quem ia entrando, que chegasse a vez de ser chamado. Da entrada da sala onde seria julgado, um marujo lançou no corredor o nome do Abílio. Ao lado do Cabo Madeira, que entretanto chegara, postou-se em frente do comandante-juiz que, perante a aparição inesperada daquele monte de trapos mal cheirosos, através dos quais se expunham porções do corpo, não pôde conter o espanto que lhe arregalou os olhos e entreabriu a boca como quem não acredita no que tem à sua frente. Pausa. Silêncio profundo com esboços de sorrisos nalguns rostos. [...]» O que aí fica é a primeira parte de “uma história por contar”, escrita pelo professor Jaime Vilar e que hoje me dá um jeitinho para prestar a minha homenagem ao Capitão do Porto há dias empossado e a todas as pessoas que com ele colaboram na difícil tarefa de manter um equilíbrio em toda a extensa laguna... Se for oportuno (e se me for permitido...) concluiremos a transcrição...
Manuel

sábado, 27 de maio de 2006

Um artigo de Francisco Sarsfield Cabral, no DN

O lucro fácil e a natureza humana
Desde que rebentou o escândalo do negócio dos selos sucedem-se as prosas moralistas sobre a irresponsabilidade de quem ali investiu. Comentários um tanto enjoativos, porque é fácil falar depois de ter estalado a bronca - poucos alertaram antes de ela acontecer. E também porque sempre existiram, e continuarão a existir, negócios especulativos, mais ou menos lícitos, que atraem analfabetos e pessoas cultas na ilusão do lucro fácil.
São conhecidas as febres na Bolsa, com as acções a valorizarem-se porque muitos julgam que elas irão subir ainda mais (lucro garantido!), portanto compram, puxando para cima as cotações - até que um dia a bolha rebenta, pondo o mecanismo a funcionar ao contrário, com toda a gente angustiada a vender quanto antes.
Aconteceu no crash de 1929, a que se seguiu a maior depressão económica da história, só terminada com a Segunda Guerra Mundial.
Mais recentemente, e em menor escala, deu-se a queda brutal em Wall Street em Outubro de 1987 e o rebentar em 2000 da bolha especulativa envolvendo empresas de novas tecnologias.
Por cá, foi sentido o crash de 1987, mas já no tempo de Marcello Caetano se registara entre nós uma euforia bolsista que acabou mal, como é da regra.
A especulação não é um exclusivo da Bolsa. No princípio do século XVII as tulipas que então a Holanda importava da Turquia contraíram um vírus benigno, que lhes alterava as cores.
Essas tulipas valorizaram-se então extraordinariamente. Os holandeses desataram a comprar bolbos na convicção de que a subida do preço das tulipas não iria parar. Mas quando alguém, mais prudente, começou a vender, a queda dos preços foi vertiginosa, arruinando muita gente.
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Novas regras para a abertura de farmácias

Numa sociedade
democrática,
os monopólios
não fazem sentido
Ontem, o Governo de José Sócrates avançou com a notícia do fim do monopólio das farmácias, cujos proprietários apenas podiam ser farmacêuticos devidamente habilitados. Qualquer pessoa, a partir de agora, pode vir a instalar uma farmácia em qualquer ponto do País, a partir de algumas regras que serão definidas em breve. O acesso a esse direito está vedado, tão-somente, a médicos e industriais de produtos farmacêuticos, directa ou indirectamente. No entanto, nenhum proprietário poderá ser detentor de mais de quatro farmácias. O Governo criou ainda as farmácias hospitalares, que funcionarão 24 horas por dia e todos os dias do ano, devendo ir a concurso a sua exploração. Terão preferência os proprietários da zona dos hospitais. Por outro lado, as farmácias ficarão livres para estabelecer os preços dos medicamentos, tendo em conta um tecto máximo a definir pela tutela, ficando aberta a porta à livre concorrência. Haverá, também, a possibilidade de adquirir medicamentos por unidade. Por incrível que pareça, numa sociedade democrática com mais de 30 anos de vida, tínhamos entre nós um monopólio escandaloso, que não fazia qualquer sentido nos tempos de hoje. Ainda bem que o Governo tomou esta decisão, corajosa, o que mereceu o apoio da oposição. No fundo, resta-nos esperar que tudo isto venha a contribuir para a descida do preço dos medicamentos, muitos dos quais não estão acessíveis à grande maioria de quem vive apenas do salário mínimo nacional ou de salários muito próximos desse. E a possibilidade de se poder comprar por unidade virá reduzir, significativamente, o desperdício de medicamentos. Fernando Martins

Pressão do lucro e competição

Mota Amaral critica desumanização da sociedade
O ex-presidente da Assembleia da República, Mota Amaral, criticou hoje as alterações dos ritmos de vida das pessoas “ditadas pelo lucro e competição”, apelando a uma reflexão da sociedade sobre o assunto. “Chego a pensar se não é preciso encontrar uma forma de dizer que o rei vai nu”, disse o social-democrata João Bosco Mota Amaral, ao defender a necessidade de “evitar a desumanização” das actuais sociedades do mundo global.
O antigo presidente do Governo Regional dos Açores falava na Casa Municipal da Cultura de Coimbra, num debate subordinado ao tema “20 anos de Portugal na União Europeia” (UE), organizado pela Associação Juvenil de Estudos Europeus e Comunitários (AJEEC).
Mota Amaral, tendo por mote uma parte da intervenção do economista Marcelo Nuno, líder da Comissão Política Concelhia de Coimbra do PSD, que fez uma retrospectiva dos progressos registados em Portugal após a adesão à UE, em 1986, introduziu no debate “algumas linhas de crítica a esta mudança vertiginosa da nossa sociedade”.
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Um poema de Cabral do Nascimento

AMO O SILÊNCIO Amo o silêncio e as vozes que insinuam, Meigas ciciam, musicais, veladas, Fracas, serenas, pálidas, cansadas, Doces palavras que no ar flutuam. Amo o silêncio e a luz difusa… E amo A tarde cor de cinza, a chuva calma, E o mar sem ondas, liso como a palma Da minha mão aberta… E em cada ramo Das árvores sem folhas, amo os verdes Musgos pendentes, flácidos, em tiras… Assim, minh’alma extática, suspiras, Meu coração tranquilo, assim te perdes! Rude fragor do mundo, sombra fria, Passa de largo! Não me acordes, não! Deixa correr a fonte da ilusão, Enche-me a vida de melancolia…

sexta-feira, 26 de maio de 2006

A importância de procurar a verdade

"Código Da Vince" confunde muita gente
O "Código Da Vince" e outra literatura semelhante estão a confundir muita gente, sobretudo a que não tem uma cultura com raízes seguras. Depois desta obra, muitas outras se seguiram para explorar essa realidade. É certo que há pessoas que buscam permanentemente o sagrado e o religioso, de tal modo andam insatisfeitas com a fé ( ou a falta dela) que lhe ofereceram (ou não ofereceram) ao longo da vida.
Outras deixaram adormecer a formação religiosa que receberam durante a infância e agora são acordadas por estas literaturas especulativas, que não têm como finalidade qualquer rigor histórico, porque o que interessa aos seus autores e editores é vender muitos livros.
Baralhados com o que lêem, os leitores podem perder o rumo ou desligar-se das raízes que os ligaram à religião que lhes foi legada pelos seus pais ou educadores.
Hoje proponho a leitura de um trabalho esclarecedor.
Que seja uma leitura atenta e que sirva de ponto de partida para outros estudos. São os meus votos. Clique aqui.

Um artigo de D. António Marcelino

RESPEITO
QUE DIGNIFICA,
DESRESPEITO
QUE EMPOBRECE As confusões que o laicismo levanta cada dia, premeditadas e alimen-tadas, continuam a fazer estragos sociais e a sujar a vida das pessoas. Não me refiro ao problema ao lugar no protocolo do Estado dos responsáveis da Igreja Católica, em actos civis oficiais. Uma presença que parece ser cada vez mais incómoda para o estado laico e para os intérpretes do que este significa, exige e exclui. Certamente que as instituições locais, que não são nem anónimas, nem intemporais, agirão segundo o bom senso e o respeito que lhe merecem outras instituições, quando servidoras incontestáveis do bem comum e da humanização pessoal e local. E se estas, por pruridos ou razões, não convidarem para as suas celebrações, nenhum membro da hierarquia católica se sentirá penalizado na sua pessoa, nem deixará, por isso, de continuar a sua missão de serviço à comunidade, com igual ou crescente dedicação. A falta de respeito, sempre impune, que se vai espalhando e que conspurca tudo o que se relaciona com o sagrado, é que me parece preocupante e de efeitos negativos para o tecido social em geral, para as relações que se operam no seio do mesmo, para a salvaguarda e promoção dos padrões fundamentais da educação e da cultura, para a tentativa de rasgar páginas incómodas da história. A história mostra que quem não respeita o sagrado, a seu tempo não respeitará nada, nem ninguém. A referência à dignificação de nós mesmos está, necessariamente, acima de nós e postula e procura um horizonte mais largo, que nos dê segurança interior e nos permita emergir do banal. A igual dignidade de todos nós ou tem uma origem e uma fonte indiscutível que nos ultrapassa, ou depressa desaparece, porque logo surgirá no horizonte quem pretenda nivelar por baixo e quem classifique os outros, pelas mais diversas razões, como gente desprezível ou apenas joguete dos seus próprios interesses. Os grandes da sociedade e os indispensáveis ao progresso da mesma, serão, então e apenas, os membros do grupo. O desrespeito pelo sagrado concretiza-se de muitas e variadas maneiras. Desrespeito pela verdade, pelas pessoas concretas, pela justiça, pela história… Mas é, principalmente, desrespeito por Deus, pela Sua Divindade e manifestações, pelo transcendente. É, por vezes, adulteração consciente da verdade, a pretexto de liberdade, ateísmo ou laicismo agnóstico. Quando alguém perde o respeito pelo sagrado, perde-o por si e pelos outros e julga-se livre para fazer ou dizer, sem peias, o que lhe apetece. As verdadeiras balizas do viver em sociedade estão no respeito que se tem por tudo quanto nos ultrapassa a todos por igual. A isso se diz “sagrado”, importante para que cada um se sinta respeitado na sua dignidade, nas legítimas expressões da mesma e no mundo dos valores que cimentam a sua história e a sua cultura. Hoje, os interesses dos grupos económicos e dos media comandam a sociedade, por vezes sem freios éticos ou morais. O sensacionalismo vende tudo e não respeita nada, nem ninguém. A pitada do anti-religioso tornou-se aliciante para o negócio que dispensa escrúpulos. O mundo escravo do dinheiro, do poder e do prazer é pobre e sem futuro. Estará a Igreja dominada por medo destes fantasmas? Nem de longe. Está é preocupada, por amor à verdade e por respeito às pessoas, com o empobrecimento humano e social que se expande. É uma sementeira de onde nada se pode esperar. As vitórias contra Deus e o que há de mais sagrado na vida são sempre efémeras. Vence quem acredita que qualquer forma de morte jamais pode gerar vida. O sagrado e o divino resistem sempre ao tempo. O laicismo ateu ainda não viu que assim é e os desrespeitadores de Deus e do homem fingem vitórias que nunca terão.

quinta-feira, 25 de maio de 2006

Presidente da República aposta na CNIS

CAVACO SILVA VAI FALAR AO PAÍS DAS BOAS PRÁTICAS DAS IPSS
O Presidente da República considera a Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS), um parceiro social muito importante e credível e vai apresentar ao país as boas práticas das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) como exemplo, “para que se saia da letargia e do desânimo” que a actual crise tem provocado. Segundo declarações do responsável da CNIS, Pe. Lino Maia, à Agência ECCLESIA, a preocupação foi ontem manifestada, ao final da tarde, no decorrer do encontro de uma delegação da CNIS com Aníbal Cavaco Silva. Neste encontro, de cerca de uma hora, o Presidente da República “mostrou que estava bem informado sobre a actividade da CNIS e das IPSS, manifestou grande apreço por aquilo que vêm fazendo”, disse o Pe. Lino Maia. No Palácio de Belém, a delegação da CNIS foi dizer ao Presidente que tinha ficado agradada com o discurso do dia 25 de Abril, em que apontou a inclusão como via para a liberdade”, apresentando a Cavaco Silva a disponibilidade para colaborar com todas as outras organizações para esta causa. A CNIS manifestou ainda vontade e disponibilidade em “integrar o compromisso cívico tendo como causa a inclusão”. Antes deste encontro com o Presidente da República, o Pe. Lino Maia já tinha referido que os bairros sociais e a desertificação do interior devem merecer "particular atenção" na preparação do roteiro contra a inclusão, a lançar pelo Presidente da República. "O interior, que deixa muitas pessoas sós, e os bairros sociais são os dois aspectos mais prementes a que se devia dar maior atenção", disse o presidente da CNIS, em declarações ao órgão oficial da Confederação, “Solidariedade”. Satisfeitos com a confiança depositada por Cavaco Silva, os responsáveis da CNIS assumem essa responsabilidade e prometem continuar a colaborar.
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Fonte: Ecclesia

Um artigo de Jorge Pires Ferreira, no Correio do Vouga

Ameaça ou sintoma e oportunidade?
Estreou na semana passada, nos cinemas, “O Código da Vinci”, filme baseado no romance homónimo de Dan Brown que em Portugal vendeu de 470 mil exemplares e no mundo terá vendido 40 milhões.
O filme segue a par e passo o livro, que, como foi algumas vezes referido no Correio do Vouga, tem basicamente o seguinte enredo: Há um segredo que vai mudar a história da humanidade. A Opus Dei manda matar, mas não consegue impedir que se venha a conhecer aquilo que a Igreja escondeu durante séculos. E o que a Igreja escondeu é: Jesus e Madalena casaram e tiveram filhos. A protagonista do livro/filme é descendente directa de Jesus e Maria de Magdala.
Obviamente, a obra é uma ficção. Uma ficção que os críticos têm denegrido enquanto obra literária (talvez por ter vendido muito), mas que os leitores têm devorado como poucas. A linguagem é simples; os capítulos são curtos; o enredo, misturando história, religião, arquitectura, pintura, matemática e segredos é fascinante; e o tema central, tocando em Jesus, toca no centro da cultura em que vivemos. Mais: a ficção é construída com factos, meio-factos e não-factos, provocando frequentemente um sentimento de indignação a quem está minimamente por dentro dos assuntos. Indignação, mas também admiração pelo engenho do autor. Pode não ser grande literato, mas sabe prender com mestria o leitor, relacionando os factos mais improváveis.
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Divorciados recasados

Divorciados recasados e a Eucaristia É uma questão delicada e atinge cada vez mais cristãos: os divorciados que decidem refazer a sua vida voltando a casar. Por isso, impõe-se que se conheça o que diz a Igreja sobre isso e que propostas pastorais há para estas pessoas. Numa iniciativa da Escola de Pais da Vera Cruz, o Pe Manuel Joaquim Rocha, vigário judicial do Tribunal Diocesano, abordará o tema “Divorciados recasados e a Eucaristia”. A sessão, aberta a todas as pessoas, está marcada para o dia 26 de Maio, no Salão Paroquial da Vera Cruz, às 21h30.

Um poema de Sophia

Um dia Um dia, gastos, voltaremos A viver livres como os animais E mesmo tão cansados floriremos Irmãos vivos do mar e dos pinhais. O vento levará os mil cansaços Dos gestos agitados irreais E há-de voltar aos nossos membros lassos A leve rapidez dos animais. Só então poderemos caminhar Através do mistério que se embala No verde dos pinhais na voz do mar E em nós germinará a sua fala.

Época balnear começa a 1 de Junho

Praia da Barra
Quercus diz que
qualidade da água nas praias
melhorou em 2005
Nas vésperas do início da época balnear, a 1 de Junho, a Quercus faz uma avaliação positiva da qualidade da água nas praias, dizendo que melhorou no ano passado. No entanto, a associação ambientalista lembra a persistência de alguns problemas. “Houve um ligeiro aumento da fracção de praias más, mas um aumento significativo de praias boas em detrimento de aceitáveis”, revela a Quercus, com base na informação pública oficial disponibilizada no site http://www.vivapraia.com e no Relatório sobre a Qualidade das Águas Balneares elaborado pelo Instituto da Água.
Em Portugal existem 478 praias não interditas ao público, sendo que 407 são costeiras e 71 interiores. Estas continuam a apresentar pior qualidade que as costeiras, constata a Quercus, em comunicado.
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Fonte: PÚBLICO

Ria de Aveiro por estes dias

RIA DE AVEIRO
COM SEUS RECANTOS
E ENCANTOS
Porto de pesca costeira

Costa Nova

Torreira

quarta-feira, 24 de maio de 2006

DIA MUNDIAL SEM TABACO - 31 DE MAIO

COMEMORAÇÃO
DO DIA MUNDIAL
SEM TABACO
EM AVEIRO
O Dia Mundial Sem Tabaco vai ser assinalado no próximo dia 31 de Maio, decerto por todo o mundo mais atento à saúde das pessoas e do ambiente.
No Dia Mundial Sem Tabaco pretende-se, sobretudo, sensibilizar a população para os malefícios do tabaco e para as consequências, em termos de saúde humana, que o hábito de fumar poderá provocar.
Em Aveiro vai haver uma sessão especial para isso, no final da qual serão realizados rastreios aos fumadores, medindo o nível de monóxido do carbono, um dos principais tóxicos do tabaco.
A iniciativa, a cargo das Clínicas “Amo-te Vida”, conta com o apoio da Câmara Municipal de Aveiro, e vai decorrer no dia 31 de Maio, pelas 16.30 horas, no Pequeno Auditório do Centro Cultural e de Congressos de Aveiro.

Intolerância Religiosa

Intolerância étnica
e religiosa
aumenta na Europa
A situação na Europa relativamente à intolerância étnica e religiosa é “muito grave”, manifestando-se num recrudescimento de manifestações de racismo e discriminação. O alerta foi deixado pelo representante especial das Nações Unidas para o racismo e a discriminação racial, Doudou Diene. Este responsável interveio na Conferência Eruomed sobre “Racismo, xenofobia e media”, promovida em Viena pela presidência austríaca da UE e a Comissão Europeia. Diene lembra que, ao lado de antigas formas de discriminação, surgem “novas e mais complexas acções de violência e rejeição”. O resentante especial das Nações Unidas para o racismo e a discriminação racial apontou dois fenómenos particularmente graves: a “banalização do racismo” e a “legitimação intelectual” de formas de xenofobia e intolerância. A inclusão de movimentos de extrema direita em cada vez mais países europeus é um sinal desta situação, defendeu. Doudou Diene lembrou ainda que, durante os acontecimentos que sacudiram a periferia de Paris, no final de 2005, emergiu uma outra realidade, a islamofobia. A Europa, frisou, está a perder a sua identidade para adquirir uma nova, multiracial e multicultural, o que gera uma série de implicações visíveis nestas manifestações de violência.
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Fonte: Ecclesia

CNIS pronta para a aposta nos Cuidados Continuados

Instituições pedem
condições para
apostar na qualidade
A Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS) espera que a criação de uma Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados de Saúde a Idosos e Dependentes não exclua as IPSS. Esta preocupação foi ontem manifestada a Inês Guerreiro, coordenadora nacional desta Rede. O programa, vocacionado essencialmente para idosos e dependentes, pretende garantir tratamentos médicos continuados após alta hospitalar. Eugénio da Fonseca, presidente-adjunto da CNIS, explica à Agência ECCLESIA que, no encontro, se procurou definir “qual o contributo que as Instituições podem dar para a execução deste programa e com que recursos podem contar para a sua concretização”. Este responsável lembra que “boa parte” das IPSS também prestam cuidados de saúde, sobretudo junto da população idosa. Nesse sentido, a CNIS tenciona fazer um estudo para saber “qual a taxa de idosos dependentes que tem nos seus equipamentos”, como forma de perceber qual o impacto que este programa poderá ter. Uma segunda medida passar por “fazer uma apresentação do programa a todas as Instituições que trabalham com pessoas idosas”, numa sessão a organizar em Fátima, numa data ainda a definir. O novo modelo de cuidados continuados integrados de Saúde e Apoio Social foi apresentado pelo Primeiro-Ministro e pelos Ministros do Trabalho e da Solidariedade Social e da Saúde, e centra-se na definição, programação e progressivo desenvolvimento de um conjunto de serviços que tem por objectivo dar resposta às necessidades de saúde e apoio social das pessoas idosas e cidadãos em situação de dependência. O presidente-adjunto da CNIS acredita que o programa “não coloca em causa nada do que as Instituições estão a fazer” e que as mesmas não estão obrigadas a aderir ao mesmo. “O que todos queremos é uma prestação de serviço com maior qualidade, sabendo nós que a qualidade acarreta exigências que têm de ser solidariamente partilhada”, aponta, referindo a necessidade de apostar na “formação de recursos humanos” e de reconverter equipamentos. Para o futuro, Eugénio da Fonseca deixa votos de que aconteça uma maior articulação “entre o social e a saúde”.
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Fonte: Ecclesia

EICA: Inauguração foi há 50 anos

A MINHA HOMENAGEM
A QUANTOS PASSARAM
PELA EICA
A EICA (Escola Industrial e Comercial de Aveiro) foi inaugurada em 24 de Maio de 1956, com a presença do ministro das Corporações e Previdência Social. Há precisamente 20 anos, os antigos alunos da EICA lembraram a efeméride com a edição de uma brochura e de um prato decorativo, que mostra o edifício por onde passaram milhares de alunos, no âmbito das antigas escolas técnicas, que formaram muitos profissionais para a vida prática. Nessa brochura, escrevi, então, que “Todos quantos passaram pela ‘Fernando Caldeira’ e pela ‘EICA’, para falarmos somente dos que se sentem vinculados a Escolas que criaram escola, sem qualquer menosprezo pelas dos nossos dias, de nomes incaracterísticos, e pelos seus professores e alunos, reconhecem que se torna imperioso apontar aos mais jovens a mística que nelas se respirava e que foi passando, de geração em geração, qual testemunho que urge manter vivo no coração de cada um”. Recordo isto, porque penso que os antigos alunos da EICA jamais esquecerão os tempos que por ali passaram a estudar e a conviver, criando laços de amizade que ainda hoje perduram. Ainda há dias, em almoço de confraternização com colegas que comigo inauguraram a nova EICA, pude constatar a força desses laços, reforçados ano a ano, apesar da tristeza que nos invade quando recebemos a notícia sempre dolorosa de um ou outro que já partiu para a viagem sem regresso.
Recordar vivências, ouvir estórias tantas vezes repetidas, olhar os cabelos brancos de uns e as rugas que teimam em escavar sulcos cada vez mais profundos de outros, mas também ouvir as vozes e as gargalhadas que não se alteraram e ver os sorrisos sempre iguais da maioria foi prazer que experimentei no último encontro de antigos alunos da EICA. Não sei se esta data de alguma forma foi ou está a ser lembrada com a dignidade que ela merece. De qualquer forma, aqui fica a minha modesta homenagem a quantos passaram pela EICA, professores, empregados e alunos, desde a data já longínqua de 24 de Maio de 1956. Fernando Martins

Citação

"(...) Nunca os jornalistas tiveram uma tão semiótica formação universitária e nunca existiram tantas disciplinas e tantos livros sobre a deontologia dos media, e contudo nunca tivemos jornalistas tão pouco sérios, tão desleixados em termos de cultura geral, escrevendo muitas vezes com os pés, e tão demagógicos no modo como apresentam as coisas"
Eduardo Prado Coelho,
PÚBLICO de hoje

Um texto de Alexandre Cruz

Códigos (de Vinci), venham eles!
1. Parece que este é mesmo o tempo dos códigos. Não falamos dos “códigos de barras”, estes que dão cada vez mais que pensar nas contas à vida dos portugueses! Referimo-nos, claro, com toda a naturalidade e sem quaisquer publicidades, aos múltiplos códigos de autores nacionais e internacionais, que, por caminhos mais ou menos fantásticos, pretendem agora, finalmente, ao fim de tantos séculos, descobrir a última verdade, tendo nós até agora andado todos enganados!... Naturalmente que hoje, em tempos de pós-modernidade, e já tendo integrado os desencantos sócio-políticos e científicos, mas vivendo nos vazios da ressaca à sua sombra, eis que a projecção da imaginação encontrou no enredo de “código”, meias verdades e muitas mentiras, a “chama” que faltava ao ideal imaginário colectivo. O “código”, como itinerário, “fórmula”, caminho, que o espectador tem de percorrer até chegar ao final para aí encontrar a “solução”, nem que esta seja o “nada” ou a “não verdade”, é hoje o fascínio que atrai, fazendo sonhar um mundo diferente. O escritor, no caminho dos Anéis, de Cristóvão Colombo, de Leonardo de Vinci, de Jesus, …, sabiamente sabe envolver o leitor; este tem de saber ler, não “comer” tudo pela mesma medida, ter capacidade de visão crítica. Inteligentemente, e também para sua própria sobrevivência, o escritor, com meia dúzia de “factos” que naturalmente (e até pela distância temporal) levantam as dúvidas saudáveis, faz desta possível dúvida de investigação a sua pura certeza que defende na obra, esta que sendo decretada como “ficção literária” coloca no leitor com menor maturidade os olhos de “história verdadeira”. 2. Quanto ao escritor, o “pão” está garantido! E quanto mais polémica, confusão, enredo, mistura de coisas sensíveis que tocam as pessoas com intenções ideológicas, mais vende… Neste tempo, quanto às instâncias envolvidas ou criticadas em obras de ficção (e em ficção pode-se dizer tudo, mesmo a maior mentira como sendo a mais pura das verdades!), a sabedoria obrigará um reaprender a situar-se dando unicamente a importância relativa aos mundos da imaginação que o “vento” levará… Quanto às entidades que estudam a história, cuidado não venha o mundo das “ilusões contemporâneas”, pela sua força mediática, reescrever a história na base da ficção. Quanto ao debate sério e esclarecedor sobre “tudo o que está em causa” como desafios à procura da verdade comum, neste contexto, então venham os códigos! Uma certeza estará garantida, os códigos que registam a época presente da literatura, haverão de cansar e “passar à história”! Por isso merecem uma importância relativa, não sendo de sobrevalorizar. O mesmo se aplique, por exemplo e para nossa salvação, ao Festival da Eurovisão da Canção que há dias, na Europa de Mozart, Chopin, Beatles, elegeu como melhor, votada em 24 países, uma canção de monstros, quase a tocar o satânico, escandalosa falta de gosto…! Dar importância demasiada será tornar facto, sublinhar, valorizar como referência e paradigma, tudo isto apesar de ser não ficção mas um facto histórico, pela negativa, que o metal mais pesado tenha chegado a símbolo da canção europeia. Se é certo que quanto a gostos não se discute, também não é menos verdade que acreditamos em melhores gosto que virão… Num aliar de inovação e criatividade à “alma das gentes”! E já agora, onde estão as referências, o tão debatido “papel das elites” neste aperfeiçoamento, em tudo, colectivo? 3. ALGUNS DESAFIOS SÉRIOS DOS CÓDIGOS: Talvez seja de sublinhar a evidência de que importa ler como ficção aquilo que é ficção, e não fazer da ficção a “reescrita da história” pessoal e de referências comuns; em sociedades da informação, cada vez mais ou as pessoas sabem o terreno que pisam e conhecem de forma fundamentada as sua próprias convicções e crenças ou então com a última “moda” a pessoa pode embarcar na onda, porventura, da sua própria indignificação; os “códigos” sedutores e especialistas na “destruição do tabu” não conhecem fronteiras e aparecem normalmente também associados ao “mágico” como substitutivo do “anéis” esforçados do empenho, atenção, compromisso, verdade pessoal e colectiva, sendo publicações tanto mais procuradas quanto mais o “vazio” das grande verdades que fundamentam a humanidade se forem diluindo; tais obras, estudadas como estratégia de comunicação mediática ao pormenor são tantas vezes o sensível “momento” de descoberta no mágico enredo de “algo novo e diferente” que a pessoa nunca tinha ouvido falar, apesar de nas Faculdades de Filosofia e Teologia de forma acessível tais factos serem aprofundados e estudados; para as religiões, este é o tempo do grande desafio de se explicar na linguagem mais acessível ao grande público as certezas, as dúvidas, as investigações sobre as questões da Fé, num aprofundamento e mesmo revisão de questões de fronteira (à luz das ciências humanas e neuro-ciências)… mas, na hora da verdade, quando se marca iniciativa esclarecedora e aberta sobre temáticas do género, claramente, os défices de participação demonstram, cabalmente, que a força colectiva destas “procuras” ainda não superou as “horas” do sensacionalismo. Todavia, independentemente e acima de tudo, este esclarecimento com acções permanentes e abertas será o caminho de um maior enriquecimento de todos. Outros séculos felizmente já lá vão, e aos mais variados níveis, do “ocultar” da verdade, dos textos e da investigação. Sentir os “Códigos” como desafio e oportunidade de encontro e esclarecimento para todos é tão simples e tão evidente hoje como o dizermos, por exemplo, que existe, entre tantos outros escritos considerados apócrifos (sem “credibilidade”) um Evangelho de Tomé que apresenta peripécias sobre o Menino Jesus (Evangelho da Infância). A Igreja não o oculta e estuda-se tais realidades nas Universidades, mas é importante o público em geral sabê-lo; não venha nas vésperas da próxima Páscoa (como tem acontecido nestes últimos anos) algum escritor dizer esta “última” e vender milhões de livros. (A isto, que anda muito nas modas, e já agora sem ficção se diga, também poder-se-á chamar o “fácil oportunismo literário” com desonestidade intelectual.) Para um trabalho sério e a sério nestes âmbitos, são muitas as Universidades no mundo que todos os dias investigam e publicam. Este tempo da “ficção” que vende e da “história” que se esquece, e não se está interessado em melhor conhecer, é uma imensidão de dúvidas que são desafios!

Um artigo de António Rego

Santo Graal É possível que, no fundo de todas a histórias à volta da novela Da Vinci, esteja apenas um romance, com cenários de cartão, muito bem embalado, vendido ao cinema. De permeio, uma grande máquina comercial, muito serviço de imaginação, e gente, muita gente, a tomar a novela pela realidade, a ficção pela história, o thriller pelo documentário encenado. E, diga-se, algumas pessoas crentes, cristãs, católicas, com uma pergunta: terei sido enganado pela Igreja? Será que o mundo andou a dormir até àquele dia em que o pintor mais célebre da Última Ceia revelou que no lugar de João estaria Madalena? E que isso significaria outra história de Jesus? Tudo isto não passará de episódio fugaz que vai derreter-se com o do tempo. E certamente não provocará os estragos que muitos temem. A fé das pessoas na figura de Jesus assenta na solidez da narrativa evangélica que desde os primeiros tempos foi alimentada pelas comunidades cristãs. Apesar de ser necessário vigor e clareza na afirmação da fé, pouco adianta a recriação de autos e fogueiras diante de ficções que por si se desvanecem. Mas não deixa de ser importante para os crentes uma pergunta: que sabem as nossas comunidades cristãs, católicas, sobre os evangelhos? A sua inspiração, composição, os seus autores, os textos canónicos e os apócrifos, o valor documental e a matéria de fé, o seu enquadramento, os géneros literários, as alegorias, parábolas, as cenas de carácter catequético, as palavras literais de Jesus, o essencial e o periférico? Estão levantadas, num livro de ficção, algumas destas questões? Ainda bem. As respostas têm vinte séculos de pregação e estudo em igrejas, escolas, universidades, em hebraico, grego, latim e línguas vernáculas em que foram vertidos os textos vétero e neo testamentários. Tudo isso está dito e em constante recapitulação e questionamento entre os biblistas, teólogos e pastoralistas. Não são poucas as questões que continuamente se lançam sobre as narrativas bíblicas. Basta estudar um pouco mais aprofundadamente as leituras proclamadas diariamente na liturgia, para se compreender que nenhum interpretação técnica é pacífica e definitiva. Mas importa dizer que para além de todas as exegeses, há uma experiência serena de fé na Palavra inspirada e indefectível que passou por todas as vicissitudes dos seus autores e das comunidades que a transmitiram.Esta fé é um santo Graal religiosamente guardado no coração dos cristãos, sem códigos nem criptagens. Vivido na transparência que não teme os desafios da história. Nem as brincadeiras de mau gosto, espécie de PlayStation das figuras que fizeram a história bíblica. Os criadores de fábulas dão lucro, mas nada acrescentam à história. Mesmo assim podem questionar as razões de fé dos crentes. E nisso têm mérito.

terça-feira, 23 de maio de 2006

Portugal na Lista Negra da Amnistia Internacional

VIOLÊNCIA POLICIAL E CONTRA AS MULHERES
Os maus-tratos por parte das forças policiais e a violência contra as mulheres são as duas questões que fazem Portugal surgir no relatório anual da Amnistia In-ternacional.
No relatório, referente a 2005, afirma-se que pelo menos 33 mulhe-res morreram em resultado da violência doméstica e é ainda insuficiente a formação das forças de segurança quanto ao uso da força e das armas de fogo, tendo morrido no ano passado "pelo menos três pessoas" em resultado do uso da "força letal" por parte da polícia.
No relatório do ano passado, referente a 2004, além dos maus-tratos por parte das forças policiais a AI referia também o elevado número de presos preventivos e denúncias de racismo e discriminação. Estas últimas questões não surgem no relatório deste ano, mas diz agora a AI que a violência contra as mulheres em Portugal é motivo de grande preocupação, apesar das medidas criadas desde 1990, incluindo legislação específica, e planos nacionais contra a violência doméstica.
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Citação

"(...) o respeito pelos factos, a equidade de tratamento, a necessidade de confirmar dados e a separação de opinião e informação estão a afastar-se perigosamente da prática jornalística geral, em prol de abordagens definidas por razões comerciais ou imperscrutáveis, que não respeitam a deontologia jornalística."
José Vítor Malheiros,
sobre o livro de Manuel Maria Carrilho,
PÚBLICO de hoje

RELIGIÕES

"RELIGIÕES - HISTÓRIA,
TEXTOS E TRADIÇÕES"
"Religiões – História, Textos e Tradições" é uma obra da “RELIGARE” – Estrutura de Missão para o Diálogo com as Religiões – e Paulinas Editora, que tem como objectivos primários dar a conhecer ao grande público o essencial da história das principais religiões implantadas na comunidade portuguesa, privilegiando a difusão dos seus textos mais simbólicos, assim como as suas diversas tradições e formas de expressão.
Na elaboração do volume estiveram envolvidos os representantes institucionais de diferentes religiões, especialistas da área das religiões, da antropologia e da sociologia, entre outros.
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Fonte: Ecclesia

Chaves por estes dias

CHAVES, com seus recantos e encantos (Para ver melhor, clique nas fotos)

Primeiro referendo de iniciativa popular em Portugal

Jaime Gama,
Presidente da
Assembleia da República
:: Petição por um referendo
sobre a PMA prestes
a fazer história
::
Os promotores da petição para um referendo sobre a Procriação Medicamente Assistida (PMA) estimam ter reunido já as 75 mil assinaturas necessárias para obrigar a Assembleia da República a discutir a proposta. Este poderá tornar-se o primeiro referendo de iniciativa popular na história da nossa democracia.
A Presidente da Federação das Associações de Defesa da Vida, Isilda Pegado, explica à Agência ECCLESIA que a entrega da petição será definida, por estes dias, numa reunião com o presidente da Assembleia da República.“É uma grande vitória da democracia”, indica, lembrando que o referendo foi uma “conquista tardia, no nosso país.
“Este facto histórico merece relevância e, nesse sentido, vamos pedir ao Presidente da Assembleia da República que receba a petição”, adianta Isilda Pegado.
A lei orgânica do referendo define, no seu artigo 10º, que “a iniciativa da proposta de referendo da Assembleia da República compete aos deputados, aos grupos parlamentares, ao Governo ou a grupos de cidadãos eleitores”.
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