sábado, 26 de março de 2005

JESUS morreu, mas ressuscitará!

Os cristãos recordam hoje, Sábado Santo, Jesus morto, na certeza da Sua ressurreição. Depois de expirar na cruz, por volta das três da tarde de Sexta-Feira Santa, o corpo de Jesus foi retirado para ser sepultado, como era a tradição. Diz São Mateus que, ao cair da tarde, veio um homem rico, José de Arimateia, que se havia tornado discípulo do Mestre, para sepultar Jesus, com autorização de Pilatos. José tomou o corpo, envolveu-O num lençol limpo e depositou-O num túmulo novo, que tinha mandado talhar na rocha. Depois, rolou uma grande pedra, certamente com a ajuda de algumas pessoas, e fechou a entrada do túmulo. Maria de Magdala e a outra Maria estavam ali sentadas, em frente do sepulcro. Os outros discípulos, decerto temerosos, devem ter fugido. Hoje, ao recordar este acontecimento que antecedeu a grande libertação, que foi a ressurreição de Cristo, não posso ignorar que muitos teimam em matar o Senhor Jesus, ou fogem com medo, enquanto outros tantos, ou mais, fazem da Sua morte um sinal de esperança numa vida nova. Amanhã, Domingo da Ressurreição, cantaremos Aleluias. Cântico da Carta de São Paulo aos Filipenses Cristo, que era de condição divina, não Se valeu da Sua igualdade com Deus, mas aniquilou-Se a Si próprio. Assumindo a condição de servo, tornou-Se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, humilhou-Se ainda mais, obedecendo até à morte, e morte de cruz. Por isso, Deus O exaltou e Lhe deu o nome que está acima de todos os nomes, para que, ao nome de Jesus, todos se ajoelhem, no céu, na terra e nos abismos, e toda a língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor para glória de Deus Pai.

sexta-feira, 25 de março de 2005

Um poema de Eugénio Beirão

CRISTO de Salvador Dali
 

CRUZ GLORIOSA


A cruz gloriosa do Senhor ressuscitado
é a árvore da minha salvação;
dela me alimento, nela me deleito,
nas suas raízes cresço,
nos seus ramos me estendo.
O seu orvalho me reconforta,
a sua brisa me fecunda,
à sua sombra ergui a minha tenda.
Na fome alimento,
na sede fonte,
na nudez roupagem.
Augusto caminho,
minha estrada estreita,
escada de Jacob,
leito de amor
das núpcias do Senhor.
No temor defesa,
nas quedas apoio,
na vitória a coroa,
na luta és o prémio.
Árvore da salvação,
pilar do universo,
o teu cimo toca os céus
e nos teus braços abertos
chama-me o amor de Deus.

Eugénio Beirão


Feira de Março vem animar a cidade

A multissecular Feira de Março de Aveiro aí está para animar a cidade e suas gentes. A partir de hoje e até 25 de Abril, no Parque de Feiras e Exposições, o povo da cidade e arredores já tem onde passar uns bons momentos, com tudo o que a Feira oferece. É certo que o figurino é sempre o mesmo, mas nem assim o sortilégio da Feira de Março deixa de atrair gente de todas idades e estratos sociais. Novos e velhos, todos ali têm algo de antigo ou moderno para aprecia, para degustar, para comprar. Sim, para comprar aquilo que nunca se encontra em parte nenhuma, aquilo que só ali descobrimos. As diversões, de sempre mas com inovações, os espectáculos de fins-de-semana, os amigos com quem nos cruzamos e que já não víamos há muito tempo, tudo será motivo para uma visita. Mas se não gostar de apertos, então vá num dia de semana, para andar mais descansado. Depois, não se esqueça de que este certame tem já 571 anos de existência, o tempo suficiente para se impor à cidade e ao País, até porque se vai actualizando ao sabor da maré. É que o comércio e a indústria, de variadíssimos ramos, também há muito marcam presença nesta Feira, que não fica a dever nada a outras que se vão organizando em grandes cidades. Diz Alberto Souto, na sua mensagem para a Feira de Março de 2005, que "a nossa cidade sente uma animação acrescida". E acrescenta: "Aquele que é conhecido como um dos maiores certames de Portugal traz a Aveiro dezenas de feirantes do comércio e das diversões, que, de ano para ano, têm contribuído para a qualidade e a diversidade da oferta, assim cimentando o prestígio da Feira e a sua atractividade junto do público de toda a região." F.M.

Requiem de Mozart

Mozart

Hoje vou ouvir o Requiem de Mozart, música bem adequada para uma Sexta-Feira Santa. Foi composta por Mozart, quando estava no seu leito de morte, para alguém que lha havia encomendado. Não a terminou, mas o seu aluno Sussmayr soube concluí-la com muita sensibilidade.
Diz a história que Mozart, um dos maiores compositores de todos os tempos, se é que não é mesmo o maior, compôs este Requiem "não só com toda a sua fé, que era viva e sincera, mas também com uma ansiedade agravada pela doença".
Ao ouvir esta Missa de Requiem, sentimos um tom profundamente dramático, que não se sente em toda a música religiosa do autor. Por exemplo, os trombones, como sublinhou um crítico, tornam visíveis, por assim dizer, as cenas do Juízo Final que evocam.
Sexta-Feira Santa não será um dia para outras músicas. Hoje, portanto, recomendo esta aos meus leitores. E podem crer que este Requiem nos eleva muito alto.


Fernando Martins

Às 15 horas, Jesus morre na cruz

Jesus, a caminho do Calvário, contempla Sua mãe
Toda a Igreja recorda hoje, pelas 15 horas, a morte de Jesus Cristo na cruz, tendo a seu lado dois criminosos. A um, prometeu que nesse dia se encontraria com Ele no paraíso. No fim de um processo manipulado, Pilatos lava as mãos e entrega Jesus para ser crucificado no monte do Calvário, depois de carregar a Sua cruz até ao cimo do monte. Como Filho de Deus, poderia ter pedido ao Pai legiões de anjos para o defenderem dos que O queriam matar, mas não o fez. O Filho do Homem, que nasceu humilde numa gruta, para nos dar o exemplo da simplicidade, quis, contudo, morrer para redimir toda a humanidade: dos que crêem e dos que o ignoram. E a Sua entrega aos algozes, sem revolta, mostra-nos a dimensão do Seu amor por todos nós. Hoje e sempre, até à consumação dos séculos. A morte de Cristo foi, no entanto, o princípio de uma grande nova, a Sua Ressurreição, o grande mistério da nossa fé. Se ele não tivesse ressuscitado, como rezavam as escrituras sagradas, seria vã a nossa fé. Isso mesmo recordou São Paulo aos que alimentavam dúvidas sobre esse acontecimento que marcou a história. Hoje, pelas 15 horas, que todos saibamos parar um minuto na vida. Em silêncio, lembremos a morte d'Aquele que, ao ressuscitar, nos garantiu uma vida nova, a vida da graça, que nos há-de conduzir, um dia, ao seio do Pai. Fernando Martins

quinta-feira, 24 de março de 2005

Júlio Verne morreu há 100 anos

Há 100 anos, precisamente em 24 de Março de 1905, morria em Amiens, França, um "profeta" que, de alguma forma, se antecipou no tempo. Júlio Verne, um dos escritores mais lidos e traduzidos do mundo, ofereceu no seu tempo obras que o imortalizaram, essencialmente por prever descobertas que anos mais tarde se tornariam realidade. Aliás, ele próprio afirmou que "tudo o que um homem é capaz de imaginar, um outro será capaz de o realizar", como bem lembrou hoje o PÚBLICO, nas páginas que lhe dedicou. Quem há por aí que não conheça as aventuras fantásticas de Júlio Verne, que enchem livros como Miguel Strogoff, A vota ao mundo em 80 dias, Vinte mil léguas submarinas, Da Terra à Lua, Viagem ao centro da Terra, Os filhos do Capitão Grant e Cinco semanas de balão, entre muitas outras que enriqueceram a nossa imaginação juvenil? Na minha juventude, não resisti a "devorar" com uma avidez insaciável as obras de Júlio Verne, encontradas na biblioteca de família amiga, que gentilmente mas foi emprestando. E então, participei em viagens fantásticas: vivi com o capitão Nemo num sofisticado submarino, andei na aventura do Miguel Strogoff que se fingiu de cego, fui à lua e joguei as cartas com os tripulantes da cápsula que amarou não muito longe das tripuladas pelos actuais descobridores do universo. E o mais curioso é que, ainda agora, me apetece ler uns capítulos dessas obras que encherem o meu imaginário e que se vão perpetuando no tempo. É o desafio que lanço aos mais jovens de 2005, 100 anos depois da morte do homem que "profetizou" um futuro que veio a tornar-se realidade. F.M.

quarta-feira, 23 de março de 2005

KOFI ANNAN

Gosto de ler os artigos do Secretário-Geral da ONU, Kofi Annan, e os textos alusivos às suas conferências e intervenções, fundamentalmente pelo optimismo que revelam. Na posição em que está, Kofi Annan dá-nos, assim, um exemplo de esperança no futuro. Confesso que muitas vezes me insurgi contra posições dúbias da ONU face a conflitos entre nações, reclamando, por isso, a renovação das Nações Unidas e mais poderes para poder evitar as guerras, até porque esta organização internacional nasceu para promover a paz, a liberdade, a democracia e o progresso. No seu artigo de hoje, publicado no PÚBLICO, o Secretário-Geral da ONU lembra que a organização que dirige não podia, há 20 anos, tomar partido entre a democracia e a ditadura ou intervir nos assuntos internos dos países-membros. E acrescentou que, "só no último ano", já foi possível "organizar eleições em mais de 20 países, muitas vezes em momentos decisivos da sua história", o que mostra como o mundo vai caminhando rumo à democracia, no respeito pelos direitos humanos. Kofi Annan sublinha que 60 anos de paz e de crescimento no mundo industrializado deram à raça humana "o poder económico e os meios técnicos para vencer a pobreza e os males que a acompanham", tendo acrescentado que "já não temos qualquer desculpa para deixar mais de mil milhões de seres humanos numa miséria abjecta. São apenas necessárias algumas decisões claras dos governos, tanto dos países ricos, como dos países pobres". Este é mais um desafio aos Estados-membros das Nações Unidas, na esperança de que todos, então, dêem a sua contribuição, decidida e decisiva, para a erradicação da fome no mundo. Kofi Annan termina o seu artigo manifestando o desejo de que os dirigentes se mostrem "à altura das suas responsabilidades". E se assim for – conclui – "o renascer e a renovação das Nações Unidas estarão apenas a começar — e com eles, uma esperança renovada de um mundo mais livre, mais justo e mais seguro". Fernando Martins
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Tríduo Pascal
A partir de amanhã, Quinta-Feira Santa, os cristãos vão viver as cerimónias do Tríduo Pascal, de preparação para a Páscoa do Senhor. A Páscoa é a festa das festas, ou não fosse ela "o mistério admirável da nossa fé". Com a Sua Ressurreição, Jesus Cristo venceu as trevas da morte para nunca mais morrer. Com a Páscoa, nasce o novo Povo de Deus, a Igreja, que tem na base a certeza de que Cristo continua no meio do mundo, conduzindo a história no respeito absoluto pela liberdade de cada um. Cristo oferece-Se a todos, mas nem todos O aceitam. Mas os que O aceitam tornam-se fonte de alegria, de optimismo, de justiça, de paz, de amor e de esperança para todos. Páscoa é também sinal de reconciliação e de partilha, de dádiva solidária a quantos sofrem, de fé em dias mais fraternos, mais humanos. Páscoa é ainda sinal de perdão: de quem o dá, com simplicidade e de coração aberto; de quem o pede, com sinceridade e humildade. A todos, desejo Santas Festas da Páscoa, na alegria de Cristo Ressuscitado. Fernando Martins