Padre e professor de Filosofia
Lembro-me perfeitamente. Eu estava em Tubinga, Alemanha quando, pela manhã, fui surpreendido por este título na primeira página do jornal: “O Presidente visita o Filósofo”.
François Mitterand fora falar com o filósofo Jean Guitton a sua casa, para perguntar-lhe o que é a morte. “Qual é a última barreira?” “Senhor Presidente, é muito simples. A última barreira é a morte”. “Mas... e depois da morte?” “Depois da morte é o que se chama o Além”. “Mas o que é o Além?” Aí, o conhecido filósofo católico, discípulo de Bergson, amigo de Paulo VI, observador no Concílio Vaticano II, respondeu que não sabia; precisamente “porque é o Além”.
Outro grande filósofo do século XX, Ernst Bloch, o filósofo ateu da esperança, deixou escrito que “o cristianismo, na concorrência com outros profetas da imortalidade e da sobrevivência, venceu em grande parte graças à proclamação de Cristo: ‘Eu sou a Ressurreição e a Vida’. No século primeiro depois do acontecimento do Gólgota, a ressurreição foi referida ao Gólgota de uma forma inteiramente pessoal, de tal modo que pelo baptismo na morte de Cristo se experiencia a ressurreição com ele. Imperava então um desespero apaixonado, que hoje nos parece incompreensível.”
