terça-feira, 22 de março de 2005

Programa do Governo sem grande contestação

O Programa do Governo de José Sócrates não sofreu grande contestação no Parlamento. As oposições limitaram-se a falar por falar, ficando-se alguns oradores por questões marginais, que levaram o primeiro-ministro a brilhar neste seu primeiro confronto institucional. Com o PSD e o PP sem líderes (estão ainda à procura deles), o debate não atingiu o que se esperava. De qualquer modo, penso que o Governo começou bem, com algumas promessas que vêm na linha do que havia sido garantido na campanha eleitoral. Na impossibilidade de aqui apresentar todas as medidas anunciadas, limitar-me-ei a citar algumas, particularmente as que mais me sensibilizam, a saber: - Até final da legislatura, o Governo garante que vai tirar os idosos da pobreza. Qualquer idoso com mais de 65 anos ficará a receber, pelo menos, 300 euros por mês. O programa começa em 2006, abrangendo, para já, os que têm mais de 80 anos. Os outros vão ter que esperar; - No primeiro mês do Governo, vai ser lançado o combate à fuga nas contribuições para a Segurança Social e à fraude nas prestações sociais de doença e de desemprego; - As férias judiciais passam a ser de um mês apenas, e não dois, como têm sido; - Vai ser apresentada uma proposta de lei sobre nomeações dos cargos dirigentes na função pública e sua vinculação ou autonomia face às mudanças eleitorais; - A disciplina de Inglês vai ser introduzida no Ensino Básico nas escolas englobadas em agrupamentos escolares, a partir do 3º ano; - Vão ser aperfeiçoados os mecanismos de avaliação do mérito e do desempenho dos funcionários públicos, dos seus dirigentes e dos serviços. O Programa do Governo revela, pelo que li, um respeito muito grande pelas promessas feitas na campanha eleitoral. Resta saber se é possível levar por diante o que foi apresentado na Assembleia da República. Agora ficaremos todos à espera, para mais tarde julgarmos. F.M. ooooooooooooooo oooooooooooooooo O Aborto
O Governo garante que vai implementar a realização de um referendo sobre o aborto, conforme havia prometido na campanha eleitoral. Quer, a partir daí, dar liberdade às mulheres para poderem abortar até às dez semanas, sem qualquer penalização. Não ouvi dizer que o aborto precisa, também, do parecer do pai da criança gerada no ventre materno. José Sócrates prometeu participar, activamente, na campanha a favor do aborto, sublinhando que este será "um passo decisivo na modernização do País". Eu penso que é o contrário. E comigo devem estar todos os que acreditam na vida como coisa sagrada, que deve ser preservada desde a concepção até à morte natural. Há por aí quem pense que os que lutam contra o aborto o fazem por uma questão religiosa. Não é. Há muita gente que discorda do aborto e que não professa qualquer religião. O problema está, a meu ver, num certo egoísmo que se instalou nas sociedades modernas, onde o hedonismo é procurado sem regras. O homem e a mulher, que têm direito aos prazeres da vida, sob múltiplos aspectos, não podem, em nome disso, fazer o que querem e lhes apetece. E quando se brinca com a vida, esteja ela no princípio ou no fim, perde-se o respeito por princípios sagrados, que deviam ser cultivados em todos os momentos. Alguns pensam que a liberalização do aborto vem pôr fim ao aborto clandestino. Puro engano. Ninguém até hoje provou que isso é verdade. Então, os que acreditam na vida, repito, não podem ficar indiferentes na hora do voto em referendo. Tal atitude seria uma prova de covardia. Voltarei ao assunto e aceito opiniões por e.mail (rochamartins@hotmail.com). F.M.
ooooooooooooooo ooooooooooooooooooo DIA MUNDIAL DA ÁGUA
Celebra-se hoje o DIA MUNDIAL DA ÁGUA, para todos pensarmos um pouco sobre a forma como temos tratado este bem precioso que começa a ficar escasso. No dia-a-dia nem nos apercebemos disso, mas quando temos a envolver-nos uma seca tão agreste como a que estamos a sentir, então é bom que meçamos o uso que fazemos da água: se continuamos como se nada estivesse a acontecer, se a gastamos sem regra e se a desperdiçamos sem medir as consequências. Está provado que uma significativa parte da água de consumo se perde no caminho até nossas casas, e também é certo que, nos serviços domésticos, se gasta água por tudo e por nada. Banhos com água sempre a correr, torneiras abertas para a rede de esgotos, regas com água da companhia, quando já há povoações a serem abastecidas pelos bombeiros ou pelas autarquias, tudo isto nos deve levar a mudar de atitudes. A água, com os ataques sistemáticos à natureza, é um bem que começa a rarear. Por isso, todo o cuidado é pouco e muito deve ser o esforço ao nível da educação, para sensibilizar toda a gente para o respeito pela natureza, fonte de toda a água de que a humanidade precisa. F.M.

segunda-feira, 21 de março de 2005

DIA MUNDIAL DA POESIA

Hoje, segunda-feira, é o Dia Mundial da Poesia, motivo mais do que suficiente para falar dela. A minha primeira reacção foi oferecer aos meus leitores um poema bonito, de um poeta conhecido ou não. Um poema da minha preferência, daqueles que me enchem a alma e me sugerem a partilha com os outros. Mas não o faço. Simplesmente porque entendo que cada pessoa tem os seus poetas preferidos e, dentre eles, os seus poemas predilectos. Apresentar um e só um, hoje, seria uma heresia. Cada qual que escolha, então, um poema e envolva com ele todos os momentos deste dia. 

A poesia não é só um conjunto de palavras ordenadas para nos presentearem uma mensagem, bem embrulhada em ritmo, harmonia e musicalidade. Ela é também uma flor bonita, um sorriso de criança, a ternura de um idoso, o encanto de quem ama, a solidariedade de gente generosa, uma paisagem que nos leva a sonhar. 

A poesia está em toda a parte: na amizade que damos, na natureza sempre em busca da Primavera, nos regatos silenciosos que alimentam rios e mares, no universo e nos seus segredos, no mundo microscópico e macroscópico que nos eleva até ao Criador. 

A poesia está a meu lado, de manhã à noite, quando me deito e quando me levanto. Envolve-me quando procuro ser bom e foge de mim quando ignoro os outros. A poesia é a vida feliz que experimento constantemente e até a vida com os seus momentos menos alegres. 

A poesia merece, pois, um Dia especial. Para olharmos para ela, para a divulgarmos, para a criarmos. Todos temos dentro de nós poesia à espera de nascer. À espera de desabrochar. À espera que aprendamos a oferecê-la aos outros. A poesia é o nosso amor por uma humanidade mais fraterna.

Fernando Martins 

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A Força da Fé

Penso que todos, crentes e não crentes, reconhecem a força da fé que anima o Papa João Paulo II. Nos mais diversos momentos do seu longo pontificado, o Papa mostra ao mundo a sua capacidade de amar, num espírito evangélico nunca regateado. Ele quer estar em todas as circunstâncias com os que sofrem, com os tristes e angustiados, com os deserdados da sorte, com os que procuram a verdade, a justiça, a liberdade e o amor. Mesmo quando ele próprio sofre. Depois da operação melindrosa a que foi submetido e quando muitos auguravam longo tempo de repouso e de restabelecimento, João Paulo II não desiste de estar com o povo. Ontem, mais uma vez, veio ao encontro dos mais de 50 mil peregrinos que o esperavam na Praça de São Pedro. Não para falar, mas para os ver. E não deixou, talvez com muito sacrifício, de os abençoar, erguendo, bem alto, o ramo de oliveira, o cristão símbolo da paz. 

F.M. 

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Ainda a pobreza em Portugal

Ontem abordei, ligeiramente, o problema da pobreza em Portugal. Como tantas vezes o tenho feito nos mais diferenciados lugares. Disse então, como pode ser confirmado, que no nosso País há 200 mil portugueses a passar fome, no dia-a-dia, de portas abertas, uns, e escondidos, outros. Talvez a maioria, neste último caso. 

De cada vez que há eleições, os políticos garantem que o problema da pobreza vai ser tarefa prioritária do Governo. Mas, apesar dessas promessas, o problema persiste, escandalosamente. A nossa sociedade está habituada a pensar, e disso faz ponto de honra das suas reclamações, que é tarefa dos governantes erradicar a pobreza das nossas comunidades. 

Mesmo as instituições vocacionadas para isso, que tanto fazem para ajudar os que precisam, não deixam de reclamar mais apoios do Governo. Porém, a sociedade em si, sem alma, continua eternamente à espera que alguém (indefinido) resolva os problema. O que é de lamentar, porque todos somos co-responsáveis. Do Estado podemos e devemos esperar, penso eu, mais facilidades e mais estímulos para que as instituições e as pessoas se ajudem mutuamente nos momentos difíceis, segundo o princípio da solidariedade e da caridade cristã. 

O Estado não pode fazer tudo. Porque não tem meios, porque não está próximo das pessoas, porque não sente os dramas dos pobres envergonhados. Graça Franco, jornalista da Renascença e cronista do PÚBLICO, escreveu hoje, neste jornal, a propósito da pobreza que existe entre nós: "Eng. Sócrates se tiver de esquecer uma das suas promessas deixe lá os impostos. Se for preciso suba-os mas não deixe de cumprir a promessa de combater a pobreza e a exclusão social. Se as nossas consciências não respondem porque ficaram do tamanho das cabecinhas de alfinete... agitem-nos as carteiras!" Subscrevo, obviamente, esta proposta. 

Fernando Martins

domingo, 20 de março de 2005

Mais portugueses com fome

Um ano depois de mostrar ao País e às pessoas mais desatentas que há cerca de 200 mil portugueses a passar fome, o PÚBLICO voltou hoje, domingo, a alertar para a realidade de que esse número está a crescer. Porque me parece que o tema não pode cair no esquecimento dos políticos, em particular, e de todos nós, em geral, não resisti à ideia de vir partilhar com os meus amigos da blogosfera esta inquietação, propondo a cada um a reflexão que se impõe, tendo por meta, de alguma forma, minimizar o problema. Cinco páginas e o Editorial do director José Manuel Fernandes são elucidativos sobre a situação dramática em que vivem muitos dos nossos concidadãos. O desemprego, os ordenados baixíssimos, as reformas de miséria, o endividamento de famílias, mães que trabalham com a prole, exclusivamente, a seu cargo, ordenados em atraso, encerramento de fábricas, entre muitas outras razões, estarão na base da pobreza em Portugal. Defende o director do PÚBLICO que o “Estado pode e deve criar novos e melhores mecanismos de solidariedade, tanto para assistir às situações extremas onde a pobreza é mesmo uma fatalidade (como é o caso de muitos idosos), como para apoiar os que ajudam a recuperar quem está nas margens da sociedade. Mas não se deve esperar ou exigir do Estado que cuide de todos, até porque isso geraria dependências que apenas agravariam os ciclos de pobreza. Deve-se sim estimular, apoiar, participar, financiar, as organizações que estão no terreno e fazem com muito pouco imenso – o imenso que torna menos imensa a brutalidade das realidades a que hoje regressámos nas páginas do PÚBLICO”. Estou mesmo em crer que, se todos os órgãos de comunicação social se debruçassem sobre estas questões, em vez de se entreterem e nos entreterem com futilidades e politiquices, tudo poderia mudar a curto e médio prazo. E como o actual primeiro-ministro José Sócrates afirmou, em Janeiro deste ano, que “A palavra pobreza vai voltar ao dicionário da agenda política em Portugal”, vamos todos acreditar, positivamente, que vai ser mesmo assim. Fernando Martins

sexta-feira, 18 de março de 2005

Aristides de Sousa Mendes perpetuado em Jerusalém

Aristides de Sousa Mendes, Cônsul de Portugal em Bordéus durante a segunda guerra mundial, foi perpetuado, hoje, no Museu do Holocausto, em Jerusalém, por ter salvo mais de 30 mil judeus das perseguições nazis, pondo em risco a sua sobrevivência como diplomata. Presentemente, são centenas de milhares os descendentes dos que escaparam das garras da Gestapo e da SS de Hitler, que os perseguiam pelo simples facto de serem judeus. Aristides de Sousa Mendes, que foi exonerado das suas funções pelo Governo de Salazar, acabou por morrer na miséria, unicamente por ser fiel às suas convicções humanistas e cristãs. E não há registo de se ter arrependido pelo que fez. Honra, por isso, à sua memória. Que o seu exemplo sirva a todos os indecisos, para que assumam, sempre, posições compatíveis com os seus ideais, em direcção a uma sociedade mais humanizada. F.M. «««««««««««««««««««««««« Porta aberta a todos Nesta "porta" que encontrei na Biblioteca da Figueira da Foz, só posso congratular-me com o que tenho visto. Muita gente, a qualquer hora, procura cultivar-se. Novos e menos novos, estudam e lêem, ouvem música, frequentam a Net e consultam livros e jornais. Estudantes universitários e outros, aposentados e profissionais dão vida a este espaço cultural, que se enquadra num todo que engloba o Museu Santos Rocha, grande arqueólogo figueirense, e o Centro de Arte e Espectáculos. Vale a pena passar por aqui uma tardes e ver que, afinal, há muita gente que procura cultivar-se, nas horas vagas. F.M.

quinta-feira, 17 de março de 2005

Férias

Durante uma semana, estarei longe do meu local de trabalho. Por isso, só voltarei a este espaço se encontrar pelo caminho uma "porta" por onde possa entrar, para partilhar, com os meus amigos, o que de bom há no nosso mundo.
Fernando Martins

Mensagem Pascal do Bispo de Aveiro

Louvado o Senhor da Páscoa, 
alegria e força de quem crê 


Eu sei, Senhor, que a Páscoa é a Festa, da minha alegria e da minha fé. Sei-o desde criança, mesmo sem entender por que era assim. Mais tarde percebi que não podia ser de outra maneira. Porque a Páscoa, Senhor Jesus, assim o creio, é, pela Tua Ressurreição, a vitória definitiva sobre a morte. É a Vida, por inteiro, oferecida a todos, por igual. Assim, fui e vou experimentando, em mim e à minha volta, que a Tua Páscoa é fonte inesgotável de alegria, certeza perene de amor, sentido iniludível de paz, fundamento inquebrantável de esperança, garantia definitiva de vida, vida que é sempre dom e festa.
Já não sei viver sem a Tua Páscoa, Senhor da Vida, sem a alegria que dela brota, sem a certeza de Ti, sempre vivo, que a tudo dás sentido. Pela Tua Páscoa e a descoberta de nela eu ter lugar, ouvi, um dia, o convite para Te seguir, joguei contigo a vida que me deste, fui aprendendo, a teu jeito, a fazer dos outros o meu caminho, e a amar o tempo e a sociedade, em que me é dado viver. Por isso, cantarei, cada dia, a alegria da Tua Páscoa, Senhor! Cada dia agradecerei a graça da Tua Páscoa. Cada dia do meu viver, sentirei a certeza da Tua Páscoa, nos desafios que me tocam, na luta dos irmãos, nos sonhos da humanidade... 
Páscoa de Cristo, festa do coração e da alegria sem limites! Luz nova que esclarece, purifica, compromete! Bendita Páscoa, que liberta de medos e tristezas, de injustiças e mentiras, de dores sem sentido, de amor sem misericórdia, de passos mal andados! 
Bendita Páscoa, que a todos une, como irmãos, a todos abre novos caminhos de vida! Páscoa de Cristo, minha Páscoa e nossa Páscoa! Alegria de Cristo, minha alegria e nossa alegria! Luz de Cristo, minha luz e nossa luz! Vitória de Cristo, vitória de todos quantos crêem, que só Ele é o Senhor!

António Marcelino, Bispo de Aveiro

LEITURAS

No Correio do Vouga pode ler o artigo de D. António Marcelino, intitulado “Liberdade e vida, inseparáveis e nunca concorrentes”. De Acácio Catarino, “Quatro patamares da política social”. Pode ainda ler “Em busca da casa comum”.