sábado, 19 de agosto de 2023

Francisco: Peço-vos em nome de Deus

Crónica de Anselmo Borges 
no Diário de Notícias 

Na sequência da Jornada Mundial da Juventude, ficam aí algumas reflexões a partir de um livro de Francisco, Os ruego en nombre de Dios. Por un futuro de esperanza (Peço-vos em Nome de Deus. Por um futuro de esperança). Soube que, entretanto, foi traduzido para português, na Editorial Presença: O Que Vos Peço, em Nome de Deus. São dez pedidos.

Francisco, antes de referir esses pedidos, começa por apresentar a sua relação pessoal com Deus: "Uma relação como a de qualquer homem, muito humana", acrescentando: "Uma relação com Deus é boa quando avança de acordo com a idade, quando não se fica na infância e é aberta." Confessa que nem sempre entende e há momentos de obscuridade: "Por vezes estou calado e deixo que Ele fale, que se faça sentir. É uma relação de convivência. Por vezes não o compreendo, tem os seus modos de proceder." Mas o que sente é amor por Deus, acrescentando: "Não podes amar a Deus, se não te sentes amado."

Dia Mundial da Fotografia - Evocando um amigo

Neste dia quero, em especial, evocar um amigo, Ângelo Ribau, que me sensibilizou para a arte fotográfica. O Ângelo apaixonou-se pela fotografia nem sei como. Sei que, seguindo literatura porventura dos seus tios já falecidos (Padre Diamantino e Dr. Josué Ribau), começou a fazer experiências, revelando fotos em vidro que nos exibia entusiasmado. O Ângelo era um apaixonado pela inovação. E o seu prazer passou para mim, que nunca dei grande importância às técnicas que ele manobrava.
Feita esta evocação com a oportunidade que me veio do dia que hoje se celebra, permitam-me a ousadia de evocar uma tarefa jornalística que muito me entusiasmou. Na qualidade de Director de o Correio do Vouga, o semanário da Diocese de Aveiro, habituei-me à ideia de fotografar os meus entrevistados e cenas alusivas a reportagens. Tarefa que sempre levei a cabo com prazer.
Sinto que as fotografias valem por mil palavras, com o dom de nos levarem a reviver momentos importantes das nossas vidas. E mesmo sabendo que não sou artista, nunca me cansei de fotografar.

sexta-feira, 18 de agosto de 2023

Festa de Nossa Senhora da Nazaré


Nos dias 26 e 27 de agosto, a Paróquia celebra a festa da nossa Padroeira, Senhora da Nazaré. No sábado, durante todo o dia, haverá um convívio de angariação de fundos, organizado pela Paróquia com auxílio da Junta de Freguesia e das nossas associações, com tasquinhas, feira de artesanato e animação durante todo o dia pelos grupos musicais Sequência, Aura Band e Universidade Sénior. Podemos almoçar e jantar no local, Jardim 31 de Agosto.

No domingo haverá missa solene às 10H30 e procissão às 16h30. Convidam-se os elementos da Irmandade, os movimentos, o CNE, as crianças da Comunhão solene e todos os crentes.

Confesso que gostei de conhecer o programa, com o qual concordo perfeitamente. Há convívios e animação, comes e bebes ao nosso estilo, simples e partilhado, e conjuntos que o nosso povo aprecia. E também não falta a procissão. Haverá despesas? Certamente. Porém, nada que se pareça  com as das festas de antigamente, uma dor de cabeça para os mordomos. Parabéns.  


Em maré de recordar - Costa Nova

 

Não sei a data desta fotografia que "mora" nos meus arquivos. Vê-se bem que é muito antiga, mas não deixa de ser interessante. Aqui a deixo para meditação e para nos lembrar que vivemos num século muito diferente. Para melhor, julgo eu.

quinta-feira, 17 de agosto de 2023

Em maré de recordar - De uma viagem pelo Douro

O DOURO FICA SEMPRE NA ALMA DE QUEM O VISITA





“Nenhum outro caudal nosso corre em leito mais duro, encontra obstáculos mais encarniçados, peleja mais arduamente em todo o caminho…


Beleza não falta em qualquer tempo, porque onde haja uma vela de barco e uma escadaria de Olimpo ela existe.”

Miguel Torga, in “Portugal”

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Em maré de recordar

 

Gosto imenso de recordar tempo idos. Esta foto transportou-me à minha juventude. E ali estou eu, penso que já curado da tuberculose que me afetou, daí o agasalho a que estava sujeito. Do lado direito está o Ângelo Ribau e do outro lado está o seu irmão Plínio. Ambos falecidos. o Ângelo era o tal amigo que me visitava todos os dias. Com que saudades os recordo!

quarta-feira, 16 de agosto de 2023

Jaime de Magalhães Lima - Vale de Lafões

Se me fossem necessárias provas da perversão ou debilidade dos costumes e da educação nacionais, tê-Ias-ia na ignorância, no abandono e na geral indiferença dos portugueses que ou não conhecem ou não querem conhecer, ou mesmo desprezam, depois de o conhecerem, esse delicioso cantinho da nossa terra chamado o Vale de Lafões. Percorri-o durante três dias e em todas as direcções, e lá encontrei empregados públicos e médicos e advogados e proprietários e gente de toda a condição e toda possuída dum mesmo enfado, maldizendo a sua sorte e suspirando por terras melhores. Encontrei também muitas vezes estradas desertas, palácios escalavrados e aldeias misérrimas. O que, porém, em parte alguma encontrei, foram viajantes jornadeando por simples interesse e curiosidade de conhecerem aquelas terras, que são nossas e que são belas; nem gente que as procurasse corno um lugar de tranquilidade salutar onde recuperasse as forças perdidas no ar empestado das cidades; nem habitações, não de luxo ou de recreio, que as não cobiço para o meu país, mas significando um amor consciente da natureza, um carinhoso aferro ao silêncio e à majestade das montanhas, à contemplação das coisas em que a grandeza da vida se revela na serenidade plena da sua harmonia, cativando a nossa alma e depurando-a. Nada disso lá encontrei, e nem sequer quaisquer leves vestígios de semelhante tendência me autorizaram a sonhá-la.
Porquê?!... Será que o português não viaje? Será que lhe faltem meios económicos para despender alguma coisa em um repouso duplamente sadio, moral e fisicamente, longe do bulício das cidades e da sua diversa corrupção? Com certeza, não. Não faltam portugueses que tenham percorrido as montanhas da Suiça, e os seus lagos e os Pirinéus e o Reno e a Escócia. Não falta quem nos assegure que viu lá paisagens magníficas e não falta quem esteja disposto a ir vê-las. As viagens de portugueses ao estrangeiro multiplicam-se e amiúdam-se constantemente. E até não falta quem de lá nos traga e praticamente nos mostre a poder de dinheiro e com um zelo digno de melhor sorte, chalets, jardins arrelvados e muita outra coisa linda que do estrangeiro importou como  nota da civilização.

Jaime de Magalhães Lima

Nota. Excerto de texto publicado em Aveiro e o seu Distrito