domingo, 18 de dezembro de 2011

TECENDO A VIDA UMAS COISITAS - 268

DE BICICLETA ... ADMIRANDO A PAISAGEM – 51 



... VERGUINHA PARA A IGREJA ... 

Caríssima/o: 

Hoje é dia de falar da bicicleta na nossa região. Embora um pouco contra a corrente do tempo (isto de o Natal calhar ao Domingo traz destas coisas...), vou recordar um tudo nadinha como era a passagem do ano nos idos de 50-60. Então venham daí... 
[Esquecia-me de vos dizer que vou revelar um segredo da nossa juventude; tínhamos prometido guardar segredo. Os rapazes saberão perdoar-me atendendo a que já passaram mais de cinquenta anos e os «maiorais» todos partiram!...] 
Então foi assim: 
Juntámo-nos na Barbearia do Hortênsio; grupo numeroso, cada qual com a sua bicicleta e prontos para tudo... Pelas onze da noite, começou a fazer-se luz e a traçar-se um objectivo: 
- E se fôssemos ao mercado deitar abaixo as letras que dizem «Ílhavo»? 
Não foi precisa a discussão prévia: todos de acordo; sim que já era tempo de esses tipos aprenderem que o mercado é da GAFANHA! Pois claro, etc e tal. Toca a montar e rumar ao Cruzeiro, com a noção do perigo e a promessa de silêncio antes, durante e após o trabalhinho executado.

Uma reflexão para este domingo



FAÇA-SE EM MIM 
SEGUNDO A TUA PALAVRA
Georgino Rocha

A disponibilidade de Maria é total, e incondicional a sua entrega. Após uma saudação que a felicita pela graça alcançada e um diálogo que lhe desvenda a densidade do futuro próximo, o seu “sim” é pleno e definitivo, alegre e confiante.
O episódio tem lugar em Nazaré, aldeia da Galileia com uns cem habitantes. O protagonista é o anjo do Senhor que vem a casa de Joaquim e de Ana. A mensagem expressa-se no convite para ser mãe de Jesus, o Filho do Altíssimo. O ambiente deixa “respirar” simplicidade e o silêncio faz pressentir a sublimidade do acontecimento. O interlocutor é uma jovem virgem em estado singular: já não “pertence” à família por estar “comprometida” com José, nem ao esposo e seus familiares por ainda não terem celebrado publicamente a boda ritual. Tudo ocorre no espaço onde Maria se encontra, na vida fecunda do lar onde se cultivam as mais nobres tradições e forjam os grandes ideais.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Gafanha da Encarnação: Festa de Natal - 2011






AMBIENTE NATALÍCIO PARA OS ALUNOS
Maria Donzília Almeida
Ontem, dia 16 de dezembro, foi o encerramento das atividades letivas, deste 1º período escolar, na Escola Básica, 2º/3º Ciclos da Gafanha da Encarnação. Como tem vindo a ser habitual e dado que se segue a interrupção do Natal, a escola organiza, prepara e mobiliza esforços, de modo a proporcionar um ambiente festivo, natalício, a todos os nossos alunos. É para eles que trabalhamos e, neste dia, toda a comunidade escolar se esfalfa para que nada falte e todos vivam momentos de verdadeira alegria.

"Escritos cristãos" de Eduardo Lourenço




"Pastoral da Cultura destaca «percurso intelectual» e «escritos cristãos» de Eduardo Lourenço, Prémio Pessoa 2011
O diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, padre José Tolentino Mendonça, destacou esta sexta-feira o percurso de Eduardo Lourenço, de 88 anos, que recebeu o Prémio Pessoa 2011.
«O percurso intelectual do professor Eduardo Lourenço é no Portugal contemporâneo uma chave indispensável para o conhecimento de nós próprios», afirmou o sacerdote recentemente nomeado consultor do Conselho Pontifício da Cultura"
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O que é que verdadeiramente queremos?



Os trabalhos mais felicitantes
Anselmo Borges



O que é que verdadeiramente queremos? Ser felizes, não? Mas, quando começamos a tentar definir o que é a felicidade, essa definição não se encontra. É um não sei quê, que tem a ver com alegria, realização, bem-estar, vida preenchida, bem-aventurança. De qualquer forma, é o contrário de infelicidade e desgraça.
Kant foi dizendo que a felicidade é "a satisfação de todas as nossas tendências e inclinações", ao mesmo tempo que preveniu que isto não é senão "um ideal da imaginação". De facto, a felicidade coincide com o Sumo Bem na plenitude, de que nesta Terra apenas poderemos encontrar antecipações. Tendemos para ser de modo pleno, precisamente para a eudaimonia, a felicidade, como lhe chamou Aristóteles, e que Andrés Torres Queiruga caracterizou como aquele "estado no qual, sem contradições, se realizariam todas as potencialidades, se manifestariam todas as latências e se cumpririam todos os desejos e aspirações que habitam o coração humano, individual, colectivo e cósmico". Mas a felicidade perfeita não é deste mundo. Há instantes de felicidade, aqueles instantes tocados pela eternidade e que anulam o tempo.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

PRÉMIO PESSOA PARA EDUARDO LOURENÇO



«É o 25.º premiado com o Prémio Pessoa, uma iniciativa do Expresso em colaboração com a Caixa Geral de Depósitos. Eduardo Lourenço de Faria, 88 anos e uma vasta obra publicada, foi a escolha do júri deste ano. A reedição, pela Fundação Caloustre Gulbenkian, da sua obra completa - num total de 38 volumes - foi o motivo mais imediato para a atribuição do prémio.
Um trabalho 'ciclópico', como afirmaram os responsáveis científicos da Fundação Calouste Gulbenkian que este ano iniciaram a publicação da obra. De facto, são 38 volumes de ensaios político-filosóficos escritos entre os anos de 1945 e 2010, de um autor que apesar da sua enorme projecção internacional permanece "pouco lido em Portugal", justifica a Gulbenkian.»
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“Pedaços de vida que geram vida”




Tinha programado, à semelhança do que faço com outros livros que li ou a cujos lançamentos assisti, escrever um texto sobre a mais recente obra do Bispo Emérito de Aveiro, D. António Marcelino. Haveria muitas razões para o fazer, tanto mais que ouvi, com atenção, a apresentação do livro, no passado dia 10, bem elaborada pelo conhecido político e homem de fé, que é, também, um ilhavense ilustre, Bagão Félix. Mas optei por publicar, tão-somente, um texto que lembra uma cristã que diz mais do que tudo quanto eu pudesse escrever. 
D. António Marcelino oferece-nos, com a sua reconhecida sensibilidade, uma curta história de vida de uma santa que tive o privilégio de conhecer e com quem conversei algumas vezes. O nosso Bispo Emérito não revela o seu nome, mas sei de quem se trata. Não erro, nem cometo qualquer inconfidência, se disser que se trata da Leninha de Sever, de seu nome completo Maria Madalena da Fonseca Magalhães, cuja vida o Padre Georgino Rocha sintetizou em texto publicado na revista Igreja Aveirense. 
D. António diz, logo a abrir, que o povo da sua terra já a canonizou e até afirma, certamente com conhecimento pessoal, que dela conhece «milagres sem conta», que, todavia,  «não servirão para uma canonização canónica, mas isso é o que menos interessa». 
O Papa, seguindo o esquema de largos anos, tantos que nem sei quantos, vai beatificando e canonizando alguns católicos, abrindo-lhes espaços em lugares de destaque nos altares. Muitos deles nada nos dizem, mas oficialmente são esses, e só esses, os que farão parte, para memória futura, da hagiografia católica. Os outros, aqueles que conhecemos e que nos estão mais próximos, ocupam, contudo, um lugar mais convincente na nossa memória e nas nossas vidas. Pode ser que num futuro, porventura noutras gerações, as Igrejas Diocesanas possam apresentar-nos, como modelos a seguir, os santos que deixaram marcas indeléveis nas nossas paróquias. 

Fernando Martins

«Gratuidade e sorriso de um amor compreensivo

O povo da sua terra já a canonizou. Eu conheço dela milagres sem conta, que não servirão para uma canonização canónica, mas isso é o que menos interessa. Quando João Paulo II fez um apelo aos bispos para que abrissem os olhos e o coração porque, nas suas dioceses, havia santos, foi logo em quem eu pensei. 
Com dificuldades de mobilização à vista e, depois, com um chorrilho de doenças, foi sempre a mesma. O sorriso discreto e a preocupação pelos outros era o seu cartão de apresentação. De família de posses, o que tinha pesava-lhe sempre e procurava ver a quem ajudar. A sua vida tem marcas de generosidade silenciosa, em todo o lado. Gratuita em tudo, sentia-se sempre altamente recompensada pelo bem que fazia. 
Sofreu de muitas maneiras. Nunca se lhe ouviu um queixume. Sempre uma palavra de compreensão, de desculpa a quem a fazia sofrer, de passar à frente com quem se sentia sempre bem. Procurou-me algumas vezes. Nunca para se queixar, sempre para ver como fazer melhor. 
Não era beata, nem rata de sacristia, mas cristã consciente. O templo era o espaço do abastecimento da sua fé e da sua entrega ao apostolado e aos outros. Morreu aí mesmo, na igreja paroquial, quando ainda, já bem doente, tinha ainda alguma coisa para fazer. Nenhum lugar melhor para fazer a sua última doação. Ali ao pé do sacrário.»