terça-feira, 5 de abril de 2016

Morreu a nossa gatinha Gutti

Uma gata independente e solitária

A Biju deitada e a Gutti em pé
Hoje de manhã não fui abrir a janela do salão nem a porta que dá acesso ao sótão onde viviam as nossas gatinhas. A Biju morreu há precisamente um mês e hoje foi a vez da sua filha Gutti. Ambas de cancro, mal tão odioso que nem as pessoas o querem pronunciar, substituindo-o por “doença que não perdoa”.
A Gutti era uma gatinha filha de pai siamês, extremamente independente e solitária. Tal como todos os gatos, mas de forma mais acentuada. Não era gata de andar por aí, nem de correr a casa toda. Tinha o seu espaço, apenas dando alguma importância à dona, a Lita, que havia acolhido as duas há uns 15 anos, tratando-as como "princesas",  no dizer justo de um dos meus filhos. Foi durante muito tempo saudável, mas a idade, como nas pessoas, não perdoa. Foi operada, cuidadosamente tratada, alimentada com parcimónia, escovada frequentemente e sobretudo acarinhada. 
Na hora da escova, deitava-se tranquilamente numa mesa, no sótão, ao jeito de quem recebe massagens, mostrando o gosto que sentia com as escovadelas. Era meiga quando lhe apetecia e todas as manhãs, quando sentia a porta aberta, descia, senhora do seu nariz, atenta mas sem medo do Totti e da Tita, o cão e a cadela que têm sensivelmente a mesma idade. Postava-se à janela, previamente aberta, deliciando-se com o ar fresco e o sol a aquecê-la. Assim toda a sua vida. Olhava a paisagem e de vez em quando enchia-se de coragem, dava um salto para a figueira e outro para a cobertura do alpendre. E ali ficava indiferente ao mundo agitado dos homens.
Em pequena era um pouco ladina. E um dia, sem se saber como, saiu de casa e perdeu-se. A Lita espalhou um edital, com endereço e número de telefone, por cafés, lojas e esquinas, apelando à descoberta da gatinha. E seguimos para a Figueira da Foz como estava combinado. Dias depois, alguém telefona a informar que tinha encontrado provavelmente a Gutti. O meu filho Pedro foi confirmar se era a nossa gatinha. E era. Pegou nela, agradeceu à senhora e comunicou-nos que a Gutti já estava em casa a recompor-se da aventura. Talvez por isso, nunca mais saiu. E a Lita, nesse mesmo dia, não resistiu e veio visitá-la à Gafanha. Hoje ficou debaixo de uma laranjeira ao lado de outros animais que morreram de velhice na nossa casa. 

F.M.

Faleceu Senos da Fonseca

SAUDADES DE MIM MENINO Ai barcas, ai barcas Tão triste é vosso negror, Por onde ides navegar? Que espreita O olho que levais na proa? Ai amo...