segunda-feira, 4 de maio de 2026

Liberdade de Imprensa


O Papa associou-se ontem, 3 de Maio, ao Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, promovido pela UNESCO, com uma evocação dos profissionais da comunicação social que perderam a vida no exercício da sua missão. A liberdade de imprensa implica esforço, coragem e riscos para chegar à verdade e para divulgar os factos, correndo riscos...
“Infelizmente, este direito é frequentemente violado, por vezes de forma flagrante, por vezes de forma escondida. Recordamos os muitos jornalistas e repórteres que foram vítimas da guerra e da violência”, lamentou o líder da Igreja Católica, falando aos peregrinos reunidos no Vaticano, para a recitação da oração do ‘Regina Caeli’.
Em Portugal, o presidente da República associou-se à data com uma mensagem focada no papel da comunicação social como pilar da democracia e contrapoder institucional.
“A Liberdade é o fundamento da democracia. E a Liberdade de Imprensa é uma das suas expressões mais exigentes – porque não se limita a existir, tem a obrigação de incomodar”, indicou António José Seguro, numa nota enviada hoje aos jornalistas.

Lugares da Gafanha da Nazaré

Cruzeiro antigo

"A Gafanha da Nazaré estava dividida em diversos lugares, fundamentalmente para definir a residência dos seus moradores. As habitações, na sua maioria modestas, eram construídas segundo a disponibilidade de terreno dos gafanhões. Mesmo nos princípios do século XX, as ruas e estradas eram poucas, fazendo-se as ligações às terras vizinhas, aos campos agrícolas ou entre os habitantes por simples caminhos de areia, que o rodado dos carros das vacas iam marcando. 
Não havia outra forma de indicar, por isso, as moradas dos gafanhões, que por estes areais se foram fixando. Foi, pois, natural a divisão da Gafanha da Nazaré em lugares, com designações que ainda hoje perduram, mas já sem qualquer importância. 
Presentemente, com ruas batizadas e numeração das portas, é muito fácil dar com a casa ou pessoa procurada. 
Para a história, portanto, aqui ficam os lugares da Gafanha da Nazaré: Bebedouro, Cale da Vila, Cambeia, Chave, Forte da Barra, Marinha Velha, Praia da Barra e Remelha (ou Romelha?)."

Maio de 2008


Dia Internacional do Bombeiro


O Dia Internacional do Bombeiro observa-se anualmente a 4 de Maio e é uma data dedicada a homenagear o trabalho, a coragem e o sacrifício dos bombeiros em todo o mundo.
Neste dia, dedicado aos "soldados" da paz, quero aproveitar esta data para saudar todos os que arriscam a vida para nos ajudar nos momentos difíceis dos fogos e dos acidentes, em especial.

sábado, 2 de maio de 2026

A vontade de poder e o Reino de Deus

Crónica Semanal de Anselmo Borges

1. Embora ao princípio tenha sido bastante ignorada, trata-se de uma obra decisivamente importante: Die Welt als Wille und Vorstellung (O mundo como vontade e representação), de Arthur Schopenhauer. “O mundo é a minha representação”, assim começa, pois é sempre com a nossa estrutura humana que o captamos. Mas o ser humano não se reduz ao conhecimento. Antes de pensarmos, vivemos: respiramos, comemos, bebemos, movimentamo-nos. Somos um corpo vivo que quer viver. No mais fundo de nós, somos vontade de viver e a mais forte expressão dessa vontade está no sexo e no instinto de reprodução.
Toda a vida orgânica é manifestação dessa vontade. É aterrador o que se passa na selva — também na “selva humana”. Mais: a vontade está na raiz das manifestações da natureza inorgânica — pense-se na potência que põe os astros em movimento, na energia nuclear, na força de atracção e repulsa dos elementos, nas tempestades, nos terramotos, nos vulcões.
O universo, aparentemente sereno, é um reboliço infindo, gigantesco.
Foi também aqui que Nietzsche veio beber a sua teorização da vontade de poder e do super-homem. O que é a moral vulgar senão a manifestação do ressentimento dos fracos contra os fortes?

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Promessa

De vez em quando preciso de me adaptar à vida, procurando momentos em que me sinto capaz. E cá estou eu mais uma vez a ultrapassar obstáculos.
A vida é composta por constantes recomeços, muitos dos quais ficam enterrados, defintivamente, no cesto dos papéis. Será assim comigo e com tantos outros.
Saindo de um estado de espírito inexplicavelmente incómodo, sei que tenho de continuar.
Aqui fica a promessa.

FM

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Monumento ao Barco Moliceiro


Foi hoje publicado em Diário da República o anúncio do Concurso Público de Conceção de Monumento Artístico “Barco Moliceiro: Arte da Carpintaria Naval da Região de Aveiro” Património Cultural Imaterial da Humanidade Unesco, 2025, promovido pela Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro.

Ver aqui

domingo, 26 de abril de 2026

Pára e Pensa - O clamor por Deus e a esperança final

Crónica Semanal de Anselmo Borges
 

1. Quem põe em dúvida que vivemos tempos temíveis, brutais, de horrores sem fim? Ele há as guerras, aquelas de que se fala e as outras de que se não fala — por exemplo a do Sudão —, multiplicando os seus campos de destruição e ruinas, e os montões de cadáveres crescem e crescem e crescem... E as crianças — tantas até raptadas são — a gritar e as mulheres violadas, e a fome não deixa de aumentar: todos os dias pelo menos 8.000 crianças morrem por causa da fome. E são milhões de milhões de euros que se gastam em novos armamentos. Os prepotentes esmagam os povos e os direitos das maiorias, e, vivendo nós hoje em total interligação e interdependência, quase todos no mundo acabam por ser vítimas dessa prepotência. E lá andam todos numa correria vertiginosa, todos ou quase todos a dedar nas redes, e quem se lembra que brain rot (apodrecimento do cérebro, cérebro apodrecido) foi o termo considerado como a palavra do ano pela Universidade de Oxford em 2024?...


Não creio que sejamos piores do que no passado. Mas há uma questão terrível: temos poder a mais. Pela primeira vez, a Humanidade — basta pensar no armamento atómico — pode pôr termo a si mesma. E há a IA, com imensas vantagens, mas alguém pode dizer aonde nos levará? E a crise climática... e os “cérebros apodrecidos”?
Neste contexto, não deveria esquecer-se a pergunta: Onde está o ser humano?, mas são mais a perguntar: Onde está Deus? Nestas circunstâncias — e não vou esquecer também, por exemplo, as enfermarias dos hospitais, verdadeiros acampamentos de dor e solidão, os presos, os lares de idosos, as vítimas de abusos de todo o género, os jovens com ansiedade crescente... —, ainda em tempo de Páscoa, alguns textos célebres podem vir ao nosso encontro... Dou exemplos.


2. Para exprimir a sua consternação perante as vítimas da História, todos os horrores do passado e todos os mortos, “as ruínas da história”, Walter Benjamin, da Escola de Frankfurt, que, numa fuga falhada à perseguição nazi, se suicidou, serviu-se de um quadro famoso do pintor suíço, Paul Klee, chamado “Angelus Novus” e deixou-nos o célebre texto sobre “O anjo da história”: “Há um quadro de Klee que se chama Angelus Novus. Nele representa-se um anjo que parece como se estivesse a ponto de afastar-se de algo que o tem atordoado. Os seus olhos estão desmesuradamente abertos, a boca também aberta e as asas estão completamente estendidas. E este deve ser o aspecto do anjo da história. Voltou o rosto para o passado. Onde a nós se nos manifesta uma cadeia de dados, ele vê uma catástrofe única que amontoa incansavelmente ruina sobre ruina, lançando-as a seus pés. Ele bem quereria deter-se, despertar os mortos e recompor o despedaçado. Mas a partir do paraíso sopra um furacão que se enredou nas suas asas e que é tão forte que o anjo já não consegue fechá-las. Este furacão empurra-o irresistivelmente para o futuro, para o qual ele está de costas, enquanto os montões de ruinas crescem perante ele até ao céu. Este furacão é o que nós chamamos progresso”. Estamos, na opinião de Manuel Fraijó, perante um texto-chave da filosofia do século XX. Benjamin era ateu, mas não o abandonava a
pergunta pelos mortos e, concretamente, pelas vítimas inocentes da História...


3. No ano de 1796, Jean Paul (pseudónimo de Johann Paul Friedrich Richter) escreveu um dos textos mais sublimes e ao mesmo tempo mais terríveis da grande literatura alemã: Rede des toten Christus vom Welgebäude herab, dass kein Gott sei (Discurso do Cristo morto, desde o cume do mundo, sobre a não existência de Deus). Nele, o grande escritor descreve um sonho.
Pela meia noite e em pleno cemitério, numa visão apavorante, o olhar estende-se até aos confins da noite cósmica esvaziada, os túmulos estão abertos, e, num universo que se abala, as sombras voláteis dos mortos estremecem, aguardando, aparentemente, a ressurreição. É então que, a partir do alto, surge Cristo, uma figura eminentemente nobre e arrasada por uma dor sem nome. E, com um terrível pressentimento, “os mortos todos gritam-lhe: ‘Cristo, não há Deus?’ Ele respondeu: ‘Não, não há Deus’. Então, a sombra de cada morto estremeceu, e umas a seguir às outras desconjuntaram-se. E Cristo continuou, anunciando o que aconteceu no instante da sua própria morte: ‘Atravessei os mundos, subi até aos sóis, voei com as galáxias através dos desertos do céu; e não há Deus. Desci até onde o ser estende as suas sombras, e olhei para o abismo, gritando: ‘Pai, onde estás?’ Mas apenas ouvi a tormenta eterna, que ninguém governa”.
Quando, no espaço incomensurável, procurou o olhar divino, não o encontrou; apenas o cosmos infindo o fixou petrificado “com uma órbita ocular vazia e sem fundo, e a eternidade jazia sobre o caos e roía-o e ruminava-se”. O coração rebentou de dor, quando as crianças sepultadas no cemitério se lançaram para Cristo, perguntando: ‘Jesus, não temos Pai?’ E ele, debulhado em lágrimas, respondeu: ‘Somos todos órfãos, eu e vós, não temos Pai’. “Nada imóvel, petrificado e mudo! Necessidade fria e eterna! Acaso louco e absurdo! Como estamos todos tão sós na tumba ilimitada do universo! Eu estou apenas junto de mim. Ó Pai, ó Pai! Onde está o teu peito infinito, para descansar nele? Ah!
Se cada eu é o seu próprio criador e pai, porque é que não há-de poder ser também o seu próprio exterminador?” Para Jean Paul, a morte de Deus não é ainda um destino espiritual inevitável, mas apenas a tentação de uma possibilidade ameaçadora, contra a qual quer prevenir. Quando acordou do pesadelo ateu, a sua alma “chorava de alegria, por poder de novo adorar a Deus — e a alegria e o choro e a fé nele era a oração”.


4. Um século depois (1882), o louco de Nietzsche proclamou a morte de Deus: “O louco saltou para o meio deles e trespassou-os com o olhar. ‘Quem vos vai dizer o que é feito de Deus sou eu’, gritou! “Quem o matou fomos todos nós, vós mesmos e eu!” “Nunca existiu acto mais grandioso”. Mas, ao mesmo tempo, Nietzsche não se mostra completamente eufórico. “Para onde vamos nós, agora? Não estaremos a precipitar-nos para todo o sempre? Não andaremos errantes através de um nada infinito? Não estará a ser noite para todo o sempre, e cada vez mais noite?”


5. O filósofo Gilles Lipovetstky escreveu, em A Era do Vazio, comentando, que Deus morreu e as pessoas não estão preocupadas com isso. Mas outro filósofo, agnóstico, Leszek Kolakowski, disse que o nosso “é um mundo privado de todo o sentido, de qualquer orientação, sinal de direcção, estrutura”, de tal modo que, desde a proclamação da morte de Deus por Nietzsche, “praticamente nunca mais houve ateus serenos”:
“A ausência de Deus tornou-se a ferida sempre aberta do espírito europeu, por maior que tenha sido o esforço para esquecê-lo, recorrendo a toda a espécie de narcótico.” De qualquer forma no seu livro mais recente, A Sociedade da Decepção (2012), Lipovetsky, reconhecendo “a reafirmação do religioso”, veio dizer que, “privados de sistemas de sentido englobante, numerosos indivíduos encontram uma tábua de salvação no reinvestimento de antigas e novas espiritualidades capaz de oferecer a unidade, um sentido, referências, uma integração comunitária: é o que o ser humano necessita para combater a angústia do caos, a incerteza e o vazio.”


6. Lá está, sempre, a sublevação dos versos de Heinrich Heine: “E continuamos perguntando,/uma e outra vez,/até que um punhado de terra/nos cale a boca./Mas isto é uma resposta?”


7. E há, tocando o absurdo, aquela pergunta terrível, pergunta-limite: se soubessem o que agora sabem pela experiência vivida e a morte no fim, quantos, quantas, se pudessem escolher, teriam escolhido vir à existência? É nesta pergunta-limite, entre ser e não ser, finito-infinito, que, em confiança racional, pode dar-se a experiência da verdade salvadora do Evangelho: Jesus anunciou por palavras e obras o Evangelho, notícia boa e felicitante, a melhor notícia que a Humanidade alguma vez ouviu: Deus é bom, Pai-Mãe, e só quer a alegria, a felicidade, a plena realização de todos os seus filhos e filhas, e Jesus, que sabia que nem todos estavam de acordo com esta mensagem, não se acobardou, foi até ao fim para dar testemunho da Verdade e do Amor e, julgado como blasfemo religioso e subversivo político, foi condenado à morte e morte de cruz, a morte mais horrenda, rezando aquela oração que atravessa os séculos: “Meu Deus, meu Deus, porque é que me abandonaste?”, e Deus infinitamente poderoso e bom não o deixou na morte, ele está vivo na plenitude da vida em Deus para sempre, como desafio e esperança para todos..., para mim.


Anselmo Borges
Padre e Professor de Filosofia


Sábado, 25 de Abril de 2026

Em Fátima, rezei por ti

Jorge Pires Ferreira,  Diocese de Aveiro Quando era criança, guardei durante anos um bocado de sobreiro envernizado com um bocado de latão ...