Crónica semanal de Anselmo Borges
Insisto constantemente em que no Novo Testamento há duas “definições” de Deus — evidentemente, Deus não é definível, mas são tentativas de dizer algo sobre o seu mistério. Na Primeira Carta de São João, está escrito que Deus é Agapê, Amor incondicional. O Evangelho segundo São João começa com estas palavras: “No princípio era o Logos, o Logos estava Deus e o Logos era Deus. Por Ele é que tudo começou a existir.” Logos significa palavra, razão, inteligência. Deus é, portanto, Amor e Razão e, assim, a existência humana e cristã autêntica resultará da convergência e interpenetração da bondade e da razão, da inteligência e do amor. Portanto, a fé não só não pode contradizer a razão como deve ser razoável e, como diz a Primeira Carta de São Pedro, é preciso “dar razões da esperança”. E, como tentei explicar na crónica da semana passada, não há resposta definitiva constringente para o que é a realidade na sua ultimidade. É no próprio acto de fé que o crente experiencia o carácter razoável da sua adesão confiante livre.




