ARES DA SERRA — CARAMULO


"Entre Pastores e nas Serras"



A partir de hoje e durante alguns dias estou em pleno com ares da serra. Fui para ares, como se dizia na minha meninice e juventude, o que significava para nós, os da beira-mar e beira-ria, passar uns dias na serra. O contrário também era verdade. Depois das vindimas, era certo e sabido que as nossas praias registavam a afluência das gentes bairradinas.


Este ano optei pelo Caramulo, de que guardo gratas recordações de visitas guiadas por amigo muito próximo nas terras caramulanas. Por lá andei, diversas vezes, calcorreando montes e vales por estradas de pouco uso automóvel e passando por aldeias aconchegadas em solos porventura mais férteis. E recordo que, numa dessas andanças, até parámos num café para lanchar, não se vislumbrando casario à volta. Qual não é o meu espanto, mal nos sentámos, logo o café foi invadido por homens que também petiscaram com "finos"  para refrescarem as gargantas secas pelo calor e trabalho duro. A explicação foi fácil: trabalhavam em obras e na floresta. 

Para conhecer um pouco melhor o Caramulo, busquei nas minhas estantes um livrinho que há anos me encantou, para me servir de cicerone. Trata-se de “Entre Pastores e nas Serras”, de Jaime de Magalhães Lima, editado pela Portucel em 1986, graças à revisão e prefácio de Mons. Aníbal Ramos, com capa de Jeremias Bandarra. 

O autor, porventura um dos pioneiros na arte e ciência da ecologia, «Calcorreou em várias direções as serras do Gerês, da Freita, da Gralheira, das Talhadas, do Marão e da Estrela. Mas a mais linda e a mais nobre era o Caramulo», no dizer de Aníbal Ramos no Prefácio. E acrescenta: «Percorreu o Caramulo em todos os sentidos, quer pelo caminho mais linear passando por Bolfiar, Castanheira e S. João do Monte, quer pelo Préstimo e Cabeça do Cão, quer de nascente para poente por Tondela e Guardão, quer indo pelo caminho de ferro até Vila Chã, perto de Oliveira de Frades, e depois, de caleche e a pé, por Pereiras, Campia, Alcobra e Paredes.»

As notas entretanto escritas ficaram na gaveta e assim permaneceram como tantas outras, e foi por deferência dos seus netos que este livro se tornou possível. E será com “Entre Pastores e nas Serras” que descansarei no Caramulo, sem descurar o encontro possível com locais, paisagens e vivências de Jaime de Magalhães,  na linda serra do Caramulo. Diariamente, se nada houver que mo impeça, farei referência ao que topar pelo caminho

5 de agosto de 2014



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