sábado, 8 de agosto de 2020

Artes no Canal – Mercado de Fusão



A iniciativa “Artes no Canal – Mercado de Fusão” regressa este mês de agosto com três edições agendadas para os dias 8, 15 e 29 assumindo-se estas duas últimas datas como “edições especiais” de verão.
A área de implantação do “Artes no Canal” foi aumentada, em formato de linha localizada ao longo do Canal Central da Ria de Aveiro, a partir do Canal do Côjo, junto ao Fórum Aveiro, passando pelo Largo do Mercado Manuel Firmino e prosseguindo até ao Cais da Fonte Nova. Comerciantes e visitantes poderão, deste modo, interagir de forma segura, entre as 09h30 e as 19h00. Haverá animação que acontecerá em Barco Moliceiro que percorrerá toda a extensão do Artes no Canal (Canal Central, Canal do Côjo e Canal Fonte Nova) entre as 10h30 e as 12h00 e das 15h00 às 16h30 com um septeto de sopro e percussão.
O “Artes no Canal – Mercado de Fusão” consiste num encontro entre feira urbana e cultura, que acontece no segundo sábado de cada mês e que anima o Centro da cidade.

FONTE: CMA

BENTO XVI. UMA VIDA. 1

Crónica de Anselmo Borges 




Encontrei uma vez em Roma Bento XVI, ainda não era Papa. A impressão com que fiquei: um homem afável e tímido. No encontro rápido, falou-me da importância decisiva da pastoral da inteligência. 
Nos últimos dois meses, foi para mim um prazer intelectual imenso poder ler a sua biografia — são 1150 páginas —, escrita por Peter Seewald: Benedikt XVI. Ein Leben (Bento XVI. Uma vida). Pude acompanhar 90 anos de história, a brutalidade esmagadora da Segunda Guerra Mundial, os filósofos e teólogos que também estudei, a reconstrução da Alemanha e da Europa, os debates teológicos que levaram ao Concílio Vaticano II, a primavera do Concílio e o inverno que se seguiu, Maio de 68, o cardeal Ratzinger como Prefeito da Congregação da Doutrina da Fé, Bento XVI como Papa e a sua renúncia, o Papa Francisco... Em três crónicas simples — previno que a obra não é fácil —, tentarei apresentar rapidamente alguns flashes desta biografia. 
Uma família modesta: o pai era polícia e a mãe cozinheira. Três filhos: Maria, nascida em 1921, Georg, em 1924, Joseph em 1927, às 4.15 de Sábado Santo. No mesmo dia, às 8.30 já estava na igreja para ser baptizado com a nova água pascal, acabada de benzer, e ao som do canto do Glória: “Cristo ressuscitou”.

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Hoje recordámos o passado a pensar no futuro



Hoje foi  dia de recordar  o passado a pensar no futuro, com os pés bem assentes no chão que habitamos. O passado foi e continua a ser a mola-real da caminhada a prosseguir até se atingir a meta que nunca saberemos onde está. Caminhada que começou no dia 7 de Agosto de 1965, na igreja do Bunheiro. Dia cheio de projetos, sonhos e alegrias, nunca de medos ou dúvidas. Eu e a Lita demo-nos com amor para ambos nos projetarmos no futuro através dos filhos. No ano seguinte veio o primeiro e depois mais três. A seguir, mais tarde, três netos. Todos garantem a nossa eternidade no mundo. 
Hoje, portanto, completámos 55 anos de casados com as bênçãos de Deus, que pedimos e aceitámos como crentes que somos. E durante este tempo, com imensas alegrias, paixões, trabalhos e canseiras, as nossas vidas foram pautadas pelo seguimento do bom senso e bom gosto, procurando lutar em união para vencer dificuldades, incompreensões e tristezas que só o amor venceu, enchendo a nossa existência de felicidade partilhada com os que nos cercam. 
Pelo caminho, muitos dos que amámos e nos amaram partiram para o Senhor do universo, não sem antes nos legarem valores que enformaram as nossas maneiras de ser e de estar na vida. Valores marcados pela procura da paz, da verdade, da ternura, da partilha, da justiça,  da fraternidade, da solidariedade e do amor. 
Vivemos este dia na esperança de que ainda haverá muito por fazer, se Deus quiser. Foi um dia para nós com o pensamento nos que amamos, dando-nos um ao outro, e ambos aos outros, sem limites e com otimismo. Cada um com o seu estilo e com a sua sensibilidade. O pessimismo não pode ter lugar nos nossos corações. A vida tem de prosseguir. Continuaremos a sonhar e a acreditar no futuro. Lá no fim, estará Deus de braços abertos para nos acolher no seu regaço maternal. Assim desejamos. 

Lita e Fernando

O SAL DA LÍNGUA

 Um poema de Eugénio de Andrade


O SAL DA LÍNGUA

Escuta, escuta: tenho ainda
uma coisa a dizer.
Não é importante, eu sei, não vai
salvar o mundo, não mudará
a vida de ninguém - mas quem
é hoje capaz de salvar o mundo
ou apenas mudar o sentido
da vida de alguém?
Escuta-me, não te demoro.
É coisa pouca, como a chuvinha
que vem vindo devagar.
São três, quatro palavras, pouco
mais. Palavras que te quero confiar,
para que não se extinga o seu lume,
o seu lume breve.
Palavras que muito amei,
que talvez ame ainda.
Elas são a casa, o sal da língua.

In "O Sal da Língua"

NÃO TEMAIS. SOU EU. TENDE CONFIANÇA

Reflexão de Georgino Rocha 
para o Domingo XIX do Tempo Comum 



Exortação revigorante dirigida a pessoas amedrontadas. Exortação firme e determinada, num contexto de perigo iminente. Exortação clarificadora de fantasmas possíveis e identificadora de rostos perdidos na noite. 
A cena ocorre no mar de Tiberíades. Os intervenientes principais são Jesus de Nazaré e os discípulos que se deslocam numa barca e já estão longe da terra. A ocasião surge no percurso da travessia. A circunstância é a da tempestade ameaçadora. E os gestos e as palavras que se percebem são de gritaria e de pânico. E não era para menos! Mt 14, 22-33. 
“Esta narração do Evangelho, adianta o Papa Francisco, contém um simbolismo rico e faz-nos reflectir sobre a nossa fé… A invocação de Pedro, «Senhor manda-me ir ter contigo!», e o seu grito, «salva-me, Senhor» assemelham-se ao nosso desejo de sentir a proximidade do Senhor, mas também o medo e a angústia que acompanham os momentos difíceis da nossa vida e das nossas comunidades, marcadas por fragilidades internas e dificuldades externas”. 
Ter medo é humano. Demonstra-o a reacção dos discípulos que fica como metáfora plástica de tantas outras situações em que a vida ou algum bem apreciável está em perigo. Sirva de ilustração a precariedade laboral e o risco de desemprego, a incerteza face ao futuro, as catástrofes naturais, a doença prolongada e a aproximação da morte, o abandono e a solidão, a perda de sentido para a vida, o silêncio aparente de Deus, o fracasso final da existência. Há razões sérias para fazer experiências de medo. Importa assumir o facto e saber tirar os possíveis ensinamentos. 

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Assim vai o mundo do futebol

Tenho de confessar que há muito resolvi pôr de lado as questões futebolísticas que geram paixões incontroladas e movimentam escandalosas fortunas. Os clubes, pelas mãos e carteiras dos seus dirigentes, passam a vida a anunciar dificuldades, mas de repente o dinheiro surge sempre misteriosamente, com bancos a suportar tudo e a perdoar, segundo se diz, sem grandes explicações. 
Vejam só quanto vem ganhar um conhecido treinador e quanto vai o clube que o contratou pôr à sua disposição para negociar jogadores que garantam o sucesso. Se duvidam deste meu desabafo, leiam aqui.

SABER APRENDER – A estar de férias

Reflexão de Miguel Oliveira Panão


Há quem vá de férias para descansar de um período de trabalho, mas já me partilharam que foram trabalhar para descansar das férias. Onde está o equilíbrio? 

O equilíbrio talvez esteja no modo de viver os períodos de férias. Quantos não começam a pintar, sem serem pintores; escrever, sem serem escritores; cozinhar, sem serem chefs; a fazer desporto, sem serem desportistas; e tudo dá trabalho, mas não cansa. 
O lazer que dá trabalho possui elementos de frescura, novidade, estranheza, na linha de um conjunto de actividades criativas e acessíveis a todas as pessoas. E a experiência pode ensinar-nos muito a não marcar tanto a linha que divide o lazer do trabalho, de tal modo que os processos de aprendizagem em âmbito de lazer possam servir para encarar o próximo período de trabalho após as férias com um novo olhar.

Ler mais 


Foto da Ecclesia 

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

GAFANHA: região rica?

Da torre da igreja matriz da Gafanha da Nazaré  para norte

Em 1934, Rocha Madail afirma:

Ainda que muitas pessoas se contam neste distrito que viram a Gafanha árida e despida de vegetação, como a maior parte dos areais do litoral, este trabalho foi tão proveitoso que é a Gafanha talvez um dos lugares deste distrito em que haja mais ouro amoedado, sem contar que liberalmente fornece sustentação e trabalho a mais de oito mil pessoas sendo, por assim dizer, o celeiro e a horta dos concelhos de Aveiro, Ílhavo, e ainda da maior parte de Vagos.

In "Gafanha da Nazaré – Escola e comunidade numa sociedade em mudança" 

Ler um livro


Ler um livro de pensamento exigente
com um forte desejo da verdade
sem avidez em saber
sem pretensão de disputar
mas por gosto, por amor da verdade
Abrir a porta profunda
a todo o pensamento que emerge
e deixá-lo permanecer em paz
de modo que ele venha a dar o seu fruto.

terça-feira, 4 de agosto de 2020

Reservas do Museu de Ílhavo


«Tal como o fundo do mar, rico em tesouros, é nas Reservas do Museu Marítimo de Ílhavo que se guardam as peças das coleções que o constituem e que refletem a sua relação com a comunidade. O MMI destaca e exibe a sua coleção das miniaturas de embarcações num pequeno segmento de coleção visitável. Evidenciam-se os melhores modelos de barcos e navios, quer pela sua antiguidade, quer pela época ou arte de pesca que representam.
Visitar as reservas do MMI e ver estas velhas novidades é um privilégio a não perder.»

Reservas obrigatórias e prévias:
+351 234 329 990

Ler mais aqui 

Algarve - Há 10 anos




Se não posso dar um saltinho até ao Algarve, que para muitos é já ali, contento-me com apreciar registos fotográficos que conservo nos meus arquivos. Há 10 anos andei por lá e gostei particularmente de Albufeira e de praias e outras povoações vizinhas. 
Por vezes, imagino-me nas suas ruas e no museu, nunca faltando paisagens como esta. E já me dou por muito feliz. 
Boas férias para todos.

A queda do rei emérito Juan Carlos

Juan Carlos
«O rei emérito de Espanha, Juan Carlos, vai abandonar o seu país, face à “repercussão pública” causada pelas revelações mais recentes sobre negócios no estrangeiro que vieram aprofundar a crise vivida pela Casa Real. A saída do país do monarca que chefiou a transição para a democracia espanhola marca o fim de uma era.» Esta notícia, que li no PÚBLICO,  já era esperada, face às denúncias de indignidades praticadas pelo rei que havia contribuído para a instauração da democracia no país vizinho, mas o que me chocou mais foi a insensatez de um homem que não soube estar à altura da missão de mais alto magistrado da Espanha. 
Humilhado, saiu de cena, esperando-o um fim de vida sem honra nem glória. Isto acontece a todos os que se julgam acima das leis dos seus países, julgando-se autores do crime perfeito, que realmente não existe. Mais tarde ou mais cedo tudo se descobre. Foi o caso. O crime nunca compensa. 

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Um poema de Miguel Torga


UM POEMA

Um poema, poeta!
É o que a vida te pede.
A fome diligente
Colhe
E recolhe
Os frutos e a semente
Doutros frutos.
Junta à fecundidade
Da natureza
Os frutos da beleza...
Versos grados e doces
Na festa do pomar!
Versos, como se fosses
Mais um ramo, a vergar.

Se esta rua fosse minha: José Rito

José Rito
Informação Histórica do Topónimo
pelo Centro de Documentação de Ílhavo 
Câmara Municipal de Ílhavo 



O Dr. José Rito encontra-se representado na toponímia ilhavense, na Gafanha da Encarnação e na Gafanha da Nazaré. Na primeira, o topónimo foi criado em a 03/04/1996 (ata da CMI n.° 11/1996), após proposta da Junta e Assembleia de Freguesia da Gafanha da Encarnação e do Vereador João José Resende Bio. Na segunda, a primeira referência ao topónimo é de 1984 no Plano Geral de Urbanização das Gafanhas.
José Rito nasceu a 19 de março 1894, na Gafanha da Nazaré, filho de José Francisco Novo e Custódia de Jesus.
Licenciou-se em Medicina e especializou-se em Cirurgia na Universidade de Coimbra, a 30 de outubro de 1918, sendo o primeiro habitante da Gafanha a possuir este tipo de formação.
Casou com D. Esperança Maria de Azevedo. Deste enlace nasceram dois filhos: Maria Henriqueta (20 janeiro 1932) e Frederico Elísio (13 de maio de 19325).
Foi Delegado de Saúde de Ílhavo, tendo estabelecido o seu primeiro consultório, alugado, na Rua Arcebispo Pereira Bilhano. Em outubro de 1924, terminou a construção da sua casa na Rua José Estevão (hoje pertença do C.A.S.C.I.), tendo mudado o seu consultório para esta morada.
Mais tarde, a família mudou-se para o Solar dos Maias, na Rua de Alqueidão, propriedade que ainda hoje se mantém na família.

sábado, 1 de agosto de 2020

Costa Nova - Reflexo




Costa Nova - Reflexo - Pelouro do Turismo da C. M. de Ílhavo/Foto de João Menício

NÓS E OS OUTROS

Crónica de Anselmo Borges 


                       


Aí está um tema e um problema sempre presentes, pois o que há é sempre nós e os outros, vivendo e convivendo, enriquecendo-nos mutuamente ou destruindo-nos uns aos outros. A pergunta essencial é então: porque é que se passa tão fácil e rapidamente do encontro mutuamente constituinte e enriquecedor à suspeita, à luta e ataque destruidores?
Na relação sadia com o outro/outros, há dois pressupostos essenciais. Um diz a dignidade inviolável de toda a pessoa humana, independentemente do sexo, da cor, da etnia, da religião... Outro pressuposto é a tomada de consciência de que o outro é sempre outro, igual e diferente. O outro, sempre cultural, pois o ser humano é resultado de uma herança genética e de uma cultura em história, porque é, simultaneamente, tanto do ponto de vista pessoal como grupal e societal, um outro eu e um eu outro — outros como nós e outros que não nós —, é sentido constantemente como fascínio e ameaça.
Há uma visão dupla do outro, que tanto pode ser idealizado como diabolizado, mitificado positivamente ou negativamente. Atente-se na ligação entre hóspede e hostil. Assim, hospital vem do latim hospite, que significa hóspede, também em conexão com hotel. Como ser-no-mundo, o Homem é, logo na raiz, hóspede: somos hospedados no mundo. Mas a palavra está ligada também a hoste, donde provém hostil — também há o hostel. Não nos pedem à chegada a um hotel a identificação, pois não se sabe quem chega por bem ou por mal? E a fronteira, porta de entrada e de saída — em conexão com fronte: a nossa fronte somos nós voltados para os outros, mas ao mesmo tempo ela é limite, demarcação —, não é ao mesmo tempo o espaço de acolhimento e da independência a defender frente ao invasor?

sexta-feira, 31 de julho de 2020

Mês de Agosto, Mês de Férias




Daqui a momentos,  entramos em Agosto, o mês de férias por excelência. Época de praia para muitos e de serra para os que preferem a tranquilidade das montanhas, se não houver fogos florestais que geram o inferno. 
O turismo, que anima a nossa economia, não estará à altura das necessidades do país, por razões compreensíveis. Contudo, a fé de que algo vai melhorar paira no ar neste mês de Agosto, e a imaginação de cada família e de cada pessoa pode ajudar a fazer milagres, descobrindo novas formas de aliviar a cabeça de preocupações e mágoas, estabelecendo o equilíbrio, emocional e físico, tão necessário à vida de cada um e da sociedade que nos envolve. 
Porque férias não será só praia e campo, sugiro leituras, passeios sem ajuntamentos, contactos com a natureza nas suas múltiplas vertentes, envolvências em artes, visitas a museus, visualização de filmes e peças de teatro tão acessíveis a todos nas televisões, mas ainda reflexões que nos estimulem inovadoras formas de estar nas comunidades de que fazemos parte, ajudando quem está mais debilitado ou mais desanimado. 
Sugiro umas passagens pelo parque Infante D. Pedro, em Aveiro, e pelo Santuário de Schoenstatt, na Gafanha da Nazaré. 
Boas férias para todos. 

MMI celebra 83.º aniversário



No 83.º aniversário, o Museu Marítimo de Ílhavo celebra a obra de Cândido Teles, quase um preâmbulo do centenário do artista, em 2021. Nesse âmbito, a 8 de agosto, abre a exposição “Transparências da Ria e do Mar", que resulta da doação, pela família, de 121 obras do primeiro período pictórico do artista ilhavense. Nas redes sociais, o MMI lança “O Homem Tranquilo”, um projeto fotográfico de Alexandre Sampaio, que dialoga com a obra do pintor e escultor Cândido Teles, nas representações que este faz da Costa Nova. 
A 9 de agosto regressam as visitas "Sentidos de Mar", com um percurso pedestre, sobre o tema “Cândido Teles: a Costa Nova como (quase) nunca a viste…” - uma viagem que permitirá redescobrir a praia da Costa Nova pelo olhar do artista ilhavense.
As comemorações de aniversário do MMI ficam também marcadas pela oferta de uma obra, por parte da Associação Amigos do Museu de Ílhavo, que enriquecerá o espólio do Museu e que poderá ser contemplada na sessão comemorativa.

Fonte: MMI 

Incómodo dos medíocres

Texto de António Marcelino, 
que foi Bispo de Aveiro





Quando Churchill, ainda jovem, fez a sua primeira intervenção política na Câmara dos Comuns, no fim perguntou a um velho amigo de seu pai, também ele homem da política e que o tinha ouvido, o que pensava desta sua intervenção. E ele respondeu: “Mal, meu rapaz, muito mal. Devias aparecer mais tímido, nervoso, a gaguejar um pouco e meio atrapalhado… Porque foste brilhante, arranjaste, no mínimo, trinta inimigos: os medíocres, os oportunistas, os ambiciosos… Porque só pensam em si mesmos, em defender o seu lugar e em conquistar posições de relevo, sentem-se incomodados com quem tem talento e pode passar-lhes à frente. Eles vão fazer tudo para te derrubar…”
O episódio repete-se todos os dias, na política e fora dela, porque a mediocridade cresce como a erva daninha. Quem tem valor não aguenta e procura outros ares. Fora, há sempre lugar e acolhimento para os que valem. As cliques políticas, e não só elas, viciaram o ambiente, disseminaram a mediocridade e mostram que o vilão é sempre perigoso, quando tem na mão a vara do poder. De qualquer poder.
Para a máquina andar tem de se limpar toda a ferrugem que a entorpece. Haja quem tenha coragem e seja capaz, com êxito, desta difícil operação.

António Marcelino 

Publicado no CV e editado no meu blogue em 2010 

Dai-lhe vós mesmos de comer

Reflexão de Georgino Rocha 
para o Domingo XVIII do Tempo Comum


Resposta surpreendente que, vinda de quem vem, assume foros de directiva de acção. Resposta estranha dada na sequência de um pedido solícito e desabafo preocupado de um grupo de homens condoídos pela sorte da multidão. Resposta alternativa desconcertante face à evidência da situação e à previsão prudente do seu desfecho. E não era para menos! Mt 14, 13-21. 
A preocupação dos discípulos era explicável e coerente: a multidão com fome e sem alimentos de reserva nem locais próximos para os comprar; a noite a chegar e, com ela, os perigos da viagem e as restrições da lei; a paciência descontraída de Jesus, exteriormente voltado apenas para os doentes; a urgência crescente de uma solução eficaz. Por isso, decidem interceder junto do Mestre: Despede as pessoas, que arranjem de comer, que vão às aldeias onde é mais fácil comprar. Tudo muito coerente! 
Esta atitude contém a lógica embrionária do que virá a acontecer ao longo da história: a advertência lúcida de um mal eminente, o afastamento do outro e deixá-lo entregue à sua sorte, a quebra da solidariedade, o tranquilizar a consciência com o encaminhar do problema, o despedimento (até por causa justa), a satisfação sentida por haver cumprido a lei ( antes do anoitecer). Eles que se arranjem! 

quinta-feira, 30 de julho de 2020

Eça na Costa Nova



… a Costa Nova – e eu considero esse um dos mais deliciosos pontos do globo. É verdade que estávamos lá em grande alegria e no excelente chalé Magalhães.

(Eça de Queiroz Entre os seus, 
Cartas Íntimas, 15 de Julho, 1893)

Apesar de ter retardado ontem o meu jantar até às nove da noite, não pude desbastar a minha montanha de prosa. Levar as provas para os areais da Costa Nova, não é prático – ó homem prático! Há lá decerto a brisa, a vaga, a duna, o infinito e a sardinha – coisas essenciais para a inspiração – mas falta-me essa outra condição suprema: um quarto isolado com uma mesa de pinho. 

(Carta a Oliveira Martins, 1884)
:
Do livro "Imagens do Portugal Queirosiano", 
de Campos Matos, 1976 

Gafanha da Nazaré - Ria - Pôr do sol




Pôr do sol na Ria, Gafanha da Nazaré. Edição de Artur Delgado Lopes  

quarta-feira, 29 de julho de 2020

A paciência


A paciência, quando assumida, não faz mal a ninguém. Admito, até, que prolonga a vida. Há dez anos na Praia da Barra, Gafanha da Nazaré.

Estranhas sensações de um confinado

Sei, por experiência própria, que o confinamento, com as limitações que provoca, nos traz algumas angústias, por mais que queiramos fugir delas ou ignorá-las. Estamos no mundo, e disso damos graças a Deus, mas também estamos fora dele. Situação contraditória,  mas real. 
Vem isto a propósito dos amigos e conhecidos que vão morrendo, muitas vezes sem nos darmos conta e sem podermos acompanhar os familiares. Quando sabemos da partida para o seio maternal de Deus de muitos, resta-nos, pela fé que nos alimenta, evocar momentos vividos com eles. 
Ultimamente, tem crescido o número dos que faleceram. A todos os familiares, aqui fica uma palavra amiga, fruto da solidariedade que temos o dever de cultivar. 
Com alguns partilhei conversas, amizades, projetos e sonhos. E até entrevistei alguns:  







NOTA: Os seus funerais serão amanhã, 30 de Julho, às 14 horas, no cemitério da Gafanha da Nazaré. 

As avós

Eu sei que esta redação, enviada por amigo próximo, 
autêntica, ou elaborada por adulto com jeito para isto, 
tem muito de verdade. Por isso, aqui a partilho




terça-feira, 28 de julho de 2020

Agosto é mês de férias

Texto publicado neste dia há cinco anos
com oportunas alterações



Sabemos que há muitos portugueses que nem querem ouvir falar de férias. São, para eles, simples miragens. Mas haverá quem alimente e leve à prática o gosto de viver uns dias longe das rotinas do quotidiano. Contudo, para ambos os casos, ousamos avançar com algumas propostas que, minimamente, proporcionem descanso, descontração, reflexão e busca de novos desafios. 
Na certeza de que o otimismo precisa de ser cultivado e até acicatado, propomos algumas visitas, leituras, passeios e convívios, dentro das regras estabelecidas pelo Covid-19. A isto não podemos fugir. Sugerimos, no entanto, visitas a familiares e amigos doentes e conversas com filhos, netos ou com pais e avós, sem pressas, que durante o ano quase não há tempo para nada, como frequentemente ouvimos dizer.
E já agora, não perca as suas preciosas horas de lazer com programas sem nexo das nossas televisões, mas habitue-se a selecionar, em família, filmes e espetáculos que, pelo seu nível, nos enriquecem sobremaneira. O mesmo diremos das nossas rádios que têm perdido ouvintes em favor da televisão, sendo garantido que algumas mantêm programas carregados de interesse, em sintonia com dinâmicas próprias.

Outro título do PÚBLICO

«SIC põe fim a debates desportivos

Fim de programas desportivos: ex-comentadores concordam com “toxicidade” invocada pela SIC.»

Só agora é que viram isso? Mas, pelo que li, havia imensa gente que gostava das lutas tribais, em nome do desporto-rei, dizem alguns.

Titulo do PÚBLICO

«Novo Banco 
vendeu 13 mil imóveis a preço de saldo a fundo nas ilhas Caimão 

Banco vendeu e emprestou o dinheiro a quem comprou. Quem? Não se sabe. Fundo de Resolução cobriu perdas de centenas de milhões.»

Assim anda o nosso país: Sem rei nem roque. Pobre país que tal gente tem. Uns  cantando e rindo e outros cheios de fome.

Ainda o Dia dos Avós


Ontem, 27, tive a felicidade de evocar o meu avô Facica e a minha avó Briosa. O mundo, através das redes sociais, deu o alerta indispensável e eu tive ouvidos para ouvir, olhos para ler e sensibilidade para os recordar. Sou fruto concreto dos que me antecederam nos laços familiares que me geraram. Sei que depois da minha geração tudo se esvai. Outros netos lembrarão os seus avós. Para os meus antepassados todos, num encadeamento sem medida, aqui fica esta flor de um vermelho-sangue emoldurada pelo verde-esperança.

segunda-feira, 27 de julho de 2020

Manuel Rito - Um homem justo e bom

Se fosse vivo, Manuel da Silva, mais conhecido por Rito, faria hoje 100 anos. Conheci-o há muito tempo, quando ambos fizemos parte da Comissão Fabriqueira da paróquia de Nossa Senhora da Nazaré, sendo ele o responsável pela recolha dos dinheiros do peditório das missas, cujas contas apresentava nas reuniões habituais. Venho lembrá-lo por ter sido um homem bom e justo, deixando as marcas da sua personalidade nos filhos e nos amigos, mas ainda por ter sido injustamente caluniado e castigado pelos tribunais, com a indignação do povo da nossa terra. Da sua postura como tesoureiro, guardo uma frase que jamais esquecerei. Quando entregava a saca do dinheiro, exigia que fosse recontado pelos membros da comissão. E quando um dia lhe dissemos que confiávamos inteiramente nele, o Manuel Rito teve esta saída: — O dinheiro foi feito para ser contado. 
Manuel Rito, filho único, quando casou, foi viver com a esposa para a casa materna. Percebendo que o relacionamento entre mãe e esposa não era o melhor, resolveu mudar-se para casa própria. Por razões que se desconhecem, alguns vizinhos levaram a mãe do Manuel Rito a apresentar queixa contra o filho por agressão, dando origem ao natural julgamento. E o insólito, razão deste meu apontamento, está no facto de Manuel Rito ter prescindido de advogado de defesa, alegando que jamais deporia contra a sua própria mãe nem a desmentiria. E terá acrescentado: — Somente afirmo que nunca bati nem ofendi a minha mãe. 
Condenado a prisão, não contestou o julgamento, sofrendo no corpo e na alma a situação por que passou. Contudo, talvez por o juiz não poder alterar o seu despacho, foi autorizado a passar as noites em sua própria casa, apresentando-se de manhã na cadeia. E aos fins de semana até chegou a ter as chaves da cadeia para poder sair, comprometendo-se a deixá-las numa taberna que existia perto do estabelecimento prisional. 
Mais tarde, constou que a sua mãe se arrependeu do gesto irrefletido, denunciando  alguns vizinhos de a terem levado a acusar o filho injustamente.

Fernando Martins 

domingo, 26 de julho de 2020

Os meus avós

Avô Facica (Os seus olhos mostram bem que era de personalidade forte)
Maternos: Manuel José Francisco da Rocha
                 Custódia de Jesus

Paternos: Manuel Martins
                Maria de Jesus Lourenço

Evoco hoje os meus avós, sobretudo os que conheci: Manuel José Francisco da Rocha e Maria de Jesus Lourenço. Os outros faleceram sem eu os poder conhecer. O meu avô Manuel José Francisco da Rocha ficou para a minha história de vida como avô Facica, do seu apelido Francisco; a minha avó Maria de Jesus Lourenço, ficou como avó Briosa, decerto a condizer com a sua forma de se apresentar. 
A minha avó Custódia terá falecido por doença que não consegui apurar e o meu avô Manuel Martins era diabético. Terá sucumbido a qualquer ataque provocado por aquela doença, na altura de tratamento difícil. Deixou cinco filhos por criar... 
Os que conhecei, o avô Facica e a avó Briosa, trataram-me sempre com muito carinho. O avô, que morava perto de nós, passava muito tempo em nossa casa e eu percebia que alimentava uma natural ternura por mim. Um dia, teve uma atitude que me marcou para a vida: Alguém lhe pediu dinheiro ao que ele anuiu. Era preciso ir a sua casa buscar o dinheiro. E quando o interessado se dispunha a fazer o serviço, ele adiantou: — Só o Manuel Fernando é que lá vai! 
Quando o meu professor, Manuel Joaquim Ribau, passava pelas nossas casas, a pé, para a escola, o meu avô questionava-o frequentemente para saber como me comportava eu. A resposta era sempre a mesma... Ele (era eu) é bom menino. E o meu avô sorria feliz. Morreu vitimado por ataque de um assaltante, mas ainda resistiu cerca de um mês. 
A avó Briosa era, realmente, duma simpatia extrema. O seu rosto mantinha-se permanentemente sorridente. Nunca me lembro de a ver carrancuda. Um dia a minha mãe adoeceu dos pulmões e ficou acamada. O médico aplicava-lhe um tratamento especial para a época: ventosas nas costas... E foi a avó que passou a fazer esse serviço, durante uns tempos, ajudando também nos serviços de casa.
Recordo-os vezes sem conta, porque souberam sensibilizar-me positivamente para a vida, com o exemplo de dedicação e amor à família. 

Fernando Martins

Quem foi Frei Mateus Peres, O.P.?

Crónica de Bento Domingues
no PÚBLICO

 Frei Mateus Cardoso Peres (1933-2020) FOTO: ORDEM DOS PREGADORES


"Figura internacional da Ordem dos Pregadores, Frei Mateus Cardoso Peres (1933-2020) foi membro activo de um grupo de grande relevo na renovação do catolicismo português e é um dos teólogos de contribuição mais original na renovação da teologia moral na Igreja portuguesa no pós-Concílio Vaticano II."


1. A crónica projectada para este Domingo – a última antes das férias – inspirava-se numa passagem bíblica do Primeiro Livro dos Reis. É muito bela. Salomão reconhece os seus limites para ser um bom governante. Pede a Deus um coração cheio de entendimento para governar o Seu povo, para discernir entre o bem e o mal. Esta oração agradou ao Senhor, que lhe disse:
“Já que me pediste não uma longa vida, nem riqueza, nem a morte dos teus inimigos, mas sim o discernimento para governar com rectidão, vou proceder conforme as tuas palavras: dou-te um coração sábio e perspicaz, tão hábil que nunca existiu nem existirá jamais alguém como tu.” [1] Quem dera que não só D. Trump e Bolsonaro, mas muitos outros governantes, renunciando ao espírito de dominação, fossem guiados por um coração sábio, perspicaz e hábil!
Quando ia começar a crónica deste Domingo, tive de mudar o seu rumo. Morreu, na passada segunda-feira, um confrade do Convento de S. Domingos que nos acolhe, o Frei Mateus Cardoso Peres (1933-2020). Pelo muito que lhe devo, vou deixar, aqui, algumas palavras de agradecimento.

sábado, 25 de julho de 2020

Paz entre as religiões, paz entre as nações

Crónica de Anselmo Borges 


1) A Basílica de Santa Sofia, em Constantinopla (Istambul), inaugurada pelo imperador Justiniano no século VI e dedicada a Cristo, Sabedoria de Deus, foi durante quase mil anos o maior templo cristão, impondo-se pela sua beleza e majestade. Muitos que lá entraram e contemplaram a cúpula, com 55 metros de altura e 30 de diâmetro, e o Cristo Pantocrator a olhar do alto disseram ter feito uma experiência do Céu.
A sua história tem sido atribulada. Foi realmente durante quase um milénio (537-1453) o santuário mais significativo da cristandade; a seguir ao Grande Cisma (1054), tornou-se a igreja mais importante dos cristãos ortodoxos, que os católicos, no tempo das cruzadas, conquistaram e dominaram (1204-1261); depois, durante quase 500 anos (1453-1931), tornou-se, com a conquista de Constantinopla, a mesquita "imperial" mais importante do islão, tendo Constantinopla passado a chamar-se Istambul, pois era tal o esplendor e a força de Constantinopla que não se dizia "ir a Constantinopla" mas "ir à cidade" (em grego: eis tên polín). Em 1931, depois da dissolução do império otomano, Mustafá Kemal Atatürk, fundador da Turquia moderna, como sinal da laicidade do Estado, dessacralizou-a e transformou-a num "museu oferecido à humanidade", aberto ao público em 1935 já com os vitrais e os ícones cristãos, que tinham sido cobertos com gesso, porque o islão proíbe as imagens, e, em 1985, declarado património mundial da Humanidade pela UNESCO. O actual presidente da Turquia, Recep Erdogan, decretou, no passado dia 10, que voltasse a mesquita, recomeçando a ser lugar de oração a partir de ontem, dia 24. Entretanto, o governo turco assegurou que terá os mosaicos com imagens cristãs tapados durante as orações e que continuará aberta ao turismo, nacional e estrangeiro, com entrada gratuita (até agora, as visitas rendiam 50 milhões de euros anuais).

sexta-feira, 24 de julho de 2020

Ouvir com o coração

Crónica de Flausino Silva 
publicada no "Correio do Vouga"


No passado dia 11 celebrou-se o dia de São Bento, Padroeiro da Europa. São Bento de Núrsia, assim referido por ali ter nascido no seio de uma família abastada, exerceu, com a sua vida e a sua obra, uma influência fundamental no desenvolvimento da civilização e da cultura europeias.
Tendo fundado uma das maiores ordens - a Ordem dos Beneditinos -, São Bento de Núrsia foi o criador de um dos mais importantes e utilizados regulamentos de vida monástica, a Regra de São Bento, autêntico compêndio de prática de vida e de espiritualidade.
Num tempo em que se fala tanto da Europa por múltiplas e menos boas razões - pandémicas, económicas, sociais, migratórias e políticas - em que se pressente o ressurgimento e o regresso a egocentrismos nacionalistas e populistas, falar da vida e da importância de São Bento é uma ousadia.
Temos sido fustigados, desde há anos a esta parte e mais intensamente nos últimos tempos, por insidiosas ideias, princípios e decisões de índole secularista, rejeitando toda a influência da Igreja na esfera pública, empurrando-a para dentro dos templos e confinando os assuntos religiosos à esfera privada dos indivíduos.

Cheio de alegria, agarra-se ao tesouro

Reflexão de Georgino Rocha 
para o Domingo XVII do Tempo Comum

Parábola do Tesouro Escondido - Rembrandt
"Feliz o homem que tem a sorte de achar o tesouro da sabedoria e, 
ainda mais feliz, se o mantiver, fizer crescer e irradiar"

Atitude decidida e coerente, fruto de um coração inteligente e de uma vontade determinada. Atitude assumida com firmeza pelo homem que passa no campo e sente o seu olhar “golpeado” pelo brilho de um tesouro. Atitude emblemática de tantas outras que, ao longo dos dias, somos chamados a considerar e fazer nossas. Mt 13, 44-52.
O homem da parábola concentra todas as energias na realização da maior aventura da sua vida: obter a preciosidade vislumbrada. Definida a meta dos seus desejos, reorganiza e reordena todas as suas rotinas, reelabora a sua escala de valores, redimensiona a distribuição do tempo. Nestas diligências, sente o seu ânimo transbordar de alegria e toma decisões arriscadas.
Por isso, prossegue sem demora o seu plano de acção: pôr a salvo o tesouro descoberto, desfazer-se dos bens a fim de conseguir a importância indispensável à compra, adquirir o campo onde está o achado. Em todo este processo, uma confiança revigorante galvaniza as suas forças anímicas e energias espirituais.

quinta-feira, 23 de julho de 2020

Maria João Pires celebra aniversário



Evoco hoje, 23 de Julho, dia do seu aniversário, a pianista Maria João Pires, porventura a maior pianista portuguesa do século XX. Nem sempre compreendida, é bom saber que foi uma menina prodígio, como pode ser lido na bonita história, cuja leitura recomendo. 

quarta-feira, 22 de julho de 2020

VIVA A RIA




Viva a Ria, pois então... Na hora do descanso... 13 horas, mais minuto menos minuto. Logo mais, pela fresquinha, será muito diferente.

terça-feira, 21 de julho de 2020

Chaves - Ponte romana com ou sem carros?

Doze anos depois, 
ponte romana de Chaves voltará a ter carros? 
Os cidadãos vão votar 



Tribunal Constitucional já deu luz verde para a realização de um referendo local. Ponte romana pedonalizada em 2008 poderá voltar a receber veículos ligeiros? Os flavienses vão decidir no dia 13 de Setembro... Li no PÚBLICO.

NOTA: Não tem conta o número de vezes que passei por esta ponte com séculos de história. De pé e de carro, lendo com alguma frequência a inscrição que atestava a sua vetusta idade. E depois procurei saber um pouco mais da presença dos romanos por aquelas bandas. Já lá vão muitos anos, também, sem possibilidades de voltar a uma terra onde, com toda a família, fui muito feliz. 
Apesar deste relacionamento com Chaves, desconhecia que a ponte estava vedada ao trânsito automóvel, decerto por razões de segurança, mas ainda por respeito à sua idade.Os flavienses saberão decidir para bem de todos. 

Tarde de inverno


Em maré de recordações, passeio de moliceiro, numa tarde de Inverno, 2008.

Prémio Gulbenkian para Greta Thunberg


A ativista sueca Greta Thunberg venceu a primeira edição do prémio Gulbenkian para a Humanidade, no valor de um milhão de euros. A jovem sueca foi escolhida entre 136 nomeações (correspondendo a 79 organizações e 57 personalidades) provenientes de 46 países.
O prémio será aplicado pela Fundação Thunberg em projetos de combate à crise climática e ecológica, de forma a ajudar os que enfrentam os piores impactos desta crise, particularmente a sul. 
O presidente do Grande Júri deste Prémio, Jorge Sampaio, sublinhou que a adolescente sueca "conseguiu mobilizar as gerações mais novas para a causa do clima” e que “a sua luta tenaz por mudar um status quo que teima em persistir, que fazem dela uma das figuras mais marcantes da atualidade”. 
O nosso aplauso para a vencedora.

Li no Jornal i

UE - Acordo ao fim de cinco dias


Ao fim de cinco dias, os 27 chefes de Estado e governo da União Europeia aprovaram, esta terça-feira, um pacote global de 1,8 biliões de euros para apoiar a recuperação da actividade, paralisada pela pandemia do novo coronavírus, e promover a transformação da economia num sentido mais verde, inclusivo e digital. Assim li no PÚBLICO

Também o Presidente da República saudou esta manhã em Madrid o histórico resultado do Conselho Europeu, que esta madrugada terminou em Bruxelas.

NOTA: Vamos acreditar que os estados da UE, a começar pelo nosso, vão ser capazes de gerir a fatia dos milhões disponibilizados, de forma a poderem promover a recuperação económica que todos  desejam. 


E voltou a chuva...


E voltou a chuva com a sua tristeza. Faz falta para dar vida aos jardins e campos agrícolas, é certo, mas ainda não tínhamos verdadeiramente aquecido neste Verão. Vamos então esperar que, depois da rega, a vida possa sorrir aos veraneantes. Continuação de boa semana.

Mudar de vida


Tenho andado com vontade de mudar de vida. O confinamento acorda-me para essa necessidade. Então, vem à tona da razão a pergunta: — Mas que fazer e como fazer? 
Penso um pouco, imagino-me a caminhar pelas ruas da Gafanha à cata de assuntos...  e não registo nada de jeito. O mesmo casario com poucas inovações dignas de nota... as ruas, como teia de curvas e contracurvas sem avenidas dignas desse nome, os mesmos rostos fechados, apressados e tensos. Paro e encosto-me à bengala para sentir o calor que veio forte e depressa se escapou... e dou por mim a caminho do ponto de partida, desolado por nada de nobre ter achado. 
Com quem me cruzo, a maioria, garantidamente, já nada diz... e não me diz nada. Vivos com cara de enterro, em jeito de quem procura horizontes de futuro que tardam. Não alimento nem proponho pessimismos. E concluo que o culpado de tudo está no medo em que me sentei pensativo. Amanhã será diferente. Depois direi. 

Fernando Martins

segunda-feira, 20 de julho de 2020

Bolero de Maurice Ravel




Para uns minutos de puro deleite...

Painéis de São Vicente


Os Painéis de São Vicente estão a passar por uma intervenção de restauro. Carregados de mistérios, continuam a suscitar interesse e pode ser que alguns enigmas venham a ser esclarecidos. Foram concluídos por Nuno Gonçalves em 1470. 

domingo, 19 de julho de 2020

Igreja fora de portas

Crónica de Bento Domingues 
no PÚBLICO


De modo inesperado, surgiu Bergoglio 
de fora de portas da Roma imperial e não se instalou no Vaticano. 
Com ele nascia a Igreja de saída, a Igreja fora de portas.

1. A palavra igreja é uma complicação. Começou por significar, no grego profano, assembleia política do povo. No grego bíblico, a palavra traduz diversos termos hebraicos e foi a preferida para designar as comunidades cristãs. Era nesse sentido que se dizia: a Igreja que está em Jerusalém, em Antioquia, em Éfeso, etc. [1].
Eram comunidades que reconheciam, em Jesus de Nazaré testemunhado pelos seus discípulos, o Caminho que alterava todas as dimensões da vida humana.
Jesus nasceu e cresceu num judaísmo de várias tendências. Quando se tornou adulto, depois de tentar seguir o caminho reformista de João Baptista, teve uma experiência espiritual de tal intensidade que mudou radicalmente o rumo da sua vida [2]. Pelas suas atitudes, gestos e parábolas introduziu uma revolução radical, teológica e antropológica, no judaísmo em que tinha sido formado. 
Deus tinha sido metido na prisão das prescrições religiosas que, por sua vez, escravizavam os mais pobres e doentes através das suas intermináveis e sofisticadas interpretações. O Nazareno tentou destruir toda aquela casuística mediante duas evidências soberanas: Deus não quer sacrifícios, quer misericórdia; o Sábado – o dia sacralizado do judaísmo – é para o ser humano e não o ser humano para o Sábado.

sábado, 18 de julho de 2020

Dia Internacional Nelson Mandela

Há 10 anos publiquei:

Mandela merece distinção da ONU



«Nelson Mandela celebra, este domingo, 92 anos. A África do Sul e o mundo juntam-se nas celebrações daquele que é também o Dia Internacional de Nelson Mandela.
Um grupo de crianças viajou desde a terra natal da família de Mandela até Joanesburgo para felicitar o antigo presidente sul-africano e Prémio Nobel da Paz.
A sua debilidade física exige que passe o aniversário em casa e rodeado pela família.
Entretanto,  o mundo celebra pela primeira vez o dia de Nelson Mandela. A ONU instituiu de forma inédita esta distinção, pelo contributo de Mandela na criação da paz e liberdade.
Mandela dedicou 67 anos à vida política, passou 27 na prisão, vítima do regime racista do país. Quando saiu em liberdade tornou-se o primeiro presidente negro do país e colocou fim ao Apartheid. Afastado da vida pública, há seis anos, surgiu recentemente na cerimónia de encerramento do Campeonato do Mundo de futebol.»

Ver aqui

Desconfinar a Igreja. 4

Crónica de Anselmo Borges 



1. Também se aplica à Igreja, e compreende-se que de modo particular à Igreja, tantas são as expectativas em relação a ela: dá-se eco, sobretudo nos média, ao que é negativo, aos erros, crimes, escândalos... Quem pode negar tudo isso? Mas o que a Igreja fez e faz de positivo é mais: promoção das pessoas, combates pela sua dignificação, infindáveis iniciativas de caridade e cultura... Também agora, nesta calamidade pandémica. Quantos políticos portugueses, se quiserem ser honestos, terão de estar de acordo com as palavras do alcaide de Madrid, José Luis Martínez Almeida: “A acção da Igreja foi fundamental, como o é na vida quotidiana.” 
Neste contexto, perdoe-se esta nota: quando a ecologia tem de ser um elemento essencial na viragem, o Vaticano dá o exemplo: instalou no edifício da Aula Paulo VI painéis solares, promove o uso de veículos eléctricos, eliminou o uso de pesticidas tóxicos nos jardins... 
Mas a dívida maior para com a Igreja, apesar da e no meio da sua história de miséria, é que através dela o Evangelho foi sendo anunciado, e o Evangelho está na base da tomada de consciência da dignidade inviolável da pessoa e foi fermento que levou à proclamação dos Direitos Humanos. 

Um encontro de família





Tínhamos programado para o domingo que passou ficar por aqui no cumprimento das leis do confinamento, assumindo essa realidade como aconselhável ou até obrigatória. Alguém telefona, entretanto, a sugerir um almoço em comum, sem esquecer as regras impostas pelo bom-senso do distanciamento. Anuímos e assim aconteceu. Antes, porém, demos voltas à cabeça a pensar na melhor forma. O problema estava no modo de almoçar sem temores. E a solução, afinal, até foi fácil: fora de casa, sim senhor, até porque temos um relvado adequado à situação. Transmitida a ideia e tudo correu bem, graças a Deus. Consideramos que o difícil até se pode tornar fácil. Foi o que aconteceu. 
Vem isto a propósito da necessidade que temos de reunir a família, de estar em família a conviver, a partilhar alegrias e alguns problemas, a degustar uns petiscos, a trocar impressões sobre o dia a dia de cada um e  sobre projetos realizados ou idealizados, a contar histórias de outros tempos, a reviver momentos agradáveis, a olhar e sorrir sobre tudo e quase nada... a falar... falar... falar. 
O coronavírus lá vinha à baila com a forma de o evitar, se é que tal é mesmo possível, sobre a maneira de se fugir de ambientes duvidosos... e assim se passou o tempo. Sentados por aqui e por ali, usufruímos da sombra do pinheiro e da nogueira, não faltando um ventinho que lavava o ar que íamos respirando. E tenho para mim que o Covid-19 não encontrou ambiente propício para nos estragar a vida. As famílias não podem descurar os convívios e os encontros, sob pena de se perder a riqueza da unidade e da proximidade, fundamental no amor. 
Bom fim de semana.

F. M. 

sexta-feira, 17 de julho de 2020

O mundo que temos


Temos andado por aqui (e por todo o mundo) incomodados com a pandemia, que mata, mete medo, leva à falência inúmeras empresas, gera desemprego, alimenta a lista dos que passam fome, deixa vazios os cofres do Estado que pode cair na bancarrota, não se cansando os órgãos da comunicação social de darem conta detalhada das dificuldades que teremos de enfrentar. De repente, tudo se volta para um treinador, Jorge de Jesus, que vem ganhar por ano uns quatro milhões de euros... num grande clube, o Benfica. O que referi antes passou  a segundo plano. O importante é a mais-valia do conhecido treinador. Dinheiro meu não será, mas permitam-me este desabafo.