domingo, 22 de janeiro de 2012

COUTO DE ESTEVES, UMA ALDEIA COM RAÍZES HISTÓRICAS



Pelourinho



Casas de pedra




Leilão à sombra do cruzeiro.Ao fundo a Casa da Cultura


Hoje tive o privilégio de estar umas horas em Couto de Esteves, no concelho e arciprestado de Sever do Vouga. Trata-se de uma aldeia antiquíssima, que já foi sede de concelho, como o atesta a sua história. Presentemente tem cerca de 900 habitantes.
Já conhecia Couto de Esteves desde o tempo em que por lá andei, há uns 40 anos, em tarefas de apoio cultural a cursos de adultos de alfabetização e em animação de bibliotecas populares.
Nesta visita, promovida pela Diocese de Aveiro, no âmbito da celebração do Dia do Diácono Permanente, com o objetivo de dar a conhecer ao Povo de Deus a ação dos diáconos na Igreja Católica, mostrando, por outro lado, a realidade das comunidades que constituem, concretamente, a Igreja Aveirense, revi uma aldeia asseada, bem enquadrada pela floresta e pelo Vouga. Casas de pedra, limpeza nas ruas por onde passei, vestígios do seu passado que remonta ao século XII, pois foi em 1128 que Couto de Esteves recebeu, de D. Afonso Henriques e de sua mãe, D. Teresa, Carta de Foral.
Como concelho, albergou na sua jurisdição Arões, Junqueira, Rocas do Vouga e Ribeiradio, para além da própria povoação de Couto de Esteves. O concelho foi extinto em 1836.


TECENDO A VIDA UMAS COISITAS - 274


PITADAS DE SAL – 4 



O NEGÓCIO ESTAVA FEITO 

Caríssima/o: 

«O dia já clareava francamente. A carreira das sete já tinha passado por eles há algum tempo. Tivessem uns tostões e esta caminhada poderia ser evitada, mas a carreira era para os ricos, não para gente como eles. 
O pai não lhe tinha dito ao que vinham. Para ele era igual. Antes ali que andar a roçar mato para o ti Antunes, esse velho forreta que nem broa dava que chegasse para a cova de um dente. 
Já tinha vindo a Aveiro uma vez. Foi numa ocasião, por alturas de uma feira, há três ou quatro anos. Tinha andado a apanhar batatas novas para um homem lá da terra e este, à noite, trouxe-os de camionete para ver a feira. E ainda pagou umas farturas e umas garrafas de vinho verde. Foi o que se chama uma noitada! Nos carrosséis não andou, que não tinha dinheiro, mas nunca tinha visto tanta luz, tanta gente e tanta coisa bonita como naquele dia. Até viu as motas do Poço da Morte e o Comboio Fantasma. De arrepios!! 

RESPOSTA IMEDIATA AO CONVITE FEITO

Uma reflexão de Georgino Rocha



É impressionante a prontidão dos convidados. A sua resposta fica como referência exemplar da atitude de quem é chamado. A sua disponibilidade indicia uma liberdade interior capaz das maiores ousadias. A sua confiança tem apenas como alicerce a força persuasora de quem lhes faz o convite. E deixando tudo, imediatamente O seguiram!
Jesus vive uma “hora” complexa. A prisão de João Baptista não augura nada de bom. Risco semelhante pode correr em qualquer momento. É tempo de pensar no futuro e começar a preparar as suas bases, desde já. Caminha à beira-mar e vai sonhando. Olha a grandeza e o encanto do ambiente que o rodeia: o azul sereno do céu espelhado nas águas, a brisa marítima suave que lhe afaga o rosto e faz agitar os cabelos, o ruído que vem da faina da pesca de uns homens que diligentemente lançam as redes. Vê nesta ocorrência a possível solução e a desejada oportunidade: Iniciar “a pesca de homens” a quem, mais tarde, entregaria a sua missão. Entretanto, andariam consigo, veriam o que fazia, estabeleceriam laços de comunhão fraterna, tentariam compreender os ensinamentos e, sobretudo, beneficiariam do seu estilo de vida itinerante, sóbrio e confiante em Deus-Pai. “Habilitavam-se”, tanto quanto pudessem, para o serviço a realizar.

sábado, 21 de janeiro de 2012

POESIA PARA ESTE SÁBADO






Fonte: caderno Economia do EXPRESSO

UNIDADE NO CERTO, LIBERDADE NO DUVIDOSO E CARIDADE EM TUDO



Unidade no certo, liberdade no duvidoso e caridade em tudo. Estes princípios, repetidos até à exaustão, sobretudo durante a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, são fundamentais nas vivências entre todos os que aceitam Jesus Cristo como Mestre e Salvador. O movimento ecuménico não é recente. Em 1895, Leão XIII tomou a iniciativa de propor uma novena de oração pela reconciliação dos cristãos, gesto que foi repetido até ao nossos dias, tanto por proposta da Igreja Católica como de outras Igrejas cristãs.

O ECUMENISMO E ASSIS

Um artigo de Anselmo Borges 



Não creio que haja guerras exclusivamente religiosas, já que estão sempre presentes outros interesses: económicos, políticos, geoestratégicos, instinto de sobrevivência e expansão. De qualquer forma, é uma vergonha que em nome de Deus se tenha derramado e continue a derramar tanto sangue, a exercer tanta violência e a espalhar tanto sofrimento. Esta é a verdadeira blasfémia.
Esta vergonha vem à consciência concretamente nestes dias (18-25 de Janeiro) dedicados ao diálogo ecuménico entre as diferentes Igrejas e confissões cristãs, na chamada Semana da Unidade dos Cristãos.
O ecumenismo - a palavra vem do grego oikuméne, com o significado de Terra habitada: o Homem é, por natureza, ecuménico, universal -, enquanto movimento para alcançar a união dos cristãos, teve início no princípio do século XIX, mas, oficialmente, inaugurou-se com a Assembleia de Edimburgo em 1910. No entanto, só em 1948 se realizou em Amesterdão a primeira Assembleia Geral do Conselho Ecuménico das Igrejas, e a Igreja Católica só fez a sua conversão ecuménica profunda no Concílio Vaticano II (1962--1965), cujo cinquentenário se celebra este ano.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

À BOCA DA BARRA DE AVEIRO




Perto da boca da barra, em frente ao Farol, com mar calmo, o barquinho resolveu descansar depois da viagem. O navegador está decerto a programar nova partida. À espera de vento, ali bem perto do areal, numa manhã clara que propicia sonhos de novas terras e de outros mundos que o oceano banha. Quem me dera poder navegar, sem medo e sem perigo, sem destino certo e com horizontes a perder de vista.

ABUSOS SEXUAIS EM CONGRESSO NO VATICANO






Nota: na Página 1 da RR

Apenas 56% dos portugueses consideram a democracia o melhor sistema político

Mal vai a democracia se assim é...

«Apenas 56% dos portugueses consideram a democracia o melhor sistema político. Um estudo realizado para o barómetro da Qualidade da Democracia e divulgado pelo Público demonstra que a percepção da Democracia em Portugal aponta para uma “desconsolidação” deste sistema político.
Em reacção ao resultado do estudo, o sociólogo Luís de Sousa, um dos autores do estudo, refere que este indicador dá conta de que “a democracia vai reduzir qualidade de desempenho”.
O investigador admite que este resultado “é um sinal de insatisfação e a insatisfação em democracia até é útil”, sublinhando que “o problema é saber até quando é útil e a partir de quando causa desgaste”.
Como exemplo de desgaste da Democracia em Portugal, Luís de Sousa aponta as recentes “manifestações de militares e os atropelos dos direitos constitucionais”.
Para António Costa Pinto, outro dos autores do estudo, “há imensas democracias consolidadas que convivem com descontentamento, o problema é saber gerir isso”.»

Li aqui

Neste dia de 1923 nasceu Eugénio de Andrade

Eugénio de Andrade

«A 19 de Janeiro de 1923, nasce, na Póvoa de Atalaia (Fundão), o escritor português Eugénio de Andrade. Como reconhecimento pela sua notável obra poética, traduzida para diversas línguas, foram-lhe atribuídos inúmeros prémios literários, tanto em Portugal como no estrangeiro, tendo ainda sido agraciado, pelo governo português, com o grau de Grande Oficial da Ordem de Santiago da Espada e a Grã-Cruz da Ordem de Mérito. Escreveu, também, diversos livros para crianças.»

Li aqui

AS AMORAS

O meu país sabe a amoras bravas
no verão.
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar nas silvas.
Raramente falei do meu país, talvez
nem goste dele, mas quando um amigo
me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é azul.

Eugénio de Andrade

Otelo insiste no golpe de estado


«Otelo Saraiva de Carvalho insistiu hoje que o desagrado popular pode conduzir a um golpe de Estado pelos militares, mas, reconhecendo não haver condições para isso, admite que dependerá dos efeitos da nova lei geral do trabalho.
(...)
«Quanto ao teor das suas declarações, que já provocaram polémica por serem entendidas como um apelo ao tumulto, o 'militar de Abril' defende que a 'Revolução dos Cravos' teve como um dos seus objectivos garantir-lhe precisamente esse direito: "O de poder dizer as alarvidades que eu quiser, porque o que eu digo é a minha opinião e, num país livre, eu não posso ser condenado por expressá-la".»

RUMO PARA UMA RENOVAÇÃO NECESSÁRIA


Um artigo de António Marcelino

«O Papa traçou para a Igreja o caminho do Concílio: na fidelidade a Deus, unir e não separar; acabar com condenações; marcar uma presença no mundo, inspirada no amor e conduzida pelo diálogo, nunca desprezar este mundo, das pessoas e da natureza criada, antes ver nele a antecipação de Deus, que o criou e viu que era bom e repleto de beleza. Esta dimensão nova, proposta à Igreja, gerou uma expectativa não esperada, por parte de muitos, mesmo não cristãos.»

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Desenvolvimento local ao nosso alcance

Um artigo de Acácio Catarino


Foi afirmado, no artigo anterior, que o desenvolvimento local está ao alcance de qualquer população e não implica grandes despesas. E adiantou-se que, para a respectiva concretização, bastariam: «Uma comissão promotora; um núcleo executivo; animadores socioeconómicos; comissões sectoriais e de zonas geográficas, quando necessárias; e, eventualmente outros tipos de agentes. Tudo isto se pode garantir através de dezenas de pessoas, em cada freguesia, mas também através de um número mais baixo, porventura inferior a dez. As opções dependem da dimensão da freguesia, bem como das características da sua população, sobretudo no que respeita a motivações para a participação no processo de desenvolvimento local.

CORTE DE FERIADOS




Fonte: RR

Vaticano II: textos conciliares


No dia 25 de dezembro passaram 50 anos da publicação da constituição apostólica “Humanae salutis”, na qual o papa João XXIII convocaria o Concílio Ecuménico Vaticano II para 1962. O encontro terminaria a 8 de dezembro de 1965 mas as suas implicações na vida da Igreja Católica permanecem atuais meio século depois.

O Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura recorda excertos dos documentos conciliares.

Aventuras de um boxer

Um texto de Maria Donzília Almeida

Antes de... 

Antes de a dona o ter posto fora de casa, 
ele dormia a sesta na espreguiçadeira 
e a noite num sofá! Era um lorde!

Depois... foi dormir para a estufinha das plantas, 
onde a dona colocou a alcofinha, mas ele prefere dormir nas bicas! 
Coisas de cão orgulhoso!



Enjeitado

Por alguns sou rejeitado.

Pela m’nha dona preterido. 
Mas qual será o meu fado...
Um cão que já foi tão querido! 

Ão, ão... p’ra todos, um ano bom! (com sotaque tripeiro). Há muito que não dou um ar da minha graça, mas agora é que estou, sem graça nenhuma! Ando mesmo acabrunhado, a pensar nesta vida de cão, que passei a ter de há uns dias para cá. Antes, tinha uma vida de lorde e todos os cães vadios, que deambulavam pela rua, me invejavam! Antes, dormia na torre do castelo, sossegadinho da vida, confortável, quentinho e com um edredon de penas a aconchegar-me! Agora durmo na estufa das plantas, a coberto da geada, sim, mas bem junto da caruma e dos vasos arrumados a um canto. Ando triste! Quase ia parar às masmorras... alagadas de água no inverno, como o forte de Peniche! Não chegou a tanto, a crueldade desta amiga de Pen----

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

IGREJAS A SAQUE: UM FLAGELO QUE NOS COMPETE TRAVAR

Um artigo de Sandra Costa Saldanha





Os furtos em templos católicos constituem, de longa data, um dos mais preocupantes delitos cometidos contra o património cultural da Igreja. Ampliadas as chamadas de atenção, no sentido de serem reforçadas medidas preventivas e meios de defesa adequados, a verdade é que algumas rotinas elementares de segurança permanecem descuradas. A implementação de um simples registo cadastral, por exemplo, continua por fazer em inúmeras igrejas.
Face à dimensão do problema, muitas são as dioceses que optam por retirar dos seus templos os objetos mais valiosos. No entanto, fechar igrejas ou encarcerar as peças, contrariando a sua vocação original, não pode constituir, em circunstância alguma, uma solução de salvaguarda aceitável.

Rodrigo Leão no Centro Cultural de Ílhavo


Sábado, 21, 22 horas

“Um dos mais inspirados compositores do mundo!”, afirma o realizador espanhol Pedro Almodóvar.
Rodrigo Leão é um dos mais importantes compositores  do nosso país e «A Montanha Mágica» é o seu novo  disco, editado em novembro de 2011, diretamente para  1.º Lugar no Top de Vendas nacional.
Música poderosamente evocativa, canções para as  palavras que se trazem no pensamento e que só cada  um de nós ouve, esta é a proposta de Rodrigo Leão  para um concerto que se adivinha a todos os títulos  extraordinário. Nova música, novo álbum, mas a magia e  a sofisticação de sempre garantida pelo génio particular  de Rodrigo Leão, com a ajuda de Viviena Toupikova,  Bruno Silva, Carlos Tony Gomes e Rui Vinagre (cordas)  e Celina da Piedade (acordeão)

DOURO FABULOSO




NOTA: Imagens que hoje recebi, com outras, da região do Douro.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

SEMANA DE ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS




Fonte: NA Página 1 da RR

ENGUIAS DE AVEIRO, UM EX-LÍBRIS A PRESERVAR






A Universidade de Aveiro vai desenvolver trabalhos técnicos no âmbito do projecto “Enguias da Ria de Aveiro, um ex-líbris a preservar. Biologia, sanidade e pesca”. Trata-se de uma ação promovida pela CIRA, que visa "analisar a evolução da distribuição e abundância da enguia na Ria de Aveiro, determinando a produtividade ecológica como base para a boa gestão da pesca, a fim de serem efetivadas as diligências necessárias à certificação da enguia como produto de qualidade inequívoca e assegurada".
Tantas especialidades gastronómicas já mereceram a honra da certificação, mas, afinal, as nossas enguias ainda estão à espera. Pode ser que desta vez elas venham a ocupar o lugar a que têm direito.

CLARA FERREIRA ALVES: O ASSALTO À EDP

PARA QUEM AINDA NÃO LEU




domingo, 15 de janeiro de 2012

AS JANEIRAS NA GAFANHA DA NAZARÉ







Hoje foi noite de receber as Janeiras na Gafanha da Nazaré. O grupo que passou pela minha casa e cantou era formado por membros do Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré. Respeitaram a tradição tocando e cantando melodias que estão no ouvido de muita gente, sobretudo da mais idosa.
Sempre gostei de respeitar as boas tradições e isso passa por receber quem as preserva e divulga, apesar da chuva que na altura caía e do frio que se fazia sentir.
O fundador e diretor do Grupo, Alfredo Ferreira da Silva, formulou votos de bom ano, prometendo voltar em 2013, apesar dos seus 81 anos. Afinal, a sua idade não o impede de exibir uma juventude que é exemplo para muitos jovens que envelhecem prematuramente, sem honra nem glória.

ANA MARIA LOPES HOMENAGEADA PELO LIONS




NOTA: No Diário de Aveiro de hoje

PÚBLICO: Crónica de Bento Domingues

(Clicar na imagem para ampliar)

TECENDO A VIDA UMAS COISITAS - 273


PITADAS DE SAL - 3 



OS MARNOTOS DA GAFANHA 

Caríssima/o: 

Já tanto se tem escrito sobre esta figura, agora quase lendária, que pouco sobra para mim. 
João Pedro Marnoto, no seu blogue, registou: 

«O marnoto é o trabalhador que nos meses entre a Primavera e o final do Verão se dedica às salinas, ou marinhas — como se diz na gíria em Aveiro —, na produção de sal. Encher e remexer os tabuleiros com água nova, quebrar e puxar o sal após a cristalização e carregar o sal em canastras pesadas sobre a cabeça é o ofício do marnoto, que trabalha de corpo robusto e queimado pelo sol intenso. Às vezes, só de cueca.» 

Nos desdobráveis turísticos lá vem: 

«O marnoto é o tradicional trabalhador das salinas, acompanhante de todas as actividades que elas exigem, dos meados da primavera ao final do outono; Era por regra bronzeado do sol de verão, vestia camisa de lã branca sobre a qual usava, em volta do pescoço, um lenço de cor vermelha preso com uma caixa de fósforos, enquanto na cabeça se protegia com chapéu preto de feltro com abas largas; Para baixo, vestia bragas ou calções largos de cor azul em algodão, aos quais chamavam manaias. ... é caracterizado por ser uma figura de braços hercúleos, traços morenos e pele bastante bronzeada pelo sol devido às actividades desenvolvidas nas salinas, ... Apresenta mãos calejadas dos remos e pés endurecidos pelos cristais do sal.» 

E o nosso João Magueta acrescenta como bom conhecedor: 

«... limpar a marinha e prepará-la para uma produção de qualidade, rer e transportar o sal, à cabeça, numa canastra, até ao cocuruto do monte, debaixo de um sol escaldante, sete dias por semana. Não havia domingos, nem feriados, nem dias santos. Folgas, só quando chovia, mas nem assim podiam abandonar as salinas, porque um ou outro temporal podia fazer estragos, exigindo pronta reparação.» 

VINDE VER, RESPONDE O MESTRE

Um artigo de Georgino Rocha


Esta resposta é, no mínimo, surpreendente, mas profundamente apelativa. É dada por Jesus de Nazaré aos discípulos de João Baptista que seguiam no seu encalço e lhe haviam feito a pergunta crucial: Mestre, onde moras?
Os discípulos, pescadores de profissão e habituados a arriscar, vão, vêem e ficam. E em consequência, desencadeiam um dinamismo vocacional digno de registo.
A resposta de Jesus, embora situada no tempo, é dirigida a todos os que buscam sinceramente algo ou alguém que a sua consciência pede de formas diversificadas. De facto, que procuramos na vida? Tem sentido o que fazemos? Se reservássemos uns instantes para “balanço”, que saldo positivo verificaríamos? Estamos a atender o que é prioritário e se enriquece à medida que a vida desliza ao longo dos anos?

sábado, 14 de janeiro de 2012

Av. José Estêvão da Gafanha da Nazaré: 60 anos separam as duas imagens


A mesma avenida, com 60 anos a separar as duas imagens. A de cima exibe o seu traçado rectilíneo e quase sem casas a  ladeá-la. A segunda, que me foi remetida ontem pelo Ângelo, mostra claramente uma zona urbana, onde o casario tem lugar de destaque. Quase nem distinguimos a avenida, hoje chamada José Estêvão. As fotos foram tiradas da torre da igreja matriz. Como a vida se desenvolveu e tudo se alterou! 

Efeméride: Um século da igreja matriz

14 de janeiro de 1912


A nossa igreja matriz completa hoje um século. Foi inaugurada, segundo rezam as crónicas, neste dia, mas há 100 anos. Recordei aqui.

Um poema para este sábado




Grandeza do Homem

Somos a grande ilha do silêncio de deus
Chovam as estações soprem os ventos
jamais hão-de passar das margens
Caia mesmo uma bota cardada
no grande reduto de deus e não conseguirá
desvanecer a primitiva pegada
É esta a grande humildade a pequena
e pobre grandeza do homem

Ruy Belo,
 in "Aquele Grande Rio Eufrates"

ÍLHAVO: 13.º Capítulo da Confraria Gastronómica do Bacalhau




Realiza-se no próximo de 21 o 13.º Capitulo da Confraria Gastronómica do Bacalhau, em Ílhavo, com inicio às 10horas, no Museu Marítimo, onde decorre a sessão de boas vindas, a troca de lembranças, a “patanisca de honra” e a entronização dos Confrades de Honra e Confrades Efetivos. Segue-se o cortejo das Confrarias presentes até ao Hotel de Ílhavo onde decorre o almoço festivo. 
Este ano, os Confrades de Honra, propostos pela Direção, são a Escola Superior de Estudos Industriais e de Gestão (Hotelaria), pelo seu trabalho na divulgação de tudo o que se relaciona com a Restauração, sendo já um parceiro importante da Confraria, nomeadamente, com a realização de encontros com alunos e professores; o Diário de Aveiro e a Rádio Terra Nova, dois meios de comunicação social que, ao longo de 13 anos, tem divulgado todas as atividades da Confraria assim como de iniciativas que se relacionem com a preservação e divulgação do “fiel amigo”. 

Secularização e destino da Europa

Um texto de Anselmo Borges

Václav Havel

Aí está um tema fundamental. Mas, quando se reflecte, é necessário perceber que há vários sentidos de secularização.

1. O primeiro sentido - secularização vem do latim saeculum (mundo) - tem a ver com a autonomia das realidades terrestres. A Bíblia é essencialmente dessacralizadora da natureza, da história e da política, precisamente porque a criação ex nihilo por Deus, pessoal e transcendente, criando, não por necessidade, mas livremente e por amor, implica a autonomia das criaturas.
Este sentido de secularização é particularmente importante para a política, que deve estar separada da religião. O Estado deve ser laico e não confessional. Jesus tinha dito: "Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus." Mas também as ciências, a economia, a filosofia, a própria moral são autónomas, com as suas próprias leis, sem pedir legitimação à religião.

OS LOBBIES DOS PARTIDOS NÃO PERDOAM

Os lobbies dos partidos políticos não perdoam. Quando chega a hora de colocar os correligionários nos "tachos", não hesitam. É vê-los a entrar...
Veja aqui

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

NA GRÉCIA JÁ HÁ PAIS A ABANDONAR FILHOS

Foi notícia que na Grécia já há pais sem capacidade para sustentar os seus filhos. Por aqui, no nosso país, também haverá pais nessa situação. A fome campeia por aí.
Li que na Grécia, onde nasceu a democracia, alguns pais estão a entregar os filhos para adoção ou a deixá-los em instituições. Dificuldades que geram desespero e dramas de sabor amargo.
Todos sabemos que os filhos não podem ser abandonados. Os caçadores e outra gente de coração duro fazem isso com os cães que não servem para caçar, o que nos leva a condená-los. E como deve reagir uma sociedade, quando ouve falar de situações de abandono de crianças? Na Grécia ou em Portugal?
Não podemos, realmente, olhar para o lado. Bem se fala de uma nova ordem social... mas não se avança para ela, por se desconhecerem os caminhos. O comunismo e o capitalismo ruíram. Onde estará a solução?
Os sábios da política, da economia, da sociologia e de outras ciências não avançam com propostas luminosas, e o mundo, incrédulo face ao que vê, nem sabe para onde se virar. Perdeu o norte?

CENTRO CULTURAL DA GAFANHA DA NAZARÉ, UM ESPELHO PERMANENTE






Poesia para este dia





O som do silêncio


Devagar, como se tivesse todo o tempo do dia,
descasco a laranja que o sol me pôs pela frente. É
o tempo do silêncio, digo, e ouço as palavras
que saem de dentro dele, e me dizem que
o poema é feito de muitos silêncios,
colados como os gomos da laranja que
descasco. E quando levanto o fruto à altura
dos olhos, e o ponho contra o céu, ouço
os versos soltos de todos os silêncios
entrarem no poema, como se os versos
fossem como os gomos que tirei de dentro
da laranja, deixando-a pronta para o poema

que nasce quando o silêncio sai de dentro dela.

Nuno Júdice

Li aqui

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

VARANDA VIVA NA FIGUEIRA DA FOZ





Numa qualquer varanda, por mais pequena que seja, é sempre possível recriar um ambiente natural, com plantas e aves, à medida do espaço. Vi esta varanda nas Abadias da Figueira da Foz.

Cavaleiro do Apocalipse

Um artigo de João César das Neves

O ensaísta britânico Christopher Hitchens faleceu a 15 de Dezembro. Estranhamente todos os seus obituários na imprensa fizeram questão de sublinhar como o autor morrera bem, rodeado pela família e amigos. Isto não costuma encontrar-se nos elogios fúnebres.
A importância da serenidade do óbito vem de Hitchens ser famoso como líder do "novo ateísmo". Pertencia até aos auto-apelidados "quatro cavaleiros do Apocalipse", com os americanos Daniel Dennett e Sam Harris e o britânico Richard Dawkins (manifestando aliás algum paroquialismo e imperialismo anglófono, ao omitir autores influentes de outras culturas). O traço principal do grupo não é o ateísmo, bastante comum, mas o violento e persistente ataque à religião. O que os marca não é aquilo em que acreditam, mas a insistência em criticar os que discordam. A própria referência aos cavaleiros (no original, como se sabe, peste, guerra, fome e morte) mostra o elemento negativo.

ACONTECIMENTO DESEJADO E ESPERADO

Um texto de António Marcelino

O Concilio Vaticano II foi, no século XX, o maior acontecimento da história da Igreja. Passados cinquenta anos, é importante voltar atrás, ver o que, então, se passou, avaliar os avanços alcançados e, ao mesmo tempo, tentar perceber porque muitas orientações conciliares estão por cumprir, e se nota um lamentável retrocesso em alguns campos pastorais importantes e concretos.
Soube-se que Pio XII já tinha pensado em convocar um concílio. Porém, os influentes da Cúria Romana, que depois se vieram a mostrar como travões nos trabalhos conciliares, levaram-no a desistir desse intento. As razões então aduzidas, traduzem-se nestes pontos: um concílio não é necessário, só viria trazer problemas à Igreja, muitas coisas controladas agora, se tornariam incontroláveis, pela dificuldade de se conseguir uma visão comum com bispos vindos de todo o mundo…

ESTICA-TE ANTÓNIO!

Jorge Wemans apresenta
"Deus vem a público", de António Marujo

"Não sei por que razão aceitei estar hoje aqui a fazer este papel de apresentador. O autor não necessita de apresentação: já são vários os livros da sua autoria que, desde há mais de uma década, temos tido o gosto de poder ler; O livro, em si mesmo, de nenhuma palavra introdutória carece: é uma compilação de algumas das centenas de entrevistas publicadas pelo António Marujo no jornal Público.
Deus, mencionado no título e em que acredito, também não precisa de mim para o apresentar: Ele antecede-me e precede-me – não como a minha má fama –, por ser amorosamente fiel ao mundo e à criatura que criou, mundo e criatura que jamais abandonou ou abandonará, mesmo quando parece terrivelmente ausente e não lhes assiste com a ternura que desloca as pedras, faz parar as engrenagens e renova o horizonte de possibilidades."
Li aqui

ANIVERSÁRIO DA RESTAURAÇÃO DO MUNICÍPIO DE ÍLHAVO




A Câmara Municipal de Ílhavo assinala amanhã, dia 13 de Janeiro, o 114.º Aniversário da Restauração do Município de Ílhavo dedicando a evocação desta data à sua área geográfica mais a poente: as praias da Barra e da Costa Nova, mais propriamente à sua defesa física da erosão costeira e às intervenções de qualificação urbana e valorização da atividade económica.
PROGRAMA
14.30h – Praia da Costa Nova: Cais dos Pescadores e Parque Desportivo;
15.30h – Praia da Barra: Praceta do Molhe Sul e zona do APC Offshore.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

NICOLAUS STENO HOMENAGEADO PELO GOOGLE




Nicolaus Steno foi, hoje, homenageado pelo Google, através de um doodle que assinala o 374.º ano do nascimento deste cientista e investigador dinamarquês. Steno, que nasceu em Copenhague a 11 de janeiro de 1638, foi pioneiro nos domínios da anatomia e da geologia. Tendo-se tornado um bispo católico, foi beatificado pelo papa João Paulo II, em 1988. 
Após completar a sua educação universitária em Copenhague, viajou pela Europa, entrando em contacto com cientistas e médicos proeminentes. Inicialmente, dedicou-se ao estudo da anatomia, focando o seu trabalho sobre o sistema muscular e na natureza da contracção muscular. Utilizou a geometria para mostrar que um músculo em contracção altera a sua forma mas não o seu volume.

DIA DO CHÁ NA E.B.2/3 DA GAFANHA DA ENCARNAÇÃO




Hoje, decorreu na nossa E.B.2/3, o tradicional, anual e muito desejado Dia do chá. Inicialmente, era designado como “Tea Party”, pela sua conotação britânica, pois era organizado pelo grupo de Inglês. Com a evolução dos tempos, numa nova dinâmica escolar e a junção das Línguas, Português, Francês Inglês e Espanhol, num só Departamento de Línguas, foi alargando os seus horizontes e abarca hoje as várias línguas, lecionadas na escola.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

CRISE É TAMBÉM OPORTUNIDADE DE CONSTRUÇÃO




De que falamos quando falamos de crise?
José Tolentino Mendonça
Mais do que uma palavra, “crise” é uma árvore de significados urgentes e incessantes. O modo como hoje empregamos a palavra “crise” vem muito pela via da medicina. Para Hipócrates e depois para Galiano, no século segundo, o momento de crise é aquele momento em que a doença se decide: ou nos precipita na morte ou nos encaminha para a recuperação. A crise é assim o ponto de passagem, o nó de viragem, o instante da transformação.




Um livro de António Marques da Silva e Ana Maria Lopes

Esta é mais uma obra que deve figurar nas estantes 
de todos os que se interessam pelas temáticas 
relacionadas com a nossa Ria de Aveiro



“Bateiras da Ria de Aveiro — Memórias e Modelos” 

Em outubro passado veio a lume mais um livro alusivo às nossas tradições lagunares — “Bateiras da Ria de Aveiro — Memórias e Modelos” —, que saiu das investigações e do labor de António Marques da Silva e Ana Maria Lopes, especialistas nesta área. A edição foi da Câmara Municipal de Ílhavo — Museu Marítimo de Ílhavo, com o apoio da Associação dos Amigos do Museu de Ílhavo. Esta é mais uma obra que deve figurar nas estantes de todos os que se interessam pelas temáticas relacionadas com a nossa Ria de Aveiro, bem como por todos os que apreciam registos do nosso passado ligado às águas que por todos os lados nos circundam, tornando-nos anfíbios, como dizia Raul Brandão. 
Li e reli o trabalho, mas ainda não saltou para qualquer prateleira das minhas estantes, pois ele merece, sem dúvida, ser saboreado com prazer mais uns tempos, para dele usufruir o cuidado e o gosto com que foi elaborado.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

TUDO COMEÇOU NA GRÉCIA E TUDO ACABARÁ NA GRÉCIA?





«"Tudo começou há milênios na Grécia. E agora parece terminar na Grécia, uma das primeiras vitimas do horror econômico, cujos banqueiros, para salvar seus ganhos, lançaram toda uma sociedade no desespero", escreve Leonardo Boff, teólogo e escritor. Segundo ele, "estamos assistindo a agonia de um paradigma milenar que está, parece, encerrando sua trajetória histórica. Pode demorar ainda dezenas de anos, como um moribundo que resiste, mas o fim é previsível. Com seus recursos internos não tem condições de se reproduzir".»
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A VIDA É UM JOGO...






NOTA: De um e-mail que recebi

domingo, 8 de janeiro de 2012

Cortejo dos Reis na Gafanha da Nazaré


Os reis

Muita animação, trajes mais cuidados, 
autos e melodias habituais 

Com uma participação de 60 anos no Cortejo dos Reis, Milu Sardo mostra a alegria de mais uma vez marcar presença, ativa e empenhada, nesta festa do povo da Gafanha da Nazaré, que hoje se realizou. Começou, menina, por influência do pai, Manuel Soares Sardo, já falecido, um grande animador do Cortejo e outras festas da nossa paróquia, nas quais punha em prática a sua arte de carpinteiro e de outros saberes. 
Milu garante que continuará a participar «enquanto tiver vida e saúde», porque ficou com esse «bichinho» para sempre. Como catequista não deixará de motivar as crianças para esta vivência de raízes seculares na comunidade da Gafanha da Nazaré. E sublinha que as crianças da catequese apresentaram, desta vez, um carrinho que representava o presépio.

Milu Sardo

Voltando ao seu pai, recorda que ele foi toda a vida uma «pessoa dedicada à Igreja, procurando fazer coisas que pudessem ser úteis». Para o Cortejo dos Reis, Manuel Sardo fez cinco barcos (moliceiro, saleiro, dóri e outros), maquetes da igreja matriz antiga e do farol, uma marinha com o seu monte de sal e uma padaria, «onde íamos todos a vender pão e que ainda hoje se pôde ver no Cortejo». 
Neste domingo sereno, luminoso e sem vento nem frio, o Cortejo dos Reis seguiu o tradicional percurso, desde Remelha até à igreja matriz, passando pela Cale da Vila, Chave, Bebedouro, Marinha Velha e Cambeia.

PÚBLICO: Crónica de Bento Domingues


TECENDO A VIDA UMAS COISITAS - 272


PITADAS DE SAL - 2



A FEIRA DOS MOÇOS

Caríssima/o: 

Há muitos, muitos anos... 
Assim começam as histórias verdadeiras que vamos inventando. Há aí alguém que não saiba como surgiu a do sal na ria de Aveiro? 
Mais de mil anos se passaram desde a primeira notícia escrita com a doação da nossa “avó” Mumadona. (A primeira referência conhecida a Aveiro data do ano de 959, onde, no testamento da Condessa Mumadona Dias, são legadas salinas em Allavarium.) 
Quer dizer que as marinhas tinham donos (os proprietários) e havia pessoas que nelas trabalhavam: os marnotos, os moços, as mulheres...

Quando, a caminho do Liceu, passávamos na estrada junto das marinhas era certo ouvirmos umas frases , mais ou menos soltas, atiradas contra “esses malandros...”. Eram dos moços que nos “socavam” forte e feio... e nos “convidavam para irmos trabalhar pr'ò sal”! Esqueciam-se que alguns dos nossos companheiros de jornada, se nos distraíssemos, receberíamos como “prémio” o trabalho nas marinhas... 
E afinal como eram contratados estes rapazes?
Normalmente, numa feira, na “Feira dos Moços”:

«Até princípios dos anos oitenta, no dia 25 de Março — data da inauguração da secular Feira de Março — e nalguns Domingos subsequentes, os moços, que pretendiam trabalhar nas marinhas, reuniam-se, nos Arcos e na Ponte Praça — antes desta existir, o local de encontro era a ponte do lado poente —, esperando serem contactados pelos marnotos, que os poderiam contratar para toda a safra, por uma importância a acordar entre as duas partes interessadas, em função dos conhecimentos do trabalho de salinagem e da aptidão física.
O contrato era normalmente ratificado com o tradicional alborque.»
(Diamantino Dias, Glossário-Designações relacionadas com as Marinhas de Sal da Ria de Aveiro, p. 49)

Reflexão para este domingo




EPIFANIA DO SENHOR, A GRANDEZA DO HOMEM
Georgino Rocha

Fica perturbado o estado de ânimo de Herodes ao ouvir a notícia. E com ele os habitantes da cidade de Jerusalém. Nem é para menos! Um cometa a deslocar-se nos céus em direcção ao Ocidente era sinal de catástrofe iminente, de calamidades públicas, de desordem política. Este modo de pensar, de que se faz porta-voz Plínio, o Velho, na sua História Natural, não podia deixar de gerar consternação e pânico. O facto de os magos buscarem o “rei dos judeus” deixa perceber que os desacatos serão grandes e o tempo de Herodes está a expirar. Sobressalto é o mínimo que pode experimentar e a origem da força emocional da acção que vai empreender: aconselhar-se, chamar os mensageiros, dar-lhes indicações precisas, pedir-lhes informações e propor-se seguir os seus passos, logo que possível. Disfarça secretamente o móbil da sua vontade – o de evitar veleidades, matando o potencial candidato a rei – declarando querer ir adorá-lo.

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