terça-feira, 7 de novembro de 2006

Um artigo de Alexandre Cruz

O aborto do bom-senso?
1. É muito interessante e óptimo demais o discurso do partido político radical. Em questão muito delicada – como o referendo ao Aborto -, assunto que exige capacidade de diálogo e confronto de ideias que sirvam a sociedade portuguesa (“para onde queremos ir?”), que considerar de um partido político com assento no parlamento quando nas suas palavras marca a agenda da seguinte forma: “A campanha (do BE) acentuará a sensatez e a decência contra a intransigência, o fanatismo e as agendas ocultas do ‘não’. Para o coordenador do BE no ‘sim’ (ao aborto) está a humanidade e a convergência.” (Jornal Público, 6 de Nov., pág. 9) A juntar a esta admirável declaração podem-se referir, no mesmo contexto de lançamento da campanha que é agora o único problema nacional, as palavras, também tão interessantes, de pessoa dirigente do mesmo partido político (com salários pagos, com tanto sacrifício, por todos os portugueses para servirem o bem comum), que sublinha que todos os que defendem o “não” ao aborto são “fanáticos e terroristas”. Mais maior qualidade de pensamentos e ideais – cada um fala do que lhe vai na alma! - pode, ainda, verificar-se e confirmar-se quando do outro partido político (com salários pagos, com tanto sacrifício, por todos os portugueses para servirem o bem comum) vem a reclamação de que este assunto nacional é propriedade do seu partido (tal como o embrião é propriedade da barriga da mãe), e que por isso todos os outros devem estar calados; leia-se opinião de Odete Santos: “Diga a RTP o que disser, a verdade é que no debate que organizou sobre um tema de inegável importância marginalizou o partido que mais se tem batido, denodadamente, pela despenalização do aborto, o PCP.” Por isso este será o partido que tem autoridade para declarar que “O debate mostrou que o “não” (ao aborto) vai continuar a utilizar a mentira, o terror e a hipocrisia”. (Jornal Público, 5 de Nov., pág. 8) Fica-nos a questão: será o aborto uma questão política? 2. São, assim, muitas, elegantes e cheias de sentido de responsabilidade e educação, as atribuições delicadas e simpáticas da campanha lançada por deputados para a sociedade portuguesa; eis-nos diante da exaltação degradante completa do resto de bom senso que, desta forma, apresenta as novas regras do jogo onde as palavras de ordem são o chamar ao “outro”, àquele que “pensa diferente”, de “fanático” e “terrorista”. Quase que dá vontade de lhes dizer: “acordem, não nos acordem!” O pior caminho desses nomeados partidos simpáticos é “atacar” sem ética os que pensam diferente; gente tão intelectual que ainda não entendeu que a sociedade no seu geral vive a “indiferença” adormecida e alienante e que esse caminho partidário radical acaba por virar o feitiço contra o feiticeiro; todo o fanatismo que critica o outro de “fanático”, espelho do vazio integrista de facções deste tempo, acaba por ser – QUANDO SE PENSA O QUE SE QUER DA VIDA E DA SOCIEDADE – mais um voto no sentido contrário. Na outra face da moeda, não se pode crer que haja futuro num indiferentismo – estratégico ou de puro descompromisso social - e num não optar em assuntos que, porventura, podem dividir a sociedade. Claro que são tantas, é natural, as temáticas que dividem a sociedade; mas quanto “silêncios” de quem não se sente livre?! Quantas vozes com ideias importantes a serem ditas para bem da sociedade que preferem o cómodo “deixa andar”?! Talvez seja oportuno e muito interessante – senão mesmo o mais importante – ler neste contexto a URGÊNCIA de um debate aberto, clarificador, diferenciador das palavras (tão caras) que estão em jogo; talvez, neste caminho cultural, seja cada vez mais importante o papel do PENSAR A VIDA e de quem nos ajude, com autenticidade e procura da Verdade, nessa tarefa indo ao fundo das questões e não lendo apenas no “apagar do fogo”, na visão utilitarista dos números ou dos casos de saúde pública. Já agora, que fazem esses senhores do abortismo político dia-a-dia no acompanhamento das pessoas, das situações, dos sofrimentos? 3. A intolerância dos partidos políticos radicais fala por si. Deputados à Assembleia da República a chamar “fanático” e “terrorista” ao outro que pensa diferente é esse sinal degradante inqualificável. É este o modelo de sociedade que se pretende? Nesta questão joga-se muito mais que o ficar pela “rama”; há uma “raiz” cultural que está a secar pois as “causas” de tudo estão quase esquecidas e investe-se de olhos tapados só nas consequências. Claro que ninguém quer ver pessoas julgadas, nunca, de maneira nenhuma numa sociedade com valores; mas claro que ninguém, primeiro de tudo pois no princípio está a vida, num estado de direito de dignidade humana poderá ver pessoas – ainda que invisíveis – mortas. Como criar pontes nesta complexidade? Esta é a questão essencial a debater. Haverá disponibilidade interior para o debate? Mas para “embelezar” mais a pintura eis que já há semanas, mudada a casaca de primeiro-ministro para líder partidário, faz-se o apelo – que distrai o país de outras questões - da modernidade civilizacional do acto de abortar; testemunho este confirmado pelos números de Portugal que (no dizer do Ministro da Saúde) faz poucos abortos. Não há palavras! Dizemos, já agora, talvez também fosse bom Portugal acompanhar a Europa nas realidades boas!... Definitivamente, se nós estivéssemos “lá” nesse século, teríamos de “ser como os outros” e seríamos absolutamente incapazes de ser diferentes. Não teríamos partido para a Índia nem seríamos capazes de abolir a escravatura (feliz novidade portuguesa em 1775). Não estava na moda! A realidade primeira que nos preocupa, pois sem ela nada feito, são as condições para o “diálogo”. A intransigência intolerância em relação ao “outro”, quando existe, é sempre o sinal de surdez e menoridade; estas impedem um crescer em dignidade humana de dia para dia.

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

UM LIVRO PARA A AMI

“CARTAS A DEUS”
COM RECADOS
PARA CADA UM DE NÓS
Com edição de “Publicações Pena Perfeita”, acaba de ver a luz do dia um livro interessante que se lê em poucas horas e que oferece, a cada um de nós, alguns recados oportunos. Com este desafio, figuras públicas, crentes e descrentes, homens e mulheres ligados a diferentes áreas da cultura, escreveram cartas a Deus, revertendo os direitos de autor para a AMI – Assistência Médica Internacional. Para além do mérito que representa a iniciativa, conta imenso, também, o contributo de cada um dos compradores e eventuais leitores para aquela organização que, nos campos de guerra e de catástrofes, apoia vítimas da violência dos homens e da natureza. Rui Zink, António Sala, Gilberto Madaíl, Marcelo Rebelo de Sousa, Clara Pinto Correia, Sofia Alves, J. Pinto da Costa, Mário Cláudio, Jacinto Lucas Pires, Pedro Sena-Lino, Fernando Nobre, Ângela Leite, Manuel Rui, António Rego, Joel Neto, Paulo Fragoso, Maria Filomena Mónica, Valter Hugo Mãe, Carlos Pinto Coelho, Carlos Vaz Marques, Maria João Cantinho, Pedro Mexia, Mafalda Arnauth, Maria João Seixas, João César das Neves, José Carlos Bomtempo, Fernando Pinto do Amaral, Mísia, Luís Norton de Matos, Maria de Belém Roseira, Urbano Tavares Rodrigues e José Augusto Mourão aceitaram o desafio, dando-nos contributos simples mas necessários para a reflexão que se impõe, rumo a um mundo muito melhor. As certezas dos crentes, as dúvidas dos agnósticos, as questões dos ateus e as inquietações de todos aqui estão, de maneira despretensiosa, para nos ajudarem no esforço de construir o sonho que acalentamos de ver a sociedade global mais fraterna, que não pode deixar de passar por cada um de nós. Fernando Martins

domingo, 5 de novembro de 2006

UM ARTIGO DE ANSELMO BORGES, NO DN

O enigma do tempo:
o instante vivido
Há quem olhe para o tempo como se ele fosse um corredor que vamos atravessando. Mas, se se pensar bem, realmente não é assim.
Experienciamos o tempo, porque nos lembramos de quando éramos pequenos e de como fomos crescendo e de como damos connosco adultos e mudamos e envelhecemos e sabemos que morreremos. Haveria tempo, se não houvesse morte e consciência da mortalidade?
No entanto, é profundamente enigmático que não possamos lembrar-nos de quando fomos concebidos nem sequer de quando e como nascemos - de facto, como constatam várias línguas, como o latim, o francês, o alemão, não nascemos, fomos, somos nascidos.
Quando olhamos para trás, não nos é possível captar o início, pois perdemo-nos no imemorial. Quando olhamos para diante, "sabemos" que um dia não estaremos cá, mas, de novo, desembocamos num tempo sem tempo, pois é para nós inconcebível não estarmos cá, porque não podemos conceber-nos mortos. Ninguém acredita na sua própria morte. É por isso que a morte é sempre a morte dos outros, nunca a nossa.
O que é o tempo?
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Leia mais em DN

GOTAS DO ARCO-ÍRIS - 38

AZUL OU COR-DE-ROSA?
Caríssimo/a: Há certas notícias que nos deixam a olhar para elas como se fossem algo de muito estranho. Olha para esta: “Está a nascer, na China, uma cidade que recupera o ideal de poder matriarcal do clã das Amazonas. Nesta cidade mandam ELAS! “ Como se isto fosse uma grande novidade!? Vamos ver o que escreveu Bernardo Santareno, na década de 50, do século passado. É só espreitar «Nos Mares do Fim do Mundo», entre as páginas 229 e 235. Apenas duas imagens de relance: “Nas Gafanhas da Nazaré, da Encarnação, na d'Aquém, na do Carmo, na Vagueira,... em todas as Gafanhas de Ílhavo, as mulheres amanham a terra, durante o tempo (às vezes, dez meses por ano!) em que os homens pescam o bacalhau nos mares distantes da Terra Nova, da Gronelândia, da Costa do Labrador. Elas cavam, semeiam, ceifam e colhem: duramente, com sanha viril. E assim se bastam e aos filhos. Quando o marido vier da campanha, encontrará a casa cheia como um ovo; e branquinha, sem sombra de dívida: Então com a ajuda de Deus, ele poderá comprar mais um pedaço de terra. É assim com o Ribau, com o Chibante... com muitos outros. Com o Sarabando, também gafanhão e dos sete costados, não será bem assim: muitos filhos e todos pequenos ainda. Mas já alguém o viu triste, ao nosso Sarabando? Eu cá, nunca. Pobrete, mas alegrete.” E mais abaixo (falar do capitão... é falar de todos, pescadores incluídos): “O nosso capitão Viana recebeu hoje uma boa nova: o filho passou para o segundo ano do liceu. Está muito contente, é claro. A propósito confidenciou-me que, todo somado o tempo de terra, talvez ainda não tivesse vivido quatro meses com o filho: e o rapazinho, agora, já tem onze anos! Se ele no próprio dia em que se casou (às dez horas da manhã), logo teve que sair (às quatro da tarde) para o mar! Ai, a vida dum pescador... Assim, os pequenos foram crescendo, ele envelhecendo, e a companheira de sempre também: Separando-o da mulher, das crianças, o mar. Isto, uma vida inteira. Foi «ela» quem educou os filhos de ambos, quem lhes escolheu caminhos de vida, quem lhes serviu de exemplo impecável. Ela, sozinha: humildemente, em silêncio, como coisa natural e simples.» Será caso para perguntar: Azul ou cor-de-rosa? A minha resposta é: pela VIDA! Manuel

sábado, 4 de novembro de 2006

Um poema de António Correia de Oliveira

O PERFUME
O que sou eu? – O Perfume, Dizem os homens. – Serei. Mas o que sou nem eu sei... Sou uma sombra de lume!
Rasgo a aragem como um gume De espada: Subi. Voei. Onde passava, deixei A essência que me resume.
Liberdade, eu me cativo: Numa renda, um nada, eu vivo Vida de Sonho e Verdade!
Passam os dias, e em vão! – Eu sou a Recordação; Sou mais, ainda: a Saudade.
:: António Correia de Oliveira In "Cem Poemas Portugueses do Adeus e da Saudade" Org. de José Fanha e José Jorge Letria Lisboa, Terramar, 2002

Capitão Francisco Marques

FALECEU UM HOMEM BOM
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Ontem, no regresso a casa, encontrei a notícia muito triste do falecimento do Capitão Francisco Marques. A comunicação social deu nota do facto, sublinhando as qualidades excepcionais do cidadão exemplar e do oficial náutico de renome, mas também do homem que ajudou a pôr de pé uma das mais representativas exposições do Museu Marítimo de Ílhavo - FAINA MAIOR -, em homenagem aos bacalhoeiros de que a Vila Maruja foi expoente máximo no País. O presidente da Câmara de Ílhavo, Ribau Esteves, mostrou à comunicação social a sua tristeza pela morte de um amigo, que foi também Director do Museu de Ílhavo, durante a fase difícil da sua ampliação. E prometeu que, apesar de já ter sido homenageado em vida, a autarquia vai levar a cabo outras iniciativas para perpetuar a memória deste ilhavense ilustre. Das vezes que privei de perto com o Capitão Francisco Marques, guarda na minha memória a simplicidade de um homem bom, que falava das coisas da pesca do bacalhau com saber e sabor raros. Em conversa amena, não raro lhe ouvi expressões bacalhoeiras para retratar situações do quotidiano. Sempre com um sorriso nos lábios e com certo sentido de humor, falava de Ílhavo com enlevo. E do Museu, a que dedicou imenso dos seus conhecimentos, sublinhava a necessidade de toda a gente o visitar e conhecer, como riqueza nossa que importa amar e divulgar. Fernando Martins

::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: Raspa-se a zagaia

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Os dóris não se afastam do navio, mas será que não se apanha um bacalhau fresco? Raspa-se a zagaia, experimenta, lá vem um, quase todos se estreiam, arranja-se peixe que ainda se come, frito. Içam-se os dóris e já ficam distribuídos por lados, a bombordo, o do piloto, o pessoal do Norte; do lado do capitão a estibordo os pescadores do Sul. Termina o serviço de “quartos”, corre vigia de pesqueiro, – dois pescadores do convés, durante uma hora, mas teve-se em conta que não devem ser parentes, nem da mesma terra… assim não há familiaridades, nem combinações. Distribuem-se agora umas espingardas e cartuchos ao contra-mestre e a quatro ou cinco pescadores de mais confiança para caçarem as cagarras e distribuírem pelos grupos que formaram. “Seja louvado e adorado Nosso Senhor Jesus Cristo, são quatro horas, vamos arriar.” Come-se a “espessa sopa de feijão”, bebe-se café. O cozinheiro avia o pessoal: pão, umas postas de peixe frito, azeitonas, café, uma garrafa de água. Arruma-se tudo no foquim, de mistura com anzóis, gagim, cigarros feitos na vigia. Veste-se a roupa de oleado. O rapaz da câmara enche o corninho de aguardente, mata o bicho. “Vamos arriar com Deus” – ordena o capitão.

:: In “FAINA MAIOR – A Pesca do Bacalhau nos Mares da Terra Nova”, de Ana Maria Lopes e Francisco Marques

PRAIAS PORTUGUESAS

PRAIAS DO CENTRO
SÃO AS MELHORES DO PAÍS
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Para mim, este é mais um motivo para preferirmos as praias da região a que pertencemos. As praias do Centro são consideradas as melhores do País, segundo um estudo feito pela Associação Bandeira Azul durante a última época balnear. A qualidade das areias e a pureza das águas ditaram a sentença.
Isto não quer dizer que agora podemos ficar a gozar o facto à sombra da bananeira, devendo antes continuar a apostar na melhoria das infra-estruturas existentes, para não se perder o lugar cimeiro em que estamos.
Há sempre algo a melhorar... há sempre algo a descobrir para que as nossas praias continuem a atrair mais veraneantes.

sexta-feira, 3 de novembro de 2006

Fé e Cultura no Centro

Em entrevista à Agência ECCLESIA, o Pe. Alexandre Cruz adianta as razões para a presença da Igreja Católica no mundo académico, atenta a professores e alunos
IGREJA CATÓLICA
NO MUNDO ACADÉMICO
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É Director do Centro Universitário Fé e Cultura. Nas actividades que promove faz transparecer o Evangelho e cria pontes entre a fé e a razão. Em entrevista à Agência ECCLESIA, o Pe. Alexandre Cruz adianta as razões para a presença da Igreja Católica no mundo académico, atenta a professores e alunos.
Agência ECCLESIA (AE) - Em que medida é importante este serviço da Igreja no mundo universitário? Pe. Alexandre Cruz (AC) - Onde está a comunidade humana e onde habita a sociedade, a proposta do sentido religioso deve ser inerente. Descendo à realidade temos de nos aperceber que mais de 400 mil estudantes estão permanentemente em estabelecimentos do Ensino Superior. Uma percentagem grande da população nacional. Onde estão pessoas a estudar, estão os futuros profissionais por isso toda a formação humana é essencial. Estamos em contextos sociológicos diferentes, outrora as propostas de fé não eram tanto propostas mas imposições. O tempo é outro e desafia-nos à criatividade e a estimular a vida no seu sentido mais pleno. A estimular a outra face da vida. O processo de Bolonha - a licenciatura passa para três anos - desafia os agentes da Pastoral Universitária à participação e à dinâmica. Todo o contexto do Ensino Superior é um terreno onde é importante ir semeando conteúdos para além da dimensão profissional.
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Ler toda a entrevista em ECCLESIA

PINTURA DE ZÉ PENICHEIRO

No CAE da Figueira da Foz, até 5 de novembro

Ainda fui a tempo...



Pintura de Zé Penicheiro está patente ao público no Centro de Artes e Espectáculos (CAE), da Figueira da Foz, até 5 de Novembro, precisamente na sala que tem o seu nome. A exposição foi inaugurada em 14 de Outubro e contou, decerto, com muitas visitas, ou não fosse o artista marcado por aqueles ares, onde passou a sua juventude. Fui ver e apreciar a exposição, quase na altura do encerramento, mas ainda fui a tempo. Gosto de ver a arte de Zé Penicheiro porque ela toca, com muita sensibilidade, o que nos diz respeito. O mar, a ria, a água, gente do povo, gestos e sombras, cores e traços que fazem parte do nosso quotidiano ali estão. Como convite a quem passa pelo CAE, há um excerto de um poeta figueirense, João de Barros, que reflecte um pouco o que está em exposição. Diz assim: 

“Aquele mar que vês além 
é sempre o mar da tua infância 
é sempre o mar da tua vida…” 

In “Eterno Mar” 

Quando aprecio a pintura deste artista, agora radicado em Aveiro, revivo cenas e acontecimentos de há muito, recordo silhuetas de pessoas e de barcos que povoam a minha imaginação, sinto o palpitar de tradições que podem perder-se. Por isso, sempre que se anuncia uma sua exposição, lá estou eu, na certeza de que vou gostar. Mesmo que haja uma repetição de temas e de figuras, de motivos e de cores. Afinal expressões da sua arte.

Fernando Martins

PNL para “profs”

URGE DESCOBRIR
UM TEMPINHO
PARA LER
Eduardo Prado Coelho abordou, ontem, um tema pertinente, na sua crónica “O fio do horizonte”, que sai no PÚBLICO, de segunda a sexta-feira. O título, “PNL para ‘profs’”, vem ao encontro do que muitos sabem, isto é, de que há bastantes professores que pouco lêem. Diz Prado Coelho que nas Escolas não há ambiente para se ler e que, no fim das aulas, cansados, os docentes não terão disponibilidade interior para se debruçarem sobre um bom livro. Por isso, propôs “um Plano Nacional de Leitura (PNL) especificamente para professores”, porque é “preciso levá-los a ler para além do Código Da Vinci, Margarida Rebelo Pinto ou Susana Tamaro. É preciso que eles conheçam os autores clássicos e contemporâneos, e que vejam teatro ou cinema, e visitem exposições”. Concordo com Eduardo Prado Coelho, porque, pelos meus contactos com muito professores, tenho constatado essa realidade. Noto que a maioria pouco ou nada lê, mostrando uma ignorância atroz sobre os nossos escritores, clássicos ou mais recentes, como mostram uma falta de cultura muito grande a outros níveis. E se é certo que os livros são uma fonte de conhecimentos, como é possível haver bons professores que pouco ou nada lêem? Será que muitos dos nossos professores apenas se apoiam nos livros de estudo e nos saberes que adquiriram enquanto estudantes? Num ou noutro jornal e revista? Mas isso é muito pouco… isso está ao alcance de qualquer cidadão comum. Os professores têm a obrigação de aprofundar a sua cultura, para mais facilmente abrirem os alunos a novos horizontes. Urge, pois, que descubram, no meio da vida esgotante, um tempinho para ler. Livros muito bons não faltam por aí. Fernando Martins

"CHINA" NO CUFC

8 de Novembro,
quarta-feira,
pelas 21 horas
QUE ‘SONHO’
COMANDA A CHINA?
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Na próxima quarta-feira, 8 de Novembro, pelas 21 horas, no CUFC (Centro Universitário Fé e Cultura), vai ter lugar mais uma Conversa Aberta, integrada no Fórum::UniverSal, com entrada livre para toda a gente, em especial para alunos das diversas escolas superiores de Aveiro e sua região. O tema, “Que ‘sonho’ comanda a China?”, vai ser apresentado por João de Deus Ramos, ex-embaixador de Portugal na China e membro da Fundação Oriente. A moderação será de Manuel Serrano Pinto, da Associação para a Cooperação Cultural Portugal-China. Esta iniciativa foi organizada pelo CUFC e pela Fundação João Jacinto de Magalhães – Editorial UA.

Um artigo de D. António Marcelino

Quem vê caras,
também pode ver corações
Contrario o ditado popular ao viver a experiência de ter visto caras e, por detrás delas, corações felizes, corações esperançosos e, também, corações angustiados. Foi na Convenção das Famílias Anónimas, ali na Reitoria da Universidade. Experiência já vivida há anos, e que me levou, de novo, ao encontro da paz, da dor e da esperança. Pais e mães, irmãos e irmãs, que apenas se identificam pelo seu primeiro nome, trazem consigo a memória de um mundo de sofrimento de anos, tantos quantos a toxicodependência de um filho ou de outro familiar fez, ou ainda faz sangrar e inundar de lágrimas os seus lares. Uns, já libertos do terrível pesadelo, manifestam a alegria e gratidão pelo êxito, finalmente alcançado. Outros, com os seus doentes a caminho da recuperação, alimentam, mais uma vez, a incontida esperança do resultado, há tanto tempo almejado. Outros, ainda em situação de dor, porque a escravidão permanece, não escondem, apesar do ambiente reconfortante, a noite escura da dolorosa crucifixão. Um clima sereno e amigo, o da Convenção. Os cumprimentos não são protocolares, partilha-se vida, recebem-se estímulos, alimenta-se a esperança de melhores dias. Quando se fala de dor, também se fala de esperança. Quando se fala de sofrimento, também se fala de coragem. Quando se narram derrotas, também se narram vitórias. Os trabalhos iniciam-se com a “Oração da Serenidade”, rezada em coro com profunda convicção. Invoca-se o “Poder Divino”, ponto de encontro de todos, que nunca se fecha à oração de um pai e de uma mãe que imploram, agradecem ou louvam. Ninguém se sinta forçado nas suas convicções, mas antes reforçado na sua confiança. Estes pais fazem, também, no dia a dia, os doze passos que já libertaram os filhos e são, para si próprios, um caminho gerador de paz, força interior, estímulo a prosseguir numa luta que não admite cansaços nem tréguas. O testemunho da alegria e do sofrimento, o entusiasmo sereno de quem se reconhece por uma história igual, as vivências partilhadas com total confiança, o respeito mútuo, tudo a ajudar estas famílias a que vivam um clima de enriquecedora solidariedade. Quando vemos no nosso caminho a verdade dos sentimentos que livremente se exprimem, ficamos mais comprometidos na luta contra as causas do mal. A droga e seus tentáculos são monstro forte para se enfrentar a sós. Na união aberta de muitos, pode residir a força que exorciza os medos do monstro. Porém, o mal alastra. Há fardos de droga a dar à costa e a cair nas mãos da autoridade. Enchem prisões os sinais visíveis de um negócio hediondo, sujo e mortífero, que se faz a frio, se premedita, enriquece criminosos e destrói inocentes. O crime atinge muitos, sem que se veja modo de o conter. Não faltam interesses o fomentá-lo. Se fosse visível a olhos humanos a destruição que daí resulta, veríamos rios de sangue e lágrimas, ouviríamos gritos, lancinantes e incontidos, de pais, irmãos e amigos e das vítimas de um paraíso efémero. Como é possível que os poderes cruzem os braços ante este poder do mal? Na rotina que se nos cola, ficam deste horror de miséria e de dor as famílias anónimas com a sua luta e esperança, as notícias já raras, porque deixaram de ser notícia, os escândalos que o dinheiro não consegue abafar. Mas fica, também, a multidão dos que ajudam doentes e famílias, de mistura com outros que, por vezes, os exploram impunemente. Depois, ficam ainda as soluções que nada solucionam e sobre as quais se diz muito, porque significam pouco. Vão-se vendendo ilusões com salas de chuto, seringas nas prisões, metadona quanto baste, entrevistas e pareceres de sábios e de eruditos. Uns ganham com tudo isto. Muitos são, porém, os que perdem. É assim. Uma droga.

Um artigo de António Rego

O povo e os pobres
Aqui, como longe, sempre que acontece uma eleição política e explode uma vitória significativa, logo os comentadores retomam a palavra Povo e lhe elegem uma inteligência soberana, quase divina e cega, que atinge a essência subversiva dos jogos políticos. Nessa engenharia de emoções e números está sempre associada a realidade do povo com os menos favorecidos, os anónimos, os contribuintes, os que têm dez identidades nunca sendo a primeira de prestígio ou riqueza: o cidadão, o autarca, o utente de vários centros, o beneficiário de qualquer segurança, o cliente, o passageiro, o associado.. e por aí adiante. Nesta matéria, nenhuma operação simplex simplificará o que quer que seja. As elites não elegem ninguém. Podem comprar e vender a bons preços peças elegíveis lançadas no mercado onde se evita sempre prestar contas e, pelos vistos, ninguém se tem ralado muito de as contas não serem claras. Mas é sempre o povo que decide. Bem ou mal, iludido ou de clarividente, o povo é quem mais ordena. Muitos comentadores brasileiros vão na direcção óbvia da chamada evidência do dia seguinte, com grande fartura de talheres quando todos estão saciados: Lula apostou nos pobres, apoiou situações de miséria, tirou muitos do fosso da fome, soube falar a essa massa anónima que é o último nas escalas sociais mas o primeiro porque o mais numeroso. E ganhou. De permeio, sobressaltos, corrupções, desvios de rota, incapacidades de solução, problemas no fundo da gaveta. Mas a predilecção por esse povo e pelos pobres não só deu nas vistas como se repercutiu na vida de muitos que, desde o Presidente torneiro, passaram a ter uma vida menos má. E, segundo dizem os entendidos, a democracia é o processo menos mau de governar. Era essa a intuição da Igreja do Brasil quando reafirmava obstinadamente a opção preferencial pelos pobres, ainda que com uma teologia da libertação salpicada de ambi-guidades. O certo é que nesse tempo a Igreja e povo estavam mais próximos. Dizem os números.

terça-feira, 31 de outubro de 2006

I Encontro das IPSS do Distrito de Aveiro

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Lacerda Pais e Lino Maia
O nosso lucro
é o sorriso e a esperança
das pessoas
Decorreu no Centro Social Cultural e Recreativo de Avelãs de Cima, Anadia, no passado sábado, 28, o I Encontro das IPSS do Distrito de Aveiro. A iniciativa partiu da UDIPSS (União Distrital das Instituições Particulares de Solidariedade Social) e teve por tema central “Os Novos Desafios da Solidariedade”. Os trabalhos desenvolveram-se durante todo o dia, com a abordagem de questões pertinentes, relacionadas com os novos desafios impostos por uma sociedade em rápida transformação, tendo contado com a participação de cerca de uma centena de dirigentes. Trabalho em parceria e em rede, formação contínua, qualidade dos serviços e projectos, legislação e o exercício da solidariedade, num País rico em voluntariado, foram assuntos que suscitaram diálogo enriquecedor. Na sessão de abertura, o Governador Civil, Filipe Brandão, manifestou o seu reconhecimento pelo trabalho desenvolvido nas IPSS, mas não deixou de considerar que se torna imprescindível que as instituições se abram mais umas às outras, para uma maior rentabilidade das respostas sociais. Recordando a sua experiência de 32 anos ao serviço de uma IPSS, como dirigente, o director do Centro Distrital de Segurança Social de Aveiro, Celestino de Almeida, garantiu que é muito bom trabalhar para os outros e receber como paga a satisfação ou um gozo que não sabemos explicar”. Mas logo assegurou que, “se há pessoas com capacidades económicas diferentes, também têm de ser apoiadas de forma diferente” pelo Estado. Na sua intervenção, o presidente da CNIS, Padre Lino Maia, salientou que as nossas instituições respondem a 70 por cento dos problemas sociais do País, com os seus 250 mil trabalhadores, o que corresponde a 4,2 por cento do PIB. “Graças às IPSS, não são tão graves os problemas provocados pela crise que o País está a viver”, referiu. Depois de garantir que “o nosso lucro é o sorriso e a esperança das pessoas que apoiamos”, o presidente da CNIS lembrou que o sector da social está a ser cobiçado por gente ligada a interesses lucrativos. Alertou então para o perigo de passarmos a ser olhados como fazendo parte desses interesses, quando as nossas motivações são outras, porque visam as pessoas com mais dificuldades económicas. O presidente da UDIPSS de Aveiro, Lacerda Pais, disse-me que este encontro visou alertar as instituições para a importância do trabalho em rede e da formação. Também se pretendeu chamar a atenção dos dirigentes para a necessidade de desenvolverem serviços de melhor qualidade e de apostarem mais no exercício da solidariedade. Fernando Martins

segunda-feira, 30 de outubro de 2006

FLORINHAS DO VOUGA

:: AS FLORINHAS DO VOUGA
ANDAM À PROCURA
DOS PERDIDOS DA SOCIEDADE
::
Há em Aveiro uma instituição que toda a gente conhece, pela sua acção em prol dos mais desfavorecidos. Tem um nome curioso - FLORINHAS DO VOUGA -, que lhe foi dado, poeticamente, por D. João Evangelista de Lima Vidal, primeiro Bispo da restaurada Diocese de Aveiro.
Recentemente, chegou-me às mãos o nº 2 do Boletim Informativo da instituição - MIOSÓTIS - que reflecte um pouco do muito que as Florinhas do Vouga fazem na cidade, com e para os mais desfavorecidos. O seu director, que é também o presidente da instituição, Padre João Gonçalves, diz, em artigo de primeira página, que as Florinhas gostariam de encontrar todos os perdidos da sociedade, "para lhes conquistar a confiança" e para "lhes dar as melhores respostas". Ora aqui estão duas propostas interessantes e pertinentes. De facto, sem a confiança daqueles que queremos ajudar, jamais os poderemos ajudar.
Mais adiante, mesmo no final do artigo, o Padre João Gonçalves lança, a quem o quiser escutar, um grande desafio: "O 'canteiro' das Florinhas tem a medida do coração! Quem tem coração, venha connosco."
F.M.

CARAVELA VERA-CRUZ

ATÉ 20 DE NOVEMBRO
Caravela Vera-Cruz em Aveiro
Até ao próximo dia 20 de Novembro, a Caravela Vera-Cruz vai estar em Aveiro. A iniciativa, da responsabilidade da Associação Aveirense de Vela Cruzeiro AVELA, pretende valorizar a história náutica do país, divulgar a região e dinamizar a vela. Uma visita de grande interesse histórico e pedagógico. Os aveirenses vão poder visitar e viajar numa réplica fiel da caravela Oceânica Portuguesa do século XV.
Construída no estaleiro de Samuel & Filhos, em Vila do Conde, tendo por base projecto do Contra-Almirante Rogério de Oliveira, a Vera-Cruz foi lançada à água no ano 2000. Do programa delineado pela ÁVELA, destacamos as seguintes actividades: Dias úteis: visitas das escolas do distrito; Fins-de-semana: visitas abertas ao público; Também aos fins-de-semana: saídas ao mar abertas ao público. A caravela encontra-se na sede da AVELA, antiga Lota Velha, Canal da Pirâmides, Armazém nº 7. Contactos: avela.direccao@hotmail.com;
e avela.direccao@sapo.pt Paulo Reis - 96 3390034 Miguel Varela - 96 9276081
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Fonte: Portal do Porto de Aveiro

domingo, 29 de outubro de 2006

INCENTIVOS À LEITURA

GOVERNO APROVA REGIME
DE INCENTIVO À LEITURA
O Conselho de Ministros aprovou, na generalidade, para consulta aos parceiros interessados, um decreto-lei que aprova o regime de incentivo à leitura de publicações periódicas, directamente dirigido aos potenciais consumidores de publicações periódicas de informação geral de âmbito regional. Neste sentido, prevê-se a criação de um Portal de Imprensa Regional com o acesso electrónico aos conteúdos daquelas publicações periódicas, quer em território português quer no estrangeiro. A presença das publicações periódicas neste Portal não acarreta despesas de alojamento para as entidades titulares, garantindo-se a sua autonomia e independência editorial na gestão dos conteúdos. Prevê-se, igualmente, uma comparticipação pelo Estado dos custos de expedição de publicações periódicas suportados pelos assinantes residentes no território nacional, que privilegiará inequivocamente o apoio aos leitores e não às empresas, tendo em conta os limites fixados pelo Direito da União Europeia. O Portal de Imprensa Regional é uma das medidas constantes do Plano Tecnológico. A limitação da comparticipação pública nos custos do envio postal de publicações periódicas aos assinantes residentes no território nacional é uma das medidas previstas no Plano Plurianual de Redução da Despesa Pública, apresentado em 2005 à Assembleia da República.
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Fonte: iid

UM ARTIGO DE ANSELMO BORGES, NO DN

1 e 2 de Novembro:
a visita dos mortos
Para perceber uma sociedade, talvez mais importante do que saber como é que nela se vive é saber como é que nela se morre e se tratam os mortos.
O antropólogo L.-V. Thomas, especialista nestas questões, apresentou esquematicamente as diferenças entre a civilização negro-africana tradicional e a civilização ocidental no que se refere à morte.
Essa diferença assenta no tipo de sociedade ou civilização. Enquanto na sociedade negro-africana predominam a acumulação dos homens, uma economia de subsistência com o primado do valor de uso, a riqueza de sinais e símbolos, a preocupação com as relações pessoais, o espírito comunitário, o papel do mito e do tempo repetitivo, na sociedade ocidental o que predomina é a acumulação dos bens, a riqueza em objectos e técnicas, uma economia com o primado do valor de troca e da sociedade de consumo, a tanatocracia burocrática ou tecnocrática, a exaltação do individualismo, o papel da ciência, da técnica, do tempo explosivo.
Nesta visão, compreende-se que o significado do Homem também será distinto. Se, na sociedade negro-africana, o Homem se encontra no centro, sendo altamente socializado, e os velhos são valorizados, até porque representam a tradição e a sabedoria, na sociedade ocidental, o Homem aparece sobretudo como produto, mercadoria, inserido no círculo da produção-consumo, altamente individualizado e alienado, e os velhos são desvalorizados e abandonados.
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Ler mais em DN

GOTAS DO ARCO-ÍRIS - 37

AS CORES DO DINHEIRO
Caríssimo/a: Ora aqui temos um tema que me trouxe logo à mente um dito muito repetido por minha Mãe, que Deus haja. Quantas e quanta vezes lhe vi sair da boca estas palavras: - Olhai, meus filhos, não sei como elas fazem, mas o dinheiro na casa delas é fêmea e na minha é macho! Claro que nós abríamos os olhos até às orelhas: não percebíamos nada daquilo. O que sabíamos é que os nossos compinchas de brincadeira apresentavam cada brinquedo que nos punham a olhar para o lado. Como era possível? Nessas alturas o que nos vinha à ideia era a cor dos caranguejos e então pensávamos: em nossa casa o dinheiro é da cor dos machos, verde; na casa deles, é avermelhado e amarelo, cor das fêmeas e das ovas. Nem mais! O que era certo é que nessa semana ainda não havia dinheiro para a lousa e o ponteiro e ia ser difícil explicar à senhora Professora o nosso problema, mais difícil do que o do caderno dos ditos. Também na loja as parcelas a pagar ultrapassavam as duas páginas e o tempo continuava chuvoso e o Pai não podia trabalhar, e, se não trabalhasse, não ganhava; bem podia ir até ao local do trabalho, apanhar duas molhas, uma para cada lado, mas não pegando e não se aguentando, não contavam as horas. Será mais do que justo trazer à nossa memória colectiva os donos das lojas que nos forneciam todos os bens essenciais para a nossa subsistência e esperavam semana após semana, mês após mês, para que os «caloteiros» aparecessem com alguns magros escudos para abater na dívida. Ainda não se costumava dizer 'microcrédito', nem outras palavras modernas, como 'Prémio Nobel' ou 'Muhammad Yunus' ou 'Grameen Bank'. A língua era pobre como pobre era o nosso viver. A minha proposta era a atribuição do tal prémio, a título póstumo, a essas pessoas que foram autênticas colunas que sustentavam a frágil economia de muitas das nossas famílias da beira-mar. Certamente que houve alguns exploradores; mas também muitos dos caloteiros nunca se dignavam aparecer para saldar a sua conta... E feitas as contas, sem errar e com a tabuada a funcionar, digamos que o sexo do dinheiro (e portanto a sua cor) hoje continua a variar conforme as bolsas. Manuel

sábado, 28 de outubro de 2006

ABORTO - 5

Entrevista de D. José Policarpo, Cardeal-Patriarca de Lisboa, ao DN
Abstenção no referendo
ao aborto
"vai ser fatal outra vez"
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A abstenção pode ser fatal outra vez." É a convicção de D. José Policarpo alicerçada na sua constatação de que há muitos cidadãos com dificuldade em abordar o aborto. Palavras de uma entrevista realizada na tarde de quinta-feira no seu gabinete do Patriarcado de Lisboa.
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: Portugal vai votar, tudo indica, um novo referendo sobre o aborto. A Igreja Católica vai fazer campanha?
A questão é fundamentalmente de consciência. As campanhas têm uma marca partidária e servem para convencer os votantes para a justeza da escolha de um projecto político. Esta é uma questão transversal. Se há pessoas que têm já uma posição completamente tomada, tudo leva a crer que há uma camada da população para quem a questão é dolorosa, incómoda. Se a campanha for motivada no sentido de um debate esclarecedor das consciências, não teria dúvida nenhuma em dizer que entro na campanha. Se a campanha se assemelha à anterior, a uma campanha partidária, penso que aí não é o meu lugar. Gostaria que as pessoas não perdessem a calma...
O ideal seria não haver campanha? Os cidadãos já têm uma convicção...
Não sou tão optimista. Há muitas confusões. Só podem ter uma posição absolutamente assumida quanto à legalidade da interrupção de uma vida no seio materno por duas razões: ou porque têm dúvidas sobre quando começa a vida ou porque não respeitam a vida. O processo é oculto, dinâmico e progressivo desde a fecundação ao nascimento. A medicina fez avanços extraordinários, mas há dúvidas. Em que momento começa a vida?
Essa é uma questão que pode ser esclarecida.
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Leia toda a entrevista no DN

sexta-feira, 27 de outubro de 2006

OBRAS NO MUSEU DE AVEIRO

Museu de Aveiro
em obras de remodelação
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A ala do Museu de Aveiro, virada para a Rua Príncipe Perfeito, está a passar por obras de remodelação. Na área do antigo parque infantil, situada na esquina das ruas Príncipe Perfeito e Batalhão de Caçadores Dez, está a ser construído um novo edifício, que acolherá, entre outras valências, a biblioteca e galeria para exposições temporárias.Apesar das obras em curso nessa ala do edifício, a directora do Museu de Aveiro, Ana Margarida Ferreira, sublinha que “mantemos aberto ao público o circuito de visita de toda a parte monumental”.
Sobre os trabalhos incluídos nesta primeira fase das obras, a responsável pelo museu garante que elas não implicam “uma diminuição das cércias, mas somente um ligeiro ajuste das coberturas. Da fachada, também desaparecem as aberturas do piso superior. Com isso, teremos menos uma área expositiva, a qual havia sido acrescentada na remodelação do edifício ocorrida no século XX. Isso permite-nos racionalizar o circuito do próprio museu, não só o circuito de visita, mas também o circuito de serviços internos”.
Quanto ao novo imóvel, “os trabalhos de escavação estão concluídos. Agora, estamos no início dos trabalhos de engenharia para a implantação do edifício”, refere Ana Margarida Ferreira.
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Leia mais no CV

Um poema de Fernando Pessoa

O INFANTE
Deus quer, o homem sonha, a obra nasce. Deus quis que a terra fosse toda uma, Que o mar unisse, já não separasse. Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,
E a orla branca foi de ilha em continente, Clareou, correndo, até ao fim do mundo, E viu-se a terra inteira, de repente, Surgir, redonda, do azul profundo.
Quem te sagrou criou-te português. Do mar e nós em ti nos deu sinal. Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez. Senhor, falta cumprir-se Portugal!
In "Mensagem"

PATRIMÓNIO CLASSIFICADO - ÍLHAVO

FORTE DA BARRA DE AVEIRO
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Construção relacionada com as Guerras da Restauração e que constava de dois meios baluartes ligados por uma cortina.
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Extremo W. da ilha de Mó-do-Meio
Freguesia de Gafanha da Nazaré
I.I.P., Decreto Nº 735/74 de 21-12
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In "Património Classificado"
(Arquitectónico e Arqueológico)

Um artigo de D. António Marcelino

A VIDA HUMANA
NOS CAMINHOS
DA NOSSA DEMOCRACIA
Governantes despiram as batas de trabalho, vestiram togas de mestres partidários, amaciaram a voz, criaram empatia com as mulheres humilhadas deste reino, fizeram distinções linguísticas e jurídicas para sossegar o povo, rodearam-se de sábios para incomodar outros sábios menos consonantes, garantiram os jornalistas de turno, abriram o microfone a chocas de outras terras e nações e peroraram quanto baste. Para reforçar a democracia e dar sentido de estado ao referendo que aí vem… À baila vieram os chavões de sempre: estar ao nível dos países avançados da União Europeia, erradicar o aborto clandestino, a nossa grande humilhação, insistir no fariseísmo dos que não pensam como nós, apontar de onde vem perigo, a Igreja dominante mesmo se os maiorais parecem não estar de acordo, ridicularizar os movimentos pelo “não”, sem os atacar, gritar que se o povo dá maioria nas eleições é para se fazer o que se prometeu. E já se desenham hipóteses de acção, se ainda não for desta, e já espreitam clínicas estrangeiras com nomes e preçários… Agora, mais um passo curioso. Médicos conhecidos pelo nome ou pelo cargo associam-se a favor do aborto, pedem à sua Ordem que se actualize, dizem que a objecção de consciência, se há uma lei que permite abortar, não tem mais sentido, faz-se a defesa pela negativa, porque, se não se sabe quando começa a vida, não há que ter respeito pelos embriões… E assim, democraticamente, se vai dando motivo para fracturas e divisões entre pessoas, grupos e partidos. Porém, o que precisamos com urgência não é de um clima de serena reflexão, onde todos possam ter espaço e ocasião para serem esclarecidos com honestidade, dizerem livremente o que pensam e querem, sem que, por isso, sejam rotulados, incomodados ou passados a cidadãos de terceira num país democrático? E que dizer do despropósito da vinda de deputadas de fora para dar sentenças e formular juízos morais sobre o país, e da intervenção de governantes estrangeiros, camaradas de partido, a ensinar como se defendem as mulheres que querem abortar? Os nossos problemas somos nós que temos de os solucionar. No pedir ou no acolher tais ajudas, o partido no poder parece não estar convicto de que esta mistura é negativa. Os problemas não se resolvem com imposições de dentro ou de fora e, menos ainda, com o açaimar das pessoas. Não se resolvem com slogans estafados. Perante problemas tão sérios como o da vida nascente, o caminho está em proporcionar a todos os de cá uma intervenção alargada e respeitada. Ouvindo-se com respeito todos podemos enriquecer-nos. Portugal não é um circo. É um país livre com história e cultura próprias. Mas há que aprender com os países mais avançados, diz-se por aí. Tudo bem. E porque não copiar o que se faz com o acesso à saúde, o ordenado mínimo, a liberdade e gratuidade do ensino, o preço dos combustíveis e da energia, o cativar dos melhores, a fidelidade e a justiça no trabalho, e sei lá quantas coisas mais? Estamos longe dos que vão adiante no que tem a ver com o bem comum possível. Poucos falam disto. Liberalizar o aborto, no fundo é disto mesmo que se trata, dar assentimento a desejos de minorias teimosas, é o que teremos de imitar dos outros? Que pobreza de horizontes, que falta de realismo sadio, que cegueira acrítica, que mundo vazio de valores, que pobreza cultural e afectiva! É normal e até salutar que haja opiniões diferentes sobre os problemas. Serve para ajudar a discernir e a valorar. Não pode passar ao lado dos que detêm o poder, pois a eles compete procurar o maior bem de todos e não apenas a considerar alguns que se sentem bem à margem das leis comuns e exigem, só para si, a sua própria lei. Servir não é calar e dominar os que incomodam. Só a aceitação do valor de cada um e de todos gera convicções fortes. Têm-se dado passos válidos e louváveis. Há que reconhecer. Mas, se não se respeita o fundamental, o país entra em derrapagem.

quinta-feira, 26 de outubro de 2006

Padre Rego nomeado Consultor no Vaticano

António Rego
no Conselho Pontifício
das Comunicações Sociais
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O Papa Bento XVI nomeou o Cón. António Rego Consultor do Conselho Pontifício das Comunicações Sociais. A Carta de nomeação pontifícia foi enviada ao Director do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais pelo Presidente deste Conselho Pontifício, Mons. John P. Foley, onde expressa a “alegria” em comunicar a nomeação do Cón. Rego por cinco anos, evocando também a “experiência lúcida” do agora nomeado Consultor daquele organismo do vaticano. Em Declarações à Agência ECCLESIA, o Cón. António Rego recorda o envolvimento da Igreja Católica no mundo dos media: no debate em torno do cinema, na dinamização de organizações internacionais (como a UNDA, a OCIC e, no presente, a SIGNIS) e também as iniciativas e os projectos do Conselho Pontifício das Comunicações Sociais. Acções que o Director do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais acompanha de perto e que são exemplos da “atenção cada vez maior que a Igreja dedica aos meios de comunicação social, não apenas para os observar, mas para intervir”. Para o Cón. António Rego, esta nomeação insere-se na atitude com que os responsáveis, no Vaticano, querem trabalhar nos media: “ter a sensibilidade, um pouco de todo o mundo, dos pastores, dos profissionais, para acompanhar o rápido desenvolvimento deste imponente acontecimento do nosso tempo”. Por outro lado, existe a convicção da “atenção com que o próprio Conselho Pontifício tem seguido a experiência da Igreja em Portugal nos media”. Em declarações à Agência ECCLESIA enquanto Presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais e também como membro da Igreja Católica em Portugal, D. Manuel Clemente referiu a honra com esta “nomeação justíssima” do Cón. António Rego. O Bispo Auxiliar de Lisboa sublinhou também a certeza da colaboração que o Cón. Rego pode prestar no Conselho Pontifício em ordem à presença da Igreja nos media “quer na forma, quer na transmissão dos conteúdos”. Enquanto consultor deste organismo da Santa Sé, que reserva a sua acção ao estudo da presença da Igreja Católica nos media e à dinamização pastoral junto dos profissionais e das empresas de comunicação social, ao Cón. António Rego será pedida a participação em reuniões, preparação de documentos e sugestões sobre a forma da Igreja, a diversos níveis, intervir nos media. Com o contributo de diversas culturas e o conhecimento de situações específicas, o Conselho Pontifício será mais capaz de sugerir uma “resposta da Igreja, não apenas a nível doutrinal, mas também de aproximação às realidades locais”, referiu o agora Consultor do Conselho Pontifício das Comunicações Sociais.
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Fonte: Ecclesia
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Nota: Uma palavra de parabéns ao Padre António Rego por esta nomeação, que traduz o reconhecimento público, pela Santa Sé, da sua competência e dedicação.
Conheço o Padre Rego há anos, tendo participado em muitas reuniões em que ele mostrou a sua capacidade e os seus conhecimentos, no âmbito da comunicação social da Igreja e não só. Nele vi a palavra autorizada e prudente, o seu empenho total e responsável, mas também um talento enorme para o diálogo, sempre numa perspectiva da evangelização e da luta por um mundo muito melhor.
Felicito-o na certeza de que vai ser muito útil à Igreja, num domínio carente de gente à altura dos desafios que a sociedade de hoje impõe, mesmo dentro das comunidades eclesiais.
Fernando Martins

FOTOGRAFIA NA UA

«Um sonho: Man Ray
dos objectos às pessoas»
Inauguração na Biblioteca da UA, às 17h30 Exposição fotográfica A Universidade de Aveiro, em parceria com a Fundação João Jacinto de Magalhães, traz a Aveiro a exposição fotográfica «um sonho: Man Ray dos objectos às pessoas». A mostra reúne 87 fotografias e andará pela cidade até 31 de Dezembro.
Na UA, a inauguração é hoje, Quinta-feira, na Biblioteca, às 17h30.
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Para além da Biblioteca, na UA a exposição estará patente na Associação Académica, no Departamento de Comunicação e Arte, no Restaurante e no CIFOP. No resto da cidade, os retratos de Man Ray irão invadir farmácias, cabeleireiros, bares e restaurantes, lojas de decoração e espaços culturais. O Mercado Negro foi o local escolhido para o segundo momento inaugural, em representação da cidade, com início às 22h00 desta Quinta-feira, 26 de Outubro. A exposição «Um sonho: Man Ray dos objectos às pessoas» assume subtítulos, de acordo com os vários locais onde está apresentada. Esses subtítulos estão relacionados com o espaço que acolhe parte da exposição e com o conteúdo das fotografias expostas. No Mercado Negro, a exposição designa-se por «Virgínia Wolf participa numa Tertúlia».
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Foto: UA
Leia mais em UA

PATRIMÓNIO CLASSIFICADO - ÍLHAVO

CAPELA DA VISTA ALEGRE

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A classificação inclui o túmulo de D. Manuel de Moura Manuel, Bispo de Miranda. É um edifício de finais do séc. XVII, com parades espessas, abóbada de tijolo e cantarias de calcário. A fachada é dominada por um grande nicho com uma escultura de Nossa Senhora.

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Lugar da Vista Alegre

Freguesia de São Salvador

M.N., Decreto de 16-6-1910

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In "PATRIMÓNIO CLASSIFICADO" (Arquitectónico e Arqueológico), Distrito de Aveiro

Um artigo de Alexandre Cruz

Que valores para este tempo?
1. Eis-nos diante da pergunta fundamental: “Que valores para este tempo?” Na resposta clarividente a esta questão poderá está a chave para vermos mais longe o que queremos para o bem de todos. Na interpelação sobre os “valores”, nesta procura de referências que nos conduzam, estará a tábua de salvação da própria vida pessoal e social. É bem verdade que o tempo presente é pouco de questões, “não há tempo” nem interesse para os grandes assuntos, preferindo ler tudo numa óptica pragmática perdendo o sentido do horizonte e do ideal; é, por isso, com toda a pertinência, que esta pergunta é temática oportuníssima de conferência da Gulbenkian no assinalar dos seus 50 anos (www.gulbenkian.pt). Ainda bem que uma instituição desta estatura nos ajuda a “pensar” sobre as grandes questões do nosso tempo; pena que com a velocidade e contra-informação dos “dias seguintes” parece que nada fica, que custa a frutificar a reflexão, que é “quase em vão” todo o esforço, que é imensa a distância entre o plano teórico e reflexivo de alguns e a comunidade de todos. Será que a questão dos “valores” que diz mesmo respeito a todos? Acreditamos que sim, e que a reflexão ao seu redor cria novos sentidos de pertença, de cultura, de humanidade. 2. Muitas vezes, e diante de tantos problemas sociais, pretende-se chegar a soluções rápidas mas sem estar resolvido o alicerce de toda a construção. Tantas vezes, por parecer mais prático ou corresponder a visões ideológicas unilaterais, preferimos o “erro” em detrimento do sentido do ideal pessoal e social que terá como bem supremo a dignidade da vida humana. Sem dúvida, só depois de resolvida a questão “que valores queremos para o nosso tempo?” então se poderá dar passos para o ideal que se pretende. É de tal maneira premente e urgente este terreno que, se formos a ver bem, todas a questões candentes na sociedade como o aborto e a eutanásia, a injustiça com a corrupção à mistura, a futebolização já “institucionalizada” com habitual polémica social, a percepção do que é a “liberdade” e a “educação”, afinal, tudo dependerá cada vez mais da resposta sobre, no mundo plural, “em que valores nos queremos construir?” Também é bem verdade, e para complicar mais a missão, que quanto menos se pergunta sobre os valores melhor será para os contra-valores, docemente, progredirem. 3. O nosso tempo é o tempo em que aquilo que seria uma riqueza (a partilha plural de culturas, as formas diferentes de pensar em liberdade a inter-agirem numa construção social que acolha e sensibilize todos para a dignidade humana, o sentido do progresso de todos no sentido da dignificação do ser humano, …), toda esta riqueza parece que se vai transformando em algo de secundário; e aquilo que é o acessório (todo o espectáculo social de um entretenimento como forma de estar na vida) vai-se generalizando como referência, modelo (vazio) de vida. Que tempo já tão diferente de há uns 10 anos em que os modelos a seguir seriam Ghandi, Luther King, Teresa de Calcutá!... Estamos, divertidamente, a desviarmo-nos do ideal humano!... Cada vez com menos lugar para as “filosofias”, menor qualidade de pensamento, já quase sem gosto em viver o “sonho”, num sem sentido cheio (qualquer dia) de prendas de Natal mas com a “alma” vazia de esperança, assim nos vamos afastando do humanismo profundo em que erguemos as referências dos valores que chegaram ao nosso tempo. Estamos a exagerar?! No dia-a-dia andante das avenidas e praças televisivas da sociedade, que hoje “educa” bem mais que todas as energias das instituições (por muito que nos custe!), ainda há dias nos detivemos a contar quantos dias de futebol seguidos existiram e reparámos que foram 11 dias seguidos de bola a meados de Outubro. Factos são factos, valem o que valem; mas é dos factos e de toda a sua preparação entusiasmante (para além do saudável entretenimento) que se vão criando as novas formas de vida. 4. Por tantos “ecos” existenciais do dia-a-dia os “valores para este tempo?” é, simplesmente, questão que já não é precisa, não faz sentido, não há nada a “procurar” aperfeiçoar; tal é a grandeza do vazio; para outros os valores serão mesmo a nulidade elevada a modelo, contra-valores estes espelhados numa chamada “cultura de morte” que não vê mais longe que o egoísmo de seu próprio umbigo, estando cada “outro” sempre a mais. Estará também “morta” a responsabilidade?! É determinante e inquietante demais o que está em causa para os nossos grandes pensadores ficarem só pelas elites dos auditórios de umas dezenas de pessoas que participam; é preciso ir bem mais longe!... Há toda uma nova geração a não entender o que é a “liberdade” e à custa desta a destruir a sua própria viagem pessoal e social! É possível reflectir, pensar, dialogar e partilhar sobre o que está em causa (nas causas) e dignificar os rumos deste tempo? “Amanhã” pode ser tarde!...

quarta-feira, 25 de outubro de 2006

COMUNICAÇÃO SOCIAL E IGREJA

RELAÇÃO ENTRE
MEDIA E IGREJA
É DE DESCONFIANÇA
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“Os media mostram uma grande ignorância e descon-fiança em relação à religião. Por outro lado, as institui-ções religiosas mostram uma falta de confiança nos media e parecem incapazes de entender as fundamentações do jornalismo, assim como não aproveitam os desafios tecnológicos da informação moderna.” Isto mesmo afir-mou António Marujo, jorna-lista do jornal “Público”, na sua conferência “Religião e Media – Mal entendidos e oportunidades”, em cerimónia ligada ao prémio John Templeton, que decorreu na segunda-feira passada, em Lisboa. O Grémio Literário, foi o local da conferência, onde participaram entre outros, o presbítero Diamantino Lemos, da Igreja Lusitana, ligada à Igreja Anglicana, e Luca Negro, assessor de comunicação da Conferência de Igrejas Europeias. “Em muitas cabeças da Igreja, os media são simplesmente o púlpito moderno”, disse António Marujo, que acrescentou: “Este é um dos piores mal-entendidos. Como jornalista, devo escrever sobre instituições religiosas, mas, para mim, é também importante dar espaço a vozes desconhecidas e a experiências de fé humildes, mas cheias de significado.” António Marujo, foi o vencedor do prémio Templeton, como “Escritor Europeu de Religião 2005”, atribuído pela Conferência de Igrejas Europeias, em Julho passado, numa cerimónia na Catedral da Igreja Anglicana em Lisboa. Em 1995, o jornalista foi galardoado com o mesmo prémio. :::
Fonte: Ecclesia
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Foto: António Marujo

BIBLIOTECA DE ÍLHAVO

Crianças na Biblioteca
::: ESPAÇO DE CULTURA
ABERTO A TODOS
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A Biblioteca Municipal de Ílhavo, que fica na Av. Dr. Rocha Madaíl, é um espaço aberto a todos. A Câmara Municipal, no seu projecto Serviços Educativos 2006/2007, destinado aos diversos ciclos de ensino, diz que se pretende "dar a conhecer autores do nosso país, da nossa terra e também estrangeiros".
"Todos os meses serão relembrados um ou mais autores, através da simples afixação de um cartaz comemorativo ou de uma exposição das suas obras literárias sobre a sua pessoa ou da sua autoria. Serão também levados a cabo outros eventos, tais como exposições de âmbito nacional, debates, conferências e encontros...", lê-se na brochura editada pela autarquia.

IMAGENS DA GAFANHA DA NAZARÉ

PÔR DO SOL
NA GAFANHA DA NAZARÉ
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O meu amigo Ângelo Ribau, que continua como sempre apaixonado pela fotografia, ofereceu-me esta para nossa contemplação. A beleza deixa-nos, de facto, encantados e com vontade de andar por aí à cata de belos enquadramentos para os registarmos para a posteridade possível.
Espero que gostem desta foto da Barra, tirada da Docapesca, como eu gosto. E aqui fica, também, o desafio para fazerem experiências deste género.
F.M.

terça-feira, 24 de outubro de 2006

JOVENS EM ASSIS

Encontro de jovens
com representantes
de diversas religiões
A Santa Sé está certa de que a paz no mundo depende em parte do autêntico diálogo inter-religioso. Sob este espírito, convocou jovens das diferentes religiões para um encontro que se celebrará em Assis. A iniciativa será celebrada de 4 a 7 de Novembro, no vigésimo aniversário da primeira Jornada Mundial de Oração pela Paz convocada por João Paulo II na cidade de São Francisco, com a participação de representantes de diversas religiões. Este encontro foi apresentado pelo cardeal Paul Poupard, Presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso, durante a conferência de imprensa de apresentação da mensagem que escreveu aos muçulmanos, por ocasião do final do Ramadão. Em Assis participarão cem jovens, cinquenta cristãos e outros tantos pertencentes a outras religiões, dos diferentes continentes. Além do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso, participam na organização desta iniciativa o Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, os frades do Sagrado Convento de Assis e essa diocese. O cardeal Poupard revelou, ainda, que o encontro procura ser “uma reflexão e um intercâmbio de ideias, com a esperança de que ajude os jovens a serem instrumentos de diálogo, de paz e de esperança para o mundo”. Bento XVI enviou uma mensagem em 2 de Setembro de 2006, na qual faz referência a este encontro, dizendo: “Temos mais necessidade que nunca deste diálogo, especialmente quando contemplamos as futuras gerações”. :: Fonte: Rádio Vaticano

UM LIVRO PARA A AMI

"Cartas a Deus"
A editora «Publicações Pena Perfeita» pediu a alguns (3 dezenas) vultos portugueses que escrevessem uma carta a Deus. Como resultado saiu uma obra - «Cartas a Deus» - com cerca de 120 páginas e testemunhos de vários quadrantes. Marcelo Rebelo de Sousa, Carlos Pinto Coelho, Clara Pinto Correia, Fernando Nobre, Maria João Seixas e António Rego foram alguns dos que aderiram ao projecto cujos Direitos de Autor do Livro revertem para a AMI.
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Fonte: Ecclesia

Um artigo de António Rego

Nada a acrescentar
Acho que, tudo somado, o tempo que vivemos é o menos mau dos tempos que conhecemos da história. Não creio que seja possível apontar um século, uma década, um ano preciso em que a humanidade tivesse optimizado o seu ponto de equilíbrio, os jogos da guerra e da paz, da riqueza e da pobreza atingissem os graus desejáveis e perfeitos num mundo em contínuo movimento. Por que nos voltamos excessivamente para os nossos estreitos metros quadrados e para os minutos antes e depois do agora, como que nos vemos deformados em espelhos de medo e desalento, quais testemunhas oculares de quedas caóticas de todos os edifícios que constituíram o melhor da nossa cidade desejada e imaginária. Mas é assim. Caminhamos pelas ruelas estreitas da euforia e do desalento, esmagados pela amplificação dos acontecimentos em velocidade acelerada que nos roubam a paz. A paz? Mas será paz o desconhecimento e o silêncio, a ficção alienante que esconde o real até que ele se precipite como uma hecatom-be sobre a nossa pequena urbe? S. Isaac, o Sírio (sec VII), monge em Nínive, perto de Mossul, actual Iraque, escreveu num dos seus discursos ascéticos:"A vida neste mundo é semelhante àqueles que formam palavras com letras, acrescentando-as, retirando-as, e alterando-as a seu bel prazer. Mas a vida do mundo futuro é semelhante ao que está escrito sem o menor erro nos livros selados com o selo real, a que nada falta e a que nada há a acrescentar". Este comentário ao "Evangelho Quotidiano" lança-nos bem na reflexão das nossas vidas como dobadoiras do efémero, onde cada acontecimento nos faz voltar a cabeça e o coração em direcções opostas. E nos sugere julgamentos precipitados e porventura injustos sobre o agora, amaldiçoando-o em benefício do ontem. O agora, no tempo, sempre foi assim. Tempos virão em que se não acrescentará qualquer palavra. Temos de aceitar este drama. E acreditar no futuro sólido e imutável. Eis é a grande diferença na leitura da história, do tempo, da evolução, do progresso, do porvir. Tudo tem importância. Mas só ganha significado o que desagua no futuro, "escrito sem o menor erro nos livros selados a que nada falta acrescentar".

CONTADOR

RECUPERAÇÃO DO CONTADOR
Hoje consegui recuperar o antigo contador. Há tempos, a opção por novo grafismo fez desaparecer o contador da Bravenet, sem que, na altura, houvesse possibilidades de o manter em actividade. A partir de agora, cá está ele, novamente, perdendo-se o segundo contador, que já ia nas 4200 entradas. Isto significa que o meu blogue já ultrapassou as 36 mil entradas, em 22 meses.
Fernando Martins

Editorial de António José Teixeira no DN

Desfaçatez
O acórdão do Tribunal Constitucional que avalia as contas da última campanha para as eleições legislativas volta a deixar envergonhada a democracia portuguesa. De tão repetidas as irregularidades, tendemos a relativizá-las. Não surpre-endem.
Sempre que o país vai a votos, é certo e sabido que as candidaturas se estragam em habilidades. Ou melhor, boa parte das vezes, nem sequer se dão ao trabalho de as exibir. Pura e simplesmente não justificam as despesas. A desfaçatez e a impunidade política levaram a este pântano, que coloca sob suspeita permanente aqueles que deveriam ser um exemplo de probidade para os cidadãos-eleitores.
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Leia todo o Editorial no DN

segunda-feira, 23 de outubro de 2006

VOLUNTARIADO

UMA EXPERIÊNCIA
MUITO ENRIQUECEDORA
Em tempos de algum egoísmo e de muito comodismo, é salutar verificar que há gente jovem (de todas as idades) com capacidade para se dar aos outros. Assim é nos PVU - Projectos de Voluntariado Universitário, uma iniciativa do CUFC (Centro Universitário Fé e Cultura) e da AAUAv (Associação Académica da Universidade de Aveiro), com apoios dos Serviços de Acção Social e da Reitoria da UA.
Esta boa iniciativa partiu da ideia de que, se quisermos, há sempre tempo para dedicar ao Serrviço do Bem Comum, sobretudo na área da formação humana.
Porque há diversas vertentes do voluntariado, a organização solicita aos interessados que procurem o CUFC ou a AAUAv, fundamentalmente para descobrirem, em diálogo aberto com os responsáveis, qual o caminho que mais se coaduna com as disponibilidades e com os dons de cada um.

UM POEMA DE MIGUEL TORGA

CONFIANÇA
O que é bonito neste mundo, e anima, É ver que na vindima De cada sonho Fica a cepa a sonhar outra aventura... E que a doçura Que se não prova Se transfigura Numa doçura Muito mais pura E muito mais nova...

Uma reflexão de Georgino Rocha

CORAÇÃO
QUE VAI À FRENTE
Muitas vezes me vêm pensamentos de ir às escolas desses lugares, gritando como quem perdeu o juízo, e principalmente à Universidade de Paris, dizendo na Sorbona aos que têm mais letras do que vontade para dispor-se a frutificar com elas, quantas almas deixam de ir à glória e vão ao inferno por negligência deles…”. Esta frase consta da carta que Francisco Xavier escreve de Cochim aos universitários de Paris, seus ex-colegas. Nessa universidade, havia sido aluno e mestre, depois faz-se padre jesuíta e parte para o Extremo Oriente nas caravelas portuguesas a 7 de Abril de 1541. São tempos de D. João III. Fiel ao lema que marca a sua vida “Mais, sempre Mais”, percorre os pontos nevrálgicos daquela vasta zona do mundo: Índia, Malaca, Molucas, Japão, China onde não chega a entrar por a morte o haver surpreendido no caminho. Tal como ele, tantos outros sentem a urgência da missão que Jesus deixa aos seus discípulos – os cristãos. “Ide por todo o mundo, anunciai a boa notícia de que Deus quer a felicidade de todos e de cada um. Eu estou sempre convosco: umas vezes escondido nas culturas e religiões dos povos aonde chegais, outras nas comunidades cristãs que ides construir, no modo fraterno do vosso relacionamento, no espírito de serviço e de partilha de que dareis testemunho”. Assim o entendeu um missionário idoso que sonha com ir às montanhas do Himalaia para ajudar os povos que aí habitassem. Põe-se a caminho, logo que a vida lho permite. É Inverno, o frio aperta, começa a chover, a neve a cair, mas nada o demove. O dono de uma pousada interpela-o, dizendo: “Onde vai, meu bom homem? Como chegou aqui?”. E ele, encharcado e quase enregelado, responde sorridente: “ Sigo o meu coração que vai à frente. É o amor que me guia. Quero chegar. Sou missionário!”. De facto, lembra Bento XVI o amor é a fonte da missão. Ser missionário significa amar a Deus, entrar no seu dinamismo, cultivar os critérios de vida que Jesus nos transmite e propor a todas as pessoas, com ousadia e simplicidade, a alegria de colaborar na construção de uma sociedade mais justa e fraterna. ::
In "Para Ti", folha dominical do CUFC

domingo, 22 de outubro de 2006

ABORTO - 4

Nota Pastoral
do Conselho Permanente
Conferência Episcopal Portuguesa
sobre o referendo ao aborto
RAZÕES PARA
ESCOLHER A VIDA
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1. A Assembleia da República decidiu sujeitar, mais uma vez, a referendo popular o alargamento das condições legais para a interrupção voluntária da gravidez, acto vulgarmente designado por aborto voluntário. Esta proposta já foi rejeitada em referendo anterior, embora a percentagem de opiniões expressas não tivesse sido suficiente para tornar a escolha do eleitorado constitucionalmente irreversível, o que foi aproveitado pelos defensores do alargamento legal do aborto voluntário. Nós, Bispos Católicos, sentimos perplexidade acerca desta situação. Antes de mais porque acreditamos, como o fez a Igreja desde os primeiros séculos, que a vida humana, com toda a sua dignidade, existe desde o primeiro momento da concepção. Porque consideramos a vida humana um valor absoluto, a defender e a promover em todas as circunstâncias, achamos que ela não é referendável e que nenhuma lei permissiva respeita os valores éticos fundamentais acerca da Vida, o que se aplica também à Lei já aprovada. Uma hipotética vitória do “não” no próximo referendo não significa a nossa concordância com a Lei vigente. 2. Para os fiéis católicos o aborto provocado é um pecado grave porque é uma violação do 5º Mandamento da Lei de Deus, “não matarás”, e é-o mesmo quando legalmente permitido. Mas este mandamento limita-se a exprimir um valor da lei natural, fundamento de uma ética universal. O aborto não é, pois, uma questão exclusivamente da moral religiosa; ele agride valores universais de respeito pela vida. Para os crentes acresce o facto de, na Sua Lei, Deus ter confirmado que esse valor universal é Sua vontade. Não podemos, pois, deixar de dizer aos fiéis católicos que devem votar “não” e ajudar a esclarecer outras pessoas sobre a dignidade da vida humana, desde o seu primeiro momento. O período de debate e esclarecimento que antecede o referendo não é uma qualquer campanha política, mas sim um período de esclarecimento das consciências. A escolha no dia do referendo é uma opção de consciência, que não deve ser influenciada por políticas e correntes de opinião. Nós, os Bispos, não entramos em campanhas de tipo político, mas não podemos deixar de contribuir para o esclarecimento das consciências. Pensamos particularmente nos jovens, muitos dos quais votam pela primeira vez e para quem a vida é uma paixão e tem de ser uma descoberta. Assim enunciamos, de modo simples, as razões para votar “não” e escolher a Vida:
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