domingo, 9 de agosto de 2009

Passeios de Férias: São Pedro de Moel

Afonso Lopes Vieira
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Visita para repetir? Claro!
Quando, há anos, visitei São Pedro de Moel, fiquei com a ideia de que se tratava de uma terra arejada, encravada entre o Pinhal de Leiria e o Mar, onde veraneia gente de haveres. Vivendas recentes que casam bem com moradias de traça antiga mostram que houve cuidado com a urbanização e com o asseio. Bom sítio para umas boas férias à beira-mar, com ladeiras a exigirem boas pernas para subir e descer. Durante esta visita, confirmei que se tem mantido o rigor na manutenção da povoação, imposto desde há muito. Hotéis e residenciais, restaurantes e pensões, estabelecimentos preparados para atender os residentes e visitantes, tudo serve para garantir uma ambiência que pode ser desfrutada por muita gente, principalmente no Verão, época de maior afluência.
Na praça, qual varanda virada para a praia, pontifica o busto da figura maior desta terra – Afonso Lopes Vieira – que o soube respeitar, tanto quanto o poeta a soube amar. Mas dele, da sua obra e do seu museu, falarei, com mais pormenor, num próximo registo. Se o não fizesse, seria crime de lesa-poesia e de lesa-solidariedade.
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Nessa varanda, com tendas de artesanato variado, mais doces regionais, como penso, até nem faltou a propaganda política, da CDU, com o ainda bem conhecido homem da Rádio, Cândido Mota, a debitar os slogans do partido que mais lutas políticas apoiou ou promoveu na Marinha Grande, sede do concelho a que pertence São Pedro do Moel e centro vidreiro de renome internacional, embora, segundo penso, a entrar em decadência nos últimos anos. Não sei se agora estará em recuperação… Deus queira que sim. A marca do poeta está em cada canto. No restaurante Brisamar, premiado pela gastronomia, higiene alimentar e profissionalismo, onde degustei uma bem composta cataplana, acompanhada por um branco do Ribatejo, de nome e preço a condizer com o repasto, apreciei uma quadra de Afonso Lopes Vieira, que ali está há 45 anos, como me informaram. Mais ainda: um quadro, em jeito de tríptico, de Carlos Reys, e uma vitrina de peças de vidro dignas de museu. Visita para repetir? Claro! FM

Raul Solnado

Na galeria dos inesquecíveis A meio da manhã, ligou-me o António Macedo, da Antena 1, com a voz tensa e a notícia de um rumor: constava que tinha morrido o Raul Solnado. Perturbado e um tanto incrédulo, dado que os nossos últimos encontros não pressagiavam tão brutal novidade, procurei informações junto de um amigo comum que o acompanhava sempre: o Manolo Bello. Era verdade. Duas horas antes destas amargas conversas, perdêramos do nosso convívio um homem raro, alguém que não fazia apenas parte de um círculo de amigos mas da existência dos portugueses todos. E nessa manhã negra de ontem, em homenagem à memória do Raul, tomei dois whiskies como tantas vezes fizemos juntos. E entristeci. Mário Zambujal, no PÚBLICO de hoje, Caderno Principal, 3.ª página

Um bocadinho de Jacinto Lucas Pires

Jacinto Lucas Pires
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Era uma vez um menino ou uma menina, quem lê é que escolhe, que ia por uma floresta ou uma rua ou um deserto com céus mais que gigantes. Era noite fria lá nesse lugar. Uma noite fria e bonita mas também meio triste, porque tudo é triste se estamos tristes, e as coisas bonitas então são as mais tristes, e o menino ou menina não estava contente. Ia sozinho ou sozinha sem companhia ou coragem para ir assim por ali, na floresta ou na rua ou no deserto dos céus. A noite caindo, um silêncio bem mau, e ele ou ela a tremer. O menino ou menina é mesmo igual a nós. Estrangeiro ou estrangeira, pequeno ou pequena, muito fraco ou fraca e sem nada saber. Vai agora na estrada toda feita de escuro ou chuva ou vento ou talvez tempestades. Ao longe, uma luz. E o menino ou menina sofre um medo terrível. E de repente essa luz afinal é uma casa e de repente essa casa afinal é a nossa e de repente o medo é afinal alegria. Uma alegria-alegria ou qual outra palavra? Quem lê é que escolhe, quem lê é que escolhe.

sábado, 8 de agosto de 2009

TECENDO A VIDA UMAS COISITAS – 143

BACALHAU EM DATAS - 33
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Santa Joana

O SANTA JOANA

Caríssimo/a:
1935 - «...[P]erante a incapacidade dos estaleiros navais portugueses em satisfazer as necessidades da frota, apesar da necessária autorização prévia do Ministro da Marinha, os armadores portugueses recorreram à aquisição de unidades usadas no estrangeiro, onde os preços de navios usados oscilavam entre os 150.000$00 e os 200.000$00. Aquisição do lugre em ferro JOSÉ ALBERTO, para a praça da Figueira da Foz e dos lugres em madeira SANTA QUITÉRIA, para a praça do Porto, e LABRADOR, para a praça de Lisboa. Ainda no mesmo ano e para a praça de Aveiro, foi comprado em França o lugre NORMANDIE e na Irlanda o lugre SENHORA DA SAÚDE.» Oc45,109
«O JOSÉ ALBERTO, adquirido na Dinamarca pela Sociedade de Pesca Oceano, L.da, em 1935, se[rá] o primeiro lugre-motor de pesca à linha, totalmente feito em ferro, a ser integrado na frota de pesca do bacalhau.» Oc45, 111
«17 de Fevereiro - Entrou na barra da Figueira o lugre com motor de 4 mastros JOSÉ ALBERTO, construído em chapa de aço em 1923, na Dinamarca. Propriedade da Sociedade de Pesca Oceano, o lugre foi considerado "o maior e mais elegante navio da frota bacalhoeira portuguesa". A maioria das casas comerciais da zona ribeirinha fecharam, para que o seu pessoal pudesse observar este momento histórico.»
«Neste ano a frota bacalhoeira portuguesa era composta por 46 navios, sendo 11 da Figueira da Foz.»
1936 - «O segundo marco de inovação [das características técnicas introduzidas nos navios bacalhoeiros da frota portuguesa do bacalhau] foi o começo da pesca com arrastões clássicos ou laterais, em 1936, com o célebre SANTA JOANA.» [v. 1932 ] Oc45, 100
«Por encomenda da Empresa de Pesca de Aveiro, foi construído nos estaleiros de Nakskow, na Dinamarca, um arrastão em aço, o SANTA JOANA, que viria a ser o primeiro barco em Portugal a utilizar o sistema de pesca do bacalhau por arrasto. Era de aço, com 66 metros de comprimento e 17 pés de calado. A sua tonelagem bruta atingia as 1198 t e a sua capacidade de pesca ia até às 1080 t. Com uma tripulação de 58 homens, possuía frigorífico, TSF e um motor Guldner que debitava 900 CV. Este motor permitia-lhe fazer duas safras por ano, a primeira entre Março e Junho, a segunda de Setembro a Dezembro. O SANTA JOANA era um navio sofisticado e bem equipado, numa época em que o preço de um arrastão com estas características rondava os 8.500 contos.» Oc45,111
«O SANTA JOANA foi o primeiro arrastão português da pesca do bacalhau. Pertencia à Empresa de Pesca de Aveiro e era considerado, na sua época, uma das maiores unidades do arrasto na pesca do bacalhau.» Oc45,119 n. 5
«Esta modalidade [o arrasto] firma-se entre nós nesse ano de 1936, com a construção dinamarquesa do SANTA JOANA para a Empresa de Pesca de Aveiro, na gerência de Egas Salgueiro. Assume o comando do navio o Capitão João Ventura da Cruz, veterano dos lugres bacalhoeiros, um dos que, em 1931, demandaram pela primeira vez os bancos da Gronelândia.» HDGTM, 7
«Em 1936, foi adquirido o lugre MILENA, em Génova, também para engrossar a flotilha aveirense [para a Indústria Aveirense de Pesca].» Oc45, 109
Manuel

Raul Solnado: A Guerra

A minha homenagem a um humorista inesquecível da minha geração.

Museu Marítimo de Ílhavo em Festa

Com 72 anos de vida, 
cada vez mais tem mais para dar

Não há dúvida. O Museu Marítimo de Ílhavo, com os seus 72 anos de vida, cada vez mais tem mais para dar. O mar e a ria, mais as gentes que lhe estão ligadas, marcam presença indelével, há muitos anos. Numa procura de actualização permanente, graças também aos Amigos do Museu, que muito o continuam a enriquecer, este espaço museológico é, de forma indesmentível, um excelente pólo de desenvolvimento cultural. A Faina Maior, representativa da saga dos bacalhaus, em que os ílhavos foram muito grandes, é bem digna de ser revisitada, a par da Sala da Ria e de outras colecções que situam o nosso Museu num patamar alto dos melhores museus do mundo, no seu género. Do edifício, podemos salientar que tem sido premiado, com títulos de que nos podemos orgulhar. Hoje está em festa, mas se quisermos, e decerto queremos, a festa continuará com as nossas visitas e os nossos estímulos.

FM

Passeios de Férias: Vieira de Leiria

Diversos aspectos da mesma praia Férias bem diferentes do século XIX
Nas férias, gosto de sair um pouco para conhecer as terras que quase se avistam do lugar onde assentei arraiais. Por vezes chego mais longe, sem perder de vista os horizontes ou a rota segura. Hoje fui a Vieira, para ver o mesmo oceano que oiço e vejo desde menino. Verão, o deste ano, sem o calor que almejo, mas nem por isso falta gente de todas as idades, no areal e na povoação, carregada disto e daquilo que junto das ondas é preciso. Não me aventurei pela praia, mas apreciei o prazer que muitos sentem, como que indiferentes ao ventinho agreste que me obrigava a procurar abrigo. Gostei de ver Vieira de Leiria, com a azáfama do Verão. E enquanto olhava à volta, dei comigo a pensar, nem sei por que carga d’ água, que era nesta praia, mais metro menos metro, que as personagens principais do célebre romance de Eça de Queirós – O Crime do Padre Amaro – veraneavam, carregando para aqui, desde Leiria, o essencial de que precisavam, para umas boas férias, de banhos de mar e de sol. Não havia, certamente, hotéis, restaurantes, bares e outros estabelecimentos que, nos tempos que correm, contribuem para o bem-estar dos veraneantes que demandam estas paragens. Tão-pouco andariam, os banhistas do século XIX, como os de hoje. As modas das praias, a apetência pela tez morena e as possibilidades de férias estavam longe dos tempos actuais. Gostei do que vi na povoação e na praia, com acessos fáceis e asseio a condizer com o bom gosto de quem chega e de quem está. É difícil estacionar? Com calma tudo se consegue. FM
NOTA: A seguir, S. Pedro de Moel

O capitalismo é moral?

Há um passo célebre da Fundamentação da Metafísica dos Costumes, de Immanuel Kant, sobre o "comerciante avisado", para mostrar o que é realmente moral. O comerciante avisado e prudente não engana os seus clientes, pois a honestidade é necessária para o bom andamento do negócio. Ele age de modo conforme ao dever - não enganar os clientes -, mas isso não significa que aja moralmente. A acção só é moral, se agir por dever e não com uma intenção egoísta, isto é, porque o seu lucro o exige. Em A República, Platão apresenta o famoso anel de Giges, que, colocado numa certa posição, tornava o seu possuidor invisível. Com o anel e os seus poderes mágicos de invisibilidade, Giges, que era um homem honesto, entregou-se a uma série de crimes. Colocado nesta situação de poder tornar-se invisível, pode alguém fazer o teste da sua moralidade, verificando que só é verdadeiramente moral quem, mesmo invisível, continuasse a agir por dever e não por interesse ou por medo do juízo dos outros. À pergunta em epígrafe, que constitui também o título de uma obra de André Comte-Sponville, o conceituado filósofo responde: "Não. O capitalismo não é moral, mas também não é imoral; é - total, radical, definitivamente - amoral." Assim, por exemplo, aos protestos compreensíveis de quem se revolta porque o preço de determinado produto está acima do que a decência pode tolerar, observa: "A decência, que eu saiba, não é uma noção económica." Para perguntas e respostas correctas, é necessário distinguir as ordens, os níveis ou domínios. A primeira ordem é a ordem tecnocientífica - no caso da economia, a ordem económico-tecnocientífica -, estruturada, interior- mente, pela oposição do possível e do impossível. Esta fronteira interna entre o possível e o impossível é incapaz de limitar a ordem tecno-científica, porque se desloca constantemente: pense-se no que era antes impossível e hoje possível no domínio da biologia e do progresso tecnológico em geral. Mas precisamente estas novas possibilidades e suas consequências - manipulações genéticas, poluição...; no caso da economia, as variações do mercado... - podem pôr em causa o futuro da Humanidade ou afectar dramaticamente a vida de milhões de pessoas. Assim, uma vez que esta ordem é incapaz de limitar-se a si mesma - não há limite biológico para a biologia, limite económico para a economia, etc. -, é preciso limitá-la do exterior, com a ordem jurí- dico-política, a lei, o Estado, ordem estruturada interiormente pela oposição do legal e do ilegal. O legal pode, porém, não respeitar a dignidade humana: pense-se na legalização do esclavagismo ou do racismo. Não se vota o bem e o mal: "O indivíduo tem mais deveres do que o cidadão." Assim, a ordem jurídico-política é limitada do exterior pela natureza e pela razão, pela ordem moral (o dever, o interdito). Quer dizer, há o pré-jurídico e pré-político. Por último, a ordem moral é "completada", abrindo-se ao divino, que é a ordem do amor e da gratuidade. O capitalismo é, pois, amoral. Não funciona pela virtude nem pelo desinteresse ou pela generosidade, mas pelo interesse pessoal ou familiar, pelo egoísmo. Se funciona bem, é precisamente porque egoísmo é coisa que não falta, mas, também por isso, não basta. O mercado, que mostrou ser o sistema mais eficaz, não tem a capacidade de regulação socialmente aceitável e a moral também não consegue. Então? "Entre o poder cego da economia e a fraqueza da moral, só a política e o direito nos permitem fixar limites não-mercantis ao mercado, regulá-lo, a fim de que os valores morais dos indivíduos dominem, pelo menos em parte, a realidade amoral da economia. O problema, hoje, é que se cavou um desfasamento entre a escala mundial dos problemas económicos e a escala nacional dos nossos meios de acção sobre esses problemas." É aqui que se mostra a urgência de uma política mundial, o que implica compromissos entre Estados, para que o capitalismo seja limitado nos seus efeitos perversos e dramáticos. "Quanto mais lúcido se é quanto à força da economia e à fraqueza da moral mais exigente se deve ser quanto ao direito e à política."
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sexta-feira, 7 de agosto de 2009

“Feira da Saúde do Município” na Praia da Barra: amanhã, sábado

ESTILOS DE VIDA MAIS SAUDÁVEIS
A Câmara Municipal de Ílhavo vai promover amanhã, sábado, dia 8 de Agosto, a edição 2009 da “Feira da Saúde do Município” na Praia da Barra. Esta acção tem como objectivo incentivar a população do Município e os turistas a adoptarem estilos de vida mais saudáveis, permitindo-lhes um contacto directo com diferentes agentes e especialistas da saúde, de forma informal. Estarão presentes, nesta iniciativa, várias entidades profissionais do ramo da saúde de diversas especialidades. Depois de ter sido inaugurado a 23 de Abril de 2006, o edifício da Extensão de Saúde da Barra permanece sem utilização, dado o facto do Ministério da Saúde não ter honrando o compromisso assumido com a Câmara Municipal de Ílhavo e com a População da Barra, colocando-o em funcionamento. A Feira da Saúde, a realizar neste edifício, é também mais um alerta público para uma situação inadmissível que urge resolver em nome do interesse dos cidadãos.
Fonte: CMI

Cheque para a Santa Casa da Misericórdia de Ílhavo

Hospital de Cuidados Continuados
No próximo dia 11 de Agosto, pelas 20 horas, vai a Santa Casa da Misericórdia de Ílhavo promover um jantar com o presidente da Câmara Municipal, Ribau Esteves, e com Joaquim Coelho, emigrante nos Estados Unidos, o qual, recentemente, promoveu um espectáculo de angariação de fundos para as obras do novo Hospital de Cuidados Continuados Integrados, que aquela Instituição está a construir. Nesse encontro, Joaquim Coelho fará a entrega de um cheque com o valor angariado. O jantar terá lugar no restaurante "O Navegante", em Ílhavo.

Figueira da Foz: NÓS NA ARTE - No edifício do antigo Casino Oceano

Les Deux Musiciens, tapeçaria sob cartão de Le Corbusier Tapeçarias de Portalegre e Arte Contemporânea
No edifício do antigo Casino Oceano, ao lado do actual Casino, na Figueira da Foz, pode ser apreciada uma exposição de Tapeçarias de Portalegre e Arte Contemporânea, bem como dos “cartões” originais, executados pelos artistas representados, nomeadamente, Almada Negreiros, Nadir Afonso, Camarinha, João Tavares, Le Corbusier, Susanne Dolesch, John Olsen, Vieira da Silva, Carlos Botelho, Júlio Pomar, Graça Morais, Cruzeiro Seixas, Manuel Cargaleiro, Menez, entre outros. Há também espaços para artistas mais jovens. Trata-se de uma exposição do Museu da Presidência da República, que merece uma visita, até ao fim de Setembro. Entrada livre.

FOLCLORE NA PRAIA DA BARRA

Amanhã, sábado, 8 de Agosto, a partir das 21.30 horas, no Largo do Farol, com organização do Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré, vai realizar-se o Festival de Folclore da Praia da Barra. Participam, para além do grupo anfitrião, o Grupo Folclórico de Santiago de Custóias, o Grupo de Danças e Cantares da Serra da Gravia - Valadares, S. Pedro do Sul, o Rancho Folclórico da Casa do Povo de Alpiarça e o Rancho Folclórico da Correlhã, Ponte de Lima. Trata-se de uma festa popular para toda a gente, em especial para os amantes do folclore.

Pedro Nunes: "O maior cientista que houve em Portugal"

Pedro Nunes
Há sete anos que a vida de Henrique Leitão corre entre as quatro paredes de um dos gabinetes da Academia das Ciências, no Bairro Alto, em Lisboa. Desde que em 2002 a Academia das Ciências de Lisboa e a Fundação Calouste Gulbenkian decidiram lançar-lhe um desafio e convidá-lo para editar a obra completa daquele que é o maior matemático português de sempre e uma das figuras mais proeminentes do pensamento quinhentista. "Foi o maior cientista que houve em Portugal." Para quem duvida do lugar de Pedro Nunes no panorama intelectual do século XVI, Henrique Leitão recorre sempre a um diagrama de época sobre mestres de álgebra - o frontispício do livro de Matemática do alemão Johannes Luneschlos, de 1649, onde aparece a imagem de Pedro Nunes a par de figuras como Euclides. Está lá, colado numa estante, por trás da cabeça de Henrique Leitão.
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Bispo de Aveiro de luto

Ao início da noite de ontem, Deus chamou à Sua presença a Sra. Donzelina dos Santos, mãe do Sr. D. António Francisco dos Santos, Bispo de Aveiro. Depois de longos anos de enfermidade, vivida em profunda união com Deus, foi chamada para a Casa do Pai. Os seus restos mortais encontram-se em câmara ardente na Casa de Retiros de S. José, em Lamego, onde residiu nos últimos anos. A Solene Missa Exequial realizar-se-á na Sé Catedral de Lamego, amanhã, sexta-feira, pelas 11.00h. O seu funeral seguirá para a sua terra natal, Tendais, no concelho de Cinfães, onde será celebrada Santa Missa de Corpo presente, pelas 17.00h. A Diocese de Lamego, o seu Bispo, o seu Clero e todos os fiéis associam-se à dor de D. António Francisco e à da sua família, e não deixará de elevar a Deus preces pela alma desta generosa mãe que ofereceu tudo o que tinha à Igreja. Neste momento, importa também destacar a generosidade das pessoas que, mais de perto, foram acompanhando a Sr. D. Donzelina na sua doença, e sempre a cuidaram com todo o carinho e atenção. Deus, que nunca se deixa vencer em generosidade, acolha a alma desta sua serva. Possa ela gozar da visão beatífica na presença do Eterno Pai. Gabinete de Imprensa da Diocese de Lamego 06-08-2009 NOTA: Associo-me à dor de D. António Francisco com a solidariedade cristã que me é possível, na certeza de que Deus já acolheu, com toda a ternura maternal, a mãe do meu bispo.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

A maior cavaca de São Gonçalinho



“A maior cavaca de São Gonçalinho” foi apresentada no dia 12 de Janeiro deste ano. Mordomos da festa e crianças do Centro Social Paroquial da Vera Cruz (CSPVC), em Aveiro, transportaram a cavaca, em procissão, desde a confeitaria encarregada da sua confecção até à capela do mais popular santo dos aveirenses. Junto à capela de São Gonçalinho, a cavaca foi partida e do cimo da torre, como manda a tradição, foi atirada, para que o povo a saboreasse. 
O doce típico pesava 10,140 Kg, tinha 1,904 m de comprimento e 0,45 m de largura. Apresentou-se como candidata ao Guinness World of Records, tendo sido o acto testemunhado pelo Governador Civil de Aveiro, Filipe Brandão, pelo presidente da Câmara, Élio Maia, e pelo presidente da Associação Comercial, Jorge Silva 
O acontecimento, referenciado pela comunicação social, teve, contudo, uma finalidade mais ampla: pretendeu envolver a comunidade aveirense na construção da Creche da Vera e do Cruz, daquele centro social. A instituição foi até ao povo e o povo ficou mais interessado pela construção da nova creche. A ideia nasceu no âmbito do projecto AJUD’ARTE, concebido para promover iniciativas de angariação de fundos, aproveitando artistas de vários quadrantes, da região e não só. 

Ouvir Sara Tavares

Sara Tavares: do «Gospel» à «World Music»

Sara Tavares tem um percurso singular na vida cultural portuguesa, conjugando sabiamente a sua condição de compositora, cantora percussionista, com a sua extraordinária sensibilidade musical e com a inteligência e dignidade, que tem testemunhado. Vale a pena ouvir o seu disco “Xinti, a sua mais recente criação, em que interpreta “canções memoráveis”, como escreveu o crítico do Financial Times. Podem conhecer melhor a sua discografia aqui e começar por ouvir “Ponto de Luz” (ver final deste artigo), uma das canções do seu último disco. Para perceber melhor de que é feita a sua música podem ver aqui o excelente programa «Câmara Clara» da RTP 2, de 26 de Julho, em que Sara Tavares foi entrevistada por Paula Moura Pinheiro. É um prazer e alimenta “a sede de largura e altura” do nosso coração, para citar versos de “Xinti”. A música de Sara Tavares, que se alimenta de uma grande sensibilidade e bom gosto, tem as suas raízes no gospel, na música litúrgica que cantava nos coros da Igreja Cristã em que se formou, mas abriu-se a muitas outras influências da música cabo-verdiana, africana e não só. Leia mais aqui

MAIS BEBÉS E MAIS AVÓS

Passo os meus quinze dias de férias, desde há alguns anos, num ponto de encontro de portugueses e de estrangeiros, estes, sobretudo, casais novos. Durante muito tempo, era a desolação. Praticamente não se viam bebés, nem crianças até aos cinco anos. O panorama foi-se transformando, a pouco e pouco. Desde há meia dúzia de anos começou a notar-se uma mudança. Hoje é impressionante o número de casais europeus, sobretudo da Alemanha e Reino Unido, que vemos com os seus carrinhos de bebés. E já se encontram casais com dois e três filhos, espelhando-se no rosto dos pais, a alegria de os ter. Há dias ouvi e li nos meios de comunicação social alguém do partido no poder a anunciar e valorizar do ponto de vista social o donativo do Estado, destinado a abrir conta a cada criança que nasce.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Mar Agosto 2009 - Festas do Município de Ílhavo

Cenário do Festival de Marisco
Ria A Gosto – Festival de Marisco da Costa Nova
De 6 a 9 de Agosto, veraneantes e visitantes, bem como os residentes, podem saborear, no relvado da Costa Nova, o Festival “Ria a Gosto” – Festival de Marisco da Ria de Aveiro, numa organização conjunta do Illiabum Clube e da Câmara Municipal de Ílhavo. Tendo como palco o Relvado da Costa Nova, com os seus coloridos Palheiros como cenário, o Festival de Marisco da Costa Nova tem como objectivo principal divulgar o marisco e “frutos do mar”, numa aposta clara nos produtos “Ria de Aveiro”. Assim, o Festival abrirá ao público amanhã, dia 6 de Agosto, pelas 18.30 h, encerrando no Domingo, dia 9, após o serviço de almoço. Durante estes dias serão servidos mais de mil quilos de variado marisco, do berbigão às navalhas, ou do camarão às santolas. Se faltar, nem sabe o que perde!

Entrevistas a figuras públicas, todos os dias, no jornal i

Mia Couto
Laurinda Alves entrevistou Mia Couto para o jornal i. É um dos meus escritores preferidos. "Jesusalém", o seu mais recente livro, que ando a ler, mostra a razão da minha preferência. Diz a jornalista que "Mia Couto fala devagar e quase sempre em voz baixa. Ri com a mesma facilidade com que se distrai com tudo e todos. É um escritor apaixonante e um homem fascinante". Leia aqui.

Crónica de Férias: "POMBINHOS"

Quando, mais uma vez, cumpria o ritual de visitar as cabrinhas...
E assim acabou o idílio
daquele “casalinho de rolas”
Era um regalo para os olhos, ver aquele casalinho tão unido! Não podiam ver-se um sem o outro e até a dormir ficavam coladinhos, no leito! As mais das vezes, assim acontecia, excepto quando a “menina” saltarica como todas as meninas-rapaz, pulava para o beliche que ficava por cima da cama comum! Era uma cesta de verga, semelhante a uma alcofinha de bebé, a que só faltavam os lençóis de fina cambraia! Talvez nas noites muito quentes, ela tivesse necessidade de mais espaço, de poder esticar-se à vontade, sem importunar o companheiro que permanecia fiel ao seu leito nupcial! Se calhar....até ressonava e queria poupá-lo a esse incómodo (!?) Por várias vezes, a “pastora” a surpreendeu nesta pose e não resistiu a fixar a imagem para deleite futuro. Sim, constituía um espectáculo de rara ternura, ver uma cabrinha anã, deitada dentro dum cabaz comprido, e dormir o soninho dos justos nesse aconchego de verga. Quando os ia colocar de manhã, no pasto, tinha que levar um de cada vez e isso era um problema, pois a privação do outro era um sofrimento tal, que originava um balir dolente e contínuo, até se encontrarem os dois pombinhos, outra vez juntos. Para abreviar esta eternidade, (!!!) a cabrinha era transportada ao colo da dona, que a segurava como uma peninha! Tão leve, tão delicada, tão franzina no seu corpinho de bonequinha de pêlo! Era uma delícia contemplá-la nas suas quatro patinhas, tão fininhas que se surpreendia como seguravam aquele corpito irrequieto. O companheiro, ávido de rever a “menina”, corria à frente da dona, quase se escapulindo pelo meio da erva circundante. Um dia, sem terem reivindicado nada, foi-lhes alargado o espaço de circulação e passaram a andar sem freio, sem limites, sem cordas. Foi a alegria consumada, do “casalinho de rolas”, que pôde dar largas à sua sede de liberdade! De vez em quando, uma rola que nidificara por ali, vinha partilhar do bebedouro franco, colocado no bosque, para mitigar a sede a todos os visitantes. A água quando nasce é para todos e ali se fazia prova do mesmo. A dona deliciava-se nesta contemplação e até quase invejava a felicidade daquele parzinho amoroso! Tinham espaço amplo, sombra com abundância e comidinha fresca e variada. Até lhes era oferecida, à sobremesa, um petisco que devoravam num ápice. Um prato, de maçã laminada, descia até às cabrinhas, que lhes chamavam um figo! Têm boa boca as “meninas”! Boa e pequenina, por isso a dona tinha o cuidado de lhes preparar a iguaria, com o mesmo requinte que se deve a convidados especiais. Sempre que se aproximava da entrada do bosque, lá lhes cheirava a petisco e era vê-las a correr em direcção à paparoca! E tinham razão, pois vinha mesmo coisa boa! Um dia, de manhã, quando mais uma vez cumpria o ritual de visitar as cabrinhas e de lhes franquear a saída para o seu repasto, a pastora teve uma alucinação! Uma alma penada, vinda dos confins dos infernos, entrara, à socapa, no ovil e arrebatara consigo a companheira fiel. Não sabe por que purgatório, ou inferno terá passado a criaturinha de Deus, antes de entregar a alma ao Criador, mas uma certeza ficou. Uma mágoa enorme, pelo desaparecimento duma coisinha tão pura, tão fofinha e sobretudo tão fiel ao seu companheiro de jornada! Este, não se viu derramar lágrimas como os humanos, mas no seu semblante, outrora tão gaiato, tão feliz, pousou uma enorme tristeza! Nos primeiros dias, quase não arredava pé do mesmo sítio e pouco ou nada comia. Como acontece a muitos seres humanos, foi condenado, sem culpa, a uma pena de solidão.....que segundo peritos na matéria.....mata! E assim, acabou o idílio daquele “casalinho de rolas”, que para a dona era um parente próximo -os pombinhos!
Mª Donzília Almeida 04 .08.09

Voltar atrás?...

Voltar atrás?... Ao olhar para mim não me revejo No petiz que eu fui, jovem que sonhou, Parecendo que a fé já se esfumou Na tortuosa estrada em que mourejo. Em adulto perdi todo o ensejo De fazer o que sempre me animou E a vida tão sonhada se mudou De grande sinfonia em fraco harpejo. No tremor alquebrado dos joelhos Sinto que foram vãos esses conselhos Que tanto me previram este fim. Tentar voltar atrás de nada vale Por não haver regresso que me cale A saudade que sofro já por mim! Domingos Freire Cardoso

FÉRIAS EM TEMPO DE CRISE


Desejar, desejar desesperadamente 

Desejar, desejar desesperadamente 
desejar até à dor e à angústia 
até ao grande vazio amargo 
desejar que seja de outro jeito 
desejar o fim das crueldades das loucuras, da estupidez, do abjecto, 
desejar a satisfação, a luz, a ternura 
ter muita fome, ter muita sede do mundo diferente 
e de si-mesmo diferente. 

Maurice Bellet

terça-feira, 4 de agosto de 2009

O GALO

D. Carlos gostava de histórias e do exemplo que são. Esta contava-a ele e, depois, contava-se dele. O rei fora visitar um manicómio. À hora marcada, chegou gordo, louro e solene. Estavam a recebê-lo ministros e médicos. Os loucos olhavam-no à distância, muitos deles não percebendo sequer quem era aquele que viam. Até que, quando cumprimentava e fazia perguntas, se chegou junto dele um doente que tinha conseguido furar o cordão que protegia o monarca. Era um homem de meia-idade. Dirigiu-se ao rei com modos reverentes (fez uma vénia) e palavras respeitosas (Majestade, Meu Senhor), pedindo compreensão e clemência. Contou que estava preso naquele hospício por uma escura maquinação da família, que assim lhe tinha ficado com os bens e lhe gastava a fortuna. Fixou D. Carlos com os olhos serenos e sinceros, exclamando: "Eu não estou louco! Sou um homem são e só Vossa Majestade me pode salvar, ordenando que se faça justiça."
José Manuel dos Santos
Leia tudo no EXPRESSO

Leituras nas Praias da Barra e da Costa Nova

Biblioteca na Praia da Barra
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BIBLIOTECA: BOA ALTERNATIVA
AO NÃO FAZER NADA
Há iniciativas que merecem aplausos. Destaco, desta vez, a Biblioteca de Praia 2009, um projecto da Biblioteca Municipal, da responsabilidade da Câmara de Ílhavo. Boa ideia, sim senhor. E já vem de anos atrás, certamente para continuar. Passei por lá para ver o ambiente. Havia sempre alguém que procurava um livro para ler, em qualquer posição, sentado, recostado ou deitado no areal, recebendo o ar carregado de iodo e o sol benfazejo. Pelas informações que colhi, junto de uma funcionária simpática, sempre de sorriso aberto, há livros para todas as idades e dos mais variados autores, nacionais e estrangeiros. E quando algum veraneante procura um livro que não está disponível, é certo e sabido que no dia seguinte já está na Praia da Barra, porque a Biblioteca Municipal está preparada para atender as solicitações dos que optaram pelos nossos areais junto ao oceano. Disse na Praia da Barra, mas o mesmo acontece na da Costa Nova, da área do município. Entretanto, crianças desenhavam e pintavam em mesas montadas junto à Biblioteca. Outras liam, concentradas. A funcionária adiantou-me que está para chegar um contentor para proporcionar actividades lúdicas, no sentido de espevitar a criatividade das crianças, adolescentes e jovens, que frequentam as praias ilhavenses, durante este verão. Boa alternativa ao não fazer nada... FM

MAR AGOSTO '09

28 de Agosto
LUIS REPRESAS
NA COSTA NOVA
Diz um velho ditado, com alguma lógica, que “tristezas não pagam dívidas”. E um outro refere que “Mais vale rir que chorar”. Partindo destes pressupostos, vamos tentar viver as férias com a alegria possível e desejável. Para este mês de Agosto, a autarquia ilhavense fez uma programação abrangente, chegando a todo o concelho, que não é assim tão grande, geometricamente falando. Há festas para todos os gostos, para todas as idades e para todas as sensibilidades. Também não deve faltar ânimo para participar, até porque é quase tudo oferecido. Os comes e bebes, como é óbvio, têm de ser pagos. Mas como cada um pode comer à medida do seu bolso, penso que o assunto, em princípio, está resolvido. Música a rodos mais espectáculos variados enquadram uma panóplia de diversões. Mas permitam-me que destaque a I Semana Náutica do Município de Ílhavo, o Festival e Marisco na Costa Nova, as comemorações do 72.º Aniversário da Fundação do Museu Marítimo de Ílhavo, o Festival do Bacalhau, a Rota das Padeiras e o grande concerto com Luís Represas.
Ver programa detalhado aqui

Fotografias de Carlos Duarte na Costa Nova

É hoje inaugurada, às 17h, a exposição de fotografia de Carlos Duarte sobre a Ria, na Residencial Azevedo na Costa Nova. São cerca de 50 trabalhos, representando vários temas da nossa Ria, vistos pelo olhar atento deste fotografo natural de Coimbra, mas que desde 1978 tão bem tem retratado toda a região de Ílhavo e em especial a zona lagunar. Esta exposição está patente durante Agosto e Setembro.

FÉRIAS EM TEMPO DE CRISE

Barcos de Monet
Trabalhar com as próprias mãos Trabalhar com as próprias mãos em tarefas caseiras, na costura, no seu ofício, na bricolagem e fechar o rádio e todo o zunzum interior escutar o que fala sem palavras enquanto as mãos se ocupam e ocupam a superfície da alma. Ou então, conduzir um automóvel muito distendido, atento, delicado uma vez que essa ocupação deixa livre um pensamento sem pensamento que amadurece algures Maurice Bellet

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Marina no Jardim Oudinot

Será que há alguém capaz de me explicar por que razão a Marina do Jardim Oudinot, no Forte da Barra, se apresenta, normalmente, sem sinais de embarcações, que lhe dêem motivos para existir? Foi inaugurada há um ano e ainda não foi utilizada. Será que não tem condições para isso?

Ideias para um país novo

Para um país novo, proponho três ideias muito simples:
1- Aprender a gastar menos.
2- Os ricos não são os que mais têm. São os que menos precisam.
3- Viver o dia de hoje, pensando no de amanhã, e não no de ontem.
Ângelo Ribau

Crónica de férias

Madrasta
Passou-se numa das lojinhas do comércio local. Aquele que ainda permite às pessoas um breve encontro com os vizinhos, os amigos ou alguma pessoa conhecida daqui ou dali. Dois dedos de conversa e as pessoas ainda não passaram ao anonimato e à despersonalização que acontece nos grandes centros comerciais Assim aconteceu, e deu de caras com esta cena enternecedora, pouco comum nos dias que correm, dumas férias que são também para muita gente, um reencontro! A menina duns tenros dez aninhos de idade, estava tão agarrada àquela jovem senhora, que suscitou a pergunta:_ É a mãezinha, não é? Estavas com saudades dela? A cena era realmente comovente dada a intensidade com que a criança abraçava a suposta mãe! _Não, sou a madrasta, replicou a jovem, bonita, fresca na idade e na postura! O discurso foi aquele que profere uma pessoa sensível, sensata, de boa formação humana, perante uma situação delicada, mas que está perfeitamente à altura da mesma. Estava consciente do seu papel de maternal, prestadora de carinho e afecto, mesmo não sendo sua filha de sangue. Uma clara prova de inteligência, num relacionamento que se pretende válido, gratificante e duradouro! Verdadeiramente exemplar! Conhecia bem aquela menina, sua aluna lá da Escola e estava dentro da problemática da custódia dos filhos, resultante duma quebra dos laços familiares. O rendimento escolar da aluna, marcada por conflitos familiares desestabilizadores para o equilíbrio de qualquer ser humano, variava ao ritmo da instabilidade emocional em que a mesma vivia. Percebia-se ali, traduzido por gestos e palavras, uma carência afectiva profunda que perturbava a atenção e a concentração da criança. Todos os professores estavam atentos a este historial e tentavam, da melhor forma, compensar essa lacuna. Nem sempre era fácil, já que os docentes são seres humanos com as suas próprias dificuldades e que têm de gerir “n” conflitos e situações, emergentes do seu quotidiano. Aqui e sempre, o papel polivalente do Professor! Dava aqui pano para mangas, reflectir sobre as consequências para os filhos da separação dos pais. Estes tentam resolver os seus problemas conjugais, ignorando, por vezes, o enorme sofrimento que causam aos filhos. Os novos companheiros que vão ocupar o lugar afectivo e efectivo, pensa-se, junto dos progenitores, nem sempre entendem que as crianças têm um lugar importante. Devem ser tratadas como gente importante, e não é raro deparar com casais em que o papel da madrasta e aqui refere-se mesmo o elemento feminino, faz jus ao termo carregado de conotação negativa. “Madrasta, o nome lhe basta”, diz o povo e é bem verdade. É das tais palavras que, tal como outras já referidas em contextos específicos, soa mal, inspira mal e as mais das vezes tem mesmo correspondência na vida real. No caso, ora citado, acontece a meritória excepção que vem com toda a força, confirmar a regra! Mª Donzília Almeida 02.08.09

FÉRIAS EM TEMPO DE CRISE

Férias são para descansar,
mas há quem as use para servir os outros
"A Marisa Sapina recorda-se de quando esteve na Guiné-Bissau há seis anos e uma criança lhe pediu uma colher - não tinha nenhuma. "Quem entre nós não tem dezenas de colheres? Mas dar uma colher naquela situação era estragar o trabalho que estava ali a fazer. Disse ao miúdo que iria tentar arranjar. Falei com as irmãs da missão e só uns dias depois de eu vir embora elas deram a colher." Foi a primeira experiência de Marisa, professora de línguas, como leiga missionária, apoiando no terreno o trabalho das missões católicas em países mais pobres - o número dos portugueses que o fazem disparou este ano e as férias são uma altura privilegiada para colaborarem em missões nos países em desenvolvimento."
António Marujo, no PÚBLICO de ontem

domingo, 2 de agosto de 2009

Caso Joana Amaral Dias já é telenovela

Joana Amaral Dias
~.
Quem há por aí que não tenha sido convidado
para fazer parte de listas eleitorais?
O caso Joana Amaral Dias, a política que foi ostracizada no Bloco de Esquerda, passou a telenovela, com pano para continuar na pré-campanha eleitoral e na própria campanha. Tudo porque um amigo ou conhecido, do PS, a convidou para apoiante do partido do Governo, considerando que ela teria sido posta à margem no BE, em que militou. Aliás, Joana Amaral Dias, que agora se quererá fazer passar por fiel militante daquele partido, já uma vez, pelo menos, mostrou que não é assim tão fiel, quando apoiou Mário Soares, fundador do PS, nas últimas eleições presidenciais. Posto isto, apetece-me perguntar por que razão há tanta celeuma à volta de um convite, quando todos sabemos que esse gesto é repetido, até à exaustão, por todos os partidos? Quem há por aí que não tenha sido convidado pelos mais diversos partidos políticos para se tornar apoiante ou para fazer parte de listas eleitorais, sobretudo quando se sente ou pressente que os convidados estão desligados, directa ou indirectamente, dos partidos em que militaram? FM

FÉRIAS EM TEMPO DE CRISE

Pintura de Carlos Reis
Permanecer em paz Permanecer em paz que é a harmonia dos poderes para lá (certamente) do turbilhão para lá da abstenção serena para lá do abandono voluntário dos heróis na harmonia dos poderes coincidindo com a mais humilde humildade isto, na mediocridade dos dias sem altivez, sem saber e algumas vezes sem graça. Maurice Bellet

TECENDO A VIDA UMAS COISITAS – 142

BACALHAU EM DATAS - 32

Pescador de bacalhau

A COMISSÃO REGULADORA DO COMÉRCIO DO BACALHAU

Caríssimo/a:
1934 - «De 1929 a 1934, construíram-se apenas 4 navios, sem que a sua construção representasse qualquer progresso sério nos métodos da pesca.» HPB, 77
«Em 1934 foi criada a Comissão Reguladora do Comércio do Bacalhau (CRCB) com a finalidade de proteger e incrementar a indústria do bacalhau. E a sua acção, de certo modo positiva, fez-se sentir até à liberalização do comércio deste peixe, o que aconteceu em 1967. Durante essas três décadas surgiram grandes grupos económicos ligados ao sector e a CRCB começou a perder capacidade de liderança. As importações subiram e as capturas, obviamente, desceram. O 25 de Abril desmantelou como é sabido, esses grupos e a CRCB passou a ter o monopólio das importações de bacalhau, alargando a sua acção aos congelados.» BGEGN[1], 1991, 7
«A criação da Comissão Reguladora do Comércio do Bacalhau ocorreu a 5 de Junho de 1934 (Decreto-Lei n.º 23.968), marca o arranque de um amplo processo de reorganização estatal do sector bacalhoeiro que precede as políticas de fomento da frota. A acção institucional da CRCB tinha por fim garantir a reserva do mercado à produção nacional e o condicionamento das importações de peixe estrangeiro, a estabilidade do aprovisionamento e dos preços.» Oc45, 104 n. 3
«Considerado por Henrique Tenreiro, delegado do Governo junto de todos os grémios das pescas, como “ um dos principais factores da vida portuguesa”, a pesca do bacalhau foi objecto de uma reorganização a partir de 1934. O Estado Novo encetou a reestruturação das pescas, atendendo a uma reforma financeira com o objectivo de repor os bens considerados essenciais, aumentar a produção nacional e combater as importações.» Oc45, 109
E ainda na mesma revista “Oceanos, n.º 45” se pode ler
na página 91: «1934 a 1967: Período áureo da “Campanha do Bacalhau”.»;
na página 93: «De 1934 a 1969 o total de navios que vão ao bacalhau quase que duplica. A média é de 60 navios por ano.»;
na página 99: «De 1934 a 1967, 74 % dos “navios de linha” em actividade tinham casco de madeira.»;
e na 101: « ... [E]scassas 4.726 toneladas de arqueação líquida da frota bacalhoeira em 1934.»
Manuel
[1] Boletim do Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré, do ano de 1991

sábado, 1 de agosto de 2009

Entrevistas a figuras públicas, todos os dias, no jornal i

Maria Cavaco Silva
Laurinda Alves está a entrevistar, para o jornal i, figuras públicas, durante todo o mês de Agosto. Começou hoje com a nossa primeira-dama, Maria Cavaco Silva. São entrevistas intimistas. Pelo que já li, parece-me que houve a preocupação, ao jeito da jornalista, de procurar o lado mais humano das pessoas convidadas.

O futuro: sem futuro?

Eles também nascem. E crescem. Também amam e esperam. São seres humanos como nós. Também sorriem, mas tristes: a alma afunda-se na negrura da impotência, da dor e da tristeza. Tentam trabalhar. Sofrem demais. Morrem cedo, demasiado cedo. De desnutrição, de falta de água e de higiene e de remédios. De fome. Faltou-lhes tudo. Eles são os pobres. Aos milhões, cada vez mais. E é uma vergonha para a Humanidade que, quando há possibilidade do mínimo para todos, tantos morram ao abandono da fome. E Deus a perguntar, como no princípio a Caim: "O que fizeste do teu irmão?" Como se pode tolerar que ao mesmo tempo que aumenta a riqueza mundial seja cada vez maior o fosso entre os ricos e os pobres, cujo número, com a crise, não cessa de crescer? São homens e mulheres, aos milhões - muitas crianças -, a quem foi negada a dignidade humana. Este é que é o problema maior da Humanidade, que tem de ter uma solução. Esperamos numa boa solução. Porque, se não for a bem, será a mal. De facto, quem julga que o tempo das revoluções acabou está enganado. Vem aí a revolução dos pobres e desesperados. Na sua última encíclica, Caritas in Veritate (A caridade na verdade), Bento XVI tentou dizê-lo, mas, segundo alguns, sem a força necessária. Daí, a par do merecido aplauso, as justas críticas ao documento. Que é demasiado longo, num amálgama para todos os gostos, o que é verdade. Que, ao falar a partir de um lugar soberano de pureza moral, ignora a necessária autocrítica da Igreja, o que também é verdade. Que a crítica do mercado e do universo financeiro tinha de ser muito mais severa e concreta. Que é equilibrista e tem míngua de análise crítica e denúncia e anúncio proféticos. Se há desafio gigantesco para a Humanidade, é o de encontrar um modelo económico que alie liberdade e justiça. De facto, com o comunismo, o que se queria era implantar a justiça, mas o resultado foi uma sociedade sem liberdade nem justiça. Com o capitalismo desenfreado, a liberdade é só para alguns e opressora. Como acaba de escrever o famoso bispo Pedro Casaldáliga, "impõe-se também uma recusa crítica do suposto 'triunfo' do capitalismo neoliberal. Porque nós, pelo menos, não vemos em lado nenhum esse triunfo, se nos referimos à imensa maioria da Humanidade. Acrescendo que o próprio capitalismo neoliberal triunfante não se sente tão seguro de si, frente às suas contradições internas. Mas, mesmo que esse triunfo do egoísmo estrutural se tivesse dado, seria um fracasso ético da família humana, pois estar-se-ia a evidenciar, mais uma vez, a impossibilidade de uma política e uma economia honestamente fraternas; ter-se-ia imposto outra vez, como única possível, a 'ética dos lobos'". A encíclica, inesperadamente, refere-se à necessidade de mais Estado, critica o neoliberalismo e diz que urge uma Autoridade política mundial reconhecida por todos. Mas não houve ousadia profética. Continua a inscrever-se, ainda que o seu fio condutor seja o do desenvolvimento humano integral, no horizonte do desenvolvimento aparentemente sem limites. Como escreveu J. Ignacio Calleja, não se colocou a questão do "decrescimento" como forma de mudar os estilos de vida. Eu próprio há muito tempo me pergunto se não continuamos inconscientemente instalados na ideia de um progresso ilimitado. Mas a pergunta é: é possível um desenvolvimento sem limites num mundo limitado? Por outro lado, não é verdade que se torna cada vez mais claro que o "trabalho" se tornou definitivamente um bem escasso e que é preciso partilhá-lo, com todas as consequências? Cá está o tal "decrescimento". Afinal, a questão é simples. O presente modelo de desenvolvimento não é universalizável. Quem tiver dúvidas pergunte o que acontecerá, quando, por exemplo, os quase três mil milhões de chineses e indianos quiserem e obtiverem os padrões de vida e consumo ocidentais. A contradição é esta: por um lado, impõe-se promover os pobres, que têm direito ao desenvolvimento, mas, por outro, no quadro do nosso modelo, isso é problemático, porque o planeta não aguenta ecologicamente. Então? Anselmo Borges

FÉRIAS EM TEMPO DE CRISE

Pintura de Van Gogh
Abrir a Sagrada Escritura Abrir a Sagrada Escritura e aí está! Não é um livro, não é o Livro, é o lugar da Palavra que se estende para além das palavras sonho sem sonho à margem do texto ressonância através de todas as espessuras da vida fonte cuja nascente é invisível, pensamentos, imagens, palavras movimentos sóbrios do coração a Letra é necessária o espírito vai porque o sentido da Escritura é a vida salva.

Maurice Bellet

Nota: Texto e foto do snpc

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Crianças austríacas na Gafanha da Nazaré

As fotos de crianças austríacas que viveram na Gafanha da Nazaré, depois da segunda grande guerra, já começaram a aparecer. Pode ver duas crianças aqui.

POR UM PORTUGAL MELHOR

SER SOLIDÁRIO
Ser Solidário. O povo português é solidário por princípios e por ideais. Sempre responde, principalmente quando as desgraça e as necessidades são divulgadas adequadamente e têm dimensões mais ou menos catastróficas, que originam necessidades extremas. E noutras de menor dimensão também responde. Veja-se o que num simples programa de televisão se pode fazer, como há semanas atrás. Fala-se em crise. Sabemo-lo e sentimo-lo. Somos cerca de 10 milhões de habitantes e se cada um desse um euro teríamos dez milhões de euros. Com estes dez milhões poderíamos minimizar as necessidades básicas de muita gente. Como quem coloca semana a semana, mês a mês, umas moedas no porquinho, seria uma campanha com continuidade periódica, devidamente divulgada, estruturada e transparente. Vamos a isto?
J. M. Ferreira

Momentos de franco optimismo

Parque de Campismo da Barra, onde passámos algumas férias juntos
Conviver com amigos é sempre uma experiência revigorante. E se um deles tem sentido alguns incómodos de saúde é, por norma, muito gratificante. Pelo prazer de marcar presença e pela convicção de que o optimismo está surtindo efeito benéfico. Foi o que aconteceu ontem, longe da Gafanha da Nazaré, de visita a um casal muito próximo. Há amizades que não desbotam com o tempo. Tal como o Vinho do Porto, costuma dizer-se a brincar. Ou a sério. De facto, o célebre néctar do Doiro vai enriquecendo com o passar dos anos. Como a amizade que nos liga a uma família, com quem, há muitos anos, valorizámos uma proximidade inseparável. Os incómodos de saúde do meu amigo, pelo que vi, já lá vão. Durante parte de uma tarde, conversas desfiadas ao sabor das nossas memórias vieram à tona, para reviver momentos inesquecíveis. De alegrias partilhadas, de estórias recontadas vezes sem conta, de projectos alcançados ou por concluir, de esperanças vivas, de férias em comum, de filhos meninos e hoje adultos. Para o casal amigo, os nossos votos de boas férias, com muita saúde e franco optimismo. Fernando Martins

FÉRIAS EM TEMPO DE CRISE

Tela de José Malhoa
Ler um livro Ler um livro de pensamento exigente com um forte desejo da verdade sem avidez em saber sem pretensão de disputar mas por gosto, por amor da verdade Abrir a porta profunda a todo o pensamento que emerge e deixá-lo permanecer em paz de modo que ele venha a dar o seu fruto. Maurice Bellet

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Hoje, em Lisboa: a cantora que quer transformar pop em jazz

O concerto, de entrada gratuita, é no espaço BES Arte & Finança, no Marquês de Pombal, e Jacinta vai adaptar Beatles, Prince ou U2 ao jazz
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Conhecida pela voz quente e a expressividade em concertos, Jacinta, que apareceu aos 22 anos num "Chuva de Estrelas" e em 1997 foi para Nova Iorque frequentar a Manhattan School of Music, está envolvida num projecto diferente: organiza actividades ligadas à aprendizagem de técnicas de jazz. O programa musical "Songs of Freedom" é apresentado hoje no espaço BES Arte & Finança, em Lisboa, e inclui temas célebres dos anos 60, 70 e 80, em versão jazz.
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Nota: Texto do jornal i
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Ler entrevista aqui

Uma Ideia nova para um país novo

Deixemos um legado à geração vindoura – o planeta azul limpo! A integridade é o alicerce da sociedade! Quer respirar ar puro? Use carros eléctricos! M.ª Donzília Almeida

O necessário rosto da verdade

São Paulo
Diz-se que são demasiadamente clericais os meios de comunicação social da Igreja. Logo se diz, também, que é esse, ainda hoje, o seu rosto mais visível e, por isso, não é de estranhar que assim seja e assim apareça. Não falta quem teime, dentro e fora, em continuar a identificar Igreja com bispos e padres, por preconceito, por falta de formação e de informação, por restos históricos que tardam em se apagar. Na Igreja, continua a ser difícil e lenta a passagem de uma classe restrita, mas dominante, o clero, a um povo diversificado, alargado e plural, a comunidade dos crentes. A Igreja de Cristo é Povo, é comunidade. Não é grupo, nem elite, nem classe. Pode acontecer, e em diversos casos acontece mesmo, que o tom clerical dos jornais, e não só, seja, por vezes, ainda o tom que prevalece. A verdade, porém, é que o trabalho que se vem fazendo, por todo o lado, com os leigos e para lhes dar consciência da sua dignidade e missão, é significativo. O seu protagonismo, em muitas comunidades paroquiais, tem crescido sempre mais. Por caminhos não reivindicativos, mas de fé. O Ano Paulino, iluminado pela Palavra de Deus e conduzido pela vida de Paulo e das suas comunidades, com suas fraquezas e méritos, foi uma lufada de ar fresco na Igreja. Muitos leigos acordaram para novos rumos, ao longo deste Ano. Pelo caminho da Palavra se vai à fonte que não deixa que a Igreja se clericalize. Um caminho que ajuda todos os membros da Igreja, leigos, clérigos e consagrados, a sentir a alegria e a graça de serem, acima de tudo, Povo de Deus, “nação santa e povo resgatado”, com uma missão comum no mundo.
Resta muito para fazer, é certo, e, desta realidade, todos devem estar conscientes. Mais difícil é o caminho, quando se trata de capacitar os leigos para o compromisso nas estruturas sociais - familiares, profissionais e políticas, onde muitos ainda não se situam, nem se declaram e, frequentemente, se escondem e se omitem. Uma situação que não pode deixar descansados os responsáveis das comunidades. Os leigos, quando passam pelo templo e aí descobrem a sua vocação específica e o seu lugar na Igreja, devem sentir-se estimulados para as tarefas a realizar na sociedade. Essas é que lhes são próprias. A sua vocação do leigo é ser “cristãos no mundo”. Esta condição prevalece sobre outras actividades na comunidade cristã, se não as pode realizar, sem prejuízo da sua missão no mundo. Uma comunidade cristã bem organizada, mas de costas voltadas para a sociedade e para o que nela se passa com repercussão na vida das pessoas está fora do sentido e do âmbito evangélico, que a devem caracterizar. As batalhas mais duras da vida não se passam no templo, mas sim na casa de família, no lugar de trabalho, sempre e onde se joga o rumo das actividades sociais e políticas. Os seus protagonistas devem ser, ao lado de outros, os leigos cristãos que estão no campo de luta. Têm, por isso, direito a sentir o apoio de retaguarda na sua comunidade de referência, que lhes propicia meios de reflexão e formação, para que a sua participação se processe e se decida, com sentido evangélico e em liberdade, pelos caminhos da justiça, humanização, verdade, solidariedade. Um mundo diferente, sujeito cada dia a mudanças que tocam na vida das pessoa e das comunidades, um mundo com problemas humanos e sociais de grande monta, não pode permitir a ninguém, e muito menos à Igreja, que se lhe passe ao lado. Os problemas não se resolvem automaticamente, mas com a participação activa nos dinamismos que os provocam. O caminho não pode ser outro senão aprender a viver numa sociedade em mudança. O diálogo Igreja – Mundo, cada vez mais exigente e urgente, não é um diálogo clerical e não se fará nunca sem leigos activos, preparados e apoiados. António Marcelino

A Terra não nos pertence

“A terra não nos pertence. Esta noção fundamental é-nos lembrada pelos ecologistas. Deixando de lado todos os fenómenos espúrios, considero que esta nova atenção consagrada ao ambiente é um acontecimento capital para a história da Humanidade.” Abbé Pierre
In Testamento

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Jardim 31 de Agosto


Centro cívico para convívio e lazer 


O Jardim 31 de Agosto evoca-nos uma data marcante para a nossa freguesia e paróquia. Nessa data, em 1910, o Bispo de Coimbra, D. Manuel Correia de Bastos Pina, assinou o decreto de erecção canónica da paróquia da Gafanha da Nazaré. Na altura, a região aveirense pertencia à Diocese de Coimbra, realidade que se manteve até à restauração da Diocese de Aveiro, o que aconteceu em 11 de Dezembro de 1938. 
No mês passado, lembrámos a publicação do decreto de D. Manuel II, último rei de Portugal, que autorizou a criação da paróquia, datado de 23 de Junho de 1910, pouco tempo antes da implantação da República. Com essa autorização, e indicadas as razões que levaram o Estado a aceitar a criação de uma paróquia, o Bispo de Coimbra leva à prática o sonho dos habitantes desta terra. E diz assim:

Ler todo o texto aqui

Capelães funcionários públicos?

Segundo o Diário de Notícias, mantém-se o braço-de-ferro entre Igreja e Estado, a propósito dos dossiês sobre o património religioso e a educação. Nova regulamentação acaba com quadro de capelães como funcionários públicos. Ler mais aqui.

Ricardo Freitas em 5.º na final do lançamento de Disco, na Finlândia

Treinador Cirino e atleta Ricardo
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Ricardo Freitas é "frio" na competição
Ricardo Freitas ficou em 5.º lugar, com 56,28 metros (é recordista Distrital, com 56,68), no Final do Lançamento de Disco, na categoria de Juvenis, nas Jornadas Olímpicas Europeias da Juventude, que decorreram em Tempere, Finlândia, entre os dias 20 e 25 de Julho. Ficou apenas a 4 centímetros do 4.º classificado e como no próximo ano ainda será juvenil, ao contrário dos que ficaram à sua frente nestas jornadas, “temos homem nos Jogos Olímpicos da Juventude, a disputar no mês de Julho de 2010, em Singapura”, como nos adiantou o seu treinador Júlio Cirino. Ricardo Freitas, atleta do GRECAS - Associação Desportiva Recreativa Cultural de Santo António de Vagos, possui condições ideais para a prática da especialidade do lançamento do Disco, na opinião do seu treinador, estando ambos a apostar na preparação para os Jogos Olímpicos de 2016. Para isso, trabalha afincadamente, também estimulado pela sua tia e madrinha, a ex-atleta olímpica Teresa Machado. Com 1,87 m de altura e 90 quilos de peso, ainda com 15 anos de idade, Ricardo Freitas sorri quando lhe perguntámos se está na forja um atleta olímpico. Mas Júlio Cirino, habituado a conhecer os seus atletas, de que se destaca Teresa Machado, adianta que o Ricardo “tem condições para alcançar resultados de nível internacional se… puder treinar, com afinco, e se conseguir conciliar os treinos diários com os estudos universitários”, quando lá chegar. Diz que este atleta tem “condições físicas mais para o Disco, porque é ‘frio’ na competição, essencial para se atingir o êxito”.
FM

Crónica de férias

Cão diferente
Ser diferente
Foi o seu primeiro dia de praia, após a entrada em férias. Numa boa zona para tempos de lazer, cheia de recursos naturais, com o mar a abraçar as Gafanhas, é por vezes difícil a escolha do lugar certo. Optou por uma destas praias onde a exploração do betão está a crescer desmesuradamente, mas ainda deixa alguma réstia de sossego e tempo de contemplação. Havia muito movimento de gente, alegria estampada no rosto das pessoas que o sol tão generosamente faz multiplicar. Nuns, será uma alegria genuína que brota duma consciência limpa, em paz consigo e com os outros; noutros é aquilo que alguma câmara furtiva há-de captar para gáudio dos políticos que pretendem passar para fora a imagem de um país florescente, uma democracia enraizada, onde o povo é feliz e está satisfeito com os seus governantes! Duma ou de outra forma, essa alegria transparece no rosto de muita gente! Graças a Deus e ao nosso 1º ministro que trabalha muito para isso!!! Será que ele vai gozar férias este ano? Regressava da praia e já no caminho para o carro, deparou com a cena peculiar, que atraía a atenção dos transeuntes e que se confinava a uma criança num carrinho de bebé! Nada faria parar o trânsito, não fosse a particularidade sofrida de se tratar de uma criança diferente! Não vai ser, aqui especificada a diferença, não tanto por respeito aos pais e pelo sofrimento que isso causa a quem lê, mas para não alimentar espíritos mórbidos que se comprazem com a desgraça alheia. Num breve parêntesis, dirá que não usa, intencionalmente a palavra deficiente, pois teve sempre alguma dificuldade em lhe demarcar a fronteira. Quem se atreverá a definir o ponto onde acaba a normalidade e começa a insanidade mental? Num mundo em que parece que toda a gente sofre de uma ou outra bem marcada “panca”, é cada vez mais ténue a diferença. Recorda aquela cena passada num manicómio em que o seu Director interroga um doente, sobre a razão por que transportava um carrinho de mão de pernas para o ar. _É que se o voltar ao contrário, enchem-mo de tijolos! Respondeu, imediatamente o interpelado. E...chamavam-lhe tolo! Filho de uma muito jovem mãe que apesar do seu infortúnio denotava um certo gosto pela vida em sinais que com alguma perspicácia se pressentem, atraia as atenções dos veraneantes que regressavam depois de um dia bem passado à beira-mar. À memória vem-lhe a evocação que a cena lhe sugere, no âmbito da sua função docente. Sem qualquer preparação específica para lidar com a diferença, apesar de o Ministério da Educação ter dado os primeiros passos nesse vasto campo, é confrontada no seu quotidiano, com esta realidade nua e crua, Adjectiva desta forma essa realidade, pois acarreta uma carga incomensurável de sofrimento para os progenitores que se debatem com situações análogas. O país ainda não tem estruturas satisfatórias e suficientes para dar resposta cabal, a estes pais que num estremado amor aos seus descendentes, sofrem, duplamente na pele. Por não terem apoios e não poderem dar-lhes, eles próprios, o acompanhamento a que qualquer ser humano, numa sociedade civilizada, tem direito. Às vezes, numa tentativa de perceber os desígnios de Deus, neste particular, interroga-se: Porquê, meu Deus, tanto sofrimento a quem não parece merecê-lo, aos olhos de qualquer comum mortal. Será que Deus, na sua sabedoria ilimitada de ser omnipotente...terá alguma na manga, para compensar estes desafortunados da sorte? Fica a pergunta para quem ousar responder!
Mª Donzília Almeida 27.07.09

FÉRIAS: Para começar o dia

AMO-TE, Ó LEI MAIS SUAVE
Amo-te, ó lei mais suave, na qual amadurecemos, quando com ela em luta estávamos; ó grande saudade que não dominámos, ó floresta da qual nunca saída encontrámos, ó canção que em cada silêncio cantámos, ó rede de obscuridade, em que nossos sentimentos presos abrigávamos. Tão infinitamente grande te começaste, naquele dia em que nos começaste, e tanto amadurecemos nos sóis de tuas horas, tanto nos alargámos e nos plantámos profundamente, que em Homens, Anjos e Nossas Senhoras agora te podes cumprir descansadamente. Deixa a tua mão na encosta dos céus pousar e tolera em silêncio o que te estamos na sombra a preparar. Rainer Maria Rilke (1875-1926) In «O Livro de Horas», ed. Assírio & Alvim

terça-feira, 28 de julho de 2009

MAR e RIA no olhar de Carlos Duarte

(clicar na foto para ampliar)
Carlos Duarte, o fotógrafo com sensibilidade que muitos conhecem, vai expor na Costa Nova do Prado, na Residencial Azevedo, de 4 de Agosto a 30 de Setembro, fotografias que reflectem o seu olhar, atento e curioso, sobre o nosso mar e a nossa ria. A abertura será no próximo dia 4, pelas 17 horas.

Uma ideia para um país novo

O jornal i tem publicado, diariamente, "Uma ideia para Portugal", de figuras mais ou menos públicas. São textos com duas ou três frases, simples, mas interessantes. Hoje vou transcrever mais uma ideia, com o convite aos meus leitores para que me enviem ideias inovadoras, para um país novo.
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FM
"Mais que para Portugal, esta é uma ideia para os portugueses. Na saída do trabalho, esqueça-o! Pense como vai ser bom chegar a casa e estar com a família ou com os amigos, vivendo em pleno o que resta desse dia. Isto por uma razão muito simples: a vida foi-nos dada, mas só a merecemos se a dermos também."
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Pedro Henriques,
Árbitro de futebol

Encontrar um lugar

É mais fácil tentar quebrar a cadeia
pelo seu elo mais fraco
do que questionar,
a fundo, todo um sistema
Com a chegada do tempo de férias, são muitos os que partem à procura de um lugar, diferente, que ajude a quebrar rotinas e a retemperar forças. Nessa dinâmica, cada vez menos massificada - Agosto já não é um mês a menos no calendário laboral - tende-se a "desligar" de muita coisa que merece a nossa atenção constante, tendência acentuada pelo mito da "silly season" que leva muitos a dar destaque a factos menores que, no resto do ano não mereceriam mais do que uma linha ou 10 segundos de atenção. Crises e dramas humanos continuam a existir, em todo o mundo, e não tiram férias.
Em muitos casos, esses dramas forçaram homens e mulheres do nosso tempo a sair (fugir, mesmo) dos seus lares, em busca de uma vida melhor em sociedades que acreditam ser mais desenvolvidas. Não contam, por certo, com a intolerância e a discriminação que lhes estarão reservadas, por parte de vários, à sua chegada. A crise económica e financeira tende a acentuar estes comportamentos xenófobos e racistas, como justamente têm alertado vários responsáveis da Igreja Católica. É mais fácil tentar quebrar a cadeia pelo seu elo mais fraco do que questionar, a fundo, todo um sistema e os seus responsáveis máximos, que levaram à situação em que o mundo se encontra. A questão merece, por isso e acima de tudo, um olhar humano: pessoas como nós estão à procura de um lugar, um lugar melhor, para esquecer as mágoas de um passado muitas vezes dolorosos e construir um futuro melhor, para si e os seus. Aconteceu milhões de vezes, em Portugal, com avós, pais, irmãos, primos, amigos e vizinhos de cada um nós que também partiram. E partem. Basta dar a cada um dos que imigraram para este país o tratamento que gostaríamos que fosse dado aos nossos, lá fora. Esta é uma matéria que também merece um olhar atento, na hora de decidir em que partido votar. O Verão deste ano será diferente, por certo, em função das duas eleições que se aproximam e do desfile de promessas, acusações, barulho de fundo e cortinas de fumo a que iremos presenciar na busca de um lugar (lá está), que para muitos não é de serviço, mas de interesse(s) - confessados e inconfessados. A receita será, em larga medida, a mesma: acima de tudo, está cada ser humano e a maneira como, na nossa sociedade, ele será tratado em cada momento da sua vida. Para que todos possam, em condições dignas, encontrar o seu lugar. Octávio Carmo

FÉRIAS EM TEMPO DE CRISE: para meditar

Permanecer em paz Permanecer em paz que é a harmonia dos poderes para lá (certamente) do turbilhão para lá da abstenção serena para lá do abandono voluntário dos heróis na harmonia dos poderes coincidindo com a mais humilde humildade isto, na mediocridade dos dias sem altivez, sem saber e algumas vezes sem graça. Maurice Bellet

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Rir faz muito bem

No jornal i, de hoje, há um texto que merece ser lido, 
sobretudo pelos carrancudos e pessimistas.


Há quanto tempo não se ri às gargalhadas?

Um dia, Madan Katuria, um médico de Bombaim, decidiu estudar a importância do riso na saúde. Reuniu-se com um grupo de amigos, num jardim da cidade, e juntos não faziam mais que contar piadas e rir. Só que a graça durou pouco tempo e o grupo foi diminuindo. Mas Madan não desistiu e encontrou a solução junto da mulher, instrutora de ioga: uma terapia nunca antes vista, chamada Ioga do Riso. A notícia espalhou-se, a ideia correu mundo e hoje existem seis mil clubes do riso por todo o globo.

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