quinta-feira, 3 de agosto de 2006

Voluntariado

Voluntariado,
um contributo cívico
O voluntariado assume dimen-são na sociedade actual, princi-palmente em tempo de férias, altura de maior disponibilidade. Não é, no entanto, uma acção nova ou temporal mas reveste-se actualmente de grande dimensão social, e aparece de uma forma mais estruturada na sociedade, como reflecte Eugénio da Fonseca, Presidente da Comissão Instaladora da Confederação Portuguesa do Voluntariado, no “Espaço Solidário”, periódico da Obra Diocesana de Promoção Social. “A acção desenvolvida pelo voluntariado permite descobrir, na sociedade, a existência de vidas humanas que necessitam e merecem ser tidas em conta, teimando contrariar a linguagem utilitarista e individualista da nossa cultura.” O voluntariado é um contributo cívico e chama a atenção para a misericórdia, generosidade e gratuidade mas “este apelo não pode esquecer a justiça e as suas mediações nem deixar de operar transformações estruturais positivas que dão credibilidade aos voluntários e às instituições”. É necessário que se aposte numa formação que dê bases para uma continuidade voluntária que motive e suscite nos mais novos “um compromisso de serviço desinteressado aos outros”, salienta Eugénio da Fonseca. Reconhecer o voluntariado “é um sinal de esperança” salienta o Presidente da Cáritas Portuguesa. É necessário, pois continuar apostar em acções de voluntariado e “que ninguém se sinta dispensado desta missão”. O Conselho Nacional para a Promoção do Voluntariado disponibiliza informações em www.voluntariado.pt
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Foto: Eugénio da Fonseca
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Fonte: Ecclesia

quarta-feira, 2 de agosto de 2006

Nova contagem

Com a opção por novo grafismo, perdi, sem saber como, o contador que me acompanhava desde a primeira hora. Hoje, portanto, recomeçou o registo do número de visitantes. Os mais de 32 mil, registados até há dias, ficaram para a história, com esta nota.
Saudações para todos.
Fernando Martins

Um trabalho de férias

AUGUSTO MARQUES, PRESIDENTE DA JUNTA DE FREGUESIA E DA CASA DO POVO DE QUIAIOS

Augusto Marques escuta recado da utente Ricardina

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Cargos políticos e sociais

são complementares

Quiaios tem data de baptismo do ano 897 da era cristã, mas o seu nascimento foi muito antes. Hoje é uma freguesia do concelho da Figueira da Foz, com 4500 habitantes. Na época estival, porém, a população duplica, graças à tranquilidade da sua praia e às condições de alojamento que oferece. Terra simpática, como é, mostra ao visitante sinais da sua antiguidade e importância social. E para ajudar nos problemas mais candentes da população residente tem uma instituição dinâmica – Casa do Povo de Quiaios –, fundada em 1973, essencialmente para apoiar os trabalhadores rurais. Como IPSS, estatuto que adquiriu em 1991, assumiu outros serviços, mais vocacionados para a família, mas não ficou por aí. Para conhecermos melhor o que faz e o que pretende fazer, o SOLIDARIEDADE foi ouvir o seu presidente Augusto Marques, que o é há nove anos, sendo também presidente da Junta de Freguesia, em segundo mandato.

Fernando Martins

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Leia a reportagem em SOLIDARIEDADE

Férias diferentes

Experiências de missão

em tempo de férias

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. Os campos de férias são trabalhos missionários em que diversos movimentos juvenis apostam, agora em tempo de descanso escolar e de trabalho. É uma forma de trabalhar em Igreja, habitualmente circunscrito às paróquias, mas que ganha grande dimensão em tempo de Verão.

Susana Canhoto, da Juventude Hospitaleira, explicou ao programa Ecclesia como surgiu a necessidade de no movimento a que pertence “não perder o rasto destes jovens durante todo o ano. A Juventude Hospitaleira que teve o seu início em 1988, e conta com jovens entre os 13 e os 30. Apostamos numa forma de sensibilizar a juventude para uma solidariedade comprometida e estamos ligados aos irmãos e irmãs que trabalham com doentes e deficientes mentais.” Estes jovens disponibilizam-se durante 10 dias no Verão, para partir e ir ao encontro de uma comunidade que lhes é estranha, mas que os acolhe para o trabalho missionário, especificamente com doente mentais, mas não só.

Os Jovens sem Fronteiras, outro movimento que aposta nos campos de férias, são um ramo mais novo da congregação dos missionários do Espirito Santo. Marta Vilas Boas explica que “é um movimento que conta com 23 anos de história e tem por objectivo viver o ideal missionário e aprofundar a solidariedade e fraternidade universal”. Trabalham em Portugal mas também além fronteiras com acções de voluntariado. Nos campos de férias trabalham com idosos e com crianças desfavorecidas em diversas iniciativas.

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Um texto de Luísa Silveira, para ler na Ecclesia

Um artigo de António Rego

«A guerra começa sempre no coração»
A PACIFICAÇÃO
E quando acontece a guerra redobra em nós o desejo da paz. A menos que nos possuam momentos delirantes em que uma fúria justiceira de ataque ou defesa, surja, cegamente, como impulso irrefreável, ainda que diabólico. A nível individual pode ter consequências muito graves. A nível social, político ou religioso, pode converter-se em avalanche, de efeitos catastróficos em cadeia para o presente e para o futuro. Assim se faz a guerra. Guerra, conflito ou choque são sempre semente de fogo lançada do coração, que se não sabe como crescerá nem quando será extinta. A soma das duas lógicas – inimigo contra inimigo – reúne todos os dados para uma ferida sem cura à vista durante séculos ou milénios. Basta reparar na história. Por isso nenhuma guerra perdura apenas durante o tempo real do conflito directo. Alastra-se como lava incandescente em direcções imprevisíveis e com efeitos incontroláveis. A guerra começa sempre no coração. Nem vislumbramos o bem que fazemos a nós mesmos e à humanidade quando conseguimos percorrer a longa estrada da reconciliação, não apenas com os outros mas também connosco. É a experiência da serenidade, do diálogo reencontrado, do silêncio sem violência, da pacificação sem injustiçados. Alguém lembrou “o martírio da paciência” como pista principal para o diálogo e reconciliação. E se nos tempos de paz nem sempre se entende essa evidência, em tempo de guerra ganha uma urgência que se antepõe ao pão para a boca. Jesus disse: Bem-aventurados os construtores da paz.

terça-feira, 1 de agosto de 2006

Bispo de Aveiro nas praias e termas

Encontros de Verão nas praias e termas
da diocese O Bispo de Aveiro, D. António Marcelino, vai, durante o mês de Agosto, continuar a tradição da visita às praias e estâncias termais da zona diocesana, presidindo às celebrações dominicais e orientando em todas um encontro de reflexão e debate. Estas visitas realizar-se-ão de harmonia com o seguinte programa:
- Torreira, celebrações, dias 5 e 6 de Agosto; e encontro, dia 9;
- Praia da Barra, celebrações, dias 12 e 13 de Agosto; e encontro, dia 16;
- Costa Nova, celebrações, dias 12 e 13 de Agosto; e encontro dia 17;
- Termas da Cúria, celebração, dia 15 de Agosto; e encontro dia 10;
- Praia da Vagueira, celebração, dia 19 de Agosto; e encontro dia 22;
- S. Jacinto, celebração e encontro, dia 20 de Agosto.
Nas Termas do Vale da Mó (Moita - Anadia), se se justificar e houver condições, far-se-á este ano o primeiro encontro, em data a combinar.
O tema dos encontros será, neste verão, "O 'religioso' e o 'sagrado', ainda actuais, suscitam algum interesse?"

Arte em Aveiro

Bienal Internacional
de Arte Contemporânea
Aveiro também vai ter a sua I Bienal Internacional de Arte Contemporânea, entre 11 de Novembro e 30 de Dezembro, com organização da Câmara Municipal de Aveiro e da associação de artistas AveiroArte. Trata-se de uma iniciativa que não deixará de alcançar grande expressão cultural, tanto em Aveiro como no próprio País. A Bienal, que servirá, sem dúvida, de estímulo à criação artística, vai abranger pintura, fotografia, desenho, gravura e escultura, havendo um prémio, denominado Prémio Aveiro, no valor de dez mil euros. A obra premiada ficará a pertencer ao espólio artístico da autarquia aveirense. Os interessados em participar nesta I Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Aveiro podem inscrever-se na Câmara Municipal.

Quadros da Ria de Aveiro

Palheiro de José Estêvão, na Costa Nova
(Foto publicada em "Imagens do Portugal Queirosiano",
com data de 1976)

José Estêvão, a esposa e seu filho Luís (Foto publicada no livro "José Estêvão - Estudo e Colectânea", com data de 1962)

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DESTES OCASOS D'OIRO
E DESTE CERÚLEO MAR
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Destes ocasos d’oiro e deste cerúleo mar, Desta mesma risonha e plácida paisagem, Quantas vezes, meu Pai, a luminosa imagem Se reflectiu no teu embevecido olhar! Era aqui, nesta paz, que vinhas descansar, Refazer, para a luta, as forças e a coragem, Vendo a planície verde ao fundo e, sob a aragem, Brancas, no azul da Ria, as velas deslizar… Por isso o coração aqui me prende assim! E, da saudade, quando, ao remorder acerbo, Tua figura evoco e ressuscito em mim, Vejo-te errar na praia – emocionante engano! – Buscando a inspiração do teu ardente verbo No esplendor do Infinito e o tumultuar do Oceano!

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Soneto de Luís de Magalhães,

filho de José Estêvão Coelho de Magalhães,

em que evoca a Costa Nova e o seu próprio pai

: In “José Estêvão – Estudo e Colectânea”

Um artigo de Alexandre Cruz

Pequenos, mas grandes vedetas!
“(A)pareço,
logo existo”
1. Nos nossos dias a televisão é uma autêntica produtora de vedetas. São dia-a-dia, também com a ajuda das praias dos veraneantes, criados e fomentados heróis cujo sonho é aparecer na novela. Sejam “morangos”, com ou sem açúcar, mas com floribelas à mistura, tudo foi pensado, criado, idealizado para criar hábito, estilo, moda. Se formos a ver e analisar o fenómeno destas novelas de concorrência que criou moda em Portugal, a certa altura apercebemo-nos de que o segredo está em trazer e consagrar a “realidade”, viva (nos “morangos”) ou sonhada (na “floribela”) para o ecrã da televisão. Nesta forma hábil e implacável de captação pela proximidade estará todo um mundo de contextos sociológicos, de vontades pessoais que se projectam, e de vedetas, heróis, que se criam simplesmente por aparecerem e dizerem uma “coisas” que, porventura, todos os dias se dizem, com calão à mistura, por aí. Na táctica do descomplicar para atrair, toda uma geração de gente nova do nosso país, mais coisa menos coisa, se revê no seu herói, se projecta nesse ideal que é tão banal quanto próximo, mas que existe e fala “como nós”…e assim sendo, pensará o adolescente, estamos a um passo de lá ir, de aparecer, de também “ser herói”. Tudo tão simples, tão prático, nem é preciso fazer nada de especial… Para a vedeta heróica bastará “aparecer”, mostrar a imagem e o “bronze”, o que é bem melhor que estudar!... 2. Este império das vedetas construídas na “banalidade” está aí, é irrefutável! Só nas consequências em futuro próximo se perceberá totalmente a grandeza desta ilusão colectiva da “malta” nova. E depois, quando acabar a novela? E quando se descer à realidade e todo esse castelo se desmoronar pela “fama” que, afinal, não existe? Se pensarmos que muitas vezes até as pessoas adultas (artistas, desportistas, “jet set”!) que atingem certo patamar de visibilidade e fama, se até estas pessoas, quer fartas da perseguição da imprensa cor-de-rosa quer pelo fim do próprio protagonismo e visibilidade, não aguentam o “choque” da realidade caindo no vazio… Então com crianças e adolescentes, como será?!... Quem não se lembra do famoso “caso Zé Maria”, o herói das galinhas do primeiro Big Brother, que de fama e dinheiro abundante desceu até à miséria do “abismo” da tentativa de suicídio. Por muito que se diga que as crianças e os adolescentes que aparecem na “novela” estão preparados para tudo, a verdade é que não estão preparados para nada disto; são pessoas em construção de sua identidade, personalidade, ideias, esperanças, projectos de vida. Com toda a liberdade realista fará sentido perguntar: quem pagará a factura de sua possível desorientação de vida, ansiedades, possível dificuldade em conviver com o “mundo real” onde não há heróis? O canal de televisão ou a produtora pagarão a despesa do médico, psicólogo,…?!... 3. Dizem-nos, habitualmente, que até uma certa idade é proibido trabalhar, e até em interpretações mais radicais não será permitido à criança começar a ajudar em casa, a lavar a loiça, limpar, aspirar, por a mesa, regar o jardim! E até assistimos a “processos-crime” atribuídos a instituições que acolhem crianças abandonadas por seus pais porque são iniciadas no realista mundo do trabalho, onde há esforço, de forma progressiva… Afinal, o que se passa com este mundo do espectáculo televisivo? Crianças em novelas e filmagens (tarefa muitíssimo exigente) não será trabalho infantil? Pertencerão ao mesmo país as normativas que de um lado proíbem e do outro permitem com visibilidade espectacular o duro trabalho de crianças na TV? O que e passa que por trás de tudo isto, fazendo dando às produtoras de televisão toda a isenção? O trabalho de crianças em novelas é ou não é trabalho infantil?!... 4. Grandes conseguem ser os pais e as famílias que, no máximo esforço da vida de cada dia para estarem sempre presentes, procuram transmitir aos “seus” os verdadeiros valores, ajudando a “pensar” e a dar valor de forma proporcionada. Como é natural, e este também é um tempo especial para quem tem essa oportunidade, dando lugar em férias ao entretenimento saudável que retempere as forças, a energia, a esperança, o ânimo fundamental (mesmo nas circunstâncias mais complicadas da vida, esta bem exigente que não é uma novela fictícia)… Depois de tudo, uma coisa é certa, e aponta o caminho do verdadeiro bronzeado a seguir: partindo do célebre pensamento grego “mente sã em corpo são”, talvez seja, a bem de todos os futuros, de dar mais “espaço” e valor ao “bronze da mente”! Afinal, a verdadeira grandeza, e o único caminho da verdadeira construção que não cai, mesmo com o “sonho”, reside no que se “é” e não no que se quer mostrar ou parecer ser! O filósofo, no seu tempo, apostava na palavra certeira ao dizer: “penso, logo existo!” E não, como em algumas modas actuais: “apareço…pareço, logo existo!” (Esquecendo o “pensar”, estaremos a regredir no tempo em termos de Humanidade?!...)

Visita às Dunas de São Jacinto

No dia 5 de Agosto, vai realizar-se mais uma visita guiada às Dunas de São Jacinto, acompanhada por biólogas da HERA-avpp. Esta actividade enquadra-se no projecto "Bandeira Azul" da Câmara Municipal de Aveiro.
As inscrições, obrigatórias, têm de ser feitas até 3 de Agosto, pelo Telm 969 145 152.
Programa:
15h25: Encontro dos participantes em frente da estação da CP, em Aveiro. 15h35: Partida para a Reserva natural de S. Jacinto. 16h25: Visita Guiada 18h45: Fim das actividades e regresso. A visita é gratuita, sendo o preço das deslocações (Autocarro, lancha: Aveiro-S.Jacinto / S. Jacinto-Aveiro) a cargo dos participantes.

segunda-feira, 31 de julho de 2006

ÍLHAVO EM FESTA

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Praia da Barra
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Mar Agosto
Festas do Município
Neste mês de férias por excelência e por tradição, a Câmara Municipal de Ílhavo preparou mais uma edição de MAR AGOSTO - Festas do Município de Ílhavo, para animar a população residente, visitantes, veraneantes e outros que queiram associar-se. As festas decorrem durante todo o mês de Agosto, marcando presença nas quatro freguesias do concelho: S. Salvador, Gafanha da Nazaré, Gafanha da Encarnação e Gafanha do Carmo. que decorrerão de 1 a 30 de Agosto. Conheça o programa e participe.

Uma boa medida?

Carta por pontos
em Espanha
reduz mortos na estrada
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O número de mortos nas estradas espanholas desceu 23,2 por cento desde que entrou em vigor o sistema da carta por pontos, no princípio do mês. São quase três mortos a menos por dia em relação ao mesmo período de 2005, segundo o balanço feito pela Direcção-Geral de Tráfego, no final da semana passada. Nos primeiros 26 dias de funcionamento do novo regime de penalização dos condutores em Espanha, morreram 225 pessoas na sequência de acidentes de viação, menos 68 do que em igual período do ano passado. "Sem dúvida nenhuma que isto se deve à carta por pontos", disse o responsável máximo da DGT, Pere Navarro, citado pelo jornal El País. "Pela primeira vez, baixámos de 300 mortos em Julho", acrescentou. No mês homólogo de 2005, os acidentes de viação provocaram a morte a 342 pessoas.
Desde o dia 1 de Julho, dois em cada 1000 condutores foram multados; 89 por cento são homens. Do total de multas aplicadas em 26 dias, só 10,7 por cento se destinaram a mulheres condutoras.
A explicação para a desigualdade pode estar no facto de "em muitos casais ser o homem a conduzir, apesar de a mulher também ter a carta", segundo fonte da DGT, citada pelo mesmo jornal. Os condutores mais jovens (menores de 25 anos) concentram 19,2 por cento das multas, enquanto os condutores profissionais cometem 4,3 por cento das infracções detectadas.
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Um texto de Sofia Rodrigues, no PÚBLICO : Leia mais no PÚBLICO

Quadros da Ria de Aveiro

Zé Penicheiro: "Amanhecer", acrílico s/tela, 35x27
A luz estremece antes de pousar ::
“A ria é um enorme pólipo com os braços estendidos pelo interior desde Ovar até Mira. Todas as águas do Vouga, do Águeda e dos veios que nestes sítios correm para o mar encharcam nas terras baixas, retidas pela duna de quarenta e tantos quilómetros de comprido, formando uma série de poças, de canais, de lagos e uma vasta bacia salgada. De um lado o mar bate e levanta constantemente a duna, impedindo a água de escoar; do outro é o homem que junta a terra movediça e a regulariza. Vem depois a raiz e ajuda-o a fixar o movimento incessante das areias, transformando o charco numa magnífica estrada, que lhe dá o estrume e o pão, o peixe e a água da rega. Abre canais e valas. Semeia o milho na ria. Povoa a terra alagadiça, e à custa de esforços persistentes obriga a areia inútil a renovar constantemente a vida. (...) Na ria o ar tem nervos. A luz hesita e cisma e esta atmosfera comunica distinção aos homens e às mulheres, e até às coisas mais finas na claridade carinhosa, delicada e sensível que as rodeia. A luz aqui estremece antes de pousar…"
In “Os pescadores”,
de Raul Brandão

Editorial do DN de hoje

Caná
Dez anos depois e no décimo nono dia da segunda guerra no Líbano, Caná voltou a chorar. Mais de 60 mortos, entre os quais 37 crianças, foram vítima do conflito que na nossa memória de vida sempre existiu.
As imagens que vemos criam o desejo de desviar o olhar. Como a que hoje é publicada na primeira página do Diário de Notícias. Mas podemos e devemos olhar para um conflito entre israelitas e árabes que dura praticamente desde a Segunda Guerra Mun-dial e no qual temos responsabilidades.
"Nenhum europeu deveria falar ou escrever sobre o actual conflito no Médio Oriente sem ter consciência da nossa responsabilidade histórica", escreve Thimothy Garton Ash.
De pouco nos serve repensar as nossas responsabilidades históricas porque as temos muitas. No Médio Oriente como em África e na América do Sul. Mas foi na Europa que nasceu essa segregação dos judeus, estranha no passado e ainda mais incompreensível no presente.
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Texto de Helena Garrido
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domingo, 30 de julho de 2006

Citação

"O diálogo é uma provocação, isto é, convoca-nos não só para escutar o outro, o diferente, mas para rever as nossas próprias convicções, que, ao longo do tempo, nos impediram de reconhecer a humanidade que nos falta, por nos termos fechado ao que há de mais genuíno nos outros, nas suas convicções, tradições e projectos. Para ser possível acolher os outros, praticar a hospitalidade, não basta tolerar as diferenças e justapô-las às nossas. Nessa linha, nunca iremos além dos bons modos, da boa educação, embora, por dentro, pensemos que a cultura, a religião, dos outros são inferiores às nossas. Não podemos estar atentos à dignidade das diferenças porque, interiormente, estaremos a defender-nos, fazendo de conta que os parceiros do diálogo o que pretendem é vender a sua própria mercadoria"
Frei Bento Domingues,
in PÚBLICO de hoje

Guerra no Médio Oriente

Bento XVI exige cessar-fogo imediato
Bento XVI repetiu este Domingo o pedido de um cessar-fogo imediato no Médio Oriente, exigindo que os responsáveis pela escalada de violência “abandonem as armas”. "Em nome de Deus, dirijo-me a todos os responsáveis por esta espiral de violência, para que as armas sejam depostas imediatamente por todas as partes", disse. “Não se pode restabelecer a justiça, criar uma nova ordem e edificar uma paz autêntica quando se recorre ao instrumento da violência”, acrescentou. Recitando o Angelus em Castel Gandolfo, o Papa considerou que esta é “uma situação cada vez mais grave e trágica”, lembrando as centenas de mortos e os milhares de deslocados e refugiados, para além da imensa destruição em cidades e infra-estruturas. Bento XVI lamentou, em especial, “que no coração de muitos pareça crescer o ódio e a vontade de vingança”. “Peço aos governantes e às instituições internacionais que não poupem nenhum esforço para obter o necessário fim das hostilidades, para o começo da construção, por meio do diálogo, de uma convivência estável e duradoura entre todos os povos do Oriente Médio", apontou o Papa, algumas horas depois do sangrento bombardeamento israelita no sul do Líbano, que matou 51 civis. O Papa renovou os apelos à oração pela paz que já tinha feito quando deixava Les Combes, no final das suas férias no Vale de Aosta, para viajar até Castel Gandolfo, a residência pontifícia de Verão. Bento XVI pedira que as pessoas "não se calem, e façam o possível para chegar aos ouvidos dos poderosos". A oração, explicou, “é um grito não apenas para Deus, mas também para os homens".
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Fonte: Ecclesia

As férias estão aí

Os encantos da Torreira
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Hoje, domingo, proponho uma visita à Torreira, onde o visitante pode desfrutar das suas belezas. Com mar e ria a abraçá-la e com a mata que oferece sombras refrescantes, esta praia do concelho da Murtosa pode proporcionar-lhe, se quiser, um dia tranquilo, bem ao gosto de quem aposta em afugentar o stresse.
Vá até lá, almoce uma boa caldeirada, goze as delícias dos ares marinhos e aprecie paisagens como esta que lhe mostro. Bom domingo.

Um artigo de Anselmo Borges, no DN

Férias, 'vacances', 'holidays', 'Urlaub'
Férias, vacances, holidays, Urlaub - é tudo férias: em português, francês, inglês e alemão, respectivamente. É muito interessante verificar que, apesar de tanta variedade, as diferentes palavras, até etimologicamente, têm a ver com liberdade, dias festivos de descanso, dias sagrados e santos.
Férias - em alemão, Ferien - vem do latim feriae, significando dias libertos de negócios e trabalhos, dias festivos, dias de descanso. O termo vacances - em espanhol vacaciones - tem a sua origem no verbo latino vacare: estar em descanso, ter tempo e vagar para - o substantivo vacatio tem o significado de isenção, graça e dispensa de serviço.
Os ingleses em férias estão on holidays, portanto, em dias santos. Urlaub tem na sua raiz erlauben e Erlaubnis, com o significado primeiro de permissão de sair, dada pelo senhor ou pela dama ao cavaleiro; actualmente, quer dizer dias livres, sem serviço e sem trabalho, para o descanso.
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Leia mais no DN

Turismo na região

O último Verão da Rota da Luz
A Região de Turismo da Rota da Luz vai mudar de nome mas a escolha da nova designação ainda não foi feita. Contudo será uma de duas hipóteses. Passará a chamar-se Região de Turismo de Aveiro ou Região de Turismo da Ria de Aveiro. Um dos dois nomes será a nova designação e com um subtítulo que poderá ser entre os conceitos de «mar», «Ria» e «montanha».
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Um texto de João Peixinho
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Leia mais no Diário de Aveiro

sábado, 29 de julho de 2006

Voluntariado

Inscrições no CUFC
Quer ser voluntário?
Já pensou em dedicar algum do seu tempo disponível a ajudar o próximo? O Centro Universitário Fé e Cultura (CUFC) volta a promover, no ano lectivo 2006/07, um conjunto de Projectos de Voluntariado Universitário, em parceria com a Associação Académica, os Serviços de Acção Social e a Reitoria. Saiba em quais pode participar e inscreva-se.
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Saiba mais em UA

As férias estão aí

À descoberta
da Gafanha da Nazaré ::
Quem quiser visitar a Gafanha da Nazaré, para captar dela o que há de mais importante, a nível turístico mas não só, pode fazer-se acompanhar de um roteiro. O que sugiro hoje aos meus leitores foi editado em 2003, por iniciativa do Departamento Curricular de Línguas Estrangeiras da Escola Secundária com 3º Ciclo da Gafanha da Nazaré. A coordenação foi de Alda Fernandes e Helena Silva e as pesquisas e a redacção estiveram ao cuidado das mesmas e de Olga Cachide. As fotografias são de Helena Silva e João Roque, que também fez o tratamento de imagem. Os apoios vieram da Câmara Municipal de Ílhavo, Escola Secundária com 3º Ciclo da Gafanha da Nazaré, Junta de Freguesia da Gafanha da Nazaré e APESCA – Associação de Pais. A abrir, pode ler-se: “Das dunas batidas por vento agreste, um povo habituado a vida dura noutras paragens soube tirar o seu sustento. A laguna deu-lhe o moliço com que fertilizou os campos. Gente humilde e trabalhadora juntou ao das terras o amanho das águas de onde tirou o sal. Aventurou-se e fez-se ao mar, em demanda do fiel amigo, e o mar deu-lhe riqueza mas reclama inúmeras vidas. De todo o lado vieram e fizeram grande esta terra de oportunidades e tolerância que ainda busca identidade. Para os visitantes reserva sempre a melhor parte e um convite para que venham…” Este roteiro apresenta-se em quatro Línguas (Português, Francês, Inglês e Alemão), como convém a quem chega dos quatro cantos do mundo, de passagem ou para ficar. E todas as páginas estão bem ilustradas com imagens do que há de mais importante para conhecer. História, museus, igrejas e santuário, portos, praia, gastronomia e eventos mais significativos, mapas, equipamentos e serviços, de tudo um pouco pode ver-se neste roteiro Fernando Martins

Ria de Aveiro à espera

AMRia confia em entidade gestora até final do ano
O presidente da Associação de Municípios da Ria (AMRia), Ribau Esteves, acredita que até ao final do ano esteja concluído o processo de criação de uma entidade vocacionada para a gestão da laguna.
A AMRia está actualmente «a trabalhar» com o Instituto da Água (INAG) no sentido de encontrar uma «solução» ao abrigo da nova Lei da Água, confirmou ontem em declarações ao Diário de Aveiro.
Ribau Esteves, também presidente da Câmara Municipal de Ílhavo, anunciou que em breve se irá realizar uma reunião com o presidente do INAG, Orlando Borges, com a finalidade de dar «novos passos» no processo de definição do modelo de gestão da ria.«Espero que até final de 2006 a questão esteja arrumada», afirmou o autarca, acreditando que a solução que está a ser estudada irá «honrar os princípios defendidos» pela AMRia.
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Leia mais no Diário de Aveiro

As férias estão aí

Agosto com a Ecclesia
A Agência Ecclesia não publica, durante o mês de Agosto, o seu semanário de actualidade religiosa, mas continua a oferecer toda a informação informação eclesial em Portugal e no Mundo, de segunda a sexta, em www.agencia.ecclesia.pt O programa Ecclesia estará na :2, habitualmente às 18h30: destaque para a apresentação de iniciativas programadas para o mês de Agosto (durante a primeira semana) e de propostas para dias de férias: dia 7 - Ler em férias: propostas de Maria Teresa Gonzalez, autora de "A lua de Joana"; dia 8 - Visitar a arte: exposição de Emília Nadal, em Silves; dia 9 - Dias de Retiro: propostas e espaços do Convento dos Carmelitas, em Aves-sadas; dia 10 - Férias em ambiente cisterciense: as ofertas do Mosteiro de S. Cristóvão de Lafões. Devido à transmissão dos Campeonatos de Atletismo, na semana de 7 a 11 de Agosto, o programa será transmitido entre as 20h00 e as 20h30. Nos dias 14, 15, 16, 17, 21, 22 e 23 de Agosto é apresentada a peça “António, Bispo do Porto”, que percorre a vida de D. António Ferreira Gomes, deste o tempo de formador no Seminário do Porto. Esteve em cena no Teatro de Campo Alegre, no Porto, pela Companhia Seiva Trupe. São cerca de duas horas de teatro, cujos episódios são interligados por intervenções de Júlio Cardoso, encenador, e Maria Fonseca Santos, autora. Programado está também uma reportagem sobre D. Sebastião Soares de Resende, no dia 24 de Agosto. Em cada sexta-feira, o programa é de análise às leituras da Bíblia que se escutam no Domingo seguinte.
70x7
Todos os Domingos, na :2,às 09h30: 06 de Agosto - Muldifestival Gaudeo: apresentação e aprendizagem de diferentes expressões artísticas; dia 13 - Migrações: novos êxodos em Portugal e as respostas pastorais; dia 20 - Católicos na Bolívia; dia 27 - Café cristão: um local de encontro, ao redor da bíblia (a confirmar).

sexta-feira, 28 de julho de 2006

Questões sociais

Voluntariado e emprego
" ... é surpreendente e deveras preocupante que, após tantos anos de estagnação económica em Portugal, o terceiro sector ou sector voluntário, (sem fins lucrativos) não tenha criado uma espécie de sistema social de criação de emprego, porventura em cooperação com o sistema de crédito e o Estado. Os nossos antepassados da Idade Média e do séc. XIX foram muito mais criativos socialmente do que nós, apesar de se terem debatido com dificuldades muito superiores às actuais."
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Texto de Acácio Catarino
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Leia mais no CV

As férias estão aí

Conselhos
para entrar de férias
em segurança
Persianas corridas, portas trancadas, malas no tejadilho do carro. Teresa e Henrique preparam-se para uma longa viagem até ao Algarve. Lisboa nem fica tão distante de Lagos, mas o casal leva duas crianças impacientes no banco de trás. Como esta, milhares de famílias rumam hoje ao seu destino preferido: férias. A partir das 12.00, terão na estrada a companhia de 1100 militares da GNR. É a "Operação Verão Seguro 2006" a dar nas vistas.
Dentro do Renault Clio, o rádio está sempre ligado. Teresa e Henrique querem saber se há acidentes no seu caminho. "Hoje em dia, as rádios dão informação de trânsito permanentemente", diz o major Lourenço da Silva, da Brigada de Trânsito (BT) da GNR. "Se os condutores souberem de algum problema, podem modificar as opções de percurso."
À terceira curva, o João e a Rita, de seis e quatro anos, já reclamam. Está calor, nunca mais chegam, querem ir à casa de banho. O normal, diz Lourenço da Silva. "Sobretudo nas auto-estradas, as paisagens são aborrecidas para os miúdos, e eles cansam-se", afirma. Ao fim de uma hora começam a perguntar "se falta muito" e é difícil distraí-los. Solução: "Optar por percursos alternativos, que passem por lugares que possam visitar, como castelos ou museus."
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Um texto de Ângela Marques.
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Leia mais no DN

As férias estão aí

FORMAS PARA DOMINAR O MAR
As férias são, sem dúvida, se quisermos, um convite para descobrirmos a beleza da natureza. Diz-se, por vezes com calor, que essa é uma obrigação que carregamos no espírito durante o ano de trabalho, enquanto aguardamos, ansiosos, pelo tempo de descontracção. Contudo, se é verdade que a descoberta da natureza nos deve preocupar e enriquecer, também é verdade que o homem, com toda a sua arte e inteligência, nos delicia com o muito que nos oferece. Hoje e aqui mostro formas, belas, que a sabedoria humana criou para dominar a força do mar.

Citação

"Os portugueses são assim. Abusam do poder, confundem poder com autoridade, acham que é no abuso que se revela no seu esplendor o poder de que se usufrui. E depois admiram-se que ninguém os respeite"
José Miguel Júdice,
PÚBLICO de hoje

quinta-feira, 27 de julho de 2006

Um poema de Teixeira de Pascoaes

Que tudo, desde o mar até ao céu, Tenha a branca pureza imaculada Desse primeiro beijo que o sol deu Na tua face, ó terra desejada! Primeira luz que os montes floresceu! Ó primeira donzela enamorada! Sonho de eterna infância! Que alegria, Vinda de além dos astros, me alumia!

Geminação de paróquias

Gafanha da Nazaré
e S. Pedro d’Aldeia
de mãos dadas
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As paróquias da Gafanha da Nazaré, Ílhavo, e de S. Pedro d’Aldeia, do Estado do Rio de Janeiro, Brasil, vão concluir, no sábado, 29 de Julho, o processo de geminação iniciado em Março de 2006. A cerimónia vai ter lugar na igreja matriz da Gafanha da Nazaré, pelas 18 horas, sob a presidência de monsenhor João Gaspar, vigário-geral da Diocese de Aveiro. A formalização desta geminação vai ser o ponto de partida para uma cooperação a vários níveis, nomeadamente na linha da evangelização de baptizados afastados da Igreja e da formação de líderes. Ainda se pretende estreitar os laços culturais entre as duas comunidades e dinamizar o espírito missionário dos seus membros. Nesta cerimónia, que conta com a presença das autoridades autárquicas, participa, também, uma delegação da paróquia de S. Pedro d’Aldeia, constituída por 30 pessoas, chefiada pelo pároco, padre Valdir Mesquita. O pároco da Gafanha da Nazaré, padre José Fidalgo, convida todos os gafanhões a estarem presentes nesta festa de geminação.

NOVO ROSTO

Hoje resolvi mudar de grafismo. O mesmo verde mantém-se a emoldurar novo rosto. O verde da esperança que desde a primeira hora assumi.
De quando em vez é preciso mudar, como quem muda de roupa. Há sempre novas modas, nisto como em tudo na vida. No fundo, no entanto, continuo a ser o mesmo, na procura de adaptação aos tempos que vivemos. Pela positiva, teimosamente, sem descanso!
Fernando Martins

Terra Santa: Cristianismo em risco

Cristãos precisam de ajuda
Os cristãos da Terra Santa encontram-se hoje entre o fogo cruzado da luta política, territorial e económica entre o Estado de Israel e a Autoridade Palestiniana que deseja constituir um Estado independente na Palestina. As comunidades cristãs são reféns de uma paz, que parece ser impossível de alcançar entre judeus e muçulmanos. A Ajuda à Igreja que Sofre esteve na Terra Santa para avaliar a dimensão da crise que está a atingir as comunidades cristãs e verificar o que pode ser feito para ajudar estes cristãos perseguidos e necessitados. Actualmente e enquanto continuam os confrontos entre as Forças Armadas israelitas e os movimentos islâmicos no Líbano, Mons. Elias Chacour, Arcebispo de Akka, faz um pedido de ajuda de emergência para os cristãos na Galileia. Numa carta recentemente enviada à Ajuda à Igreja que Sofre, o Arcebispo católico-melquita de Akka (que abrange a região de Haifa, Nazaré e toda a Galileia) escreveu: "Nunca imaginei que viria o dia em que teria de fazer um apelo, um SOS, por nós, os cristãos da Galileia. Queremos limpar as lágrimas das crianças e dos pais nestes momentos difíceis". O Arcebispo pede ajuda para 30 famílias cristãs, cujas casas foram danificadas e cujos elementos foram feridos nos ataques, a quem o Estado de Israel nega qualquer compensação pelos danos sofridos.
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Fonte: Ajuda à Igreja que Sofre

As férias estão aí

Flores na cidade
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Em férias, como é de supor, sempre há mais tempo para apreciar a cidade. Se olhar com atenção, verá que em algumas há quem se preocupe com as flores. Como estas que tenho visto e apreciado. E é bom saber que há gente de bom gosto.

Um artigo de D. António Marcelino

PODER
AUTÁRQUICO
E VÍCIOS
POLÍTICOS
Toda a gente sabe que o poder político é ambicioso, pragmático e frágil. Por vezes, sectário o que leva a exigir especial atenção. Tem estratégias próprias, sem as quais pouco poderá fazer, mas é sempre complexo e misterioso o poder, seja central ou local. Por vezes, o enredo e a ânsia diária não deixam ver, com liberdade e independência, as pessoas, os grupos e as comunidades, os direitos e os deveres, próprios e alheios, bem como as necessidades mais objectivas e concretas. Entra-se, então, num campo preocupante e perigoso, porque a procura do bem comum, dever primeiro de quem governa, pode ficar subalternizada a outros caminhos e projectos, mais vistosos, porventura, mas menos respeitadores de todos e menos construtivos. Na preocupação de descentrar o poder, vão-se atirando para as autarquias muitas actividades diversas, sem que se tenha em consideração a fragilidade de muitas delas, a pouca preparação dos seus responsáveis para algumas destas actividades, a carência de meios financeiros e não só, as tensões politicas locais, quase sempre acirradas e paralisadoras, a tentação de favores partidários e a conquista de influências. O poder central, como anda muitas vezes, também ele, por iguais caminhos, parece não se esforçar muito para evitar estes escolhos e decide, sem mais, dando a impressão de cegueira ou de apreciação unilateral. Dar encargos sem dar meios ou sem considerar a realidade do poder local com as suas normais limitações, o seu pendor partidário, nem sempre da mesma cor política do poder central, o que mais fragiliza as suas promessas e projectos, é muitas vezes iludir as pessoas e as comunidades. Concordamos com a descentralização do poder, a proximidade dos problemas para melhor os avaliar, a possibilidade de integração activa nos processos por parte daqueles que estão mais perto da realidade. Mas preocupa de que, de repente, se tenham atirado para as autarquias, poderes e encargos em campos complexos, como a educação e a segurança social. As cartas sociais e educativas podem ser meios úteis para soluções complementares válidas, não campo para arbitrariedades, estratégias partidárias e conquista de apoios políticos, apagamento de quem faz e construção de um pedestal para quem se pretende promover. Há coisas em que, para os governantes de tope, pouco ou nada contam as autarquias, a sua luta e a sensibilidade aos problemas que lhe são próximos. Outras, em que eles ficam a assobiar e a olhar para o lado, logo que as passam para o poder local, por vezes torpedeado pela oposição e a mãos com problemas graves que herdou e o obrigam a uma dedicação permanente. Lamentavelmente, pelo menos assim penso, o poder local está ainda muito partidarizado. A necessidade de congregar esforços, aproximar pessoas, tomar a sério os problemas reais, devia contar mais com a participação de quem tem a profissão de servir o povo, do que com a submissão partidária. Os mesmos problemas são considerados de modo diferente, quando se está no poder ou na oposição, e o que se defende num dia ataca-se noutro, paralisando soluções urgentes, pouco mais que por chicana e capricho. Ao discutir os problemas e ao procurar soluções, não se pode participar, apenas para acolher decisões tomadas por alguns, sem dar lugar ao diálogo com aqueles que, de há muito, levam consigo o ónus e a honra do que se fez e se está fazendo. A mania de que cada um que chega ao poder deve começar tudo de novo, é o que explica tantas coisas paradas e tantas outras, malevolamente, menosprezadas e destruídas. Outra tentação que vem de cima e chega às bases, é o trabalho de sapa do poder para colocar gente do partido nas instituições, sejam elas públicas ou privadas e até da órbita canónica. Manobra nada louvável, nada respeitadora das instituições, a denunciar pouca confiança e segurança por esta tentação de influência. Só que, gato roubado, rabo de fora… O poder local é um valor que é preciso preservar e qualificar. Não é um campo de manobras e de interesses, sejam particulares ou partidários.

S. Jacinto: Visita guiada às dunas

No dia 5 de Agosto, vai realizar-se uma visita guiada às dunas de S. Jacinto, acompanhada por biólogas da HERA-avpp. Trata-se de uma actividade que se enquadra no projecto "Bandeira Azul" da Câmara Municipal de Aveiro. VISITA GUIADA À RESERVA NATURAL DE S. JACINTO
15h25: Encontro dos participantes em frente da estação da CP de Aveiro. 15h35: Partida para a Reserva Natural de S. Jacinto. 16h25: Visita Guiada 18h45: Fim das actividades e regresso. A visita é gratuita, sendo o preço das deslocações (Autocarro, lancha: Aveiro-S.Jacinto / S. Jacinto-Aveiro) a cargo dos participantes. Inscrição obrigatória, até dia 3 de Agosto, pelo numero 969145152.

quarta-feira, 26 de julho de 2006

Nasceu para mudar mentalidades

Aluno da UA
cria site
para D-eficientes
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Tem 24 anos, estuda Novas Tecnologias da Comunicação na UA, e é o autor do recém-criado site D-eficiente que «pretende modificar mentalidades e a forma de agir das pessoas com necessidades especiais». Trata-se de Pedro Monteiro, um jovem com paralisia cerebral desde os cinco meses de idade.
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Leia mais em UA

A guerra

Com mais
de dois mil anos
da era cristã
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Olhando friamente para esta guerra que ferve, fico pensativo: como é possível que, com mais de dois mil anos da era cristã, os homens não sejam capazes de se entender? Israelitas e árabes odeiam-se de morte, precisamente na terra onde Jesus nasceu.
Penso que por ali, por onde Jesus caminhou e falou, ensinando regras de sã convivência, apoiadas no mandamento que nos deixou (amai-vos uns aos outros como eu vos amei), será difícil haver um entendimento nas próximas gerações. Os radicalismos de ambas as partes, a incapacidade de perdoar e os ódios ancestrais não deixarão que a paz seja uma constante para aqueles povos.
Se é verdade que os terrorismos árabes não podem ser compreendidos e justificados pelo mundo, o mesmo mundo também não pode aceitar que Israel massacre um país, o Líbano (os antigos fenícios, navegadores e comerciantes), destruindo-o e matando um povo indefeso. Os ataques das tropas israelitas estão a ser desproporcionados, apesar dos argumentos de que pretendem acabar com os terroristas. Israel não quererá desaparecer do mapa. Mas sabe que, se perder a guerra, o Estado hebraico não terá hipótese de sobrevivência. Daí o desespero com que luta há tantos anos, numa região que lhe é hostil.
Toda a gente pede o fim da guerra. Toda a gente reclama o diálogo. Contudo, nada se vislumbra e o conflito ainda pode vir a alargar-se, com o envolvimento da Síria e do Irão. Depois será o caos na terra onde Jesus nasceu e viveu.
Fernando Martins

As férias estão aí

Arrais Gabriel Ançã
Conhecer a história
As férias podem ser uma boa oportunidade para conhecer a história. Se as gozar na Costa Nova, praia famosa da Gafanha da Encarnação, no concelho de Ílhavo, procure saber quem foi o Arrais Gabriel Ançã.
O seu busto, voltado para a Ria e de costas para o Mar, onde ele foi herói, é um convite para descobrir o que fez este ilhavense e por que razão foi homenageado.

Um artigo de António Rego

A Terra Santa
Como ler as palavras e os silêncios desta guerra que se não define? Como entender um conflito que se apresenta algumas vezes como defesa, outras como ataque, que se diz contra um Hezbollah que não é uma terra, um país chamado Líbano e outro, Israel, que é muito mais que um país? Não estamos perante um confronto convencional. Há entrelaçadas implicações étnicas, políticas, económicas, ideológicas, culturais, religiosas, com toda a sequela de ameaças e hipóteses de alastramento em várias frentes. Não é possível abordar Israel e países vizinhos, sem lembrar um povo eleito, uma terra prometida recheada de grandes personagens e lugares bíblicos que preenchem o cenário religioso de tantos povos. E sentir, ao mesmo tempo, que muitos desses lugares, em vez do significado sagrado duma história única, se tornaram palco de medo para os herdeiros duma terra “onde corre leite e mel”, éden, calvário e sepulcro vazio do Ressuscitado. Por isso Israel, para além dum país independente, é uma pátria onde três Religiões – as grandes religiões monoteístas - se revêem na sua história: Judaísmo, Cristianismo e Islamismo. Jerusalém, por exemplo, é a cidade ícone do encontro de Deus com o homem e o cenário dos maiores acontecimentos religiosos do cristianismo. Quando se lê a Bíblia e em especial o Novo Testamento depara-se, a cada passo, com um acontecimento, uma palavra, um milagre ligados a um lugar concreto que tão cruamente hoje se sente despojado da sua definição para ser apenas mais um palco banal de bombas ou “rockets” que ninguém deixa em paz. A Terra Santa está praticamente fechada para guerra. Os peregrinos, sobretudo judeus e cristãos, sentem-se mais distantes da sua Jerusalém que é muito mais que uma cidade de animação urbana ou turística. É um lugar sagrado, uma espécie de “santo dos santos”, tabernáculo dos acontecimentos que sustentam a fé de várias religiões. Ao longo do tempo tem-se perguntado muitas vezes porquê esta espécie de maldição sobre uma Cidade e uma Terra com uma vocação única para o encontro de Deus com o homem? Muitas são as tentativas de resposta. Nenhuma perfeita ou acabada. Que se não esqueçam, ao menos, as perguntas.

terça-feira, 25 de julho de 2006

ECUMENISMO

Católicos, Luteranos
e Metodistas fazem
história no ecumenismo
O dia 23 de Julho fica na história do ecumenismo: o Conselho Metodista Mundial aderiu à Declaração conjunta católico-luterana sobre a Doutrina da Justificação, de 1999. George H. Freeman, secretário-geral do Conselho Metodista Mundial, afirmou na ocasião que se estava a pisar “um novo território”, abrindo as portas para “o futuro das relações ecuménicas”. O presidente do Conselho Pontifício para a promoção da unidade dos cristãos, Cardeal Walter Kasper, e o secretário-geral da Federação Luterana Mundial, Ismael Noko, marcaram presença no acto, que teve lugar na Coreia do Sul. Os seguidores de Wesley, reunidos na sua 19ª Conferência Mundial, assinalaram o momento com uma ovação de pé. O Cardeal Kasper disse que esta assinatura representa “um dos maiores feitos do diálogo ecuménico” e citou Bento XVI para falar deste acordo entre as três Igrejas como “uma plena e visível unidade na fé”. A Declaração conjunta é o resultado de décadas de diálogo e é, para o membro da Cúria Romana, “um dom de Deus”. Samuel Kobia, secretário-geral do Conselho Ecuménico das Igrejas e pastor metodista, sublinhou que este acontecimento é “um passo gigante para superar as divisões entre os cristãos”. O Conselho Metodista Mundial agrupa Igrejas metodistas de 132 países, com um total de 75 milhões de fiéis, aproximadamente. A Declaração visa colocar um ponto final numa polémica com vários séculos relativamente à “salvação”, conceito fundamental da fé cristã. No século XVI, a interpretação e aplicação contrastantes da mensagem bíblica da justificação constituíram uma das causas principais da divisão da Igreja ocidental, o que também se expressou em condenações doutrinais. O magistério da Igreja Católica, confirmado no Concílio de Trento, coloca duas condições à salvação humana: a graça divina e as boas obras. Lutero ensinava que só a graça divina era necessária. Todas as partes confessam, agora que “somente por graça, na fé na obra salvífica de Cristo, e não por causa de nosso mérito, somos aceites por Deus e recebemos o Espírito Santo, que nos renova os corações e nos capacita e chama para boas obras".
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Fonte: Ecclesia

As férias estão aí

Gaivota descansa

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Ao lado do burburinho da praia, com gente a ocupar todos os palmos de areia branca e limpa, a gaivota também quis descansar um pouco. Indiferente aos olhares de quem passava e aos disparos das máquinas fotográficas, ali estava e ali ficou quando passei e registei para a minha história a sua tranquilidade.

As férias estão aí

Praia da Barra: Calor aperta
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Quem há por aí que não goste de apanhar um pouco de sol, refrescado pela maresia? As férias convidam a isso mesmo. A Praia da Barra, na Gafanha da Nazaré e concelho de Ílhavo, mostra à saciedade que o mar continua a atrair os portugueses. E ainda bem, porque é uma riqueza que temos de aproveitar.

Apelos pelo fim da guerra

Apelos portugueses pelo fim
da violência O Bispo das Forças Armadas, D. Januário Torgal Ferreira, é um dos signatários do abaixo-assinado pelo fim da violência e do desastre humanitário no Médio Oriente. A ele juntam-se outros nomes como o escritor Eduardo Lourenço, o encenador Luís Miguel Cintra e a eurodeputada Ilda Figueiredo.
Os escritores Eduardo Prado Coelho e Maria Velho da Costa, o historiador José Mattoso, o eurodeputado Miguel Portas, o poeta Gastão Cruz e o professor universitário Jorge Cadima são outros dos 58 signatários do documento.
O documento apela aos órgãos de soberania de Portugal que se façam ouvir, nomeadamente ao nível da União Europeia, pela paz na Médio Oriente e em defesa do povo palestiniano e do povo libanês, vítimas da agressão e ocupação estrangeiras.
Eduardo Lourenço desafia o Governo português a fazer um apelo à cessação das hostilidades no sul do Líbano: "Ninguém é tão utópico que pense que o Estado português faça uma condenação de Israel, mas um apelo à paz depois destes acontecimentos, exactamente como fez o nosso vizinho espanhol".
: Fonte: RR e Ecclesia : Foto: Eduardo Lourenço

QUEM VISITA FÁTIMA?

Perfil do visitante de Fátima em estudo
Quem visita Fátima? E porquê? O perfil do visitante de Fátima é traçado num estudo que se inicia hoje. "Estudar a satisfação, as motivações e as expectativas dos visitantes" de Fátima é o objectivo de um estudo que se prolonga até 31 de Agosto.
Dois bolseiros, licenciados em Turismo, vão efectuar 384 inquéritos na cidade para conhecer o perfil do visitante, seja ele peregrino ou turista. O estudo servirá para analisar os vários segmentos de mercado que afluem a Fátima, adianta a responsável pela equipa de investigação, Graça Poças dos Santos. Servirá também para dar pistas sobre potenciais novos públicos.
A investigadora acredita que as pessoas com mobilidade condicionada (deficientes e idosos) poderão ser este público-alvo.O projecto é liderado localmente pela Região de Turismo Leiria-Fátima e é finaciado pelo programa comunitário Interreg IIIC e conta com a participação dos santuários marianos de Altotting (Alemanha), Loreto (Itália), Czestochowa (Polónia) Lourdes (França), Patmos (Grécia) e Santiago de Compostela (Espanha).
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Fonte: Ecclesia

PMA ainda em discussão

Debate público é urgente
O presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, admitiu na semana passada a petição popular por um referendo à Procriação Medicamente Assistida (PMA). Gama justificou a sua decisão com a vontade de "não obstaculizar" uma iniciativa legal de cidadãos e permitir a sua discussão política.
António Pinheiro Torres, director de campanha da Petição Popular de Referendo da PMA, explica à Agência ECCLESIA que esta decisão "foi uma grande vitória cívica", lamentando que tenham sido precisos "dois meses foram para 82 mil cidadãos derrubarem os portões da Assembleia". "Defendendo o direito desta iniciativa popular de referendo a ser discutida em plenário, defendemos o direito de todas as futuras iniciativas populares de referendo", assegura.
Sobre o futuro da iniciativa, agora que o Presidente da República, Cavaco Silva, já promulgou a lei sobre a PMA, Pinheiro Torres considera que tudo está ainda em "aberto". "Entre a realização desta campanha, referendaria a forma como o Presidente da República promulgou a lei, a admissão da petição no parlamento e o anunciado pedido de um grupo de deputados ao tribunal constitucional que seja apreciada a constitucionalidade da lei, estamos a conseguir aquele que era o nosso objectivo principal: que as pessoas se apercebessem de que existia esta matéria de decisão política, que se estava a discutir a lei, que procurassem formar o seu juízo sobre a mesma", afirma.
António Pinheiro Torres considera que estão em cima da mesa "matérias serias" e "princípios e valores fundamentais". "Se entre Setembro e Outubro a nossa petição for discutida e for decidido realizar um referendo o resultado do mesmo condicionara uma revisão da actual lei (num ou noutro sentido)", aponta.
O comité Pró-referendo é de carácter laico e visa propor que, no país, exista um debate público sobre estas matérias.
Mais informações em www.referendo-pma.org

domingo, 23 de julho de 2006

Gotas do Arco-Íris – 27

E SE TODAS AS LUTAS TERMINASSEM EM ARCO-ÍRIS?!...
Caríssimo/a: Em tempo de calor sabe bem uma leitura leve e um espreguiçar de olhos... Daí o meu convite para esta visita rápida a uma estória infantil que sempre nos fará regressar a outros reinos e outros mundos... “Certo dia as cores começaram a lutar entre si. Cada uma queria ser a mais importante. O verde alegava que era a cor da vida e da esperança, a que estava mais espalhada pela natureza. O azul reivindicou ser a cor do céu, do mar e da paz. O amarelo dizia que era a cor da alegria,do sol e da vitalidade. O laranja pretendia ser a cor da saúde, da vitamina e da força. Bastava pensar nos morangos, na laranjas, nas papaias, nas cenouras e nas cabaça. O vermelho sublinhava a sua força e valor, a sua paixão e o seu fogo. O púrpura sublinhou que era a cor da nobreza e do poder. O anil fazia notar que era a cor do silêncio, da oração e dos pensamentos profundos. A chuva observou a disputa e interveio. Com a sua força fez com que as cores se encolhessem e fundissem numa só. Quando acabou a chuva, despregaram-se em forma de arco-íris e todas e cada uma delas brilhou com a sua beleza e deram-se conta da beleza do conjunto.”[pneuma, jun.2006, p.32] Saibamos nós encontrar a beleza do conjunto e a fragrância de cada uma das gotas... Manuel

O VOUGUINHA

Assembleia Municipal de Aveiro quer reabilitar o "VOUGUINHA"
A Assembleia Municipal de Aveiro quer reabilitar o "VOUGUINHA", tendo aprovado, por unanimidade, uma moção a favor dessa ideia, por iniciativa do PCP. O documento vai ser enviado ao Presidente da República e ao Governo, bem como às Câmara abrangidas pelo antigo ramal do Vale do Vouga.
Por motivos históricos e turísticos, e ainda pelo interesse das populações, será bem-vinda a reabilitação do "VOUGUINHA", pela qual tanto se bateu, há décadas, o jornalista Daniel Rodrigues, que guarda, na sua memória, ricas histórias dessa sua luta.
Em 1974, publicou "VOUGA ARRIBA... ou o drama de um povo", que inclui reportagens então publicadas em "O Comércio do Porto", de que era jornalista-chefe da Delegação de Aveiro daquele diário, onde refere: "Hoje, mais do que nunca, estamos confiantes de que a linha do Vale do Vouga reabrirá. Ela é do Povo. O Povo quere-a, anseia-a. E um Povo unido..."
Pode ser que agora, tantos anos depois, esse seu sonho, que continua a ser o sonho de muitos, venha a concretizar-se.
F.M.

Um poema de Fernando Pessoa

AVÉ MARIA Avé Maria, tão pura Virgem nunca maculada Ouvi a prece tirada No meu peito da amargura.
Vós que sois cheia de graça Escutai minha oração, Conduzi-me pela mão Por esta vida que passa.
O Senhor, que é vosso Filho, Que esteja sempre connosco, Assim como é convosco Eternamente o seu brilho.
Bendita sois vós, Maria, Entre as mulheres da Terra E voss'alma só encerra Doce imagem d'alegria.
Mais radiante do que a luz E bendito, oh Santa Mãe É o fruto que provém Do vosso ventre, Jesus!
Ditosa Santa Maria, Vós que sois a Mãe de Deus E que morais lá nos céus, Orai por nós cada dia.
Rogai por nós, pecadores, Ao vosso Filho, Jesus, Que por nós morreu na cruz E que sofreu tantas dores.
Rogai, agora, oh Mãe qu’rida E (quando quiser a sorte) Na hora da nossa morte Quando nos fugir a vida.
Avé Maria, tão pura Virgem nunca maculada, Ouvi a prece tirada No meu peito da amargura. 12-4-1902

Um artigo de Anselmo Borges, no DN

'Têm havido'
muitos erros
Aborrece-me sumamente ter de ouvir ministros, professores dos vários graus de ensino, jornalistas, estudantes - eles e elas - a dizer: "Houveram encontros", "Poderiam haver mais possibilidades", "Haviam tantas mulheres que os homens tiveram medo", "Podem haver outros mundos."
Seria preciso perguntar-lhes qual é o sujeito do verbo. Não há paciência!Apareceram agora os resultados dos exames e, mais uma vez, foi o desastre: a Matemática teve uma ligeira melhoria em relação ao ano transacto, mas, mesmo assim, 64% das notas foram negativas, a média geral das notas de Química foi de 6,9 valores e a de Física, 7,7.
Mas, para mim, o mais impressionante foram os resultados dos exames de Português: nota negativa para metade dos alunos, o dobro em relação ao ano passado. A palavra é mesmo essa: um desastre!
E a mim impressionam-me particularmente os resultados dos exames de Português, porque há muito tenho a ideia de que o problema essencial da Matemática, da Física e da Química é mesmo o português, a língua portuguesa. Porque uma língua é um mundo com uma determinada estrutura. O mundo em português e em alemão, por exemplo, não é exactamente o mesmo - Heidegger chamava a atenção para o facto de, em última análise, a sua filosofia só ter sido possível a partir da língua alemã. George Steiner não se cansa de repeti-lo: "Como Freud nos ensina, é preciso virar os grandes mitos ao contrário, eles dizem o contrário do que parecem dizer. Babel, longe de ser uma punição, é talvez uma bênção misteriosa e imensa. As janelas que uma língua abre dão para uma paisagem única. Aprender novas línguas é entrar em novos mundos."
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Quadros da Ria de Aveiro

Zé Penicheiro,
Aveiro, Gente da Ria,
acrílico sobre cartão, 27x21,
Colecção Particular ::
Se passar por Aveiro, não deixe de deambular por aqui e por ali, na esperança, quase certeza, de encontrar quadros como este. Como este e como muitos outros que o artista Zé Penicheiro nos vai oferecendo, com a sua rica sensibilidade, que faz dele, decerto, um dos melhores artistas da nossa Ria.

Representações do sagrado e conflito de liberdades - 3

Representações
do sagrado e liberdade
O sagrado enquanto tal não tem representação. Todas as formas ou fórmulas que procuram atestar o sagrado são da ordem das mediações, da linguagem. O sagrado apresenta-se à consciência humana como um processo dialogal, comunicacional, onde se instaura uma relação entre a experiência humana e a percepção de uma dimensão da realidade transcendente, não domável e não apropriável. A objectivação dessa realidade sempre foi constitutiva da ordenação da vida das comunidades e dos indivíduos, na medida em que permite o estabelecimento de fronteiras e de perímetros existenciais. Em muitos universos culturais e religiosos, o sagrado tende a circunscrever uma exterioridade só acessível a alguns, determinando simultaneamente a territorialidade do profano, próprio ao comum do humano. Nesta perspectiva, esta forma de ordenar a realidade fornece à hierarquização estabelecida uma legitimidade decorrente do sagrado, conduzindo à identificação dessa ordem com a representação do sagrado entre os humanos e nas sociedades. A ilustração desta ordem, por mais variada e diversificada que seja, corresponde a representações e imagens que transportam determinados códigos que permitem a cada homem e a cada comunidade um processo de identificação e de crença. Essa objectivação que vai de expressões miméticas do viver humano até a expressões de maior abstracção, como seja a lei, passando pela definição de espaços e de tempos carregados de sentido e de laços de pertença. Por isto mesmo, essas representações suscitam um envolvimento afectivo e, elas próprias, ilustram as mundividências que cada um possui, individualmente e em grupo. Todavia, por diversas vias, existe também uma outra percepção, fundamental para a condição humana, que tem a ver com o facto de se considerar que a representação por excelência do sagrado se encontra na conjugação com o profano que acontece na individualidade de cada um como pessoa. Contudo, para muitos, este modo de colocar as questões acarreta como que uma dessacralização. Mas tal nem é exacto, nem correcto. Não se trata da divinização do humano ou da redução do divino ao humano, bem pelo contrário. Trata-se do reconhecimento de que é no interior do humano que se inscreve uma realidade de transcendência onde se joga a abertura e a relação de cada um aos outros: a razão profunda da existência. Este modo de entender a representação do sagrado, se encontra certamente na antropologia cristã um dos seus principais fundamentos, manifesta-se em muitas outras tradições que colocam o homem não como centro de tudo, mas como sujeito relacional consigo, com os outros e com a natureza. Neste contexto, a experiência de liberdade é crucial neste processo de afirmação do sagrado. A liberdade não é ausência de laços e, consequentemente, de capacidade de escutar (obediência) e de responder (responsabilidade). A liberdade rompe com a escravidão e a dominação, na medida em que são estas as mais profundas e radicais atitudes de dessacralização. Não é o exercício da liberdade que rejeita o sagrado, bem pelo contrário, mas são os comportamentos ou as mediações de servitude que negam ao homem e à mulher a sua realização, retirando-lhes o protagonismo e a participação no caminhar e no crescimento de uma consciência pessoal onde a alteridade - a contemplação e a complementaridade do outro - não fenece em qualquer narcisismo, mais ou menos ferido, mas onde essa alteridade corresponde à complementaridade parceira de um percurso solidário. Sim, é a vida do outro enquanto pessoa, reconhecida e querida, que é a representação do sagrado. As representações do sagrado na sua conjugação com a liberdade não podem fechar o essencial que é a comunicação entre pessoas e comunidades diferentes e distintas. O sagrado em qualquer uma das suas representações não pode esmagar, mas instaurar a capacidade de comunicação assente no que o outro quer dizer, mesmo quando se exprime de forma radicalmente contraditória e antagónica. O sagrado não é incompatível com a liberdade, nem vice-versa, mas que para tal aconteça o que está em jogo é a alteração do desejo de subjugação e de domínio sempre presente como idolatria e como opressão nas pessoas e nos grupos. António Matos Ferreira Historiador, UCP
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In "Observarório da cultura"

Uma opção corajosa

Alberto Ramos
tem 72 anos,
uma filha
e tornou-se padre
aos 67 anos
A conversa veio interromper-lhe o estudo da Bíblia Sagrada. Alberto Ramos guarda os apontamentos, enfia a caneta Montblanc no bolso da camisa, recosta-se na cadeira e pede perguntas. Daí a pouco há-de realizar um funeral. Por agora, apressa-se a desfiar o longo novelo da sua vida. Tem quase 73 anos, é vigário paroquial de Belas e S. Brás, concelho de Sintra, mas já foi casado e tem uma filha.
O padre Alberto Ramos nasceu em Nogueira, Vouzela. Cumpriu o serviço militar na Marinha e, terminado o liceu, ingressou na PSP (Polícia de Segurança Pública), nos serviços administrativos. Foi funcionário civil da polícia. Primeiro em Aveiro, depois em Viseu. Quis melhorar a vida e estudou. "Licenciei-me em Ciências Sociais e Política Ultramarina. E o Ministério da Justiça ofereceu-me um lugar de administrador em Moçambique. Não hesitei." Por essa altura já era casado com Maria de Fátima Matos. Juntos, tiveram uma filha, Filomena. Em Moçambique, não quis parar de aprender e tirou o bacharelato em Jornalismo.
Depois do 25 de Abril, veio para Portugal, esteve preso 22 meses por ter sido um representante do Governo em Moçambique, a seguir trabalhou na Cruz Vermelha e no Instituto Nacional de Estatística.
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Um artigo de Sónia Morais Santos. Leia mais no DN

sexta-feira, 21 de julho de 2006

Um artigo de D. António Marcelino

Destruição criminosa e falta de senso comum
Refiro-me à destruição da família. Feita de modo pro-gramada por uns, por inércia por outros, por pouco saber e fraco discernimento da realidade hu-mana e social por parte de políticos e outros responsáveis, pelos seus próprios membros, quando não se chegou a saborear a riqueza da experiência familiar ou depressa se perdeu esse sabor único, pelo ambiente desfavorável, cultural, ideológico e legislativo, que despreza os seus valores ou os passa a segundo plano. A família está, de facto, submetida a uma crise sem precedentes na história. Um dado evidente com fautores conhecidos.
A defesa da família é hoje a tarefa mais difícil e ingrata, mas também a mais urgente. Se ninguém pode viver sem amor, o espaço normal do amor e da felicidade é a família equilibrada e séria que, contra ventos e marés, se sente apoiada e não desiste de ser família. Por esta tem de lutar quem trabalha pelo bem comum e tem bom senso.
Quem vai construindo a sua vida, com determinação e sentido, tem por detrás uma família que apoio e é referência. Verificação diária, feita por todos quantos amam, estimam e defendem a sua própria família, qualquer que ela seja. Por outro lado, vidas socialmente destruídas, andam com frequência ligadas à ausência da família, porque se rejeitou ou porque se foi rejeitado por ela.
O Papa disse em Valência que ia ali “propor o papel que, para a Igreja e para a sociedade, tem a família fundada no matrimónio”. Esta proposta incomodou. Mas não pode a Igreja, em democracia, dar livremente razão da sua esperança e convicções? Ou terão mais auditório os que andam pelo país, naturalmente com subsídios do Estado, a dizer, em forma de comédia para rir, que “o matrimónio é como o submarino que pode flutuar, mas é feito para afundar”? Quem é que destes luta mais pelo bem da sociedade?
A família normal é a maior riqueza humana e social de um povo, a fonte e o suporte que permitem vencer problemas e desafios, curar feridas e recobrar energias. É espaço de encontro enriquecedor das diversas gerações, em cujas veias corre o mesmo sangue. Cada geração aprende da que a precede os valores que perduram, e encontra na que a prolonga, estímulos para a viver. Só uma escola, como a família normal, é capaz de transmitir e ensinar o que é indispensável à vida e que faz parte da bagagem de cada um.
Por tudo isto, não se pode considerar família uma qualquer ligação instável e a prazo. Muito menos, se já nasce sem consistência para enfrentar a vida como os seus espinhos e os contratempos do dia a dia. Família a sério é inseparável do projecto de perenidade, gera nós que não se desatam mais, os seus membros nunca são peças de vestir e despir.
Se a família não pode sozinha enfrentar as tarefas que tem de realizar, há que colaborar com ela e ajudá-la a abrir-se à colaboração de outros que a completam, sem que perca o seu protagonismo, nem se subalternizem os seus direitos e deveres.A Igreja acredita na família e nos seus valores, sem fechar os olhos aos problemas e às dificuldades, sem passar ao lado das crises. Sempre a defenderá, afirmando, convictamente, que só nela há energias inatas que lhe permitem, como a nenhuma outra instituição da sociedade, vencer as batalhas que enfrenta e recuperar, pela positiva, os estragos das derrotas, que também fazem parte da sua história.
O Estado não faz favores à família. Mas não tem outro modo de servir a comunidade com futuro, senão respeitar a família, defendê-la, protegê-la e apoiá-la, como valor primeiro. A ligação natural dos seus membros, a solidez das relações humanas e humanizantes que cria e garante, o ser a fonte geradora da vida e a garantia do amor que molda a sociedade, a escola normal do respeito pelo outro, pela mútua aceitação, o espaço dos valores naturais e universais, tudo justifica o dever dos que governam.
Menosprezar a família é falta de senso comum e crime maior contra a nação e os cidadãos. Os sintomas deste menosprezo estão à vista, mas a família vencerá.

Boa pergunta da VISÃO

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