sábado, 8 de março de 2014

Uma viagem no tempo com o Foral de Ílhavo

Foral de Ílhavo

O Foral de Ílhavo, outorgado por D. Manuel I, o rei venturoso, em 8 de março de 1514, à vila de Ílhavo, fez hoje 500 anos. Mas o documento, cujo original pudemos apreciar na exposição que integra as comemorações, só chegou a Ílhavo dois anos depois, decerto por dificuldades próprias da época, inerentes às deslocações, mas também ao afastamento entre o poder central e o poder local. Ontem como hoje, afinal.
Na cerimónia de abertura das comemorações, no Centro Cultural de Ílhavo, o presidente da autarquia ilhavense, Fernando Caçoilo, afirmou que os forais manuelinos representam um marco histórico para as povoações, pois estão na base da reorganização administrativa de Portugal. Serviram de estímulo ao desenvolvimento económico, enquanto ofereceram uma certa autonomia às vilas. 

Lançamento do selo comemorativo

Sendo certo que a importância da vila de Ílhavo já havia sido reconhecida por D. Dinis, é oportuno frisar que a reorganização administrativa de Portugal, levada a cabo por D. Manuel I, na época áurea dos descobrimentos, veio mostrar o progresso em crescendo da nossa terra, disse o autarca. 
Fernando Caçoilo lembrou que «somos hoje um município desenvolvido», fruto do trabalho de toda a comunidade, nomeadamente, «das empresas, instituições e pessoas». Contudo, adiantou que importa valorizar os talentos, apostar na formação e na cultura a todos os níveis, tendo em conta as nossas tradições. E referiu a mais-valia que significa para Ílhavo o contributo dos nossos símbolos, bem representados «no Museu Marítimo e no Navio-museu Santo André», sinais concretos da nossa identidade, que tem o «Mar por Tradição».
O autarca concluiu afirmando que Ílhavo depende da vontade de todos os munícipes aqui radicados, mas também realçou o precioso contributo  dos ílhavos na diáspora. 

A alcoviteira
A lição de história, que nos trouxe certezas do nosso passado e dúvidas que exigem estudo, veio do docente universitário e especialista em História Medieval, Saul Gomes, que elaborou a introdução histórica, transcrição paleográfica e revisão científica da edição do Foral Manuelino, editado pela Câmara de Ílhavo em 2009. E a lição conduziu os presentes numa viagem através do último milénio, frisando que a «história está espelhada no espaço em que vivemos».
Paira no horizonte a necessidade de descobrirmos se os fenícios e romanos, ou outros povos, por aqui andaram nos princípios de Ílhavo, de onde nasceu este vocábulo que deu nome à terra e suas gentes; porém, deixou-nos como certeza que a organização urbanística tem razões históricas, tal como a toponímia, patente em lugares e templos. Do brasão, sublinhou que as três vieiras significam terra de passagem e hospitalidade, nas rotas dos que peregrinavam a São Tiago, e que as ermidas são sinal de terra despovoada.

Na feira
Os forais, documentos passados pelo Rei ou Senhor a uma terra e que estiveram na base da criação dos municípios, permitem-nos conhecer a demografia dos povoados, as atividades económicas exercidas, em especial o comércio praticado, a agricultura e pescas, a alimentação e os impostos a pagar. 
Saul Gomes mostrou quanto a igreja de São Salvador traduz o crescimento da vila de Ílhavo nos séculos XVII e XVIII, enquanto adiantou que Ílhavo, no espaço marítimo, nos mostra o Portugal ligado ao mar. 
A jornada comemorativa dos 500 anos do Foral de Ílhavo saiu enriquecida com a exposição aberta no Centro Cultural (patente ao público até 9 de junho) e com a encenação da Outorga do Foral pelo rei. No átrio, o século XVI passou por Ílhavo, com a alcoviteira, o arauto, os músicos, as feiras,  os trovadores, as bruxas, a inquisição e a pobreza. E ficou no ar a ideia de que a semelhança com a atualidade é pura realidade. 

Fernando Martins

FRANCISCO SOBRE TEMAS EM DISCUSSÃO

Crónica de Anselmo Borges 
no DN de hoje

Anselmo Borges


Já sabíamos, mas agora é o próprio Francisco, entrevistado pelo Corriere della Sera, a dizê-lo: "Gosto de estar com as pessoas, com os que sofrem. O Papa é um homem que ri, chora, dorme tranquilo e tem amigos como toda a gente. É uma pessoa normal." Por isso, não gosta que façam dele um mito, e cita Freud: "Em toda a idealização há uma agressão.

"Não decide sem ouvir o conselho de muitos, e ouve mesmo, não finge. Mas, claro, "quando se trata de decidir, de assinar, fica só com o seu sentido de responsabilidade". Na entrevista, enfrenta os temas mais delicados. Com uma liberdade e clareza desarmantes. Assim: "Nunca entendi a expressão "valores não negociáveis". Os valores são valores e pronto.

" Sobre a pedofilia: "Os casos de abusos são terríveis, porque deixam feridas profundíssimas. Bento XVI foi muito corajoso e abriu o caminho. E, seguindo esse caminho, a Igreja avançou muito. Talvez mais do que ninguém. As estatísticas sobre o fenómeno da violência contra as crianças são impressionantes, mas mostram também com clareza que a grande maioria dos abusos provém do ambiente familiar e das pessoas próximas. A Igreja Católica é talvez a única instituição pública que se moveu com transparência e responsabilidade. Ninguém mais fez tanto. E, no entanto, a Igreja é a única a ser atacada.

LIBERTA-TE E VEM COMIGO

Uma reflexão de Georgino Rocha
para esta semana

Georgino Rocha

Jesus dá o exemplo e faz o apelo. Após o baptismo vê confirmada a sua dignidade de Filho de Deus que vê questionada ainda antes de iniciar a missão pública. Mateus – o narrador do episódio – elabora um diálogo provocador entre dois contendores: O tentador com as suas propostas sedutoras e Jesus com as suas respostas contundentes. Umas e outras afectam o núcleo mais consistente do ser humano e constituem o espelho mais polido da ”trama/drama” da nossa existência. Dão por suposto o reconhecimento da realidade assumida – a novidade da missão de Jesus – e procuram fazer a sua interpretação, descobrindo e reencaminhando o sentido original.

Dia Internacional da Mulher - 8 de março

Crónica de Maria Donzília Almeida

Maria Donzília Almeida



É do conhecimento geral, que muitas das grandes convulsões sociais têm o seu embrião nos Estados Unidos da América. Aí germinam, crescem e explodem.
Assim, a comemoração da data de hoje teve também origem nesse país. Em 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve, ocupando a fábrica, para reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas, para 10 horas, por dia. Estas mulheres que recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde, entretanto, se declarara um incêndio, tendo sucumbido 130. Em 1910, numa conferência internacional de mulheres realizada na Dinamarca, foi decidido comemorar o 8 de março como "Dia Internacional da Mulher" em homenagem àquelas lutadoras. Desde então, o movimento a favor da emancipação da mulher tem subido de nível, chegando até a alguns exageros, como se constata nos movimentos feministas, um pouco por todo o mundo. 

quinta-feira, 6 de março de 2014

500 Anos do Foral Manuelino de Ílhavo


O Município de Ílhavo celebra em 2014 os 500 anos da Outorga do Foral Manuelino de Ílhavo, concedido a 8 de março de 1514 pelo Rei D. Manuel I.
Para assinalar tão importante data, a Câmara Municipal de Ílhavo vai realizar no próximo dia 8 de março, sábado, pelas 15h30, no Centro Cultural de Ílhavo, a Abertura das Comemorações dos 500 Anos da Outorga do Foral.

Ver mais informação aqui

quarta-feira, 5 de março de 2014

O CÍCLAME JÁ FLORIU


Todos os anos, com a aproximação da primavera, o cíclame voltou a florir na pequena escadaria que dá acesso à minha casa. Passou o inverno, excessivamente agreste, a dormitar, para agora nos mostrar que, afinal, conseguiu resistir entre pedras e cimento, como símbolo da vida que quer perpetuar-se aos nossos olhos e no sítio em que passamos diariamente. Que seja bem-vindo para nosso regalo!

Mensagem para a Quaresma de D. António Francisco



«Escuta | Liberta-te | Transforma-te | Orienta-te | Renova-te | Manifesta-te | Vive, são desafios que a caminhada de Quaresma nos apresenta e compromissos a que a Quaresma nos convoca.
São apelos de renovação espiritual ao alcance de todos: sacerdotes, diáconos, consagrados e leigos.
São imperativos de conversão, que queremos assumir como pessoas e como comunidades, e caminhos de transformação humana e social, que vamos percorrer, para que o mundo sinta a ternura do amor de Deus e a força da esperança para vencer a “miséria material, moral e espiritual” (Papa Francisco, MQ 2014).
Coloco esta mensagem no coração de todos os diocesanos, crianças, jovens, famílias, doentes, idosos e emigrantes, para que em todos se retome e reavive a bela experiência jubilar, que nos leva, em cada momento da nossa vivência eclesial, ao encontro de quantos habitam esta nossa casa, que é a diocese de Aveiro.»

Ler toda a mensagem aqui

terça-feira, 4 de março de 2014

As mães solteiras do Papa

Crónica de Henrique Raposo 


«Este Papa não é um panzer intelectual, não tem a profundidade teológica de Ratzinger, nunca terá dez lombadas na estante cá de casa. Mas o argentino sorridente tem outra qualidade. É um almocreve que anda na realidade, é um sujeito carnal que anda cá em baixo junto da carne pecadora. Eu gosto disso. Andar à beirinha do pecador devia ser o pão com manteiga do catolicismo, mas não é. Há demasiada gente a fugir da imperfeição quando o caminho certo é o inverso, sim, o caminho católico é feito na direcção daqueles que estão à margem, daqueles que não tiveram a chance de serem perfeitinhos. O caminho não passa por ficar sentado numa virtude fechada, na posse só de alguns, uma virtude que se alimenta do ódio em relação ao exterior, uma raiva contra certas tribos de pecadores.» 

É necessário que as consciências se convertam à justiça, à igualdade, à sobriedade e à partilha




Fez-Se pobre, 
para nos enriquecer com a sua pobreza


«À imitação do nosso Mestre, nós, cristãos, somos chamados a ver as misérias dos irmãos, a tocá-las, a ocupar-nos delas e a trabalhar concretamente para as aliviar. A miséria não coincide com a pobreza; a miséria é a pobreza sem confiança, sem solidariedade, sem esperança. Podemos distinguir três tipos de miséria: a miséria material, a miséria moral e a miséria espiritual. A miséria material é a que habitualmente designamos por pobreza e atinge todos aqueles que vivem numa condição indigna da pessoa humana: privados dos direitos fundamentais e dos bens de primeira necessidade como o alimento, a água, as condições higiénicas, o trabalho, a possibilidade de progresso e de crescimento cultural. Perante esta miséria, a Igreja oferece o seu serviço, a sua diakonia, para ir ao encontro das necessidades e curar estas chagas que deturpam o rosto da humanidade. Nos pobres e nos últimos, vemos o rosto de Cristo; amando e ajudando os pobres, amamos e servimos Cristo. O nosso compromisso orienta-se também para fazer com que cessem no mundo as violações da dignidade humana, as discriminações e os abusos, que, em muitos casos, estão na origem da miséria. Quando o poder, o luxo e o dinheiro se tornam ídolos, acabam por se antepor à exigência duma distribuição equitativa das riquezas. Portanto, é necessário que as consciências se convertam à justiça, à igualdade, à sobriedade e à partilha.»

Da Mensagem do Papa Francisco para a quaresma

A memória

«A memória é o diário que todos 
transportamos de um lado para o outro.»

Oscar Wilde, 
em  A importância de ser Ernesto (1898)

segunda-feira, 3 de março de 2014

Prior Sardo, fundador e “rei”


Prior Sardo



“Em artigo publicado em «O Ilhavense», no dia 1 de Dezembro de 1958, o Padre Resende afirma que o Prior Sardo «dava ordens e directrizes em que era obedecido sem restrições ou quaisquer objecções, criando por esta forma ambiente favorável à criação da freguesia, que ele desde há muito trazia em mente». Noutro passo do seu artigo, garante que o Prior Sardo era considerado «o rei daquelas terras», sendo o primeiro a entender , «diante de Deus e dos homens, que devia interferir oportunamente com a sua autorizada acção e eficaz campanha na independência desejada». Assim, «reconheceu a necessidade de ingressar nos segredos da política dominante e agir dentro dela, como era costume, naqueles tempos, qualquer entidade que solicitasse uma mercê»”.

Fernando Martins 

In “Gafanha da Nazaré, 100 anos de vida”, pág, 80-81

Publicado no Correio do Vouga em 8 de setembro de 2010

domingo, 2 de março de 2014

ANTÓNIO FRANCISCO - BISPO DO PORTO

D. António Francisco


«Depois dos descaminhos da imprensa no ensaio de nomes, o Papa Francisco nomeou finalmente o novo bispo do Porto: António Francisco dos Santos, até agora bispo de Aveiro. Homem simples, humilde e sábio, vem como pastor para uma diocese tão importante quanto difícil. Também se chama Francisco, e, neste caso, o nome não é mera coincidência.»

Anselmo Borges 
no DN de ontem 

A MENTIRA E A VERDADE

«Uma mentira dá uma volta inteira ao mundo antes mesmo de a verdade ter oportunidade de se vestir.»

Winston Churchill (1874-1965),
 político e estadista inglês.
No PÚBLICO de hoje

Mais chuva

«Em março, cada dia chove um pedaço.»

Nota: A ser assim, estamos mal. Mas quando vier a primavera, em 21 de março, com o dia igual à noite, pode ser que o tempo mude e nos faça sorrir!

O SER HUMANO TEM CURA (1)

Crónica de Frei Bento Domingues 
no PÚBLICO de hoje

Frei Bento Domingues


1. Este título contraria a conhecida sentença antropológica de José Saramago induzida da História e da observação quotidiana: o ser humano não tem cura. A patologia de que sofre parece resultar de um defeito de fabrico. É um animal que leva muito tempo para nascer e, em comparação com os outros mamíferos, vem mal equipado para enfrentar o mundo envolvente.

Uma criança vem ao mundo com enormes vantagens potenciais quanto a inteligência, emoções, linguagem, criatividade estética e capacidade técnica. É uma personalidade em gestação, um centro de relações com uma comunidade de conhecimento e de afectos que a precedeu e a torna apta para sonhar, projectar e realizar o que nunca existiu ou para destruir um património de milênios. As neurociências e as nanotecnologias prenunciam uma caixa de surpresas nos subterrâneos da mente, sem um alarme ético a avisar que nem tudo o que é possível fazer deve ser concretizado.

sábado, 1 de março de 2014

Ainda o Centenário da Gafanha da Nazaré

Ao visitar hoje o site do Correio do Vouga, que se apresenta renovado e mais aberto ao mundo do ciberespaço, tive o privilégio de me reencontrar com textos de minha lavra que se me tinham varrido da memória. Foi um prazer lê-los e será com muito gosto que os partilharei com os meus leitores. Começo com uma entrevista que dei ao diretor adjunto daquele semanário diocesano sobre o centenário da Gafanha da Nazaré, como paróquia e freguesia.


Foi à sombra da Igreja que surgiram 
as principais instituições 
da Gafanha da Nazaré

O meu retrato, julgo que de 2010


A Gafanha da Nazaré, paróquia e freguesia, tem vindo a celebrar os 100 anos de existência. D. Manuel II assinou o decreto no dia 23 de Junho de 1910 (provavelmente, o último de criação de uma freguesia na monarquia), enquanto o Bispo de Coimbra criou canonicamente a paróquia no dia 31 de Agosto de 1910. Para assinalar o centenário, entre outras iniciativas, publicou-se o livro “Gafanha da Nazaré, 100 anos de vida”, da autoria de Fernando Martins, antigo professor do ensino básico, diácono, director do “Correio do Vouga” entre 1992 e 2004, profundo conhecedor da terra que o viu nascer. Entrevista conduzida por Jorge Pires Ferreira.


CORREIO DO VOUGA – Escreveu este livro (apresentado publicamente no Centro Cultural da Gafanha da Nazaré, no dia 7 de Agosto) num tempo recorde. Tal deve-se, também, ao facto de há muito investigar e escrever sobre a Gafanha da Nazaré…
FERNANDO MARTINS – A paróquia fez-me o desafio no final de 2009: um livro para celebrar o centenário. Aceitei a missão, embora pensasse que não seria tarefa para uma pessoa só. Fiquei encarregado de arranjar uma equipa, mas depois resolvi assumir integralmente a tarefa da escrita. Na minha óptica, teria menos trabalho, evitando reuniões e revisões do trabalho de outros, até porque, de facto já tinha alguma coisa escrita e tenho as minhas próprias ideias. A verdade é esta: a paróquia tem 100 anos e eu vivi quase três quartos desse período. Março, Abril e Maio foram os meses mais intensos de investigação e escrita.

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Eles já não são os mesmos

Crónica de Anselmo Borges 



1. A exposição do cardeal-teólogo Walter Kasper na semana passada aos cardeais, reunidos em Roma para darem início à reflexão sobre a família no mundo actual e a pastoral familiar, foi publicamente aplaudida pelo Papa Francisco.

A intervenção não veio a público. Mas o cardeal já tinha expressado claramente o seu pensamento, concretamente sobre a admissão à comunhão dos divorciados que voltam a casar. Já em Dezembro tinha dito ao semanário Die Zeit que os divorciados recasados "terão em breve acesso novamente aos sacramentos". E, na véspera do debate no consistório dos cardeais, afirmou, aliás na linha de Francisco, que repete constantemente "Deus não se cansa de perdoar": "Todo o pecado pode ser perdoado. Também o divórcio. Esse é o ponto de partida. Alguém pode cair num buraco negro de que Deus o pode tirar." E insistiu: "O Papa convida-nos a ir às periferias, aos subúrbios da existência humana, para sermos como o bom samaritano que ajuda e não como o sacerdote e o levita do Evangelho que têm respostas preparadas para tudo. A Igreja deve ser o hospital de campanha que cura todas as feridas." A doutrina "não é uma lagoa estancada. É uma viagem, um ponto de partida, não de chegada, e a tarefa da Igreja é ir ao encontro das pessoas". Não se pode "defraudar as expectativas, especialmente no referente à família".

Está, pois, aberto o caminho para a admissão à comunhão dos divorciados que se voltam a casar. A resposta definitiva virá dentro de dois anos, no Sínodo de 2015.

Papa sublinha necessidade de «acompanhar» e «não condenar» os casais separados ou divorciados


«Há que saber estar ao lado dessas pessoas, 
caminhar com elas na sua dor», 
realça Francisco




O Papa Francisco destacou hoje a importância de “acompanhar” e “não condenar” os casais separados ou divorciados.
“Quando um homem e uma mulher se unem num só corpo em matrimónio e o amor falha – e isso acontece tão frequentemente – há que saber estar ao lado dessas pessoas, caminhar com elas na sua dor”, sublinhou o Papa argentino, durante a eucaristia desta manhã na residência de Santa Marta.
Segundo o serviço informativo da Santa Sé, o Papa alertou para a tendência de “apontar o dedo” a quem não conseguiu manter o seu matrimónio e mesmo de fazer desta questão “um caso de estudo”.
“Por detrás da casuística há sempre uma armadilha. Sempre! Contra as pessoas, contra Deus, sempre!”, apontou.
Os problemas que afetam as famílias estiveram em cima da mesa, nos últimos dias no Vaticano, durante as reuniões preparatórias do Sínodo dos Bispos marcado para outubro e que será dedicado aos “desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização”.
Na sua homilia, o Papa destacou ainda a “beleza do casamento”, desse caminho conjunto de “amor” com que “Deus abençoou” a mulher e o homem, “obras-primas da sua Criação”.

JCP

Li na Ecclesia

CONFIA EM DEUS E FAZ O QUE PODES

Uma reflexão semanal 
de Georgino Rocha



A vida humaniza-se por meio das escolhas que fazemos. Somos colocados continuamente perante o desafio de organizar a nossa escala de valores, dando prioridade aos mais importantes e decisivos. À luz do bem definitivo e supremo. Não apenas da satisfação imediata, que deixa um vazio angustiante. Seria, a título de exemplo, o caso do sedento que encontra uma fonte e não cessa de beber pelo prazer que sente enquanto não esgotar a fonte. E depois, perante nova necessidade? O momento feliz dá passo à situação de ansiedade traumatizante. Qual de nós não passou por experiências semelhantes? E que bom seria que todos soubéssemos valorizar o momento no todo do tempo que nos é dado viver! O Papa Francisco elogia esta sabedoria.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

António Gandarinho: Um católico disponível para o serviço da Igreja

António Gandarinho



António de Jesus Gandarinho, 79 anos, casado com Evangelina Filipe Teixeira, aposentado da função pública, cinco filhos, três netos e um bisneto, é um membro ativo da comunidade católica da Gafanha da Nazaré. Pessoa sóbria, está ao serviço da Igreja para o que for preciso, demonstrando uma disponibilidade exemplar, apesar das suas limitações de saúde. E é assim desde muito novo.
Operário da construção civil desde tenra idade trabalhou cinco anos nas obras de remodelação da igreja matriz, na paroquialidade do Padre Domingos Rebelo, período em que, durante uns tempos, desempenhou funções de sacristão, sucedendo a Manuel Pata, que ocupou o cargo 33 anos. Mas essas tarefas ainda as exerceu, esporadicamente, em substituição dos sacristães, por razões diversas.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Porto de Aveiro vende areia para alargamento dos terminais

Areia no Porto de Aveiro (Foto FM)

«A hasta pública de areia ontem realizada pela Administração do Porto de Aveiro (APA) irá permitir libertar uma área portuária área para o alargamento dos terminais. Em causa estão 100 mil toneladas de inertes que a administração portuária liderada por José Luís Cacho pôs no mercado. As areias ficaram depositadas na área portuária “quando foi feita a construção do porto”. “Temos de libertar aquela área rapidamente, porque neste momento é um prejuízo e temos de procurar minimizar os encargos. O Porto precisa daquela área para construir lá a plataforma logística”, esclareceu o administrador.
A operação de venda foi criticada pelo Bloco de Esquerda. “É “inadmissível que areias removidas de uma área bastante afectada pela erosão costeira sejam vendidas em leilão e não usadas para a reposição de sedimentos na costa”, avalia o partido.»

Li no DA

Aveiro não esquece D. António Francisco

AÇÃO DE GRAÇAS PELO MINISTÉRIO EPISCOPAL
DE D. ANTÓNIO FRANCISCO NA DIOCESE DE AVEIRO




Entretanto, o novo Bispo do Porto toma posse em 5 de abril

O novo bispo do Porto vai tomar posse a 5 de abril, no Paço Episcopal, e a entrada solene vai decorrer no dia seguinte, numa celebração na catedral portuense, pelas 16h00, anunciou hoje a diocese.

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A Igreja Católica é uma instituição credível

«Apesar de toda a corrente secularista que invade a sociedade, em muitos países – mesmo onde o cristianismo está em minoria – a Igreja Católica é uma instituição credível perante a opinião pública, fiável no que diz respeito ao âmbito da solidariedade e preocupação pelos mais indigentes. Em repetidas ocasiões, ela serviu de medianeira na solução de problemas que afectam a paz, a concórdia, o meio ambiente, a defesa da vida, os direitos humanos e civis, etc. E como é grande a contribuição das escolas e das universidades católicas no mundo inteiro! E é muito bom que assim seja. Mas, quando levantamos outras questões que suscitam menor acolhimento público, custa-nos a demonstrar que o fazemos por fidelidade às mesmas convicções sobre a dignidade da pessoa humana e do bem comum.»


Papa Francisco, 


terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

50 anos dos Cursilhos de Cristandade de Aveiro

"Livro Comemorativo dos 50 Anos 
do Movimento dos Cursilhos de Cristandade 
na Diocese de Aveiro"



"Livro Comemorativo dos 50 Anos do Movimento dos Cursilhos de Cristandade na Diocese de Aveiro", de Domingos Cerqueira, edição do Secretariado Diocesano dos Cursilhos de Cristandade da Diocese de Aveiro, dezembro de 2013.

No Prefácio, D. António Francisco dos Santos evoca a efeméride dos 50 anos do primeiro Cursilho de Cristandade de Homens de Aveiro, que se realizou em Dezembro de 1963, coincidindo com as celebrações dos 25 anos da restauração da Diocese de Aveiro.
Meio século depois, precisamente na altura em que a Igreja Aveirense vive a Missão Jubilar dos 75 anos da restauração da diocese, o Movimento dos Cursilhos de Cristandade também está em festa jubilosa, com celebrações e publicação de um livro evocativo, repleto de memórias, testemunhos, encontros, mensagens, reflexões e fotografias de homens e mulheres que experimentaram ultreias, cursilhos e momentos marcantes de oração e ação que definiram caminhos do Reino.



Lembra o Bispo de Aveiro que «No desdobrar de cada página encontramos nomes e sentimos a vida e a fé de milhares de homens e mulheres que viveram e continuaram a viver os Cursilhos de Cristandade. Reencontramo-nos com estes nomes e com estas vidas que nos falam de agentes apostólicos e pastorais dedicados e generosos leigos, consagrados, diáconos, presbíteros e bispos». E mais adiante, D. António sublinha que «É de Cristo que recebemos também hoje o convite a reavivar a memória destes cinquenta anos, a agradecer a Deus o bem realizado pelo MCC na nossa Diocese e a intensificar o sentido de Missão».
Mário Braga, presidente do Secretariado Diocesano do MCC, recorda que o entusiasmo dos homens e mulheres que um dia participaram num Cursilho de Cristandade não pode adormecer, porque assumiram o compromisso de levar «a todos os ambientes a Boa Nova de que Deus nos ama, fermentando com o nosso testemunho de amizade e sinceridade os ambientes em que o Senhor nos quis colocar».
O autor, Domingos Cerqueira, oferece à Igreja de Aveiro e à sociedade em geral um excelente trabalho de recolha e síntese, mostrando à evidência a importância do MCC nos mais diversos contextos, que se estendem muito para além dos adros das igrejas.

Fernando Martins




Fernando Caçoilo no Conselho Nacional da Pesca



Gostei de saber que o Executivo Municipal tomou conhecimento da deliberação do Conselho Diretivo da ANMP – Associação Nacional de Municípios Portugueses em convidar o Presidente da Câmara Municipal de Ílhavo, para seu representante no Conselho Nacional da Pesca (mandato 2013-2017), convite este aceite por Fernando Caçoilo, conforme se lê no site da autarquia. Em minha opinião, trata-se de um convite ajustado à importância do nosso município, ou não fosse ele, como foi justamente batizado, a capital do bacalhau.

Conversas no Museu de Aveiro


HÁ CADA VEZ MAIS SEM-ABRIGO NUM PAÍS COM UM MILHÃO DE CASAS VAZIAS

Algo está errado neste país, Porugal, com tantos sem-abrigo. Em Portugal e pelo mundo fora, dito rico e civilizado. Dá para pensar...

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Ares do Buçaco

Na serra do Buçaco
Eu gosto muito da nossa região, que tem como matriz a ria e o mar. Desde que acordamos até à hora do descanso noturno, a maresia inunda-nos a todos, o que nos leva até a dizer que ela entrou no nosso sangue. E quando descansamos, no sossego da noite, nem aí nos libertamos por completo da ria e do mar, com sons que enfeitam o ar que respiramos. Mas também gosto da serra com penedias e arvoredos, estradas sinuosas e horizontes a perder de vista. Há meses passei umas largas horas no Buçaco e foi na Cruz Alta que enchi os pulmões da pureza daquela paisagem. E fiquei com saudades... 

PORTO DE AVEIRO NOS LUGARES DA FRENTE

2013 foi o melhor ano 
de sempre nos portos nacionais

Porto de Aveiro (foto FM)

«Os sete principais portos do continente registaram, em 2013, “o maior valor anual de sempre” de mercadorias movimentadas, anunciou o IMT – Instituto da Mobilidade e Transportes. No total, atingiu-se cerca de 79,3 milhões de toneladas movimentadas, a que corresponde um aumento de 16,7 por cento em relação a 2012. O crescimento mais significativo registou-se no porto de Sines, (+27,8%), seguindo-se o porto de Aveiro, Figueira da Foz e Setúbal, com taxas de crescimento de 19,2 por cento, 18 por cento e 15,7 por cento, respetivamente.»



segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Novo bispo de Porto quer ser “apóstolo da bondade, da proximidade e da simplicidade”

Li na Rádio Renascença online
Texto de Eunice Lourenço


D. António Francisco dos Santos despede-se de Aveiro 
com gratidão e vai para o Porto com alegria e confiança 

D. António Francisco (Foto FM)



“Servir a todos a chegar a todos, com simplicidade”, são as prioridades de D. António Francisco dos Santos, o bispo de Aveiro escolhido pelo Papa Francisco para liderar a diocese do Porto. Em entrevista à Renascença, conta como vive esta surpresa, dá graças pela Igreja do Porto e começa a despedir-se da diocese em que, diz, aprendeu a ser bispo e serviu durante oito anos. 


Como é que recebeu esta nomeação?
Como uma surpresa. Perante a decisão do Santo Padre, só consegui colocar-me de joelhos diante de Deus e colocar-me nas mãos de Deus. Esta surpresa inquieta e ao mesmo tempo desafia.
Por outro lado, sentia-me e sinto-me tão feliz em Aveiro, ao ver esta Igreja de Aveiro caminhar. Aqui vivi e trabalhei e servi como bispo durante oito anos, senti esta Igreja crescer na alegria do Evangelho, mobilizar-se para a missão nessa experiencia extraordinária que foi a missão jubilar. 
Diante de mim, nos projectos humanos, tinha desafios a envolver toda a comunidade cristã e toda a diocese, mas esta surpresa de Deus obriga-me e desafia-me a colocar-me nas suas mãos, como é o meu lema episcopal. 
Apesar da dor da separação desta igreja de Aveiro, agora é tempo de olhar o futuro com confiança e partir com alegria ao encontro da Igreja do Porto.


Salva-Vidas

Salva-Vidas Comandante Afreixo (foto de FM)

No Jardim Oudinot está, em exposição, junto ao Navio-museu Santo André, uma embarcação que, durante anos, serviu o Instituto de Socorros a Náufragos. Conhecido como Salva-Vidas, não sei, mas gostaria de saber, quantas vidas puderam ser salvas graças a este barco a motor. Foi batizado com o nome de Comandante Afreixo, em homenagem decerto ao ministro do mesmo nome, que também teve um papel preponderante na criação do município da Murtosa.

Alimentação da Praia da Barra


«O Executivo Municipal tomou conhecimento da informação emanada do Gabinete do Secretário de Estado do Ambiente referente à autorização da abertura do procedimento concursal da empreitada de alimentação artificial da Praia da Barra, uma intervenção que visa minorar o défice que na mesma se verifica.
A obra será da responsabilidade da Agência Portuguesa do Ambiente.»

Fonte: CMI

Nota: Vamos apostar numa praia "reconstruída"  para a próxima época balnear. E, já agora, que essa melhoria perdure no tempo, se o temporal nos não incomodar. E mais ainda: Que os técnicos descubram forma de dominar o mar bravo.

Ainda a transferência do Bispo de Aveiro para o Porto

Texto de João Paulo Costa no JN

Transferência de D. António Francisco 
indignou a região de Aveiro

D. António na Gafanha da Nazaré
(foto do meu  arquivo)


Um dia antes do anúncio oficial da transferência do bispo de Aveiro para a Diocese do Porto, quatro padres de Aveiro foram a Lisboa falar com o Núncio Apostólico, o diplomata da Santa Sé em Portugal, a quem manifestaram a "surpresa, indignação e tristeza pela saída de D. António Francisco", confirmou ontem o JN. A conversa com o monsenhor italiano Rino Passigato foi uma última tentativa para evitar a mudança de D. António, mas a decisão estava tomada, pois nesse mesmo dia já tinha aceite o convite do Papa para assumir o Porto.
Esta iniciativa dos padres espelha a tristeza que a transferência de D. António está a provocar nos 10 municípios que compõem a Diocese de Aveiro. "Amado pelo seu povo", como o próprio afirmou anteontem na primeira despedida, D. António deixa saudades não apenas nas 101 paróquias que governava.
"Estou triste pela saída de D. António, apesar de compreender a sua importância para um distrito amigo como o do Porto", afirmou ao JN o presidente da Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro (CIRA). Ribau Esteves lembra a preocupação que "este bispo do povo sempre mostrou junto dos órgãos do Poder para ajudar quem mais precisa", levando a CIRA a convidá-lo para integrar o seu Conselho Consultivo. "Aceitou e marcou presença, numa atitude inédita em Portugal, e que mostra a excecionalidade de D. António", acrescenta o também autarca de Aveiro.

 "Levam-nos o que é bom"

Também os fiéis não escondem o mau momento. "Levam-nos tudo quanto é bom. É um bispo que cativa muito, é dinâmico e foi incansável nas celebrações da Missão Jubilar", diz Lucília Teiga, de Ílhavo. A proximidade com que lidava com os jovens, nas celebrações eucarísticas, é também ressalvada. "A minha neta fez o crisma com ele e todos os jovens adoraram a forma como ele os abordou e cativou", conta ao JN Dina Vidal.

Com Salomé Filipe

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Reforma Financeira


«Uma reforma financeira que tivesse em conta a ética exigiria uma vigorosa mudança de atitudes por parte dos dirigentes políticos, a quem exorto a enfrentar este desafio com determinação e clarividência, sem esquecer naturalmente a especificidade de cada contexto. O dinheiro deve servir, e não governar! O Papa ama a todos, ricos e pobres, mas tem a obrigação, em nome de Cristo, de lembrar que os ricos devem ajudar os pobres, respeitá-los e promovê-los. Exorto-vos a uma solidariedade desinteressada e a um regresso da economia e das finanças a uma ética propícia ao ser humano.»


Papa Francisco, 
em A Alegria do Evangelho

JUSTIÇA

«Há pessoas neste mundo que gastam todo o seu tempo à procura da justiça, não lhes sobrando tempo algum para a praticarem»

Henry Billings Brown 
(1863-1913),
 juiz norte-americano 

QUEM SÃO OS ZELOTAS?

Crónica de Frei Bento Domingues 
no PÚBLICO

1. Reza Aslan (1) nasceu no Irão, vive nos USA e é apresentado como um investigador, um académico e um escritor de renome internacional. A sua obra, O Zelota, surge com o propósito de recuperar o Jesus da história, o Jesus antes do cristianismo. A tese é simples: Jesus foi um revolucionário judeu que, há dois mil anos, atravessou a província da Galileia reunindo apoiantes para um movimento messiânico, com o objectivo de estabelecer o Reino de Deus, mas cuja missão falhou quando, após uma entrada provocatória em Jerusalém e um ataque descarado ao Templo, foi preso e executado por Roma pelo crime de sedição.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Com D. António Francisco

Um testemunho do Padre Georgino Rocha

D. António Francisco e Padre Georgino Rocha
(Foto FM)

COM DOM ANTÓNIO FRANCISCO

Desde a sua chegada, surpreendeu-me o seu modo de olhar as nossas "coisas". Era um olhar diferente, transparente, assertivo. Depois, esse olhar fez-se proximidade, amizade. ajuda e serviço que mobilizava energias um pouco adormecidas. Veio a seguir a visão do futuro próximo da diocese, do seu seminário, da Casa Sacerdotal, do seu plano de pastoral e da missão jubilar que coroava a festa dos 75 anos da restauração. Via-se claramente que a adesão ia crescendo e os dinamismos surgidos germinavam e exigiam continuidade e novo suporte. A reorganização das estruturas, a actualização das normas pastorais e a renovação de procedimentos... surgiam como garantia do espírito novo. Acompanhei e participei, também pela rede virtual, esta onda crescente.
A Dom António devo uma atenção especial pela sua compreensão, carinho e presença insistente e paciente. Gostei sinceramente de colaborar com Ele de modo habitual e nas tarefas específicas que me pediu. Guardo no coração a pedagogia vivida: chegar como quem aprende, observar como quem se maravilha, acompanhar como quem aceita ritmos diferentes, ponderar como quem quer tomar decisões acertadas, situar-se à frente, no meio ou atrás como quem preza sobretudo a comunhão, rasgar horizontes como quem sonha com o futuro emergente no quotidiano e no modo como é vivido.
Com Dom António Francisco. o presente faz-se um hoje que importa apreciar e viver. Bem-haja. E que continue a ser Bispo que entre nós se manifestou de forma tão qualificada. Um abraço amigo!

D. António Francisco e as portas da fé

Novo Bispo do Porto acredita 
que diálogo entre Igreja e sociedade
passa pelos «umbrais da arte»




«O diálogo entre a Igreja e a Sociedade passa, mais vezes do que imaginamos, pelos umbrais da arte e aí se abrem as portas da fé, porque a arte e a cultura transportam em si um ministério profético», sublinhou o prelado em 2013 no texto de apresentação da exposição “Diocese de Aveiro – Presente e Memória”.

Para o até agora bispo de Aveiro, uma das poucas dioceses portuguesas com um setor da Pastoral da Cultura formalmente instituído, a relação dos católicos com outras perspetivas atravessa «necessariamente» os «caminhos abertos da Cultura, em que a Igreja soube tantas vezes ser pioneira».

«Estejamos também nós disponíveis para fazer deste diálogo franco um serviço e um tesouro sem esquecer nunca que a arte transporta em si um ministério profético», apelou então D. António Francisco dos Santos.

Ler o texto de Rui Jorge Martins aqui 

O que pensam os católicos sobre a Igreja?

Crónica de Anselmo Borges 



1- A Bendixen & Amandi realizou, entre Dezembro de 2013 e Janeiro de 2014, com 12 038 fiéis adultos de 12 países maioritariamente católicos dos cinco continentes, para a Univisión, a principal televisão em espanhol dos Estados Unidos, uma sondagem sobre temas importantes na e para a Igreja. Fiabilidade: 95%.

Alguns resultados, com dissonâncias entre a doutrina e a opinião e vivência dos fiéis. a) Anticonceptivos: 78% a favor; 19% contra; 3% não responderam. b) Ordenação sacerdotal das mulheres: 45% a favor; 51% contra; 4% não responderam. c) Casamento dos padres: 50% sim; 47% não; 3% não responderam. d) Aborto: 8% deve permitir-se sempre; 65% nalguns casos; 33% nunca; 2% não responderam. e) Quanto ao casamento homossexual, há acordo com a doutrina: 66% contra; 30% a favor; não responderam 4%. f) Como avalia o trabalho do Papa Francisco? 41% excelente; 46% bom; 5% medíocre; 1% mau; 7% não responderam.

VIVE O AMOR PERFEITO

Uma reflexão de Georgino Rocha




O padrão de felicidade proposto por Jesus aos seus discípulos adquire novas facetas que dão rosto humano às bem-aventuranças. O ensinamento feito na montanha vai mostrando, por contrastes, a beleza e a elevação a que todos nós estamos chamados. A disponibilidade pronta e radical para ir mais longe e chegar ao fundo do coração é especialmente apreciada e destacada. E, vigoroso e atraente, brota o apelo/convite a viver, sempre, o amor perfeito que dá um novo sentido a situações consideradas positivas sob o ponto de vista legal e saneia completamente as negativas.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Joana Gramata da Gafanha da Encarnação

Crónica de um professor, 
por Maria Donzília Almeida

Joana Gramata

Está no imaginário de quase todos os habitantes da Gafanha da Encarnação, este gentílico, nomeadamente nos mais antigos, os que emergem do século passado. Integra até um topónimo, que me traz gratas recordações, pois foi lá que nasci e passei os verdes anos da minha meninice e adolescência. Perdeu o sentido, quando dali partiu o patriarca, deixando a casa que habitou, cheia de recordações e amargura! 
A Gafanha da Gramata, ou Gafanha da Maluca começou a designar-se por Gafanha da Encarnação, só em 1848, um século anterior ao meu aparecimento neste mundo. Joana Maluca e o seu segundo marido tinham mandado erigir, nesse ano, a primeira capela dedicada a Nossa Senhora da Encarnação, neste lugar.
A designação de Gramata, proveio de uma planta marinha existente na zona. A atual vila da Gafanha da Encarnação tomou aquele nome, não só pela existência da tal planta, mas pela necessidade de a distinguir da Gafanha da Nazaré.

D. António Francisco: um bispo próximo e acolhedor

Uma evocação pessoal 



Jamais esquecerei o dia 8 de Dezembro de 2006, data em que D. António Francisco dos Santos entrou solenemente na Sé de Aveiro para ocupar a cadeira de Bispo Residencial. Dia da Imaculada Conceição, Padroeira de Portugal e Mãe da Igreja. À mesma hora em que se dirigia ao Povo de Deus que lhe havia sido confiado pelo Santo Padre, recolhia eu ao hospital com um incómodo de saúde. E se não pude ouvir a sua voz e refletir a sua mensagem, senti a sensibilidade do novo Bispo de Aveiro, no dia seguinte, provavelmente na primeira visita que fez, na diocese, a um doente internado. Estou-lhe muito grato por isso.
Foi assim que conheci, pessoalmente, D. António Francisco, que entrou na cadeia apostólica, entre nós, tendo na retaguarda prelados tão distintos, como homens e como pastores, todos empenhados, cada um à sua maneira, no crescimento do Reino de Deus em terras de Aveiro.
Natural de Tendais, Cinfães, foi nomeado Bispo de Aveiro pelo Papa Bento XVI, em 21 de Setembro de 2006. E na saudação que dirigiu à diocese garantiu que todos teriam lugar no seu coração de bispo. «Que ninguém se sinta sozinho, esquecido, excluído ou à margem do meu desvelo de servir, independentemente da sua condição social, convicção de fé, cor ou cultura.»
Com estes propósitos, D. António Francisco recordou, na tomada de posse: «Sou uma diocese nova, recém-restaurada. Mas o caminho percorrido é grande e belo, com etapas marcantes de dois Sínodos diocesanos a cujos dinamismos me vinculo. É meu dever assumi-los. É meu desejo continuá-los. Há vidas doadas a Deus, à Igreja e ao Seu Povo, que hoje e sempre devemos recordar, agradecer e merecer.»
Num olhar atento, percebe-se que D. António Francisco é, essencialmente, um bispo com uma capacidade rara para ouvir, sem pressas. Atento ao mundo e à diocese, o seu espaço de intervenção pessoal, direta e próxima, o nosso Bispo privilegia a pessoa, com todos os seus problemas e anseios, mas ainda com as suas limitações e dificuldades.
Pessoalmente, não posso deixar de apreciar a sua serenidade, a sua humildade no contacto com todos, a sua fé esclarecida e atuante, o seu desejo de inovar e a procura das melhores soluções, para implantar e dinamizar o Reino de Deus entre nós.

Fernando Martins

Mensagem de D. António Francisco à Diocese de Aveiro

FOI À VOZ DE DEUS QUE SEMPRE PARTI



Caros Diocesanos,

Nesta hora, não encontro outras palavras senão estas ditas, por Deus quando chamou Abraão: “Deixa a tua terra, a tua família e vai para a terra que eu te indicar” (Gén 12, 1).
Foi à voz de Deus e seguindo o Seu chamamento que sempre parti. Desde a minha primeira missão, como jovem diácono, nos confins do Alto Douro.
Em todos os lugares permaneci e trabalhei, por pouco ou muito tempo, com alegria. Sempre me senti livre para daí partir no dia seguinte, se necessário fosse. Sempre, de igual modo, me senti disponível para aí permanecer.
De todos os lugares fiz minha terra até ao fim. De todas as pessoas sempre me senti irmão. Em todos os lugares onde vivi e nos diferentes múnus que a Igreja me confiou eram previsíveis as mudanças. Menos aqui!
Aveiro era para mim lugar, desígnio e missão até ao fim. Nunca aqui fui estranho nem me senti estrangeiro. Mas, hoje, compreendo, melhor do que nunca, que também aqui era simplesmente peregrino. Só Deus basta e só Cristo permanece.

D. António Francisco dos Santos - Bispo Eleito do Porto




«D. António Francisco dos Santos, de 65 anos, foi hoje nomeado pelo Papa Francisco como novo bispo do Porto, sucedendo a D. Manuel Clemente, que em julho de 2013 deixou a diocese para assumir o cargo de patriarca de Lisboa.
O novo responsável pela diocese nortenha era até agora bispo de Aveiro e anuncia o desejo, na sua primeira mensagem à Igreja Católica no Porto, de uma particular “presença junto dos doentes, dos pobres e dos que sofrem” para procurar fazer um “caminho de bondade e de esperança na busca comum de um mundo melhor”.
“Quero ser apóstolo das Bem-Aventuranças nestes tempos difíceis que vivemos”, escreve, no texto enviado à Agência ECCLESIA.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Nasceu um novo oráculo

Por Pedro Correia 
no Delito de Opinião




«Os "analistas políticos" portugueses detestam ministros das Finanças e adoram ex-ministros das Finanças.
No dia em que se demite ou é exonerado do Governo, um ministro das Finanças deixa de ser a pessoa mais incompetente deste país para se tornar um oráculo dos tempos que virão e um poço de sapiência não só a nível financeiro mas também político.
Ganha imediato lugar cativo na televisão e todos procuram beber os seus conselhos.

É raro o dia em que não desfilam nas pantalhas ex-ministros das Finanças deste rincão: Silva LopesMedina CarreiraJoão SalgueiroMiguel CadilheMiguel Beleza,Braga de MacedoEduardo CatrogaPina MouraManuela Ferreira LeiteBagão Félix,Campos e Cunha - e agora até o extraordinário Teixeira dos Santos. Um deles,Cavaco Silva, é Presidente da República. Outro, Guilherme d' Oliveira Martins, preside ao Tribunal de Contas. Outro ainda, Vítor Constâncio, é vice-presidente do Banco Central Europeu.
Este país, como nenhum outro, aprecia "magos das finanças". Desde que já não estejam, na ala nascente do Terreiro do Paço, ao serviço da coisa pública.»

Ler mais aqui

Nota: Foto de Daniel Rocha/Público


Bondade

«A confiança na bondade dos outros 
é um notável testemunho da própria bondade»

Michel de Montaigne 
(1533 – 1592)

Couto de Esteves merece uma visita

O meu filho Fernando foi hoje, em serviço, a Sever do Vouga e veio encantado com a tranquilidade que por aquelas bandas se vive e respira. Ao almoço falou do que viu e sentiu, em contraste com a agitação e confusão que encontrou à medida que se aproximava de Aveiro, sobretudo a caminho das praias. E tanto bastou para que eu corroborasse tudo quanto disse, ouvindo ele de minha parte uma visita de algumas horas que fiz a Couto de Esteves, há cerca de um ano. De facto, Couto de Esteves, vila antiquíssima e com história, que já conhecia há muito, merece uma visita de limpeza de alma, tal é a pureza de ares e a profunda serenidade que por ali é possível experimentar. Até disse ao meu filho que terei de levar à prática uma estada na vila limpa e asseada de Couto de Esteves  para retemperar o espírito e o corpo, que bem preciso.

Santo Estêvão, padroeiro da vila,
em casa particular

Matriz e Cruzeiro em dia de leilão 
Casa particular
Casas de pedra e rua estreita

Pelourinho 
Casas de pedra 



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