sábado, 5 de maio de 2007
Ares da Primavera
A nossa gente

O mais novo de quatro irmãos e o único barão, acompanhava por isso sempre o pai nas viagens ao Mar. Aos seis anos já tinha corrido toda a costa portuguesa. Tal era o gosto, que algumas vezes, fugindo às aulas, se escondia a bordo da traineira, aparecendo só quando o barco estava ao largo, conta, com um largo sorriso de alegria que a sua primeira paixão foi o Mar.
Aos 23 anos comprou o seu primeiro barco, “Jessica”, e foi assim que, com mais dois sócios, pescou amêijoa, robalos, pregados, linguados e todo o peixe que a nossa costa oferecia. Conta Mestre Adelino que levou alguns sustos nessa época, fruto do fulgor da idade e das afrontas que muitas vezes fazia ao Mar, que teimava em não respeitar. Mas lá se foram entendendo e aprendeu não só a respeitá-lo mas a amá-lo e a admirá-lo… e a “Jessica” deu origem a outro barco, “Jesus nas Oliveiras”. Passados dois anos, com a morte inesperada de seu pai, viu-se pela primeira vez a trabalhar sozinho, mas, à custa de muito sacrifício, o velho deu origem ao novo “Jesus nas Oliveiras”. Este foi, para Mestre Adelino, a realização de um sonho – ter um barco novo neste percurso de pesca.
Desde os 21 anos que Mestre Adelino gere o seu negócio, começando por empregar 14 pessoas. Actualmente são já 23, apesar de todas as intempéries que têm caído sobre a pesca e sobre todos que dela vivem. “Os maus momentos só são superados pela grande estabilidade e amor de uma família e de uma esposa dedicada que nos acolhe, acarinha e renova forças para todos os dias voltarmos a enfrentar o dia-a-dia com determinação e coragem”, partilha Mestre Adelino em jeito de desabafo.
O barco do Mestre Adelino Palão percorre toda a costa portuguesa, desde Viana a Portimão, passando pela Povoa do Varzim, Matosinhos, Aveiro, Figueira da Foz, Nazaré, Peniche, Sesimbra e Sines, pescando sardinha, a prata do mar, e arrecadando imensas histórias para contar.
O mar tem sido para Mestre Adelino o tempero que lhe dá força e tenacidade. Só assim se justifica ter conseguido resistir às mudanças a que este país tem assistido no sector da pesca, e ser ele o único pescador de traineira no Porto de Aveiro (nesta Terra que o viu nascer), acostado em regra no Porto de Pesca Costeira localizado na Gafanha da Nazaré.
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Fonte: "Viver em", da CMI
sexta-feira, 4 de maio de 2007
Ares da Primavera
Questões culturais
Festas de Santa Joana e do Município
Para ver e ler melhor, clique no cartazNOTA: "FÉ E RAZÃO: AS ASAS DA LIBERDADE" vai ser o tema da conferência que D. António Francisco, Bispo de Aveiro, vai proferir no próximo dia 10 de Maio, pelas 21 horas, na Biblioteca Municipal, com entrada livre. Esta iniciativa da Comissão Diocesana da Cultura conta com o apoio da Irmandade de Santa Joana e da Câmara Municipal de Aveiro e insere-se nas Festas de Santa Joana e do Município, que têm o seu ponto alto no dia 12 de Maio. A pertinência do tema é indiscutível, numa altura em que tantos se questionam sobre o que é, verdadeiramente, a liberdade e quais os seus limites. No dia 6, pelas 15.30 horas, no mesmo local será inaugurada uma exposição que tem por assunto "LIBERDADE: UM DESAFIO AOS JOVENS".
POBREZA
CNJP apela à erradicação da pobreza
“Por um desenvolvimento global e solidário - um compromisso de cidadania” é o tema que dá o mote para a reflexão com que a Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) quer envolver toda a sociedade numa ampla discussão sobre a erradicação da pobreza em Portugal e no mundo.A Conferência Nacional 2007 está marcada para os dias 25 e 26 de Maio, no Colégio São João de Brito, em Lisboa.
Manuela Silva, presidente da CNJP, destaca a escolha do tema “não só pela sua acutilância, mas pelo desejo de fazer desta conferência o passo em frente para a conscientização da erradicação da pobreza”.
Este é um passo que “apenas com uma parceria alargada, com a presença e compromisso das várias entidades, será concretizável”. O espectro de convidados é amplo. Organismos eclesiais da Igreja católica e de outras confissões religiosas, entidades civis, políticas, de Estado, organizações sindicatos e patronais e instituições de solidariedade sem fins lucrativos, “porque manifestamos o desejo de chegar a todos”.
Confirmada está já a presença do Subdirector da Unesco, Pierre Sané, que assume a conferência inicial, na sessão de abertura na Sexta-feira, dia 25. Participam também, nesse dia, Rui Vilar, Presidente do Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian, “que focará os aspectos culturais desta problemática” e José Silva Lopes, Presidente do Conselho de Administração do Montepio Geral, “que se vai centrar nos aspectos económicos”.
A CNJP organiza também dois eventos no âmbito da Conferência. A preceder o início dos trabalhos vai decorrer, na tarde de sexta-feira, um fórum de jovens com o manifesto objectivo de “os sensibilizar para esta problemática através de metodologias activas e apropriadas a idades mais jovens”.
Exposição na Galeria Morgados da Pedricosa
Um artigo de D. António Marcelino

A mãe entrega o filho que não pode criar a alguém que o acolhe com amor e desvelo? É uma mulher desnaturada. Pode-se matar, mas não dar…
Põem-se todos os dias, em grande plano, frente aos olhos das crianças, todas as porcarias e até a venda de bebés, como aconteceu, recentemente, numa telenovela portuguesa? Estamos numa sociedade livre.
Descobre-se na Internet uma rede propagandeada de venda de crianças, a nível europeu e que também actua em Portugal? Logo os grandes do direito vêm a terreiro e ameaçam com os castigos da justiça, e as vestes dos bem pensantes rasgam-se a proclamar que “Isto não é possível!”
Há autarcas a criar programas locais para favorecer a natalidade e fixar os casais jovens nas suas terras? Aplaudem-se as iniciativas. Cada dia nos centros de planeamento familiar, até nas sedes de concelho onde se luta por mais gente, se ensina a não procriar e se calam os métodos que estimulam e ajudam a crescer? E a isto chama-se favorecer a boa informação que as boas mães precisam e as jovens adolescentes não dispensam, porque o sexo deve ser seguro.
Encontram-se crianças desnutridas, que vão cada manhã para a escola sem terem comido nada e só fazem alguma coisa por elas os que lá dentro, atentos às situações e a sofrer por isso, procuram modos de ajudar? São as famílias que não se sabem governar nem educar,
Continuam por aí crianças, como todos sabemos, sem alguém que as acolha quando a escola fecha? Oficialmente diz-se que isto não é verdade. Entretanto, ignoram-se e destroem-se instituições que foram criadas e equipadas para ir ao encontro das famílias, que não podem estar para as acolher os filhos às horas oficiais…
Vê-se, a cada passo, a corrosão interior progressiva de filhos pequenos por via do divórcio irreflectido de muitos pais? Estamos num país evoluído evoluído. Assim, os senhores legisladores e governantes, muitos deles também divorciados, continuam, impunemente, a fazer e a regulamentar as leis, não favorecendo, antes pelo contrário, nem a justiça, nem a dignidade da família, nem a consistência do casal e do agregado familiar, hipotecando, deste modo, o presente e o futuro do país.
Aparece agora para os países da UE, a partir de uma Directiva do Parlamento, uma proposta traduzida equacionada pelo binómio “Europa e Mercado”. Toda a concepção da vida em sociedade está vazada em resultados materiais. As instituições intermédias, que já contam cada vez menos, deixarão de contar, dando-se, assim, passos largos para a desumanização das pessoas e das relações sociais. A antropologia, com bases filosóficas e exigências de ética, é coisa de somenos importância, e as pessoas concretas são empecilhos para quem tem nas mãos os cordelinhos do comando, que não são, nem nunca foram, as pessoas que conhecemos e dão o rosto e o nome para serem meros executores…
Por cá, tudo isto vai entrando, com a normalidade silenciosa que não acorda nem espevita, porque não faltam ideólogos que sabem adormecer o povo e não têm outro sentido de vida que o materialismo do “mercado” e do “prestígio”.
Até quando? Até que o povo, famílias, instituições, grupos organizados e com princípios, o queiram. Não é o povo quem mais ordena? Sim, se estiver acordado e afirmar a sua dignidade.
quinta-feira, 3 de maio de 2007
Santuário de Fátima
Os responsáveis do Santuário adiantam que a obra está a "seguir o ritmo certo" e que ficará concluída mesmo a tempo de poder ser inaugurada a 13 de Outubro de 2007, por ocasião do 90.º aniversário das Aparições de Nossa Senhora aos videntes.
O Santuário de Fátima já seleccionou a proposta do artista Robert Schad, de França, para executar a obra "Cruz Alta", a instalar no exterior da igreja da Santíssima Trindade. Esta substituirá a que se encontrava lá e que foi retirada ainda antes do início das obras, encontrando-se deteriorada. Trata-se de uma peça de 34 metros de altura ao nível do solo e cerca de 17 metros de largura transversal.
Ainda quanto a iconografia, no interior da nova igreja, o Santuário de Fátima assinou contratos com três artistas internacionais, na sequência do concurso. Pedro Calapez, português, fará o painel superior da entrada principal da Igreja da Santíssima Trindade. Esta entrada é dedicada aos mistérios do Rosário.
Maria Loizidou, de Nicosia (Chipre) fará a escultura do pórtico de entrada. Catherine Green, da Irlanda, encarrega-se do crucifixo interior da Igreja da Santíssima Trindade, uma cruz de bronze com a figura de Cristo.
Fonte: Ecclesia
Dia Mundial da Liberdade de Imprensa
Aveiro em festa
Os objectivos desta iniciativa são dinamizar as freguesias através das suas associações; dar resposta às necessidades culturais sentidas pela população; rentabilizar os recursos naturais; fomentar a participação da população e a interacção entre as diversas instituições; descentralizar a cultura; dar a conhecer e desenvolver o gosto pelas diversas formas de expressão artística; ajudar a desenvolver o sentido crítico, artístico e criativo das populações; sensibilizar a apetência da população para as diversas actividades culturais; e, envolver e sensibilizar grande parte da população e das associações para as actividades de animação apresentadas.
Banco Alimentar recolhe alimentos

A campanha deste fim-de-semana constituirá uma nova oportunidade para os portugueses evidenciarem a sua habitual postura solidária com as pessoas mais desfavorecidas da sua região. Esse é, aliás, precisamente o sentido do anúncio relativo desta campanha de recolha de produtos alimentares: "Com a coragem e a bravura de muitos heróis, o Banco Alimentar consegue fazer chegar alimentos a milhares de pessoas durante o ano inteiro. Por mais simples que seja a sua contribuição, sempre fez, faz e fará a maior diferença. Continue a ser o herói de muitos milhares de pessoas carenciadas".
A campanha deste fim-de-semana decorre nos moldes tradicionais: voluntários dos Bancos Alimentares Contra a Fome, devidamente identificados, solicitam a participação à entrada de cada um dos estabelecimentos comerciais. Para participar nesta campanha basta aceitar um saco de plástico do Banco Alimentar e nele colocar bens alimentares para partilhar com quem mais precisa. São privilegiados os produtos não perecíveis, tais como leite, conservas, azeite, açúcar, farinha, bolachas, massas, óleo, etc.
quarta-feira, 2 de maio de 2007
Artigo de Joaquim Franco
Ao “info-excluído”, junta-se o que se agarra às novas tecnologias na esperança de preencher espaços exclusivos para a “presença”. Como se fosse possível subverter os códigos inerentes à própria existência humana, vocacionada para o “encontro”.
Neste cenário de profundos equívocos, de duvidosas “certezas” e “verdades” relativas, constroem-se medos e fobias sociais. Estamos na espiral da incompreensão, também na dimensão religiosa da vida.
As novas linguagens de relação entroncam na lógica da linguagem mediática e criam novas percepções. O “eu” relacional resvala por valores efémeros e desagua no abismo fundamentalista, um terreno pantanoso que, apesar de tudo, tem contornos palpáveis e balizas “seguras”.
A resposta do radicalismo islâmico ao tempo ocidental, reduziu o mundo á dicotomia infantil. Os “bons” contra os “maus”. E a reacção dos líderes ocidentais á resposta destes radicalismos escreve-se com os mesmos valores. Num raciocínio “a preto e branco” que reforça o patamar dos estereótipos mais básicos para reconstruir campos de leitura.
A diversidade, ampliada pela mediatização, transformou-se, em alguns círculos de influência, numa perigosa ameaça ao “status” religioso.
Não surpreende, portanto, que alguns novos pregadores – como novos profetas de desgraça - insistam na ideia de uma sociedade “inimiga”. Uma “coisa” indefinida - que todos representa e ninguém responsabiliza –“culpada” pelos males intoleráveis e pelos fantasmas que atormentam… da sangria de juventude nas igrejas ao relativismo na vivência religiosa.
Com discursos simplista e balofos, agarram-se à “norma” com pulso inflexível, “diabolizam” e vitimizam-se facilmente. Usam a vertigem do desconhecido - a incompreensão - para oferecer falsas alternativas, congregando sob a capa de um certo revivalismo - seja ritualista ou estrutural -, num regresso ao “gueto” religioso que garante a segurança imediata, mas atenta contra a dignidade.
Mesmo a navegação “contracorrente” - seja por instinto ou por teimosia - implica um conhecimento dos mares navegados ou por navegar, sob o risco de um naufrágio absoluto.
Ares da Primavera
Concurso de fotografia
O Tema do Concurso é "A Barra de Aveiro e o Porto de Aveiro", em todas as suas vertentes, e tem carácter nacional, podendo ser apresentadas fotografias a cores ou a preto e branco.
2 de Novembro de 2007 é a data limite para a entrega dos trabalhos.
A Comissão Organizadora conta expor, em sala e na web, as fotos premiadas, podendo alargar ainda o leque das fotos expostas a trabalhos que, não tendo sido premiados, justifiquem a sua integração nas exposições previstas.
O conjunto dos prémios totaliza 2500 euros.
Um artigo de António Rego

Que tipo de deserto atravessamos? Uma faixa intermédia entre a crise e a esperança? Uma tempestade avassaladora com dunas intransponíveis, nuvens opacas, planícies abrasadoras? Que terra vem a seguir, que refúgios se avizinham, que oásis se vislumbram? Que sombra ou que sol nos virá visitar?
Há quem pense que não estamos em nenhuma crise. O discurso da crise - dizem - é duma potestade espiritual e religiosa ressentida com a perda de influência na vida social, cultural e política, ou resultante dos discursos gastos sobre a fé e a moral. Pelo contrário – acrescentam - o mundo está melhor que nunca, autónomo, livre, liberto enfim, dos moralistas que nada entendem do que está a nascer de novo. O laicismo é o triunfo sobre todos os obscurantismos que durante milénios assolaram a história, deixando rastos de traumas e depressões oriundas de leis estreitas e cruéis. A crise é uma invenção dos perdedores desta batalha.
Por estas e por outras palavras vamos ouvindo um pouco de tudo isto. E sentindo que estes pressupostos, ainda que não ditos deste modo, vão gerando um novo discurso social e cultural. No nosso caso concreto, tendo como pólos a Igreja Católica e a moderna sociedade laica. Possivelmente o Referendo sobre o aborto foi uma fronteira de referência deste novo credo. Que é, antes de tudo, ambíguo e interesseiro. Pertence a um grupo estreito que grita em diferentes megafones mas não representa, como se faz crer, a comunidade, a história e a alma do povo a que pertencemos. O Referendo sobre o aborto, com todos os equívocos com que foi lançado (e continuado nos despachos sinuosos da Presidência da República e nos malabarismos retorcidos do Governo) não é, possivelmente, sintoma da viragem que se alardeia na comunidade portuguesa. Mas é um acontecimento que merece reflexão serena, sem traumas nem conclusões aceleradas.
terça-feira, 1 de maio de 2007
Citação
Dia do Trabalhador
Não importará, neste dia, voltar a falar das lutas travadas há muitas décadas pelos trabalhadores, quando reivindicavam melhores condições de trabalho e horários justos. Importa, isso sim, apoiar quantos, ainda hoje, não têm ambientes de trabalho justos, dignos e, por isso, humanizados.
Não sou dos que dizem que os sindicatos não fazem falta. Eles são, como os partidos políticos, alavancas fundamentais da democracia. Daí que todos os trabalhadores deviam esforçar-se para se filiarem nos sindicatos e para aí terem voz activa, na defesa dos seus direitos.
Eu sei, como toda a gente sabe, que algumas vezes os sindicatos são cegos face à realidade económica do País, reivindicando o impossível. Mas também é verdade que noutras tantas vezes, se não fossem as campanhas sindicais, a injustiça seria muito maior e muito mais flagrante. Aí, os trabalhadores deviam ter uma palavra a dizer, participando, concretamente, nos plenários sindicais, e não deixando, como muitos fazem, que as chefias se deixem levar por pressões partidárias.
O princípio da separação entre sindicatos e partidos políticos seria o ideal, mas como isso é muito difícil, então só há uma resposta a essa realidade, que tem de passar, inevitavelmente, pela militância sindical dos trabalhadores, na defesa de organizações sindicais independentes, numa sociedade democrática.
Hoje, a festa estende-se a todo o mundo livre. Também em Portugal não faltam manifestações de alegria, com convívios por todo o lado. Aqui na região, o encontro mais importante será na Colónia Agrícola da Gafanha. Trabalhadores de todo o lado começaram a concentrar-se ontem ao fim da tarde, no largo central, marcado pela presença da igreja de Nossa Senhora dos Campos. A festa, logo mais, depois do almoço, por ali improvisado, será rija. Se quiser ver como é, passe por lá.
Bom 1º de Maio para todos os trabalhadores, que somos nós todos, de uma forma ou doutra.
Fernando Martins
segunda-feira, 30 de abril de 2007
Área social descurada pela Igreja?
Esta diocese vai dedicar-se a um levantamento da sua realidade social, a que promete dedicar-se no próximo ano pastoral. Por entendimento do Bispo diocesano, D. António Francisco dos Santos, que dedica uma atenção especial a esta área, foi criada uma vigararia, que tem como finalidade a promoção, desenvolvimento, ajuda e formação de todas as pessoas que estão ligadas à pastoral social.
É uma área, que nesta diocese, engloba cinco campos de acção: a solidariedade presente nas Instituições da Solidariedade Social, a mobilidade humana e as migrações, a saúde, o voluntariado e as prisões. Cada uma apresenta grandes diferenças e problemas específicos. A pastoral social de uma forma geral nas dioceses “não é prioritária”, afirma o Padre João Gonçalves. A evangelização, a liturgia, são as grandes áreas, “a parte social necessita de um maior arranque”, um impulso que a Encíclica Deus Caritas Est pode trazer, uma vez que sublinha o “fundamento do amor e a caridade organizada” como essencial para os cristãos.
A área “mais descurada”, é apontada como a pastoral prisional, que não conta com uma organização paroquial como acontece nas outras áreas. A prevenção da criminalidade, a atenção à família dos reclusos, a reinserção social são pontos que, o também coordenador nacional da pastoral prisional, aponta como alvo de um maior trabalho “não apenas na diocese de Aveiro, mas em todas no geral”.
Sobre estas questões debruçou-se o XIX Encontro Diocesano de Grupos Cáritas Paroquiais, que contou com o contributo do Padre João Gonçalves e a sua reflexão sobre a “Missão/Papel dos Grupos Cáritas Paroquiais na Pastoral Social”.
A Caritas é uma instituição que na diocese de Aveiro ganha terreno a nível paroquial, não sendo a única, claramente. “Manifesta uma atenção próxima às famílias”, mas há muito a fazer “com respostas organizadas e adequadas”, especialmente com as novas formas de pobreza que surgem.
Problemas de alimentação, de roupas “inclusivamente roupas de camas”, o alcoolismo, a toxicodependência, as famílias desestruturadas, o desemprego, “são áreas que nos preocupam pois são situações algumas emergentes e a sua maioria urgentes”, sublinha o vigário geral da Pastoral, que precisam de uma atenção permanente, individualizada, inclusivamente para os próprios agentes “que precisam de formação”. Algumas destas respostas podem ser dadas a nível paroquial, “e estão já a ser dadas”.
Aveiro investe num retrato social a ser realizado durante o próximo ano pastoral. “Há um trabalho que vamos fazer”, com maior profundidade, com objectivo de “conhecendo melhor a diocese, dar melhor formação aos grupos e às paróquias”.
Criar nas pessoas uma mentalidade de rede e de parcerias é a chave para um trabalho eficaz, assim como a formação a dar quer a “quem faz caridade como aos que trabalham em solidariedade”, ligados a paróquias, hospitais, dirigentes das IPSS, e de voluntariado.
Dia Nacional do Associativismo
Escola de Música Gafanhense
JOVENS NÃO FALTAM
domingo, 29 de abril de 2007
FÓRUM::UNIVERSAL, NO CUFC
Ares da Primavera
Um artigo de Anselmo Borges, no DN
O documentário era sedutor. Foi-se inclusivamente à análise do ADN. Mas quem estivesse atento não deixaria de constatar alçapões. A partir da análise do ADN, por exemplo, não podia concluir-se que Jesus e Maria Madalena tivessem sido marido e mulher. E não se percebe como é que uma família pobre, da Galileia, no norte, tinha um túmulo em Jerusalém, no sul.
É possível que alguns cristãos ficassem na perplexidade. Sobretudo por causa de pensarem que, se encontrassem os restos mortais de Jesus, ele não tinha ressuscitado nem subido aos céus. Então, o cristianismo afundava-se, sem salvação.Foi Kant que preveniu contra a menoridade religiosa culpada como a mais nefasta. A religião é do domínio do transracional, mas não pode ser irracional nem infantil.
Uma das questões do documentário tem a ver com as relações entre Jesus e Maria Madalena. É natural que as pessoas queiram saber, e a Igreja não pode ignorar o problema nem torná-lo tabu. Nada prova que tenha havido relações de marido e mulher. Mas não há dúvida de que Maria Madalena amava Jesus e de que Jesus a amava. Sobre o tema, o abbé Pierre, insuspeito, escreveu, pouco antes de morrer, que quer Jesus tenha satisfeito quer não o desejo sexual num amor partilhado, "isso nada muda ao essencial da fé cristã". O que se não pode é afirmar que Jesus é verdadeiramente homem e retirar-lhe a sexualidade.Quanto à outra questão, decisiva: é evidente que a ressurreição não consiste na reanimação do cadáver. Caso contrário, Jesus voltaria a morrer. Com a fé na ressurreição, o crente está a confessar que, na morte, Jesus não se afundou no nada, mas entrou na plenitude do mistério insondável de Deus. Como foi e é? Ninguém sabe.
À distância de 2000 anos, não imaginamos o que foi de abalo e desilusão para os discípulos a condenação de Jesus à morte, concretamente à morte de cruz, uma morte própria de escravos, não sendo de excluir que o cadáver tenha ido para uma vala comum. Foi lentamente que eles, reflectindo sobre tudo o que tinham vivido com Jesus, meditando sobre a sua mensagem - o seu núcleo é a experiência de que Deus é Amor -, sobre as Escrituras, sobre o modo como viveu e morreu, fizeram a experiência de fé de que o Deus que ele experienciara como Amor e Pai não podia tê-lo abandonado na morte. E foi tal a sua convicção que estiveram dispostos a dar a vida por essa fé.Anunciaram que o tinham "visto". Mas, quando se lê os Evangelhos, vê-se claramente que não se trata da reanimação do cadáver.
Nunca se diz, por exemplo, como foi a ressurreição nem se descreve, pois ela não é um facto da história empírica, que os historiadores examinam.
Maria Madalena, que nunca aceitou que Deus o deixasse cair no nada, porque o amor é mais forte do que a morte, quando o "viu", pensou que era o jardineiro; só quando foi chamada pelo nome é que o reconheceu - uma história de amor. Tomé diz que não acredita, se não vir a marca das feridas nas mãos e no lado; Jesus diz-lhe para meter a mão, mas não se diz que ele o tenha feito. Se se tratasse da reanimação do cadáver, quando Jesus caminhou com os discípulos de Emaús durante 12 quilómetros, todos deveriam tê-lo visto no caminho; mas só eles o reconheceram ao partir do pão.
O Principezinho diz que o mais importante é invisível aos olhos. É preciso ver com o coração. Na religião, não se pode utilizar a linguagem coisista. No domínio religioso, apela-se para o símbolo, para a poesia, para o amor. Aí, percebe-se que, mesmo que encontrassem os restos mortais de Jesus, a fé cristã não ficaria abalada. Pelo menos, a fé do crente reflexivo. Ninguém conhece as possibilidades presentes na matéria e em Deus.
TECENDO A VIDA UMAS COISITAS - 21
A VINHATEIRA
Hoje queria trazer aqui para a minha beira dois Amigos daqueles tempos das viagens das bicicletas. E que bicicletas!? À minha, perdida e achada, lhe caía ora um ora o outro pedal, quando não os dois. Mas um desses especiais, que seria um dos maiores calmeirões, quando aprendeu a andar de bicicleta, e depois continuou a ir para Aveiro, com um saco se sarapilheira no lugar do selim! Este era o Manuel Rito [Estanqueiro] que com o primo Diamantino nos entusiasmava para turismo a pedalar. Lá íamos os três a caminho da Bairrada, durante as férias grandes. Bem, o resto, para não enveredar pelas lendas, o melhor é seguir o conselho do Camões: “ É melhor experimentá-lo que julgá-lo; mas julgue-o quem não puder experimentá-lo!”
«Que mais poderia querer a capital da Região dos Vinhos da Bairrada do que ter o nome da sua capital intimamente relacionado com uma famosa vinhateira do passado? Porém, um passado tão remoto que não conseguimos descortinar o tempo em que viveu a famosa Ana Dias. Mas temos lenda, e lenda tão interessante como a que dá o nome a boa parte do Rio Cértima. O pior, nestas coisas, é que aparece alguém a querer dar cabo da lenda com etimologias e outros dados. Mas vamos lá às lendas.
Ana Dias, naqueles recuados tempos, era nome tão respeitado como o de Baco. Possivelmente, até mais. Porque Ana Dias se apresentava à estrada de Coimbra com os seus maravilhosos vinhos obrigando a parar ali quem fosse ou viesse à cidade dos doutores. Quantos ali não sentiram o estímulo dos bairradinos para abrir um livro de leis ou um corpo na mesa da autópsia? Também, valha a verdade, também acreditamos que a Ana Dias ou qualquer dos seus vizinhos também faria ou fariam rodar leitões no espeto porque não se deve beber sem lastro nem se deve comer sem o apoio de um pichel dos de Ana Dias.. Ah, o que nunca conseguimos descobrir é como se chamava o povoado antes dele se identificar com sua personalidade, inapelavelmente, mais importante! E que importa?
Aqui há uns tempos, numa revista bairradina, o escritor Idalécio Cação levantava a questão de nunca se falar no marido nem nos possíveis filhos de Ana Dias. Era só ela e a sua produção de vinhos. Nem nos sobrou retrato seu que, a avaliar pela fama, até devia ter circulado em moeda! Mas não, só a sua fama de fazer parar os viajantes, consolar-lhes os sentidos com as suas produções e ficá-los a ver dobrar a curva da estrada, mal equilibrados nas suas cavalgaduras.
E Manuel Rodrigues Lapa, o ilustre filólogo, que nos teria podido dizer de Ana Dias? Não que a tivesse conhecido, mas por via do topónimo da sua terra...
Quanto ao rio, o leitor deve ter estranhado o nome – Certoma. Toda a gente conhece o Rio Cértima, agora Certoma. Já lá vamos. Pois o Cértima é um subafluente do Rio Vouga, nasce na serra do Buçaco, um pouco abaixo da Cruz Alta, a 380 metros de altura. Galga 43 quilómetros, na direcção Sul-Norte, atravessando quatro concelhos, atravessando a Pateira de Fermentelos. Ora o nome do rio é Cértima, mas até Avelãs de Caminho é designado como Certoma. E porquê?
Um belo dia nas imediações de Anadia, a Rainha Santa, que ia peregrinar a Santiago de Compostela, sentiu sede. Logo alguns dos seus acompanhantes dirigiram-se ao rio e encheram uma vasilha. Houve até um que provou a água e achou-a imprópria. Mesmo assim levou à soberana, tendo o cuidado de a prevenir. Ao primeiro golo Isabel de Aragão sentiu-se incomodada e comentou:
- Que sabor esquisito, esta água é de certo má...
E de “certo má” a certomá e certoma foi um salto de passarinho. Ficou o Rio Certoma, mas, a partir de determinada altura toda a gente passou a dizer Cértima como alternativa a Certoma. Mas há quem arranje as tais etimologias...» [Viale Moutinho, pg. 28]
Não sei se nessa altura chegámos a Anadia (Amoreira da Gândara, isso sim!), mas como é a capital da Bairrada fica aqui muito bem, como uma meta que só mais tarde atingiremos.
E certamente que o Diamantino não me levará a mal se dedicar esta pequena e tão mal-amanhada estória ao Manuel Rito; ele bem a merecia, quanto mais não fosse pela sua sonora gargalhada!
Manuel
sexta-feira, 27 de abril de 2007
Colónia Agrícola da Gafanha
Portugueses em missões internacionais

NOVIDADES A CAMINHO
quinta-feira, 26 de abril de 2007
Ares da Primavera
Um artigo de D. António Marcelino
quarta-feira, 25 de abril de 2007
25 de Abril
Uma canção de Abril

Ontem apenas
fomos a voz sufocada
dum povo a dizer não quero;
fomos os bobos-do-rei
mastigando desespero.
Ontem apenas
fomos o povo a chorar
na sarjeta dos que, à força,
ultrajaram e venderam
esta terra, hoje nossa.
Uma gaivota voava, voava,
asas de vento,
coração de mar.
Como ela, somos livres,
somos livres de voar.
Uma papoila crescia, crescia,
grito vermelho
num campo qualquer.
Como ela somos livres,
somos livres de crescer.
Uma criança dizia, dizia
"quando for grande
não vou combater".
Como ela, somos livres,
somos livres de dizer.
Somos um povo que cerra fileiras,
parte à conquista
do pão e da paz.
Somos livres, somos livres,
não voltaremos atrás.
Um artigo de Alexandre Cruz
2. Há uma geração que sofreu e lutou por ela; há uma outra, mais nova, que a recebe de mão beijada, sem ter a mínima noção do quanto ela custou. Para a geração que a construiu pode-se correr o perigo de se ficar nesse passado, diluindo a responsabilidade cuidada que cada dia essa liberdade exige; para os mais novos, gravemente, pode não se dar o mínimo valor ao presente da liberdade social que se tem o privilégio de viver todos os dias. Novas pontes, novos entendimentos, serão fundamentais para o reequilibrar do barco da liberdade, por um lado não ditando a perder a história que se construiu, mas, por outro, não se ficando na história passada pois cada dia a cada cidadão é pedido o zelo de um mundo livre na responsabilidade.
3. Acolhermos a “liberdade” significará a abertura multifacetada às dimensões fundamentais do ser pessoal e social. Ser livre é ser-com-os-outros! Quantos sistemas sociais, políticos e económicos (construíram e) constroem outras formas de ler a vida em que o “lugar do outro” é apropriação, exploração e exclusão?! Quantas faces demolidoras têm as novas escravaturas que das coisas tecnológicas à não aceitação de pontes com o “outro” e emergência do “medo” vão erguendo barreiras e distâncias?! Quanta (con)fusão entre a autêntica liberdade solidária e a libertinagem individualista que apaga as noções da ética e dos deveres para com a comunidade?! Que noção de liberdade perpassa nas publicitadas formas de comunicar, educar, estar, viver? Como conseguimos “segurar” os referenciais de sempre (para uma plena realização humana) garantindo futuro à própria liberdade?
4. Se há valor transversal que é caminho de plena dignidade humana e horizonte de reconhecimento dos direitos humanos, a LIBERDADE estará sempre nesse patamar urgente que não se pode descurar. Em países e em sociedades onde ela não existe que todos os canais e correntes abram as portas à liberdade humana. Onde a liberdade felizmente é um “hábito” diário, que desperte a atenção na consciência de que há muito caminho para andar carecendo as nossas sociedades ocidentais de um maior aprofundamento social e pessoal da liberdade, que tenha ecos numa ética de justiça social para todos. O caminho da liberdade, na sua verdadeira essência, é um caminho sempre inacabado, pois esta implicará uma reconstrução permanente. Só na base do pensar e querer com seriedade dedicada o bem de todos, e olhando sempre para o futuro, haverá sustentabilidade para a liberdade.
5. Porque é que, muitas vezes, em países que a muito custo, rigor e exigência, “conquistaram” a sua autonomia e liberdade democrática, na fase posterior dá-se a decadência e desagregação social? Havendo na fase de “resistência” toda uma energia motivada na busca desse ideal livre, quando esse ideal se alcança vem ao de cima a verdadeira raiz da noção de liberdade… Tantas vezes essa liberdade (inconsistente) não tem raiz profunda e dá origem a sistemas desviados de corrupção, de conluios de poder, de libertinagem oportunista. Também será de reconhecer que nunca será com liberdade responsável “à força” que o rumo da história atinge o progresso desejado. Só na base da educação (social e pessoal) a liberdade que se procura e alcança terá raiz para (contra os ventos alienantes e as marés do vazio) triunfar aproximando-nos de uma DIGNIDADE HUMANA acolhida, esta que será o expoente máximo da liberdade.
6. Até chegar a esse ideal, e não de forma virtual mas real, a EDUCAÇÃO PARA A LIBERDADE será das tarefas fundamentais das sociedades que desejarem ter futuro a sério! É que a mesma invenção com boa liberdade pode gerar cura, com má liberdade pode iniciar uma calamidade… É importante demais para não haver tempo! Se, por descuido ou inércia, perdermos a grandeza da liberdade, o que nos fica? Como viveremos? Quantos dias sobreviverá a própria democracia? De pais para filhos, de educadores para educandos, conversar sobre as histórias da verdade da vida será gerar e reconstruir as fronteiras da liberdade, nestas garantimos um saudável amanhã!
terça-feira, 24 de abril de 2007
Revolução dos Cravos
Sendo tecnicamente iguais os anos, horas, minutos e segundos em todos os tempos, percebemos que as análises e desenvolvimentos dependem muito das velocidades da mudança, da correria do tempo nas diferentes tábuas da história.
Ao celebrar-se mais um aniversário da Revolução do 25 de Abril de 1974 sempre se precipitam as análises de ar científico nos acontecimentos desenhados nos últimos anos da nossa história. E a verdade vem ao de cima: crescem analistas embrulhados nas suas próprias experiências, ideologias e dogmatismos. Em cada ano fazem parar a história para repetirem as próprias histórias. Recusam submeter a leitura aos critérios do todo, do tempo, dos contextos. Como se a Revolução dos Cravos fosse o único elemento a atravessar-se na nossa caminhada. Tivesse ou não havido a revolução não estaríamos hoje como em 1974. Multiplicam-se as causas das inúmeras transformações que se operaram na família, na cultura, na política, na Igreja. Requisita-se assim, aos sábios, uma leitura serena dos eventos no seu significado integral e não apenas em meia dúzia de foguetes mais vistosos. A história faz-se com a emersão de elementos escondidos e aparentemente insignificantes que alimentam os grandes troncos. Como a água, humilde e casta que alimenta, sem se ver, as grandes florestas. Ainda estamos muito longe de compreender os factos que irrigaram a nossa história, para esta chegar como chegou até nós.
segunda-feira, 23 de abril de 2007
UM POEMA DE EUGÉNIO DE ANDRADE
DIA MUNDIAL DO LIVRO
Livros, de Van GoghTRÊS MILHÕES DE PORTUGUESES JÁ LÊEM
O PÚBLICO diz, na abordagem que fez ao tema, que em Portugal já somos mais de três milhões de portugueses a ler. Cerca de 37 por cento dos portugueses é um bom número, se tivermos em conta que ainda há poucos anos havia quase dez por cento de analfabetos, sendo a percentagem de analfabetos funcionais, aqueles que lêem mas não conseguem interpretar, com fidelidade, o que lêem, muito mais elevada.
Com estes três milhões de leitores, o panorama melhorou significativamente, mas temos de convir que há ainda um longo percurso a percorrer, para atingirmos os valores dos países da Europa mais evoluídos neste campo. Mas afinal, o que lêem esses portugueses? Não se sabe. O inquérito apenas revela que no mês anterior os leitores garantiram que leram um livro. De qualquer forma, já estamos a evoluir, muito embora todos saibamos que muitos portugueses não têm capacidade económica para adquirirem livros com alguma regularidade.
Penso que a leitura passa muito pela educação, com base na família, na escola, nas comunidades religiosas, nas instituições e até nas livrarias e nas editoras. Importa sensibilizar para a leitura, propondo bons livros, falando de escritores e do que os motiva, visitando livrarias, com jovens, e sugerindo algumas obras. No contacto com os livros, haverá sempre, penso eu, o desejo de o ler.
O que importa é criarmos uma certa empatia entre os futuros leitores e os livros, com muitas histórias de permeio, que acicatem o gosto pela leitura.
domingo, 22 de abril de 2007
Santuário de Schoenstatt: Peregrinação Diocesana
6 de Maio, pelas 14 horas
Santuário de Schoenstatt, em dia de peregrinação. Foto do meu arquivo
“COM MARIA, AO SERVIÇO DA FAMÍLIA”
No próximo dia 6 de Maio, vai realizar-se a Peregrinação Diocesana ao Santuário de Schoenstatt, na Colónia Agrícola da Gafanha. Trata-se de uma iniciativa que começou, há anos, a criar raízes, reunindo católicos um pouco de toda a Diocese de Aveiro, e não só.
Depois do acolhimento, às 14 horas, haverá a oração inicial, a que se seguirá a Festa à Mãe, pelas 15 horas. Depois, às 16.30 horas, será o momento da Bênção do Santíssimo Sacramento.
A Eucaristia, presidida pelo Bispo de Aveiro, D. António Francisco dos Santos, tem hora marcada para as 17 horas.
O lema da peregrinação – COM MARIA, AO SERVIÇO DA FAMÍLIA – vai ser um bom ponto de partida para a reflexão que se impõe, nos tempos que correm, tantos e tão diversificados são os ataques aos valores cristãos da Família.
Pelo que tenho testemunhado, há muita gente que aproveita esta ocasião para desfrutar de toda uma ambiência que convida ao silêncio e à interiorização das graças do Santuário, que se resumem em três princípios fundamentais. Ali experimentam-se as graças do acolhimento, da transformação pessoal e do envio apostólico.
Curiosidades
Citação
Ares da Primavera
Para recordar

TECENDO A VIDA UMAS COISITAS - 20
Sabia-nos bem (oh! Se sabia!) o feriado de 12 de Maio. Pausa muito apreciada nos duros tempos de estudo. Hoje sabemos que é para honrar a memória da Princesa Santa Joana. Nessa época, só muito reconditamente nos chegavam os ecos da procissão que percorria as ruas da Cidade.
Mas o que bem perdurou foi o que vem narrado em «Crónica da Fundação do Mosteiro de Jesus, de Aveiro, e Memorial da Infanta Santa Joana Filha Del Rei Dom Afonso V (Códice Quinhentista)» – Leitura, revisão e prefácio de António Gomes da Rocha Madahil, Aveiro, Edição do Prof. Francisco Ferreira Neves, 1939, na página 173:
«Nom passarey sem dizer hua Cousa tã maravilhosa. E aos que o vyrõ de müy grãde amyracõn e spãto e Cousa de notar. A qual foy que é como fosse no mês de Mayo stãdo todo ho pumar onde esta sancta Senhora tiinha seu solaz e desëfadamento andãdo e stãdo ë elle aos tëpos e oras que lhe vagavã [...] E cõ muita diligëncia ho mãdava Regar e plantar de arvores e ervas, põodo algüas per suas proprias mãos. ...[P]er elle passou e foy levado ho ataude cõ ho Corpo desta santa Senhora, hïindo toda a procissõ cõ elle que já disse, magnifestamente per todos foy vysto todas as arvores e ervas secarã e lhe cayrã todas as folhas, mayormente per debayxo daquellas per que passarõ. E as que darredor stavã, que erã duas Carreyras de grãdes e muitos fremosos marmeleyros que a sobredita Senhora mãdou e per ssy ajudou a põor ~e duas ordëes. E outras de cidreyras. Stãdo tudo muito fremoso e carregados de nova fruyta pera vïir a seu tëpo, tudo foy seco e cahido que mais nõ prestarõ në tornarõ. Em que pareceo e se demostrou tudo se doer e tomar doo por ho fallecimëto desta santa Senhora.»
E que nos surge, em transcrição livre, na página 121 do «Livro de Leitura da 3.ª Classe, do Ensino Primário Elementar», 4.ª edição, 1958:
«Naquele mês de Maio, os jardins e o pomar do mosteiro de Jesus, em Aveiro, estavam floridos e verdejantes como nunca se vira.
Muitas plantas tinham sido dispostas e regadas carinhosamente pelas mãos da princesa Santa Joana, que nesse mosteiro vivia.
O melhor recreio da filha de D. Afonso V era deixar a sua cela e passear com as outras freiras à sombra daquelas árvores e no meio daquelas flores.
Chegara, porém, o fim da Santa Princesa. Todos os sinos das igrejas dobravam a finados, e no mosteiro ia um choro alto, porque ela deixara de viver.
Preparam-lhe o túmulo no coro da igreja e organizam o cortejo funerário desde a cela, passando pelos jardins, para que a vissem pela última vez as plantas que ela estimara tanto.
Deu-se então um caso maravilhoso! À passagem do enterro, começaram a murchar todas as ervas e a desfolhar-se as flores. As folhas e os frutos novos secaram nas árvores e foram caindo tristemente sobre o caixão.
Ninguém pôde conter as lágrimas, ao ver que a própria natureza tomava parte no sentimento que, pela morte da Santa, encheu a corte e o reino de Portugal.»
Quantas coisas belas e encantadoras se encerram nos tesouros que o nosso povo foi acumulando!
Manuel
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