terça-feira, 23 de junho de 2009

Depois de umas horas de folga...

(Clicar na foto para ampliar)
Depois de umas horas de folga, que nem só de trabalho vive o homem, aqui estou de novo para o contacto quase permanente com os meus habituais leitores e amigos. E se vierem outros, que sejam bem-vindos.
FM

domingo, 21 de junho de 2009

Figueira da Foz: Forte de Santa Catarina

Forte de Santa Catarina
Para uma visita obrigatória
Quem chega à Figueira da Foz não pode deixar de visitar o Forte de Santa Catarina, ali na embocadura do Mondego, com mar e areal por perto. É, sem dúvida, uma marca histórica de singular significado. Trata-se de uma construção dos finais do séc. XVI, embora tenha sido concluída posteriormente. Serviu para defender da entrada do Mondego e durante a Guerra Peninsular, na luta contra as tropas napoleónicas, foi palco de fortes confrontos, a que me referi há tempos. Ao passar por este forte, não deixe de ler as lápides com anotações históricas interessantes e importantes.

TECENDO A VIDA UMAS COISITAS – 136

BACALHAU EM DATAS - 26

CONSTRUÇÃO NAVAL EM PARDILHÓ Caríssimo/a:
1916 - «Em 1916 foi despendida uma verba de 4.789.129$00 na importação de bacalhau e 7 anos depois [1923] este valor subia para 123.775.924$00. Quer dizer, neste período a saída de divisas aumentou quase 30 vezes.» [HPB,69] 1917 - «Os navios bacalhoeiros da Figueira da Foz não irão este ano [de 1917] à pesca nos bancos da Terra Nova, em virtude de o pessoal exigir remunerações exorbitantes”. [...] Também a subida dos preços dos seguros chegou a pôr em risco a companha de 1917. Acresce ainda que a navegação se fazia com receios dos submarinos alemães, o que obrigou diversas empresas a fazer seguro das cargas.»[Oc45, 85/86] «Apesar das contrariedades, iam surgindo novas empresas. Em 1917, nasce uma sociedade por quotas, com um capital de 32 contos, em que a maior quota pertence a D. Lucília Ferreira Duarte Pinto Basto.» [Oc45, 86] 1918 - «Após o final da Guerra, assistiu-se a um incremento da pesca do bacalhau e da construção naval, especialmente em Aveiro. Em 1918, a Companhia Aveirense de Navegação e Pesca, liderada por um importante comerciante da praça de Aveiro, com ligações fortes ao poder político e económico locais, lança às águas o lugre ALTAIR, construído no estaleiro de Manuel Maria Bolais Mónica, na Gafanha da Nazaré. A imprensa local dá um enorme relevo à festiva e mediática cerimónia do “bota-abaixo”.» [Oc45,869] 1919 - «Em Pardilhó (Estarreja), terra conhecida pelos construtores navais de barcos moliceiros, fora construído em 1919, pelo mestre Joaquim Dias Ministro, o lugre de madeira ENCARNAÇÃO.» [Oc45, 120 n. 13] «Depois de um período florescente durante a I Guerra Mundial e da formação de uma escola de carpintaria naval, em 1919, o renascimento da construção naval em madeira na Figueira da Foz dá-se somente na época da II Grande Guerra. A dinastia Bolais Mónica associou o seu nome à construção naval em madeira na Figueira da Foz, destacando-se os construtores António, Manuel, João, José Maria e Benjamim Bolais Mónica. Este último localizou as suas carreiras na tradicional Murraceira, em frente da cidade da Figueira da Foz.» [Oc45, 115] «Em 1919, perdeu-se o ARIEL. A arrematação dos salvados não rendeu mais de 3.000$00.» [Oc45, 88]
Em título, realcei a construção naval em Pardilhó... já que Pardilhó foi ( ainda será?...) a sede do Sindicato da Construção Naval! Contudo, e sem dúvida, qualquer um dos parágrafos daria assunto para pesquisa e muita investigação: aos nossos futuros estudiosos... Manuel

sábado, 20 de junho de 2009

Um pouco de História: Aqueduto das Águas Livres

A alergia dos cristãos à política

É interessante constatar que nos anos 60 e 70 os movimentos cristãos juvenis e universitários acalentavam um grande entusiasmo pelo compromisso social e político, discutiam-se acaloradamente as formas de participação política dos cristãos, qual o seu lugar e missão na edificação de um mundo novo ou de um mundo melhor. É verdade que houve ambiguidades e derivas, tornando-se a política não uma dimensão, mas o centro e, em alguns casos extremos, a totalidade, relegando para um plano secundaríssimo a função eminentemente espiritual da proposta cristã. Mas a verdade é que hoje se corre o perigo oposto: o de buscar apenas uma espiritualidade, desenhada à maneira de um bem-estar íntimo, ou intimista, em que a Fé se torna um assunto privado, uma gestão exclusiva do eu, onde as necessárias implicações históricas e colectivas não entram. Será possível conjugar um grande amor por Deus com um grande desinteresse pelos homens? A rarefação do entusiasmo e da presença dos cristãos nas várias dimensões da vida pública é um sintoma preocupante na Igreja portuguesa. O Deus em que os cristãos crêm não plana acima das questões escaldantes da história: Ele aparece claramente comprometido com a justiça e uma ordem social de equidade, manifestando-se a favor dos mais pobres. A opção pelos pobres, a escolha preferencial pelos sem voz nem vez remonta ao próprio Cristo e ressoa claramente nos textos das origens cristãs. Como resume a 1 Carta de São João (1 Jo 4,20): «Se alguém disser: “Eu amo a Deus”, mas não amar o seu irmão, esse é um mentiroso; pois aquele que não ama o seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê». A Fé para ser vital tem de aceitar o risco de ser uma Fé encarnada. O Evangelho para ser vital tem de ser recebido como palavra transformante, como fermento colocado na massa. O cristianismo não coincide com nenhuma realidade política, mas em todas introduz uma tensão de amor, de justiça e de verdade. O cristianismo tem um sonho. Aqueles cristãos que dizem, “eu não quero sujar as minhas mãos na realidade do mundo”, como lembra Charles Péguy, “acabam rapidamente por ficar sem mãos”. José Tolentino Mendonça

O Estado deve pagar a velhice de famílias ricas?

O Estado deve pagar a velhice de famílias ricas? O Estado é de confiança ou abusa? São questões pertinentes a que José Couto Nogueira responde hoje no jornal i. Vale a pena ler aqui. Ver Coluna Vertical, em Opinião.

Figueira da Foz: sinais de festa

Os sinais de festa indiciam folguedos adequados ao São João, santo popular muito querido dos portugueses, a par do também nosso Santo António e de São Pedro, o primeiro Papa do cristianismo. Não sou muito dado a festas de bailaricos, mas aprecio a alegria espontânea do povo... Bom São João para todos os figueirenses e veraneantes desta terra de muito mar, de muito sol e... de algum vento.

Coro da Catedral de Aveiro vai formalizar a sua constituição

Hoje, em Assembleia Constituinte, pelas 15 horas, vão ser analisados e aprovados os estatutos do Coro da Catedral de Aveiro. A Assembleia vai ter lugar no salão do Centro Paroquial da Glória-Sé. São convidados os responsáveis pela Música Sacra das paróquias da Diocese de Aveiro.

QUE NOS ESPERA?

João Bénard da Costa
Mesmo os mais distraídos colocar-se-ão, nas situações-limite, as velhas perguntas: donde vimos?, para onde vamos?, quem somos? Porque a realidade nos aparece por vezes exultante e, outras, horrorosa, e morreremos, perguntamos: o que é verdadeiramente?, qual o sentido da existência?, que andamos cá a fazer?, que nos espera?
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Cada um de nós vivencia-se a si mesmo como presença de si a si mesmo: sou eu e não outro. Coincidimos, portanto, connosco mesmos. Mas, por outro lado, experienciamo-nos como não plena e totalmente idênticos. Somos nós mesmos e chamados a sermos nós mesmos, pois estamos ainda a caminho de nos tornarmos nós mesmos.
Precisamente deste paradoxo de sermos e ainda não sermos adequada e plenamente surge a nossa inquietação radical e a pergunta que nos constitui: afinal, o que somos?, quem somos?
Eu sou eu, mas ainda não sou o que serei. Cá está, portanto, a pergunta ineliminável: então, o que sou e quem sou? E que devo fazer para ser finalmente eu?
É assim que a pergunta pelo sentido não é uma questão adjacente, que pode colocar-se ou não. Ela é constitutiva do ser humano enquanto tal, questão fundamental da Filosofia, como viu A. Camus.
Sentido tem a ver com caminho, viagem e direcção - nas estradas, por exemplo, encontramos placas em seta a indicar o caminho e a direcção para alcançar uma meta, um objectivo, um destino. Qual é então o caminho e o sentido da existência humana? O que move a minha vida?
O Homem vem ao mundo por fazer e quer queira quer não tem essa tarefa constitutiva: fazer-se a si mesmo. E tanto podemos fazer de nós uma obra de arte como fracassar.
Einstein constatou que quem sente a vida vazia de sentido não é feliz e sobrevive mal. O Homem não pode viver sem sentido. Aliás, a existência humana está baseada na convicção do sentido. A sua própria negação ainda o afirma. No limite, não é possível o "suicídio lógico", pois quem pegasse numa arma para suicidar-se, porque tudo é absurdo, negaria o absurdo e afirmaria o sentido.
O famoso psiquiatra Viktor Frankl, fundador da logoterapia, mostrou, a partir dos estudos que realizou com base na sua terrível experiência nos campos de concentração nazis, que a exigência mais radical do ser humano é o sentido, razões para viver. Contra Freud e Adler, no mais fundo de nós, mais do que a exigência de prazer e de poder está a vontade de sentido.
Nos campos de concentração, verificou que sobreviviam mais aqueles que ainda tinham um sentido para a existência: reencontrar a família, realizar uma obra, lutar para que nunca mais acontecesse o intolerável. O que significa que o sentido não está em nós, mas fora. Se estivesse em nós, não se colocaria a questão, pois estaria sempre presente. O sentido está no encontro com o mundo e com os outros: é saindo de si que o Homem vem a si. Dá um exemplo: quando se começa a ver pequenas manchas à frente do olho, é bom ir ao médico, pois está doente: o olho é intencional, isto é, não foi feito para se ver a si mesmo, mas o que não é ele. Paradoxalmente, só saindo de si é que o Homem encontra sentido. É o amor que dá sentido. Por isso, sente a vida como tendo sentido quem vê a sua existência reconhecida. A nossa vida não tem sentido, quando não vale para ninguém.
A existência caminha de sentido em sentido - o que vamos realizando. Mas, um dia, somos confrontados com a pergunta: qual é o sentido de todos os sentidos? Este é o núcleo da questão religiosa: o quê ou quem dá sentido último à existência, para que não fique na situação da ponte que não encontra o outro lado, a outra margem? Porque, sem o Sentido último, os caminhos de sentido não vão dar a lado nenhum.
"Conhecer Deus" era a maior esperança para João Bénard da Costa, que, por isso, podia dizer: "Acredito que esta vida não pode acabar aqui: nada faria sentido, para mim, se assim fosse."
Anselmo Borges

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Figueira da Foz: Um Bar no Sítio Certo

O novo Bar
UM OÁSIS PARA RECUPERAR
Hoje foi dia de passear descontraído pela Figueira da Foz, à procura de paisagens conhecidas há muito. Deixei que os pés e a mente andassem ao sabor da maré, durante umas duas horas. Como é inevitável, nestas circunstâncias, fui atraído para o rio Mondego que aqui desagua e para o mar, com praias de tanta fama, de areais a perder de vista. Há sempre um momento que me encanta e me faz viajar por paragens de sonho. Quando dou de caras com a marina, com seus barcos e barquinhos, aí vou eu de abalada, mar fora, qual navegador sem rumo certo. É que, tenho a certeza, nas minhas veias, baloiçam navios desde a hora em que nasci, com o som do oceano a entrar-me na alma. No fim da jornada, junto à marina, exausto mas feliz, encontrei um novo bar. De traço simples, moderno e convidativo, foi oásis para recuperar da caminhada. Entrei, uma água refrescou-me o corpo e um café, saboroso, animou o meu espírito. Olhei então, mais serenamente, os barcos e barquinhos da marina, que ali repousavam com os seus aventureiros. Tempinho de descanso para repetir quando voltar à Figueira da Foz. Antes de sair, dei os parabéns à jovem que, solícita, me atendeu, pelo espaço fresco e acolhedor que ali está à nossa espera. Fernando Martins

Faleceu Carlos Candal

UM POLÍTICO DE CAUSAS
Tomei ontem conhecimento da morte de Carlos Candal, um aveirense carismático a vários títulos. Embora saiba que não vou acrescentar nada ao muito que já foi dito sobre ele, penso que é justo sublinhar aqui, neste meu espaço aberto ao mundo, a importância do seu contributo para o reconhecimento da identidade de Aveiro. Dotado duma força anímica pouco comum, sempre defendeu, desde muito novo, causas de justiça, de liberdade, de democracia e de civismo. E fê-lo, é bom recordar, com garra, com determinação e até com graça, já que era possuidor de dotes oratórios capazes de empolgar quem o ouvisse. Carlos Candal foi acometido de doença grave no ambiente onde se sentia à vontade, como peixe na água, em plena campanha eleitoral para o Parlamento Europeu. Seria, pensei então, mais uma batalha que teria de travar. Assim não aconteceu, para tristeza dos muitos amigos que o admiravam. Porém, não se julgue que só os amigos e correligionários o apreciavam. Também os seus adversários, que não inimigos, o admiravam, pela força da sua reconhecida personalidade. Tudo isto por se saber que Carlos Candal nunca deixou, que me lembre, de apoiar muitas causas, nem sempre saídas das propostas que apresentava. FM

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Reconhecer para crescer

A verdade das coisas
não é ou branca ou preta,
também há o cinzento
1. Sabe-se que o poder do criticismo cego, quando aplicado em todo o seu esplendor, não deixa espaço para o reconhecimento de que os outros também sabem pensar e fazer coisas boas. Também se compreende bem que, se o unanimismo de todos concordar com tudo, sendo uma inverdade, não abre espaço à dialéctica, à procura, à nossa e nova síntese que faz crescer. Mas, nem ao mar, nem à serra! Será tão importante o reconhecimento do bem realizado pelos outros, como o sentirmos e despertarmo-nos mutuamente para uma superação sempre mais aperfeiçoada, pois que tudo pode ser sempre melhor, mais amplo, mais envolvente. Talvez a prova da maturidade completa esteja, sem a anulação de identidade própria, o reconhecer-se (aperfeiçoando-se) dos valores e das virtudes do outro.
2. Há dias realizou-se no parlamento português o debate da avaliação da liderança política. Qual pêndulo do relógio, que ora vai para um lado ora para o outro, as oposições da nossa jovem democracia dão ainda pouco espaço para o reconhecimento de que do outro lado também há coisas boas, que nem tudo foi mau. Continua a tornar-se claro que (tal como a verdade das coisas não é ou branca ou preta, também há o cinzento!), enquanto a maturidade destes reconhecimentos das apostas certeiras do outro não fizerem parte do caminho de maturidade política, temos a sensação de que estamos e/ou estaremos sempre a recomeçar, e, neste ponto, estaremos na “estaca zero”. O bem da comunidade, não só nos tempos de crise mas estes mais despertam a urgência, carece da dose “quanto baste” de consensos que abra caminhos e crie pontes.
3. O progresso humano é inimigo do ponto zero da crispação social, das incapacidades estruturantes de gerar consensos básicos em ordem ao bem comum. O querer crescer, sem a ilusão de todos concordarem com tudo e no assumir do debate como abertura a horizontes sempre maiores, obriga ao reconhecer-se de que todos continuamos da obra comum. Reconhecer para crescer!
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Alexandre Cruz

Crónica de um Professor: Fim à vista

“Prima non datur, ultima non recipitur”! Soa como uma melodia, este binómio que agora se vai concretizando. Na verdade, nos alunos que frequentavam o ensino liceal, no século passado, era uma expressão recorrente e que muito lhes agradava. A primeira aula ficava-se pelas apresentações, de mestres e discípulos, a última pela despedida. E... o Latim tinha força de lei! Caminha a passos largos para o fim mais um ano lectivo e multiplicam-se as tarefas, os esforços, de ambas as partes deste processo, ensino/aprendizagem. Sendo verdade que até ao lavar dos cestos é vindima, como se ouvia aos mestres doutras épocas, também hoje, nas escolas, por todo o país, se esfalfam os professores para dar, aos seus alunos, a possibilidade de alcançar os seus objectivos pedagógicos, isto é, o tão almejado sucesso. Sim, a classe docente, a mesma que é tão maltratada pela opinião pública, é aquela que dá o corpo ao manifesto e a alma ao diabo, para conseguir que os seus alunos ultrapassem as dificuldades. Ainda há dias, num contexto de comércio local, a teacher travou um duelo verbal, em que o opositor desbaratava a torto e a direito sobre os professores. Foi proferida toda uma série de impropérios, numa generalização redutora e perigosa, que ia sendo rebatida pela argumentação lógica e fundamentada duma profissional do ramo!!! Aquele género de pessoa, já bem tipificada na sociedade hodierna, que tudo destrói, tudo condena, tudo amesquinha, sem contudo ter soluções para nada, era o interlocutor da teacher! Esta ouviu, ouviu e por fim deixou que o diálogo descambasse para monólogo, pejado de agressividade! E frustração, já que o que este tipo de pessoas denota é, na realidade, um enorme sentimento de frustração perante a vida, que não lhes deixa enxergar nada à frente do nariz. Quem tem este tipo de atitudes, sobretudo para com uma classe tão sacrificada, incompreendida e injuriada, revela, numa interpretação freudiana, um complexo de inferioridade, associado a uma muito baixa auto-estima. Os professores vão estar aí, novamente no centro das atenções, pois vão proceder a uma das mais delicadas tarefas do seu mister – a avaliação. Processo que incorpora uma grande dose de subjectividade, é grandemente questionado, debatido e exercido. Parafraseando Jean Foucambert, a Escola seria preciosa se ajudasse todos os alunos nas suas aprendizagens, já que existe precisamente para isso. Muito do que os alunos aprendem é por sua conta e risco, isto é, existem aprendizagens sem ensino, na conhecida escola paralela, mas a Escola tem por função estimular, desabrochar o gosto pela aprendizagem. Ao avaliar um aluno, o professor está a avaliar-se implicitamente, pois dependeu do seu papel interventivo, o desempenho do aluno. Agora, retirando todo o caudal de água benta aspergida pelos docentes, resta a recompensa para os que se esforçaram e... a libertação para aqueles que consideram a Escola como o inimigo n.º 1 do aluno. Assim se referiu o Caramelo à instituição que frequenta e ao enorme desinteresse que nutre por ela! M.ª Donzília Almeida 14.06.09

Um poema de Domingos Cardoso

Estrada
Olhando as minhas mãos, assim despidas, Tão vazias de anéis e compromissos, Tão desnudas de feitos e feitiços Penso que as intenções foram perdidas. Descubro em minhas rugas esculpidas As marcas dos propósitos postiços E, nos meus olhos, de brilhos já mortiços, A dor de renovadas despedidas. Tive amor no meu peito e não o quis, Senti m sonho à mão e nada fiz Por julgar que este mundo era ilusão. Tendo de meu tão pouco ou quase nada Vejo, no fim da estreita e erma estrada, Sorrindo, à minha espera, a solidão. Domingos Freire Cardoso

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Uma leitura livre em clima democrático

OS PARTIDOS PASSAM, O POVO PERMANECE
Deixei o país na manhã do dia seguinte às eleições. Já levava comigo os jornais cheios de números e comentários, euforias e pesadelos, justificações e profecias. A meio do dia, em espaço alemão, pude folhear outros jornais da Europa, que comentavam o mesmo tema, no mesmo tom. Lá como cá, uns, sem olharem às contradições em que caíam, outros, justificam os resultados com a crise social geral, outros ainda, com opiniões fixadas no modo de agir dos partidos, que os eleitores acabavam de castigar. As leituras políticas são, por vezes, monocórdicas e superficiais, ditadas pelo imediato que exprime gosto ou desgosto. O exame das causas, porque exige ponderação, tempo e saber, raramente ultrapassa o trivial. Mesmo quando, de modo crítico, se tenta opinar sobre a crescente abstenção, o leque vai apenas da indiferença pelo acto eleitoral à opção mais agradável pela praia ou pelo passeio, do pouco conhecimento do que está em causa, à falta de confiança nos políticos profissionais. Porque tudo dito, nada muda. Quem vota é o cidadão do povo. Gente de diferente sensibilidade e cultura, com experiências e projectos diversos, com histórias e intuições não coincidentes. Alguns fazem das coisas políticas uma paixão, carregada de interesses e por isso não faltam. Outros, vão por seu pé, mantendo vivas as dificuldades e agressões que levam consigo e a que nem sempre estão alheios os que se sentam nas cadeiras do poder se acaso esquecem o bem comum e o povo concreto. Se muitas coisas, no dia-a-dia, já se vêem a olho nu, por altura das campanhas eleitorais e depois da contagem dos votos, o quadro torna-se mais ilustrativo, e emoldurado pelo muito que se diz ou se cala. A gente que decide votar ou anda alienada e ao sabor das opiniões dos seus, ou calada a aguardar atenta a hora de poder dizer, com o voto, a sua opinião determinante, sobre o que se passa no país e atinge a sua vida e a de muitos. As eleições não se ganham nem se perdem com comícios e cartazes, mas nas urnas. O que se grita nas campanhas, o que se diz e as pessoas que o dizem, apenas confirmam o que já se pensa e se sabe. Alguns eleitores, armadilhados contra os da outra cor, fecham os olhos e ouvidos e só dão razão aos seus. Então, as opiniões viram dogmas e as verdades do outro lado não passam de mentiras do seu. O povo sensato observa isto tudo e vai formando o seu juízo. Mas, já não falta quem, relativizando o alcance das decisões políticas, sabe bem o caminho por onde não se pode ir porque não leva sequer a um bem possível para todos. Como percebe também a linguagem que não respeita ninguém e menos ainda os que pensam de outro modo, a agressão programada a sentimentos comuns e a valores indiscutíveis, a teimosia em impor decisões alheias à verdade e à realidade, o malabarismo das palavras ardilosas que não convencem, a desonestidade política que põe os interesses dos partidos acima do interesse nacional, a pouca seriedade de quem faz da democracia uma palavra que enche a boca, mas que, na prática, frequentemente a denega. O povo tem intuições de horizontes largos que escapam aos políticos de vistas curtas e depressa esqueceram que “o povo é quem mais ordena”. Pelo menos nas urnas de voto não deixa que se mande nele, com a impunidade de décadas passadas e mesmo de tempos mais recentes. Ainda que abafado pelo poder que o não respeita, o povo já aprendeu a saborear a liberdade que ninguém lhe pode tirar. Assim, não lhe escapa a contra cultura que se lhe quer impor, o desrespeito pela família, seu maior bem, os ultrajes dos corruptos à sua honestidade, as mentiras com que o pretendem iludir, o orgulho de quem não o ouve, os problemas vitais sem solução, as portas do futuro fechadas aos jovens… Este povo também vota. Sabe pouco da Europa, mas sabe muito da vida. Conhece os políticos que ficam e aos que querem entrar. Sabe esperar e sabe dizer “basta!”. Os partidos passam, o povo permanece. Ele é riqueza sem dono. Quem não o escutar, nem respeitar, acaba sempre por ser julgado por ele. António Marcelino

A Liberdade na EMRC

1. Não é fácil o assunto, também porque os sucessivos sistemas que reflectem visões de educação o foram e vão complicando. A palavra de ordem é sempre a liberdade; educar na e para a liberdade. Educar na liberdade, significará o aceitar que ao projecto social e educativo pertencem um conjunto de valores plurais mas construtivos, e não um habitar na neutralidade do vazio que ao nada conduz. Sejamos objectivos, pensamos: é impossível a neutralidade na educação, tal a força imensa das subjectividades presentes. Pode parecer que a questão pouco importa, mas o esbatimento diluidor da Lei da Liberdade Religiosa numa neutralidade de exclusão do fenómeno sociorreligioso da comunidade social é o reflexo claro do fechamento intencional.
2. Na democracia das liberdades amadurecidas, por isso sempre inclusivas e autenticamente co-responsáveis, tudo deveria ser claro e transparente. Nada de obscuro tornearia e negociação. Atender-se-ia ao princípio de que as pessoas estão mesmo primeiro. Defender-se-ia a existência de programas com valores formativos de personalidades assertivas. Numa abertura de expressão de quem quer ser cidadão do mundo, convidar-se-iam todos os agentes cooperantes e colaboradores com a Escola e desta com as famílias e a comunidade social envolvente. Atender-se-ia ao essencial e às compensações a fim de dar às gerações da tecnologia muito mais lugar às sabedorias, filosofias, religiões. Despertar-se-iam os pais e as comunidades para intervirem mais, pois só participativos virão.
3. O transvazar da opção que quer ir torneando a lei da liberdade religiosa em passo de exclusão das sabedorias e religiões do espaço social, reflectindo a falta efectiva de liberdade inclusiva para com as pessoas, oferecer-nos-á um futuro mais sombrio, fechado, seco, com menores capacidades culturais, humanas e sociais. Lembramo-nos, infelizmente, da vida curta da disciplina DPS (Desenvolvimento Pessoal e Social)… Sim à EMRC!
Alexandre Cruz

Ideias Pela Positiva: É preciso Valorizar os Recursos Naturais

“Com esta crise, a tecnologia vai sair a perder e vão ser valorizados os recursos naturais. Portugal tem tudo a ganhar investindo nos recursos que tem, fruto da nossa excelente localização geográfica. O sol, através do qual podemos reduzir a nossa factura energética; o mar, desenvolvendo ideias concretas para tirar partido dele; e a floresta, que com uma boa gestão pode multiplicar por dois ou três a sua capacidade…” Carlos Martins, Presidente da Martifer Citado pelo jornal i

Escrever bem e com graça: Miguel Esteves Cardoso

Faz-nos falta quem escreva bem e com graça. Também com sentido de oportunidade. Um exemplo que vale a pena sublinhar está no jornal PÚBLICO e chama-se Miguel Esteves Cardoso. Leio-o regularmente. Aqui fica uma passagem digna de registo: “Falta fazer o elogio do sedentarismo. É o indesporto radical do nosso tempo. Define-nos. Delicia-nos. Sentamo-nos e sentimo-nos bem. Sentemo-nos pois.”
Miguel Esteves Cardoso

FIGUEIRA DA FOZ: Praia deserta, por enquanto!

PRAIA DA FIGUEIRA
Quem passa pela marginal da Figueira da Foz, com mar e areal à vista, não pode deixar de reconhecer que as pessoas fazem falta. O tempo ainda não se convenceu de que tem de se pôr a jeito, oferecendo cor, calor e alegria ao pessoal que gosta de banhos. Mas estou em crer que, mais dia menos dia, ele há-de surgir em força, para prazer de todos nós.

Arquivos da Igreja: entre memória e serviço

Em Braga, nos dias 17 e 18 de Junho, o II Conselho Nacional dos Bens Culturais da Igreja reflecte e debate a problemática dos "Arquivos da Igreja: memória das comunidades ao serviço da sociedade". O assunto é importante e diz respeito a todos. Expliquem-se os termos: Arquivo - centro dinamizador do respeito pelos nossos maiores, materializado na adequada atenção à preservação dos documentos, ao seu estudo e à sua divulgação (não mero depósito de papel envelhecido) / Igreja - comunidade de baptizados, comprometidos com a vida (não uma associação, um clube, ou um nicho de protagonismos ou de sossegos) / Memória - veículo de comunhão que projecta o futuro na firmeza da experiência (não um atá-vico impedimento da ousadia) / Comunidades - único lugar onde ser cristão é possível / Serviço - a dura realidade do amor (mesmo para quem não queira) / Sociedade - campo muito vasto do testemunho de vida cristã, feito de mulheres e de homens com valores porventura muito diferentes dos da Ecclesia. Depois de toda a sensibilização para a importância do património documental da Igreja Católica, feita ao longo de anos, as comunidades eclesiais têm pela frente o enorme desafio de encontrarem as respostas mais adequadas - e justas - para que a salvaguarda e a fruição desse património aconteça com inteligência e entrega. Essas respostas passam pela institucionalização e dinamização de Arquivos, também eles geradores de cultura e marcadamente comprometidos com a evangelização e a pastoral. Afectar recursos, humanos, técnicos e financeiros, aos Arquivos da Igreja será sempre uma epifania de respeito pelos que nos legaram a fé, mas também de respeito pelo que somos - como o somos e como nos verão - no seio de uma sociedade cada vez mais plural. Afinal, que testemunho de Igreja dão os nossos compromissos colectivos a respeito dos Arquivos?

terça-feira, 16 de junho de 2009

Um poema de Donzília Almeida

Amor é... Numa esquina da vida se encontraram; D ‘amizade brotou o sentimento. Que passo a passo, foi ganhando alento E em juras de amor, os dois falaram. Um dia, no altar, ambos selaram Fidelidade nesse juramento E com o olhar fixo no firmamento, D’ mãos dadas estrada fora, caminharam. E quando a doença os tocou, Amnésia da mulher se apoderou. Ao lado dela, digno de se ver, O homem devotado, sempre ficou E com todo o carinho demonstrou Que “Amor é” a força de viver! Mª Donzília Almeida 22.04.09

Observar para não derrapar

É certo que até um carro,
se não se olha bem para o caminho,
poder derrapar.
Mas o nosso hábito derrapador
é o pior dos travões e dos sinais
1. Também as épocas de menos abundância económica, mesmo para quem tem carta livre, são oportunidades obrigatórias de parar para pensar. Pensando, observa-se uma nuvem cinzenta sobre más práticas económicas e fiscalizadoras que, ao longo de anos a fio, tem quase considerado normal a existência de grandes derrapagens em grandes obras públicas. Para quem ainda tivesse dúvidas, a notícia da agência LUSA é clara e não recebeu, que nos tenhamos apercebido, ruídos de reprimenda ou contraditório: «Face à derrapagem de mais de 241 milhões de euros em cinco obras públicas e dos seus prazos de execução, o Tribunal de Contas recomendou ao Governo a criação de um Observatório de Empreendimentos de Obras Públicas.» Dá para repensar.
2. Se cada cêntimo desse valor público vem dos impostos dos contribuintes, fará sentido o perguntar-se sobre o porquê da indiferença na mentalidade portuguesa que, em vez de exigir o rigor cuidadoso e absoluto, foi lavando as mãos, deixando correr o tempo e a derrapagem(?). Talvez já seja muito tarde este despertar, mas em vésperas de novas eleições e possíveis grandes concursos, decisões e construções, um Observatório independente que passe do papel à obra seria uma das grandes fontes para uma maior justiça social. É possível? Valeria a pena conhecer dados sobre como são as derrapagens financeiras e os atrasos nas obras dos países mais desenvolvidos e com democracias mais maduras. É certo que até um carro, se não se olha bem para o caminho, poder derrapar. Mas o nosso hábito derrapador é o pior dos travões e dos sinais.
3. Para uma visão com maturidade, nestas questões, nunca pode estar em causa qualquer facção sociopolítica, mas todas(os). E as denúncias do Tribunal de Contas em nada poderão esfriar a auto-estima das comunidades. Muito pelo contrário: mais observar, quando a ética da liberdade não consegue vencer, será preparar um melhor futuro. Sem derrapar!
Alexandre Cruz

Estradas mais seguras em Portugal

Com as férias de Verão que ai vêm a correr, se o tempo nos não pregar qualquer partida, as nossas estradas vão-se encher de carros. Os acidentes, infelizmente, sucedem-se. Hélder Boavida, Director-Geral BMW Group Portugal, recomenda, como li no jornal i: “Vamos tornar a nossas estradas mais seguras., através de um processo de ensino nas escolas de condução que preveja obrigatoriamente um número mínimo de aulas sobre técnicas de condução defensiva, em complemento ao normal processo de aprendizagem de código da estrada técnico e prático.”

Um poema de Jeremias Bandarra






A SALINEIRA

Rosto ao vento
gemendo sob o peso
da canastra de sal
a salineira carrega cristais de sonho
num sofrimento milenar
consentido.

Pés descalços e encardidos
fazem tape-tape
no lajedo do cais
e o céu se espelha
na doce calmaria da Ria.

Gaivotas nervosas
cruzam o espaço
com gritos estridentes
e os barcos saleiros
cheirando a maresia
balouçam ao ritmo
da descarga

Praguedo inocente
se espalha no ar
saído das bocas de carregadores
atarefados.

Ao longe
a grande planície
se espreguiça nos braços da Ria
e as ervas dos esteiros murmuram
as canções do vento.

De onde em onde
montes de sal
pontilham o horizonte
como seios voltados ao céu

Jeremias Bandarra


ERA ASSIM NA BEIRA-MAR

Sou filho duma simbiose difícil: nasci na freguesia da Glória, ao que me dizem ali para os lados da travessa de São Martinho, mas filho de pai "cagaréu", marinheiro, e de mãe "ceboleira".
Já lá vão os tempos em que se roubavam os andores, se apedrejavam os namorados das freguesias rivais, se ridicularizavam, reciprocamente, as referências caracterizadoras dos nascidos na Vila Velha, a Glória, e na Vila Nova, a Vera-Cruz.
Sou simbiose disso tudo: fruto do salgado do peixe maila cebola e a chanfana.
E, por isso mesmo, quando olho para a freguesia onde nasci — a Glória — não sou capaz de nela pensar sem deixar de também me sentir vestido de camisa de linho branco e de manaia azul, roupas próprias do marnoto da Vera-Cruz.
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Gaspar Albino

segunda-feira, 15 de junho de 2009

FIGUEIRA DA FOZ: Ruas Floridas

As flores ficam sempre bem em qualquer lado. Como nas ruas e estradas, e até nas auto-estradas. O importante é que estejam. Para emprestarem colorido à vida e para nos desafiarem a apreciar as riquezas, multifacetadas, que a natureza põe ao nosso dispor. O que é preciso, então, é que os responsáveis pelos espaços públicos, como as estradas e ruas o são, saibam e queiram aproveitar todos os recantos, tantas vezes abandonados e cheios de lixo, para os enriquecerem com flores.

As ruas difíceis de Teerão

1. O Irão e um país muito especial, tendo níveis de progresso científico e cultural notáveis em termos mundiais. País onde o futebol também encanta as multidões…! Mas nestes dias o povo saiu à rua por outros motivos. O Irão viveu recentemente um acto eleitoral decisivo: a eleição do novo presidente iraniano. Como na profundidade cultural de cada país e sociedade, não se pense de modo simplista aquilo que é verdadeiramente complexo. Corria o ano de 1979 quando, após 14 anos de exílio, regressa Aiatola Khomeini, dando início à Revolução Iraniana e instalando-se no poder a República Islâmica. Procurando compreender os antecendentes desta história de concentração dos poderes, verifica-se que o anterior reinado de Xá (com o apoio americano e britânico), ao qual reage Khomeini, havia-se tornado progressivamente ditatorial, esmagando os religiosos xiitas e os defensores da democracia. Este regime ditatorial intensifica-se fortemente nos finais dos anos 70.
2. Quando em 1979 estudantes iranianos tomaram funcionários da Embaixada americana como reféns, as relações foram fortemente abaladas passando, por alguns sectores, a considerar-se a revolução islâmica incompatível com o chamado Ocidente. Neste terreno sensível, num mundo onde cada vez mais as culturas se aproximam a cada dia, este roteiro anti-Ocidente ou anti-Islâmico volta e meia tem sido palco das maiores desumanidades, em que os próprios armamentos militares afirmam-se como os argumentos de um fechado diálogo de surdos. Ahmadinejad, no poder desde 2005 e fortalecendo a dicotomia Oriente/Ocidente com o programa nuclear iraniano, reclama a vitória de 62% nestas eleições. A oposição de Mousavi não aceita e mantém os apoiantes nas ruas, abrindo-se um impasse de incertezas…
3. Também se diz que ganhe quem ganhar as eleições o programa nuclear continua. Um outro poder (teocracia) lidera o plano da ideia. Nas ruas, até quando? (Assis 1986)
Alexandre Cruz

Bispos reflectem sobre a acção social da Igreja

Os bispos portugueses vão estar esta semana reunidos em Fátima nas Jornadas Pastorais da Conferência Episcopal Portuguesa. Num ano profundamente marcado pela crise económica e financeira, e na sequência do Simpósio «Reinventar a Solidariedade (em tempo de crise)» que a CEP realizou a 15 de Maio, os bispos portugueses querem aprofundar a reflexão e por isso, vão centrar-se no tema «Pastoral sociocaritativa: Novos problemas, novos caminhos de acção».
Um comunicado enviado à Agência ECCLESIA dá conta que, para além dos bispos portugueses, estarão presentes dois delegados de cada diocese, "particularmente responsabilizados no campo da pastoral social".
A jornada que começa na tarde desta Segunda-feira e termina no dia 18, Quinta-feira pelas 14 horas, vai contar com a ajuda de "alguns professores da Universidade Católica Portuguesa", do Secretário da Comissão de Assuntos Sociais da Conferência Episcopal Francesa, o Pe. Jacques Turck, entre outras individualidades.
O mesmo comunicado aponta que as conclusões das Jornadas serão apresentadas à comunicação social na tarde de Quinta-feira, às 14 horas. O Pe. Manuel Morujão, porta-voz da CEP afirma ainda que "eventualmente serão abordados alguns pontos da breve Assembleia Plenária dos Bispos que terá lugar na manhã do dia 18".
Na conferência de imprensa estará presente D. Jorge Ortiga, Presidente da CEP, o Vice-presidente, D. António Marto, o Pe. Manuel Morujão, secretário da CEP e ainda D. Carlos Azevedo, Presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social.
Ler mais aqui

domingo, 14 de junho de 2009

Grupo Poético de Aveiro apresenta poesia na Ria de Aveiro

Poesia na ria em 13 de Junho de 2009
Vivem em nós inúmeros; Se penso ou sinto, ignoro Quem é que pensa ou sente. Sou somente o lugar Onde se sente ou pensa. Tenho mais almas que uma. Há mais eus do que eu mesmo. Existo todavia Indiferente a todos. Faço-os calar: eu falo. Os impulsos cruzados Do que sinto ou não sinto Disputam em quem sou. Ignoro-os. Nada ditam A quem me sei: eu 'screvo. Ricardo Reis Homenagem do GPA a Fernando Pessoa

CRISTIANO RONALDO vai ganhar, por hora, mesmo a dormir, 1255 euros: Ofensa grave à moral social

O que tem feito o Cristiano Ronaldo
na Selecção Nacional?
Nada que se veja.
Será que a Federação Portuguesa
não lhe paga o devido?
Não gosto de me meter em coisas do futebol porque há muito deixou de ser um desporto, onde se jogava por amor à camisola. Hoje o dinheiro é rei e senhor num mundo dentro do mundo em que vivemos. Inclusive com leis e tribunais à margem do que existe para o comum o cidadãos. No tal mundo os jogadores são vendidos e comprados como escravos dos tempos antigos. Com uma diferença: os tais escravos antigos não eram remunerados; os jogadores do futebol, agarrados à ideia de que a sua vida profissional é mais curta do que o habitual, ganham fortunas. Não serão todos, é certo, mas muitos, quando deixam o futebol, não precisam mais de trabalhar. Com isto, há clubes que vão à falência e outros que, por artes nem sempre claras, descobrem maneira de pagar somas fabulosas a alguns craques. É frequente ouvir-se dizer que o clube tal está falido, mas na hora das contratações o dinheiro aparece na mesma. Terminam o ano desportivo com dívidas aos milhões, mas a vida continua como se isto tudo fosse coisa normal. Cristiano Ronaldo, até há pouco jogador do Manchester United, foi transferido por 94 milhões de euros para o Real de Madrid. Em Espanha, como em Inglaterra e em Portugal, e mesmo por toda a parte, há milhões de desempregados e outros tantos a passar fome. E por mais que o povo proteste e reclame medidas para debelar a crise económica e social, os Estados vêem-se e desejam-se para encontrar soluções, que garantam pão para a boca de imensa gente. E não conseguem descobrir a varinha mágica que, por encanto, dê trabalho a quem dele precisa. Mas para um jogador de futebol, o dinheiro aparece. Pois o nosso compatriota Ronaldo, que marca tantos golos ao clube que lhe paga bem como muda de namorada a qualquer hora do dia e da noite (que exemplo para a juventude!), vai ganhar 211 mil euros por semana, ou seja, 1255 euros por hora. Ganha numa hora de sono mais do que a grande maioria dos trabalhadores portugueses durante um mês. E tudo isto perante a passividade da UEFA e da FIFA, organismos que superintendem nesta actividade escandalosa. Confesso, como homem comum, que nem sei como hei-de classificar esta pouca-vergonha: se desonestidade social ou outra coisa qualquer. E mais curioso é que há muita gente a rir-se, porque o seu ídolo (que não o meu) vale isso e muito mais. Até pessoas que não têm onde cair mortas de fome deliram com as aventuras futebolísticas e amorosas do craque. Bem vejo a satisfação desses adeptos. E mais: em países onde não se apoiam condignamente cientistas, artistas de vários matizes, instituições abertas a ajudar quem mais precisa, desempregados, esfomeados, sem-abrigo e empresas que caem na falência, por não haver dinheiro para ajudas, há milhões para uns tantos nos alienarem (eu não vou nisso) com o futebol. Que mundo este, meu Deus. Só mais uma ideia. O que tem feito o Cristiano Ronaldo na Selecção Nacional? Nada que se veja. Será que a Federação Portuguesa não lhe paga o devido? Fernando Martins

Legitimidade democrática

Cada eleição tem a sua finalidade muito concreta,
que deve ser rigorosamente respeitada.
Fugir disso é brincar com a política,
com a democracia e com a vontade do povo.
Todos nós sabemos que o PS foi eleito para governar o nosso País, desta feita com maioria parlamentar. Tem, por isso, legitimidade democrática para levar até ao fim o mandato que recebeu do povo, pese embora o grito de protesto que desde sempre surge, por parte de quem saiu derrotado nas eleições. O actual Governo não fugiu à regra. Outro que fosse passaria pelo mesmo calvário. Dizem que faz parte da democracia. Houve há dias eleições para o Parlamento Europeu, tendo saído vencedor o PSD, para nos representar, na UE, com maior número de deputados. Tanto bastou para que por todos os cantos se clame contra o primeiro-ministro e o seu Governo, alegando-se que está provado à saciedade que o executivo já não tem legitimidade para ocupar as cadeiras do poder. Diz-se, até, que Sócrates nada mais pode fazer do que administrar um Governo de gestão, limitando-se a dar seguimento a assuntos correntes e sem significado político. Tenho pena que muitos políticos percam, por doentia visão interesseira e partidária, a noção dos direitos decorrentes de eleições legítimas. Cada eleição tem a sua finalidade muito concreta, que deve ser rigorosamente respeitada. Fugir disso é brincar com a política, com a democracia e com a vontade do povo. Fernando Martins

Figueira da Foz: Varandas Floridas

Sinal inquestionável de bom gosto
:
Gosto muito de apreciar varandas floridas. Por norma, quem passa olha e volta a olhar. Na Figueira da Foz, como em muitas outras terras, há esse bom gosto. O ar florido é inquestionavelmente visto como sinal de amor à vida campestre. Dizem que flores em casa traduz o prazer e a necessidade de se ter a natureza por perto. Quem diz isto tem razão. Daí o facto de os urbanos ornamentarem as suas casas e varandas com plantas e flores. Cultive-se, então, esse amor à mãe-natureza.

TECENDO A VIDA UMAS COISITAS – 135

BACALHAU EM DATAS - 25
NAVIOS REQUISITADOS
NA I GRANDE GUERRA 1914-1918
Caríssimo/a:
Já aqui falámos do arrastão ELITE, da Parceria Geral de Pescarias, que tinha sido adquirido para a pesca do bacalhau na Terra Nova em 1909. Apesar de participar nas campanhas de 1909 e 1910, não provou bem por razões várias: máquina grande mas pouco potente para puxar as redes; elevado consumo de carvão; a técnica da pesca com a rede estava na mão do mestre de redes; um francês contratado não colaborava com o capitão do arrastão; o pessoal não estava preparado para este tipo de pesca. O navio foi retirado da pesca do bacalhau. Entretanto deflagrou a I Grande Guerra...
Todos sabemos que «é prática corrente a maioria das Marinhas, mesmo as mais dotadas de meios, em períodos de crise e em casos de hostilidades declaradas, socorrerem-se de navios de comércio, de pesca e até de recreio, para aumentarem os seus efectivos navais pois em tempo de guerra os navios militares nunca são demais».
Como a Alemanha declarou guerra a Portugal, em 9 de Março de 1916, algumas dezenas de navios (26 de comércio, 13 de pesca e 2 de recreio) foram requisitados, artilhados e incorporados na nossa Armada. O arrastão “ELITE”, (o primeiro arrastão Português destinado à pesca do bacalhau) foi requisitado em 13 de Junho de 1916, passando a ser o N.R.P. “AUGUSTO DE CASTILHO” que teve vários encontros com submarinos alemães: Em 23 de Março de 1918, navegando do Funchal para Lisboa, comandado pelo Primeiro Tenente Augusto de Almeida Teixeira, comboiando o paquete “LOANDA”, abriu fogo a cerca de 500 metros sobre um submarino inimigo que mergulhou prontamente. Em 21 de Agosto de 1918, navegando ao largo do Cabo Raso, comandado pelo Primeiro Tenente Fernando de Oliveira Pinto, atacou com tiros de artilharia um submarino alemão de grandes dimensões que desapareceu rapidamente. No dia 14 de Outubro de 1918, navegando do porto do Funchal para o de Ponta Delgada, comandado pelo Primeiro Tenente José Botelho de Carvalho Araújo, escoltando o paquete “SAN MIGUEL”, da Empresa Insulana de Navegação, o qual, por sua vez, era comandado pelo Capitão da Marinha Mercante Caetano Moniz de Vasconcelos e transportava 206 passageiros e muitas toneladas de carga diversa. Às primeiras horas da manhã foram os dois navios Portugueses avistados pelo submarino alemão U-139 que tentou atingir o paquete o que só não conseguiu porque o “AUGUSTO DE CASTILHO” se interpôs entre o atacante e o atacado. No combate desigual, que se seguiu e que incrivelmente se prolongou por mais de duas horas, perdeu a vida o heróico Comandante Carvalho Araújo e mais seis elementos da sua guarnição de 42 homens. Ora, a nossa geração muito falou da heroicidade do Comandante Carvalho Araújo e alguns ainda se lembrarão duma poesia de Adolfo de Simões Müller (na página 272 da antologia «Portugal Gigante»): Comboiava o «S. Miguel» A caminho dos Açores Um barquinho português Que fora de pescadores. Quando os nossos iam quase Seguros do seu destino, Surgiu de repente ao longe Um enorme submarino. ... Travou-se um longo combate, Como outro nunca se deu: Era assim como um gigante A lutar contra um pigmeu! Dentro em pouco o nosso barco Era um monte de madeira, Tendo dentro um coração E no topo uma bandeira. ... Carvalho Araújo expira, Dizendo com altivez: - «Morro..» (e mal se ouviu o resto) «... Como morre um Português!» O seu corpo lá ficou Tendo as ondas por coval, Aquelas ondas que foram O berço de Portugal... ... Além do patrulha de alto mar “AUGUSTO DE CASTILHO” perdeu-se nesse período também o caça-minas “ROBERTO IVENS”, anteriormente arrastão da pesca do alto. Manuel

VISITA À LOJA DE DEUS

Na loja de Deus só temos sementes e não árvores
Fui à feira do mundo. Atraído por um slogan, entrei na zona das lojas. Encontrei de tudo, até uma que, em reclame publicitário, reluzia ao longe: “Loja de Deus”. Cheio de curiosidade, entrei com cuidado e pus-me a observar. Aproxima-se de mim o empregado que, solícito, me pergunta: “que deseja, senhor?” Eu, que ainda não tinha desejos claros, senti-me cúmplice e disse, a conta-gotas, com humilde simplicidade: “Eu preciso de algo que suavize as minhas necessidades: paciência, sobriedade, atenção aos outros, delicadeza, humor, olhos limpos de preconceitos, coração sem pressas de julgar”. «Quero felicitá-lo porque acertou em cheio. Aqui temos o que procura e ainda mais» – respondeu, sem demora, despertando em mim uma enorme curiosidade e alegria. Ia a retirar-se quando lhe disse a quantidade dos produtos que pretendia. Anotou, sorridente, e foi-se. A minha expectativa era enorme... Os momentos de espera foram longos e sofridos. Era desta vez que alcançaria o que há muito procurava. Finalmente, vejo por trás da estante a silhueta do funcionário que regressa. Entro em agitação exultante. Aproxima-se de mim com uns saquinhos que continham pequenas quantidades, bem doseadas e arrumadas. “Mas”… ia eu a perguntar, quando ele me disse com voz clara e ar sorridente: «Na loja de Deus, só temos sementes e não árvores. Ofereço-lhas, de boa vontade, pois aqui tudo é gratuito. O resto é consigo e com a sua família ou colegas de trabalho, com a sociedade e a comunidade cristã a que pertence. A árvore e os frutos que produz são o símbolo da nossa vida. Hão-de brotar, crescer, amadurecer e serem saboreados com esforço persistente e ambiente favorável. Embora a seiva que lhe imprime tal ritmo e vitalidade ultrapasse a nossa compreensão. Pertence a Deus!» Agradeci ao Anjo do Senhor o seu sábio conselho e, desde então, vou tentando ser um ramo novo da Árvore da Vida que um dia foi semente em germinação. Georgino Rocha

sábado, 13 de junho de 2009

Martini: o outro Papa?

Cardeal Martini

Lembro-me de há anos um professor de Teologia, em Tubinga - encontrava-me lá na altura -, aquando da proibição pelo Vaticano de homilias feitas na Missa por leigos e leigas, ter feito apelo à greve às Missas no Domingo seguinte. Aquando da expulsão do bispo de Nampula, em 1974, os padres, porque a Diocese estava de luto, fizeram greve às celebrações litúrgicas da Semana Santa. Agora, foram padres da República Centro-Africana que anunciaram - depois, fizeram marcha atrás - que, como sinal de respeito e carinho para com o arcebispo de Bangui, P. Pomodino, destituído pelo Vaticano, bem como Fr.-X. Yombandje, Presidente da Conferência Episcopal, por terem mulher e filhos, não celebrariam sacramento algum.

Entretanto, a Cúria Romana apressa-se a estabelecer penas mais severas para os padres que violem a promessa de castidade ou a doutrina oficial.

Independentemente da questão da greve religiosa, é-se hoje convocado para alguns problemas complexos da Igreja institucional, que exigem debate livre, plural e responsável. Entre eles, a questão da democracia interna, da igualdade das mulheres, da sexualidade e, neste domínio, concretamente, da lei do celibato obrigatório para os padres.

Neste contexto, evoco o Cardeal Carlo Martini, biblista eminente, antigo arcebispo de Milão, apontado por muitos como "papabile", no seu último livro. O padre Luigi Verzé encontrou-se com ele de Fevereiro a Abril deste ano, e, das suas conversas, nasceu o livro Siamo tutti nella stessa barca (Estamos todos no mesmo barco), que acaba de ser publicado.

Martini começa por confessar o sofrimento que lhe causa "o facto de ver que a cultura do mundo avança com um passo mais veloz do que o da Igreja oficial". Exemplificando com a biologia, depois de afirmar que o embrião não pode ser considerado "de modo puramente instrumental", também diz que compreende que "se ponha hoje o problema de tantos embriões destinados um dia a morrer congelados e que poderiam ser utilizados para a investigação".

Precisamente quanto ao celibato, reconhecendo que é "uma questão delicadíssima", afirma que é preciso caminhar no sentido da opção livre: "Creio que o celibato é um grande valor, que permanecerá sempre na Igreja: é um sinal evangélico. Mas isto não significa que seja necessário impô-lo a todos. Aliás, nas Igrejas orientais católicas já não é exigido a todos os sacerdotes". Alguns bispos propõem ordenar homens casados com experiência e maturidade. Martini chama a atenção para o perigo do clericalismo, acrescentando: "Estou certo de que haverá sempre muitos que optarão pela via celibatária. Porque os jovens são idealistas e generosos. Mas há no mundo algumas situações particularmente difíceis, especialmente nalguns continentes. Penso que compete aos bispos desses países apresentar estas situações e encontrar soluções".

O cardeal confessa, em comunhão com Verzé, que há múltiplos problemas que mostram uma Igreja "demasiado afastada da realidade". Outro exemplo disso é a sua atitude para com os católicos divorciados e recasados, que se encontram entre "as muitíssimas pessoas que na Igreja sofrem porque se sentem marginalizadas". Evidentemente, é preciso distinguir, pois "não devemos favorecer a leviandade nem a superficialidade, mas promover a fidelidade e a perseverança. No entanto, há alguns que se encontram hoje numa situação irreversível e sem culpa. Talvez tenham contraído novos deveres para com os filhos do segundo casamento, não havendo nenhum motivo para voltar atrás; pelo contrário, esse comportamento não seria adequado. Assumo que a Igreja deve encontrar soluções para estas pessoas".

A eleição dos bispos merece igualmente atenção. É uma questão muito complexa, mas o actual modo de elegê-los "deve ser melhorado". O problema existe e "deve poder fazer-se uma discussão pública sobre o tema".

Martini não é o outro Papa, no quadro de uma cisão na Igreja. Ele exprime a sã multiplicidade de opiniões na Igreja. Como ele próprio diz, "é necessário que a Igreja toda se ponha a reflectir e, guiada pelo Papa, encontre vias de saída".

Anselmo Borges

sexta-feira, 12 de junho de 2009

NOVA LETRA PARA O HINO NACIONAL?

“Tem de haver uma mudança radical no nosso olhar para nós mesmos. Portugal vive praticamente a duas cores. Cor-de-rosa e cinzento. Pouco adequado a um país com muito sol e um enorme mar azul à frente. Há cada vez mais gente a cantar em inglês (especialmente na zona centro, vá-se lá saber porquê), o que denota um afastamento gradual da língua mãe, e portanto da nossa razão de ser povo. Porque não voltar a ter uma bandeira bonita? Já a tivemos, era azul e branca. E, já agora, tirar aquela ridícula letra do hino e deixar a música viver em pleno, que o hino é muito bonito.” Rui Veloso Citado pelo jornal i
IDEIAS PARA PENSAR
:
Ora aqui está uma ideia para pensar. Eu sei que as nossas prioridades estão centradas na política e no mais feroz e avassalador objectivo, que é a economia. Sem ela, não creio que haja vida digna. A velha teoria do amor e duma cabana já lá vai há muito. Mesmo assim, acho que há ideias interessantes, como esta lançada por Rui Veloso. Diz ele que o nosso mar e o nosso céu, com sol que baste para tornar o nosso País bastante luminoso, poderiam inspirar uma bandeira diferente, com cores mais consentâneas com a nossa realidade. O verde e vermelho, duas cores que casam tão mal, apenas terão surgido por oposição agressiva às tradicionais cores da bandeira nacional, em que o azul e o branco pontificavam. E assim ficou, até hoje, explicando-se o facto com argumentos que de outra forma também se arranjariam a contento de todos. Depois abordou a questão da letra que considerou ridícula. Aliás, não é primeira vez que alguém a contesta. Que eu saiba, o primeiro a fazê-lo foi Alçada Baptista, em Chaves, no discurso (depois publicado num dos seus livros) do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Na altura, não faltaram protestos contra o autor da ideia. Mas ele, com a sua bonomia, ria-se e dizia, com graça, que há muita gente que canta o Hino Nacional, sem sequer pensar no que está a dizer. Pois é. Então, por que razão não se há-de pensar no assunto? Alçada Batista tinha destas coisas. Um dia também contestou a oração que nós, católicos, muito rezamos e que é a Salve, Rainha. Afirma ele que não faz sentido usar palavras e expressões como “os degredados filhos de Eva”, “vale de lágrimas” e “desterro”. Expressões e palavras que denunciam pessimismo e uma visão negativa da vida. Seja como for, acho que o Hino Nacional merece outra letra, já que a música, como diz Rui Veloso, é muito bonita. Quanto à Salve, Rainha, não acredito que alguém lhe mexa. Mas como há tantas outras orações expressivas e optimistas, o melhor é optar por elas.
Que dizem os meus leitores e amigos? Fernando Martins

Crise dos padres, uma oportunidade?

O papel do padre, em vez de se esboroar, tem-se afirmado com um relevo inédito. Pode mesmo dizer-se que o padre se torna cada vez mais importante.
Por bizarro que possa parecer, tornou-se muito raro ouvir falar da identidade ou da função do Padre na Igreja Católica sem associar imediatamente a palavra crise. Se este termo só muito recentemente entrou na gramática do quotidiano para designar a economia e a sociedade, há muito que ele acompanha a definição da figura e da missão do presbítero. Primeiro, porque as estatísticas desenham uma diminuição das vocações sacerdotais e religiosas que não pode não ter consequências. Segundo, porque o modo como o padre era olhado do exterior também se alterou (o padre detinha um poder simbólico e exercia um magistério social inquestionáveis). E, por fim, e para resumir, a maneira como o Padre olha para si mesmo reflecte também novas interrogações, expectativas e possíveis caminhos. A grande questão é como transformar esta crise, que não é de ontem nem de hoje, numa oportunidade para a perspectivação e vivência deste ministério fundamental. Há, num contexto de nem sempre fácil leitura, algumas linhas que vão sublinhando a esperança. Uma delas é a percepção paradoxal de que o papel do padre em vez de se esboroar se tem afirmado com um relevo inédito. Pode mesmo dizer-se que o padre se torna cada vez mais importante na vida dos cristãos e das comunidades. À medida que a visibilidade sociológica do padre parece diminuir, cresce a procura para o diálogo e o confronto da vida, as solicitações para acompanhar pequenos grupos e equipas, para estar presente nos momentos mais variados e em contextos mais íntimos. Lendo alguns sinais deste tipo, vemos emergir três eixos que constituem outros tantos desafios para o Padre de hoje: 1. O Padre é chamado a ser cada vez mais um homem da Palavra. Espera-se dele que tenha mergulhado a sua vida e a sua inteligência na Palavra de Deus e possa ser um anunciador, com capacidade de traduzi-la numa linguagem pertinente e actual, agindo com sentido profético e verdadeira sabedoria evangélica. 2. O Padre é chamado a exercer a paternidade espiritual de modo mais intenso, pela disponibilidade para acolher e acompanhar, sublinhando nos momentos diversos o essencial da esperança. 3. O Padre é chamado, até por fidelidade à tradição da Igreja, a sondar e a valorizar as novas fronteiras onde o Espírito se revela. José Tolentino Mendonça

Não percamos a Tradição

1. Aproximam-se tempos de festas populares. Uma oportunidade de, bem mais cuidadosamente, apreciarmos aquilo que são os dinamismos das comunidades que vão fazendo perdurar no tempo um conjunto de valores de pertença. Sendo certo que existirão tradições a aperfeiçoar, senão mesmo a purificar neste ou naquele aspecto, valorizemos essa vontade de expressão comunitária e deixemo-nos sensibilizar para o sentido de que a tradição também se constrói. Diz-se que em tempo de crise também o mesmo fim poderá acontecer às tradições. Nem por isso as coisas terão de ser assim, pois que o segredo das tradições sempre esteve e estará em serem simples e populares. Até porque no sentido espiritual mais profundo, a tradição religiosa procurou sempre aproximar as comunidades simples de ideais divinos, por vezes bem complexos para a mente humana.
2. Assim se compreende que as devoções aos santos – veja-se o caso exemplar universalista de Santo António –, sendo verdade teologicamente que quem salva não é o Santo mas Deus, consegue tirar de casa gente que de outro modo não sairia. É certo que em muitas faces os caminhos das tradições poderão ter contra-sensos, mas na grande maioria da sua expressão a tradição repleta de tradições consegue o milagre de unir, reunir, gerar elos de ligação das raízes das gentes ao sentido de projecto com futuro pessoal e social. Um valor inestimável que em palavras mais “caras” se poderá designar de antropológico, cultural, espiritual, educativo, filosófico e mesmo ético, habita o seio das tradições, valores a compreender para mais e melhor preservar.
3. Importa, por isso, não esperar que elas acabem para depois procurar as suas raízes. Importará investir não tanto em criticá-las como mais em reorientá-las no sentido mais pleno da reconstrução contínua da tradição. As tradições, na sua maior expressão não são museu que o tempo levou, mas transportam consigo a alma das gentes, um sentido de vidas com projecto comunitário. Tão preciso!
Alexandre Cruz

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Um poema de Donzília Almeida: Gratidão

Ao Domingos Cardoso
:
GRATIDÃO
Tantas horas de profundo labor Assim, de mão beijada, oferecidas, São pérolas de amizade imerecidas E alvo de um rasgado louvor! Com avanços e recuos e amor Pela arte de narrar coisas sentidas, Tiveram duração de horas compridas, Nesta dura tarefa de revisor! Não sei se vou conseguir reconhecer Tanta dádiva que vem do coração, Mas quero aqui deixar transparecer, Que a mais nobre e pura gratidão, Em explosão, brota do meu ser, Apenas e tão-só para o enaltecer! M.ª Donzília Almeida 08.06.09

Humoristas sem graça

Quem pode esquecer o Raul Solnado?
Humorismo em crise deixa país mais entristecido
Nos tempos de crise fazem falta bons humoristas que proporcionem a toda a gente, pela sua criatividade, momentos de alegria e de esperança, de bem-estar e de confiança. O que se vê é que há mais gente irritada e azeda a agredir e a encobrir o sol por tudo e por nada, que artistas do humor, sábios e serenos, a desmontar agressividades e a conciliar diferenças, com um dito apropriado ou uma rábula, rica de saber e de graça. O humorista, julgo eu, é uma pessoa inteligente e criativa, um artista. Caso contrário, refugia-se na graçola, banal e pestilenta, acabando a rir sozinho com os bacocos, sem convicção, nem consolo. Onde não há inteligência não há criatividade. Sem inteligência e estro artístico, o humor nasce tão doente, que logo morre à nascença. Criar humor é mais que contar anedotas ou entreter com cantigas picantes. Há páginas de antologia em alguns dos nossos humoristas. Quem pode esquecer o sentido acutilante, irónico e pedagógico da “guerra do Solnado”? Há no humorismo verdadeiras peças de arte que não envelhecem, nem se desfiguram. Ouvem-se hoje, como há dezenas de anos atrás. O mesmo gosto e prazer. A mensagem, que nunca é uma simples piada ou uma graçola insonsa, continua viva e actual. Coisa rara, hoje, na produção dos chamados humoristas. Nem inteligência, nem criatividade, nem graça, nem saber, nem verve. O pretenso humoris-mo de hoje, como a pobreza do tempo, tornou-se descartável como a moda: ver, ouvir, rir, deitar fora. Os canais de televisão e as estações de rádio conservam os seus humoristas, como a corte manteve o seu bobo. Alguns bem tristes, mesmo quando pretendem fazer graça. A gente da programação ou já não sabe o que é o verdadeiro humor, ou quer vender gato por lebre, ou, então, pensa que para um país desiludido e alienado, qualquer coisa serve para divertir e provocar gargalhadas. As anedotas são brejeiras, os trocadilhos sem gosto, os ditos não dizem nada. E, quando se trata de intelectuais recentes a querer fazer humor em grupo, a desgraça parece ainda maior. Com um ar superior, brincam com tudo e com todos, não respeitam nada nem ninguém, nivelam tudo com a mesma rasa. O objectivo será o prazer do grupo, inebriado com seus dizeres vazios, seu saber pretensioso e suas gargalhadas histéricas. Ouve-se, vê-se e tira-se logo a prova de “como vai mal o humor em Portugal”. O povo ri se as piadas cheiram a sexo, religião ou política. Mas humor não é isto, porque, mesmo quando faz rir, também faz pensar. Sempre que se deixa de pensar, as referências válidas para ajuizar e avaliar o que se ouve, se lê, se pensa e se vive, desaparecem. Assim, o humor é impossível. Impossível fechar a boca aos insensatos e abrir o coração aos incautos, se a cabeça está oca e vazia. O bom humor é tempero da vida diária. Mal vai a um povo quando o humor se serve estragado ou dele não se sente falta. Os latinos diziam que “rindo se castigam os costumes”. Um dito sábio a mostrar que se pode fazer mais com uma palavra breve de verdadeiro humor, que com um discurso longo de pretenso saber. Porém, os costumes vão hoje de tal ordem, que castigá-los se tornou tarefa difícil, senão impossível. Muitos políticos agridem-se e picam-se, por tudo e por nada; há governantes a prometer o impossível e não suportar críticas: muitos intelectuais viram narcisistas e olham a plebe por cima do ombro; até os jovens, agora mais suficientes e surdos, fazem caminho por conta própria; restam os excluídos sociais que carregam a sua dor, cada dia mais desiludidos. O ambiente está mais carregado. Ninguém espere que o sol da esperança e da alegria alimente tristezas e desilusões. Com o futebol no defeso as coisas vão piorar. Deixemos que os humoristas, poetas e outros artistas, dêem beleza à paisagem humana e digam a toda a gente que o tempo não é de parar, nem de chorar, porque cada dia o sol nasce. António Marcelino

Um poema de Domingos Cardoso: Foi o vento

Foi o vento Foi o vento cortante como gume, Que me fez companhia nessa espera Em que só a saudade mais austera Me falava de ti, como um queixume. Foi o vento que trouxe o teu perfume Nessa clara manhã de Primavera, E, então, eu senti, que antes de quimera, Eras rosa vermelha em fogo e lume. E os dias se passaram a correr Num tempo de alegrias e prazer Como só haveria em pensamento. E essa ardente harmonia em nossa vida Foi repartida ao mundo, a toda a brida, Por esse arruaceiro que é o vento! Domingos Freire Cardoso

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas

Do discurso do Presidente da República nas comemorações do 10 de Junho
SOMOS CAPAZES DE VENCER Hoje é o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, o dia em que evocamos os nossos maiores e prestamos homenagem àqueles que continuam a sua obra e se distinguem por feitos notáveis em prol da nação. Neste dia tão cheio de significado para os Portugueses, estamos aqui, em Santarém, para celebrar a nossa identidade como povo e os laços que desde há séculos nos unem, seja onde for que tenhamos rumado, em busca de um futuro melhor. Estamos aqui, além disso, para honrar a obrigação que temos para com aqueles que nos antecederam e legaram um País soberano, manifestando a nossa vontade de deixar esse mesmo legado, se possível engrandecido, àqueles que nos irão suceder. Gostaria, neste momento, de evocar a memória de João Bénard da Costa, que, nos últimos dez anos, desempenhou de forma notável as funções de Presidente da Comissão Organizadora destas Comemorações. As comemorações do 10 de Junho representam, antes de mais, uma manifestação de fé e confiança nas capacidades do povo português, tantas vezes demonstradas ao longo dos tempos. Capacidade para resistir em momentos adversos e defender a integridade do território e a independência nacional, como a que demonstrou, por exemplo, Nuno Álvares Pereira, que a Igreja Católica ainda recentemente canonizou. Capacidade para planificar com rigor e executar com determinação as ideias mais arrojadas, como a que demonstrou o Almirante Gago Coutinho, nascido há precisamente 140 anos, que realizou com Sacadura Cabral essa proeza extraordinária que foi a primeira travessia aérea do Atlântico Sul. Capacidade, ainda, para ir à aventura, arriscar e descobrir novas terras e novos mundos onde vencer, como a que podemos ver ainda hoje em tantos dos nossos emigrantes. O exemplo destes e de tantos outros homens e mulheres, nossos compatriotas, sejam eles famosos ou simples anónimos, é um justificado motivo de orgulho. Mas deve igualmente constituir um estímulo, uma prova de que somos capazes de vencer, mesmo perante os maiores desafios ou as piores adversidades.
Leia todo o discurso aqui

Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas

Do discurso de António Barreto nas Comemorações do 10 de Junho Os portugueses
precisam de exemplos
As comemorações nacionais têm a frequente tentação de sublinhar ou inventar o excepcional. O carácter único de um povo. A sua glória. Mas todos sentimos, hoje, os limites dessa receita nacionalista. Na verdade, comemorar Portugal e festejar os Portugueses pode ser acto de lucidez e consciência. No nosso passado, personificado em Camões, o que mais impressiona é a desproporção entre o povo e os feitos, entre a dimensão e a obra. Assim como esta extraordinária capacidade de resistir, base da "persistência da nacionalidade", como disse Orlando Ribeiro. Mas que isso não apague ou esbata o resto. Festejar Camões não é partilhar o sentido épico que ele soube dar à sua obra maior, mas é perceber o homem, a sua liberdade e a sua criatividade. Como também é perceber o que fizemos de bem e o que fizemos de mal. Descobrimos mundos, mas fizemos a guerra, por vezes injusta. Civilizámos, mas também colonizámos sem humanidade. Soubemos encontrar a liberdade, mas perdemos anos com guerras e ditaduras. Fizemos a democracia, mas não somos capazes de organizar a justiça. Alargámos a educação, mas ainda não soubemos dar uma boa instrução. Fizemos bem e mal. Soubemos abandonar a mitologia absurda do país excepcional, único, a fim de nos transformarmos num país como os outros. Mas que é o nosso. Por isso, temos de nos ocupar dele. Para que não sejam outros a fazê-lo. Não usemos os nossos heróis para nos desculpar. Usemo-los como exemplos. Porque o exemplo tem efeitos mais duráveis do que qualquer ensino voluntarista. Pela justiça e pela tolerância, os portugueses precisam mais de exemplo do que de lições morais. Pela honestidade e contra a corrupção, os portugueses necessitam de exemplo, bem mais do que de sermões.
Pela eficácia, pela pontualidade, pelo atendimento público e pela civilidade dos costumes, os portugueses serão mais sensíveis ao exemplo do que à ameaça ou ao desprezo. Pela liberdade e pelo respeito devido aos outros, os portugueses aprenderão mais com o exemplo do que com declarações solenes. Contra a decadência moral e cívica, os portugueses terão mais a ganhar com o exemplo do que com discursos pomposos. Pela recompensa ao mérito e a punição do favoritismo, os portugueses seguirão o exemplo com mais elevado sentido de justiça. Leia todo o discurso aqui

Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas

Fortaleza de Diu
:
É urgente repensar Portugal
“Refundar a Nação dando-lhe um sonho.
Nós fundámos a Nação com o sonho
de autonomia relativamente a Castela,
refundámos com a ideia dos Descobrimentos
e está na altura de um novo sonho
que nos projecte para melhores dias.” António Martins, Presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses
UM POVO LIMITADO E SEM SONHOS? PORQUÊ?
:
Esta citação, transcrita hoje do jornal i, vem mesmo no dia certo, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Vem no dia certo porque é "o sonho que comanda a vida", no dizer poético e profético de António Gedeão. Sem sonhos que nos acordem e que nos projectem, muito para além da pequenez linha de horizontes fechados, jamais seremos dignos dos que "deram novos mundos ao mundo", como ensinou Camões.
Confesso que às vezes fico inquieto sem saber o que pensar sobre as razões que nos levaram a pôr de lado o ânimo dos nossos antepassados que construíram Portugal, à custa de sonhos, é certo, mas também de muita determinação e de muita coragem.
A RTP tem estado a mostrar imagens do nosso glorioso passado, espalhadas um pouco por toda a parte. E quando ouço que uns tantos portugueses souberam, porque quiseram, semear nas mais recônditas paragens do globo as marcas da nossa identidade, de que tanto nos orgulhamos, não posso deixar de pensar no povo que somos hoje. Um povo limitado e sem sonhos? Porquê?
FM

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