domingo, 8 de fevereiro de 2009

TECENDO A VIDA UMAS COISITAS – 117

BACALHAU EM DATAS - 7

Naufrágio do Primeiro Navegante, na Praia da Barra

MANDOU O SENHOR REI D. MANUEL...

Caríssimo/a:
1506 - «Acrescenta o referido autor [Sebastião Francisco Mendo Trigoso, 1813] que, logo “ em 14 de Outubro de 1506, isto é, seis anos depois do segundo descobrimento [dos irmãos Corte-Reais], mandou o Senhor Rei D. Manuel I, por um decreto datado de Leiria, a Diogo Brandão, que fizesse arrecadação pelos oficiais d'el-rei o importante dízimo do pescado, que por ali se conduzia da Terra Nova”.» [Oc45, 77] «A dízima mandada cobrar por D. Manuel I, em 1506, sobre as pescarias na Terra Nova teria servido a pagar as despesas das viagens dos Corte Reaes, o que significa que o volume de pesca proveniente dessas zonas era já bastante importante. Assim sendo, é de admitir que se tratava de uma pesca com pelo menos alguma tradição.» [HPB, 18] «Se bem que o porto de Aveiro não estivesse especificado neste Alvará, diz Marques Gomes [s/d, p. 125] que só neste porto, o imposto rendia então a soma de 4.000 réis. Tal facto não é de admirar já que Aveiro sempre foi, pelo menos desde esta época, um dos principais portos bacalhoeiros do país. Em 1504 havia mesmo na Terra Nova colónias de pescadores de Aveiro assim como de Viana do Minho.» [HPB, 20 e 120 e Oc45, 77 e 120] «Foram os portugueses os únicos a dispor desde 1506 de uma colónia fixa na Terra Nova e nas costas do Canadá, composta de gente de Viana, de Aveiro e da Terceira. Segundo Luciano Cordeiro, no princípio do século [XVI] só de Aveiro saíam anualmente 60 navios com destino à Terra Nova, chegando a um número que rondava 150 navios em 1550.» [Oc45, 28] «No reinado de D. Manuel I foi Aveiro o porto português que mais navios enviou à Terra Nova. Segundo a Corografia Portuguesa havia então 60 naus destinadas à pesca na Terra Nova e em 1550 este número seria de 150.» [HPB, 21] «No tempo de D. Manuel I foi Aveiro o porto português que mais naus enviou à pesca do bacalhau, possuindo os pescadores de Aveiro 150 embarcações próprias para esta pesca.» [FM, 7] «À luz dos documentos históricos, os Portugueses terão sido os primeiros europeus a praticarem ali a pesca, sempre num crescendo que foi abruptamente interrompido com a perda da nossa independência, após o desastre de Alcácer-Quibir.» [HDGTM, 27]
De facto, aproveitando “a luz dos documentos históricos”, muito nos falta ainda aprender e saborear com esta surpreendente pesca do bacalhau. Sentemo-nos, pois, e petisquemos que o imposto já então era cobrado... Manuel

sábado, 7 de fevereiro de 2009

GAFANHAS: COISAS DE ANTIGAMENTE

Leia aqui mais coisas de antigamente. Nesta foto, a igreja matriz da Gafanha da Nazaré, em tempos de pouco casario.

PRAIA DA BARRA: Pedem-se medidas urgentes contra o avanço do mar

Mar ataca praia da Barra
O nosso mar, que nunca nos cansamos de cantar, de tal modo ocupa um lugar especial na nossa alma, ainda não se fartou de nos estragar a festa. De vez em quando faz das suas. Agora, revela o Diário de Aveiro de hoje, fez desaparecer “uma parte relevante da praia da Barra”. Segundo aquele diário, “a erosão que se verifica poderá ter a ver com a criação de novas correntes, devido ao assoreamento da entrada da Barra”. Pedem-se, por isso, “medidas urgentes contra o avanço do mar".

NOTÍCIA PARA ANIMAR EM TEMPOS DE CRISE

A notícia de que a GALP vai fazer perfurações entre a costa alentejana e Espinho, com o intuito de descobrir se há petróleo às nossas portas, vem mesmo na hora certa. Com tanto desemprego e dificuldades económicas, com o Estado a ter que acudir a situações dramáticas, de pessoas e empresas, um bom poço de petróleo era oiro sobre o azul do nosso mar. Venha ele, para o povo português respirar um pouco mais aliviado.

NÃO VAMOS TER CARNAVAL EM AVEIRO

Disseram-me que este ano, à semelhança do que aconteceu no ano passado, não vai haver Carnaval em Aveiro, organizado, desde a primeira hora, pela paróquia da Glória. Embora compreenda a importância pastoral da iniciativa, no sentido de aproximar as pessoas e de lhes proporcionar uma alegria sã, temos de convir que não estamos em tempo de festas. A crise, com desempregos e fomes, mais angústias e muitas mágoas, não pode gastar em folias. Mas pode ser que um dia o Carnaval da Glória volte, para gáudio de quem gosta.
Obama num bar
Um dia destes vi na TV que o presidente Obama saiu da Casa Branca e foi comer qualquer coisa a um restaurante. Achei bem. Penso que os governantes podem, sem demagogia, sair de casa para estar com o povo, com toda a normalidade. Devem frequentar os restaurantes, como os bares e até os supermercados. Só assim, julgo eu, eles poderão sentir a vida real, compreender as dificuldades do povo, registar o preço do custo de vida. Numa redoma, ficarão apenas com uma noção virtual da vida.

MARX CONTRA MARX

Muro de Berlim
Foi no contexto da queda do muro de Berlim, em 1989, que F. Fukuyama publicou, em 1992, a obra famosa O Fim da História, segundo a qual, depois do fim da União Soviética e a libertação dos países satélites, por causa da falência do comunismo, a democracia liberal e a economia de mercado se imporiam por si ao mundo inteiro. Mas, em 2008, outro politólogo americano, R. Kagan, escreveu também um livro, mas com o título: O Regresso da História e o Fim dos Sonhos. Fukuyama enganou-se. O fim da História não se impôs com a democracia e a economia de mercado. O terrorismo global é ameaça constante. "No domínio da economia, não vivemos propriamente a difusão do bem-estar geral; pelo contrário, o abismo entre ricos e pobres no mundo é mais fundo do que nunca", escreve Reinhard Marx, arcebispo de Munique e autor do best- seller com o mesmo título do do seu homónimo: Das Kapital (O Capital). Mil milhões de pessoas dispõem de apenas um dólar por dia. Mais de 850 milhões passam fome. Morrem por dia umas 24 mil em consequência da subnutrição. Há quem pense que Karl Marx tinha razão. Reinhard Marx, porém, reconhece que o capitalismo está hoje sob pressão de justificação, mas recusa o marxismo. De facto, a História mostrou-nos como foi terrífica a Revolução de Outubro de 1917, ao mergulhar muitos milhões de pessoas na noite mais escura. "Isso nunca mais se pode repetir." Então, quando se considera a presente crise, de consequências imprevisíveis, se se quiser evitar a tentação marxista e as barricadas da revolução, não se pode continuar a caminhar no sentido da absolutização do capital e dos seus interesses. "Eu defendo a propriedade e os direitos dos proprietários", mas o capital não pode ser o bezerro de ouro à volta do qual todos dançam. "O trabalho e os trabalhadores têm primazia sobre o capital." A dignidade da pessoa humana tem de ocupar o lugar central. A economia não é fim em si mesma, pois tem de estar ao serviço das pessoas. O que a crise financeira internacional de 2008 nos veio mostrar de modo absolutamente claro é que nos precipitamos para o abismo, quando "se excluem do mercado a moral e a ética e se pensa que se pode renunciar a uma ordem política do Estado que mantenha os movimentos do mercado dentro de regras ao serviço do bem comum". O Estado social não pode ser algo apenas remanescente, após bons negócios. "O Estado social é uma condição necessária, não só moral, mas também política e económica, para a manutenção da economia de mercado." É preciso distinguir entre capitalismo e economia de mercado. Se os interesses do capital continuarem a ser a única orientação para a economia, então pessoas esmagadas por essa trituradora serão tentadas a refugiar-se nas utopias marxistas. Para evitar a tentação, é necessário lutar por uma economia de mercado que dê espaço a "uma solidariedade institucionalizada num Estado social que funcione, e que funcione na perspectiva do 'bem-estar mundial'". O célebre Prémio Nobel de Economia J. Stiglitz descreveu a ambivalência da globalização em duas obras: As Sombras da Globalização, em 2002, a que se seguiu, em 2006, As Chances da Globalização. Seja como for, a globalização é um facto e, por isso, o bispo Marx, ao falar na necessidade de novas regras para o capitalismo, refere a exigência moral de uma solidariedade global, que é "também um mandamento da inteligência política". Precisamos de uma economia global, social e ecológica, de mercado. Na sua obra, o bispo concretiza exigências. Dado o vínculo entre a pobreza material e a pobreza de formação, impõe-se o acento na educação e na formação: "A tentação de combater a pobreza apenas com dinheiro não teve sucesso." "A democracia precisa de virtudes", e isso significa, por exemplo, limite para os rendimentos dos executivos e que os políticos têm de decidir em função do bem comum e não dos interesses de determinadas empresas a eles ligados. É necessária uma nova ordem política mundial, tendo-se imposto o conceito Global Governance, para criar um novo sistema de instituições e regras no contexto dos desafios globais. Anselmo Borges Nota: Sobre o mais recente livro de Anselmo Borges, “Janela do (In)Finito”, leia aqui.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

I Congresso Internacional Online Feira Universal

«Educação e tolerância no processo de globalização»
A associação científica internacional «Feira Universal» vem dar continuidade ao projecto «Vieira2008», dinamizado pela UA, e marcar a perenidade do pensamento e da acção em prol dos direitos humanos universais. «Educação e tolerância no processo de globalização» abre o I Congresso Internacional Online Feira Universal, hoje, 6 de Fevereiro. A «Feira Universal» propõe-se promover investigação e desenvolvimento, no âmbito das ciências sociais e humanas sobre educações, identidades e cidadanias; desenvolver projectos de investigação, intervenção, formação ao longo da vida e apoio ao ensino para todos e contribuir para a constituição de equipas internacionais multidisciplinares. É também objectivo desta associação organizar e apoiar, preferencialmente em parcerias, congressos, conferências, seminários, edições em suporte digital ou de papel, viagens de estudo e rotas de patrimónios, exposições e outras actividades similares e afins. Leia mais aqui

Colóquio Nacional de Paróquias

Há mais de 1100 paróquias sem padre residente. Nestes casos, o sacerdote responsável é obrigado a dividir-se por várias igrejas e cada vez mais são pessoas fora do clero a assumir novas funções. A situação é muito frequente, diz o padre Manuel Morujão, secretário da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP): "Acredito que aconteça em largas dezenas de paróquias, perto de cem." Na origem está a escassez de padres.
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Um Poema de Maria Donzília Almeida

No aniversário da “partida” da Dra Rosa Lúcia Lopes
Saudade... Tantos anos de pura amizade Passaram desde a nossa meninice, Onde, às vezes, até a traquinice Conviveu com a nossa mocidade! O mesmo tecto, em Coimbra, partilhámos. O estudo e o lazer, nós dividimos. Alegrias e tristezas nós sentimos, Nos planos do futuro, que sonhámos! Na senda de Hipócrates, tu seguiste, E, com dedicação, tu conseguiste Salvar a vida a tanta e boa gente! Traída pela ingrata, tu partiste, E deixaste, profundamente triste, Esta amiga que a tua falta sente! Mª Donzília Almeida Fevereiro de 2002

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Os jovens! Que espera deles a sociedade e a Igreja?

É muito variado e, em alguns aspectos muito rico, o património de um país. Também o do nosso. Os jovens entram neste património e são nele parte privilegiada. Se eles forem o presente serão também o futuro. É tempo de os ouvir, conhecer o seu mundo, perceber os seus sonhos e projectos, ter em conta os seus pesadelos e frustrações, integrar a sua esperança, prestar atenção aos dinamismos sociais que os perturbam, reconhecer os valores que carregam, senti-los na verdade do que são, comunicam, propõem e exigem.
António Marcelino
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Nota: Foto do meu arquivo

A Caminho do Corvo

Um poema de Vitorino Nemésio para os meus amigos que trabalham nos Açores.

Cinquenta anos depois do anúncio do Concílio Vaticano II, o que falta fazer?

Há cinquenta anos, a 25 de Janeiro de 1959, o Papa João XXIII surpreendia a Igreja e o mundo em geral, ao anunciar a decisão de convocar um Concílio. O Página 1 olhou de perto para o que se passou no Concílio Vaticano II, iniciado em 1962 e concluído em 1965.
Leia mais aqui

Sermão de Santo António aos Peixes

Maria Adélia Fernandes dedicou-se, ao estudo da obra do Padre António Vieira, com incidência especial nos Sermões. Escolheu para tema dos seus trabalhos, o Sermão de Santo António aos Peixes. E, na tela e em colagens oferece-nos um manancial expressivo e apelativo da essência do sermão.
As composições retratam o pendor das palavras do prosador, com quadros repletos de autêntica força introspectiva. Neles se recolhem os ensinamentos, as críticas, as mensagens, os valores e a fecundidade de Vieira, em que os aspectos religiosos, sociais, culturais, económicos e humanísticos se projectam e transmitem, fielmente, o conteúdo dos textos.
A mostra pode ser vista na Casa Municipal de Cultura, Galeria Ferrer Correia, de 2.ª a 6.ª (9h00-19h30) e aos sábados (13h30-19h00). Para saber mais: Câmara Municipal de Coimbra

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Prémio para a Diocese de Beja

Foi atribuído ao Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja (DPHADB) o Prémio Vasco Vilalva, no valor de 50 mil euros. O presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, Rui Vilar, que se deslocou à pousada de S. Francisco para fazer a entrega do prémio, sublinhou o trabalho levado a cabo pela Diocese de Beja, acrescentando que se trata, sem dúvida, de um "exemplo que outros deviam replicar no país". Apesar de ser a diocese mais pobre e desertificada de Portugal continental, foi possível fazer um levantamento histórico e artístico, graças ao esforço e à dedicação de José António Falcão, que aceitou o desafio que lhe foi dirigido pelo bispo D. Manuel Falcão, que criou o DPHADB, em 1984. A partir do inventário feito e da recolha e preservação de inúmeras peças de arte sacra, já houve diversas exposições, tanto em Beja como no País e até no estrangeiro. Esta minha referência tem como únicos intuitos enaltecer o esforço realizado em Beja e estimular, se é que tal é possível neste meu recanto, outras dioceses e paróquias a seguirem as pisadas daquela diocese alentejana. Sei que uma tarefa como esta implica o envolvimento de gente habilitada e com paixão pelo património histórico e artístico. Contudo, se cada paróquia conseguisse avançar com o seu inventário, seguindo normas básicas ligadas a estas ciências, talvez fosse um grande passo para um trabalho mais completo a nível da nossa Diocese de Aveiro.

Grupo Desportivo da Gafanha

No próximo domingo, 8 de Fevereiro, pelas 15.30 horas, vai proceder-se à inauguração da ampliação e remodelação do Complexo Desportivo do Grupo Desportivo da Gafanha (GDG). Segundo informação da Câmara Municipal de Ílhavo e do próprio GDG, nesta cerimónia acontecerá, também, a entrega oficial do Complexo à "importante Associação Desportiva do Município".

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

MATER DOLOROSA

Depois do adeus...

Mãe sofrida... Atingiste Teu limite... E a crueldade Redobrada persiste! Deste a oportunidade O ambiente criaste... Longe...tu imaginaste O auge da felicidade! Repetiu-se o cenário, O imenso calvário Será o teu fadário? A decisão já tomaste! Madona 31.01.09

Paraísos Fiscais

Os graves problemas surgidos no BCP e, mais recentemente, no BPN e no BPP, são de natureza diversa. Mas têm um ponto em comum: nos três casos estão envolvidos paraísos fi cais (“off-shores”), suspeitando-se que por eles tenham passado iniciativas irregulares ou mesmo criminosas. Muita gente percebe, hoje, que os “off-shores” representam uma injustiça fiscal - quem evita pagar impostos graças a esses paraísos fiscais não são os pobres nem a classe média. Pior do que isso, os “off-shores” tornaram-se uma via para a ilegalidade, incluindo a criminalidade organizada e o terrorismo. Os atentados do 11 de Setembro foram financiados através de “off-shores”. Por isso, esperava-se uma acção eficaz para os eliminar, pelo menos, por parte da administração Bush, promovendo um esforço à escala global. Infelizmente, tal não aconteceu. Prevaleceram os interesses: os “off-shores” dão jeito a muita gente importante. Será que a presente e gravíssima crise financeira, bem como o novo presidente americano, conseguirão avançar na eliminação mundial dos paraísos fiscais? Oxalá. Mas não sou optimista.
Francisco Sarsfield Cabral, in RR

Justiça em Portugal

Na RTP1 vi e ouvi, hoje, que uma indemnização respeitante a uma jovem que foi atropelada, em Aveiro, demorou ..nove anos a ser atribuída. Só agora o tribunal, em última instância, deu por concluído o processo. Ontem também assisti, em casa, ao programa Prós e Contras da RTP1, sobre o malfadado processo do Freeport, que a Justiça Portuguesa tem em mãos há uns quatro anos. Dizem que este atraso, em Portugal, é coisa normal. Ora isto deve fazer-nos reflectir. Será possível que neste País, de brandos costumes, não haja solução para esta triste e lamentável realidade? Onde está, afinal, o Estado de Direito que tanto se apregoa? E como é admissível que um processo judicial decorra a partir de uma carta anónima? Agora, com novas leis, já se diz que tal não pode acontecer. Já viram os meus leitores que um qualquer bandido podia acusar um inocente do mais hediondo crime? Voltando ao assunto das demoras da Justiça portuguesa, que é, e muito bem, independente, pergunto: Não haverá processo de exigir aos magistrados celeridade na conclusão dos processos? Poderão eles, tranquilamente, guardá-los em qualquer canto dos seus gabinetes, à espera não se sabe de quê, deixando que tudo decorra com toda a calma? Não há prazos a cumprir? Será de aceitar que um qualquer suspeito tenha de carregar o carimbo de acusado, tanto tempo, sem que a Justiça se preocupe com o direito de um cidadão poder viver de cara levantada? Confesso que fico enojado com isto tudo. Mas como apostei em viver Pela Positiva, vou admitir que um dia esta situação possa mudar, para melhor. Os portugueses precisam, de facto, de uma Justiça livre, rápida, eficiente. Assim é que não pode continuar! Fernando Martins

Coisas de antigamente

Medas de palha de milho
Veja mais coisas de antigamente da nossa terra.

VIAGEM ÚNICA

Tem razão quem diz que os homens são o contrário das montanhas. Ao longe parecem grandes. Próximos, nota-se a sua pequenês. Ao contrário das montanhas. O nosso próximo é mesmo um problema. Próximo, no lugar e no tempo. De tal modo que muitas análises sociais, políticas, culturais e religiosas consideram sempre melhor o que está longe no tempo e no espaço. Assim se descrevem as maravilhas do passado. Nas famílias, nas escolas, nas canções, na Igreja, na vida política e nessa espécie de praga democrática que é a intervenção telefónica em fóruns de rádio e televisão. Se não se fala do passado evoca-se o distante: para lá muito a Norte ou muito a Sul. Mas distante, inacessível, burilado pela imaginação ou pelo indemonstrável. Para facilitar, diz-se “lá fora, no estrangeiro”. Enfim, tudo o que não é aqui ou agora. Esse é o problema: fugir ao que está ao nosso alcance e ocupa o nosso quotidiano, as nossas conversas, as anedotas que contamos, as preocupações que revelamos, aquilo para que a língua está sempre afiada, distanciando-nos da responsabilidade, do compromisso, do interesse mínimo em oferecer o nosso contributo para a resolução. Divertindo-nos com o enigmas para nos esquivarmos ao compromisso e acção concreta. Esta é uma questão essencial no lugar e no momento que atravessamos. O lugar é muito mais que o pequeno rectângulo a que temos relutância, em certos momentos, de chamar pátria, húmus donde provimos e donde queremos um dia partir. Dizemos que é “este país”para que nos não atinja nem comprometa, nem sequer envolva. Vamos resolvendo o nosso imediato e gerindo o resto de sorte que nos toca, de não estarmos sem abrigo e termos sobre a mesa, ainda que não muito abundante ou mesmo um pouco embolorado, o pão de cada dia. A decisão é exactamente esta: a nível individual e colectivo assumirmos que este é o nosso tempo e o nosso lugar, onde estamos “inscritos” na história e onde o nosso remo não pode ser entregue a mais ninguém. Esta é a nossa onda, o nosso mar e a nossa única viagem antes do eterno. Quem somos nós para nos colocarmos numa varanda imaginária a ver passar um cortejo a que queremos ser alheios? O nosso lugar, a nossa vocação cristã é aqui e agora. António Rego

O NOSSO MAR EM DIA DE SOL

Uma réstia de sol levou-me ontem a ver o mar. O mesmo mar que me fascinou desde tenra idade. Bravio ou calmo, mais sombrio ou iluminado, é sempre o mar que de noite me embala o adormecer. Ontem, com ondas altas e agrestes, não deixou de exibir aqui a e ali manchas prateadas que reflectiam os sonhos de quem o olhava. Bem rugia, o mar, bem se atirava, agreste, contra as pedras. Mas, lá bem no seu íntimo, não deixava de seduzir quem o visitava. Num dia de sol. O frio viria depois. FM

AVE MARIA para começar o dia

Pedro Paquete canta Ave Maria

O João Marçal teve a gentileza de me enviar esta sugestão, com um comentário, que transcrevo:"Este cantor é um amigo meu, açoriano, de São Miguel, que já cantou na Gafanha da Nazaré, na nossa igreja, onde foi lindamente acompanhado ao órgão pelo nosso conterrâneo João Ramos. Aqui é acompanhado ao piano por um colega da Orquestra Ligeira dos Açores." Obrigado, João. Afinal, para começar o dia, nada melhor do esta Ave Maria, de Gounot, para nos aquecer.

NOTA: Da Alda, nossa conterrânea radicada no Açores, recebi algumas achegas, que aqui reproduzo, com os meus agradecimentos: "Esses dois músicos, tocam, não na orquestra ligeira dos Açores, mas sim na Orquestra Ligeira de Ponta Delgada, da qual sou também vocalista a par do excelente cantor, Pedro Paquete. Nos Açores, há inúmeras Orquestras ligeiras, sendo que só em São Miguel, atingiu-se no ano passado o número de uma por cada concelho, ou seja, 5 no seu total. Só para que conste, o organista chama-se Pedro Hilário e é também um extraordinário músico.Saudações insulares."

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Ainda a remodelação do Centro Cultural da Gafanha da Nazaré

Na sua reunião de hoje, o Executivo Municipal aprovou a adjudicação da obra de “Ampliação e Remodelação do Centro Cultural da Gafanha da Nazaré”, pelo valor de €2.148.755,73 mais IVA. O prazo de execução é de seis meses. Posso adiantar que, segundo informação da autarquia, as obras contemplam um auditório para 400 pessoas, com as condições técnicas exigidas a uma boa sala de espectáculos, ao nível da acústica, do controlo ambiental e do conforto, para quem assiste e para quem trabalha. Será criada uma galeria de exposições, com cerca de 400 metros quadrados, em dois pisos e com acesso autónomo. O Centro Cultural ficará ainda com uma sala de conferências com 72 lugares. Estas obras implicam algumas reformulações dos espaços adjacentes.

Centro Cultural da Gafanha da Nazaré vai ser requalificado

Segundo a Rádio Terra Nova, a Câmara de Ílhavo vai adjudicar hoje a requalificação do Centro Cultural da Gafanha da Nazaré. Trata-se de uma obra reclamada há muito, esperando-se, agora, que as obras avancem com a celeridade desejada. Também se espera que logo a seguir o Centro Cultural tenha a animação que o povo merece e precisa.

A MARINA DA BARRA nem acta nem desata

Ribau Esteves: “Tenho a maior reserva que
haja dinheiro” para a Marina da Barra
Com uma situação financeira “equilibrada”, a autarquia tem vários projectos em carteira. A Marina da Barra, uma das grandes bandeiras de Ribau Esteves, parece mergulhada num impasse. Não tenho motivo nenhum para não confiar. O que eu quero muito é que de uma vez por todas os interlocutores se sentem à mesa para que possamos discutir e tomar decisões. A nossa região precisa de uma marina. O turismo náutico é um dos eixos prioritários da nova entidade regional do turismo e do país, temos um património extraordinário que é a ria, temos o quinto porto nacional… Leia no Diário de Aveiro de hoje

COLHERES DO TITANIC...

No Marintimidades, Ana Maria Lopes veio este fim-de-semana com uma história bastante curiosa, à volta de umas colheres que terão sobrevivido ao drama do Titanic. E o mais interessante é que, para alimentar a nossa curiosidade, adia o final da história para daqui a uns dias. É certo e sabido que a partir de hoje me vai obrigar, sem custo, aliás, a visitar o seu blogue, dia a dia, na esperança de saber, ao certo, se as colheres vieram, realmente, de célebre paquete.
Não é muito frequente termos à mão um blogue temático, tão rico de pormenores e tão cheio de memórias ligadas às nossas tradições. Pois o Marintimidades aí está, regularmente, com assuntos da Ria e do Mar, que Ana Maria Lopes domina com muita sensibilidade e saber. Não terá ela elementos, mais do que suficientes, para uma exposição no nosso Museu Marítimo de Ílhavo? Julgo que sim. Haja quem a estimule a dar passos nesse sentido. Para já, temos o seu blogue, que é, sem dúvida, uma exposição permanente de vivências que tanto nos ajudam a seguir-lhe os passos, embora timidamente.
FM

domingo, 1 de fevereiro de 2009

SOLIDARIEDADE

(Clique na imagem para ver melhor)

Sinal +

1. Os arautos da desgraça continuam a agitar a bandeira da bancarrota, da ingovernabilidade de Portugal, do fim da Nação. A multissecular Pátria portuguesa até parece que caiu ou está para cair nas ruas da amargura, sem políticos à altura de aguentar a barca no cimo das ondas. A barca, pelos vistos, está a meter água por todos os lados. Clama-se por justiça, mas ela não surge, ou surge tardiamente; clama-se por verdade, mas os mentirosos amarfanham a sociedade; clama-se por uma educação sadia, mas não faltam os promíscuos em cada esquina; clama-se por paz, mas não falta quem alimente guerras. E por aí adiante… O nepotismo, o compadrio, as negociatas, a mentira, o ódio, a injustiça, o desespero, o desemprego, a miséria, a falta de sentido para a vida e a ausência de horizontes dignos de um futuro de progresso solidário parece que estão a implantar-se entre nós. Mas tudo isto será razão para admitir o fim de Portugal como Estado e como Nação? Julgo que não. O nosso País e os portugueses já enfrentaram inúmeras desgraças, mas continuam a existir. Mais uma crise não será motivo para desânimos. Havemos de sair dela. Temos de conseguir caminhar em frente, rumo a um futuro mais risonho.
2. Celebra-se hoje o Dia do Consagrado na Igreja Católica. Homens e mulheres que, por amor a Deus, deixam o mundo, com todas as suas seduções, para viverem em exclusivo a causa de uma sociedade mais fraterna, onde a paz seja uma aposta de todos os momentos. Penso que a acção dos consagrados e das consagradas, no dia-a-dia de um labor ao serviço do mundo, onde a espiritualidade nunca perde o seu lugar, carece de ser mais conhecida e mais amada. Porque não é fácil deixar família, amigos e propostas profissionais aliciantes para viver o desafio de construir o Reino de Deus neste tempo de tantas contradições. Sei que muitos sentem na carne e na alma o desgaste da solidão, a incompreensão da sua entrega generosa, a arrogância dos instalados nos prazeres fúteis. Mas também sei que aos consagrados e consagradas nunca faltará, nas encruzilhadas de outras vidas, a alegria do encontro diário com Jesus Cristo, que é caminho, verdade e vida. Fernando Martins

TECENDO A VIDA UMAS COISITAS – 116

BACALHAU EM DATAS - 6 ;

Santa Maria Manuela

CARTAS... E COLÓNIAS
Caríssimo/a:
Depois de termos lido o que escreveu o nosso amigo capitão Valdemar sobre a pesca do bacalhau nesses recuados tempos, iremos constatar que nem só de pesca se tratava e que, pelos vistos, muito mais estava em jogo. Afinal a ciência estava sempre presente e era uma constante nas navegações dos Portugueses...
1500 - «Por volta de 1500, no hemisfério norte, [os Portugueses] terão provavelmente chegado à Gronelândia, ao Labrador e à Terra Nova. Na década de 1520, tentaram estabelecer uma colónia na ilha de Cape Breton e, em meados do século XVI, na Nova Escócia.» [in Um Mundo em Movimento- Os Portugueses na África, Ásia e América (1415-1808), de A. J. R. Russell-Wood, DIFEL- Difusão Editorial, S.A., Lisboa, 1998, pp. 19-20]
1502 - «O planisfério dito de Cantino, de 1502, “é a primeira carta a dar uma incipiente representação da Terra Nova, sob a designação de Terra del Rey de Portugal!”» [Oc45, 77] «O que assinalamos como importante na viagem de Gaspar Corte Real foi o facto de a partir dela se ter elaborado o planisfério de Cantino pelo qual se divulgava um primeiro mapa menos fantasioso dessas regiões...» [HPB, 20]
1504 - «Carta de Pedro Reinel que representa a Ocidente, no Atlântico Norte, a região da Terra Nova e regiões próximas. Os autores de cartografia defendem que esta carta foi o resultado da viagem de Miguel Corte Real em 1502 e outra que se seguiu em 1503, em busca deste navegador e de seu irmão Gaspar Corte Real, viagens em vão quanto ao objectivo primordial, mas que mantiveram o reconhecimento sistemático da orla marítima oriental da Terra Nova e regiões vizinhas, a norte e a sul, portanto muito importantes como fontes adequadas para os cartógrafos e para a história da geografia.» [Oc45, 32] «Os primeiros empreendedores quiseram associar-se com alguns da Ilha Terceira, e assim combinados fizeram partir uma colónia para se estabelecer na Terra Nova, e isto com tanta brevidade que quando os Bretões e os Normandos ali chegaram, em 1504, já acharam, segundo J. Verazanni [na relação da viagem que fez à Terra Nova ao serviço da França, publicada em 1525], os portugueses de posse de uma parte da costa; o que os fez contentar com o reconhecimento da outra porção, tanto para Norte como para Sul da que os nossos já ocupavam, e aonde faziam as suas pescarias.» [Oc45, 77 ] Manuel

sábado, 31 de janeiro de 2009

Um livro de Anselmo Borges

JANELA DO (IN)FINITO
Acabei de ler, há dias, mais um livro de Anselmo Borges, padre e professor de Filosofia na Universidade de Coimbra. Melhor dizendo, reli as crónicas que semanalmente escreve no Diário de Notícias e que eu, com muito gosto, coloco no meu blogue, onde também podem ser lidas e relidas. Deste autor já conhecia Janela do (In)Visível e Religião: Opressão ou Libertação?, duas obras que, como a que apresento hoje, me ajudaram e ajudam a pensar. Mais: que me oferecem conhecimentos, me encaminham para outras leituras e me suscitam reflexões. Antes de começar a leitura, crónica a crónica, tive o cuidado de ler, serenamente, o Prefácio de Guilherme d’Oliveira Martins, cujo título, Uma janela que permite olhar o mundo, garante, à partida, a certeza de que sairemos mais enriquecidos quando chegarmos à última página. E assim foi, realmente. A importância das releituras está na descoberta de novas mensagens, novas ideias e novas pistas, por paradoxal que possa parecer. Como a “janela” volta à liça, o que denota um certo mistério do autor pelo vocábulo, aproveitei a Palavra de Abertura, de Anselmo Borges, para ficar esclarecido. Diz ele que “O fascínio de uma janela está em que se vê de fora para dentro e de dentro para fora, mas de tal maneira que as duas visões não são coincidentes”. Depois continua com o porquê desse fascínio, talvez muito próprio dos filósofos, mas não adianto mais para deixar aos seus leitores, sobretudo aos que ainda não pegaram nesta obra, o prazer de lerem tudo, de fio a pavio. Voltando ao Prefácio, permitam-me que sublinhe uma curta passagem de Oliveira Martins: “Basta ler com atenção. Eis o apelo permanente que estes textos contêm. Longe da placidez ou da facilidade. Anselmo Borges põe o dedo nas feridas, põe-nos em causa e põe-se em causa. E, longe das receitas, apela constantemente para a liberdade e responsabilidade.” E noutra passagem, refere que os textos deste livro “são excelentes motivos de reflexão sobre um conjunto vasto de temas relacionados com o fenómeno religioso, com o diálogo entre religiões, com a relação entre fé e razão, com a diversidade das culturas, e também com a evolução da humanidade num mundo globalizado”. Janela do (In)Finito é, pois, um livro para ter sempre à mão. A qualquer momento, o esclarecimento pode estar lá. Fernando Martins

DOCUMENTO DE MUMADONA EM EXPOSIÇÃO NO MUSEU DA CIDADE

Até 26 de Abril
A "Exposição 'BI Aveiro' conta já com os originais que estavam em falta, nomeadamente, o documento de doação da Condessa Mumadona Dias ao mosteiro de Guimarães de vários bens patrimoniais, entre os quais se encontra a referência a “Alauario et salinas” com data de 26 de Janeiro de 959. A mostra, patente no Museu da Cidade até ao dia 26 de Abril, é um reflexo da identidade de Aveiro, os documentos expressam bem essa perspectiva. Neste sentido, as peças seleccionadas prendem-se, em boa parte, com um cariz administrativo tendo subjacente a organização do território, a sua definição e valorização ao nível local e por reconhecimento de instâncias superiores. A mostra pode ser visitada de Terça a Domingo, das 10 às 12.30 horas e das 14.30 às 19 horas. Tem entrada livre.”
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A BARRICA foi remodelada

Embora atravessando graves problemas económicos, A Barrica, com a colaboração da Câmara Municipal de Aveiro e da Federação Portuguesa de Artes & Ofícios, remodelou o seu posto de venda, situado na Praça Joaquim de Melo Freitas, em Aveiro. A reabertura foi hoje, sábado, 31 de Janeiro, pelas 10 horas da manhã. Isto significa que os apreciadores do artesanato já por lá podem passar, com a certeza de que haverá novidades a ter em conta.

GAFANHA DA NAZARÉ: Residências paroquiais

Nesta casa residiu o padre Guerra até deixar de ser Prior da Gafanha da Nazaré
"Quando o padre José Francisco Corujo (Prior Guerra) veio para a Gafanha da Nazaré, foi necessário, então, preparar-lhe uma residência. A comissão da paróquia arrendou, por isso, uma casa, na Chave, pertencente ao proprietário Manuel Cravo. Mais tarde, o prior Guerra mudou-se para uma outra casa, que ainda existe, na actual Av. José Estêvão, e que era pertença do mestre José Lopes Conde, conhecido por mestre José Lázaro. Ali residiu até deixar de ser prior da nossa terra, em 1947."
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O sol brilhou

Não sei se por muito tempo, mas o sol brilhou hoje. Deu, para já, para sair de casa, porque cansado de estar fechado andava eu. Respirei um ar mais fresco, encontrei amigos, cavaqueei com alguns, senti-me outro. Foi bom andar por aí, fotografar umas coisas úteis para mais um texto nos meus blogues. Registei o palpitar de gente apressada e gostei de ansiar por dias agradáveis, sem frio, sem vento e sem chuva. Eles hão-de vir para poder usufruir dos ambientes que me acalentam há sete décadas.

SIMONE WEIL: FILÓSOFA E MÍSTICA

SIMONE WEIL: FILÓSOFA E MÍSTICA
Faria 100 anos na próxima terça-feira. Nasceu no dia 3 de Fevereiro de 1909, mas morreu jovem, com 34 anos apenas. Chamava-se Simone Weil, e era de ascendência judaica. Figura complexa, filósofa de formação - as Obras Completas, na Gallimard, completarão sete volumes -, professora de Filosofia, viveu intensamente os dramas da primeira metade do século XX. No seu número de Janeiro, Philosophie Magazine consagrou-lhe um dossier, sublinhando "a originalidade" da sua filosofia, na confluência articulada de experiência real, reflexão e acção. Aí se relata como a foram encontrar, com 11 anos apenas, no meio de uma manifestação de grevistas no boulevard Saint-Germain. Simone de Beauvoir refere nas suas Memórias um encontro na Sorbonne: Weil jura apenas pela Revolução que "daria de comer a toda a gente" e a Beauvoir, que sustenta que o verdadeiro problema é o de "encontrar um sentido" para a existência", replica: "Vê-se bem que nunca passaste fome!" Para perceber a alienação dos operários, tornou-se ela própria operária e sindicalizou-se: "Enquanto nos não tivermos colocado do lado dos oprimidos, para sentir com eles, não se pode tomar consciência." Esgotada pela incapacidade de seguir a cadência infernal da produção, dirá que aí "o pensamento se encarquilha como a carne diante do bisturi". Visionária, viu claramente que a libertação não viria nem do fascismo nem do comunismo, abstracções "ávidas de sangue humano" que remetem para "duas concepções políticas e sociais quase idênticas". Denunciou a exploração da classe operária e o colonialismo, mas manteve-se crítica face ao comunismo. Pôs-se ao lado da Resistência, reivindicando "uma forma de ofensiva", mas excluindo a violência das armas. Comprometida com a liberdade e a libertação, manteve-se distante dos partidos políticos e da Igreja. Sobre os partidos escreveu que se trata de "organismos, publicamente, oficialmente constituídos de modo a matar nas almas o sentido da verdade e da justiça". Quanto à Igreja, temia a sua intolerância. Ficou, pois, à porta, pensando que a sua vocação era permanecer "cristã fora da Igreja". Embora educada no agnosticismo, viveu intensamente à "espera de Deus". Deus não deve ser tanto procurado como esperado como graça. Essa graça consiste em "morrer para si mesmo", ser "des-criado" e depois "re-criado" em Deus. Nesta espera, foi determinante uma experiência em Portugal em 1935, na Póvoa de Varzim. Ela que sabia o que era o sofrimento, assistindo a uma procissão em honra da padroeira, com velas e cânticos de uma tristeza pungente - "Eu nunca escutei nada mais pungente" -, teve repentinamente "a certeza de que o cristianismo é por excelência a religião dos escravos, que os escravos não podem não aderir a ele, e eu também". Fui reler a sua obra Carta a um Homem Religioso, onde levanta a lista dos obstáculos que a mantiveram fora da Igreja. Tudo se resume nesta afirmação: "A Verdade essencial é que Deus é o Bem. Ele só é a omnipotência por acréscimo." Por isso, "é falsa toda a concepção de Deus incompatível com um movimento de caridade pura. Todas as outras são verdadeiras, em graus diferentes". Os únicos milagres são os do amor, de tal modo que "Hitler poderia morrer e ressuscitar 50 vezes que eu não o veria nunca como filho de Deus". "A forma de pensar de Cristo era a de que devíamos reconhecê-lo como santo porque ele fazia o bem perpétua e exclusivamente." A Igreja centrou-se no dogma, que levou ao anátema e, assim, "estabeleceu um início de totalitarismo". "Os partidos totalitários formaram-se devido ao efeito de um mecanismo análogo ao da fórmula anathema sit. Esta fórmula e o seu uso impedem a Igreja de ser católica, a não ser de nome." A parábola do bom Samaritano "deveria ter ensinado a Igreja a nunca mais excomungar quem quer que fosse que praticasse o amor ao próximo". Só o amor salva: "Qualquer pessoa que seja capaz de um gesto de compaixão pura para com um infeliz (coisa, aliás, muito rara) possui, talvez implicitamente mas sempre realmente, o amor de Deus e a fé." Anselmo Borges, in DN

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Presidente da República critica em Fátima a Lei do Divórcio

Cavaco Silva afirmou, esta tarde, em Fátima, que a Lei do Divórcio, aprovada em Abril de 2008 e que entrou em vigor no final do mesmo ano, se trata de uma lei causadora de novos casos de pobreza e, a propósito da mesma lei, manifestou a sua "perplexidade" quanto à forma como se legisla em Portugal. “Dos contactos que tenho mantido com dirigentes de instituições de solidariedade, recolho a informação de que a maioria dos casos de ‘novos pobres’ está associada a situações de divórcio”, revelou. Recorde-se que por ocasião da promulgação presidencial da Lei, em Outubro de 2008, em uma mensagem publicada na página oficial da Presidência da República na Internet, Cavaco Silva, que havia vetado inicialmente esta lei a 20 de Agosto, referia que o diploma, incluindo as alterações introduzidas depois do veto à primeira versão, "padece de graves deficiências técnico-jurídicas" e iria introduzir, em sua opinião, “profunda injustiça”, sobretudo para os mais vulneráveis, como são as “mulheres de mais fracos recursos e os filhos menores”. No Centro Pastoral Paulo VI, no momento inaugural do IV Congresso da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade, falou sobre o novo tipo de pobreza em Portugal, agravada pelo desemprego e pelo sobreendividamento de muitas famílias. Pediu especial atenção para com as crianças e os jovens, para que se reforce a atenção a esta camada da população, para que possa manter as suas condições de bem-estar. “ (É) o melhor que poderemos fazer pelo futuro do nosso país", disse. Cavaco Silva destacou que, com esta nova realidade social, "é urgente mobilizar a força solidária dos portugueses" e, neste sentido, as organizações e instituições de solidariedade são "catalisadores" de iniciativas solidárias. O Chefe de Estado português terminou o seu discurso com um apelo "por um Portugal mais justo e solidário". Fonte: Santuário de Fátima

TERESA MACHADO: A atleta gafanhoa que chegou mais longe no desporto



A única atleta nacional olímpica na disciplina do Disco 

Teresa Machado, com quem toda a gente se cruza na Gafanha da Nazaré, porque nesta terra nasceu e sempre aqui viveu, é, até hoje, a única atleta olímpica das Gafanhas. E a nível nacional, é a única atleta olímpica, na disciplina do Disco.
Com resultados muito bons, tanto nos quatro Jogos Olímpicos em que participou (Barcelona, Atlanta, Sidney e Atenas), como em Campeonatos da Europa e do Mundo, para além de bastantes “meetings”, esta atleta gafanhoa não esquece quanto o desporto lhe deu. Considera, como muito valiosos, os benefícios que recebeu, quer no âmbito desportivo e social, quer cultural e económico. Também não esquece a riqueza humana que os contactos internacionais lhe proporcionaram.
Começou cedo a sua paixão pelo Atletismo, quando venceu, em representação da escola do 2.º Ciclo do Ensino Básico, uma prova de lançamento de Peso, em 1986. A seguir esteve no Galitos e em 1987 Júlio Cirino (ver Timoneiro do mês de Janeiro) passa a ser seu treinador, nas disciplinas de Peso e Disco. Ainda foi atleta do Sporting e da Junta de Freguesia de S. Jacinto.
Confessa que se sentia com “capacidade para chegar longe no desporto”, coisa rara para uma menina da época. Nessa altura, “as meninas das minhas idades inclinavam-se mais para “o ballet, a natação e a ginástica artística”, disse. Os resultados começaram a entusiasmá-la, apesar das improvisadas condições de treino, que a obrigavam a andar com o seu treinador de um lado para o outro. A prática do lançamento de Disco exigia amplos espaços, não fosse dar-se o caso de atingir alguma pessoa ou automóvel que passassem perto.
Treinou em terrenos baldios da Gafanha da Nazaré, no Rossio e na actual zona do Centro Cultural e de Congressos de Aveiro, na Mata de S. Jacinto e em áreas cedidas onde agora existe o actual Porto de Aveiro, entre outras. Aqui, chegou a perder alguns discos, que ficaram mergulhados na ria. A sua grande experiência olímpica, por ser a primeira, aconteceu em Barcelona, em 1992. “Só me apetecia chorar, com as sensações de ver um estádio cheio, com as pessoas a aplaudirem e a baterem os pés, incitando os atletas a darem o máximo”, contou-nos a Teresa. E acrescentou: “É que eu estava habituada a ver, em Portugal, pouca gente a assistir; víamos, normalmente, familiares, namorados e amigos.”
A Teresa confessa-nos que desde o início se sentiu muito apoiada e estimulada pelo seu treinador Júlio Cirino, um amigo que “se actualizava constantemente, estudando e participando em muitas actividades”. Aliás, também reconhece que lucrou em estágios da Federação Portuguesa de Atletismo, “onde contactou e aprendeu com ensinamentos e conselhos de outros treinadores”.
Com a experiência de Barcelona, o lançamento de Disco passou a ser a sua modalidade prioritária, conseguindo bons resultados em Atlanta (10.º lugar) e Atenas (6.º). E porque seria fastidioso indicar tudo o que fez nas inúmeras provas em que participou, para além dos campeonatos da Europa e do Mundo, é justo referir que subiu ao pódio em Itália, Brasil, Espanha, Argentina, Irlanda, Bélgica, Holanda, Áustria, Grécia, Marrocos, Chipre, Noruega, Alemanha e Portugal. No nosso País, continua recordista nacional de Peso (17,26 m) e Disco (65,40 m).
Teresa Machado, graças ao seu esforço nos treinos, chegou a ser considerada, por especialistas, a atleta “mais tecnicista na disciplina do Disco”. A nossa entrevistada adiantou, nesta altura em que decidiu mudar de vida, que não tem visto, com pena, atletas que ocupem o seu lugar. Diz que é fácil atingir bons níveis até à faixa etária de juniores, mas as maiores dificuldades surgem nos escalões seniores. “Aqui, é mesmo preciso muita dedicação, muito esforço, muito treino, muita vontade, muita coragem e muita força, para chegar onde eu cheguei”, explicou. 
Durante a entrevista, pudemos testemunhar a alegria e a emoção que lhe inundavam o semblante, ao recordar a sua exemplar carreira de atleta, sem grandes meios à partida. Contudo, não deixámos de registar algumas mágoas. “Quando eu estava no auge, não faltava gente que me incitava e me dava pancadinhas nas costas, prometendo-me mundos e fundos para quando eu abandonasse as competições; depois, na fase descendente, a que ninguém pode fugir, os amigos de outrora começaram a deixar de me conhecer”, sublinhou.
Presentemente, trabalha como Técnica Auxiliar de Fisioterapia numa clínica de Taboeira, não vendo, ao fundo do túnel, qualquer hipótese de voltar a dedicar-se ao Atletismo, em novas funções. Precisa de estar mais livre, ao fim de tantos anos de sacrifícios.

Fernando Martins 

NOTA: Texto publicado no TIMONEIRO

A Igreja - Ontem, Hoje e Amanhã

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Amnistia Internacional mostra realidades chocantes

A Marieke participou, na terça-feira, num encontro do Núcleo de Aveiro da Amnistia Internacional, onde pôde ver e meditar sobre fotos chocantes. Há experiências vividas em encontros como estes a que não podemos ficar indiferentes. Dilacerando-nos, acabam por nos fazer bem. Vejam aqui.

Bíblia na mão, família ao seu lado, testemunho de esperança

Serve mal o país quem se julga dono do povo e se esquece de proclamar bem alto, com convicção e coragem, que ninguém no mundo tem categoria para ser dono de alguém. Há um só Senhor. Por Ele, todos somos iguais, todos somos livres, todos somos necessários. Quem se esquece que é servidor da sociedade e não defende, de modo claro, a célula básica e indispensável da sua consistência, no presente e no seu futuro, a família, não entendeu ainda o que é estar ao serviço do essencial e do bem comum. Obama, o presidente para quem o mundo olha, quis, antes de tomar posse, participar com os seus familiares, num acto religioso na sua Igreja; quis fazer o juramento de bem servir o seu país tocando com a sua mão a Bíblia que sua esposa segurava; quis estar ladeado pela sua família em momento tão solene e único, sem se importar se assim o permitia ou não o protocolo do Estado. Estes e outros gestos significativos não foram gestos de acaso. Foram opções e decisões da vontade livre de um homem responsável, expressões que indiciavam, para além das exigências protocolares da cerimónia, compromissos pessoais com raízes profundas. Obama, para estimular nos seus concidadãos a união, a esperança e a tomada de consciência das suas responsabilidades, fez memória da história, falou-lhes de crises superadas e de batalhas vencidas, deu-lhes ânimo para poderem juntos ir sempre mais além. Não ocultou nem minimizou as dificuldades do presente, mas também não deixou, pelo modo como se lhes dirigiu, que se sentissem esmagados, por mais graves que sejam tais dificuldades. Onde há crises, há sempre desafios e enfrentar. Foi um falar de manifesta convicção. O mundo estava vendo e ouvindo. Decerto se apercebeu de que, para além da cor da pele, estava ali um homem crente, lúcido e corajoso. Os Estados Unidos da América, nos últimos anos, e até já nos penúltimos, têm sido atacados e denegridos, por muita gente, mundo fora e, especialmente, por gente desta Europa que não pára de olhar para o próprio umbigo e de se enredar em ideologias redutoras, perdendo assim a consciência das suas raízes e fechando-se a horizontes de vida. Não é que tudo aí esteja bem e que o novo presidente não deva rever projectos em curso e encontrar caminhos novos de futuro, dada a repercussão dos seus actos num espaço alargado, para além do seu próprio espaço geográfico. Toda a gente viu, desde a campanha eleitoral e repetidas à saciedade após a sua eleição, que as suas preocupações não o vão deixar dormir sossegado. Pelo realismo do seu discurso, ninguém poderá pensar que ele se julga um iluminado salvador do mundo. Muito do terreno, que tem de pisar todos os dias, está armadilhado. Na América do Norte, como noutros países, os interesses criados e instalados, de pessoas e grupos, que em todo o lado os há e não olham a meios, nunca fazem tréguas definitivas. O sonho de Luther King, que também foi profecia, está inicialmente cumprido. Não falta agora gente, negra e branca, que sempre aspirou por caminhos novos onde todos se pudessem mover em igualdade, a dar as suas mãos às do novo presidente, transmitindo assim a primeira condição para governar e lutar, de que ele não está só. Muita gente, em Portugal, se regozijou com a eleição de Obama. Alguns sentem-se já incomodados com a confissão pública e desassombrada das suas convicções religiosas. São estas mentalidades, no poder ou com influência no mesmo, que lançam suspeições e se mostram incapazes de se libertarem de preconceitos, atávicos ou adquiridos, como se esses fossem riqueza pessoal e social. A separação Igreja-Estado, no país de Obama sempre foi modelar nas relações, no respeito mútuo e na colaboração. Assim vai continuar, por certo, sem intromissões, mas, também, sem açaimos. Obama mostrou a sua verdade interior, sem medo de críticas, de dentro ou de fora. A grandeza do homem não está no cargo que exerce. Vem de dentro. Alimenta-se num manancial que não seca, não em represas de águas turvas. António Marcelino

GAFANHA: Coisas de antigamente - 3

As malhadas
"Mas se a malhada com o malho, como é óbvio, era a mais usual, não podemos esquecer outros processos empregados para separar o grão da espiga. Um deles, por exemplo, também teve a sua época. Referimo-nos à utilização de animais (vacas, sobretudo). Caminhando em círculo sobre o cereal estendido na eira, lá iam separando o grão da espiga com uma paciência inaudita, sob o olhar atento das pessoas que, de penico ou balde na mão, impediam que os excrementos e urina caíssem sobre os cereais."
FM
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Dr. Maximiano Ribau


A propósito do falecimento do Dr. Ribau, cuja notícia neste blogue chegou muito longe, o meu leitor e amigo João Marçal enviou-me dois textos, que aqui publico, com muito gosto. Demorei a pô-los no meu blogue, porque estive à espera de uma fotografia. 

Assiste doente às 6 horas da manhã 

Dizia minha mãe que o Dr. Ribau tinha orientado a escolha do nome com que fui baptizado, pois foi meu médico nos meus primeiros dias de vida. Eu digo que ele talvez a tenha salvado quando, chamado às 6 horas da manhã, logo compareceu em nossa casa assistindo-a num AVC que, felizmente, só leves sequelas lhe deixou e apenas durante algum tempo. Muitas vezes comentámos esta sua disponibilidade. Que descanse em paz. 

Cebola nos dentes do engaço 

Tendo-nos deixado há pouco mais de um mês, a sua memória perdurará no espírito dos que o conheceram. Foi o médico ideal para os seus conterrâneos que compreendia e ao lado de quem estava nos momentos de aflição. Gostava de lembrar esses contactos com toda a compreensão, sabedor da inocência e tradição do povo. Contava com satisfação o dia em que há muitos anos foi procurado por um camponês que se havia ferido espetando um engaço num pé. Durante a prestação dos cuidados médicos que lhe dedicou, perguntando ao acidentado se já havia tomado alguma precaução quanto ao sinistro, este respondeu com toda a convicção: - Espetei uma cebola nos dentes do engaço. 

João Marçal

No restaurante “O Adriano”

Ao Almoço Estava eu em meditação! Será homem ou mulher? P’ra mim, é uma confusão; Os traços d’ homem lá estão, E de mochila na mão, Escolha o que me aprouver! Cabelo grisalho aparado, Vestuário masculino, O rosto todo enrugado, No bolso, tabaco arrumado, Co ’a mão sapuda tirado P’ra cumprir o seu destino! Lá chamou o empregado, P’ra lhe vir trazer à mesa, Verde branco engarrafado, E um pouco refrigerado P’ra poder ser partilhado Por mais alguém, com certeza! Nisto chega uma senhora, Que à sua mesa se senta, Como a sua antecessora, De certa idade detentora, Talvez também fumadora Que vai consultar a ementa. Não me pus a adivinhar, O que terá sido a refeição, Mas quando a vi levantar, E sair do seu lugar, Para as mãos ir lavar, Terminei a reflexão! Era uma dama anafada, Pois alguns pneus eu lhe vi! Sob a camisa apertada Que à frente era abotoada E nuns calções enfiada, Com bolsos de lado à safari! M.ª Donzília Almeida

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

António Rodrigues: Um transmontano com gosto pelo coleccionismo



  “O prazer do colecionador 
está em pegar em algo inútil 
e torná-lo útil”


A Gafanha da Nazaré deve muito a pessoas que aqui se radicaram, vindas um pouco de todo o país e até do estrangeiro. Desta feita fomos visitar um transmontano, António Rodrigues, de Vidago, concelho de Chaves, que reside na nossa cidade desde 1995. Licenciado em Física pela Universidade de Aveiro, ingressou na Escola Secundária da Gafanha da Nazaré, como professor, em 1991. Nesta cidade casou e tem um gosto especial pelo coleccionismo, que pratica com paixão. Colecciona rádios antigos, pequenos e de válvulas, que lhe enchem uma sala, devidamente arrumados. E deles fala, com conhecimento e riqueza de pormenores, levando os visitantes a fazer mais e mais perguntas, às quais ele responde com prontidão e entusiasmo. Essa paixão começou com um rádio TELEFUNKEN, avariado, que o sogro lhe ofereceu. 
Entusiasmou-se com a ideia de o pôr a funcionar, com a ajuda de um amigo, e tanto bastou para nunca mais parar. Depois desse outros vieram, também avariados, após visitas a Feiras de Velharias em Aveiro. “O gosto começou com a recuperação dos rádios”, adiantou o nosso entrevistado. E logo acrescentou que “o prazer do coleccionador está em pegar em algo inútil e torná-lo útil”. 
António Rodrigues tem cerca de 220 rádios quase todos a funcionar, havendo sempre o cuidado de utilizar peças originais e das próprias marcas e épocas, que adquire na Feira da Ladra e outras, mas também pela Internet, mais no estrangeiro do que em Portugal. 
Coleccionador atento e estudioso, apoia os seus conhecimentos em literatura que vai comprando e em consultas que faz, no sentido de obter a mais fidedigna informação. A sua colecção não é um armazém de rádios, pois cumpre as mais elementares regras do coleccionismo. Os rádios estão catalogados, com registos técnicos e históricos fundamentais, condições em que os adquiriu e onde. Por isso, visitar a colecção de rádios do professor António Rodrigues é ouvir uma belíssima lição de história, impossível de reproduzir no pouco espaço de que dispomos no jornal. 
De relance, pudemos testemunhar a existência de rádios das mais diversas partes do mundo, nomeadamente, da Holanda, Inglaterra, Alemanha, França, Itália, América, Portugal, Checoslováquia, Áustria e Suíça, ente outros países. E durante a conversa ficámos a saber que o nosso entrevistado consegue identificar a proveniência geográfica e a marca de cada rádio, pois todos denunciam características próprias.
Como raridade, na sua óptica, mostra-nos um aparelho conhecido por EMISSORA NACIONAL, português, também chamado SALAZAR, de 1935. A ele está ligada a Emissora Nacional, ao tempo dirigida pelo Capitão Henrique Galvão, e destinava-se a funcionários públicos. Cada rádio custava 200$00 e podia ser pago em prestações. Mas o mais valioso é um FADA 1000, americano, 1946, custando hoje uns mil euros. É dos primeiros rádios assimétricos e o plástico exterior, “Catalim”, muda de cor conforme a luz ambiente. 
Sobre o aproveitamento político deste meio de comunicação social, António Rodrigues exibiu um rádio alemão, o VOLKSEMPFANGER, o rádio do povo. Foi uma criação destinada a difundir a propaganda nazi. Fabricaram-se dezenas de milhões de aparelhos e eram vendidos a preços baratos, para chegarem a todas as famílias. De cor preta, com a águia imperial bem à vista, funcionava apenas em onda média, de curta captação, para impedir a audição de programas radiofónicos estrangeiros. No quadrante estavam indicadas as cidades alemãs que tinham retransmissores. 
O professor da Secundária da Gafanha da Nazaré falou-nos, durante a visita que fizemos à sua colecção, da evolução dos rádios, desde os anos 20 do século passado até aos nossos dias. Os primeiros eram produzidos artesanalmente por técnicos, a pedido dos interessados. A caixa era de metal e nos anos 30 começou a usar-se a madeira. Mais tarde veio a baquelite, que, pelo facto de permitir o fabrico de caixas em série, a partir de moldes, fazia reduzir o preço dos aparelhos. No seu “site” – http://www.cfeci.pt/sites/radiosantigosnoar –, os nossos leitores podem ficar a saber muito mais.


Fernando Martins 

NOTA: Texto publicado no TIMONEIRO; A foto é de hoje (26 de maio de 2015)

Crónica de um Professor

“É em CASAIS NOVOS
que se fazem os Bolinhos d’Amor”
Na diversidade doceira que abundou nesta quadra natalícia, assomou à sua memória, esta inscrição, lida em grandes parangonas e colocada a toda a largura da rua! Na verdade, deparava-se com este anúncio, quando passava por Penafiel, no seu périplo docente, por este país rural. Os ocupantes do Mercedes amarelo, liam, sorriam e comentavam! Era tema para uma dissertação filosófica, entre os professores, com formações académicas diferentes, logo, cada qual, com uma visão particular do assunto. – Pois! Claro que é nos casais novos que se fazem os bolinhos de amor! Pudera! Com todo o manancial que possuem! E... um sorriso brejeiro aflorava ao rosto daquelas criaturas, arrancadas ao sono, a altas horas da matina. Até esqueciam o sacrifício feito, para cumprirem o seu dever profissional. Era esta a afirmação mais recorrente, no grupo, que andava todo na faixa etária dos anos 30! Só o M. mais maduro e experiente nas liças da vida docente e noutras, contrapunha com alguma reserva. Era o mais velho e o único cavalheiro. – E nos casais mais velhos, maduros, experientes? Acham que aí já não há ingredientes para o amor? Eu discordo! Sem o conhecimento empírico que hoje tem do tema, a teacher não podia opinar, com convicção e conhecimento. Mas, como sempre, gostou de ouvir os mais velhos, fonte de sabedoria catalogada (!?), arquivou na sua jovem memória este episódio, mais um, enriquecedor da sua, hoje, ampla experiência de vida. No regresso da Escola, de quando em vez, havia sempre lugar para estacionar o automóvel. Sim, que o veículo conduzido pela M. tinha estofos e gabarito para essa designação! Os outros, dos colegas acompanhantes, a descansar na garagem, lá em casa, eram uns meros carros de passageiros na sua humildade de meio de transporte! Aquele merecia, inteirinho, ser apodado de um automóvel! Por detrás, havia o suporte de um marido industrial... Cansados de um dia de actividade lectiva, não tanto como hoje (!!!), mais por estarem afastados geograficamente das suas residências, ainda sem a comodidade e celeridade dos IPs que tanto aproximam e encurtam as distâncias, lá paravam. Era numa enorme cozinha rústica, de lavrador, que eram confeccionados, vendidos e saboreados, aqueles deliciosos bolinhos de amor! Um forno de larga boca era o foco das atenções dos fregueses, enquanto degustavam os apetitosos docinhos, sentados em toscas mesas, dum ambiente, acolhedoramente, rural. Ainda hoje, volvidos 24 gloriosos anos, a teacher guarda bem, nas suas papilas gustativas, o sabor requintado, exótico, DIFERENTE, daquela especialidade doceira! Que saudade, desses bons velhos tempos! À guisa de conclusão, atreve-se a desafiar o teor daquele anúncio: o amor... tem sabor em qualquer idade!!! Mº Donzília Almeida 02 Janeiro 09

GAFANHA: Coisas de antigamente - 2

"Sementeiras e colheitas eram feitas em espírito de entreajuda. Os lavradores e seus familiares ajudavam os amigos e vizinhos para ganhar tempo. Os ajudados tinham de pagar na mesma moeda. Estas reminiscências comunitárias, que num ou noutro aspecto ainda perduram, constituem prova evidente da vivência de uma certa fraternidade e das necessidades económicas por eles sentidas. É que os gafanhões de antanho não tinham dinheiro que abundasse para pagar jornas.As sementeiras do milho e as plantações da batata eram feitas por processos muito simples e rudimentares, já que a escassez de recursos lhes não permitia a aquisição de máquinas agrícolas. E o mesmo se diga em relação a outras sementeiras e plantações."
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CHOCOLATE QUENTE

UMA HISTÓRIA... UMA LIÇÃO DE VIDA
Um grupo de jovens licenciados, todos bem sucedidos nas suas carreiras, decidiu fazer uma visita a um velho professor da faculdade, agora reformado. Durante a visita, a conversa dos jovens alongou-se em lamentos sobre o imenso stress que tinha tomado conta das suas vidas e do seu trabalho. O professor não fez qualquer comentário sobre isso e perguntou se gostariam de tomar uma chávena de chocolate quente. Todos se mostraram interessados e o professor dirigiu-se à cozinha, de onde regressou vários minutos depois com uma grande chaleira e uma grande quantidade de chávenas, todas diferentes - de fina porcelana e de rústico barro, de simples vidro e de cristal, umas com aspecto vulgar e outras caríssimas. Apenas disse aos jovens para se servirem à vontade. Quando já todos tinham uma chávena de chocolate quente na mão, disse-lhes: - Reparem como todos escolheram as chávenas mais bonitas e dispendiosas, deixando ficar as mais vulgares e baratas... Embora seja normal que cada um pretenda para si o melhor, é isso a origem dos vossos problemas e stress. A chávena por onde estais a beber não acrescenta nada à qualidade do chocolate quente. Na maioria dos casos é apenas uma chávena mais requintada e algumas nem deixam ver o que estais a beber. O que vós realmente queríeis era o chocolate quente, não a chávena; mas fostes conscientemente para as chávenas melhores. Enquanto todos confirmavam, mais ou menos embaraçados, a observação do professor, este continuou: - Considerai agora o seguinte: a vida é o chocolate quente; o dinheiro e a posição social são as chávenas. Estas são apenas meios de conter e servir a vida. A chávena que cada um possui não define nem altera a qualidade da vossa vida. Por vezes, ao concentrarmo-nos apenas na chávena acabamos por nem apreciar o chocolate quente que Deus nos ofereceu. As pessoas mais felizes nem sempre têm o melhor de tudo, apenas sabem aproveitar ao máximo tudo o que têm. Vivei com simplicidade. Amai generosamente. Ajudai-vos uns aos outros com empenho. Falai com gentileza. E apreciai o vosso chocolate quente. (Autor desconhecido) Enviado por João Marçal

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Jacinta canta “Songs of Freedom”

Jacinta enfrenta mais um desafio

A cantora de jazz Jacinta canta, no São Luiz, em Lisboa, “Songs of Freedom”, entre de 29 de Janeiro e 7 de Fevereiro. Neste espectáculo, Jacinta interpreta temas célebres dos anos 60, 70 e 80, de músicos como Ray Charles, Sting, Stevie Wonder ou Michael Jackson. Trata-se de mais um desafio à altura daquela que é considerada uma das melhores vozes femininas do jazz nacional e a primeira a gravar sob o selo “Blue Note”. Os espectáculos estão marcados para as 22 horas, de quinta a sábado.

Um sistema penal não pode ser só castigo

Cardeal-Patriarca lembrou necessidade
de reabilitar os condenados
Esta tarde, o Cardeal-Patriarca, D. José Policarpo, celebrou, na Sé Patriarcal de Lisboa, a tradicional Eucaristia por ocasião da abertura do Ano Judicial. Na homilia, D. José Policarpo lembrou a necessidade de reabilitar os condenados ao afirmar que “a justiça humana deve olhar para o conjunto da pessoa e do culpado. É difícil conceber uma pessoa que se identifique com a sua culpa. Um sistema penal que seja só castigo e não tenha no seu dinamismo a recuperação humana dos condenados, o mínimo que se pode dizer dele é que está desactualizado. Mas isso só é possível se olharmos para a pessoa no conjunto das suas potencialidades”. O Cardeal Patriarca concluiu, referindo que “não podemos exigir que se pratique formalmente a justiça para com Deus, mas nós os crentes sabemos que qualquer recuperação é redenção e que a força do Espírito de Deus é real, mesmo para nos ajudar a julgar”.
Fonte: RR

AÇORES: Praia da Vitória

Praia da Vitória

A Praia da Vitória, nos Açores, é a cidade onde vivo e trabalho. É um local muito agradável para quem gosta de paz e sossego. Não há muita confusão e tem espaços para fazer boas caminhadas junto ao oceano. E eu, tendo nascido e vivido junto ao Atlântico, sinto-me mesmo muito bem, quando olho para o mar e imagino que estou a cinco minutos da minha casa na Gafanha. Fico logo com outro espírito!

AVEIRO: História do CETA

50 anos ao serviço do teatro e da cultura
O CETA (Círculo Experimental de Teatro de Aveiro) apresenta uma “Exposição Retrospectiva da Sua História” no Teatro Aveirense, que decorrerá até 15 de Fevereiro. Desta forma dá início às comemorações do seu quinquagésimo aniversário. No dia 7 de Fevereiro, data oficial do seu aniversário, entre outras actividades, haverá um debate sobre a História do CETA e a sua importância como pólo de dinamização cultural, social e política para a nossa cidade, que decorrerá no salão nobre do Teatro Aveirense, às 18h30m. A exposição pode ser visitada de terça a sábado, entre as 13 e as 20h.

Consagradas e Consagrados por amor

Num mundo transtornado por tantas razões, as sérias e também as fúteis, vale a pena saber que há gente com coração largo. Quando pouco ou nada vemos à nossa volta, vale a pena saber que há mulheres e homens que enxergam a esperança, mesmo de olhos fechados. Quando não se calam as vozes que anunciam mais amarras, vale a pena saber que há pessoas que dão uso ao ouvido do coração, abrindo um porto seguro. A vida consagrada é hoje um esteio de humanidade. Para todos, mesmo os nãos crentes. Para a Igreja continua a ser, como sempre foi, aquele tesouro frágil que tanto mais a enriquece, quanto não lhe pertence a iniciativa do dom, sempre da Graça. Para uma sociedade cada vez mais secularizada, entre o incompreensível e o admirável, ela avulta como sinal de radicalidade, profundamente questionador das entregas e dos sonhos. Para uns e outros, percebendo-o ou não, a vida consagrada torna visível um amor encarnado, um amor louco de entrega, um amor chamado à glória pelo caminho da cruz. As religiosas e os religiosos que conhecemos, que não conhecemos, de quem ouvimos falar, ou que nos passam pela existência com a discrição de quem se apaga para servir, dão do ser cristão no mundo de hoje um testemunho único. E como seria diferente o mundo que conhecemos sem eles. Mais pobre, sem dúvida, talvez mesmo mais brutal ainda, de qualquer modo menos atraente. O amor destas mulheres e destes homens, tantas vezes provado, há-de sempre fazer lembrar, aos mais despertos e também aos outros, que a vida entretecida na gratuidade e no dom é por Deus abençoada com fecundas realizações. Que a Igreja estime com particular afecto aquelas e aqueles que lhe mostram o amor de Jesus com os traços da autêntica caridade fraterna, não parece de estranhar. Que também cada um de nós o faça com genuína alegria de coração é caminho a fazer todos os dias. João Soalheiro

GAFANHA: Coisas de antigamente – 1

"O povo que se instalou na Gafanha era gente pobre. Foi no século XVII que os primeiros, como caseiros, começaram a agricultar estes areais. Acossados certamente pela fome, no dizer do Padre João Vieira Rezende, procuraram melhores condições de vida. As areias não os assustaram, já que a elas andavam de certo modo habituados. A instalação não deve ter sido difícil. 
Era gente não muito exigente e com grande capacidade de sacrifício e de adaptação. As casas de habitação eram modestíssimas. De madeira ou de barro amassado com felga, limitar-se-iam à cozinha e a um ou outro compartimento que servia de quarto de dormir. As camas seriam esteiras ou pobres enxergas estendidas sobre bicas ou junco. 
Outras divisões e comodidades só muito mais tarde. Mas deixemos hoje estas coisas, aliás curiosas, e falemos da agricultura dos gafanhões dos fins do século XIX. Dos outros pouco reza a história.Terra para cavar não lhes faltava e vontade de a fazer produzir também não. 
A ria logo os atraiu, não tanto para a aventura da pesca, mas para o aproveitamento do que ela de mão beijada lhes oferecia: o moliço. Rapado na borda por ancinhos de dentes de madeira, lá ia curtir nos areais à espera da hora das sementeiras."

Leia o texto completo em Galafanha 

Fernando Martins

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