quinta-feira, 19 de julho de 2007
José Saramago terá razão?
Os meus contos
A mulher deambula de um lado para o outro indiferente aos olhares de quem está ou passa. Baixa-se com dificuldade, puxa com as poucas forças que lhe restam o saco preto de plástico semicheio de lixo, ergue-o a custo para o despejar no carro de mão e volta à cata de mais folhas, mas também de papéis atirados para o chão por gente graúda e miúda que corre apressada, sem cuidar de saber das recomendações que periodicamente se badalam para haver respeito pelo ambiente, que é propriedade de todos. De quando em vez, o capataz lá aparece para dar as suas ordens:
– Olhe ali; quero isto limpinho como um brinco; não quero queixas de quem paga!
Maria do Céu, assim se chama a mulher que me prende a atenção e me desperta os sentimentos nascidos à sombra de quem sofre e luta, obedece apressada sem mostrar enfado, num gesto maquinal de quem está habituada a cumprir ordens.
De rosto cansado por vida agreste, os seus olhos claros e expressivos não escondem uma beleza que teima em se manter viva. Já reformada da indústria conserveira, continua a trabalhar porque tem de ser. Porque a sua reforma e a do marido, incapacitado por doença degenerativa, não dão para sobreviver.
A renda de casa, a alimentação modesta e os medicamentos do dia-a-dia levam todo o dinheiro que chega no fim de cada mês. Os dois filhos, casados e com encargos familiares, não descobrem hipóteses de os ajudar, embora sintam ser sua obrigação olhar por quem lhes deu o ser e a educação.
Maria do Céu sabe disso e até já tem conversado com o marido, o Zé Morgado, lamentando a sina de quem nasce pobre. Com fracos ordenados, pouco puderam dar aos filhos para singrarem na vida, para além da arte da pesca costeira, que ambos assumem com alguma vaidade. Não são eles lobos-do-mar? O que ganham, porém, mal dá para educar os rebentos que vão crescendo e para o dia-a-dia, sem grandes aventuras.
A meio da manhã, sol forte de Verão a convidar ao descanso, apenas por uns minutos, a varredora senta-se à sombra de uma árvore enorme, com décadas de existência a enfrentar as ventanias que assolam a região, em qualquer época do ano.
De um saco de plástico com asas, dos que são oferecidos nas compras, sejam ricas ou triviais, tira uma sandes de qualquer coisa, que a distância não deixa perceber, e come, mastigando serenamente, como quem deseja perpetuar o tempo ali sentada.
Maria do Céu não consegue esquecer o seu Zé. Agora lembra-se de como seria bom estar junto dele, apesar de a doença o levar a ficar cada vez mais rezingão. Protesta por isto ou por aquilo, mas logo a seguir dirige olhares de ternura para quem o acompanha, com muito amor, há mais de 40 anos.
Os dois são um casal feliz, apesar das agruras da vida, desde o dia inesquecível do seu casamento na igreja matriz, onde juraram amor e fidelidade até à morte. Jovens, olharam para o futuro com esperança, alimentando sonhos que se foram multiplicando, ao mesmo tempo que muitos deles se esboroaram. Sem angústia, aceitam a pouca sorte que os acompanha, habituando-se a viver com o pouco que vão tendo. Ao bater do meio-dia, apressa-se a arrumar as alfaias do seu trabalho e vai apressada a casa, para ajudar o marido no que for preciso.
O almoço, feito de véspera, é coisa simples, desde há muito: uma sopinha e fruta. Pouca porque é cara. Mas neste dia o seu José não quer comer. Diz-se cansado e sem apetite. Não resmunga e ao ralhete da mulher, para que coma, responde com um silêncio que a inquieta. Nem por isso, contudo, pensa que seja algo de grave.
– Queres ir ao Centro de Saúde? – pergunta Maria do Céu.
A resposta, lacónica, é um não ciciado. Nessa tarde, a varredora está ausente das suas obrigações profissionais. Os seus pensamentos voam para casa, para junto do homem que é a razão do seu viver. No parque, os trabalhos rotineiros sucedem-se, sem grande esforço mental. Mas o desejo que a domina diz-lhe para deixar tudo e para correr para junto do seu Zé. Correr como quem busca uma certeza: a de que ele está bem, que aquilo não passa de um incómodo passageiro.
Ao bater das seis da tarde, larga tudo e parte apressada e ansiosa. José está prostrado, indiferente à vida. Maria do Céu olha-o, assustada, e grita pela vizinha. A ambulância leva-o, já a desligar-se do mundo, para o hospital. Não há nada a fazer.
A varredora volta ao quotidiano, depois do luto estipulado por lei. Recusa o convite dos filhos para morar com eles, um mês em casa de cada um, para não se sentir abandonada. Não há quarto para a mãe, mas tudo se arranja. Não aceita. Nem quer pensar em deixar o lar modesto em que sempre vivera com o seu José. Ali vai continuar até Deus querer. Com as suas recordações, com sonhos realizados e por realizar, pisando o chão que foi de ambos, ouvindo os risos dos filhos pequenos, sentindo as palavras, as gargalhadas e a teimosia rezingona do homem que ama e a faz feliz. Aos fins-de-semana recebe a visita dos filhos e netos. Nos primeiros tempos de viuvez, com regularidade. Depois tudo volta a ser como dantes.
Maria do Céu começa a sentir-se mais só. O trabalho regressa à normalidade. De manhã cedo, no parque verdejante e cheio de arvoredo, aprecia o ambiente de forma diferente, enquanto recolhe a natureza morta. Por lá ciranda muita gente. De quando em vez, há crianças que brincam, correm e jogam, perante os olhares atentos dos professores e educadoras. A varredora olha-as enternecida e regressa à infância dos seus filhos. Reconhece que está a rejuvenescer.
Agora, todas as manhãs acorda com pressa de ir para o parque. O desejo de ver as crianças com tanta vida dá-lhe mais ânimo. E consegue trabalhar com um olho no lixo e outro na ingenuidade amorosa de quem começa o jogo da vida. Maria do Céu sente-se mulher para continuar a lutar. Até parece que não a afecta o peso dos anos. Nem sequer dá pelas dores nos ossos e músculos. E à noite, quando se deita, os seus pensamentos não conseguem sair do parque.
De manhã, lá estará no meio de tudo e de todos, sem que ninguém a note e sem perturbar quem está. Há dias, numa tarde amena, contra o que era costume, não tem vontade de regressar a casa. Por ali está bem, presa a gestos e a sorrisos cantantes que lhe não saem do ouvido. À tardinha, as crianças deixam o parque com os seus acompanhantes e Maria do Céu resolve descansar um pouco. Sentada, junto da árvore que adoptou como sua, fecha os olhos e recorda o que a vida lhe havia dado de bom com seu Zé e seus filhos. Como tantas vezes havia feito ao longo da existência. Adormece tranquilamente, com a cabeça a cair-lhe sobre o peito. O capataz, ao vê-la assim, aproxima-se e pergunta:
– Maria do Céu, então o trabalho? A varredora não responde. Foi encontrar-se com o seu Zé.
Fernando Martins
Ares do Verão

BUGAS
Quem chega a Aveiro tem uma boa prenda da cidade. Boa prenda, porque é um convite à descoberta da cidade, sem precisar de gastar dinheiro. Só necessita de tempo e de boa disposição. A prenda, afinal, é a possibilidade de utilizar a BUGA (Bicicleta de Utilização Gratuita de Aveiro), posta à disposição de todos, sem qualquer custo. O visitante salta para o selim, carrega nos pedais e aí vai ele por ruas e ruelas, passeios e largos, ao lado dos canais da ria ou deles afastado, à cata do que Aveiro tem para ver: Edifícios da Arte Nova, bairros populares, palacetes e barcos moliceiros, salinas (quase só para turista ou estudiosos verem) e monumentos diversos, de tudo um pouco. Depois, pode parar em qualquer canto para saborear os ovos-moles e continuar a pedalada.
Boas férias para todos.
TECENDO A VIDA UMAS COISITAS - 33
Um artigo de D. António Marcelino
e os impedidos de nascer
terça-feira, 17 de julho de 2007
As Sete Maravilhas de Portugal
MOSTEIRO DE ALCOBAÇA
Mas o Mosteiro é muito anterior aos amantes que ali estão à espera dos visitantes que, logo à chegada, muitos, perguntam por eles. A Abadia cisterciense de Santa Maria de Alcobaça vem do tempo de D. Afonso Henriques, pois foi por ele fundada em 1153. Doada à Ordem de Cister pelo nosso primeiro rei, representados por Bernardo de Claraval, a abadia começou a ser construída 25 anos depois da chegada dos monges brancos, concretamente em 1178. Foi uma das mais poderosas abadias da Ordem de Cister, de raiz beneditina, apresentando uma arquitectura austera e grandiosa, bem ao espírito daquele que viria a ser S. Bernardo, tão importante para a construção e identidade da Europa.
Claro que muito do que hoje podemos apreciar sofreu grandes alterações e readaptações. Mas a parte do Mosteiro que está aberta ao público é a mais expressiva, remontando ao período medieval. Os nossos olhos não podem deixar de ficar extasiados perante a beleza sóbria e convidativa ao silêncio da Sala do Capítulo, do Parlatório, do Dormitório, da Sala dos Monges e do Refeitório, com o seu Púlpito do Leitor, uma peça arquitectónica muito bela.
A visita ao Mosteiro de Alcobaça transporta-nos até à corte do nosso rei fundador, através de um conjunto de painéis de azulejos que nos contam a história da doação de D. Afonso Henriques a Bernardo de Claraval. Mas todo o conjunto do Mosteiro nos convida a recuar ao tempo em que os monges da Ordem de Cister ali viveram, tendo por normas de vida o coro, a oração, a penitência e o trabalho manual.
A Ordem de Cister desenvolveu-se a todos os níveis, em Portugal e em toda a Europa. Também a vida monástica se foi adaptando às exigências das épocas. Com as riquezas que vinham das suas vastas propriedades, foi possível empreender grandes obras e reformas. Ali se ergue, à época, uma das maiores livrarias do reino, renovam-se os altares segundo novos gostos e o fausto da abadia atinge o máximo no século XVIII.
Com a extinção das Ordens Religiosas, em 1834, os monges são obrigados a abandonar o Mosteiro. Parte do seu recheio desaparece, encontrando-se muitas peças disseminadas por diversos museus. A Biblioteca é desmembrada, espalhando-se o seu espólio pela Biblioteca Nacional e pela Torre do Tombo.
Em 1985, a UNESCO classificou este Monumento Nacional como “Património Cultural de toda a Humanidade”. Recentemente, os portugueses ajudaram a classificá-lo como uma das sete Maravilhas de Portugal. Por tudo isso e por tudo o mais que não é possível sublinhar aqui, convido os meus leitores a passarem por lá durante estas férias.
Um artigo de António Rego
Um artigo de Alexandre Cruz
Ares do Verão
sexta-feira, 13 de julho de 2007
Padeira de Aljubarrota
BRITES DE ALMEIDA,
"Chamava-se Brites de Almeida. Era ossuda e muito feia e trazia seis dedos em cada mão.
Em Aljubarrota no dia 14 de Agosto de 1385 pegou na primeira arma que achou e juntou-se às destemidas hostes portuguesas. Entre outros, matou sete castelhanos com a pá do seu ofício, que no forno se haviam todos escondidos."
Nota: Por detrás do monumento, está o edifício, chamado Celeiro dos Frades, que ostenta alguns azulejos, alusivos à padeira, do século XIV, e a épocas posteriores.
Não é edifício de interesse histórico, tanto quanto averiguei no local.
A batalha de Aljubarrota, em que os portugueses defenderam a independência nacional, lutando contra o rei de Castela, casado com D. Beatriz, filha do nosso rei D. Fernando e pretendente ao trono de Portugal, travou-se em São Jorge, localidade perto de Aljubarrota e bem assinalada, com capela, museu e o espaço definido onde se travou luta sangrenta.
Estado laico tem de respeitar toda a gente
Políticos mal habituados
Terra Nova celebra aniversário
TECENDO A VIDA UMAS COISITAS – 32
Destruição da Família
quinta-feira, 12 de julho de 2007
As sete maravilhas de Portugal
Ares do Verão
Um poema de Manuela Azevedo
SUBINDO A SERRA
Subir a serra
é sentir lá no cimo
a presença divina,
ter asas e ser pequenino.
Ver as minúsculas casas
ponteadas na paisagem,
sentir o vento a fustigar o corpo
e só querer chegar sempre mais alto,
o coração a soltar-se na aragem,
qual papagaio a que se solta o fio.
Manuela Azevedo
.
a ser lançado no dia 13 de Julho,
pelas 21.30 horas,
no Auditório Municipal
da Figueira da Foz.
Um artigo de Alexandre Cruz
sexta-feira, 6 de julho de 2007
A nossa gente - João Catraio
O TIO JOÃO CATRAIO
Há mais de 60 anos, o tio João Catraio era um dos patriarcas da Gafanha da Nazaré. Vivia no lugar da Cambeia e desde cedo me habituei a escutá-lo com enlevo. Falava sempre com um sorriso nos lábios e nunca o ouvi nem vi aborrecido. Deixava transparecer um optimismo contagiante e uma serenidade que impressionava. Apesar da idade avançada, mostrava um ar de catraio, que atraía pela sua candura e simpatia.
Gostava de conversar com ele, mais para ouvir do que para falar, já que é ouvindo os mais velhos que se aprende. Foi um ídolo da minha infância e juventude, e mais tarde, já homem feito, nunca deixei de o olhar com muito respeito e admiração, qual livro aberto cheio de estórias de encantar, para legar às gerações futuras.
Quando nos víamos, de mim e dele saíam saudações amigas, comentários de circunstância e divagações que nos levavam a perder a noção do tempo. Ficávamos, por vezes, por ali, no seu quintal, entre o chilrear da passarada que fazia ninhos nas árvores, nos beirais de sua casa e no verde milheiral que dominava tudo em redor, ou não fosse o milho o cereal que mais merecia a atenção e a preferência dos gafanhões.
Quem passava tinha sempre uma palavra de cumprimento, ao jeito de “Boa tarde lhe dê Deus”, a que se respondia “Boa tarde; vá com Deus”. Eram expressões que denotavam a fé dos gafanhões daquele tempo, e que ainda hoje se ouvem entre as pessoas mais idosos, sem qualquer complexo.
Há umas quatro décadas, numa tarde de Verão, à hora da sesta, o tio João descansava sentado junto ao monte de palha e junco, bem perto dos currais dos animais. A frescura das árvores de fruto amenizava o ar abafado que à volta tudo dominava. Àquela hora, o trabalho na sua pequena quinta, onde de tudo um pouco se criava, era impossível.
Nem vivalma pela rua, sinal de que os outros agricultores esperavam por uma temperatura mais fresca, para recomeçarem a labuta nos campos. Ao vê-lo assim tão bem encaixado na palha e à sombra reparadora do monte, senti vontade de o ouvir, como diversas vezes tinha feito.
Nessa tarde, o tio João falou-me da estória da sardinha que era repartida por três pessoas da família, no momento da janta. Estranhei tanta poupança, mas ele logo me confirmou que era uma realidade desde os seus tempos de menino, ainda nos finais do século XIX. Antes e depois, segundo ele, as pessoas da Gafanha alimentavam-se parcamente. Não haveria fome, mas as dificuldades económicas eram muitas. Comia-se do que se cultivava e pouco se comprava.
Também não havia o hábito de pescar, já que os gafanhões eram essencialmente agricultores e não queriam nada com a ria nem com o mar, segundo ele me confessou. Só mais tarde, nos finais do século XIX e princípios do século XX, se aventuraram na apanha do moliço, do berbigão e do mexilhão, sem se afastarem muito da borda. A pesca veio lentamente para os hábitos desta gente que deixou os areais das aldeias de Vagos e de Mira, para se estabelecer nos areais semelhantes da península da Gafanha. A isso foram obrigados pela falta de terra para cultivar. As famílias, por norma muito numerosas – recordava-me o tio João – viam as suas propriedades serem repartidas sucessivamente nos momentos das heranças. Se era necessário procurar mais terrenos para cultivar, o mais fácil seria deslocarem-se para terras vizinhas, onde havia espaço para todos. Umas terras recebidas por aforamento e outras por ocupação, simplesmente. Eram terrenos muito iguais, resultantes das areias esbranquiçadas que o mar depositava nas margens, dando origem, durante séculos, à restinga que se foi formando, de Ovar a Mira.
E a areia foi tanta, que em 1888 se iniciou a sementeira do penisco, que deu origem à Mata da Gafanha. Esses trabalhos, que envolveram muitos gafanhões, terminaram em 1910, ano da criação da freguesia da Gafanha da Nazaré. A Mata serviria para fixar as dunas e para proteger as sementeiras dos ventos marinhos e das areias que os mesmos arrastavam, prejudicando as culturas, assim me dizia o tio João Catraio, qual livro aberto que tanto me ensinou, com a sua sabedoria de experiência feita.
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Fotos: Tio João Catraio, com esposa Carolina
Fernando Martins
TECENDO A VIDA UMAS COISITAS - 31
Hoje, se me permitis, vou dar três saltos no tempo:
1- 23 de Julho de 1958, dia em que realizei o Exame de Estado, na Quinta da Rainha. Estamos a entrar no início das bodas de ouro. E quantas estórias por aí andarão?
Que é dos nossos Professores? E dos “funcionários” da Escola?
E vós, companheiros/as, onde e como estais?
Lembro-me que a nossa última saída, enquanto alunos da escola, foi a Fátima, a consagração do nosso Curso. Os rapazes, e logo também eu, levámos o andor na procissão de velas. Lá estavam connosco o Director, os Professores e o padre Eurico Dias Nogueira, nos nossos dias, arcebispo emérito de Braga.
2- «A 13 de Maio de 1917, três crianças apascentavam um pequeno rebanho na Cova da Iria, freguesia de Fátima, concelho de Vila Nova de Ourém, hoje diocese de Leiria-Fátima. Chamavam-se Lúcia de Jesus, de 10 anos, e Francisco e Jacinta Marto, seus primos, de 9 e 7 anos. Por volta do meio-dia, depois de rezarem o terço, como habitualmente faziam, entretinham-se a construir uma pequena casa de pedras soltas, no local onde hoje se encontra a Basílica. De repente, viram uma luz brilhante; julgando ser um relâmpago, decidiram ir-se embora, mas, logo abaixo, outro clarão iluminou o espaço, e viram em cima de uma pequena azinheira (onde agora se encontra a Capelinha das Aparições), uma "Senhora mais brilhante que o sol", de cujas mãos pendia um terço branco. A Senhora disse aos três pastorinhos que era necessário rezar muito e convidou-os a voltarem à Cova da Iria durante mais cinco meses consecutivos, no dia 13 e àquela hora.»
3 - A fada Oureana
«Fátima , jovem e bela Princesa moura , era filha única do emir, que a guardava dos olhos dos homens numa torre ricamente mobilada , tendo por companhia apenas as aias e , entre elas , a sua preferida e confidente Cadija .
Apesar de estar prometida a seu primo Abu, o destino quis que Fátima se apaixonasse pelo cristão que seu pai mais odiava, Gonçalo Hermingues, o "Traga-Mouros" , o cavaleiro poeta que nas suas cavalgadas pelos campos via a bela princesa à janela da torre.
Rapidamente o coração do cavaleiro cristão se encheu daquela imagem e sabendo que a princesa iria participar no cortejo da Festa das Luzes , na noite que mais tarde seria a de S.João , preparou uma cilada de amor.
No impressionante cortejo de Mouras e Mouros , montando corcéis lindamente ajaezados , Fátima era vigiada de perto por Abu . De repente os cristãos liderados pelo Traga-Mouros saíram ao caminho e Fátima viu-se raptada por Gonçalo .
Mas Abu depressa se organizou e partiu com os seus homens em perseguição dos cristãos e a luta que se seguiu revelou-se fatal para o rico e poderoso Abu .Como recompensa pelos prisioneiros mouros, Gonçalo Hermingues pediu a D. Henriques licença para se casar com a princesa Fátima , a que o rei acedeu com a condição que esta se convertesse .
A região que primeiro acolheu os jovens viria a chamar-se Fátima , mas a princesa, já com o nome cristão de Oureana, deu também seu nome ao lugar onde se instalaram definitivamente , a Vila de Ourém.»
[in Escola 1º C.E.B. - Matas N.2 – Sobral - Agrupamento de Escolas - IV Conde de Ourém]
Recuados no tempo, poderíamos perguntar onde começa e termina a lenda.
Manuel
quinta-feira, 5 de julho de 2007
Um artigo de D. António Marcelino

Diz o povo, com a sua proverbial sabedoria, que “quem se pica não é ouro de lei”. O ouro verdadeiro resiste a riscos e encontrões e não se amolga com facilidade. Não é assim com o ouro fingido, que não passa de quinquilharia e que, facilmente, perde o brilho, denunciando a sua fingida aparência.
Está a acontecer entre nós algo de estranho e de preocupante. O primeiro- ministro leva a tribunal, como cidadão ofendido, um outro cidadão que a ele se referiu num vulgar blogue da Internet. Os ministros da Educação e da Saúde demitem funcionários dos seus ministérios por os julgarem menos respeitadores das suas pessoas e dos actos do seu Governo. Mas, se procuram nos ministérios, informações necessárias e legítimas, ou ninguém atende ou fica-se dependurado no telefone à espera de quem nunca aparece. Tudo isto denuncia intolerância, menosprezo, indiferença, sobranceria. Porém, não deixamos de sentir que está montada uma rede de videirinhos e denunciadores atentos, com acesso fácil ao senhor ministro, gente que alimenta a intolerância, de quem devia dar exemplo diário de tolerância…
Quem não respeita, acaba por não ser respeitado. Isto é mau e não acaba bem.
Não é menos preocupante ver hoje, muito mais do que antes se via, como se reprime o humor e a anedota de sabor político. Num ambiente pesado, o sol escurecerá, os poetas vão calar-se e tudo quanto tem raízes no espírito vai estiolar e fenecer.
O humor, a poesia, as vozes defensoras de valores espirituais, são um tónico indispensável para que se possa viver em sociedade, de modo livre e sadio. Não se pode correr o risco de termos de falar, nas conversas e nos meios de comunicação, e mesmo assim com cuidado porque há ouvidos suspeitos e pouco limpos, apenas de futebol, orçamento, mercado, impostos, desemprego, greves, escândalos, festa de gente fina, brigas de mau humor de milionários, telemóveis de topo de gama, assaltos e raptos, milhões por transferências de jogadores e por aí adiante em coisas de igual teor.
Quem quiser falar de processos mais a guardar prescrição que sentença; de leis que não respeitam o bem comum e destroem o tecido social; de pobres de vária ordem, que a sociedade torna cada vez mais pobres e menos atendidos e defendidos; de desvalorização premeditada da pessoa humana e das pessoas em geral; do ensino, mais dependente das estatísticas, gerador de incultura e que parece só olhar para um futuro de competição; de portas escancaradas à entrada de todo o lixo que a Europa exporta; de favores partidários que menosprezam a justiça e roçam o escândalo, então há que ter cuidado, porque, ao nosso lado, a intolerância aumenta, os governantes não suportam críticas e se generaliza cada vez mais um clima de desconfiança. Nunca se sabe quem se senta ao nosso lado, no café ou no restaurante, no comboio, no autocarro ou na sala de espectáculo.
Dê-se lugar ao humor e às anedotas sadias que fazem rir, antes que tudo se transforme numa anedota, sem gosto nem sal. Apareçam poetas que falem da beleza das pessoas e das coisas, de um modo livre, que só eles sabem. Dê-se voz e atenção a quem defende e promove valores espirituais e morais, para que o ambiente social seja respirável e apetecível. Olhemo-nos uns para os outros, sem que mutuamente ponhamos rótulos na testa. Tenhamos coragem para aplaudir o bem, denunciar o mal, respeitar as pessoas e viver sem medo em qualquer lugar. Não nos deixemos envinagrar nem envenenar, com coisas que passam e que passam depressa. Não permitamos que apaguem o sol ou o queiram só para alguns, porque “o sol quando nasce é para todos”, nem que Portugal se extinga e se empobreça. O remédio para os nossos males não tem que vir de fora. Está em nós. A menos que quem manda nos impeça de sermos nós próprios e de agirmos com a liberdade que nos assiste.
Se o povo não se dividir mais, nem for abafado no seu bom senso e natural sabedoria, ele servirá de corrector normal dos vícios e dos desvios enganadores.
António Marcelino
Fundações
quarta-feira, 4 de julho de 2007
Um artigo de António Rego

Sabemos que a felicidade não se mede aos palmos nem a pobreza se coloca na balança electrónica que os ricos controlam. O que é um rico e um pobre? No Primeiro, como no Terceiro mundo? (As palavras e os números estão cada vez mais esfarelados pelos conceitos e preconceitos que se sucedem na óptica do bem estar, do ter, dos bens primordiais, do essencial e do supérfluo).
Para a economia é bom poupar, esbanjar, diminuir o consumo, ou apenas importa produzir mais, duma forma competitiva, capaz de fazer frente a outros que fazem o mesmo? Como se configura uma doutrina humanizada (e cristianizada, no caso da Doutrina Social da Igreja) com as regras de mercado livre e duma economia dobrada à libertinagem comercial, que estabelece as próprias regras no direito que todos têm a comprar ou vender, poupar ou esbanjar, fazer do pão de cada dia uma guerra sujeita às regras de compra e venda? Como se harmoniza a rentabilidade com a justiça social e distributiva? Como se sabe que o produto interno bruto, em vez de gerar um benefício para a comunidade, não vai parar aos cofres dos mesmos, já recheados de meios, oportunidades, prestígio, credibilidade nos mercados? Como é possível que o simples faro para o negócio gere milhões da noite para o dia, sem nada ter a ver com o bem comum? Como se questiona, nas regras vigentes, a riqueza acumulada sem um toque de escrúpulo com os que objectivamente vivem sem o pão de cada dia? Como se pode pedir aos grandes criadores de riqueza que, na sua agenda mental, tenham em conta os que vivem no estertor da miséria, sem casa, saúde, alimentação, conforto, acesso ao novo essencial que os tempos de hoje facultam? Que calma é esta que suscita alegria quando desce o número dos pobres, sem o escândalo pelos que ainda permanecem na margem da vida e rondam os cerca de mil milhões de seres humanos? Como se liga o alarme aos que andam distraídos sobre uma parte do mundo que ainda morre de fome?
António Rego
ADERAV

Direcção da ADERAV tomou posse
Os corpos sociais da ADERAV – Associação para o Estudo e Defesa do Património Natural e Cultural da Região de Aveiro, para o biénio 2007 / 2009, tomaram posse, no dia 29 de Junho, na Capela de S. Francisco, com um alerta para o estado de degradação daquele monumento nacional.A sessão de posse dos novos órgãos sociais da ADERAV incluiu uma visita à Capela de S. Francisco, templo que, juntamente com a Igreja e Convento de Santo António, forma um conjunto classificado, em 14 de Outubro de 1999, como monumento nacional. Em 1677 foi lançada a primeira pedra da actual capela de S. Francisco, templo concluído dois anos mais tarde. A visita teve por objectivo dar a conhecer e alertar para o estado de degradação da capela.Delfim Bismarck preside à assembleia-geral, tendo por secretários Sérgio Azevedo e Graciano Pinto. A direcção é constituída por Luís Souto (presidente), Oliveira Cardoso e Paulo Morgado (vice-presidentes), Ana Leite (secretária), João Paulo Baeta (tesoureiro), Fátima Alves e Patrícia Sarrico (vogais). O conselho fiscal é presidido por Maria da Luz Nolasco, sendo os cargos de secretário e relator ocupados, respectivamente, por Carlos Fonseca e Andreia Leite.A ADEARV irá explorar “todas as formas que considere eficazes no sentido de ter um papel activo nas questões que directa ou indirectamente afectem a preservação do património”. Para isso, a associação “terá especial cuidado na fundamentação das suas posições públicas, recorrendo por exemplo a pareceres de especialistas, sem no entanto transformar a associação num fórum académico”.
terça-feira, 3 de julho de 2007
Ares do Verão
Comunicação social na Igreja
OS TRÊS NÍVEIS Efeméride
No dia 3 de Julho de 1905, por iniciativa da Câmara Municipal de Aveiro e após viva controvérsia, começou o corte e demolição de parte do Convento das Carmelitas, para a abertura de uma praça, que veio a ser baptizada, à margem da Igreja, diga-se de passagem, com o pomposo nome de Marquês de Pombal, que, acrescente-se ainda, não gostava nada de Aveiro. O duque de Aveiro, não terá, em sua opinião, colaborado no atentado ao Rei D. José?
Ao recordar este facto, relatado, sucintamente, no Calendário Histórico de Aveiro, de António Christo e João Gonçalves Gaspar, ocorre-me perguntar se não seria altura de a igreja das Carmelitas e anexos voltarem à posse da Igreja Católica, para lhes ser dado um uso mais adequado. Penso que sim.
segunda-feira, 2 de julho de 2007
Energias Renováveis em Acção
A nossa gente

Armando Oliveira Pimentel nasceu em Vagos a 17 de Janeiro de 1930, mas desde os seus 20 anos, ano em que casou, reside em Ílhavo.
Descende de uma família profundamente enraizada na Vista Alegre. Foi seu pai, o primeiro pintor da família, que certamente influenciou a vocação do filho para abraçar a profissão que faria dele o último Mestre de pintura da Vista Alegre. Esta vocação revelou-se muito precocemente pois Armando Pimentel recorda-se, de ainda menino gostar de desenhar “as caras dos Reis de Portugal, mas só dos que tivessem barba e bigode…”
O seu pai tentou a sua entrada para o seminário a qual não se realizou por motivos financeiros. Abandonada a ideia do seminário, e porque era necessário ajudar os pais e os irmãos, começou a trabalhar num talho à espera de ter idade para poder ingressar na Vista Alegre.
Foi no dia 22 de Março de 1942, com 12 anos de idade, que começou a aventura do futuro Mestre da Vista Alegre, ingressando na Aula de Desenho tendo como professor o João Cazaux. Cedo se revelaram os seus invulgares dotes artísticos, e passado um ano ingressou como aprendiz na oficina de Pintura onde foi acompanhado pelo Mestre Ângelo Chuva. Aos 18 anos foi oficialmente considerado “Aprendiz menor do 1º ano de pintor” e começou a trabalhar com o seu grande Mestre Palmiro Peixe.
Foi meteórica a sua carreira como pintor da Vista Alegre. Contrariamente ao que era habitual começou a ter um vencimento de 5$00 por dia, logo que iniciou a aprendizagem de pintura e aos 14 anos recebeu, no Natal, a sua primeira gratificação, que naquela altura, só era concedida a 6 pintores!
Foi Armando Pimentel que iniciou a técnica da pintura sobre biscuit, em 1970, que tornou possível uma autêntica revolução artística da pintura, pelo realismo que tal técnica permitia dar às peças.
De 1970 a 1999 todos os lançamentos de séries especiais ou limitadas da Vista Alegre lhe passaram, directa ou indirectamente, pelas mãos e lhe mereceram a mais dedicada atenção e o maior empenho na qualidade da sua execução.
Armando Pimentel esteve ao serviço da Vista Alegre 65 anos, representando-a em vários pontos do globo, desde a fábrica alemã Hutschenreuther, em 1969, participou num Congresso de Design na Suécia e na Finlândia, esteve presente nas Feiras de Versalhes, Frankfurt e Hannover, e fez demonstrações de pintura ao vivo em Londres, Dallas, Bóston, New York, Haway e Rio de Janeiro. Também em Portugal teve a oportunidade de revelar o seu talento como pintor na FIL, em Lisboa, em exposições realizadas na Póvoa de Varzim e Espinho e por ocasião da inauguração da nova Loja da V.A. no Chiado, em Lisboa.
Armando Pimentel pintou centenas de peças, todas motivo de orgulho, algumas com marcas históricas. É o caso do serviço oferecido como presente à Rainha Isabel II, quando o Presidente da República visitou a Grã-Bretanha. Bem como outro pedido executado a pedido da Câmara Municipal de Lisboa para servir no banquete oficial que o Presidente da República ofereceu à Rainha Isabel II.
Mestre Armando Pimentel foi um grande Embaixador da Vista Alegre, deixando, por onde passou, o rasto da sua inconfundível arte numa capacidade rara de criar beleza.
Fonte: “Viver em…” da CMI
A nossa saúde

DIETAS
A moda das dietas, para tudo e mais alguma coisa, reaparece, com mais força, no Verão. Nesta altura, mais por motivos de estética e para não parecer mal na praia. Não vejo nenhum mal nisso. Mas como a saúde sofre com uma alimentação errada, as dietas também fazem parte, hoje e durante todo o ano, das recomendações médicas. Só que, às vezes, ficamos baralhados, com certas contradições. O que uns recomendam, outros condenam.
Há tempos, três especialistas colaboraram com uma revista, cada um deles explicando, grosso modo, o seu método. E os três tentaram explicar as razões das suas opções, que não coincidiam em vários pontos. O que um condenava o outro considerava normal ou importante.
No final, cheguei à conclusão de que o problema está em cada um nós e que se resume em comer pouco e várias vezes por dia, não abusando daquilo que toda a gente diz que faz mal, controlando o apetite e optando por alimentos variados e o mais naturais possível.
No PÚBICO de hoje, a jornalista de serviço e especialistas em questões científicas, Ana Gerschenfeld, recomenda uma “Dieta da idade da pedra”, como a mais saudável.
Diz assim:
Dieta da idade da pedra
“Toda a gente sabe: um dos flagelos do mundo ocidental, num futuro que já é presente, serão as doenças ligadas à alimentação - a diabetes e o seu cortejo de complicações graves. Mas afinal qual é a dieta mais saudável? Não é bem a mediterrânica, respondem cientistas da Universidade de Lund, na Suécia; é a dos homens e mulheres da Idade da Pedra. No primeiro estudo deste género no ser humano, pediram a 14 pessoas para adoptarem uma dieta "paleolítica": fruta, legumes, nozes, carne magra, peixe, evitando o sal. A outros 15, aconselharam uma dieta de tipo "mediterrânica prudente" - à base de flocos integrais, lacticínios com baixo teor de gordura, fruta, legumes e gorduras saudáveis como o azeite. Mediram os picos de açúcar no sangue após a ingestão de hidratos de carbono, que quando são acentuados indicam uma "intolerância à glucose", sintoma precursor da diabetes. Passados três meses, o principal resultado, refere um comunicado, foi que esses picos tinham diminuído marcadamente no grupo Paleolítico, mas não no Mediterrânico. Ou seja: mesmo os cereais e os lacticínios deveriam fazer parte dos alimentos a evitar.”
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