terça-feira, 20 de março de 2007

Fé na poesia

"É fundamental que a poesia tenha cidadania"




HOMENAGEM AO POETA
JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA


A vida e obra de José Tolentino Mendonça acabam de ser reconhecidas publicamente pela Câmara Municipal de Santo Tirso. Em cerimónia que decorreu no dia 17 de Março, no salão nobre dos Paços do Concelho, o padre e poeta foi alvo de homenagem no âmbito da iniciativa camarária "Fé na Poesia".
O edil Castro Fernandes foi o primeiro a usar da palavra para referir que o objectivo da iniciativa "a Poesia está na rua" era a de "retirar a poesia dos lugares comuns, fazendo-a escutar com audácia no maior número de locais e espaços públicos do concelho". Este responsável considerou uma honra homenagear pela quarta vez um distinto poeta português, depois de em 2004, 2005 e 2006 o ter feito, respectivamente, com António Ramos Rosa, Cruzeiro Seixas e Manuel António Pina.
Sobre a iniciativa "A fé na poesia", o autarca referiu que em Santo Tirso "se continua a sentir no ar a presença de poetas, independentemente, de seis deles terem aceite o convite de entrar pelo arco do convento para experimentarem no mais fundo recolhimento o húmido silêncio espiritual".
Emocionado, o Padre Tolentino de Mendonça agradeceu a cerimónia, enaltecendo a grandiosidade desta iniciativa de a "Semana da Poesia", este ano dedicada à "Fé na Poesia" e referindo ser "muito importante que num espaço como Santo Tirso, a poesia tenha lugar". "É fundamental que a poesia tenha cidadania", sublinhou, afirmando que "esta iniciativa de colocar poetas em retiro é de extrema importância.
O poeta continuou as congratulações à autarquia pela iniciativa, defendendo sempre que a "poesia é uma grande iniciação à vida do espírito" e "prepara-nos para o silêncio das nossas vidas". A comprovar todo o discurso de José Tolentino Mendonça, no final da cerimónia, Ivo Machado, um dos poetas em retiro conventual, e comovido com as palavras do homenageado, confessou que não escrevia há cerca de um mês e agora, em clausura conventual, "difícil é não largar o lápis"."Não sei dizer mais .nem acerca de poesia, nem acerca de fé", afirmou o poeta, finalizando assim a cerimónia.
Nascido em 1965, em Machico, na Madeira, José Tolentino Mendonça iniciou os seus estudos de Teologia em 1982 e foi ordenado sacerdote em Julho de 1990, após o que foi para Roma para frequentar o mestrado em Ciências Bíblicas, tendo-se doutorado em Teologia Biblíca pela Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma). É, actualmente, director da revista de teologia Didaskalia, editada pela Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa de Lisboa, onde é professor auxiliar.
A sua poesia é considerada unanimemente como uma das mais rigorosas e originais da moderna poesia portuguesa. Como ensaísta, publicou textos sobre Ruy Belo, Teixeira de Pascoaes e Eugénio de Andrade. É biblista, tendo realizado estudos como "O Outro Que Me Torna Justo" e "Métodos de Leitura da Bíblia". Traduziu do hebraico o "Cântico dos Cânticos" e o "Livro de Ruth".Além dos seus sete livros de poesia, entre os quais "A Noite abre os meus olhos" (2006) - uma antologia da sua obra poética - é autor de uma peça de teatro, dois ensaios sobre Teologia e diversos artigos em revistas científicas desta matéria.
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Fonte: Ecclesia

segunda-feira, 19 de março de 2007

História inventada

Cientista israelita
diz que ossário de Jesus
é uma história inventada
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“Um dos cientistas que aparecem no documentário sobre o ossário de Jesus contesta agora o fundamento das alegadas provas recolhidas pelos realizadores do programa. Stephen Pfann, paleógrafo e investigador da Universidade da Terra Santa, de Jerusalém, diz que James Cameron e Simcha Jacobovici se enganaram redondamente em relação a uma das peças fundamentais. "Pega-se num bocadinho de ciência, inventa-se uma história e faz-se um novo Terminator ou Vida de Brian, afirmou Pfann, não poupando na crítica ao premiado realizador de Hollywood. O que está em causa é uma inscrição que diz uma coisa diferente daquela que os realizadores do documentário pretendem. No filme, produzido pelo Discovery Channel, sugere-se que um ossário encontrado em 1980 conteria os ossos de Jesus Cristo, Maria Madalena, um filho de ambos e restante família. A inscrição diria "Mariamene e Mara", o que significa "Maria a mestra". Jacobovici afirmava, em defesa da sua tese, que o nome Mariamene era raro, e que o seu aparecimento em vários textos cristãos é interpretado como sendo referido a Maria Madalena.Stephen Pfann diz que nada mais errado. Citado pela AP, o investigador diz que os nomes foram escritos por mãos diferentes: Mariame está escrito em grego formal; quando os restos mortais de outra mulher se juntaram aos da primeira, mão diferente acrescentou, em cursivo, "kai Mara", o que quer dizer "e Mara". Mara é uma forma diferente do nome Marta. Assim, a leitura de Pfann é que o ossário não contém os ossos de Maria, "a mestra", mas de "Maria e Marta". "Assim sendo, não há razão nenhuma para ligar este ossário a Maria Madalena ou a qualquer outra pessoa na tradição bíblica, extrabíblica ou eclesial." Com o objectivo de conseguir uma boa história, o documentário compromete-se com alguns "disparates", critica Pfann.”
: Li este texto no PÚBLICO de hoje. Mais uma vez, houve alguém que gostou de brincar com coisas sérias. Agindo certamente de má-fé, quis criar públicos para o documentário que, mesmo assim, não deixará de correr mundo. A comunicação social está cheia de manigâncias destas. A Internet também. Ainda há dias os meus e.mail’s foram invadidos por um abaixo-assinado sobre um filme horrível, em que se apresentava Jesus Cristo como homossexual, em práticas com os seus apóstolos. Estranhei o caso por nunca ter lido nada disso em qualquer órgão de comunicação social, dos muitos, portugueses e estrangeiros, que diariamente consulto. Não lhe dei seguimento como se pedia. Dias depois veio o desmentido. Mais uma vez, alguém sem moral quis brincar com coisa séria, explorando quem julga que todas as pessoas são honestas. Temos de estar muito atentos.

domingo, 18 de março de 2007

Um poema de Miguel Torga

REGRESSO Regresso às fragas de onde me roubaram. Ah! Minha serra, minha dura infância! Como os rijos carvalhos me acenaram, Mal eu surgi, cansado, na distância! Cantava cada fonte à sua porta: O poeta voltou! Atrás ia ficando a terra morta Dos versos que o desterro esfarelou. Depois o céu abriu-se num sorriso, E eu deitei-me no colo dos penedos A contar aventuras e segredos Aos deuses do meu velho paraíso. In “Diário VI”

Ao sabor da maré

A HISTÓRIA DA JOANA (ANDREIA)
A menina que foi roubada no hospital de Penafiel, há 13 meses, já foi resti-tuída à família, no sábado. Houve festa em Cernadelo. A família é mesmo muito pobres e a criança, antes Joana e agora Andreia, mal cabe em casa dos pais, por tão pequena ser a habitação. Os meios de comunicação social deram largos espaços à notícia do roubo da criança e agora à sua devolução aos pais. Ele desempregado e ela a trabalhar no que calha, no campo e em casa. Recebem um subsídio do Rendimento Social de Inserção. Por força da divulgação do caso, a pobreza da família passou a ser conhecida no País. Pelos vistos, agora, não falta quem queira ajudar. A casa vai ser ampliada e melhorada e uma empresa vai oferecer os móveis, à medida, para uma vida mais decente. Também a cozinha vai ser equipada. A Junta de Freguesia e o senhorio darão o seu apoio. Tudo muito bem A solidariedade e a justiça social continuam com muitas lacunas, apesar do muito que se vai fazendo. Toda a freguesia sabia da pobreza em que vivia aquela família. Todas as autoridades políticas e sociais daquela zona decerto já haviam sido informadas da debilidade económica dos pais da Andreia. Ninguém, pelos vistos, fez nada. E foi preciso que a Andreia tivesse sido roubada aos pais, no hospital em que nasceu, para que a solidariedade se manifestasse. Claro que apenas depois de a menina ser devolvida à família, com direito a festa. Moral da história: importa estarmos atentos às carências dos mais pobres que vivem à nossa volta, sem que seja necessário a comunicação social acordar-nos da letargia em que por vezes vivemos. Fernando Martins

Bienal Internacional de Cerâmica Artística em Aveiro

Painel cerâmico de Aveiro

15 mil euros para o primeiro prémio



O prazo de inscrição para a participação na VIII Bienal Internacional de Cerâmica Artística de Aveiro termina no dia 4 de Maio, estando o respectivo secretariado instalado na Divisão de Acção Cultural, sita na Casa Municipal da Cultura / Edifício Fernando Távora, em Aveiro.
A bienal está aberta a artistas nacionais ou estrangeiros, com um máximo de duas obras por artista, as quais poderão ser trabalhos individuais ou colectivos. No momento da inscrição, e para além do respectivo boletim de inscrição, cada artista concorrente deve apresentar uma nota biográfica dactilografada, com um máximo de 20 linhas, pelo menos uma foto da obra, em formato digital ou em diapositivo a cores, e descrição da obra proposta, com nota explicativa das características técnicas utilizadas, respectivas medidas e posição da peça para efeitos de exposição. Mediante os elementos apresentados, o júri da bienal fará uma primeira triagem das obras, sendo comunicado aos concorrentes seleccionados que devem entregar os seus trabalhos até 22 de Junho.
As obras seleccionadas e as obras dos artistas convidados pela organização estarão em exposição de 8 a 30 de Dezembro, no Parque de Exposições de Aveiro. As entradas para a exposição serão pagas.
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Leia mais em CV

Venda de artesanato

De 4 a 8 de Abril, no Rossio






FEIRA DA PRIMAVERA
EM AVEIRO



Para “proporcionar, à cidade e a quem nos visita, mais uma exposição e venda de artesanato”, a associação A Barrica promove, de 4 a 8 de Abril, a Feira da Primavera, no Rossio. Cerâmica, fumeiro, bijuteria, calçado, cestaria e trapologia são algumas das artes tradicionais que integram a feira.
O artesanato, sob as mais variadas formas, é uma riqueza genuína do nosso povo. Por isso, acho que se justifica, perfeitamente, uma passagem por lá. Para ver, apreciar, comprar e provar...

Um artigo de Anselmo Borges, no DN



Dezanove de Março:
o Dia do Pai





O génio de Kant não estaria num dos seus momentos mais altos, quando, num texto célebre, pôs esta pergunta na boca de Deus: "Não conseguimos libertar-nos deste pensamento, mas também não podemos suportá-lo: que um ser, que nos representamos como o supremo entre todos os possíveis, de certo modo se diga a si mesmo: 'Eu sou de eternidade em eternidade, fora de mim não existe senão o que existe por minha vontade; mas então donde venho eu?' Aqui, tudo se afunda debaixo dos nossos pés."
Há realmente uma pergunta vertiginosa, que constitui um abismo para a razão humana: qual é o Fundo sem fundo donde vem tudo o que vem à luz e se manifesta? Mas essa é uma pergunta do Homem e para o Homem, não de Deus e para Deus. Deus não pergunta, porque é Deus. O animal não pergunta, porque é animal. A pergunta é própria do Homem, e a razão é que ele é ao mesmo tempo finito e abertura ao infinito. Perguntar é constitutivo do Homem, e a pergunta radical é precisamente: qual é o Fundo sem fundo donde vem tudo o que vem à luz e se manifesta? Porque ao mesmo tempo que se manifesta esconde-se - revela-se e oculta-se simultaneamente.
Na tentativa de balbuciarem algo sobre o Mistério último da realidade, a fé e a teologia cristãs falam de Deus como comunhão de diferentes - Pai, Filho e Espírito Santo -, sendo o Pai o Princípio sem princípio, a Fonte originária, Criador de tudo o que existe e Mistério abissal, invisível e inexprimível. Ele diz-se no Filho, que é o Verbo, a Palavra do Pai, e o Espírito Santo é o Amor que une o Pai e o Filho.
Pai é alguém que está na origem de, algo ou alguém que é força criadora do novo.
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Leia mais em DN

TECENDO A VIDA UMAS COISITAS - 15


O TIO JOÃO AMARANTE

Caríssima/o:

Apetecia-me escrever
como o Prior Resende:

«E agora um episódio
para fechar este capítulo.»

Vamos então espreitar das páginas 85 a 87, da sua Monografia, e enquadremos a cena em verdadeiro espírito quaresmal.

«João Amarante, de proveniência incerta, veio de abalada por aí fora até poisar na charneca paulenta da Gafanha, a uns 200 metros ao sul da actual estrada de Ílhavo para a Costa Nova. Mal tratado pela fome, lá ia remexendo a areia, a ver se dela podia colheitar algumas batatas e ervilhas que lhe enchessem o estômago e lhe cobrissem os ossos. Mas aquela magreira não se debelava, nem pela polpa dos caranguejos, nem pelas caldeiradas dos barbudos camarões.
A necessidade obrigava-o a arrotear a improdutiva areia. Destruída a primeira barraca de madeira, surgiu uma nova construção de barro, mais sólida, que ele preventivamente cercava de junqueiras para arrostar a inclemente invasão das areias furiosamente tocadas dos ventos. Por algum tempo viveu feliz o tio Amarante com as caldeiradas de batatas condimentadas com os caranguejos e camarões.
Eram assim as caldeiradas dos pobres, à falta da saborosa enguia ou do delicioso peixe do mar. As ervilhas e as favas eram um repasto mais reconfortante para a hora do meio dia. Pouco lhe aproveitavam as marinhas além porque não havia porco na salgadeira. Vivia pobre o tio Amarante, e ainda por cima se riam dele. Desde épocas remotas até há poucos anos, era a Gafanha largo e abundante pascigo para as manadas, sobretudo de touros, que infestavam estas paragens. As da Carapinheira por aqui se demoravam frequentemente. Os pastores, maldosamente e também levados pela fome, perseguiam o tio Amarante, escolhendo para teatro das suas diabruras a vivenda do pobre velho. Repetidamente lhe destruíam a horta, arrombavam a porta e furavam o forno.
Era o forno que sobremaneira atraía estes importunos visitantes, e o tio Amarante todas as semanas tinha que repetir a fornada e contar com estes improvisados comensais, porque as boroas batiam sempre as asas e passavam do forno para o estômago daqueles pastores. Era um tormento com que não podia compadecer-se a provada paciência do bom velho. A esta desgraça outra maior se juntou. A Câmara de Vagos, com a sua proverbial magreza, também quis espoliar aquele infeliz que nem carne tinha para cobrir os ossos. Era ele um esquelético cabide que mal segurava uns reduzidos e andrajosos farrapos.
Quis ela auferir alguns cobres de foro pelas areias e pela pousada do pobre. Como encontrasse resistência às suas pretensões, mandava-lhe arrasar a choupana. Por várias vezes, teve o pobre homem de se conformar com a violência da autoridade, e construir de novo. Câmara e pastores eram os algozes atrevidos que muito e muito o faziam sofrer, e que mais lhe faziam dissecar as suas já minguadas carnes.
Um dia, porém, aquele pássaro que pretendiam depenar, fixou as penas e bateu as asas. De cuecas, bordão na mão, alforje bem fornecido às costas, seguiu para Lisboa.
Fez-se anunciar no Paço Real e é recebido por Sua Majestade. Antes, porém, de desfiar todo o seu rosário de amarguras, ajoelha para beijar a mão real. Não é consentida comovedoramente a reverência a quem tão humildemente se apresenta nos Paços Reais. Ouvida a queixa e o pedido de providências, é mandado em paz com a promessa de deferimento.
Efectivamente a Câmara recebe ordens terminantes que garantiam ao Amarante a posse tranquila de uma grande extensão de terreno, livre de quaisquer encargos. É aquele terreno (agora subdividido) que constituiu a chamada “Quinta do Amarante”.
Foi a única quinta da Gafanha que nunca pagou foro por munificência régia, a pedido do Amarante que, de ceroulas curtas e de sacola às costas, foi a pé a Lisboa falar a Sua Majestade. Estes acontecimentos deram-se por cerca do ano 1800, ou ainda antes, e o facto ainda hoje se relata com frequência.»

Ora digam lá que esta estória não valeu bem os minutos que demorou a ler?!

Manuel

sexta-feira, 16 de março de 2007

Porto de Aveiro

Trabalho fotográfico de Dinis Alves
(Clique na foto para a ampliar)


PORTO DE AVEIRO,
UM PORTO COM HISTÓRIA
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O Porto de Aveiro é, realmente, um porto com história. Digno, por isso, de ser mais conhecido e mais apreciado. A sua história está cheia de pessoas que fizeram dele, de há dois séculos para cá, pelo menos, um porto polivalente e dinâmico, e, também, com capacidade de intervenção notória, a nível económico e social. O futuro, disso ninguém duvida, pertence-lhe.

Ílhavo: Concurso de Fotografia



Olhos Sobre o Mar
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No seguimento do grande sucesso obtido com a realização das primeiras edições do Concurso de Fotografia "Olhos sobre o Mar", quer ao nível da quantidade quer ao nível da qualidade dos trabalhos recebidos, a Câmara Municipal de Ílhavo decidiu lançar recentemente a quarta edição deste concurso
Este ano, e mais uma vez, o Concurso de Fotografia conta com o apoio do Centro Português de Fotografia/Ministério da Cultura, do Diário de Aveiro e da revista FotoPlus.
Tal como tem acontecido, o concurso será de âmbito nacional, nas categorias cor e preto e branco, decorrendo até meados de Junho. A entrega dos prémios acontecerá em Agosto, mês em que os 50 melhores trabalhos irão ficar expostos na Sala de Exposições Temporárias do Navio Museu Santo André.Mais informações em www.cm-ilhavo.pt, na própria Câmara Municipal, através do telefone 234 329 602 ou no e-mail geral@cm-ilhavo.pt.

"O CONTADOR DE HISTÓRIAS"

Aveiro, Salão Cultural, Domingo
OFICINA PARA
CONTADORES DE HISTÓRIAS
No dia 18, domingo, às 10 horas, no Salão Cultural, vai realizar-se a “Oficina de Sobrevivência para pais contadores de histórias” por “O Contador de Histórias”. A oficina pretende ser um espaço de diálogo e informação para aqueles que diariamente se vêem confrontados com a necessidade de contar histórias aos filhos.
Os interessados em participar podem efectuar a sua inscrição até dia 16 de Março, na Divisão de Acção Cultural, Casa Municipal da Cultura - Edifício Fernando Távora.
A oficina destina-se a pais e encarregados de educação, tem a duração de três horas e permite o máximo de 25 participantes.
De uma forma descontraída e sem o peso de uma formação propriamente dita, os participantes são convidados a falar das suas dúvidas e dos seus receios no que toca a este tipo de abordagem. É fornecida uma perspectiva histórica do papel dos contadores de histórias, são abordados os tipos de métodos e as diversas opções para cativar a atenção de quem ouve e são dados exemplos muito concretos de como certas histórias podem ser trabalhadas.
Os participantes podem ser convidados a trazer um livro de casa, de forma a ser trabalhado na sessão. Um aspecto significativo deste projecto é a forma informal como chega aos pais: as sessões são divertidas, os participantes são convidados a mudarem o seu ângulo de visão para se tornarem eles próprios receptores dos contos, entendendo assim de uma forma mais correcta como é que os seus filhos ouvem as histórias.
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Fonte: Site da CMA

União Europeia precisa de uma referência

Bispos alemães reforçam tradição cristã na construção da história europeia
“Europa: responsável perante Deus e perante os homens” é o título da declaração publicada hoje pela Conferência dos Bispos alemães, por ocasião do cinquentenário da assinatura do Tratado de Roma. Os bispos alemães convidam “a relembrar as origens do processo de integração europeu, para adoptar as disposições fundamentais e para reconhecer as tarefas essenciais da Europa”. O documento relembra a “experiência da guerra, a dominação da violência, a culpa”, assim como “a boa vontade para construir a paz” como pontos de partida no processo de unificação da Europa. “A pacificação e construção da paz era a força principal do processo europeu” e ainda é “uma das suas habilitações mais importantes”. “A Europa não é mais sinónimo de rivalidades históricas ou guerra, mas antes contributo para a paz e ajuda na prevenção dos conflitos sem o recurso a armas”, pode ler-se na declaração. “A União Europeia é a resposta à história trágica do continente”. Os Bispos alemães sublinham que “o princípio fundamental do ser humano” foi resumido “para uma maior ênfase aos direitos humanos, aos direitos de liberdade e aos fundamentais direitos sociais. Também aqui se reflecte a visão cristã do ser humano”.
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quinta-feira, 15 de março de 2007



DOENÇA DA ESCOLA,
UM BECO SEM SAÍDA?

A semana que passou foi rica de informação sobre a debilidade das escolas e dos projectos educativos. Mas foi também de informações, de dentro e de fora, a mostrar a possibilidade de caminhos diversos, esperançosos, acessíveis e urgentes.
As crises são já tão normais e generalizadas, que se vai pensando que governar é, acima de tudo, gerir as crises. Na educação, na saúde, na justiça, na segurança social, nas finanças, parece assim acontecer. Se é isso governar, então cada vez teremos mais comprometido o futuro. Este não se constrói sem que, no presente, se faça um bom diagnóstico da situação e suas causas e se procurem medidas acertadas que levem a olhar para além da crise.
Tanto no diagnóstico como na procura de soluções há ajudas que não se podem desperdiçar e têm de ser olhadas sem preconceitos, segundo o seu valor objectivo e o empenhamento daqueles que as propõem. Neste campo, os que podem influenciar positivamente devem ser competentes, honestos e abertos. A comunicação social tem aqui um papel importante. A opinião pública, bem informada e formada, ajuda a criar ambiente favorável às medidas válidas, mesmo quando não agradam a alguns.
Esteve em Lisboa, na Gulbenkian, numa iniciativa da Embaixada dos EUA e das Fundações Calouste Gulbenkian e Luso-Americana, o senhor Jeb Bush, a quem chamam “o governador da educação” Veio falar dos caminhos do sucesso educativo na Florida, ante o abandono escolar e o mau aproveitamento dos alunos das escolas públicas, marcadas por “fracassos crónicos”. Deu indicação de que o seu projecto assentou numa cultura de “exigência de excelência”; na permissão de os pais, com base no cheque-ensino, escolherem a escola, pública ou privada, para os seus filhos, estimulando todas, por via de um confronto sadio, a melhorarem a sua acção; no apoio e estímulos privilegiados às diversas escolas, tendo em conta os seus resultados; na apreciação do valor dos professores, de harmonia com a sua prestação; na mudança da direcção da escola, quando objectivamente se verifica que ela não consegue criar condições de êxito educativo.
Houve contestação de alguns sectores e, como é óbvio, dos sindicatos. A verdade, porém, é que, perante os resultados obtidos, que logo chamaram a atenção, outros estados se inspiraram no projecto da Florida. Este estado, como era do conhecimento geral, estava nos piores lugares do país, a nível de resultados escolares. Em poucos anos viu-se a mudança e os seus alunos subiram ao nível dos melhores.
Como foi sublinhado por diversos críticos presentes, criteriosos e com reconhecida competência, o modelo pode constituir inspiração válida para o nosso governo e ajudar o Ministério da Educação, que todos os dias nos surpreende com novas medidas avulsas, a ir ao encontro de uma crise cada vez mais grave, que se manifesta no insucesso escolar, no abandono da escolaridade com índices preocupantes, na violência nas escolas, na indisciplina crescente, na desmotivação de muitos professores, no baixo nível cultural de quem termina os diversos ciclos e, por vezes, até o ensino superior.
Também na passada semana tivemos notícia do relatório do Conselho Nacional de Educação e das medidas propostas pelo mesmo, após uma alargada participação dos cidadãos.
Não falta gente a dar contributos válidos e a procurar que os problemas da educação não sejam cativos do poder e das lutas dos sindicatos. Muitos outros têm lugar e competência. Todos têm de ser ouvidos, porque o problema é só dos professores e dos seus direitos.. Com paixão ou sem ela, há que gritar a indignação do que se passa e, com esperança, dar as mãos para sair deste círculo asfixiante e vicioso.

Citação

"A poesia é uma resposta ao insuportável"
Lídia Jorge,
in "Visão" de hoje

Trabalho social em rede



Bispo de Aveiro
propõe fórum
para despertar alma social

D. António Francisco dos Santos propôs a rea-lização de um “fórum que congregue instituições de solidariedade social” da diocese, como forma de “implicar, sensibilizar e dinamizar” a acção sociocaritativa dos cristãos. Esta proposta do Bispo de Aveiro, adiantada hoje pelo "Correio do Vouga", é perfeitamente oportuna, ou não fosse ela uma iniciativa capaz de suscitar um trabalho em rede.
É certo e sabido que há muito individualismo nas IPSS, Misericórdias e demais instituições, quando todos sabem que a cooperação e a partilha de saberes e de responsabilidades é uma urgência dos tempos que correm. Não mais há lugar, a meu ver, para um trabalho social e caritativo isolado. Estar de mãos dadas no mundo tem de ser assumido por toda a gente, e muito mais pelos cristãos. Excluindo, necessariamente, projectos individualistas e de pessoas auto-suficientes.
Por experiência própria, posso dizer que a dificuldade em trabalhar em rede, a nível de freguesia e de concelho, no mínimo, é altamente prejudicial no serviço aos mais carenciados das nossas terras. Por isso, apoio este fórum, na certeza de que ele será um bom ponto de partida para uma trabalho social e caritativo apoiado em parcerias e em redes de valências.
F.M.

quarta-feira, 14 de março de 2007

Portugal precisa de um Movimento Social Cristão



IMPORTA DAR
UMA DIMENSÃO MODERNA
À PALAVRA ESMOLA

"Tenho pena que nós, os cristãos, não tenhamos criado um grande Movimento Social Cristão (MSC)" - disse, ontem, ao Programa ECCLESIA, Acácio Catarino, consultor social e ex-presidente da Cáritas Portuguesa. Com um percurso longo na acção social, o entrevistado referiu que "é indispensável" que os cristãos vivam "intensamente" este período quaresmal e "assumam as responsabilidades nas suas actividades mas também influenciando as diferentes estruturas".
Neste caminho de preparação para a Páscoa, Acácio Catarino - ex-consultor para assuntos sociais do anterior Presidente da República - propõe a conversão - interior e exterior - para "ultrapassarmos este momento actual onde a economia não avança e verificamos graves problemas sociais". E acrescenta: "um convite a sermos mais justos e mais fraternos".
Se o Movimento Social Cristão nascer - "oxalá que sim" -; o ex-presidente da Cáritas Portuguesa garante que haverá "uma nova tomada de consciência dos problemas sociais, de motivação para a respectiva solução e apresentação de propostas". O que falta para tal acontecer? A resposta de Acácio Catarino rápida: "Muito e quase nada". E adianta: "Há milhares de cristãos envolvidos nas estruturas e uma doutrina fortíssima. Há milhares de instituições de acção social. Falta congregar esforços e avançar". Mas solta um desejo: "Seria desejável que fosse objecto de uma iniciativa forte, pela Conferência Episcopal Portuguesa ou organismos laicais.
Em relação aos sinais da Quaresma - Esmola, Jejum e Cinzas -, o consultor sublinhou que "importa dar uma dimensão moderna à palavra esmola". Só conhecendo os problemas sociais, "empenharmo-nos na sua solução e actuarmos junto das diferentes instituições é que surgem resultados positivos" porque "sozinhos não conseguimos resolver os problemas".
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Efeméride

14 de Março




Faleceu, neste dia, José Pereira Tavares

Faleceu, em 14 de Março de 1983, em Aveiro, o Dr. José Pereira Tavares. Além de ter sido professor do liceu de Aveiro, também exerceu o cargo de reitor do mesmo estabelecimento de ensino, de 1940 a 1957.
Natural de Pinheiro da Bemposta, Oliveira de Azeméis, onde nasceu em 30 de Janeiro de 1887, veio a falecer na cidade dos canais, com a provecta idade de 96 anos, como refere monsenhor João Gaspar, no seu livro “Caminhar na Esperança”.
Lembro-me perfeitamente dele. Era, de facto, uma pessoa veneranda na cidade. No liceu de Aveiro, onde foi reitor, a sua figura suscitava respeito, tal era a força da sua personalidade.
O seu nome andava frequentemente associado à Língua Portuguesa, área em que era mestre competentíssimo. Mas ainda como cidadão merecia o respeito e a admiração de toda a gente, pela verticalidade do seu carácter e pela integridade do seu espírito.
Deu vida ao primeiro grupo cénico do liceu, dirigiu o Museu de Aveiro, fundou a revista Labor, foi um dinamizador de congressos do Ensino Liceal, promoveu celebrações centenárias de grandes vultos da nossa literatura, nomeadamente de Eça de Queirós, Gomes Leal e de Guerra Junqueiro, entre outros, lembra monsenhor João Gaspar.

Imagens da Ria


A TORREIRA CONTINUA BONITA
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Num dia de sol, como o de hoje, vá à Torreira, no concelho da Murtosa. Terra de pescadores e de veraneantes, por causa da Ria e do Mar, que garantem vida, quando garantem, a muita gente, a Torreira tem imagem belíssimas a perder de vista.
Apreciem a calma das águas e o colorido das embarcações dos pescadores...

terça-feira, 13 de março de 2007

Um artigo de Alexandre Cruz


Reformar:
determinação mas com participação



1. Refomar, criar nova forma, novo dinamismo, é sempre um “acto” que envolve fronteiras e realidades de ténue sensibilidade. De pouco interessa reformar à força; de nada valerá o reformar por reformar só porque está na moda ou os números económicos assim o aconselham. Reformar implicará um misto de transformações evolventes e colectivas de mentalidade, de cultura, de modos de estar, sentir, fazer. Reformar, palavra sempre tão proclamada e pouco assumida como ideal comunitário, implicará uma visão de envolvente ampla para todo o investimento reformista não cair em “saco roto”, mesmo para quando das naturais e saudáveis mudanças governamentais não se voltar à “estaca zero”. É que tudo passa, e o que fica será aquilo que – com capacidade de abertura à totalidade - se “fez” com os outros.
2. No mobilizar para a Reforma concreta de áreas fundamentais de um país, é certo, não se poderá atingir (nem será saudável mesmo) o ideal da absoluta sintonia de pensamentos, não se poderá dialogar infinitamente sem a coragem da decisão. Mas também, reformar sem ouvir, sem incluir, sem falar, sem dialogar, reformar sem estimular a participação (eixo essencial da democracia) será sinal de défice, afinal, de falta de ligação explícita àqueles que elegeram os representantes soberanos. Reformar, fronteira sempre exigente e difícil, terá de significar envolver, abarcar todas as pontes possíveis, capacidade de incluir (no mais e melhor) “todos” os pontos de vista. Só na base do espírito comunitário, de participação envolvente e compreensível, a reforma dará os seus efeitos pretendidos a médio e longo prazo.
3. Neste sentido, hoje, em democracia, não será possível reformar sem o povo. Pretender mudar o rumo da história sem nesse rumo estimular e envolver aqueles a quem a renovação se dirige será sinal de automática precaridade da própria reforma, esta que de vistas tão curtas pode não ultrapassar as fronteiras de um grupo ou de uma ideia. Reformar sem mais participação dos destinatários no erguer da própria reforma desagrega, ainda mais, a sociedade, faltando a noção clara de um “ideal comunitário” compreendido, explícito, que sirva as pessoas concretas nas suas cidades, freguesias, instituições, ruas. Também, a esta realidade, junte-se a verdade objectiva de que não há reforma, mudança, que agrade a todos; mas no fim de tudo, todos terão de compreender – a todos deve ser explicado – o rumo que se pretende, pois só assim dos sacrifícios se vislumbrará o procurado futuro melhor.
4. No nosso país, (mentalmente) carente de lideranças e afirmações (por vezes quaisquer que elas sejam), vivemos tempos de reformas apressadas. Tal a sede colectiva de uma “salvação” que nos tire do fundo da “tabela europeia”. Esta “reformofobia”, entre o mérito da determinação mas o limite da participação, de tão apressada no procurar recuperar o terreno perdido, poderá correr o risco de ficar na rama pois não assumida e interiorizada convenientemente pelos cidadãos, e pela incapacidade de integrar de forma estimulante as diversidades de pensamento. Reformar a sério nunca será acto isolado, reformar requererá o esforço máximo do dialogado “consenso” como “escola” de serviço e paradigma de referência para os cidadãos na vida de todos os dias; este ideal que será tão diferente da inflexibilidade, da visão única, do diálogo de surdos ou mesmo do não “não falar”, deitando a perder as proximidades necessárias de uns com os outros em democracia.
5. O povo diz que “depressa e bem há pouco quem”. (A nós é-nos pedido depressa e bem!) Não chega, assim, o dizer-se “que” vamos reformar, importará bem mais o “como” vamos fazê-lo. É impossível haver fruto sério e com futuro de qualquer reforma sem apostas claras nos três eixos essenciais de um país democrático: a Educação, a Saúde, a Justiça; melhor, uma educação transversal para a saúde e a justiça que assim se iluminam interiormente para o ideal do bem-comum. Se a educação será, no fundo, a mãe de todas as novas mentalidades pretendidas, ela terá de ser a base de todas as reformas. Como vão e que pretendem as reformas nestas três áreas fundamentais do país (educação, saúde, justiça)? Como “jogam” umas com as outras? Como os diferentes actores e as diferentes visões as lêem em coabitação e sinergia para “puxar” o país? (Uma coisa será certa, os euros não poderão condicionar estes eixos…)
6. Perguntar será, estrategicamente, sentir que tudo pode ser sempre melhor; não haverá reforma com futuro se todos os agentes não estiverem envolvidos na participação. Perguntar, afinal, será participar. É que poderão existir “determinações” à força, ainda sem a capacidade e lastro para integrar todos os actores que estão em jogo. Talvez seja oportuno lembrar que antes das reformas já havia país (pessoas e serviços), e só com o seu respeito e “participação” as reformas darão frutos. Só a participação será a base para a mudança de mentalidade que qualquer reforma pretende. Tem sido louvável este esforço em muitas áreas; mas, falta imenso… Mesmo que a reforma em estruturação e/ou andamento não o preveja ou não o pretenda, vamos participar mais!...

Um artigo de João César das Neves

Meio século depois da aprovação do Tratado de Roma, João César das Neves olha para o percurso europeu




50 anos da Europa

Meio século depois da aprovação do Tratado de Roma, vivem-se momento de balanço e avaliação nos corredores europeus. Também por cá se pretende ajuizar se a nossa adesão foi boa ou má, se o Pacto de Estabilidade nos estrangula ou nos protege.
A União Europeia começou como Comunidade Económica Europeia ou, até antes, com o carvão e o aço. Não faltam os que criticam este pecado económico original, achando que se deveria ter lançado em temas mais elevados.
De facto, tratou-se de uma intuição genial dos "pais da Europa". Eles entenderam que a única forma de conseguir uma aproximação entre povos tradicionalmente inimigos, e que se tinha acabado de destruir mutuamente na pior guerra da história, era começar pelos mercados. Todas as outras dimensões, políticas, diplomáticas, culturais, religiosas, artísticas, climáticas, sociais, os dividiam. A única coisa que os podia aproximar era a possibilidade de cooperarem na abertura e desenvolvimento dos seus mercados.
Temos de dizer que essa opção foi um grande sucesso. Passados cinquenta anos, não só os países europeus estão reconstruídos e prósperos, mas todos seus vizinhos querem aderir à comunidade e todas as zonas do mundo pretendem copiar este modelo. É verdade que nenhuma outra até hoje o conseguiu, e a União Europeia constitui o único caso da história mundial em que países independentes partilham voluntariamente soberania para benefício mútuo.
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Leia mais em ECCLESIA

Educação rodoviária


ESCOLA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO
RODOVIÁRIA CELEBRA ANIVERSÁRIO

A Câmara Municipal de Ílhavo vai comemorar, no próximo dia 18 de Março (Domingo), o 3º Aniversário da Escola Municipal de Educação Rodoviária (EMER), abrindo a mesma ao público, durante todo o dia.
A EMER está localizada junto à Piscina Municipal da Gafanha da Nazaré e foi inaugurada no dia 18 de Março de 2004, sendo o corolário de uma aposta, partilhada em protocolo entre a Câmara Municipal de Ílhavo, o Governo Civil de Aveiro e a Direcção Geral de Viação. Trata-se de um importante instrumento de formação e sensibilização da população para a boa utilização da via pública.

Um artigo de António Rego


RETIRO DA QUARESMA

Não há dúvida que o excesso de proximidade dos factos tira a visão clara das coisas. O coração sempre se interpõe e cobre-se de poeiras que desfocam o real e sobrevalorizam o acessório no conjunto da construção de qualquer história. Também sabemos que, sem o coração, pouco se vislumbra da complexidade da vida e até das grandes razões e objectivos da existência. Quando nos afastamos, ainda que por pouco, do país, da aldeia, do círculo habitual de amigos e companheiros, e nos retiramos do real, parece que tudo ganha uma nova perspectiva e a casa da vida aconchega melhor as peças e articula mais ordenadamente as sequências fundamentais de qualquer facto. Mas que não seja muita a distância num excessivamente longo o tempo. O desafecto também estraga a luminosidade dos raios que nos entrelaçam com os acontecimentos e pessoas que mais proximamente fazem história connosco.
Quando Deus diz a Moisés ”eu sou Aquele que sou” abre essa dimensão infinita de tempo e espaço que ultrapassa todas as medidas estreitas e até mesquinhas com que nos medimos. O tempo é nada, o rio da história é uma insignificância comparado com o grande oceano de Deus. Metade do que pensamos, dizemos e fazemos é para deitar fora, deixar no lodo das margens, porque a água prossegue na sua limpidez e pressa para o grande oceano.
Mas logo a seguir Deus descreve a grande viagem do Egipto para a Terra prometida. Aí não há um minuto a perder, nem um grão de areia, nem uma gota de água a desperdiçar. Todos os passos são preciosos, todo o esforço é anotado, todas as migalhas essenciais à grande viagem. Longe e próximo são um só. Vontade e inteligência, um só. Um povo dividido nos seus desalentos, é um só, e não pode esbanjar um átomo do sonho e do cansaço.
Não estamos perante a poetização de Deus. Esta é a nossa história feita das insignificâncias na vida política, social, cultural, familiar, colectiva e privada. E neste todo se tece o nosso percurso de infinito com sentido pleno no caminho estreito que trilhamos. Mas que vai mais longe que a soma dos nossos passos ou os anseios do nosso coração. Foi Deus que nos ensinou a fazer história.

Exortação Apostólica do Papa

Exortação Apostólica de Bento XVI aborda celibato sacerdotal e matrimónio religioso como caminhos para essência da vida cristã




“SACRAMENTUM CARITATIS”


Um documento “com um futuro promissor”, porque “propõe a essência da vida cristã, que surge da santidade e da missão para todos os tempos, inclusivamente o momento actual”, assim descreveu Mons. Nicola Eterovic, secretário geral do Sínodo dos Bispos a Exortação Apostólica “Sacramentum caritatis” - Sacramento do Amor, apresentado esta manhã no Vaticano.
“Apresentando de um modo acessível ao homem contemporâneo a grande verdade da fé eucarística”, o documento papal “exorta a um renovado empenho na construção de um mundo mais justo e pacífico em que o Pão partilhado se torne, para a vida de todos, causa exemplar na luta contra a fome e contra qualquer espécie de pobreza”, que “degrada a dignidade do homem criado à imagem de Deus”.
A nova exortação apostólica, dá continuidade aos “grandes documentos sobre o sublime sacramento da Eucaristia”, e aos textos de João Paulo II. “Propõe de um modo actual algumas verdades essenciais da doutrina eucarística, exortando a uma decente celebração do santo rito” e “recorda a necessidade urgente de desenvolver uma vida eucarística na vida de todos os dias”.
Por sua vez, o Cardeal Angelo Scola, patriarca de Veneza, também presente na apresentação da Exortação Apostólica, afirmou que através da “Sacramentum caritatis”, o Papa confirma “o rito latino da obrigatoriedade do celibato sacerdotal como riqueza inestimável para toda a comunidade eclesial”, e confirma também a indissolubilidade do sacerdócio ministerial para a celebração da Missa, que não deve ser mais confundida com outras celebrações na ausência do presbítero”.
Acolhendo o que foi proposto no último Sínodo dos Bispos, o Papa “reafirma e aprofunda a relação entre sacerdotes ordenados e celibato, rejeitando qualquer justificação do celibato com bases puramente funcionais”. Quanto à “reorganização numérica do clero, que já acontece em alguns continentes”, para Bento XVI, observou Scola, “deve ser enfrentado acima de tudo com um testemunho da beleza da vida sacerdotal e também com uma cuidada formação vocacional, mediante uma proposta precisa de vida espiritual e um rigoroso discernimento que verifique a autenticidade da motivação vocacional”.
“Sacramentum caritatis” é um documento que contem “um forte encorajamento e mostra a relação da Igreja a toda a família fundada no sacramento do matrimónio, protagonista da educação cristã dos filhos”, apontou o Cardeal Angelo Scola.
Bento XVI elege o tema da unidade do matrimónio cristão, fazendo referência à questão da poligamia e à indissolubilidade do vinculo conjugal”, mas também fornece importantes sugestões pastorais para uma “situação dolorosa” em que se encontram esposos divorciados, a quem a exortação sugere “nove novas modalidades de participação na vida da comunidade cristã dos fieis que, sem receber a Comunhão, podem adoptar um estilo de vida cristã”.
Ao Tribunal Eclesiástico, disse Scola, o Papa pede “que quando surgirem dúvidas legítimas, verifiquem em tempo razoável a eventual nulidade do matrimónio” enquanto que aqueles que tenham celebrado de forma válida o matrimónio, por condições objectivas, não possam escolher uma nova relação”, propondo transformar “a sua relação numa amizade fraterna”.
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Fonte: ECCLESIA

segunda-feira, 12 de março de 2007

Quadras de Fernando Pessoa

Leve sonho, vais no chão A andares sem teres ser. És como o meu coração Que sente sem nada ter. Vai alta a nuvem que passa. Vai alto o meu pensamento Que é escravo da tua graça Como a nuvem o é do vento NB: Quadras enviadas por um leitor amigo

Citação

“Confiar é correr o risco de se decepcionar”
Séneca

Ao sabor da maré

O Fórum destronou a Av. Dr. Lourenço Peixinho


AV. DR. LOURENÇO PEIXINHO
PRECISA DE NOVO ROSTO


Os comerciantes da Av. Dr. Lourenço Peixinho estão insatisfeitos com o estado “degradado” em que se encontra a principal via da cidade dos canais. Pedem, por isso, uma intervenção rápida da autarquia, no sentido de se conseguir repor naquela avenida a dignidade de outrora.
A Av. Dr. Lourenço Peixinho foi, durante muitas décadas, a principal sala de visitas da cidade. Para ali tudo convergia. Quem pretendia comprar fosse o que fosse, mas também quem desejava, simplesmente, passear. Vamos até à avenida ver as montras, dizia-se frequentemente, sobretudo quando aos domingos era preciso sair de casa para dar uma volta. Depois, era nela que se encontravam os mais frequentados cafés e pastelarias, o Cine Avenida onde havia bons filmes, e outros estabelecimentos que pudessem dar sugestões para compras futuras.
Os tempos não podem parar e novos centros de interesse foram surgindo, criando-se outras salas de visita, com o Fórum a merecer as preferências dos aveirenses e de gentes vizinhas. Também os centros comerciais nasceram, com publicidade persistente e até convidativa para cativar as pessoas. Oferecem variedade de produtos, estacionamento fácil e gratuito, sorteios para contemplar os compradores, fazem promoções, apresentam grande variedade de negócios, tem espaços de lazer.
Face a esta realidade, a Av. Dr. Lourenço Peixinho perdeu nos jogos das recentes propostas comerciais e de lazer. Não há estacionamentos, não há a mesma oferta comercial, não há espaços de descontracção, não há qualquer tipo de desafios a quem quer passear, afugentar o stresse, passar um tempo livre de forma agradável. Face a esta situação, há que reformular toda a avenida, tornando-a apetecível e desafiadora. Autarquias e comerciantes que se unam e que descubram uma forma original de a renovar, consultando, obviamente, os especialistas da matéria. E por que não um concurso de ideias, a nível nacional, pelo menos?

Fernando Martins

domingo, 11 de março de 2007

Um artigo de Anselmo Borges, no DN


Religiões e teologia:
libertação e sentido


William Temple, arcebispo anglicano, definiu o teólogo de modo mordaz: uma pessoa muito sensata e sisuda que passa toda uma vida mergulhado em livros e que tem a pretensão de dar respostas exactíssimas e precisas a perguntas que ninguém põe.
Quem estudou teologia sabe que, infelizmente, esta definição nem sempre é puro sarcasmo.
Juan José Tamayo é um dos muitos teólogos que tomaram consciência de que se impõe um novo paradigma teológico, buscando os horizontes a partir dos quais a teologia cristã tem de reflectir, se quiser manter-se fiel ao duplo pólo que deve animá-la: a experiência bíblica de libertação e a nossa experiência actual de mundo na busca de sentido e de salvação.
Procura-se um "Novo Paradigma Teológico para Outro Mundo Possível", dentro de horizontes teológicos novos como resposta aos novos desafios.
O horizonte intercultural implica a passagem da cultura única ao pluralismo cultural e, concretamente, da inculturação da teologia, que continua ainda a manter os princípios e as categorias teológicas da cultura dominante, à elaboração de uma teologia intercultural, que assuma o diálogo entre culturas baseado na igualdade.
O horizonte inter-religioso requer a passagem da religião única à elaboração de uma teologia ecuménica das religiões para a paz, a partir das vítimas e com a praxis de libertação, que não é assunto de uma religião, mas de todas.
O horizonte hermenêutico é a chave de toda a teologia, implicando a passagem da mera exegese dos textos sagrados a uma teologia toda ela hermenêutica enquanto procura de sentido, na nossa experiência de mundo.
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Leia mais em DN

TECENDO A VIDA UMAS COISITAS-14


“ORIGEM PROVÁVEL
DO NOME DA GAFANHA”

Caríssima/o:

“Passou-se um ano, e os comer-ciantes de Aveiro já se atrevem a trazer e levar produtos à terra dos gafanhos, como dizem. Passado pouco tempo já dizem que vamos à “Gafanha” e assim fica...”

Tudo parece tão simples como isto e é tão fácil escrevê-lo ou afirmá-lo, com toda a naturalidade (ou com todo o fascínio da magia da bruma do tempo ou da imaginação...).

Mas, na realidade, esta palavra “Gafanha” tem feito correr muita tinta...

Há um estudo interessante de Mons. João Gonçalves Gaspar e que, para além da sua opinião, faz um apanhado crítico de tudo o que de válido se tem escrito. Pode encontrar-se no “Boletim Cultural” da Gafanha da Nazaré, n.º 2, 1986, ano 2, pgs. 15 ss. São seis densas páginas onde vai desenrolando as teorias de Padre João Vieira Resende, Pinho Leal, Américo Costa, Dr. Joaquim Tavares da Silveira, prof. Doutor José Leite de Vasconcelos, Padre Manuel Maria Carlos,..
E apresenta um quadro resumo que, com a devida vénia, vou tentar transcrever:

“ETIMOLOGIAS

GADANHA -> GAFANHA DO JUNCO -> GAFANHA

GAFAR (IMPOSTO) -> GAFANHA (LUGAR ONDE SE PAGA)

GAFO -> GAFANHA (LUGAR DE GAFOS)

GAFENHO OU GAFANHO -> GAFANHA (TERRA GAFADA)

GAFANHA (MULHER DE AVEIRO DESTERRADA)

GAFANHO (ANIMAL SALTÃO) -> GAFANHA

GAFANO -> GAFÂNIA -> GAFANHA

GALA + FÂNIA -> GALAFANHA -> GAFANHA”.


Parece que satisfaz várias curiosidades e tendências...
Como todos vemos, a questão é muito simples e quase apetecia dizer como o 'outro':
- É só olhar e escolher!

Então boa escolha!


Manuel

sábado, 10 de março de 2007

Praia da Vagueira

COM SAUDADES DO MAR
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Com o dia lindo, a fazer recordar uma tarde de Verão, com o sol a aquecer, não faltou gente a correr até às praias da região de Aveiro. Na Vagueira, que há dias sofreu a bom sofrer com a invernia e com as águas do oceano a ameaçarem a povoação, as esplanadas estavam animadas com as pessoas que ali foram. E, claro, por aqui e por ali, lá se via alguém a olhar o mar, com saudades, decerto, dum bom mergulho. O que vale é que já não falta muito...

Exposição na Op Art

Galeria Op Art


Colectiva "XVI Registos"

Na Galeria “Op Art – Emolduramento e Espaço de Arte”, situada na Avenida José Estêvão, na Gafanha da Nazaré, está patente ao público, até ao dia 24 de Março, a exposição colectiva intitulada “XVI Registos”.
A mostra apresenta trabalhos dos seguintes artistas: Ana Oliveira, António Neves, Armando Alves, Carlos Lança, Domingos Pinho, Góis Pino, Ícaro, João Abel Manta, José Luís Darocha, José Rodrigues, Júlio Pires, Mário Portugal, Mário Silva, Noronha da Costa, Sá Nogueira e Silva Palmeira.
Esta é mais uma exposição promovida pela Op Art, uma galeria que é um desafio constante a quem aprecia especialmente pintura, dos nossos melhores artistas. Se passar pela Av. José Estêvão, na Gafanha da Nazaré, não deixe de parar para apreciar o que há de bom, neste momento e sempre, afinal.

Um artigo de Francisco Sarsfield Cabral, no DN



FALAR COM O INIMIGO


"Não negociamos com o mal, derrotamo-lo." Este foi, até há pouco, o lema da política externa da Administração Bush. Uma política assente na afirmação, sem restrições, do poder dos Estados Unidos, não se deixando travar por acordos ou tratados e muito menos por organizações internacionais (mesmo quando criadas por iniciativa americana, como a ONU). Alianças, sim, mas pontuais, com os países que estivessem interessados em alinhar com os EUA.
Note-se que a tendência de Washington para actuar unilateralmente não começou com o actual Presidente. Já no tempo de Clinton eram visíveis sinais nesse sentido. O motivo é simples: com o colapso do império soviético, os EUA tornaram-se a única superpotência. Para quê, então, dar importância aos outros países?
A tendência para se isolarem do resto do mundo é antiga entre os americanos, um povo criado por gente que fugia das guerras, da fome e das opressões sofridas na Europa. Roosevelt só conseguiu convencer os seus concidadãos a entrarem na Segunda Guerra Mundial depois do brutal ataque japonês a Pearl Harbour.
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Leia mais em DN

Poesia grega

CEGUEIRA DE AMOR 

Um caso singular mas sempre verdadeiro:
se poiso em ti o olhar
– abranjo o mundo inteiro!...
Porém, ó fado torvo e prepotente,
porém, ó sorte perra e negregada,
se tu não vens, e passa toda a gente,
Cego de repente
– já não vejo nada!...

De MELEAGRO, in “Antologia Palatina” (Séc. II-I a. C.) Tradução de Augusto Gil In “Rosa do Mundo” : Este poema é para um amigo, que muito estimo, que aprecia bastante as poesias que aqui publico.

Museu de Aveiro


OBRAS PÕEM A NU CONSTRUÇÕES ANTIGAS
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As obras em curso no Museu de Aveiro, também conhecido por Museu de Santa Joana, têm revelado construções antigas e "milhares de peças", revelou o responsável pela equipa de arqueólogos, Miguel Marques. Isto mesmo informou a Rádio Terra Nova, no seu "site".
Também a directora do museu, Ana Margarida Ferreira, confirmou os achados, tendo sublinhado que já era esperada esta situação.
As escavações vão prosseguir, estando garantida toda a investigação inerente a estes casos.
O Museu de Aveiro está a ser ampliado, estando prevista a requalificação das instalações.
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Para saber mais, clique em RTN

sexta-feira, 9 de março de 2007

Valores da família


Papa alerta para conteúdos

da televisão e da Net


O Papa Bento XVI lançou hoje um apelo aos meios de comunicação social, para que promovam os valores da família e criticou a Internet e a televisão, tantas vezes com uma “influência destrutiva” nos mais jovens.

“Sem dúvida que grande parte dos benefícios da civilização actual são um contributo por parte da comunicação social, mas, por outro lado, muito do que é transmitido para milhões de lares de todo o mundo é destrutivo”, afirma o Santo Padre num discurso dirigido ao departamento de comunicação do Vaticano.

O Papa reconhece que os “media” têm tido um papel relevante na cultura e que o poder da comunicação está a passar lentamente da imprensa escrita para a electrónica, cada vez mais controlada por “poucos conglomerados multinacionais, cuja influência atravessa todos os estratos sociais e culturais” da família”.

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Fonte: RR

Uma quadra de António Aleixo

Eu não tenho vistas largas, nem grande sabedoria, mas dão-me as horas amargas lições de filosofia.

O azul céu


ANTES QUE A CHUVA REGRESSE
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Antes que a chuva regresse, para nos garantir um Verão sem falta de água, é bonito ver o céu azul, mesmo com uma ou outra nuvem a decorar o horizonte. No sossego da natureza, à beira da minha porta de casa, um avião supersónico traçou no céu como que um raio de luz, para nos mostrar a beleza de olhar para o alto.

Citação

"Verdadeiramente bom só é o homem que nunca censura os outros pelos males que lhe acontecem"
Paul Valéry,
In Citador

Gafanhoa antiga


RETRATO DE UMA NOSSA AVÓ
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Há tempos, alguém me enviou esta fotografia, como sendo um retrato de uma nossa avó. Decerto porque aqui publico imagens antigas das Gafanhas e sua região. Não vinha o nome da fotografada nem a indicação da data. Não sei, portanto, se é uma gafanhoa ainda viva ou se já faleceu. O que importa é que há muitos anos era frequente encontrar pelas ruas das Gafanhas, desde a Nazaré até à Boa Hora, retratos vivos de gafanhoas assim, com trajes típicos que muitos de nós conhecemos.
Ao publicar esta fotografia, mais não quero do que homenagear todas as nossas avós. Talvez pudesse, se me lembrasse, tê-la publicado ontem, Dia Internacional da Mulher. E teria todo o sentido, se lhe associasse o que das mulheres da Gafanha disse Raul Brandão, no seu livro "Os pescadores". Mas não faz mal, porque, para falar das mulheres destas terras, qualquer dia serve.

quinta-feira, 8 de março de 2007

RTP celebra meio século de vida

FESTA CHEIA DE EMOÇÕES Ontem, a RTP celebrou meio século de vida, com um dia cheio de emoções para os seus muitos trabalhadores e também para os seus muitos telespectadores. Mas também para os que, como eu, assistiram ao seu nascimento e longa existência. A gala que ontem foi oferecida ao mundo português foi, para mim e decerto para muitos outros, uma festa carregada de emoções. Memórias, programas e pessoas, do mundo das artes e da televisão, activaram o meu baú das recordações, fazendo sobressair momentos inesquecíveis dos meus 50 anos de contacto quase diário com a RTP. Com que satisfação e com que emoções vi ontem, na gala bem animada, a ritmo estonteante, apresentadores, locutores, jornalistas, artistas e tantas outras personalidades da televisão e do mundo dos espectáculos, que povoaram, ao longo destes anos, a minha memória, a minha imaginação, a minha sensibilidade. Foi mesmo muito agradável ver gente simpática, que entrava nas nossas casas com delicadeza, com sorrisos que nunca nos deixaram, com timbres de voz que nos foram familiares. Não quero distinguir ninguém, porque todos foram amigos do dia-a-dia, desde os tempos da minha juventude. Acompanharam-me sempre, mesmo quando apenas a correr abria a televisão, para a sentir como companheira amiga que ali estava sem me incomodar.

Fernando Martins

Dia Internacional da Mulher


OCASIÃO PARA LEMBRAR
PROBLEMAS QUE AFECTAM
AS MULHERES
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Diversos sectores eclesiais manifestaram nestes dias, no contexto do Dia Internacional da Mulher, celebrado hoje, sua visão sobre a situação da mulher.
As mulheres trabalhadoras cristãs da Acção Católica (AC) expressam que se sentem “ofendidas perante a falta de respeito que se está a gerar desde um sector da sociedade para com os nossos símbolos e costumes religiosos, que fazem parte de nosso património cultural e espiritual”.
De forma paralela, as mulheres da AC valorizaram “os avanços que se vão produzindo no reconhecimento dos valores e dignidade da mulher”, onde se encontra “a criação de leis que defendem a mulher face à violência que sofrem por parte de alguns de seus parceiros”.
Desta forma, consideram positivo que algumas empresas comecem “a prolongar mais o período licença de maternidade” e a gratificá-lo economicamente. Também observam que “cada dia é mais valioso o papel educador da mulher como pilar da família”.
Contudo, as mulheres acreditam que persistem alguns problemas por resolver, como “a incompatibilidade do horário de trabalho e o escolar” que se traduz numa “má atenção aos filhos” ou “as faltas de ajudas económicas para incentivar a maternidade e o crescimento demográfico”.
Finalmente, pedem “a criação de leis que favoreçam e facilitem unir a vida familiar ao trabalho” e “uma educação para nossos filhos baseada em valores e que respeite as crenças”.
Por outro lado, a Organização Mãos Unidas também se pronunciou por ocasião do Dia Internacional da Mulher, para denunciar que “70% do 1,2 bilhão de pessoas que vivem no mundo em situação extrema de pobreza, são mulheres”.
Mãos Unidas recorda que «a separação dos sexos aumenta fortemente na maioria das nações em desenvolvimento e afecta todos os campos da vida diária».
Esta ONG católica, que através dos seus projectos educativos presta especial atenção à mulher, entende que “a luta contra a desigualdade deve começar na idade jovem, na família e na escola, e que privar as meninas da educação põe em risco as possibilidades de desenvolvimento, porque o analfabetismo das mulheres e a falta de educação prejudicam directamente os filhos, e com eles a família, as comunidades e a sociedade em geral”.
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Leia mais em Ecclesia

Um artigo de João Gaspar, no Correio do Vouga

Dia Internacional da Mulher



HOMENAGEM
A ALGUMAS MULHERES DE AVEIRO



Celebra-se anualmente, em 8 de Março, o Dia Internacional da Mulher, instituído pela Organização das Nações Unidas em 1975, mas já com raízes nos meados do século XIX. Neste dia, quase espontaneamente e de modo particular, evoco a minha saudosa mãe, Margarida Teresa – verdadeira educadora, que me transmitiu o conhecimento e o amor de Deus, me ensinou as primeiras orações, me estimulou no afecto pelos meus irmãos e me despertou no respeito por toda a gente. Também lembro neste dia, com afectuosa amizade, as minhas avós Maria Engrácia e Maria Teresa, as minhas três irmãs Maria, Iria e Arminda, as minhas duas cunhadas Maria e Rosa e as minhas muitas sobrinhas, de diversos graus; a todas, que me estimam sem condições, sou devedor de imensa gratidão. E, como elas, adivinho as incontáveis heroínas anónimas que, na penumbra da plateia, são muito mais numerosas do que os heróis aclamados na luz do palco. É nosso dever trazê-las à claridade resplandecente da ribalta.
Tantas mulheres que, sem darem nas vistas nem ficarem gravadas em páginas da história, colaboraram decididamente na construção da comunidade humana. Quantas esposas que, com a sua cooperação, o seu trabalho e o seu sacrifício, ajudaram os maridos a granjearem realce na sociedade!… Quantas mães que, com persistência e com amor, formaram heróis e santos!… Quantas filhas que, com carinho e com afeição, ajudaram os pais e as mães!… Quantas irmãs que, numa vida escondida, tornaram possível o trabalho de familiares!… Quantas e quantas mulheres que, com abnegação desmedida, velaram bebés, acolheram crianças, formaram consciências, semearam valores, encorajaram vacilantes, curaram enfermos, assistiram moribundos, ampararam velhinhos!...
Sem pretender ser exaustivo (longe de mim!), lembro apenas algumas aveirenses cujos nomes se encontram registados na memória colectiva, na história local, na toponímia urbana ou até no bronze esculturado.
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Leia todo o artigo no CV

Um artigo de António Rego

Dia Internacional da Mulher

MULHER

Tudo começou numa fábrica de tecidos em Nova Iorque no ano de 1857. Numa greve, a exigir para as mulheres melhores condições de trabalho e “salário igual para trabalho igual”. Só cinquenta anos depois esse dia se estabeleceu como Dia Mundial da Mulher. Mas a ONU, apenas em 1975 – quando por cá andávamos entretidos em pequenas revoluções – o tornou dia oficial.
É assim que se faz a história e importa reconhecer neste caso que o acontecimento foi muito mais que simbólico. Desceu ao terreno do real na vida familiar, social e cultural. A mulher deixou de ser considerada um elemento menor da história, muitas vezes ganhando significado apenas quando associada ao homem ou como sombra de prestígio do universo masculino. É sabido que estamos muito longe da conquista real da igualdade. E curiosamente aqueles que aparentemente mais esgrimem a proclamação de direitos e “libertação” da mulher, são os que mais a escravizam no seu pater-nalismo redutor, com distância infinita entre os pregões teóricos e a prática pessoal e social. Recorde-se o tráfico de mulheres imigrantes, artistas, modelos, disfarces de trabalhadoras, para não falar de empresários marialvas que trocam a mais velha por duas mais novas com uma displicência glaciar. Cento e cinquenta anos depois da revolta de Nova Iorque a mulher continua a ser usada e abusada na publicidade, na exploração mercantil, no papel humilhante de objecto de grandes teóricos do feminismo e empresários do machismo. Tropeçamos a cada passo com este género híbrido de homens e mulheres. Sem a mais pequena noção do significado de libertação, com uns poucos de chavões encaixados nas situações políticas ou sociais mais convenientes, com uma literatura de fronteira e uma libertinagem proclamada aos quatro ventos, por vezes não longe do animalesco e esclavagista.
Nem por isso deixa de ter significado o Dia Mundial da Mulher. Pelo contrário, impõe-se como um grito de dignidade e libertação dos slogans de circunstância que geram novas escravaturas na vida social e familiar. Quando se lhe rouba ou diminui o significado da sua maior nobreza – a maternidade – toda a gritaria feminista soa a falso e circunstancial.

Dia Internacional da Mulher


UMA FLOR PARA CADA MULHER
Para todas as que riem e para todas as que choram...
Para todas as que trabalham e para as desempregadas…
Para todas as que foram mães e para as que o não puderam ser…
Para todas as que sofrem injustiças e para todas as justas…
Para todas as perseguidas e ofendidas…

Para todas as que amam e para as não amadas...
Para todas as artistas que fazem o mundo mais belo…
Para todas as que rezam pelos que não rezam...
Para todas as que sofrem com o sofrimento dos outros…
Para todas as que partilham alegrias com os tristes...
Para todas as que lutam por um mundo melhor…
Para todas as MULHERES…

quarta-feira, 7 de março de 2007

50 anos da RTP

CAVACO SILVA LEMBRA A IMPORTÂNCIA DO RIGOR, DA IMPARCIALIDADE E DA QUALIDADE DA PROGRAMAÇÃO
Ao falar na cerimónia comemorativa dos 50 anos das emissões regulares da RTP, o Presidente da República, Cavaco Silva, lembrou que a prestação do serviço público de televisão é uma tarefa que traz, para os seus trabalhadores, “especiais exigências de rigor, de imparcialidade e de qualidade da programação". Sendo certo, a meu ver, que a RTP tem melhorado significativamente com a actual administração, liderada por Almerindo Marques, será bom recordar que esse facto não a dispensa de continuar a garantir a qualidades dos programas, sem entrar nas guerras de audiências, que podem levar a enveredar por caminhos da banalidade e de baixo nível artístico.
Importa, no entanto, sublinhar que também está nas nossas mãos contribuir para que isso aconteça, avançando com as nossas sugestões e propostas, mas ainda com as nossas críticas construtivas.

Um artigo de D. António Marcelino


Modernidade e conservadorismo,
direitas e esquerdas

Um dos direitos assumidos pelo laicismo no campo da política é ter tornado esta uma instância sem apelo, com o direito de se assumir como a mais lúcida classificadora da realidade social. Fá-lo à revelia da sua missão de um serviço a todos, construindo muros que dificultam a comunicação entre eles e abrindo valas que tornam difícil uma expressão livre de pluralismo e de uma legítima diversidade de critérios e valores.
Desta frenética actividade classificativa surgiu a nomenclatura de direitas e de esquerdas, acantonando-se pessoas e instituições nestes redutos arbitrários. Dada a matrícula original do laicismo, a Igreja foi arrumada nas direitas, também apodadas de conservadoras. Progressivo, aberto, moderno têm lugar cativo no palco das esquerdas.
Foi, assim, sintomática a reacção eufórica do primeiro-ministro, na noite em que se contaram os votos do referendo, ao proclamar que “Portugal opta entre a modernidade e o conservadorismo”. A apoiar as palavras do chefe, surgiram declarações em catadupa: a Igreja foi a grande derrotada, a sua influência no povo português tinha terminado, o norte conservador votara “não” e o sul progressista votara “sim”… Algumas destas afirmações, por descabidas, tiveram que se engolir logo no dia seguinte. Não faltaram comentadores de renome, serenos e lúcidos, a mostrar como emoções não são sempre razões. Ninguém da Igreja se defendera. Desta, só alguém insofrido não consegue conter-se e as afirmações feitas não justificavam nem comentários, nem resposta.
A Igreja, com maior sabedoria do tempo e mais reflexão com conteúdo, nunca alinhou e ainda menos usou a classificação de direitas e esquerdas, típicas dos partidos políticos, que, à falta de ideias que os identifiquem, vão-se arrumando em espaços anódinos. Cores não traduzem valores, e até se descoloram quando os espaços conquistados não são respeitados e a identificação de cada um se torna tarefa inconsistente, dúbia e atrevida.Se esquerda quer dizer abertura ao social e não só, vemos em partidos, ditos de esquerda, atitudes e posições reaccionárias, que pararam no tempo, e já só sustentadas por mentes encarquilhadas. Se esquerda quer dizer ajuda séria a pessoas em dificuldade, esta ajuda aparece mais vezes de circunstância e de favor e a cobrar créditos, que gesto de motivada e bem explicada solidariedade. Se por esquerda se entende abertura a caminhos novos, por onde se pode caminhar agora e no futuro, não faltam, vindos dessas bandas, atalhos mal amanhados, a servir para o cortejo festivo de notáveis, que nunca mais voltarão a passar por aí, porque a lama disfarçada num dia, continua lá, e gente importante e instalada em interesses não suja, de bom grado, os pés na lama.
Nada mais inconsistente que a classificação arbitrária de direitas e esquerdas, de modernos e conservadores. A Igreja, porque é para todos e, apesar dos limites e falhas dos seus membros, ontem e hoje, sabe naquilo que acredita e o que defende, não se dobra a conveniências pagas com emoções nem a ameaças, nem teme os epítetos que lhe atiram para cima, destituídos de cola e que depressa caem envergonhados.
Quem quiser servir a comunidade e não os seus interesses pessoais, partidários e de grupo, tem de respeitar, acolher, integrar no conjunto, pessoas, valores, formas de participação legítima. Tem de se esclarecer culturalmente. De contrário, faz apenas de pirotécnico de fogo de vista, em arraial nocturno e concorrido. Os atrasos de que padecemos têm, na sua causa, muitos culpados, por acção e omissão. Porque não é nem será de direita ou de esquerda, a Igreja não se furta aos juízos da história. Nem sempre soube aproveitar o terreno aberto, tendo à mão boa semente. Mas reconhece-o, di-lo e procura caminhos de conversão. Coisa que os políticos, mormente os do poder, sempre com razão, impolutos e infalíveis, jamais andarão por caminhos de pecadores.

Barra de Aveiro


BICENTENÁRIO DA BARRA DE AVEIRO

Comemorações iniciam-se a 3 de Abril com conferência ibérica "Qualidade Global dos Portos" é o tema em debate no pontapé de saída de um vasto programa de comemorações que se estende por ano e meio, até Setembro de 2008. Portos de Gijón e Barcelona integram painel de oradores e Ana Paula Vitorino, Secretária de Estado dos Transportes, preside à sessão de encerramento da conferência.

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