quarta-feira, 12 de abril de 2006

Páscoa para um mundo mais justo

Bento XVI convida católicos a preparar
bem a celebração Bento XVI desafiou hoje os católicos de todo o mundo a fazer da Páscoa uma festa de vida, comprometendo-se “com mais coragem na construção dum mundo justo”. O Papa falava perante 40 mil peregrinos, reunidos na Praça de São Pedro para a audiência geral desta semana, com reflexão centrada no Tríduo Pascal.
Perante um mundo em que continuam a ser visíveis as “divisões, os dramas da injustiça, do ódio, da violência e da impossibilidade de reconciliação com perdão sincero”, o Papa espera que os católicos dêem um testemunho de fé, mostrando que “o mal não tem a última palavra”, porque Cristo ressuscitou.
Nos próximos dias, disse Bento XVI, os fiéis devem manifestar “um desejo mais vivo de seguir Jesus e servi-lo, sabendo que ele nos amou ao ponto de dar a vida por nós”.
Para preparar o Tríduo Pascal, o Papa convidou os católicos a procurarem “a reconciliação com Cristo, para saborear mais intensamente a alegria que Ele nos comunica com a sua ressurreição”.“O seu perdão, que é dado no sacramento da Penitência, é fonte de paz e torna-nos apóstolos de paz”, explicou.
: (Para ler mais, clique aqui)

D. Manuel Clemente na antiga Capitania

“O sentido da vida à luz da arte cristã” No próximo dia 20 de Abril, quinta-feira, pelas 21.30 horas, na sede da Assembleia Municipal de Aveiro (antiga Capitania), D. Manuel Clemente, Bispo Auxiliar de Lisboa, fará uma conferência, subordinada ao tema “O sentido da vida à luz da arte cristã”. Trata-se de uma iniciativa da Comissão Diocesana da Cultura, em parceria com a Câmara Municipal de Aveiro e a associação AveiroArte, integrada na exposição que está patente ao público no mesmo local, até ao dia 23 do corrente. Nesta exposição, 48 artistas assumiram expressar o que pensam, em termos artísticos, sobre “O sentido da vida: que horizontes?”

Um artigo de António Rego

O culto do oculto
Recordo bem o choque que constituiu para mim, no início do estudo de Sagrada Escritura, o desmoronamento de alguns cenários construídos sobre a criação do mundo, as figuras de patriarcas e profetas, acontecimentos exemplares de tragédia ou festa descritos no Antigo ou Novo Testamento.
Conhecer os géneros literários, a hermenêutica gerada por uma aproximação aos textos originais, traduções, cânones, apócrifos – tudo isso provocou salutar iluminação sobre cenas desenhadas mais na imaginação que nos conteúdos essenciais da fé.
Estudar a Bíblia não é chegar à idade de compreender que o Pai Natal não existe e que não há nada a fazer. Trata-se de um acesso rigoroso à exegese, clarificada com o maior número de dados possível da história e da ciência. E da tradição da Igreja como fonte continuada da cristalinidade da fé.
É um bom momento na vida o da harmonização tranquila da fé com a ciência sem misticismos artificiais. Apercebemo-nos que os pilares da razão são óptimos mas insuficientes para sustentarem os conteúdos globais da fundamentação do homem e de Deus. Por isso aconteceu a Revelação.
De tempos a tempos surgem miragens de ciclones que ameaçam “desmoronar” as bases comuns das certezas e crenças adquiridas. Surpreendentemente Dan Brown e o seu Código Da Vinci com a sua fantasia espectacularizada (e presumivelmente copiada de outra fantasia) parece ter feito estremecer a fé de pré-iniciados em questões bíblicas e históricas.
Vendeu melhor os livros que as ideias mas terá deixado algumas dúvidas sobre quem estava à direita de Jesus na Última Ceia, e se Leonardo Da Vinci terá sido melhor em construir charadas que em trabalhar como pintor, escultor ou físico.
Recente notícia (inocentemente surgida perto da Páscoa) sobre o Evangelho de Judas, dispara as campainhas das redacções e produz reportagens em volta das dúvidas sobre a figura de Judas descrita nos Evangelhos Canónicos.
Surgem de novo as insinuações sobre um acumulado erro histórico, dando a entender que os cristãos andam eternamente ludibriados pela máquina eclesiástica.Há conteúdos essenciais da fé e esses estão explicados e proclamados. Há questões de textos e contextos sempre abertas a novos dados filológicos, paleontológicos, como todos os grandes estudos históricos. Mas nada disso se enquadra na literatura cor de rosa, lida entre dois mexericos de sala de espera.
As ciências teológicas e bíblicas trabalham em laboratórios bem mais consistentes, com dados frios, tratados por investigadores insuspeitos que não passam a vida ao telemóvel para comunicar mais uma descoberta oculta e sensacional.
Quem, nestes dias, ler serenamente a Paixão em qualquer dos Quatro Evangelistas, terá o essencial dum capítulo da história da fé e da humanidade. Sem se perder no culto do oculto ou da dúvida.

SAÚDE: É preciso combater o desperdício

Manuel Antunes
pede medidas de fundo
Manuel Antunes, director do serviço de Cirurgia Cardiotorácica dos Hospitais Universitários de Coimbra e conselheiro de Saúde do Presidente da República, Cavaco Silva, disse na “Visão”: “Continuam a usar-se paliativos para melhorar a acessibilidade aos serviços, em vez de se tomarem medidas de fundo. Nada poderá resultar, enquanto não se combater os desperdícios e a ineficiência dos serviços. Isso terá de passar por uma alteração profunda do esquema de trabalho dos profissionais, sobretudo dos médicos. Só assim se conseguirá, por exemplo, reduzir eficazmente as listas de espera para cirurgias e consultas. Em contrapartida, tem de entregar-se mais responsabilidades aos directores de serviço.” Disse, ainda, que é preciso responsabilizar os cidadãos pelos cuidados que recebem, porque “abusam do sistema e desperdiçam alguns meios postos ao seu alcance. Por exemplo, um terço dos medicamentos prescritos não são tomados.” O doutor Manuel Antunes sabe do que fala. Isso significa que há muito que fazer no campo da Saúde, para se acabar, de facto, com as listas de espera nas cirurgias e nas consultas hospitalares. Quando uma personalidade como esta fala, penso que não deixará de ser ouvida pelo Governo, no sentido de responder aos desafios que preconiza. A saúde é um bem precioso que merece mais atenção de todos nós e dos responsáveis por este sector a nível nacional. Como Manuel Antunes é assessor do Presidente da República, talvez isso seja uma mais-valia para os encontros que Cavaco Silva mantém às quintas-feiras com o primeiro-ministro José Sócrates. F.M.

Citação

Para pensar “Num tempo de planos tecnológicos e de programas simplex de ataque à burocracia, é chocante constatar que quase três milhões de portugueses não possuem qualquer ligação domiciliária à rede de esgotos”. (…) “É assustador o facto de mais de quatro milhões de portugueses não possuírem sistemas adequados de tratamento de esgotos e de, entre estes, quase três milhões não terem qualquer ligação à rede de drenagem de esgotos”. : António José Teixeira,
no editorial de ontem do DN

Figueira da Foz por estes dias

Figueira com seus recantos e encantos (Para ver melhor, clique na foto)

terça-feira, 11 de abril de 2006

Um artigo de Alexandre Cruz

A inutilidade
do sofrimento? 1. O sofrimento, enquanto experiência humana do limite em nós próprios, apresenta-se como uma realidade certa que, mais cedo ou mais tarde, bate à porta de todos. E é particularmente na experiência do sofrimento que, após levantadas todas as dúvidas e questões fundamentais, novas caminhadas de sentido de vida se fazem, novas janelas de entendimento sobre o “essencial” da vida se abrem, mostrando a esperança e a clarividência para um sempre melhor discernimento diante de tantos acessórios insignificantes. É por isso que nas sofridas fronteiras da vida, todos os ideais se renovam, (quase) todas as pazes se fazem, todas as esperanças e projectos se levantam. Mas, com sensibilidade, precisamos de apurar a nossa própria atenção porque ao falarmos do sofrimento humano (ele por si não existe) não falamos de teorias mas de pessoas concretas que sofrem; tal como ao falarmos de humanidade, teremos sempre de fazer o esforço de passar da abstracção à realidade concreta das pessoas que caminham, que procuram e encontram, pessoas essas que somos “nós”… É no superar das generalidades teóricas ao encontro de vidas muito pessoais que navegamos quando, especialmente, avançamos por estas águas de escrita, também num tempo pré-pascal em que caminhamos… 2. Vem esta reflexão a propósito de uma obra publicada e publicitada com destaque na revista Notícias Magazine (do JN de 2 Abril). Trata-se de uma visão, livro com o título “A Inutilidade do Sofrimento”, de uma psicóloga com 25 anos de experiência e que constata que não fomos educados para gerir os sofrimentos e perdas naturais da vida, e que insistimos em diante do mesmo acontecimento preferir ver as coisas de forma pessimista; optamos por ver o “copo meio vazio” em vez de o “copo meio cheio”. Despertou-nos o título, e uma primeira visão de perspectiva, uma sensação de confirmação em que estamos mesmo a querer afastar a experiência do sofrimento da própria experiência humana realista; preferimos as modas, as estéticas, as elegâncias, só uma face (a linda!) da moeda da vida. Ainda que abordando a obra oportunos horizontes de equilibro emocional, auto-estima, auto-conhecimento, superação e gestão das ansiedades, contudo, em última análise, considerando os sistemas éticos, normativos e religiosos como “imposições de culpabilidade” que não deixam a libertação do ser florescer…num levar às últimas consequências, ao limite, correr-se-ia o terrível perigo de não olhar a meios para atingir fins, perdendo a vida todo o sentido diante do sofrimento tão realista, um passo “eutanasiante”. Quererá esta visão a promoção de uma sociedade de perfeitos? Será a ideia de “esconder” ainda mais da vida pública as feridas das pessoas? Será esta afirmação da psicologia sobre a “inutilidade do sofrimento” sinal de que cada vez é mais difícil reconhecermos em nós próprios a limitação?... 3. O sofrimento está aí, todos os dias! Integrar positivamente, no mais possível, para melhor viver será o caminho… Não, como algumas perigosas teorias apontam, que seja um mal necessário para a purificação; não que o sofrimento tenha mesmo de acontecer para apurar sentidos de vida, arrependimento, de forma alguma. Esta visão perderia o sentido da plena liberdade humana em que cada momento de vida é apelo à própria felicidade… Mas que na experiência do sofrimento, quer pessoal quer de dedicação aos outros, é possível uma abertura a toda a esperança e, fruto de um sentido / integração positiva do sofrimento (que nunca é um fim em si mesmo) é possível dar felizes passos adiante, isso é bem verdade. A autora, psicóloga Maria Jesus Reyes, toca, em contrapartida, em alguns aspectos fundamentais da nossa vida em sociedade e das escolas da maturidade de vida, no que constroem em nós (ou não) deste espírito de aprendizagem em lidar com o menos positivo: “Fazemos cursos para ensinar os executivos a controlar a ansiedade e é o que mais agradecem, porque lhes ensinaram a negociar, algo a trabalhar em equipa, a liderar, mas não lhes ensinaram a ser felizes, a controlar as emoções negativas. E com o mesmo trabalho, a mesma família, os mesmos problemas, pode-se viver muito bem ou muito mal. Essa é a grande diferença.” Sem dúvida que uma vida bem trabalhada por dentro pode aliviar muito do peso sofrido dos medos, das ansiedades, das perdas, mesmo das dores. Mas também é certo que a arte de viver em que tudo tem sentidos de esperança (inclusive a leitura do sofrimento humano), será a via capaz de melhor reavivar a “inteligência emocional” para a reconstrução da grandeza do SER. O sentido pascal, da passagem esperançosa fruto de aperfeiçoamento da própria vida, desperta de forma mais feliz este estímulo positivo. Claro que teorias nada são comparadas com as cruas feridas e dores do corpo… mas nelas saber ler a serenidade, a esperança e a paz, é o melhor discurso silencioso que faz ver bem mais longe o quanto valemos e a que dignidade absoluta somos chamados!

segunda-feira, 10 de abril de 2006

Partidos Políticos

Os Estados têm de apoiar
os Partidos Políticos, mas…
Todos os democratas são unânimes em considerar que os Partidos Políticos são fundamentais nos regimes democráticos. Por isso, os Estados têm de o dever, a meu ver, de contribuir para a sua existência. São eles que, afinal, oferecem e mostram aos eleitores as várias formas de Governo, sublinhando, cada um a seu modo, as virtualidades das ideias que defendem e pregam. Os Partidos Políticos têm filiados e simpatizantes, como é óbvio, que os ajudam a sobreviver e os fazem chegar ao Governo ou os alimentam nas oposições, também importantes nos regimes democráticos. Sem oposições credíveis poder-se-ia cair nas ditaduras ou nos abusos do poder, na corrupção ou na degradação do sistema. Sendo assim, os Estados têm, de facto, de apoiar os Partidos. Acontece que de tempos a tempos vêm a lume as contas que o Governo tem de suportar com esse apoio. E elas são tão elevadas que me custa aceitar que seja mesmo necessário despender tanto dinheiro com os Partidos Políticos e com as campanhas eleitorais. A “Visão” disse na passada semana que as forças políticas vão receber, nos próximos três anos, os mesmos 64 milhões de euros que Bill Gates (o homem mais rico do mundo) vai investir em Portugal, como ajuda à renovação tecnológica. Eu acho que é muito dinheiro, até porque os Partidos têm as quotas dos seus filiados. Que houvesse um apoio, de alguma forma modesto, ainda seria de aceitar. Mas dar tantos milhões, num país com tantas carências e tanta fome, não me parece bem. Fernando Martins

Primeira saída do Presidente da República

Gratidão e mérito
Na sua primeira saída oficial do palácio de Belém, o Presidente da República, Cavaco Silva, privilegiou a gratidão e o mérito. Cavaco Silva deslocou-se ao Hospital de D. Estefânia, em Lisboa, não só para agradecer o modo como ali foram tratados familiares seus, mas também para cumprir uma promessa da campanha presidencial, como foi a de dedicar “uma atenção particular às crianças”, que “são um grupo vulnerável na nossa sociedade”. O presidente da República quis salientar o facto de aquela unidade hospitalar ter recebido, no ano passado, um prémio pelo trabalho da sua Comissão de Humanização e Qualidade, bom estímulo para continuar na senda do sucesso, para bem dos pacientes. Estímulo esse que, se todos os hospitais quiserem, também o podem aproveitar para humanizarem os seus serviços. Cavaco Silva deixou ainda um recado, quando disse aos jornalistas, que o questionavam, que “O Presidente da República tem um direito de reserva em relação àquilo que diz em Público”. F.M.

Quotas para o mérito

A jornalista Isabel Stilwell disse, no “Notícias Magazine”, que “O bom povo português agradecia uma lei a exigir a presença obrigatória de pelo menos um quarto de pessoas inteligentes nos partidos políticos. Independentemente do sexo. Mas essas quotas não as quiseram eles!”. E acrescentou que “Os homens bem podem começar é a pensar numa lei de quotas para eles, enquanto ainda os deixam assinar leis e diplomas”.
Ora aqui está uma ideia que merece uma oportuna reflexão, numa altura em que tanto se discute sobre quotas (humilhantes) para mulheres na política. Mais importante do que isso será, então, estabelecer quotas para o mérito. Aí, muitos políticos, homens, ficariam de fora. F.M.

Na antiga Capitania

“O sentido da vida: Que horizontes?” Até 23 de Abril, pode apreciar, na antiga Capitania, uma exposição colectiva de Artes Plásticas, subordinada ao tema “O sentido da vida: Que horizontes?”. Trata-se de uma iniciativa da Comissão Diocesana da Cultura, em parceria com a Câmara Municipal de Aveiro e com a associação AveiroArte. De terça a domingo, das 14 às 19.30 horas, o visitante pode debruçar-se sobre trabalhos de 48 artistas, procurando reflectir, com a ajuda de todos eles, sobre o sentido da vida. Uma exposição a não perder, até porque, na Quaresma, há razões mais do que suficientes para compreendermos que só uma vida com sentido pode projectar-se em todos os horizontes. F.M.

Na Loja do Cidadão

Fotografias na Loja
Na Loja do Cidadão, em Aveiro, os alunos de Fotojornalismo do ISCIA (Instituto Superior de Ciências de Informação e Administração) expõem fotografias captadas com arte e sensibilidade. A Vida num parque de Aveiro, Peixeiras e Rastos da Noite podem ser apreciados na Loja do Cidadão até ao próximo dia 29, de segunda a sexta-feira, das 8.30 às 19.30 horas, e aos sábados, entre as 9.30 e as 15 horas. F.M.

Citação

“É possível viver com o fracasso. Não se consegue é viver com os sonhos no armário” Bill Clinton, antigo Presidente dos EUA, in Jornal de Negócios

Um artigo de D. António Marcelino

PERGUNTAS FATAIS
PARA UM PROCESSO
EDUCATIVO VÁLIDO
Um pedagogo argentino, de nome consagrado, ao passar por Portugal, como orador num Curso de Verão sobre problemas da educação, deixou-nos esta reflexão final: “Interrogar-se acerca da formação da personalidade é, afinal, formular as perguntas fatais da educação: para quê e para onde queremos educar”. Um pouco atrás, fez outra pergunta, que ele mesmo classificou de fundamental: “ Como ensinar e promover as capacidades exigidas a um cidadão democrático?” Quem faz perguntas, procura respostas. Quem não se interroga não tem condições para progredir. Ouvir de outros e fazer perguntas a si mesmo pode ser incómodo, por isso as respostas ou não existem ou são tolas e desfasadas. Em educação as perguntas pertinentes podem determinar o processo educativo. O “para quê” e o “para onde” ou o “em que sentido” têm de iluminar e orientar toda acção educativa da família e da escola e, de modo igual, das diversas instâncias educativas. De outro modo, o esforço para educar será inútil e o tempo perdido. Não vai para parte nenhuma quem não sabe para onde vai, nem para onde quer ir. Não será, porventura, esta fatalidade, que explica fracassos e insucessos na educação? Num suplemento de fim-de-semana, que um dos jornais diários anexava há dias ao caderno principal, fazia-se a publicidade de um famoso grupo rock estrangeiro, nestes termos: “Para acabar de vez com as boas maneiras!”. O mesmo era dizer que não havia regras para apreciar ou para presenciar, e que destruir conceitos e preconceitos era a palavra de ordem. Na música e na vida. Muito aliciador, para gente sem peso nem norte. Como nessa semana o prato forte das minhas actividades andou à volta de encontros com professores e de reflexão sobre a educação e a escola que temos, vieram-me à memória as perguntas fatais e fundamentais, do mestre argentino. Educar é sempre construir com projecto e, por isso, precisa horizontes e regras. As regras geram constrangimento para quem julga que ser livre é fazer tudo quanto lhe apetece, e não aceitar qualquer intervenção de outrem na sua vida. Ora, educar é sempre um processo relacional que permite permuta e possibilita transmissão de saber já adquirido e de experiências de vida, torna livremente activo quem está em aprendizagem mais evidente, e não dispensa o horizonte do porquê, do para quê, do como e do para onde, para que haja motivação para aprender, desenvolver capacidades, ter opções com critérios, agir com discernimento e vontade, ter alegria de viver e de realizar, dispor, enfim, de um sentido na vida e para a vida. Um horizonte reduzido acaba por não apaixonar. Largo e a perder-se no longe do tempo, obriga a persistência, criatividade, necessidade de ajuda, vontade determinada, esperança e utopia. As desistências, os insucessos e os desvios condenáveis de um agir sem regras, maneiras e ética, mostram que as interrogações que motivam a agir da pessoa, não funcionaram. Há, por vezes, estrangulamentos no processo educativo, influências estranhas com poder, medos justificáveis de educadores, desinteresse ostensivo de educandos, leis patetas de técnicos e psicólogos sonhadores e ineptos, omissões graves de quem determina o processo, desconhecendo a realidade e a vida, instituições que andam à caça de fracassos nos espaços educativos dos outros, para desviar a atenção da noite que cobre os seus campos de acção, de teor idêntico. Os que querem, acabam por ser prejudicados pelos que não querem ou não sabem, passando o mal a ter história e o esforço do bem a ser esquecido, quando não mesmo vilipendiado. Admiro cada vez mais os educadores que não desistem e os jovens que prosseguem no caminho que traçaram, resistindo às influências que os rodeiam. Nenhuma sociedade tem futuro sem uma educação séria que não medo das interrogações fatais.

Gotas do Arco-Íris - 12

ARCO-ÍRIS, MODELO E MESTRE ... 

Caríssimo/a: Ouve-se, com frequência, que “a Primavera já não é o que era”... Não sei se concordo, mas, observando o meu pequeno mundo, nunca vi tantas flores nos nossos jardins (o «meu» jardim, os jardins do condomínio, os jardins dos bancos: os bcps, os bpis, os bes, eu sei lá..., e até de uma ou outra repartição pública, que também as há com as suas floreiras..., e vamos lá de alguns hospitais, e, sejamos justos, os jardins públicos...). 
Se antigamente Portugal era um jardim à beira mar plantado, hoje talvez o mar esteja plantado a ver o nosso jardim... E vem esta prosa tão pouco garrida, porque um canteiro me cativou... Vi-o de longe e admirei a sua mancha colorida... Logo me pus a lançar elogios para o ar dirigidos aos meus dois bons Amigos Manuel Casqueirita e João Matias; aquele da Marinha Velha e este de Vilar... 
Numa época em que a decoração de altares de Igreja era exclusivo das Mulheres e Raparigas das nossas aldeias, o ti Casqueirita e o João Matias ousaram e conquistaram um espaço que por todos era respeitado e hoje é saudado... Bem hajam! 
Ia assim divagando e aproximando-me, a pé, vagarosamente como as minhas pernas mo vão permitindo, olhando e reparando para o dito canteiro... E ali está, deitado, sonolento, nesta tarde chuvosa... Mas onde estão as flores? Os jardineiros foram ardilosos e de uma imaginação inimaginável: as manchas de cor foram conseguidas com ...couves e pedrinhas... Só o arco-íris pode ter sido o mestre de artistas tão requintados!... E por hoje, vamos com o nosso ramo, mais ou menos florido, saudar outro Mestre.

Manuel

Nota: Por motivo de ausência, só hoje posso introduzir no meu blogue a habitual colaboração do amigo Manuel.

Agradecimentos

Alguns leitores foram muito simpáticos, como veriquei, com e.mails, mensagens e telefonemas, preocupados com a minha ausência. Não foi por doença, graças a Deus, mas por necessidade de mudar de ares. O homem, mais do que os outros seres vivos, precisa, de quando em vez, de respirar noutros ambientes. Foi o que fiz.
Mesmo fora de casa, porém, aqui estou como prometi, ao sabor das portas que se abrem, o que, felizmente, se está a tornar mais fácil.
O meu muito obrigado pelos cuidados dos meus leitores.
Fernando Martins

quarta-feira, 5 de abril de 2006

Mais uma saída

Mais uma saída. Mais uma ausência. Quando puder, por cá passarei para a partilha do que penso e sinto com os meus amigos e habituais leitores.
Fernando Martins

terça-feira, 4 de abril de 2006

Um artigo de António Rego

A glória de João Paulo II
A celebração do primeiro aniversário da morte de João Paulo II seguiu, por inteiro, o dinamismo pessoal e pastoral de Karol Wojtyla: exposto ao mundo do primeiro ao último momento, tão visível nas horas de brilho e festa como nos momentos frágeis no aspecto, no andar, no falar, no encontro com os povos, com os governos, as Igrejas, e com esse universo incontável de interesseiros que não quiseram perder a oportunidade de serem fotografados com o Papa como peça de currículo. Bento XVI expressou bem todo o percurso, acentuando o seu despojamento progressivo: “Nos últimos anos, o Senhor foi a pouco e pouco privando-o de tudo, para que a Ele se lhe assemelhasse. A sua morte foi o cumprimento de um testemunho de fé que tocou o coração de tantos homens de boa vontade”. Esteve em pleno na sua imagem, depois apenas no gesto e na voz como aconteceu na última Via Sacra a que presidiu na sua Capela particular onde nem o seu rosto foi mostrado ao público. O mundo seguiu o drama e a festa da vida deste homem que sempre vibrou ao ritmo das comunidades a que presidiu e à Igreja Universal que, como pastor, confirmou vigorosamente na fé.
Dado o seu longo Pontificado, as últimas gerações já não se aperceberão inteiramente das mudanças e sobretudo do ritmo e estilo que ele imprimiu à Igreja no seu original pastoreio.
Tudo mudou. Se o essencial é o mesmo, a forma de o apreender, transmitir e aplicar, altera-se com o tempo, as revoluções culturais, políticas, técnicas e religiosas.
João Paulo II não é isento dos contextos da história na sua vida pessoal, nas perturbações da Polónia, da Europa, no choque da modernidade que ganhou uma explicitação e visibilidade nunca antes vistas, dos dramas de guerra e dos progressos de paz que nunca deixaram de acontecer.
Este todo teceu o seu Pontificado a que imprimiu uma tónica particular. É mais fácil a homenagem que a análise objectiva e pedagógica para a Igreja e para o mundo. Por isso o esfumar-se do tempo ajuda melhor à percepção distanciada da realidade.
Abre-se agora esse período. Da transição do afecto para a clareza dos factos. À frente dos quais está o próprio processo de beatificação que não é alheio a todo o itinerário do Papa Wojtyla.

A Gafanha vista por Júlio Dinis

"IMAGINEI-ME TRANSPORTADO À HOLANDA"
“Escrevo-te de Aveiro. São 7 horas da manhã do histórico dia de S. Miguel. Acabo de me levantar. Acordou-me o silvo da locomotiva. Abri de par em par as janelas a um sol desmaiado que me anuncia o Inverno. A primeira coisa que este sol alumiou para mim, foi a folha de papel em que te escrevo; aproveito-a, como vês, consagrando-te neste dia os meus primeiros pensamentos e o meu primeira quarto de hora. Aveiro causou-me uma impressão agradável ao sair da estação; menos agradável ao internar-me no coração da cidade, horrível vendo chover a cântaros na manhã de ontem, e imensas nuvens cor de chumbo a amontoarem-se sobre a minha cabeça, mas, sobretudo intensamente aprazível, quando, depois de estiar, subi pela margem do rio e atravessei a ponte da GAFANHA para visitar uma elegante propriedade rural que o primo, em casa de quem estou hospedado, teve o bom gosto de edificar ali. Imaginei-me transportado à Holanda, onde, como sabes, nunca fui, mas que suponho deve ser assim uma coisa nos sítios em que for bela. Proponho-me visitar hoje os túmulos de Santa Joana e o de José Estêvão, duas peregrinações que eu não podia deixar de fazer desde que vim aqui. A casa em que eu moro fica fronteira à que pertenceu ao José Estêvão. Há ainda vestígios das obras que ele projectava fazer-lhe e que, por sua morte, ficaram incompletas. Tudo isto se vendeu, e dizem que por uma ninharia. Chequei a Aveiro um pouco dominado pela apreensão de que talvez viesse ser infeccionado pelos eflúvios pantanosos da terra e cair atacado por sezões, circunstância que não obstante o colorido local que me havia de dar, nem por isso me havia de ser muito agradável. Nada porém de novo me tem por enquanto sucedido, e continuo passando bem, e, o que é mais, engordando”.
:
Carta escrita em Aveiro,
em 28 de Setembro de 1864,
e dirigida ao seu amigo Custódio Passos

Visita à Costa Nova

COSTA NOVA, RENOVADA, À ESPERA DE VERANEANTES (Para ver melhor clique na foto)

MENSAGEM DE PÁSCOA DO BISPO DE VISEU

Páscoa, Festa da Vida A Páscoa acontece no tempo da primavera, quando a natureza desperta e a vida ressurge e refloresce como que por milagre. Neste contexto natural do ressurgir da vida, a Páscoa cristã celebra a vida ressuscitada de Cristo como explosão de vida nova para o mundo: é, ao mesmo tempo, a festa da vida de Deus em nós, a festa da vida humana renovada em Cristo, a festa da esperança mais forte do que a morte. Por isso, esta festa expande-se: sai das igrejas para as ruas, através da visita pascal, para levar o canto do Aleluia a todas as casas e a todos os corações; comunica-se com um sorriso e um gesto de amizade nas ruas, nos autocarros, no trabalho, na escola, na família, na paróquia, nos hospitais.
O canto pascal do Aleluia mostra que a voz humana não sabe apenas gritar, gemer, chorar, mas também cantar a vida e a sua beleza. Afirma que Jesus Cristo vive, que vale a pena viver e gritar a bondade e a beleza da vida humana, protegê-la, defendê-la e promovê-la em todas as circunstâncias.
A Páscoa propõe-nos pois um programa de vida que compete a cada um acolher e realizar. Anuncio-o e ofereço-o a todos vós, com os votos de que vos ajude a compreender e a viver a alegria da Vida em Cristo e a beleza de levar apoio fraterno a cada existência humana.
Feliz Páscoa em Cristo Ressuscitado! Aleluia!
D. António Marto,
Bispo de Viseu

segunda-feira, 3 de abril de 2006

As nossas paisagens

FAROL DA BARRA DE AVEIRO
Hoje, no meu passeio matinal, um pouco antes de o Sol se ver na sua plenitude, cruzei-me com amigos na Praia da Barra. Captei, na fotografia, o casamento entre o Farol e o Obelisco, cujas inscrições valem como lição de história.
Vi que muitos passavam a correr sem as ler e senti a falta de curiosidade que algumas pessoas ostentam. Acho que não podemos nem devemos andar sempre a correr. De quando em vez vale bem a pena parar e ler o que nos é oferecido, sem nada nos exigirem em troca. Aqui fica a sugestão.

ARTE SACRA: Restauros

RESTAUROS: Todo o cuidado é pouco
Há muitas histórias de restauros (?) de Arte Sacra que me deixam perplexo. Por ignorância de quem os encomenda e por incom-petência de quem os faz. Daí que se exija a uns e a outros que não brinquem com coisas sérias e que consultem quem sabe do assunto, para se evitarem erros que podem levar a perdas irreparáveis.
Portugal é rico em Arte Sacra, o que tem de levar a um redobrado cuidado para se não perder ou prejudicar um património de valor incalculável, normalmente na posse da Igreja Católica. A Arte Sacra exposta nos museus e que, em muitos casos, é património do Estado, está, em princípio, salvaguardada dos ataques de curiosos e de incompetentes. Mas a outra, a que ainda ornamente alguns templos, essa deve merecer de todas as comunidades e dos seus primeiros responsáveis um carinho muito especial e um esforço muito grande de preservação.
Quando for chegada a hora do restauro, que é uma forma de se evitar a morte lenta das peças artísticas, então que se siga a via da consulta a quem sabe, para que o trabalho seja executado com todo o rigor e apoiado em bases científicas.
F.M.

domingo, 2 de abril de 2006

Exposição na antiga Capitania: algumas imagens

"O sentido da vida: que horizontes?"

Exposição na antiga Capitania

A não perder, até 23 de Abril “O sentido da vida:
que horizontes?”
Ontem, ao fim da tarde, a antiga Capitania, um ex-libris de Aveiro, franqueou as suas portas para que os amigos das Artes Plásticas pudessem apreciar trabalhos de 48 artistas. Com predominância de pintura, fruto das mais diversas técnicas, os artistas que responderam à chamada da Comissão Diocesana da Cultura (CDC) e da AveiroArte, com o apoio da Câmara Municipal de Aveiro, disseram o que pensavam do tema que lhes foi proposto: “O sentido da vida: que horizontes?”. Esta iniciativa, nascida no seio da CDC, criada há menos de um ano por D. António Marcelino, Bispo de Aveiro, traduz-se num passo significativo de aproximação entre a Igreja Católica e os artistas da região aveirense, em especial, numa época em que se tem verificado um certo divórcio entre fé e cultura, em especial as artes. Já lá vai o tempo em que a Igreja se manteve como o grande mecenas dos artistas. Atestam-no os ainda hoje belíssimos templos de todos os Estilos arquitectónicos, as estátuas e estatuetas que os ornamentam, as pinturas e outros traços artísticos que os decoram, bem como os museus cheios de Arte Sacra que nem sempre recebem a atenção de muitos crentes e dos amantes da arte em geral. Esta mostra, que exibe sensibilidades para todos os gostos, que reflecte maneiras de pensar sobre o sentido da vida e sobre os horizontes em que essa mesma vida se pode projectar, merece mesmo uma visita. Até 23 de Abril, da parte da tarde, não deixe de passar pela antiga Capitania, um edifício que é coevo da Arte Nova. Fernando Martins
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Foto: Claudette Albino e Gaspar Albino, que orientaram uma visita à exposição, apresentam Maria Aurora, antiga professora de Matemática, que começou a pintar há 13 anos, apenas quando se aposentou.

Morte de João Paulo II: um ano depois

Um farol para muitos de nós
A morte de João Paulo II, há um ano, não passou despercebida a ninguém, crentes, não crentes e indiferentes. A sua personalidade forte e por isso carismática marcou o nosso tempo de forma indelével. Mas os crentes, esses, sentiram de forma diferente a sua vida e o seu testemunho de fé. Um ano depois da sua partida para o Pai, não posso deixar de partilhar com os meus leitores quanto admirei (e ainda admiro) o Papa com quem mais me relacionei como homem e como católico interessado em lutar por um mundo melhor. Ao ler as suas encíclicas e outros documentos, ao ouvir a sua palavra em sentido de escuta, ao fixar-me nos seus olhos e nas suas expressões, continuo a experimentar uma certa tranquilidade. O arauto de Deus, o mensageiro da Boa Nova de Jesus Cristo e o lutador por uma sociedade mais justa e mais fraterna mantém-se presente no meu dia-a-dia, nos meus sonhos e projectos, mas também na minha fé em tempos de mais fraternidade universal. Afinal, o Papa peregrino de tantos horizontes, do diálogo entre gerações e entre religiões, o Papa da paz e da aproximação entre as pessoas, O Papa da libertação dos oprimidos e dos mais pobres dos pobres, dos jovens e dos mais velhos, o Papa do sorriso terno e do gesto simples, aí está entre nós. É bom, pois, recordá-lo neste dia em que celebramos a sua entrada definitiva na história dos homens e mulheres do nosso tempo, na certeza de que, por muitos e muitos anos, a sua palavra, escrita ou dita, permanecerá como farol para muitos de nós. Fernando Martins

Um poema de Sophia

O poema
O poema me levará no tempo Quando eu não for a habitação do tempo E passarei sozinha Entre as mãos de quem lê O poema alguém o dirá Às searas Sua passagem se confundirá Com o rumor do mar com o passar do vento O poema habitará O espaço mais concreto e mais atento No ar claro nas tardes transparentes Suas sílabas redondas (Ó antigas ó longas Eternas tardes lisas) Mesmo que eu morra o poema encontrará Uma praia onde quebrar as suas ondas E entre quatro paredes densas De funda e devorada solidão Alguém seu próprio ser confundirá Com o poema no tempo In Livro Sexto :
Nota: Este poema foi publicado no sábado, na revista XIS, por Laurinda Alves, em jeito de homenagem à Primavera e ao Dia Mundial da Poesia, que se celebraram no dia 21 de Março. Diz Laurinda Alves, na apresentação do poema e de um texto muito poético de Sophia, com que abre a revista: “com infinita gratidão pela luz com que ela [Sophia] continua a iluminar a nossa vida”. Subscrevo, obviamente. F.M.

João Paulo II: Um ano depois da sua morte

João Paulo II recordado em todo o mundo
Fiéis de todo o mundo preparam-se para comemorar hoje o primeiro aniversário da morte de João Paulo II. Um pouco por todo o lado, esta data vai ser assinalada com numerosas celebrações, mas os olhares vão estar voltados, com toda a atenção, para a Praça de São Pedro, em Roma, lugar onde o Papa, à hora precisa do falecimento de João Paulo II (21:37H, hora local), irá dirigir-se aos cerca de 120 mil peregrinos esperados, a partir da janela, e recitar a oração do Terço em memória de seu predecessor.
Nesta vigília promovida pela Diocese de Roma, a Praça de São Pedro vai reviver, a partir das 20h30 (menos uma em Lisboa) o ambiente que precedeu o momento da morte do Papa polaco, começando com a actuação do Coro diocesano, que apresentará cânticos marianos e passagens de textos de Karol Wojtyla aos peregrinos.
Ao mesmo tempo, em Cracóvia e Varsóvia, na Polónia, centenas de milhar de polacos no decorrer de grandes missas campais erguerão ao céu velas acesas para recordar Karol Wojtyla. Já hoje ao final da tarde o antigo secretário pessoal de João Paulo II, o cardeal Stanislaw Dziwisz, actual arcebispo da cidade de Cracóvia, presidirá à celebração que marca o final dos trabalhos do tribunal rogatório para a causa de beatificação, sem que, no entanto, esteja concluída a fase diocesana deste processo.
Em Moscovo será celebrada uma missa solene na Catedral da Imaculada Conceição, na presença do corpo diplomático e de representantes de diferentes confissões. Do outro lado do Atlântico, nos Estados Unidos, o centro cultural João Paulo II, em Washington, organiza este domingo um dia de comemoração com missa, concerto e uma conferência sobre a herança do antigo papa.
Na Segunda feira, dia 3 de abril, pelas 17h30 locais, o Bento XVI presidirá a uma Missa de sufrágio por João Paulo II, no exterior da Basílica de São Pedro.
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Fonte: Ecclesia

Um artigo de Anselmo Borges, no DN

Diálogo
inter-religioso
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Uma religião não começa por ser uma doutrina, pois tem a sua raiz numa experiência: a experiência do Sagrado, do Mistério vivo, que traz salvação aos homens e dá Sentido último à existência.
No cristianismo, essa experiência do Sagrado dá-se pela mediação do encontro com Jesus Cristo, que revelou que Deus é amor. Essa experiência necessita também de uma tradução doutrinal e, sendo vivida comunitariamente, portanto, em Igreja, requer um mínimo de organização institucional.
Mas nunca se pode esquecer que o núcleo da Igreja é a experiência viva do Deus vivo, cuja outra face é o amor e o serviço da Humanidade. O Deus de Jesus não se revelou para que lhe prestemos culto, mas para que nos respeitemos e amemos uns aos outros. O interesse de Deus são mulheres e homens vivos. Portanto, a concentração na doutrina e na instituição pode levar a distorções da mensagem originária do Evangelho.
Aliás, no que se refere aos aspectos doutrinais e institucionais, não se deve esquecer a necessidade de atender às diferentes culturas, para se não cair na uniformidade. Há um só Evangelho, mas expresso em quatro evangelhos: segundo São Mateus, São Marcos, São Lucas e São João.
Que compreensão teríamos de Jesus se as primeiras comunidades cristãs, em vez de derivarem de Jerusalém para Atenas e Roma, tivessem caminhado para a Índia e para a China? O Evangelho é tão rico que exclui toda a tentativa de uniformização. Dirigindo-se a mulheres e homens concretos, que são constitutivamente seres culturais, tem de encarnar nas diferentes culturas.
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(Para ler todo o artigo, clique aqui)

GOTAS DO ARCO-ÍRIS - 11

E SE O ARCO-ÍRIS QUEBRASSE AS ROTINAS?
Caríssimo/a: Dizia-me um Amigo: “Olha, cá estamos de novo a recriar as nossas rotinas: uns a ir aos médicos, outros a fazer aquilo de que gostam.” E eu fiquei-me a pensar nesta das rotinas... Rotina... aquilo que se repete... e repete... e repete... até ao infinito... Dirão alguns: mas que seca! ... Mas o Lúcio, é dele que se trata (vós não o conheceis), acrescenta: outros a fazer aquilo de que gostam! Quer dizer que a rotina também nos pode dar prazer!... E à medida que vamos avançando, não será a rotina a maneira de nos tornar a vida mais fácil?! Bem, o certo é que aqui estou sentado dentro do carro, a ouvir música sinfónica, enquanto escrevo (outras vezes, leio), à espera dos netos que vão sair das aulas... Também já outros tiveram a sua rotina à nossa espera... De vez em quando é bom quebrar as rotinas, tal como o está fazendo o Arco-Íris que nos mimoseia com uma valente chuvada! Mas depois volta a sorrir, prazenteiro no seu colorido que, apesar de ser sempre o mesmo, até ao infinito, nos adverte perguntando: Será que já não gostas das minhas cores? Rotinando e saudando, Manuel
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Foto de um "site" brasileiro

sábado, 1 de abril de 2006

Um artigo de Francisco Sarsfield Cabral, no DN

Fazer melhor com menos dinheiro
Portugal atrasa-se no con-junto das economias euro-peias porque a produtividade portuguesa é inferior à da maioria dos nossos parceiros e não tem melhorado.
Dantes, desvalorizava-se o escudo para manter competitivas as exportações e o turismo. Desvalorizar significava ser preciso exportar mais para importar o mesmo. Era uma forma de empobrecimento nacional, mas dava jeito aos empresários, que assim não precisavam de se esforçar muito em melhorias de produtividade. Mas o euro acabou com a bengala da desvalorização da moeda.
Tudo isto é sabido, falta é aumentar a nossa produtividade. Aqui jogam inúmeras variáveis, desde a utilização de novas tecnologias aos factores culturais (como os nossos maus hábitos em matéria de pontualidade, aversão ao risco e sentido de organização, ou o baixo nível de formação dos gestores e dos trabalhadores). É difícil atacar todos esses factores e alguns deles, os culturais, demoram gerações a mudar. Ora há uma área onde poderemos obter substanciais subidas directas e indirectas de produtividade em tempo relativamente curto: o Estado, que gasta quase metade do PIB português.
É certo que cerca de um terço da despesa pública são meras transferências (pensões, subsídios de desemprego, etc.).
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(Para ler todo o artigo clique aqui)

António Guterres recebe Prémio Personalidade do Ano 2005

"Já é prémio suficiente o que estou a fazer"
António Guterres aceitou ontem o Prémio Personalidade do Ano 2005, atribuído pela Associação de Imprensa Estrangeira em Portugal (AIEP) com agrado evidente. Confessou-se "surpreendido" pela honra, tanto mais que "é já prémio suficiente estar a fazer aquilo que estou a fazer, que era exactamente aquilo que queria nesta fase da minha vida", sustenta. Uma missão de serviço público que procurou, e à qual se candidatou, a recolher agora os frutos mais visíveis.
O facto de Kofi Annan ter escolhido o seu nome para o Alto-Comissariado facilitou a tarefa à Associação de Imprensa Estrangeira em Portugal. Os membros foram unânimes na decisão de lhe atribuírem o galardão, ninguém hesitou na resposta final.
"Os últimos meses do ano costumam ser tensos para nós, muitas vezes as preocupações chegam mesmo a ameaçar-nos o Natal. Mas este ano não, foi tudo muito fácil e um enorme prazer. Não tivemos problemas existenciais", brincou o presidente da AIEP, Ramón Font, na cerimónia de entrega que animou a noite de quinta-feira no Casino Estoril, apoiada pela RTP.
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(Para ler todo o texto, clique DN)

Ruy Belo: A chegada dos dias grandes


A chegada dos dias grandes 

Da luva lentamente aliviada
a minha mão procura a primavera
Nas pétalas não poisa já geada
e o dia é já maior que ontem era

Não temo mesmo aquilo que temera
se antes viesse: chuva ou trovoada
é este o Deus que o meu peito venera
Sinto-me ser eu que não era nada

A primavera é o meu país
Saio à rua sento-me no chão
e abro os braços e deito raiz

E dá flores até a minha mão
Sei que foi isto que sem querer quis
e reconheço a minha condição.


 

AVEIRO: paisagens aveirenses



sexta-feira, 31 de março de 2006

"Jogos do Mundo" no Centro de Ciência Viva

Até 23 de Abril ainda pode ver esta exposição
Dado o número elevado de visitas, foi prolongado o prazo de exibição da exposição «Jogos do Mundo» até 23 de Abril.
O jogo constitui ocupação dos tempos livres do Homem, desde os tempos mais remotos. Esta exposição mostra as características de alguns deles e ensina a jogá-los! Os tabuleiros, as peças de jogo, e um pouco da sua história cuidada nesta exposição, facilitam ao visitante deixar-se transportar às origens de cada um deles. Depois de uma breve apreciação, e de atender às regras, que vão do mais difícil ao mais fácil, o visitante pode mesmo optar por jogar um ou outro dos 30 jogos expostas e com origens em países distintos. Desde o Xadrez circular ou Bizantino (variante do antigo jogo Shatranj que, por sua vez é uma variante do jogo Chaturanja que é a primeira versão do xadrez); o Hiena, do Sudão, descoberto, em 1920 por antropólogos (jogo curioso baseado num conto tradicional para crianças retratando os perigos da vida nómada); o Senet, que reflecte as principais regras religiosas do Egipto e que se poderá considerar um dos antepassados do Gamão moderno; o Ouri, de Cabo Verde (um jogo essencialmente de transferência) e, por fim, ainda como exemplo, A raposa e os gansos, de origem Escandinava, que é um jogo de caça ou perseguição (caracterizado pelo facto de se confrontarem duas forças desiguais com objectivos e poderes diferentes) são alguns dos jogos aqui expostos.
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Fonte: UA

Mensagens de João Paulo II à imprensa

Livro com mensagens
de João Paulo II
à imprensa
A província de Roma e a Associação de Imprensa romana vão apresentar a obra "Jornalistas, tenham coragem", que reúne o conjunto das mensagens para os Dias Mundiais das Comunicações Sociais que João Paulo II escreveu em 26 anos de pontificado. O livro quer ser uma homenagem ao Papa Wojtyla no primeiro aniversário da sua morte.
Para os editores da obra, esta é "a 15ª encíclica de Wojtyla". O volume foi organizado por Alessandro Guarasci e Piero Schiavazzi e será divulgado amanhã, às 11.30 horas (menos uma em Lisboa), no Palácio Valentini, a representantes do Vaticano e de organizações profissionais dos jornalistas.
O Cardeal Achille Silvestrini e o embaixador do Papa na Itália, Paolo Romeo, participarão no evento.
Duas cópias especiais do livro foram feitas, uma para Bento XVI e outra para o presidente italiano, Carlo Ciampi.
As várias mensagens de João Paulo II para o Dia Mundial das Comunicações Sociais podem ser encontradas em http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/mes-sages/communications/index_po.htmDe recordar ainda que o último documento oficial do Papa polaco foi a Carta Apostólica“O Rápido Desenvolvimento”, dirigida aos responsáveis pelas Comunicações Sociais em todo o mundo.
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Fonte: Ecclesia

Dia do Porto de Aveiro, 3 de Abril

"PORTO DE AVEIRO:
ESTRATÉGIA E FUTURO"
O Conselho de Administração da APA, S.A. decidiu instituir, a partir de 2006, o Dia do Porto de Aveiro. Foi escolhida esta data emblemática, 3 de Abril, para evocar a abertura da barra, ocorrida nesse dia e mês de 1808.
O programa deste ano inclui um colóquio e uma exposição de fotografias.
Programa do colóquio "PORTO DE AVEIRO: ESTRATÉGIA E FUTURO", a decorrer no Museu Marítimo de Ílhavo a partir das 9 horas, do próximo dia 3.
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"Planeta Água"
- Fotos de Paulo Magalhães no Navio Museu Santo André -
As comemorações do Dia do Porto de Aveiro incluem também a inauguração da exposição "Planeta Água", com fotos da autoria de Paulo Magalhães. A inauguração está prevista para as 18.30 horas, contando com uma breve apresentação do autor.
As fotos estarão patentes no Navio-Museu Santo André até ao próximo dia 30 de Junho.

AVEIRO: Imagens doutros tempos

Posted by Picasa

Aveiro: Largo do Governo Civil, 1920

Internet, Pais e Filhos

Aula de informática (Foto de arquivo)

1. Novos instrumentos, novas atenções. Novos mundos de comunicação, novas virtudes mas com outros tantos perigos. Como em tudo, não há bela sem senão! O mundo fascinante das novas tecnologias da comunicação, algo de muito estranho para a grande parte dos pais portugueses, apresenta-se hoje tanto como algo de irreversível nas suas mil possibilidades que encurtam todas as distâncias, como, também, algo que reclama a urgência, sempre premente, do saber estar lendo os sinais. A quem pensa que por elas vem o mal ao mundo, será preciso dizer claramente que as novas tecnologias com a Internet torna-nos mais próximos do mundo, uns dos outros; que estas novas formas de comunicar vêm simplificar processos, sendo também facilitador e motor de desenvolvimento. Aos que, por outro lado, pensarão que as tecnologias são agora a palavra mágica e solução de tudo, importa resfriar o ânimo, retemperar o equilíbrio, pois as comunicações globais não salvam ninguém, também podem agarrar “vírus”, nem são a solução “enter” para as grandes questões quer do sentido da vida pessoal que da própria humanidade. Como tudo quanto é instrumento, fruto de magnífica ciência e investigação humana, a Internet será hoje a mais fascinante ferramenta básica de acessibilidades, utilidades, conhecimento, partilha científica, proximidade com o mundo. Mas ainda que hoje muito importante (só isso mesmo), é relativa, trata-se de um “acessório” ao longo do caminho da nossa vida. Valor absoluto há só um, a VIDA, como espelho na criatividade e pensamento da consciência humana do próprio Ser Absoluto Superior. Na gestão da fronteira do saudável terá, por isso, de estar bem presente a noção do pensar “o que é o essencial?” e da própria responsabilidade humana, pois só por esta haverá futuro. Todos os excessos trarão malefícios à própria vida… 
2. Sempre foi motivo de forte inquietação, quando do primeiro fulgor pujante das novas tecnologias que, por meados dos anos noventa, algumas Universidades dos EUA passassem a formar especialistas nas áreas de Psicologia Cibernética com a finalidade de curar os doentes (já dependentes e mesmo loucos) destas formas de comunicar. Esse primeiro sinal estava dado, como forte apelo a uma saudável regulação a fim de preservarmos o sentido de humanidade dos humanos. Hoje, nos nossos dias e já em Portugal, são muitos os conhecimentos travados pela Internet, para o bem e para o mal. São muitas as crianças e adolescentes que “navegam na Net” toda a noite, que marcam encontros com estranhos, que saem e mesmo fogem de casa com a nova pessoa (sabe-se lá quem!) conhecida pela Internet. Diante deste mundo novo de tecnologias que deslumbra os novos fazendo desconfiar os mais velhos, como gerir, como lidar, como educar, como transmitir princípios de vida (que são sempre vistos como “imposição moral”, quando comparados com a total liberdade da net)? Que fazer de significativo, tanto mais que a vertigem é tão forte e as maravilhosas tecnologias são hoje – é um facto objectivo - um dos principais entraves nas linguagens do diálogo de gerações? Os problemas são tanto mais graves, e são questões sociais do bem comum de todos nós, quando, diante de uma (certa) desagregação da ordem familiar e da falta de tempo de todos em conversar, o adolescente, no silêncio, vai… (como referia uma reportagem alarmante de há dias) a ponto de acreditar em tudo o que lhe dizem do “outro lado”, dá as indicações da morada, abre a casa a estranhos, dá as jóias dos pais, foge com o amor virtual encontrado à pressão... (e tudo enquanto os pais estão a trabalhar ou a dormir). 
3. Claro, tudo isto que escrevemos não quer significar “receio”, mas também não se tenha “ilusão”! Se há área onde a capacidade receptiva e curiosidade do adolescente absorve toda a informação (de bom e de mau) será nesta nova dimensão comunicacional em que, por vezes, o “lixo” é transformado em “tesouro”. Mas, mais que tudo, como sabemos, este novo mundo suscita redobradas atenções para que não sejamos surpreendidos com os novos códigos de linguagens, de caminhos, de silêncios, de tácticas e fugas. É por isso que nestes tempos que correm, conseguir parar algumas horas para ajudar a ver TV, a ler jornais, a “navegar” na Net, a contactar com o mundo, poderá ser um contributo absolutamente precioso no processo da confiança entre pais e filhos e de maturidade humana e mesmo na prevenção em relação ao mundo que (infelizmente) não é o país da maravilhas. Não que signifique “fórmula ética”, mas a frase da sabedoria popular “ninguém dá o que não tem” ajuda-nos a perceber que para conseguir dar sentido e horizonte de felicidade e paz às vidas (dos vindouros) em construção temos de “SER” sempre mais. Há tempo e lugar para isto hoje?... Afinal, está em causa o essencial.


Alexandre Cruz

quinta-feira, 30 de março de 2006

Governo com dois pesos e duas medidas



Alto-comissário diz que Portugal
tem "dois pesos e duas medidas"






O alto-comissário para a Imigração e Minorias Étnicas considerou hoje que a atitude de Portugal perante o repatriamento de portugueses do Canadá é "um caso típico de dois pesos, duas medidas" e lembrou que o país também expulsa diariamente imigrantes ilegais. Enquanto em Portugal se dava destaque "ao drama humano de famílias" portuguesas que eram expulsas do Canadá, ocorriam simultaneamente "as maiores operações de detecção de imigrantes irregulares", tendo sido notificados a abandonar o país 234 imigrantes brasileiros em situação irregular, escreve Rui Marques num artigo a publicar na edição de Abril do boletim do Alto- Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas (ACIME).
"Curiosamente, em nenhuma notícia era destacado que, nesse momento, se desfazia o sonho daqueles imigrantes que eram obrigados a abandonar o país, nem se tinha em conta o drama humano inerente", diz Rui Marques no artigo intitulado "Os nossos e os outros".
Rui Marques adianta ainda que o "contraste" merece uma reflexão sobre "a clarificação do fenómeno da imigração irregular". "Na sua esmagadora maioria, os imigrantes irregulares são pessoas que permanecem e trabalham num dado país, não tendo para isso autorização desse Estado.
Não são criminosos: são trabalhadores não autorizados. Merecem, por isso, um tratamento humano e uma compaixão expressa a todos os níveis: nomeadamente social, mediático e político", sublinha. O alto-comissário realça que este princípio é válido quer para Portugal, quer para o Canadá.
Ao defender que "os circuitos de imigração irregular devem ser combatidos e desincentivados", Rui Marques destaca que quando é aplicada a lei aos ilegais deve ter-se em conta "o pleno respeito pela dignidade humana que começa na acção das autoridades e termina na mentalidade e atitude de cada um de nós".
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Fonte: PÚBLICO on-line

Internet é já solução para muitas coisas

Mais de um milhão de declarações do IRS foram entregues pela Internet
Mais de um milhão de de-clarações de IRS foram entregues pela Internet até ao dia 27, anunciou o Ministério das Finanças, que realça o crescimento superior a 30 por cento em relação ao ano passado. E como o prazo para a entrega de modelo 3 do IRS referente aos trabalhadores por conta de outrem e pensionistas foi prolongado até dia 4, o Ministério admite que a adesão à via electrónica para entrega das declarações ainda pode ser maior. Entretanto, cerca de 100 mil declarações, ou seja, 10 por cento, foram alvo do sistema de alerta para detectar erros no preenchimento, o que permitiu aos contribuintes fazer a correcção dos dados na hora.

“Jesuítasnet – Jornal on-line”

Saiu, há dias, um jornal on-line, da Província de Portugal da Sociedade de Jesus. Tem como director Luís Rocha e Melo SJ e como redactor principal João Caniço SJ, padre natural da diocese de Aveiro. Sendo certo que o “Jesuítasnet – Jornal on-line” não vem substituir o “Boletim Jesuítas – Informação aos amigos", fica garantido que se trata de uma mais-valia para se conhecer melhor a acção da Sociedade de Jesus em Portugal e um pouco de todo o mundo. Diz o director na Apresentação que “é maneira acrescida de informação e comunicação rápida entre jesuítas e seus amigos” e que os próximos números serão mais breves. Também sublinha que esta publicação on-line sairá “sempre que houver notícias a comunicar”. O novo jornal on-line pode ser visto em www.jesuitas.pt/jesnet Os interessados em recebê-lo têm de o comunicar via e.mail.

As minhas escolhas

No Correio do Vouga Entrevista a Rachid Ismael, director do Colégio Islâmico de Palmela
"A indignação é um direito
mas não justifica a violência"
A religião islâmica está no centro das atenções por vários motivos, nem sempre os melhores. Porque não há paz no mundo sem paz entre as religiões e, para isso, o primeiro passo é o conhecimento mútuo, o Correio do Vouga entrevistou Rachid Ismael. O imã muçulmano e líder da comunidade islâmica de Palmela esteve em Sever do Vouga, onde participou num debate na Escola Secundária, no âmbito das aulas de EMRC.
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Rachid Ismael é director do Colégio Islâmico de Palmela, escola onde se ensina o currículo normal do 1º ao 3º ciclo. Paralelamente, os alunos têm aulas de religião muçulmana duas horas por dia. Entre os alunos há dez que não são muçulmanos.
Desses dez, cinco frequentam as aulas de religião muçulmana.Na margem Sul do Tejo, zona de influência da Mesquita de Palmela, há cerca de 10 mil muçulmanos.
Em Portugal, no total, há 40 mil seguidores do profeta Maomé.
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(Para ler a entrevista, clique Correio do Vouga)
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Foto de um "site" brasileiro

Na antiga Capitania, no dia 1 de Abril

“O sentido da vida:
Que horizontes?”
em exposição No próximo sábado, 1 de Abril, pelas 17 horas, na sede da Assembleia Municipal de Aveiro (antiga Capitania), vai ser inaugurada uma exposição de Artes Plásticas, tendo por tema “O sentido da vida: Que horizontes?”. A iniciativa é da Comissão Diocesana da Cultura, em parceria com a Câmara Municipal de Aveiro e com a associação AveiroArte. A exposição reúne um conjunto de obras de vários artistas convidados e ficará patente ao público até 23 de Abril, podendo ser visitada entre as 14 e as 19 horas. Na sessão de abertura, o padre António Rego, jornalista e docente da Universidade Católica Portuguesa, abordará o tema que foi proposto aos artistas. No dia 20 do mesmo mês, pelas 21.30 horas e no mesmo local, D. Manuel Clemente, Bispo Auxiliar de Lisboa, fará uma conferência sobre “O sentido da vida à luz da arte cristã”. Depois da cerimónia de abertura, os artistas Gaspar Albino e Claudette Albino orientarão uma visita guiada, apresentando, um a um, todos os trabalhos expostos. Uma litografia alusiva ao motivo da exposição, da autoria de Gaspar Albino, numerada e de edição limitada, será posta à venda no dia da inauguração da colectiva de Artes Plásticas. Dada a importância desta mostra, convidam-se todos os amantes da arte e da cultura a estarem presentes na inauguração e a assistir às conferências programadas.

CUFC: Pessoa com deficiência em debate

Director da CERCIAV
no Fórum::UniverSal
No próximo dia 5 de Abril, pelas 21 horas, no CUFC (Junto à Universidade de Aveiro), o director da CERCIAV, Fernando Vieira, vai animar um debate do Fórum::UniverSal, espaço de reflexão aberto à comunidade universitária e aos demais interessados.
Fernando Vieira, que desde há 30 anos apoia pessoas com deficiência, estará no CUFC para conversar sobre “A pessoa com deficiência... uma realidade escondida?”
O encontro será moderado por Miguel Oliveira.

Um artigo de D. António Marcelino

FACILITAR
O DIVÓRCIO?
AINDA MAIS? Ninguém pode negar aos grupos políticos, com assento parlamentar, o direito de proporem o que quiserem para que seja lei. Mas, também, nenhum grupo político pode negar ao simples cidadão ou a grupos atentos, o direito de se pronunciarem sobre as propostas apresentadas, sejam elas acordadas com troca de favores, ou anunciadas nos jornais com intento de criar ambiente propício à sua aceitação pela opinião pública. Em muitos casos, pensa-se e propõe-se à revelia da ética, do bem comum, do serviço claro à sociedade no seu conjunto e faz-se tábua rasa do respeito devido às pessoas, aos direitos humanos fundamentais, às instituições estruturantes da comunidade nacional, ao conhecimento da realidade, à destruição provocada por leis que se apoiaram em maiorias interessadas, desprezando o interesse e os direitos dos cidadãos em geral. O BE anunciou antes e apresentou depois, uma proposta de lei para facilitar ou “agilizar” o divórcio. Segundo o proponente “o único motivo que deve bastar para o divórcio é a vontade expressa de um dos cônjuges”. Acrescenta, ainda, que se trata da “mais importante proposta de modernização do direito da família”. Faz pensar. As leis divorcistas portuguesas são as mais facilitadoras da Europa, feitas, por certo, por muita gente divorciada ou a caminho, ávida por captar simpatias e votos em franjas sociais, sobretudo de jovens, com intuito de agradar e alcançar esse objectivo. Ora, a razão de ser das leis não é satisfazer interesses partidários, mas o bem comum dos cidadãos. O apoio claro e permanente aos casais, livremente comprometidos num projecto comum e dispostos ao esforço normal para o levar a bom termo, sempre e muito especialmente quando há filhos, é cada vez mais desconsiderado por quem faz as leis e esquece o dever constitucional de defender a família. Hoje “agiliza-se” e propicia-se, de modo inconcebível, o que fragiliza a relação conjugal e os deveres dos cônjuges e dos pais. De comum acordo, já entre nós se faz um casamento no sábado e se pede o divórcio na segunda-feira. Por isso mesmo e por razões secundárias, depois de uma lua de mel tumultuosa alguns novos cônjuges já não regressam juntos à casa que sonharam e construíram. Para que preparar a sério o casamento ou superar no mesmo as dificuldades normais, quando se pode, legalmente e de imediato, “passar a outra”, sem incómodo de maior? As leis actuais, cumpridos prazos, são favoráveis à irresponsabilidade de correr atrás do que agrada mais. Ao mesmo tempo, penalizam, injustamente, os que lutam, perdoam e esperam. Assim se multiplica o número de vítimas inocentes, a favor de quem não está para assumir culpas, fazer esforços e ser fiel a compromissos. Para trás ficam muitas pessoas destruídas, sonhos e projectos desfeitos. O divórcio deixa, em gente séria, feridas dolorosas e, muitas vezes, também, crianças inseguras e envolvidas em ódios inconcebíveis ou em carinhos descontrolados dos pais que os geraram. Vidas a prazo, filhos a prazo. É isto o que quer “agilizar, ainda mais, o BE? O legislador não pode olhar apenas o metro quadrado da sua ideologia ou do seu interesse. Tem de ver o país concreto, onde a família é o grande valor, e considerar a realidade sem preconceitos. Nunca aqueles que interferem na feitura das leis podem desconhecer o país e os seus valores culturais, nem fechar os olhos ao que se passa ou ter apenas dos problemas uma visão unidimensional. A afirmação que muitos jornalistas acriticamente veiculam e a que o poder político dá guarida, de que são “os sectores mais conservadores e da Igreja Católica” que estão a travar o progresso, é a expressão do atraso cultural, da negação da vida democrática, do desprezo pelo bem comum, da premeditada alteração da hierarquia dos valores em que assenta a dignidade, a segurança e o futuro de um povo. O divórcio é uma epidemia corrosiva que destrói o tecido social, porque a família é a sua força mais consistente. Se em algum caso é a solução possível de problemas graves e direitos espezinhados, chegou-se, entre nós, ao limite de fazer, legalmente, do casamento, uma brincadeira social. O legislador sério não pode deixar de ter consciência de tudo isto. Se for capaz de o compreender e fazer.
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Foto de um "site" brasileiro

quarta-feira, 29 de março de 2006

Um artigo de Pedro Rolo Duarte, no DN

Se fosse nos EUA, era igual 

Vou poupar pormenores e sentimentos profundos, íntimos e pessoais, nos dois mil e poucos caracteres desta coluna, e tentar ser objectivo e claro: na semana passada, perdi o meu irmão António na sequência de uma operação que começou por ser "delicada mas comum" e rapidamente se transformou numa tragédia sem fim. Tanto quanto percebi das palavras sempre rigorosas do professor Diniz da Gama, o tabaco esteve presente na origem da doença que obrigou à operação - e depois também no falhanço da própria operação. Julgo não exagerar se disser que o tabaco matou, aos 51 anos, o meu irmão.
O meu irmão António era um fumador inveterado. Como o meu pai. Como eu. No meio daqueles dias devastadores, ouvi alguém dizer perto de mim: "Se fosse nos Estados Unidos, a família ficava rica. Processava a Tabaqueira e ganhava de caras." A frase ficou a ecoar na minha cabeça até à noite em que estou a escrever. "Se fosse nos Estados Unidos..." Se fosse, era tudo diferente? 
Provavelmente, não. Advogados e dinheiro, tempo e dinheiro, lentidão e dinheiro. Esperar a exasperar. Não confiar. Perder a força e a vontade. Não acreditar. Desistir. Penso nesse quadro e desisto antes mesmo de me perguntar sobre a eventual imagem do Dom Quixote a lutar contra moinhos de vento. 
Prefiro lutar comigo próprio e deixar de fumar. Há 35 anos, quando o meu irmão António começou a fumar, ou há 25 anos, quando eu comecei, ninguém dizia que o tabaco matava. Dizia-se que era "coisa para adulto" (como beber café ou sair à noite). O meu irmão António, como eu, foi "apanhado" na teia de um vício que, no que à dependência diz respeito, em nada difere da mais dura das drogas. E ficou refém do seu vício até ao último minuto. Quem não fuma, nunca entenderá este drama. 
Ser nos Estados Unidos ou em Portugal é absolutamente indiferente: o meu irmão António, cá ou lá, não está mais por perto a contar piadas e a inventar histórias divertidas. Cá ou lá, nas Tabaqueiras todos continuam a trabalhar tranquilamente. Impunemente. O Estado, cá ou lá, cobra para se sentir aliviado do fardo. 
E cá ou lá, há uma pergunta que há 25 ou 35 anos não fazia sentido, mas hoje faz: quem pode não começar a fumar, num tempo em que toda a informação é taxativa sobre a matéria, porque o fará?

Museu de Aveiro

Botica Conventual Oficina: Mezinhas e unguentos, remédios de outros tempos. Um projecto destinado aos alunos dos 1º e 2º ciclos do Ensino Básico : A visita oferece o desenvolvimento do tema “Botica Conventual”, salientando a sua importância dentro e fora do Convento. A visita tem como espaço central o “armário da farmácia” e um herbário, através do qual é possível a identificação de certas plantas e a sua aplicação nas práticas curativas, nos cuidados de higiene e na culinária da época. Na oficina complementar os alunos podem manusear plantas permitindo-lhes assim fazer o reconhecimento de texturas e cheiros, bem como manipular diversos componentes naturais usados na época. Horário das visitas escolares: De terça a sexta-feira, das 10:00 às 12.30 e das 14 às 17.30 horas A marcação de visitas deverá ser feita com duas semanas de antecedência.
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Contactos:
Museu de Aveiro
Avenida Santa Joana Princesa
3810–329 Aveiro
Tel. 234 423 297
Fax. 234 421 749

Uma reflexão da CNJP para a Quaresma

"Recuperar a alegria de viver e o nosso compromisso com o mundo"
"Que existam pessoas – e estimam-se em cerca de dois milhões, no nosso País – com rendimentos insuficientes para garantir um padrão de vida decente é, certamente, uma situação que não podemos tolerar. Antes do mais, por razões de dignidade humana; mas também porque um tão elevado número de excluídos é, obviamente, um factor de tensão e conflitualidade, com inevitáveis consequências para a coesão social e para um desenvolvimento humano e sustentável.
A pobreza e a exclusão social não podem ser vistas apenas à luz fria dos indicadores estatísticos. Por detrás dos números, estão rostos e vidas de homens, mulheres, crianças, jovens e idosos.
Pessoas a quem a falta de recursos monetários, a doença, a precariedade do trabalho e os baixos salários, o reduzido nível de escolaridade, a desintegração familiar e outros factores, não permitem que, por si sós, vençam as barreiras da pobreza e da exclusão.
Pessoas que não encontram habitação digna a preço acessível, ainda que, nas nossas cidades, vilas e aldeias, muitos alojamentos estejam por utilizar.
Pessoas a quem a escola não conseguiu cativar e preparar para a vida.
Pessoas vítimas de exploração no trabalho por parte de alguns empresários sem escrúpulos e de um sistema socio-economico-político que não previne – antes produz – exclusão social.
Pessoas que vieram de outros países em busca de melhores condições de vida, mas que, também aqui, ou não conseguiram singrar ou porque, tendo perdido as raízes dos seus países de origem, não se sentem integradas na sociedade em que vivem.
Pessoas sem-abrigo e vivendo da esmola ou do furto.
Pessoas frágeis na sua relação com o álcool, a droga, a promiscuidade, etc.
Pessoas para quem a pobreza é persistente e conhecida desde tenra idade; uma herança que receberam de seus pais.
Pessoas para muitas das quais pobreza significa morte."
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(Para ler toda a mensagem da CNJP (Comissão Nacional Justiça e Paz), em espírito de reflexão e de compromisso para o tempo que vivemos, o nosso tempo, clique aqui)

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