Amanhã, Sexta-feira, 17, a Câmara de Ílhavo e a Junta de Freguesia assinalam o 50.º aniversário da Criação da Freguesia da Gafanha do Carmo, com a realização de uma Sessão Solene Evocativa, a realizar no Salão Cultural da Gafanha do Carmo, pelas 18.30 horas, dando assim início a um programa comemorativo que nesse dia será publicamente apresentado.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Desmoronamento da família é dos acontecimentos mais graves da nossa história
Desmoronamento da família
António Marcelino
Cada dia que passa somos confrontados com estatísticas que nos dizem do número crescente de divórcios, da queda acentuada de casamentos civis e religiosos, da subida vertiginosa de uniões de facto. Também não deixam os jornais, e mesmo as televisões, de dar conta, aqui ou ali, de novos casamento de homossexuais e até já de seus divórcios.
Deixar de tomar a sério o casamento e a família, pela maneira fácil e rápida de as leis a desfazerem, constitui uma tragédia de muitas consequências à vista, e de outras, não menos graves, que o tempo irá revelando. A família que nasce de uma decisão livre de gente adulta e, presume-se, responsável será sempre o alicerce de uma sociedade com futuro. O contrário significa inquinar o ambiente social, tornando o casamento objecto de contrato de reduzida importância, rescindível ao menor capricho ou à incapacidade progressiva de assumir as responsabilidades inerentes.
Se fizermos a contagem dos governantes, deputados, magistrados, gente da telenovela, fazedores de opinião e tantos outros de nome e profissão conhecidos que já não estão no primeiro casamento e, por vezes, já nem no segundo, percebemos o que se passa neste em país em crise. Dificilmente poderá falar do casamento e da família, com apreço e respeito, quem não tem uma experiência gratificante da vida conjugal e familiar. São muitos destes que interferem no modelo de casamento e família, impostos arbitrariamente à sociedade.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
O peregrino conserva alguma coisa do turista
O Turista e o Peregrino
José Tolentino Mendonça
O turista e o peregrino têm mais em comum do que possa parecer. Um pelo caminho do lazer, outro pela volta do sagrado: é, contudo, um impulso antropológico semelhante que os move. A experiência da saída de si, o desejo de outras paisagens, a busca de alteridade são traços reconhecíveis tanto num como noutro. O peregrino conserva alguma coisa do turista. O caminho de peregrinação, mesmo quando assume um carácter penitencial, não perde um tom festivo, uma quase ligeireza, que não é distracção, mas celebração. Tal como o turista conserva coisas do peregrino. Qualquer viagem pressupõe, por exemplo, uma reflexividade, uma experimentação sobre si mesmo, um saber de si. Mesmo se o que vemos são linhas, digressões por cidades ou trilhos, mesmo se nos parece estar apenas perante a representação objectiva da paisagem diurna ou do deslumbramento nocturno: por detrás de cada fragmento solto do mundo encontra-se uma pergunta maior.
Senhora dos Navegantes em procissão pela Ria
Senhora dos Navegantes na hora da partida para a procissão
É já no próximo dia 19 de Setembro que se realiza a Festa em Honra de Nossa Senhora dos Navegantes, padroeira dos marítimos e suas famílias. A festa, que outrora foi romaria, atraindo gentes das redondezas, até obrigava a feriado em Aveiro, cujo comércio fechava para proporcionar o passeio ao Forte da Barra, em cuja capelinha, com sinais de fortaleza, fazia adivinhar segurança para toda a gente.
A festa tinha o ponto alto na segunda-feira, já que no domingo anterior tinha lugar, na Costa Nova, a romaria da Senhora da Saúde, também Ela venerada pelos trabalhadores do mar e da ria e veraneantes. Estas duas romarias tinham uma marca comum: o encerramento da época balnear nas duas praias do concelho de Ílhavo em terras gafanhoas – Gafanha da Nazaré e Gafanha da Encarnação.
Mas o fim da época balnear, afinal, não encerrava com aquelas romarias. Os bairradinos, depois das vindimas, vinham a seguir para recuperar do desgaste provocado pelas canseiras das uvas e do vinho, que ficaria, este, em sono de cura até ao S. Martinho.
Voltando à Senhora dos Navegantes, é oportuno referir que, para além das cerimónias religiosas, com missa solene a procissão até ao mar, havia música e foguetes a condizer, mas ainda é justo sublinhar que o convívio familiar e entre famílias era nota dominante. Farnel preparado a tempo e horas, onde não faltavam acepipes para dias de festa, acompanhados com bebidas que alegrassem a alma de quem não se esquiva a canseiras para levar uma vida “direitinha”, como então se dizia, tudo se conjugava para se experimentar um dia diferente. E de rancho para rancho, nos relvados do Jardim Oudinot, não faltava quem partilhasse farnéis e brindasse à saúde de cada um e de todos, do garrafão erguido que chegava para todos.
23 DE SETEMBRO – DIA MUNDIAL DO MAR
Canal Central, em Aveiro
Jardim Oudinot
Baptismos de mar no Porto de Aveiro
No próximo dia 23 de Setembro, em iniciativa integrada nas comemorações do Dia Mundial do Mar, o Porto de Aveiro vai proporcionar baptismos de mar a quatro dezenas de crianças e jovens carenciados, residentes em Instituições Particulares de Solidariedade Social do interior do distrito.
Trata-se de iniciativa de âmbito nacional, envolvendo a quase totalidade dos portos portugueses, desencadeada pela Associação dos Portos de Portugal (APP) (http://www.portosdeportugal.pt/), em estreita parceria com o Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos (http://www.imarpor.pt/).
Em Aveiro, esta iniciativa solidária conta com a prestimosa colaboração da União Distrital das IPSS de Aveiro (UDIPSS AVEIRO) (http://www.udipss-aveiro.com/), e da empresa Eco Ria (http://www.ecoria.pt/), que disponibiliza, gratuitamente, uma embarcação para o efeito.
Participam, nesta iniciativa, os Centros Sociais de Avelãs de Cima, Argoncilhe e Arrifana. Foram critérios desta escolha, Instituições Associadas na UDIPSS AVEIRO que, pela sua especificidade geográfica estão menos conciliadas com o mar e também a escolha de crianças que por razões várias não conhecem a Ria.
O passeio, pela Ria de Aveiro, terá a duração aproximada de uma hora, partida do Rossio, Aveiro (10:00), junto às instalações da Eco Ria e chegada ao cais do Jardim Oudinot.
Pelas 11:00, e findo o passeio, as crianças e jovens visitarão o Edifício dos Pilotos do Porto de Aveiro, na Barra, aqui se procedendo à visita às instalações e a uma explicação sumária da actividade destes profissionais.
O Porto de Aveiro dá assim, também, o seu contributo para as comemorações do Ano Europeu de Luta contra a Pobreza e a Exclusão Social.
Um livro do Padre Tomás Marques Afonso
“O Meu Navegar no Mar da Vida”
“O Meu Navegar no Mar da Vida” é um livro da autoria do Padre Tomás Marques Afonso, publicado no âmbito das celebrações das Bodas de Ouro da sua ordenação sacerdotal. Escrito em verso, o Padre Tomás conta-nos a sua vida, passo a passo, ao jeito cadenciado de quem aprendeu a marchar, segundo as regras que ele tão bem absorveu como Capelão Militar.
«Nunca na vida passou pela minha mente escrever um livro, mas o encontro com os amigos que me incitaram a publicar algo sobre os trinta anos dedicados ao apostolado castrense, como Capelão Militar, levou-me a decidir, e aqui estou para satisfazer a sua vontade, aproveitando a coincidência de estarmos a iniciar o Ano Sacerdotal, publicando, de uma maneira salteada, acções, qualidades, partidas, peripécias, divertimentos, reparos, vivências, humorismo, alpinismo, desporto, etc.,etc., não em prosa, mas em verso de decassílabos, desde menino de escola primária até aos meus 75 anos e ao meu Jubileu Sacerdotal.» Dito isto no Prólogo, o Padre Tomás deixa claro que foi motivado por amigos. Ainda bem que há amigos assim, capazes de manter viva a amizade e o desejo de a ver plasmada em forma de livro.
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Um poema de Licínio Amador para amenizar o calor
Ser outro ser
Ah! Se eu pudesse ser, outro ser,
Sendo o mesmo!
Nasceria novamente
Seria outro ser,
Com nova vida
Mas vida totalmente diferente!
Teria outra infância,
Meus brinquedos
Seriam as estrelas, os planetas,
Todas as vias lácteas
Com quem brincaria
Brincadeiras de fantasia
De tolerância!
Viveria depois outra mocidade,
Iria conhecer novas culturas,
Novas tradições
Que não têm idade,
Tão cheias de belas civilizações!
Namoraria com o mar;
Pedir-lhe-ia bonanças eternas,
Bonanças azuis esverdeadas,
Por onde deslizariam,
Por onde flutuariam
Suaves e rutilantes fadas!
Pediria também namoro ao céu;
Com ele, voaria nas alturas,
Acima das montanhas,
Acima das planuras,
Descansando de quando em quando
Nas leves e sonhadoras nuvens
Que por nós passam carregadas de ternuras
Carregadas de brancuras!
E depois qual escolheria?
Os dois possuem os infinitos
Por onde sempre amei voar,
Por onde sempre amei navegar
Por onde vagueiam meus sonhos
Por onde vagueiam meus mitos!
Pedi então ajuda à vida
Que com a sua experiência,
Me aconselhou a ficar com os dois,
Porque o céu dar-me-á guarida
E, o mar, esse, alimentará a minha essência!
Licínio Ferreira Amador
Ah! Se eu pudesse ser, outro ser,
Sendo o mesmo!
Nasceria novamente
Seria outro ser,
Com nova vida
Mas vida totalmente diferente!
Teria outra infância,
Meus brinquedos
Seriam as estrelas, os planetas,
Todas as vias lácteas
Com quem brincaria
Brincadeiras de fantasia
De tolerância!
Viveria depois outra mocidade,
Iria conhecer novas culturas,
Novas tradições
Que não têm idade,
Tão cheias de belas civilizações!
Namoraria com o mar;
Pedir-lhe-ia bonanças eternas,
Bonanças azuis esverdeadas,
Por onde deslizariam,
Por onde flutuariam
Suaves e rutilantes fadas!
Pediria também namoro ao céu;
Com ele, voaria nas alturas,
Acima das montanhas,
Acima das planuras,
Descansando de quando em quando
Nas leves e sonhadoras nuvens
Que por nós passam carregadas de ternuras
Carregadas de brancuras!
E depois qual escolheria?
Os dois possuem os infinitos
Por onde sempre amei voar,
Por onde sempre amei navegar
Por onde vagueiam meus sonhos
Por onde vagueiam meus mitos!
Pedi então ajuda à vida
Que com a sua experiência,
Me aconselhou a ficar com os dois,
Porque o céu dar-me-á guarida
E, o mar, esse, alimentará a minha essência!
Licínio Ferreira Amador
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Novo ano académico na Universidade Sénior
Hugo Coelho anuncia novidades
Novas valências para novos desafios
Mais alunos, mais recursos humanos, mais áreas de estudo, mais animadores, biblioteca nova com livros oferecidos, sala de informática e cozinha para ensaios culinários, salas de estudo e de convívio, tudo pela positiva. Com estas e outras novidades, apontadas pelo presidente da Fundação Prior Sardo (FPS) e Reitor da Universidade Sénior, Hugo Coelho, foi iniciado hoje o ano académico, na Casa de Remelha, sede daquela instituição, que passou por obras de melhoramentos.
O Reitor sublinhou o elevado investimento feito e o imenso trabalho despendido por todos os colaboradores, numa perspectiva de se oferecer ao concelho um espaço que é uma mais-valia para quantos gostam de valorizar o seu dia-a-dia, na hora da reforma ou da aposentação. Afirmou que não vale a pena «olhar para aquilo que não temos», sendo mais importante olhar para o que conseguimos fazer, de braço dado com todos os que nos ajudam «a empurrar para cima.»
O Padre Francisco Melo, prior da Gafanha da Nazaré e presidente do Conselho Geral da FPS, lembrou que esta instituição nasceu no seio da Igreja Católica, sendo a US, presentemente, «a menina dos olhos da Fundação». Disse que «a sabedoria só vale se nos ajudar a viver melhor» e que, «quando a Igreja não potencia as qualidades das pessoas, perde todo o seu sentido».
Helena Terra da Segurança Social prestou homenagem aos que vão frequentar a US, recordando que o «futuro das gerações mais velhas passa por aqui». Ainda frisou que uma universidade sénior «não é um centro de convívio, mas um espaço de aprendizagem».
O presidente da Câmara, Ribau Esteves, salientou «o caminho de crescimento que a US tem seguido», tornando-se necessário que continue, para bem de todos nós. Garantiu, também, que a autarquia ilhavense continuará a dispensar-lhe «o maior carinho», até porque se trata da única instituição com esta valência no município de Ílhavo.
FM
Os meus livros antigos
De Arte Poética é uma edição de 1897, da Librairie Hachette et C.ie – 79, Boulevard Saint-Germain, 79 –PARIS.
Poesia para animar a semana
A odisseia do pão
Antes de ser partido em nossa mesa,
Alimentando o corpo e a nossa mente,
O pão já foi suor de muita gente
Que este milagre fez ter mais beleza.
Em espiga brotou, pela natureza,
E o sol se condensou no grão semente
Que a mó, num rodar lento e persistente,
Transformou na farinha que é leveza.
Do farelo apartada pela peneira,
Foi levedando quieta na masseira
E no forno cozeu após tendida
Água, farinha, sal, fogo e fermento
Dão corpo e alma ao pão, nosso alimento
Razão por que lutamos nesta vida.
Domingos Freire Cardoso
Começou hoje, em Ílhavo, a “Semana da MAIOR IDADE 2010”, sob o lema “Viver Solidário”
Sílvia e Noémia representam, aqui, a Obra da Providência
O Lar do Divino Salvador sempre alerta para cooperar
Fundação Prior Sardo não podia faltar
Ribau Esteves, Hugo Coelho, Padre Francisco e Cândida Pinto
Utentes do Lar Nossa Senhora da Nazaré à sombra
Só os homens dispensaram os leques
A “Semana da MAIOR IDADE 2010” abriu hoje em Ílhavo, no largo de Centro Cultural, por iniciativa da Câmara Municipal. Debaixo de um calor sufocante, os menos jovens tiveram dificuldade em marcar presença, mas não faltaram os corajosos, dirigentes e demais responsáveis pelas IPSS do concelho, vocacionadas para o serviço à Terceira Idade.
Com uma garrafinha de água gentilmente oferecida pela organização, lá me aguentei à sombra da boa disposição que costumo cultivar. Difícil foi quando tive de tirar o boné, durante curtos minutos, para receber um ramo de flores que a autarquia teve a amabilidade de me oferecer na cerimónia de abertura da Semana.
Para justificar esta iniciativa, que se realiza pela 12.ª vez, Ribau Esteves afirmou que «a vida é feita de coisas materiais, mas também de momentos de convívio e de cultura; ainda de momentos de mobilização daquela gente que vai querendo ficar mais sentada no sofá». Para esses, a Semana da MAIOR IDADE «é um desafio» a que se tornem «cidadãos mais activos, convivendo uns com os outros».
A Semana culmina no dia 19, domingo, com um piquenique e jogos tradicionais integrados na Festa em Honra de Nossa Senhora dos Navegantes, no Forte da Barra
No sábado, no CCI, pelas 21.30 horas, vai ter lugar um sarau cultural (sem artistas convidados), animado pelas diversas instituições do concelho, que não deixarão de nos oferecer os seus melhores artistas.
Durante a semana, as barraquinhas das nossas IPSS atentas aos menos jovens exibirão trabalhos que mostram à evidência as suas capacidades, propostas e desafios para toda a gente, no respeito pelo lema “Viver Solidário”.
FM
Gafanha da Encarnação: A festa sempre esperada pela população
Juventude na banda
Mulheres com força para levar um andor
Os homens mais habituais nestas andanças
A Festa
Maria Donzília Almeida
Estão a decorrer pela enésima vez, os festejos em honra da Nª Senhora da Encarnação. É um evento muito esperado pela população local e também muito bem preparado e com bastante antecedência.
Na verdade, a comissão de festas, nos seus vários elementos devidamente uniformizados, tem envidado todos os esforços para a angariação de fundos e para que tudo corra como previsto.
É de referir as ornamentações da igreja, em que um mar de flores deu brilho e colorido à casa do Senhor. De salientar os andores onde mãos meticulosas e hábeis deram forma e arte ao suporte das imagens religiosas. Dir-se-ia que andaram ao despique para ver qual ficaria mais bonito, rivalizando em mestria e imaginação.
No exterior da igreja, nas ruas adjacentes, fervilha o comércio dos ambulantes, onde tudo se vende: doces vários, comes e bebes, bijuteria, brinquedos, etc. numa convivência pacífica entre o sagrado e o profano.
Os momentos altos da festa e o verdadeiro motivo, da sua comemoração, são a eucaristia da manhã de domingo e a procissão, à tarde. Esta integra as bandas de música que fazem o acompanhamento musical, os escuteiros em desfile e uma grande variedade de pessoas que ora voluntariamente, ora em cumprimento de promessas, dão corpo a este cortejo. De referir que os andores são transportados pelos mancebos da freguesia que fazem questão de dar o seu contributo. É vê-los desfilar sumptuosamente sobre os ombros, para apreço dos olhares dos observadores.
domingo, 12 de setembro de 2010
O mais antigo diabético da Gafanha da Nazaré
Leopoldo Oliveira garante:
O diabético pode levar uma vida normal
se seguir os conselhos médicos
Leopoldo Oliveira, natural de Monção, onde nasceu em 21 de Agosto de 1926, radicado na Gafanha da Nazaré desde tenra idade, aqui fez os exames da 3.ª e da 4.ª classe. Depois frequentou, em Aveiro, a escola industrial e comercial Fernando Caldeira, tendo concluído o 3.º ano.
Seu pai veio para a nossa terra, com a família, para trabalhar na EPA (Empresa de Pesca de Aveiro), com sede, na altura, no lugar que veio a ser ocupado posteriormente pela seca do Milena. Naquela empresa ganhava o suficiente para uma vida digna, mas o Leopoldo entendeu que devia empregar-se para ajudar a família, o que veio a acontecer nas empresas Piçarra, Bóia e Paula Dias, de Aveiro, seguindo o ofício da mecânica. A seguir tirou a Carta de Artífice, que lhe permitiu embarcar num navio da pesca do bacalhau como ajudante de motorista. Tinha 18 anos incompletos.
A vida de marítimo ter-lhe-á provocado uma hérnia inguinal, que o levou a ser operado com anestesia local. Aí percebeu, para espanto dos médicos, que a anestesia não fez efeito, o que lhe provocou dores enormes.
Considerava-se uma pessoa saudável e na viagem que se seguiu começou a sentir-se estranho: muita fome, sede e perda de peso. Em dois ou três meses passa de 70 para 47,5 quilos. Foi transferido para o navio “Corte Real”, onde havia um enfermeiro, que lhe ministrou vitaminas e o aconselhou a comer muito e de tudo para vencer a fraqueza e retomar o peso. Ainda esteve internado em Saint Johns, mas nada de especial lhe notaram.
No regresso à Gafanha da Nazaré, no final da viagem, consulta os dois médicos que trabalhavam na nossa terra: Joaquim Vilão e Maximiano Ribau, que lhe diagnosticaram a diabetes, de que pouco se falava. Tinha 21 anos.
Nessa altura – confidenciou-nos – pensava-se que esta doença rara se manifestava apenas em pessoas com mais de 40 anos, porque se desconhecia a diabetes juvenil.
Distrito de Aveiro no seu melhor
Não tenho mostrado muito do Distrito de Aveiro, mas que ele tem coisas bonitas, lá isso tem. Eu, que não sou nada dado a estes desportos de água, se fosse jovem decerto não deixaria de experimentar vivências destas, com água, vales, serras e o verde da vegetação a dominar tudo e todos. Aqui fica o desafio, antes que o inverso surja por aí sem se fazer anunciar...
TECENDO A VIDA UMAS COISITAS - 201
PELO QUINTAL ALÉM – 38
A VIDEIRA
A
João Maria Esteves e
António Lamarão
Caríssima/o:
a. Ali tem andado o sr. António Lamarão e família na vindima que este ano é farta e de boa qualidade.
Já lá vai o tempo em que a azáfama era grande e absorvente na adega, em toda a casa; como a saúde me rasteirou, a nossa satisfação vai inteirinha para a alegria de quem colhe as uvas e nos diz com sorriso rasgado:
– Isto este ano até dá gosto: o vasilhame não chega!
E nem sequer imagina que outrora, meados do século passado, anos houve em que não se aproveitava a uva americana: era vinho de casta, branco e tinto, que enchia pipa autêntica e vários pipos de 200 e 100 litros.
Tudo se altera; mas as pedras da latada ainda estão de pé e os arames são renovados ...
e. Pelas nossas Gafanhas havia umas cepas de americano; também em nossa casa (mas os cachos desapareciam quando começavam a pintar!...).
A primeira vez que vi fazer vinho, foi na casa do Ti Manel Elviro. Chegado da marinha, mai-lo moço, vindimámos os cachos e esprememos para uma celha. E lá ficou a ferver...
i. A videira, vinha ou parreira é uma trepadeira, com tronco retorcido, ramos flexíveis, folhas grandes e repartidas em cinco lóbulos pontiagudos, flores esverdeadas em ramos, e cujo fruto é a uva, fruto do Outono, em forma de cacho .
A uva precisa de muito sol. Também se pode comer seca – uva passa.
Quando esmagada e fermentada transforma-se em vinho .
O cultivo da videira para a produção de vinho é uma das actividades mais antigas da civilização.
sábado, 11 de setembro de 2010
O S. Paio da Torreira no relato de Ana Maria Lopes
A ida à romaria do S. Paio... em 2010
Esta ida à romaria do S. Paio…
ficou-me gravada a cinzel, na memória
Esta ida à romaria do S. Paio…
ficou-me gravada a cinzel, na memória
A oferta, ontem, dia 5 de Setembro, era variada em acontecimentos: Encontro Nacional de Optimists (infantis), na Costa Nova, a Festa do Senhor Jesus dos Navegantes, em Ílhavo e a Regata do S. Paio da Torreira, com viagem garantida, a bordo de «O Inobador», o moliceiro da PT. Esta terceira opção era irrecusável!
Tinha direito a alvorada!!!!!! Tripulação (Pedro Paião, Miguel Matias e Toninho Martins Pereira) e passageiros (dois amigos do Miguel Matias, a Etelvina, o meu filho Miguel e eu) presentes no pontão do CVCN, perto das nove, com saída às 9 h e meia.
A ida estava prevista a motor fora de borda, para demorar menos, já que a maré também subia e para evitar madrugada. O dia prometia longo e cansativo, mas muito aliciante…
Arranjei um assento improvisado em cima das velas que repousavam sobre as tostes, em descanso.
Com a Ria completamente espelhada, a paisagem, sempre atraente, ia ficando para trás: a Costa Nova, a Ilha Branca, as gaivotas esgravatando as coroas, o arrastão Santo André, o Jardim Oudinot renovado, o Farol, o Forte desmazelado, a saída da Barra (definida pelo Triângulo), São Jacinto. Os estaleiros desactivados e degradados, para quem já lá conheceu eventos brilhantes e dignos de registo, chocam.
Ana Maria Lopes
Ler mais aqui
Raimon Panikkar: um ícone da unidade
1918-2010
O teólogo católico que quis as suas cinzas
nas águas sagradas do Ganges
Por António Marujo
Leia todo o texto aqui
O teólogo católico que quis as suas cinzas
nas águas sagradas do Ganges
Por António Marujo
Um dia contou que em 1954 deixou a Europa como cristão, descobriu na Índia que era hindu e regressou como budista - sem, contudo, "nunca deixar de ser cristão". Raimon Panikkar era um ícone da unidade por que tanto pugnava nas suas obras.
A Justiça portuguesa outra vez
Rogério Alves pede ao Ministério Público
que “se reorganize” e que a “turbulência” pare
O ex-bastonário da Ordem dos Advogados, Rogério Alves, considera que o facto de a procuradora-adjunta Cândida Almeida ter colocado o lugar à disposição é mais um episódio revelador do “mal-estar” existente no Ministério Público. “Creio que esta manifestação é também uma manifestação de descontentamento, isso não há dúvida nenhuma. Espero que rapidamente estas situações de mal-estar, de iminência de conflito ou, pelo menos, de comunicação para o exterior de que há uma sensação de incomodidade sejam rapidamente sanadas”, afirmou antigo bastonário à Renascença.
Rogério Alves deseja que Ministério Público “se reorganize” e que “a turbulência” interior “deixe de ser notícia, porque, fundamentalmente, deixe de ocorrer”.
In RR
Nota: Seremos mesmo um país de conflitos? Parece que sim. Não há dia nenhum sem referências mediáticas à Justiça que se vive em Portugal. E o mais curioso é que ninguém ousa enfrentar a triste situação que nos prejudica a todos, como se esse sector nos fosse estranho ou protagonista à margem das leis que nos regem.
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