quarta-feira, 6 de maio de 2009

Morreu o Manuel Casqueira, um homem bom

Manuel Casqueira


Hoje de manhã recebi uma daquelas notícias que nos deixam petrificados. Morreu o Manuel Ramos Casqueira. Notícia inesperada como todas as que nos falam da partida para a última viagem terrena de pessoas que por qualquer motivo admiramos.
Manuel Casqueira, que conheço desde há muitos anos, gafanhão de 79 anos, morreu depois de uma longa vida de trabalho e de esforço nunca regateado para educar uma família numerosa. Casado com Rosa Merendeiro, era pai de 11 filhos, um dos quais, o Dinis, já falecido. Era pessoa de uma fé inquebrantável, que sabia e soube transmitir a todos os seus, não simplesmente por palavras, mas pelo exemplo, durante uma vida de canseiras.
Homem de missa diária, só faltando quando os trabalhos não lhe davam espaços livres, punha em prática, no seu dia a dia, a fé que o animava, estando permanentemente disponível para dirigir, em momentos difíceis, palavras amigas, de conforto e de estímulo, a quantos delas necessitassem, porque acreditava que o cristão não pode nem deve ficar indiferente à vida da comunidade.
Assíduo a todas as cerimónias, leitor nas eucaristias e ministro extraordinário da comunhão, Manuel Casqueira era membro da Associação do Sagrado Coração de Jesus, tendo ainda uma grande preocupação pelo estudo bíblico. Sempre que podia, e podia quase sempre, participava nos funerais que se realizavam na paróquia, levando, com muita frequência, a Cruz à frente do cortejo.
Homem bom, pai de família exemplar, cristão comprometido e fervoroso, cidadão compenetrado dos seus deveres, deixa, entre nós, um testemunho de santidade. O seu funeral terá lugar amanhã, quinta-feira, pelas 15.30 horas, na igreja matriz da Gafanha da Nazaré, com missa de corpo presente. Paz à sua alma.

Fernando Martins

Os nossos emigrantes: Teresa e Nelson Calção

Nelson e Teresa Sempre divididos é o grande dilema de todos os emigrantes
O Nelson emigrou em Outubro de 1969 e eu em Marco de 1973, muito contra a minha vontade, porque não queria deixar para trás a minha querida avozinha. O Nelson emigrou forçado pelo denominador comum a tantos outros: em Portugal não havia futuro para as novas gerações. E também pelo facto de se ouvirem histórias lá de longe, que soavam melhor que o quotidiano que sentíamos em Portugal. O Nelson nunca tinha tido ideias de emigrar, pois no momento trabalhava na Metalurgia Casal, uma companhia bem acreditada na altura, mas de um dia para o outro a decisão foi tomada e partiu mesmo... Foi ter com uma irmã que ao tempo vivia em Newark, o que no fundo talvez tivesse sido a razão desta decisão repentina. A estada do Nelson não foi longa nos EUA devido a estar em trânsito para o Canadá, para onde seguiu e onde permaneceu dois anos. Depois voltou a Newark onde fixou residência, já como emigrante legal. Pouco tempo depois, em Fevereiro de1973, resolvemos casar e começar a nossa vida, a dois, nesse país distante mas muito acolhedor, que hoje consideramos a nossa segunda Pátria. A língua, no início, foi a maior barreira que encontrámos, mas com boa vontade e persistência tudo se ultrapassou. Basta querer, pois os estabelecimentos de ensino abundam por todo o lado, e nós, graças a Deus, também, já não sendo jovenzinhos, conseguimos frequentar a universidade por algum tempo, eu de dia e o Nelson à noite. Isto foi algo que nos marcou e nos deixou recordações inesquecíveis Um outro grande obstáculo foram as saudades, pois estávamos longe daquilo que nos fez, nos é querido e nos faz sentir seguros. Mas, a pouco e pouco, com a ajuda de novas amizades que vão surgindo e de novas experiências, a adaptação foi acontecendo. Graças, ainda, a certos grupos que, com o seu trabalho e boa vontade, nos vão oferecendo o que Portugal tem de melhor, que são as nossas tradições!

Da esquerda para a direita - sentados: Jessica, Nelson e Teresa; de pé: Peter e Ricky

Vale a pena mencionar o grande acontecimento do ano, 10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, onde todos os portugueses de vários cantos da América se encontram pelas ruas da Ferry St. No meio da animação, trocam-se sempre aqueles abraços, como que a matar saudades da nossa terra e das nossas gentes. Que orgulho em ser português! Infelizmente, a nova geração, com as crises que se têm feito sentir por todo o mundo, está um pouco arrefecida, mas a área da gastronomia, essa não, porque continua em força e em cada canto, a nossa bandeira, desfraldada ao vento, convida a entrar e a desfrutar a nossa comidinha portuguesa. A família entretanto, foi aumentando. Temos três filhos, dois rapazes e uma menina, já adultos. O nosso mais velho, o Ricky, é advogado em S. Francisco, Califórnia; o Peter é economista e a Jessica, ainda estudante, residem no Estado de New Jersey. Há cerca de quase três anos, um rebentinho, o Madison, fruto do casamento do nosso filho Peter com a Christine, uma moça americana, veio enriquecer ainda mais as nossas vidas. Nos EUA sentimo-nos muito portugueses e participamos em bastantes eventos da comunidade portuguesa. Vivemos três anos no "Ironbound", nome dado ao lugar onde os portugueses vivem em Newark, e depois comprámos casa no meio americano, onde nos últimos quase trinta anos da nossa estada nos EU vivemos, participando activamente na paróquia de St. Mary's em Colts Neck, NJ, paróquia esta que é um exemplo para qualquer comunidade, devido aos programas educacionais e morais que aí se praticam e que têm feito a diferença na vida de muitas famílias. Há cerca de sete anos tomámos a decisão de voltar definitivamente às nossas raízes, a nossa querida Gafanha, um sonho tornado realidade, mas que acarreta por vezes muita tristeza, muita saudade, muita nostalgia, porque já não viemos inteiros. Parte de nós ficou na família que constituímos, nos lugares onde vivemos e nos amigos que fizemos, ao longo dos anos. Sempre divididos é o grande dilema de todos os emigrantes, e nós não somos excepção! Teresa e Nelson Nota: Texto elaborado a partir de uma entrevista, via Internet, com a Teresa e o Nelson Calção, gafanhões, com muitos anos a mostrarem uma grande alegria de viver. Fernando Martins

terça-feira, 5 de maio de 2009

Sugestão de um amigo: Se tiver uns minutos, ouça Vítor Araújo

Já agora, diga-me se gostou...

As imagens de Vasco Granja

1. Todas as gerações têm determinadas personalidades de relevante imagem pública que, do panorama social ao artístico, acabam por ser referências de época. Quem há vinte, vinte e cinco anos, não se lembra de Vasco Granja (1925-2009), das manhãs de sábado ou domingo na televisão portuguesa a preto e branco, da «banda desenhada» por ele apresentada, de como a pantera cor-de-rosa ou outras animações contagiavam as gentes mais novas daquele tempo. Esta vida que nos deixou, a par de outras grandes referências da comunicação, faz reviver o melhor das memórias de muitos que na época, também por essa via, foram conhecendo o mundo. Vasco Granja assinalou muitos momentos da animação dos mais novos, sendo mesmo chamado por uma criança de «o pai da pantera cor-de-rosa». 2. A sua primeira expressão de empatia, estes dias recordada, em que dizia «olá amiguinhos!» fala-nos, mesmo que sem nostalgias, de um tempo em que a animação revelava predominantemente um carácter de bondade e pacificação, mostrando desse modo, também, uma das funções dos meios de comunicação social. Formar, informando e gerando o entretenimento de qualidade. Um confronto da animação dessa época com a actualidade faz-nos sentir como a inocência dos primeiros passos da «banda desenhada» estão hoje tão longínquos diante de tanta violência que insiste perpassar pelos programas para os mais novos. É verdade que mesmo o Bugs Bunny ou a Pantera também teriam a sua “manha”, mas nada de comparável com os cenários matreiros de muita da animação deseducadora actual. 3. Aos 83 anos parte este homem discreto que leu a sua tarefa pública como serviço educacional de gerações que hoje o recordam. De 1974 a 1990 foi um dos rostos maiores da RTP para a infância. Quem dera que este momento de sua partida fosse oportunidade de repensar na actualidade sobre o papel das comunicações (TV e net) para as crianças. Será?!
Alexandre Cruz

GAFANHA DA NAZARÉ: Ciclo de Conferências, nas quintas-feiras de Maio

Os problemas do mundo actual, no auditório da igreja matriz
As quintas-feiras de Maio deste ano vão proporcionar fecundos e participados – espera-se – momentos de formação, informação e reflexão. A paróquia da Gafanha da Nazaré promove um ciclo de conferências sobre questões da actualidade para proporcionar um olhar humanista, crítico – mas não pessimista –, sobre os grandes problemas do mundo em que vivemos. As conferências realizam-se no Auditório Mãe do Redentor, todas as quintas, às 21h. A entrada é livre.
1.ª Conferência, 7 de Maio: Carlos Borrego fala sobre
“Questões ambientais – moda ou urgência?”

Carlos Borrego, doutorado em Ciências do Ambiente, é professor na Universidade de Aveiro (UA). Foi ministro do Ambiente e Recursos Naturais de 1991 a 1993 e vice-reitor da UA de 1998 a 2002. É autor de numerosos artigos e publicações. Recentemente coordenou o estudo que levou o governo a abandonar a Ota e a escolher Alcochete para localização do novo aeroporto de Lisboa. A acção humana está a provocar alterações climáticas e o litoral de Portugal poderá ser das zonas mais afectadas. Por outro lado, assistimos a investimentos em energias renováveis e ao crescimento da “consciência verde”. As preocupações ambientais são uma moda ou uma urgência? O que temos de fazer?

ÍLHAVO: Gran Torino, de Clint Eastwood, no Centro Cultural de Ílhavo

UM FILME DE GRANDE NÍVEL
“Gran Torino” é um filme de Clint Eastwood, com Clint Eastwood e Christopher Carley, para maiores de 12 anos. Clint Eastwood é também o produtor e realizador. Para ver no Centro Cultural de Ílhavo, na sexta-feira, 8 de Maio, pelas 21.30. Foi considerado pela crítica e pelo público como um dos melhores filmes de 2008. Já tive a oportunidade de o ver e gostei bastante. A par da boa realização e interpretação, o filme dá uma grande lição a muito boa gente. A não perder.

Orfeão da Misericórdia de Ílhavo celebra 1.º aniversário

No Centro Cultural de Ílhavo, 
9 de Maio, pelas 21.30 horas 

Depois da estreia absoluta no Centro Cultural de Ílhavo, por ocasião do Concerto de Natal, a 20 de Dezembro de 2008, o Orfeão da Santa Casa da Misericórdia de Ílhavo, uma formação de 50 elementos, dirigida pelo Maestro Jorge Ferreira, celebra o seu 1.º aniversário e associa-se à comemoração dos 90 anos da Santa Casa da Misericórdia de Ílhavo, com um programa a ter lugar no Centro Cultural, no próximo sábado, 9 de Maio, pelas 21.30 horas. 1.ª parte: Orfeão da Santa Casa da Misericórdia de Ílhavo 2.ª parte: “Alma de Coimbra” – Coro de Antigos Estudantes de Coimbra 
Esta é uma excelente oportunidade para apoiarmos os nossos artistas, mas também, e em especial, a Santa Casa da Misericórdia de Ílhavo, que continua a apostar no futuro.

Festival de Teatro do Município de Ílhavo 2009

Durante o mês de Maio, a Câmara Municipal de Ílhavo vai realizar mais uma edição do Festival de Teatro, que irá decorrer entre os dias 6 e 30 nas quatro freguesias do concelho. Este ano, serão as Crianças do Pré-Escolar e do 1.º Ciclo do Ensino Básico os primeiros espectadores do Festival, cuja abertura terá lugar no Centro Cultural de Ílhavo, no dia 6, com a peça “Lol.Pop”, do Teatro das Beiras. Seguem-se vários espectáculos de elevado qualidade, realizados um pouco por todos os espaços culturais do Município, com destaque para o Teatro de Rua “D. Gilberto”, pela Joana Teatro, que vai certamente dar uma nova vida e cor ao Jardim Oudinot, no dia 24 de Maio, a partir das 15h30. Aqui fica o convite. Não falte!

MOÇÃO DE CENSURA AO PAPA

A mensagem deste ano para o Dia Mundial das Comunicações Sociais é uma das mais fascinantes destes 43 de celebração. Acerta em cheio nas esperanças e dúvidas que nos geram as novas tecnologias, sobretudo para as crianças e jovens. Se por um lado a média de vida aumentou - cada vez há mais gente a trabalhar aos setenta ou mais – por outro, envelhece-se mais cedo porque as novas tecnologias vão gerando iliteracia digital com uma velocidade estonteante, deixando os dedos ágeis das crianças a tocar as suas sinfonias criptadas que irritam os adultos e os deixam despeitados de não caminharem à velocidade instintiva das novas gerações. O cartaz do Dia Mundial deste parece um enigma. E de facto é. Espécie de provocação para que quem não sabe pergunte do que se trata e o que significa. Que olha o planeta rodeado por asteróides tanto da Net como dos telemóveis. Veja-se por exemplo: Google, Wikipédia, Twitter, Myspace, YouToube, Chats, Blogs, Hi5, Facebook, Ipod, Mp3, 4, Messenger, e mais um interminável desfile de siglas que, aliadas aos compactos literários de quem – diz-se - comete erros ortográficos, desencadeia vias comunicacionais nunca existentes no passado. Por isso se recomenda na carta que acompanha o cartaz: “olhe bem. Parece que há uma gralha no título. Procure entender o que lá está. Se não sabe, pergunte aos jovens e adolescentes. É o que anda nas pontas dos dedos de quase todos. Como diz o Papa: muitas vezes esse mundo parece-nos estranho.” O lançamento do Dia Mundial das Comunicações Sociais deste ano, a nível nacional, será marcado por um “confronto” de jornalistas: como trataram a Igreja desde as conferências do Casino da Figueira às declarações do Papa no avião para os Camarões? Ou, como esteve a Igreja nesses acontecimentos? Não esquecendo a forma como foi noticiada a canonização do Santo Condestável, ou o último acontecimento conhecido: a “moção de censura” dos membros do órgão máximo da Câmara Baixa de Espanha (PSOE, CiU, PNV e parte do PP) a pedir ao Papa explicações pelas suas declarações sobre a SIDA em recente viagem à África. Como se as palavras do Papa tivessem um valor coercitivo. Dizia o E-Cristians: ”O Congresso dos Deputados não é ninguém para intrometer-se no âmbito das considerações morais que de uma posição religiosa se possam manifestar porque, ao actuar assim atenta contra o princípio constitucional de neutralidade do Estado”. E se os belgas (que fizeram algo de semelhante) ouvirem esta teoria, até lhes fará bem. Mas isso iremos debater no próximo dia 21 na Universidade Católica, no encontro de jornalistas. António Rego

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Morreu Vasco Granja

Um grande divulgador da Banda Desenhada
Vasco Granja morreu na passada madrugada. Tinha 83 anos. Para mim, que o conheci a ensinar, na TV, cinema de animação, morreu um grande comunicador. Falava para crianças e adolescentes, mas os adultos também gostavam de o ouvir. Procurava apresentar arte, sobretudo. Difícil missão que ele sabia democratizar, levando-a ao povo. Eu apreciava quanto dizia, principalmente pela forma simples como o fazia. Os meus filhos fixavam os seus olhos juvenis em Vasco Granja e nos filmes animados que ele cuidadosamente seleccionava. Bem recordo a atenção deles, hoje, ao saber da morte deste mestre da comunicação. Ver mais aqui.

A Cidade Educadora

Évora
1. Decorrerá entre 7 e 9 de Maio o III Congresso Nacional das Cidades Educadoras, este ano na cidade histórica de Évora. O tema abordará «a educação como património e o património como agente educador». Esta iniciativa de cariz nacional insere-se no Movimento Internacional de Cidades Educadoras. A AICE – Associação Internacional das Cidades Educadoras, formalizada no ano de 1994, insere-se numa visão de mundo e de cidades em que todo seu o horizonte cultural e humanístico deverão estar em rede de sinergias gerando mesmo mecanismos de maior amplitude e cooperação social. Referir-se, ainda, que o primeiro passo desta caminhada foi dado em 1990, quando em Barcelona ocorreu o I Congresso Internacional de Cidades Educadoras, em que um grupo de cidades representadas pelos seus órgãos de poder aceitaram o desafio da parceria em ordem a uma sempre melhor capacidade, pela educação, de qualidade de vida dos habitantes. 2. Esta é uma reflexão sempre inacabada, aliás, diga-se, ainda pouco começada entre nós. Nos tempos do primeiro encontro planetário do séc. XVI, a obra de Tomás Moro reflecte muito deste imenso potencial das cidades como incontornável comunidade humana organizada e capacitadora, sendo pólo gerador e garantia de valores patrimoniais. As grandes cidades são os principais centros de poder mas ao mesmo tempo reflectem no seu coração um vazio espelhado no seu abandono para as periferias, estas que parecem garantir uma melhor qualidade de vida. As cidades que representam talvez o que de melhor como organização social a humanidade terá conseguido, todavia, nunca sobrevivem por si mesmas, mas sempre carecem de dinamismos despertadores e revigoradores para o seu não esmorecimento. As cidades estão cheias de património, mas este quer ser também acolhido como expressão viva da “alma das gentes” e animado pelas redes sociais e culturais. Não é fácil, mas sim, juntos, sempre mais e melhor!
Alexandre Cruz

Tourada na Terceira: Um susto para mais tarde recordar

O touro que pregou alguns sustos
Um continental vive tourada na Praia da Vitória, na Terceira
Na 6.ª feira, depois do almoço, encontrei-me com colegas para um café e a meio da tarde lá fomos até às touradas. Mal chegámos, fomos logo, como é natural e normal, beber umas cervejas, porque o tempo e a animação estavam a aquecer. Estávamos a ver os touros, na Sociedade Recreativa das Fontinhas, freguesia da Praia da Vitória, num local vedado com taipais de madeira. Pensei que estávamos seguros... mas afinal sofremos um susto. Um dos touros rebentou a porta de madeira e entrou no recinto onde nos encontrávamos. De repente aquilo ficou vazio! Cada um a fugir para o seu lado, com medo da fera! Eu tentei entrar no café da Sociedade mas não consegui porque aquilo, de repente, ficou cheio de pessoas que procuravam, como eu, um local seguro. Eu fiquei à porta, porque não tive hipóteses de entrar! A minha sorte foi que o touro, preso por uma corda, que alguns homens seguravam, não foi “autorizado” a atacar-nos. Todos escapámos à fúria do animal. Depois, os homens que agarram na corda, lá conseguiram tirar o touro do recinto da Sociedade, onde havíamos procurado protecção. A seguir ao grande susto... continuei a beber a cerveja e a comer linguiça assada, como manda a tradição nesta ilha! No final tudo acabou bem. E assim vivi um dia em cheio, assistindo à tourada à moda da Terceira, nos Açores.
João

domingo, 3 de maio de 2009

Bênção dos Finalistas da UA - 2009

VOA A GRANDE ALTITUDE Não fiques na praia com o barco amarrado e medo do mar. Tudo aqui é miragem mas na outra margem alguém a esperar. Como onda que morre sozinha na praia não fiques brincando. No mar confiante ensina o teu canto de ave voando. Voa bem mais alto livre sem alforge sem prata nem ouro. Amando este mundo, esta vida que é campo e esconde um tesouro. Ninguém te ensinou mas no fundo tu sentes asas para voar. Nem que o céu se tolde e as nuvens impeçam tu não vais parar. Há gente vivendo tranquila e contente como eu já vivi. És águia diferente céu azul cinzento Foi feito p’ra ti!

Bênção dos Finalistas da UA – 2009


SINAIS POSITIVOS


Quem pôde contemplar a multidão, com mais de dez mil pessoas, marcadamente académica, não deixa de registar sinais positivos em dia de festa, festa grande, envolvendo os finalistas que estão de partida para uma vida nova, carregada de sonhos e de esperanças. Eu pude estar numa posição privilegiada, para apreciar esses sinais que hão-de deixar marcas indeléveis nos corações de quem está de saída e dos que se preparam para a caminhada final, provavelmente daqui a uma ano.

O SOL:

O Rei Sol brindou a festa com os seus raios luminosos e quentes. Ao jeito de quem se quer associar à alegria dos que começam já a sentir saudades de Aveiro e das suas gentes, da Universidade e dos seus professores, dos colegas e das amizades conquistadas para a vida. O Sol radioso levou ao rubro o calor humano que na Bênção se experimentou.

OS CHAPÉUS VERDES

Os chapéus verdes que todos ostentavam não eram só para proteger a multidão dos raios solares. Eles mostraram à saciedade a esperança que cada um sentia ser sua obrigação levar de Aveiro. Cursos concluídos, importa agora assumir a luta da vida, com muita coragem, mas também com determinação de contribuir para um mundo melhor, porque mais solidário.

AS CAPAS NEGRAS

O símbolo da academia, traje e capa negra, significa, na mancha homogénea que tudo isso provoca, o espírito de igualdade e de fraternidade que caracteriza a massa estudantil. Todos iguais, todos irmanados. Todos conscientes de que a unidade é hoje essencial à vida, na diversidade de mentalidades. Para se passar do sonho à realidade, temos de ultrapassar inúmeros obstáculos, que nos oferecem desafios dignos da nossa determinação e coragem.

A ÁGUA:

Andemos por onde andarmos, em festas e mais festas onde se bebe de tudo, importa regressar à água purificadora, que lava e que mata, realmente, a sede. A água, que todos, ressequidos pelo sol escaldante, pudemos beber, chegou na hora certa, em dia de festa grande. Em dia de Bênção, como baptismo regenerador.

AS FAMÍLIAS:

As famílias dos finalistas associaram-se em grande número. Como não podia deixar de ser. É na família que nos sentimos bem. Ela ainda é o berço do amor, o ponto de encontro, o lugar do retorno, o suporte para as dores e dificuldades, o espaço para a alegria, a fonte de muita sabedoria. Embevecidos, ramos de flores a jeito para os seus finalistas, ali estavam pais, mães, irmãos, namorados, namoradas, maridos, esposas, filhos, amigos. Famílias para comemorar a chegada a uma meta. Outras se hão-se seguir.
A ALEGRIA: A alegria, a rodos, incontida, estava patente nos rostos e expressões de todos. Eu bem a pude apreciar. Gestos expansivos, gritos de triunfo, braços no ar agitando pastas e fitas, símbolos de cursos oferecidos a Deus, com palavras de agradecimento e de esperança no futuro. Olhares de felicidade, abraços de emoção. Certezas de vitórias alcançadas. DEUS NO MEIO DE NÓS: A agitação da vida pode afastar-nos, porventura, do divino. Mas há sempre, se quisermos, o momento de nos aproximarmos de Deus. No seu seio há um lugar para cada um de nós. E eu penso que os milhares de finalistas e alunos sentiram neste dia, através da mensagem do Bispo de Aveiro e da alegria fraterna que os unia, a presença de Deus, fonte de todos os dons e de toda a sabedoria que nos eleva para o alto. Fernando Martins

Bênção dos Finalistas da UA – 2009

UM HINO À VIDA E UMA FESTA
À OUSADIA DA ESPERANÇA

“Um hino à vida e uma festa à ousadia da esperança são, sem dúvida, o sentido mais belo da Bênção dos Finalistas e a certeza maior que aqui nasce”, afirmou o Bispo de Aveiro, D. António Francisco dos Santos, na homilia da eucaristia a que presidiu, hoje, 3 de Maio, na alameda da universidade aveirense, com a participação de mais de dez mil pessoas, entre finalistas, alunos, familiares, amigos, professores e empregados. D. António Francisco sublinhou que “o horizonte do sonho [de cada um] não se esgota hoje nem se circunscreve a esta bela moldura humana e à alma que a habita e anima”, mas “ganha aqui dimensão de futuro”. Porque, afinal, “a esperança que deu sentido a todas as horas da vida de estudante torna-se, hoje e aqui, uma encantadora realidade e transforma-se em compromisso humano, profissional, cultural e cristão de cada um”, disse. Recordou que o tempo de Universidade foi “o tempo essencial e insubstituível” para se aprender a assumir “as exigências da vida, a descobrir as energias positivas dos obstáculos, a transformar as dificuldades em possibilidades e as crises em oportunidades”. E garantiu: “O tempo da Universidade treinou-nos, pelo trabalho sério, pela investigação exigente, pelos desafios da vida em cada dia encontrados, para sermos capazes de decisões clarividentes, de compromissos cheios de audácia, de contributos inadiáveis e de respostas solidárias ao serviço das causas da dignidade humana, da valorização da vida, da consolidação da família, do desenvolvimento científico, do progresso económico, da justiça social e da paz.” O Bispo de Aveiro alertou para a necessidade de reinventarmos “a solidariedade, com ousadia e com perseverança”, frisando que a Universidade é, também, “escola de sabedoria, de diálogo e de solidariedade, onde se aprendem os conhecimentos necessários e se descobrem os valores perenes que abrem caminhos de esperança ao futuro de todos nós”.
Fernando Martins

Bênção dos Finalistas da UA - 2009

A hora do Compromisso
1. A 3 de Maio 2009, Domingo que também assinala o Dia da Mãe, no encerramento da Semana Académica e no acolhimento da vontade expressa dos finalistas das instituições de Ensino Superior aveirenses (UA, ISCA-UA, ESTGA-UA, ESS-UA, ESAN-UA, ISCIA, IPAM, ISCRA), decorreu na nobre e emblemática Alameda da UA a celebração académica da bênção dos finalistas. Momento especial, plural e significativo de partilha de gratidões e esperanças para com todos os que tornaram possível o terminar desta etapa da vida. Desde tempos antigos que se consagrou de modo assinalável o momento de “partir” após estudos, daí derivando compromissos éticos e sociais. Lembre-se o juramento de Hipócrates. No nosso tempo, quando um doutorado honoris causa é reconhecido de mérito ele apresenta a sua oração de agradecimento. Hoje, ao terminar a etapa do curso, hora de partir como profissionais no espírito de serviço, os finalistas de Aveiro escreveram e proclamaram a sua ORAÇÃO DE COMPROMISSO: 2. Amar, respeitar, auxiliar e compreender todos aqueles que farão parte da nossa caminhada de vida, conhecendo a importância de caminhar em grupo, assumindo a colaboração com os outros como um valor essencial cada dia; dar o nosso melhor nesta nova etapa, conhecendo e vivendo o sentido da ética de responsabilidade, pondo em prática tudo o que aprendemos na vida académica e mostrando que somos capazes de utilizar todos os conhecimentos na promoção da dignidade da pessoa humana; enfrentar com confiança os obstáculos e quedas, tendo a certeza que Tu, Deus-Amor, estás ao nosso lado, pronto para nos apoiares e nos ajudares nas decisões mais difíceis e nos momentos de maior fragilidade; e não permitas, Senhor, que esqueçamos o verde da esperança, que durante estes anos nos inspirou e hoje enche os nossos corações, e auxilia-nos a cumprir todos os dias da nossa vida a grandeza do ideal que assumimos, perante todos, neste maravilhoso dia!
Alexandre Druz
(03-05-09)

Dia da Mãe

Sabedoria Sabia Espalhar o estrume, Cavar a terra, Lançar a semente. Regava o milho, Colhia a espiga, Armazenava o grão. Mas não sabia... quem foi D. Dinis. Sabia Apanhar a erva, Ordenhar as vacas, Salgar o porco. Peneirava a farinha, Tendia a massa, Cozia o pão. Mas não conhecia... a padeira de Aljubarrota. Sabia caiar a casa, varrer o chão, pontear a roupa. Punha flores na jarra, Pregava um botão, Vestia-se lavada, Mas não sabia... escrever a palavra Mulher. Sabia preparar um remédio, esconder uma angústia, rezar uma oração. Penteava os filhos, Aconchegava-lhes a cama, Não comia para lhes dar: Mas não sabia... ler a palavra Mãe.
Domingos Freire Cardoso

Dia da Mãe

MATER DOLOROSA
Foi o texto poético da sua prova de exame de Português, do 5.º ano do liceu. “Mater Dolorosa” de Gonçalves Crespo havia de se tornar uma evocação recorrente, no percurso da sua já longa vida. Retratando, de forma sublime, a dor da separação, na época dos Descobrimentos, este texto, repassado de dramatismo e epopeia, coloca a mulher no seu mais elevado pedestal - no papel de mãe! A estrutura do morfema m-ã-e, composta por duas vogais e apenas uma consoante, confere, à palavra, a fluidez, a transparência, a leveza da água cristalina. Também esta, água, possui três vogais que dão limpidez e leveza ao significante. Assim acontece com a palavra mãe! Mas... pai comunga das mesmas virtudes! Ambas são monossílabos sim, mas carregados de significado, ricas de conotações! Ambas andam de mão dada, na sua composição mórfica, como seria desejável que ocorresse também, na vida das pessoas! Mais uma vez se questiona sobre a razão de ser, de um dia dedicado às mães! Não estão estas sempre no exercício do seu papel? Alguma vez se demitem das suas funções, desde que trouxeram ao mundo a razão que as fez subir ao altar do sacrifício? Não conhece nenhuma que não tenha sentido o sabor do sofrimento, da dor... desde os primeiros frémitos de vida que sentiram ainda no seu ventre. A partir daí, é um somatório de canseiras, de cansaço, de consumições! Será porventura o verbo mais vivenciado por uma mãe, sofrer! Ela ali está para amparar o filho nos primeiros passos... nos primeiros sonhos... nas primeiras decepções! Mas, a alegria de se rever no novo ser, em si gerado, é a suprema compensação de todas as suas lágrimas. Recorda, ainda, a primeira prenda que ofereceu à sua mãe, mal começara a despertar para a vida! Era ainda uma adolescente, nos primórdios da sua vida académica, quando a efeméride, na altura comemorada em simultâneo com a da Imaculada Conceição - 8 de Dezembro, lhe tocou, bem fundo. Lá está, intacta, arrumada na estante, aquela bomboneira dum azul ferrete, a atravessar décadas de existência. Este ano, a prenda será imaterial, apenas um profundo sentimento de elevação, perante a memória de mais uma heroína... que se finou no mesmo dia de “n” vítimas das Twin Towers, no 11 de Setembro, nos Estados Unidos da América! Paz à sua alma!
Mª Donzília Almeida 01.05.09

TECENDO A VIDA UMAS COISITAS – 129

BACALHAU EM DATAS - 19

Iate Júlia ३.º

1903 - RESSURGE A PESCA DO BACALHAU EM AVEIRO

Caríssimo/a:
1901 - «Em 1901, os poderes públicos determinaram que o bacalhau pescado por navios portugueses ficava sujeito apenas ao imposto de 12 réis por Kg – já que até aí (e desde 1886) estava-se numa situação deprimente, revoltante e vergonhosa: os proprietários de 12 navios [portugueses], pagando apenas 6,6 %; todos os outros que se quisessem lançar na empresa da pesca do bacalhau, pagando mais pelo produto da sua pesca do que os próprios estrangeiros...» [Oc45,80] 1902 - «A empresa da família Bensaúde passa a denominar-se Parceria Geral de Pescarias, com 9 veleiros, alguns com mais de 300 toneladas. A empresa Mariano e Irmãos nesta data apenas tinha juntado aos dois primeiros JULIA, o iate JULIA III com 175 toneladas e viria mesmo a ser vendida no princípio do século a uma nova empresa denominada Companhia da Pesca Atlântico. » [HPB, 29] 1903 - «A partir de 1903, com o fim do monopólio, tendo-se tornado livre a construção e o armamento de navios bacalhoeiros, a indústria entrou numa fase de maior prosperidade, passando a tomar parte nas campanhas da Terra Nova um número cada vez mais elevado de navios, agora também de Ponta Delgada, Aveiro, Porto, e, mais tarde, de Viana e de Caminha.» [Oc45, 81] «Em 1903, partiram 12 navios portugueses para os bancos da Terra Nova.» [Creoula, 09] «O regresso à Terra Nova de navios armados em Aveiro e Ílhavo verifica-se apenas em 1903.» [Oc45, 80] «Efectivamente, é no ano de 1903 que ruma à Terra Nova o primeiro navio da praça de Aveiro, o palhabote NAZARETH, de 177 t, depois alterado e rebaptizado como NÁUTICO, propriedade dos “nossos patrícios e arrojados industriais”, Luís e António Marques de Freitas, então residentes em Lisboa, que tinham uma sociedade com o “brasileiro” da Murtosa, João Pedro Soares, homem ligado por fortes laços políticos e familiares ao poder político local. [...] «O NÁUTICO saíu no final de Maio e regressou no início de Novembro desse ano com “uma boa carga de peixe, grande e de boa qualidade, que seria tratado e seco no “ensecadouro” para esse efeito estabelecido na Gafanha da Nazaré, nesse mesmo ano de 1903, num terreno próximo do estaleiro de José Maria Bolais Mónica. [...] As tripulações, nomeadamente, os capitães, como referem amiudadas vezes os periódicos locais, eram “quase todas do concelho de Ílhavo”. [Oc45, 81] «Na sua primeira viagem de regresso da Terra Nova, o NÁUTICO, capitaneado pelo ilhavense António Fernandes Matias, o Gafanhão, alongou os habituais 25 dias de viagem por ser “impelido apenas por uma débil viração”, o que acontecia frequentemente neste “árduo e aventuroso mister”.» [Oc45, 86] «Aumento da frota bacalhoeira com um barco de 177 toneladas.» [BGEGN, 7] “Desde 1903 que o porto bacalhoeiro está localizado na Gafanha da Nazaré, na margem esquerda, abrangendo os lugares da Cale da Vila e Chave”... e o cheiro do bacalhau regressou à nossa terra!
Manuel

sábado, 2 de maio de 2009

Semana de Oração pelas Vocações de Consagração

A nossa profunda gratidão e estima para os consagrados
Completa-se amanhã, 3 de Maio, a semana de oração pelas vocações de consagração, iniciativa da Igreja Católica. Penso muitas vezes em quem deixa tudo para seguir Jesus Cristo, numa entrega total. E tenho dificuldades, por isso, em aceitar críticas, quantas vezes injustas, contra os que vivem apaixonadamente a missão de servir. Os consagrados, clérigos e leigos, são pessoas normais que vivem no mundo dos homens e mulheres do nosso tempo, mas imbuídos da Boa Nova de Cristo e numa constante preocupação de abrir portas e indicar caminhos que conduzam à construção de uma sociedade mais justa, porque mais cristã. Não sou dos que pregam e dizem que só os católicos é que reúnem as condições para a instauração de um mundo melhor nos tempos que correm. Acho que muitas outras pessoas o fazem, inspiradas por diversos princípios e motivados por ideologias, políticas, filosóficas e religiosas, em culturas e contextos muito variados, que enformam outras civilizações. Acontece, porém, que as nossas matrizes têm raízes cristãs, as quais alimentaram os nossos antepassados e com as quais nos identificamos, maioritariamente. Para servir nessa linha as comunidades que integram o tecido social dos nossos largos horizontes, os clérigos e leigos que abraçaram a paixão pelo serviço religioso, social, educativo, cultural e caritativo, sem nada exigirem, merecem, ou devem merecer, da parte de todos, profunda gratidão e estima. E os crentes também lhes devem, sem dúvida, as suas orações, para que o Deus Todo Poderoso os acompanhe. Fernando Martins

Religiões e extraterrestres

O teólogo eminente Dr. Thaddeus sonhou que tinha morrido e seguido rumo ao Céu. Bateu à porta e disse que tinha dedicado a vida à glória de Deus. - Homem? - exclamou o porteiro. - O que é isso? Ninguém, lá em cima, ouvira falar dessa coisa chamada "Homem". Mesmo assim, um bibliotecário, um ser esférico com mil olhos e uma boca, depois de ter ouvido o teólogo explicar que a Terra é parte do Sistema Solar, por sua vez parte da Via Láctea, com milhares de milhões de estrelas e uma galáxia entre milhares de milhões, mandou chamar um dos sub-bibliotecários, especializado em galáxias. Umas três semanas depois, com o trabalho de cinco mil empregados, o sub-bibliotecário voltou e explicou que o ficheiro extraordinariamente eficiente da secção galáctica da biblioteca lhe tinha permitido localizar a galáxia pretendida. Mas era preciso agora procurar uma estrela - o Sol -, uma entre trezentos mil milhões dentro da galáxia. Alguns anos mais tarde foi um tetraedro arrasado de cansaço que compareceu, dizendo que tinha finalmente descoberto essa estrela especial, mas não vendo grande interesse nisso. De qualquer forma, ela está cercada por corpos muito pequenos chamados "planetas", havendo nalguns deles "parasitas" e "essa coisa que tem estado a fazer perguntas deve ser um deles". Então, o Dr. Thaddeus desatou num indignado lamento: - "Porque é que o Criador escondeu de nós que não fomos nós que O levámos a criar os céus? Servi-O diligentemente toda a minha vida. E agora até parece que nem sequer sabe da minha existência. Não posso aguentar isto. Não posso mais adorar o meu Criador. - Muito bem - retorquiu o porteiro. Então, pode ir para o Outro Lugar". "Aqui, o teólogo acordou. E murmurou: - O poder de Satanás sobre a nossa imaginação adormecida é terrível". Estaremos sós neste Universo estonteantemente gigantesco? Aí está uma pergunta que muitos farão, concretamente neste Ano Internacional da Astronomia. No ano passado, o padre José Gabriel Funes, director do Observatório Astronómico do Vaticano, declarou, desencadeando imensa curiosidade: "Como há uma multidão de criaturas sobre a Terra, poderia haver outros seres, mesmo seres inteligentes, criados por Deus. Isso não contradiz a nossa fé, pois não podemos colocar limites à liberdade criadora de Deus". Poderíamos então falar do "nosso irmão extraterrestre". Aliás, o seu predecessor, padre George Coyne, já se tinha pronunciado no mesmo sentido, ao dizer que o universo é feito para fabricar vida, portanto, a existência de outros seres não põe problemas à fé: "É um desafio salutar que a engrandece em vez de encerrá-la". A revista Le Monde des Religions (Set.-Out. 2008) foi à procura das posições de outras religiões. O talmudista Hervé Bokobza diz que "as narrativas da literatura midráshica demonstram que, se eventuais descobertas científicas revelassem a presença de outros seres vivos no universo, os princípios da Tora e os valores do judaísmo não seriam abalados". O islão vai mais longe, "predizendo" não só a existência de vida extraterrestre mas também que haverá um encontro: "Entre as Suas Provas está a criação dos céus e da terra e dos seres vivos que aí disseminou. Tem aliás o poder de reuni-los quando lhe aprouver" (sura 42). "Alá que criou sete céus e outras tantas terras" (sura 65). Também a resposta do budismo é afirmativa. O budismo Mahayana tem sutras que estendem o ensinamento do Buda "a todos os mundos". No sutra da Contemplação da vida infinita, Buda faz jorrar da sua fronte um raio de luz"que iluminou todos os mundos e voltou a colocar-se na cabeça do Buda, formando uma torre de luz. Nesta torre, podia ver-se todas as terras dos budas". Após a detecção de "super-Terras", a procura de vida noutras paragens tornou-se objecto de investigação científica. Se alguma vez se der o encontro, será um acontecimento maior da História. Anselmo Borges

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Vital Moreira foi agredido: Quando a força da razão é fraca

Vital Moreira, candidato do PS às próximas eleições para o Parlamento Europeu, foi hoje agredido na manifestação da CGTP por pessoas que lhe chamaram traidor. Gente sem princípios, pôs de lado a força da razão para fazer valer a força da intolerância. É motivo para dizer que na nossa democracia ainda há, infelizmente, quem tenha dificuldades em conviver e em viver os seus ideais no respeito absoluto pelos ideais dos outros. Mostraram quanto a força da razão de alguns é mesmo fraca.
Carvalho da Silva, primeiro responsável pela CGTP, tentou justificar o injustificável, ao alegar que há muitos trabalhadores a sofrer. Será que o sofrimento deixará de existir quando agredimos?
Fernando Martins

1.º de Maio, Dia do Trabalhador

Não importa revisitar hoje a História para explicar as razões da celebração do 1.º de Maio como Dia do Trabalhador. Importa, isso sim, compreender a alegria com que muitos homens e mulheres comemoram a data que os distingue como pessoas dignas de ocuparem um lugar cimeiro do pódio dos construtores do mundo. Os trabalhadores de qualquer área são realmente os protagonistas da História. De facto, da sua inteligência, das suas mãos, da sua criatividade, da sua sensibilidade, da sua ousadia, da sua determinação, da sua coragem e da sua persistência brotam os alicerces seguros do futuro da humanidade. Daí a alegria que sentem no dia que lhes é dedicado, no dia em que são olhados com precursores de um mundo novo. Sombras carregadas de negro podem toldar a alegria de muitos trabalhadores. As crises económicas, provocadas, em grande parte, por ambiciosos e exploradores sem alma e por gente sem escrúpulos, aí estão a dizer a todos os homens e mulheres de boa vontade que a unidade de quem trabalha é, mais do que nunca, imprescindível, para a construção de um amanhã mais risonho, porque mais solidário. Flores e palmas para quem assume o trabalho como direito e dever, mas também como símbolo da dignidade humana e da fraternidade universal. Fernando Martins

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Crónica de um Professor

Dia 1 de Maio. Dia do Trabalhador
Faz-se uma interrupção no trabalho, um feriado, para comemorar o Dia do Trabalhador! É, no mínimo, paradoxal, esta lógica do ser humano! Sendo um valor que acompanha o homem em todas as sociedades, tem sido encarado das mais diversas formas. A ironia que subjaz à expressão “O trabalho dá saúde que trabalhem os doentes!”, atesta de forma jocosa a ambivalência do conceito. É um valor, sim, para muitos, mas também uma imposição para tantos outros, que, não o acatam com prazer! O aforismo popular “O trabalho não azeda” contraria o outro provérbio, “Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje”. Afinal, sendo o povo detentor de uma sabedoria catalogada e milenar, também se contradiz nestas tiradas de sapiência! O valor do Trabalho que a teacher interiorizou, por herança genética, tem o peso e o valor que os seus progenitores lhe transmitiram. Sempre observou, empiricamente, como os pais, desde tenra idade, o iam transmitindo. Nesta perspectiva, discorda das políticas dos últimos governos, em relação a alguns apoios pecuniários, atribuídos aos desempregados do mercado laboral. Haveria múltiplas formas de ocupar as pessoas atingidas pelo flagelo do desemprego, dando-lhes tarefas, trabalho, num serviço cívico a prestar à comunidade. Para uma camada da população que não atribui ao trabalho, o valor, a dignidade que este confere, é mais fácil, cómodo e aliciante ficar à “boa vida”, sem fazer nada, sem despender qualquer esforço, e ter no fim do mês, a migalha, a esmola, o RSI (rendimento social de inserção) que o governo, displicentemente, lhes disponibiliza. Para os que dão o corpo ao manifesto, que fazem pela vida, que se esfalfam para ganhar o pão nosso de cada dia, que fazem calos nas mãos... ou nas cordas vocais, essa medida é vista com desaprovação, desconforto, desconfiança. Invoca-se aqui, a análise de António Aleixo:
Quem trabalha e mata a fome, Não come o pão de ninguém! Mas quem não trabalha e come Come sempre o pão de alguém! Há sempre alguém que por falta de cabeça, de capacidades, de dignidade, prefere estar às sopas dos outros, neste caso concreto, do governo, a “vergar a mola” e trabalhar! Faz calos! Dizem alguns, preferindo ficar na indigência. No seu percurso profissional, quando no final do ano lectivo se ocupava das matrículas, tarefa, já há muito desempenhada pelos DTs (directores de turma), deparava-se com esta cena tão caricata quanto insólita. Algumas mães, quando acompanhavam os filhos nas matrículas e eram interpeladas sobre a sua profissão, respondiam que não faziam nada, que não trabalhavam. Eram domésticas! A teacher remoía-se toda por dentro, contra esta assumpção de “inutilidade” de “indigência”, pois sabia que não correspondia à verdade. Durante muitos anos, senão décadas ou até séculos, o trabalho doméstico não estava catalogado no rol das profissões que os pais dos alunos indicavam, aquando do preenchimento dos boletins de matrícula. - Não limpa a casa? - Não passa a ferro? - Não cuida da educação dos seus filhos? - Não zela pelos interesses da família? Interrogava a teacher, levando as ditas mulheres “indigentes” a reflectir sobre a panóplia de afazeres que lhes preenchiam o dia. Claro que sim, Sra Doutora, faço tudo isso! Era a resposta imediata. E... ainda se atreve a dizer que não trabalha e que não tem profissão? Só porque não é remunerada? Não tem um patrão directo, com visibilidade para lhe exigir um horário rígido de entrar e largar o trabalho. Aposta a teacher que estas donas de casa que se esfalfam para que as suas tarefas sejam cumpridas, de tão compridas que são, têm isenção de horário de trabalho, como qualquer executivo de uma grande empresa! Estes, dadas as suas responsabilidades acrescidas, não têm horários rígidos, sim, todos sabemos, mas trabalham muito mais que os subalternos que lhes estão directamente dependentes. Ser dona de casa é uma missão e diria até, nos dias de hoje, uma profissão nobre! Nos dias de hoje, o trabalho doméstico assumiu outro estatuto e tanto é considerado já como alternativa profissional, desempenhado por uma série de mulheres com formação académica diferenciada, como é partilhado pelos casais jovens. Estes, quando têm a sua actividade profissional, fora de casa, assumem a divisão das tarefas domésticas como incumbência de ambos. Só assim haverá a igualdade, tão propalada por um sector do mundo feminino, e os homens contribuirão para a harmonia familiar que é aspiração de todos. E... doméstica, doméstica já é considerada uma profissão sem carácter sectarista, já que há elementos do sexo masculino a desempenhá-la também. E, à guisa de conclusão, apetece dizer: ou há moralidade... ou trabalham todos!
Maria Donzília Almeida 30.04.09

Dar Portugal a Portugal

D. Manuel Martins
Frei Nuno de Santa Maria foi finalmente canonizado. Este acontecimento não mereceu grande atenção a boa parte dos portugueses, sobretudo a nível dos responsáveis do país e de alguns dos meios de comunicação social. Não vem para aqui a questão dos milagres exigidos pela Congregação para a Causa dos Santos. Adianto só que, com todo o respeito pelas disposições da Igreja, julgo sinceramente que tais milagres não deviam funcionar como condição para a glorificação dos cristãos. Além de saberem a tentação de Deus, acontece que muitos deles não convencem. Já D. António Ferreira Gomes, nas célebres “Cartas ao Papa” põe clara e corajosamente esta questão. A Igreja, quero dizer mais propriamente, a Comunidade dos cristãos sabe bem quem é santo e merece, por isso, ser glorificado. Ao que vêm tantos exames aos escritos, ao que vem a audição de tantas testemunhas, ao que vem a perscrutação dos sentimentos do povo relativamente a este ou àquele cristão que viveu e morreu com fama de santidade? O nosso Frei Nuno há muito tempo que estava canonizado pelo povo. Quem olha atentamente para a nossa História do século XIV não terá dificuldade em reparar que Portugal estava a perder a alma, estava a fugir de Portugal. E foi o Condestável D. Nuno que deu Portugal a Portugal, que fez com que Portugal se reencontrasse e pudesse assim perspectivar futuro. Sem D. Nuno, Portugal seria uma apagada lembrança da memória. Se calhar, até seria bom que parássemos um pouco para nos perguntarmos se o Portugal dos nossos dias não andará a fugir novamente de Portugal, se Portugal não andará por caminhos que o levem a perder a sua alma e a sua identidade. Bastaria para tanto pensar em leis que atentam contra a família, contra a vida, contra tantas situações que têm a ver com o humanismo que deveria acompanhar situações de saúde, de trabalho, de educação de justiça, de respeito por valores e tantas coisas mais. Portugal está a afastar-se da sua matriz. Melhor, por razões de falso e perigoso poder, por razões ideológicas e filosóficas, muitos estarão a obrigar Portugal a fugir da sua matriz. Claro que os tempos vão mudando e operam-se transformações profundas na sociedade. O ontem pertence à história e muitas vezes não fica dele senão uma amarga saudade. Mas, o que nos fez e faz não pode mudar. O que nos estruturou e estrutura não pode mudar. Estamos numa hora magnificamente exigente. Oxalá sejamos capazes de a apanhar como se impõe. Manuel Martins, Bispo Emérito de Setúbal

Câmara de Ílhavo adere ao Plano Nacional de Leitura

A Câmara Municipal de Ílhavo (CMI) adere ao Plano Nacional de Leitura (PNL), através de um protocolo com o Ministério da Cultura, numa cerimónia de assinatura agendada para hoje, 30 de Abril, pelas 17.30 horas, na Biblioteca Municipal de Ílhavo (BMI). Com a assinatura deste protocolo, a CMI pretende levar os cidadãos a ler mais e melhor, proporcionando-lhes um maior acesso ao livro e à leitura, desde a primeira infância até à idade adulta. Também se pretende-se promover, de forma mais eficaz, junto das escolas e das famílias, o contacto com os livros e o gosto pela leitura. Entre as várias obrigações, o PNL ficará responsável pelo apoio financeiro durante os próximos três anos aos Jardins-de-Infância e escolas dos 1.º e 2.º ciclos do Ensino Básico do concelho, com vista à aquisição de livros destinados a leitura orientada nas salas de aula e nas demais actividades curriculares. Ainda foi agendada a assinado de um protocolo de Cooperação e Constituição da Rede de Bibliotecas de Ílhavo (Biblioteca Municipal e Bibliotecas Escolares). A Rede de Bibliotecas de Ílhavo é oficialmente criada por protocolo assinado, entre a CMI, os Agrupamentos de Escolas de Ílhavo, Gafanha da Encarnação, Gafanha da Nazaré, a Escola Secundária da Gafanha da Nazaré, a Escola Secundária Dr. João Carlos Celestino Gomes e o Centro de Formação da Associação de Escolas dos Concelhos de Ílhavo, Vagos e Oliveira do Bairro (CFAECIVOB), na BMI, enquanto sede do Serviço de Apoio às Bibliotecas Escolares (SABE). Este é sem dúvida o culminar de uma realidade, baseada num trabalho contínuo de persistência, dinamização, promoção e divulgação de práticas que permitem dotar os seus leitores e utilizadores de competências nos domínios da informação e da literacia. Ao longo destes últimos anos, o trabalho em equipa aproximou as nossas Bibliotecas Escolares e a Biblioteca Municipal na dinamização e promoção da leitura como factor primordial das aprendizagens. Na mesma data, foi apresentado o Cartão de Utilizador RBI, a ser implementado no início do próximo ano lectivo, que permitirá, a todas as crianças e jovens que frequentam as Jardins-de-Infância e Escolas do Concelho de Ílhavo, aceder em simultâneo ao serviço de empréstimo nas Bibliotecas Escolares e na Biblioteca Municipal. Fonte: CMI

Marcos Cirino desfia recordações

Marcos Cirino desfia recordações
com muito amor à Gafanha da Nazaré

 
Marcos Cirino da Rocha, 87 anos, gafanhão de gema, vibra com as coisas da Gafanha da Nazaré. Conhece muito da sua história. Evoca com entusiasmo os assuntos em que se envolveu. Conta pormenores que escapam a muito boa gente. E insiste na ideia de que há pessoas que nos querem prejudicar, decerto marcado por tempos e comportamentos idos. Fomos ouvi-lo um dia destes. Entrámos em sua casa e vimos miniaturas de barcos de várias épocas. Todos construídos por si. “À escala”, sublinha. Mas também vimos inúmeras pastas de documentos e processos relacionados com antigas, e talvez recentes, reivindicações e polémicas.

Fernando Martins

Leia toda a entrevista aqui

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Clube dos incorruptos, uma iniciativa com actualidade

O diário francês “Le Monde” de 22/23 de Março, dava conta de uma iniciativa original, a ganhar relevo nos tempos que correm, que, pelos seus objectivos, merece aplauso e, quiçá, seguidores onde vai grassando a peste tão nefasta da corrupção. A iniciativa deste Clube deve-se a Eva Joly, magistrada franco-norueguesa, que teve de instruir o famoso processo ELF. Um processo que envolvia pessoas do seu país e de África, ligadas, de um e de outro lado, ao poder político e ao poder económico. Os membros do “Clube dos Incorruptos” são magistrados que sentiram necessidade de pôr em comum as suas preocupações ante o dever grave, um verdadeiro desafio, de enfrentar e julgar casos de alta corrupção e de apreciar dossiers sobre o tema, que envolvem pessoas e entidades influentes, famosas e socialmente intocáveis. Reúnem-se com regularidade para confrontar métodos usados e resultados obtidos, e para se apoiarem, mutuamente, nesta tarefa, quase sempre ciclópica e difícil, que, muitas vezes, termina sem resultados positivos, mesmo quando tudo já aparecia mais ou menos claro. A corrupção, em alguns países de África, concluiu Eva Joly, quase sempre com raízes no Ocidente, tem posto em causa a democracia de muitos deles e até a sua sobrevivência como países. Manietado pela sofreguidão e cupidez de alguns poderosos locais, com apoios interessados, dentro e fora, e grande capacidade para mostrar inocência onde as culpas são evidentes e os resultados não escapam nem aos cegos, o papel da justiça é sempre difícil e muitas vezes inglório. Entre os membros do Clube fazem-se confissões, individuais e de grupo, que, pelo seu teor e gravidade, merecem uma especial atenção por parte de quem pode, a nível internacional, ter alguma interferência positiva, se acaso ainda existe alguém, pessoas ou instituições, com tal poder e influência. São as confissões dos magistrados, pelo menos, um alerta urgente para outros países e nações, onde iguais problemas se vão avolumando e não são menores as dificuldades encontradas para lhes fazer frente. O longo artigo do “Le Monde”, duas páginas recheadas, fala, por parte dos magistrados do Clube, de confissões dolorosas em virtude de combates perdidos, de ameaças e tentativas programadas de homicídio, de impossibilidade pessoal e de familiares de deslocação em privado, porque os conhecidos corruptos, quando sob investigação e juízo, lhes aparecem em qualquer canto, não pela preocupação de os saudarem ou de lhes proporcionarem auxílio. A corrupção, que sempre existiu em graus diferentes, muitas vezes encoberta e outras sem que seja possível ver todo o seu alcance, torna-se cada vez mais grave e cresce em espiral, quando os valores éticos se evaporam e à justiça faltam meios ou determinação para a enfrentar, anular os seus resultados ou minimizá-los, no possível. Ela cresce, também, por contágio. O fascínio do dinheiro e do poder, dois aliados habituais, é tentação que se espalha e em que se cai, a muitos níveis. Atenta a novas oportunidades, a grande corrupção ocupa o espaço da traficância, não apenas das drogas geradoras de toxicodependência, mas também de influências, espreita a permissividade do poder, pouco atento ou interessadamente desatento, goza dos favores de pessoas, locais e circunstâncias, tanto do poder absoluto, que também ele é, normalmente, corrupto, como das democracias, apáticas e sem espinha dorsal, embevecidas com a força dos resultados eleitorais, que depressa esquecem o que significa a promoção do bem comum, a justiça social e a defesa, corajosa e persistente, dos direitos individuais e colectivos. A corrupção não envolve só sofreguidão de dinheiro. Também se faz pela ânsia do poder. Mas a meada, por certo, tem duas pontas. António Marcelino

Seja festa Académica!

1. Esta quadra do ano é assinalada, de norte a sul do país e também em Aveiro, pelo espírito festivo dos estudantes, no seu diálogo com a sociedade envolvente e na manifestação pública da força das academias. Como se diz, tendo de haver tempo para tudo, trata-se de uma época saudável de festa, de encontros partilhados nos mais variados níveis, da cultura ao desporto, da música aos tradicionais cortejos académicos, passando pelos festivais de Tunas (o magnífico FITUA!), entre nós concluindo a Semana Académica com o momento celebrativo da bênção dos finalistas. Cada momento de festa, como cada dia, merecerá a melhor atenção; mas não poderá nenhum momento isolado infeliz diminuir o sentido comunitário das festas académicas. 2. O olhar crítico e derrotista poderá dizer que “não estamos em tempo para festas”. Com esta visão menor nunca se avançaria nada para lado nenhum. Tudo na justa medida terá o seu lugar e esta expressão de tradição típica nossa acaba por ser um sinal de vitalidade das gentes das próprias comunidades académicas. Pode-se aplicar a mesma mensagem das festas populares dos nossos lugares e nas nossas gentes: quando já não existir sequer motivação para estas realizações será sinal de comunidade sem laços comuns, desagregação do sentido de unidade colectiva. A festa nunca dependerá (essencialmente) da fartura ou crise económica, mas da vontade e motivação das pessoas e este é um valor inestimável a preservar. Querer será poder! 3. O rasgo de criatividade que percorre o país nas festividades dos estudantes do Ensino Superior também poderá ser um “ar fresco” de estímulos positivos e enérgicos… Diria o outro que de nada vale o “chafurdar” na crise! O tempo da vida é dom único, o valor mais precioso do mundo. Um tempo de pausa convivial nunca foi nem será incompatível com o rigor e o compromisso dedicado, mas também um desafio de frescura e qualidade lançado a todos. Aveiro é nosso e há-de ser! Assim seja! Alexandre Cruz

Pescadores na Praia da Barra

No molhe da Meia-Laranja, mesmo com céu enevoado, os pescadores não faltaram. E eram bastantes, um pouco por todo o lado. Na minha passagem, apenas vi um peixe a sair da água, preso ao anzol. Mas os pescadores lá estavam, pacientemente, à espera da sorte, ou do saber.

AVEIRO: Bênção dos Finalistas

Mensagem do Bispo de Aveiro

Bispo de Aveiro na Bênção dos Finalistas de 2008 (Foto do meu arquivo)

CONFIANTES NO FUTURO
AGARRAI O PRESENTE COM DETERMINAÇÃO
A festa da bênção chegou, finalmente! É um dia feliz e promissor, pólo de convergência de esforços e lazeres, de êxitos e fracassos, início de uma aventura que se deseja ainda mais feliz e afirmativa. É uma data assinalável na vida académica que encerra um ciclo de sonhos e abre horizontes novos a uma outra fase repleta de aspirações e ansiedades. É uma oportunidade única e solene na história da vossa afirmação pública que vos ajuda a assumir a complexidade do presente, a reconhecer o valor do passado e a dar largas às dimensões do futuro. Por isso, a quereis celebrar com entusiasmo confiante, na companhia dos vossos familiares e amigos, em campo aberto e espaço público, de forma livre e assertiva, na presença de colegas e outros membros da instituição académica; por isso, a quereis celebrar em assembleia cristã que realiza a eucaristia dominical a que presido com a maior alegria. Conseguistes! Podeis afirmá-lo com a certeza da experiência feita no dia-a-dia que, de vez em quando, teve de enfrentar surpresas e recriar energias. Aprendestes a assumir os desafios da vida, a descobrir as energias positivas dos obstáculos, a transformar as dificuldades em possibilidades e as crises em oportunidades; por isso, à ciência e à tecnologia, sempre apreciáveis, fostes juntando a sabedoria da relação humana, do valor das coisas, da riqueza do tempo, do alcance das opções, do sentido da vida; aprendestes a viver o dinamismo da esperança e a ética da responsabilidade. Aprendestes e quereis testemunhá-lo! Parabéns e oxalá que esta sabedoria vá crescendo com os anos, com o exercício competente de uma profissão responsável, com a cooperação em serviços de cidadania, com o envolvimento em acções de voluntariado. A maneira construtiva de estar e intervir na sociedade relaciona-se muito com esta sabedoria aliada às outras capacidades e competências que humanizam a pessoa e desvendam o sentido da vida e da história. Sem uma visão englobante e sábia, fica-se prisioneiro de um saber específico, sectorizado, parcelar, desarticulado do conjunto social. E fica em risco a qualidade da sociedade e das suas múltiplas instituições que dependem, em grande parte, da consciência cívica dos seus membros em relação ao bem comum e da competência dos seus responsáveis nas áreas que lhes estão confiadas. Aliás o futuro harmónico da sociedade – como o demonstra a história recente - depende mais daquela sabedoria do que das competências científicas e técnicas. Conseguistes! E haveis de conseguir ao longo da vida a realização superior do vosso ideal: ser feliz e fazer felizes os outros, aprender a saber e comunicar sabedoria, afirmar a individualidade e reforçar a sociabilidade, valorizar o que se alcança e dar alento ao que se deseja, escutar a voz da consciência onde ressoa a vibração dos sons do Transcendente, do Deus de Jesus Cristo, nosso amigo e confidente. Oxalá possais contar com o apoio indispensável para tão legítima aspiração e ousada ambição. Oxalá tenhais coragem de procurar grupos e associações que correspondam aos vossos anseios e proporcionem espaços de diálogo que facilitem o encontro de respostas. Contai com a disponibilidade da Igreja e dos seus movimentos apostólicos. Este serviço de acolhimento e busca faz parte da sua missão. Caros finalistas, como experimentastes ao longo do vosso curso, não se pode viver sem esperança. É ela que garante o dinamismo da vida. É ela que perspectiva o presente rumo ao futuro. É ela que recarga energias para prosseguir esforços. Mas a esperança precisa de um fundamento sólido e de um horizonte iluminado, de uma rocha que lhe sirva de âncora e de um ideal que lhe proporcione o feixe de luzes do farol. Que possais viver esta segurança na liberdade e alcançar esta luz na verdade, é o meu desejo sincero no dia feliz da festa da vossa bênção que, espero, se há-de prolongar por muitos anos. Aveiro, 3 de Maio de 2009
António Francisco dos Santos,
Bispo de Aveiro
NOTA: Antecipo a publicação da Mensagem do Bispo de Aveiro, para uma maior vivência da festa e Bênção dos Finalistas.

intervenção social e eficiente

Folgo em saber que o Conselho Local de Acção Social do Município de Ílhavo (CLAS) reiterou, na sua última reunião, a importância do trabalho desenvolvido pelo Serviço do Atendimento Social Integrado, no sentido da concretização de uma intervenção social racional e eficiente, justa e preferencialmente geradora de estruturação da vida dos cidadãos necessitados, com o envolvimento de toda a comunidade e numa busca incessante de crescimento qualitativo. Nessa linha, importa que todos se mobilizem, tendo em visto a ajuda aos mais necessitados, em tempo de crise.

Fonte: CMI

Grupo Poético de Aveiro: mais um número da revista Folhas – letras e outros ofícios

Contributos para os 250 anos da elevação de Aveiro a cidade
O Grupo Poético de Aveiro, que surgiu em 1993 como associação cultural empenhada no desenvolvimento, promoção e divulgação da poesia e da cultura de expressão portuguesa, irá brevemente editar mais um número da revista folhas – letras e outros ofícios, o número doze. Pretende com ele prestar um contributo para o assinalar dos 250 anos da elevação de Aveiro a cidade. Não que a revista deixe de ser o que é, um espaço aberto a todo o tipo de colaboração escrita, sobretudo poética, desde que a mesma apresente a dignidade que convém a uma revista literária. Neste espaço cabem os novos autores, ainda que nunca tenham publicado, e cabem os consagrados, ainda que diariamente apareçam em várias publicações. Além da livre temática porque sempre se tem pautado a nossa revista, propomos desta vez o tema Memórias da cidade e das suas gentes, a todos os que, disponíveis para tal, não queiram deixar morrer este ou aquele episódio marcante, este ou aquele personagem inspirador ou inspirado, este ou aquele rincão ou espaço que se foi tornando confluente, onde os aveirenses dos diversos bairros e estratos sociais se foram fazendo sábios. A nossa esperança é ajudar a salvar a memória do que ainda possa ser salvo mas, também, salvar a arte de viver com a riqueza e a consciência do passado, longe ou perto, que fez esta cidade. Contamos com a vossa colaboração, maior ou menor, sem quaisquer preconceitos ou restrições. Aguardamos as vossas contribuições, em poesia ou prosa, não esquecendo que a publicação dos trabalhos estará sujeito à habitual selecção do grupo coordenador da nossa revista. Nota: Os trabalhos podem ser enviados até 8 de Maio de 2009, por correio electrónico para: grupopoeticoaveiro@gmail.com ou por correio normal para: Grupo Poético de Aveiro - Casa Municipal da Cultura - Praça da República-3800 Aveiro A Direcção

terça-feira, 28 de abril de 2009

Laurinda Alves dispensada pelo PÚBLICO

O PÚBLICO dispensou a colunista Laurinda Alves, alegando exigências de contensão nas despesas. Tanto quanto sei, os restantes colunistas continuam ao serviço do diário que costumo ler desde o primeiro número. Fiquei triste, porque aprecio os escritos desta jornalista e escritora, fundamentalmente por seguirem a linha que há muito defendo, de apostar numa forma de estar na vida, sempre pela positiva. Tive pena, porque o PÚBLICO deixou de ter nas suas páginas uma profissional que aprecio, tal como muitos outros leitores.
Presumo que não houve na decisão do director, José Manuel Fernandes, uma motivação política, já que Laurinda Alves é candidata a eurodeputada pelo MEP (Movimento Esperança Portugal). A ser assim, é grave. Outros colunistas, contudo, na mesma posição, isto é, também candidatos a eurodeputados, Vital Moreira e Rui Tavares, pelo PS e pelo BE, respectivamente, ainda não foram despedidos, que eu saiba.
Num comentário que escrevi no seu blogue, não deixei de lhe manifestar a minha solidariedade, ao dizer-lhe que espero continuar a ler o que ela vier a escrever, onde quer que seja, porque Laurinda Alves tem o condão de nos ajudar a pensar. Só espero que ela não demore a fazê-lo. Estou convencido de que não hão-de faltar órgãos da comunicação social à altura da jornalista que o PÚBLICO dispensou.
Fernando Martins

Tempo e acção das perguntas

1. À situação que se vem vivendo nos últimos meses junta-se agora o alerta de saúde pública que a OMS – Organização Mundial de Saúde confirmou devido à chamada gripe mexicana. É como se de repente um conjunto de elementos se juntassem diante dos quais urge (re)agir na perseverança confiante dos grandes valores que poderão fermentar novas vias de solução, um dos quais é a solidariedade. Os tempos que vivemos são de reposição das grandes questões, de modo a reinventar para novos quadros de problemas as inovadoras respostas. Não chegam as respostas habituais diante de cenários efectivamente novos. Para descortinar amplas soluções, assim, torna-se imperativo, consequentemente, a arte de saber relançar as questões essenciais, desmistificando certas visões mecanizadas e abrindo novas vias. 2. As perguntas sobre os valores, as políticas, a sociedade civil, as economias, a justiça, a saúde, as redes sociais, a subsidiariedade, a solidariedade global como o desafio do século, o respeito ambiental… hoje entrecruzam-se não havendo margem para respostas simplistas. Há empresários heróis, existirão gestores oportunistas; há trabalhadores dedicadíssimos, existem trabalhadores “à boleia”; existem dados da economia com pressupostos de responsabilidade social, e existem outras visões e práticas que reflectem a noção “selvagem” que estás nas mãos que as comandam. Este tempo das grandes questões ajuda a diferenciar para não generalizar mas sim: compreender. Importa, por isso, fugir às épocas políticas pródigas em maximizar intencionalmente, urge que todo o político dos cidadãos se envolva na reflexão que pode gerar mais fruto. 3. Da organização da CEP, está agendado um grande Simpósio para 15 de Maio (no Centro de Congressos de Lisboa, antiga FIL), com a temática: Reinventar a solidariedade (em tempo de crise) – reconhecer, inspirar, mobilizar. Site: http://www.reinventarasolidariedade.org/ Reflexão aberta à sociedade civil!
Alexandre Cruz

Bênção dos Finalistas da Universidade de Aveiro

Domingo, 3 de Maio, 11 horas, na Alameda da Universidade

UM PASSO NO FUTURO


Num tempo que voou, Porque o vivemos a brilhar, Foram anos, trabalhos, cadeiras e canseiras sem parar! A todos, foram imensos, Eis chegada a hora de reconhecer: Olhar para trás, sentir o vencido mar, À Ria, às gentes de Aveiro agradecer! E se ao futuro a incerteza pertence Na hora sempre sofrida de partir, Fica-nos o sabor bem especial Da arte da esperança sentir! A Bênção é a nossa festa especial, Finalistas da academia vamos cantar! É o dia da unidade e grito maior Que nos leva aos céus a Deus louvar! Será, em mesa universal, a aula maior Onde a abundância da paz todos encanta…, Símbolos e Cursos, na Alameda, projectam o melhor… O sonho, o futuro, triunfo de agiganta!

Pobreza em Portugal continua, 35 anos depois do 25 de Abril

O antigo Presidente da República Mário Soares disse ontem, como ouvi na rádio, que se envergonhava de, passados 35 anos após o 25 de Abril, ainda não ter sido erradicada a pobreza entre nós. O País foi democratizado, a descolonização aconteceu, mas o desenvolvimento tarda em instalar-se na nossa sociedade. Os três D, afinal, estão em grande parte por cumprir. Mas a pobreza, santo Deus, é que teima em criar raízes em Portugal. As dificuldades dominam a situação e os pobres estão cada vez mais pobres. Como é isto possível? Quem pode andar por aí sem se envergonhar?

Gripe suína mostra a nossa fragilidade

A fragilidade em que vivemos está bem patente na ameaça de pandemia que aí está, com a gripe suína a preocupar toda a gente. Foi há tempos a gripe das aves, como tem sido com outras doenças. O homem vive, realmente, na corda bamba. E se é verdade que algumas pandemias podem ser anunciadas, como esta está a ser, também é certo que há outras que se insinuam sem ninguém dar por ela. Em Portugal, pelo que se sabe, ainda não entrou. Mas todo o cuidado é pouco. E já repararam que a mola real das pandemias assenta na globalização?

Inclusão do semelhante

Ser diferente ou existir em minoria é o estandarte para reivindicar a bandeira da inclusão. E com justiça, pois nunca são de monta as diferenças evocadas para distinguir pessoas, grupos ou etnias. A unir todas as particularidades está essa circunstância única que é a dignidade da pessoa: uma condição antes de ser um direito.
O problema não se colocará, no entanto, apenas em contextos de diferença. Também onde reina a semelhança não são poucos os episódios de exclusão, de diferenciação, de distinção subjectiva de pessoas, ideias ou projectos. E com o prejuízo que decorre dessas atitudes: para o próprio grupo, como também para toda a sociedade. São mais notórias essas “falsas-diferenças” quando emergem na história do presente exemplos de grandes feitos à custa da construção da unidade entre pessoas, ao redor de causas, sejam elas nacionais ou religiosas, mas sempre humanas. É o caso de S. Nuno de Santa Maria, o Condestável que rejeitava apenas o erro, o perverso, o corrupto para catalisar esforços em benefício de objectivos maiores. E com resultados históricos, uma Nação, e pessoais, a santidade, que estão agora diante de tudo e de todos. São também mais necessários os pequenos e os grandes contributos, todos os recursos, quando se quer “reinventar a solidariedade” que proporcione dignidade de vida a todas as pessoas, devolva a justiça e a paz às sociedades e permita a existência a todos os seres. São ainda esperadas atitudes solícitas de homens e mulheres que optam por de serem sinais e agentes de um novo Reino, proclamado há 2000 anos, apostado em fazer da ordem natural das coisas a lei por excelência para a relação entre pessoas e para o governo das coisas. Cada um na sua circunstância e seguindo sempre as pisadas de um Mestre que em todos os momentos fez a vontade d’Aquele que O enviou. Na era da fragmentação das pessoas, das coisas, do tempo e do espaço, urge devolver a continuidade e a estabilidade a projectos que visam a construção da dignidade humana. Na espera paciente por resultados positivos e duradouros e na inclusão de todas as partes: as que são diferentes e também as que são semelhantes. Paulo Rocha

Um poema de Domingos Cardoso

Palavras
Puras... são como um cristal as palavras Que baixinho ao ouvido me segredas; Com elas o meu peito inteiro lavras, De alva paixão semeias labaredas. Doces... palavras são como a fina trama Desse tear de enredos em que teces Os límpidos lençóis da nossa cama E onde, abraçada a mim tu adormeces. Frágeis... palavras são como a branca taça Por onde tomo um leve e suave trago: Bebendo, longamente, a tua graça, Perdido em teu sorriso eu me embriago. Leves... palavras são como a clara brisa Passando, fresca, ao fim das tardes calmas E o segredo que nelas se eterniza, É o que mantém unidas nossas almas.
Domingos Freire Cardoso

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Desafios do Condestável

1. Corria o ano de 1360, a 24 de Julho, segundo os historiadores em Cernache do Bonjardim nascia Nuno de Santa Maria. Aos treze anos torna-se pajem da rainha D. Leonor, sendo acolhido na corte e acabando pouco depois em cavaleiro. Quando da morte do rei D. Fernando I (a 22 de Outubro 1383), sem ter gerado filhos varões verifica-se o vazio no poder, a que seu irmão D. João Mestre de Avis responde envolvendo-se na luta pela coroa pretendida pelo rei de Castela. Os contextos difíceis da história da época de trezentos, sofrendo de profundas mazelas e de grave crise social, reclamavam visões e posturas claras de defesa da identidade e do património nacional, não que tal represente com os olhos de hoje um nacionalismo cego mas um dever de zelo comunitário inalienável. 2. Nuno Álvares Pereira toma o partido da defesa da nacionalidade no proteger D. João, o qual o nomeou Condestável, estratega e comandante supremo do exército, missão que levou a efeito com sucesso registando-se a 14 de Agosto de 1385, ao fim de muitas, a simbólica vitória de Aljubarrota que poria fim à crise da sucessão. Faz parte da história e da identidade dos portugueses – mesmo que sem mitologias – que, com a chegada de D. João I à coroa, se inicia uma nova era no desígnio das gentes da costa ocidente europeia, facto este (da base de sustentabilidade para o encontro de culturas operado nas descobertas) que também muito se deve à educação em valores universalistas dada aos filhos de D. João e Filipa de Lencastre. Um conjunto de valores e de confianças perpassaram nas gentes da época que, à semelhança de Nuno e D. João, terão sido pilares da edificação comunitária. 3. Muito se escreveu e se disse, nos vários prismas, sobre o acontecimento que no passado domingo elevou à santidade o militar com alma, apelidado na sua morte de “Santo Condestável” (Páscoa de 01-04-1431). Apurar a memória também será “desatar” alguns dos problemas actuais! Alexandre Cruz

O que os ovos moles tiveram de mudar para poderem ficar precisamente na mesma

Foram vários os caprichos da União Europeia que, por exemplo, roubou aos ovos moles a possibilidade de se aconchegarem em tabuleiros de madeira e os fez acamar em desconfortáveis grelhas de inox. Mas este mês chegou a hora da retribuição. As mais antigas e tradicionais doceiras, como a dona Silvininha, podem dormir descansadas, que a receita original já está protegida pela lei. Por Graça Barbosa Ribeiro (texto) e Paulo Pimenta (fotos), no PÚBLICO

O Condestável já não mobiliza ninguém

Em seis séculos, o Condestável perdeu capacidade de mobilizar o país e a Igreja. O homem a quem se reconhecem virtudes éticas mesmo na guerra e que foi capaz de renunciar a títulos e bens para andar descalço por Lisboa a pedir para os pobres não criou agora, com a sua canonização, grandes entusiasmos por parte do Estado, nem dos católicos. Esse vazio foi, aliás, ocupado (legitimamente) por sectores conservadores da Igreja e pela causa monárquica. Certo que o acontecimento de ontem era religioso. Mas quando o Estado se associa com entusiasmo a celebrações de futebóis, causa estranheza não ver mais empenho em relação a uma figura que marcou a História do país - para o bem ou para o mal, admitam-se as opiniões. 
A Igreja também não foi capaz ainda de vincar um discurso rigoroso e actual em relação ao novo santo - as duas intervenções do Papa, ontem, são disso exemplo. A hagiografia tem oscilado entre a "exaltação patriótica" do militar - que o patriarca de Lisboa teve a preocupação de rejeitar - e as virtudes e histórias que às vezes se confundem com lendas. Como dizia o cardeal Policarpo, faz falta que a história investigue mais a figura do Condestável. 
Falta outra coisa, que a canonização evidenciou: o segredo em que os responsáveis católicos colocam os processos das curas que permitem as beatificações e canonizações não ajuda a dar credibilidade a tais acontecimentos. Sentiu--se isso com a beatificação dos videntes de Fátima, sentiu-se de novo agora.
Ontem, o cardeal Saraiva Martins declarava-se "feliz" pela conclusão do processo, após "tanto trabalho" que teve para concluir em três meses o que levaria "cinco a seis anos". Ora, as dúvidas surgidas em tantos sectores da opinião pública (incluindo a católica) não podem ser olhadas de soslaio pelos responsáveis da Igreja. Para que os santos sejam mesmo modelos para quem os quer seguir.

António Marujo 27.04.2009

domingo, 26 de abril de 2009

A liberdade como tarefa

1. Por estes dias das comemorações do 25 de Abril, talvez mais que o hábito de cada ano até pela conjuntura social e política (de três eleições), ouviram-se da parte dos cidadãos as maiores generalizações, estas que são sempre reflexo de questões e valores ainda não justamente diferenciados e por isso não sábia e sadiamente amadurecidos. O valor da liberdade, mesmo que com a subjectividade que encerra, não é como um jogo de números ou um resultado de futebol. Pelas rádios nacionais de maior audiência, muitos foram os fóruns dedicados ao designado 25 de Abril. Muita da intervenção dos cidadãos revelou, dizemos, sinais preocupantes em termos cívicos, parecendo desnorteado o equilíbrio do bom senso e transvazando sempre para os «outros» os males do país, este também um hábito discursivo das lideranças políticas revelador do estado de sítio desculpabilizador. 2. O dizer-se num “de repente” radiofónico que, em termos do valor liberdade, antes era tudo mau e agora é tudo bom, ou, ao contrário, que agora é tudo bom mau e antes é que era bom, manifesta, mais que uma autêntica precipitação incorrecta em relação à história, um reflexo da maturidade cívica (ou não) da sociedade portuguesa. Esta forma típica simplista de analisar as questões ampla e profundamente complexas de modo rápido e pragmático, tem feito de nós mais um país de solavancos emocionais que de consistências de projectos envolventes em razão comunitária. Persistir na conclusão de que se algo no presente está mal (ou bem) resulta como consequência directa do que aconteceu há uma, duas ou três décadas, continua a dar aquele sinal do compromisso adiado das renovações urgentes no presente. 3. Os ângulos da liberdade serão infinitos, mas é certo que no tempo da história desafiam à garantia dos pilares da ética (pessoal e social) de responsabilidade. Será nesta bitola, não linear nem simplista, que haveremos de compreender que a liberdade nunca é um dado mas uma tarefa (diária) de todos! Alexandre Cruz

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