sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007
Sabedoria de Confúcio
Zeca Afonso

“Nasci em Aveiro; lembro-me de que jogava o pião e a malta dizia: -‘Ó pião de Aveiro, ó pião de Ovar…’; foi uma infância turva, ligada a uma tia que foi praticamente a minha mãe; vivia numa espécie de paraíso.” Assim o recorda Monsenhor João Gaspar, no seu livro “Caminhar na Esperança”, onde também recorda outras figuras gradas da nossa terra.
Mais adiante, lembra: “Descobri que sou neto de um livre-pensador de Aveiro, […] um republicano que esteve ligado a um movimento importante de renovação escolar. Chama-se Domingos José Cerqueira, […] que chegou a fazer uma ‘cartilha’, a segunda depois da ‘Cartilha Maternal’, de João de Deus.”
Depois desta evocação, para referenciar o artista que o mundo português, e não só, bem conhece, pela sua contribuição para a reconquista da liberdade e da democracia em Portugal, é justo sublinhar que Zeca Afonso influenciou toda uma geração que fez da arte de cantar a arte de despertar consciências para o respeito pela dignidade do homem. Cantando, soube acordar muita gente para que assumisse a luta pela instauração da democracia entre nós.
O artista da liberdade faleceu em 23 de Fevereiro de 1987, no Hospital de Setúbal, tendo-nos deixado uma mensagem muito expressiva, como recorda Monsenhor João Gaspar. “Nós não devemos apagar fogueiras, mas atear chamas!...”.
Talvez com a imagem de Aveiro e da sua Ria, disse noutra altura, cantando: “… tempo que leva tempo, meus amigos / regressam ternamente a suas casas; / com eles edifico uma morada! / Que Deus reme connosco na viagem!”
Fernando Martins
Um artigo de D. António Marcelino
Há anos recebi, a seu pedido, um jornalista de um jornal diário. Começou por uma pergunta, para mim sem pés nem cabeça. Por delicadeza tentei perceber e ir respondendo, mas logo fui por ele interpelado, perguntando-me se eu não sabia o que era a modernidade. Sem intenção de magoar ou humilhar, perguntei-lhe, por minha vez, o que é ele entendia por modernidade porque, sabendo-o eu, perceberia talvez a que propósito vinha a sua intervenção. Assim nos podíamos entender e tornar possível, entre nós, um diálogo válido. Retorquiu-me, incomodado, que o entrevistador era ele e não tinha que me dar nem explicações, nem respostas. Conclui que o bom do homem, com aquele incómodo e arrogância, não sabia nem fazia a mínima ideia do que dizia quando falava de modernidade. Apenas trazia consigo, bem forte, o preconceito de que a Igreja era contra…
Tenho, agora, a mesma sensação, quando ouço perorar, com entusiasmo, ministros e seus ajudantes, deputados e analistas, jornalistas e políticos de primeira linha, e até professores e cidadãos que se presumem de eruditos. Sempre todos em grande consonância. A torto e a direito, falam sobre assuntos diversos, não esquecendo, porque dá estatuto, de se referirem à modernidade e suas exigências. Muitos a traduzem por um laicismo serôdio, que quer atirar a Igreja para a sacristia, acordar velhas lutas e tirar-lhe qualquer influência na vida das pessoas e da sociedade. Alguns vão lá mais longe, porque nunca deram o salto no tempo de modo a purificar as tensões, fazendo perdurar as divisões de pensar e de agir, como se o mundo tivesse parado ou se reduzisse para sempre a dois blocos incomunicáveis, sempre dispostos a denegrir-se e a atacar-se mutuamente, na esperança de que algum deles morra ou desista primeiro.
A história diz-nos que a afirmação de um pensamento autónomo, quer religioso quer político, que está na origem da modernidade, nasceu como oposição a uma Igreja, demasiadamente influente nos povos da Europa, com falhas nos processos de relação e intervenções que extravasavam o sagrado. Embora o diagnóstico tivesse alguma objectividade, o movimento não foi facilmente aceite pela gente da Igreja, por razões que a história explica. As reacções iam provocando novas tensões num mundo ávido de autonomia. E, como a dogmatismos incómodos se iam contrapondo outros que o não eram menos, a serenidade para reflectir sobre os caminhos andados e projectar os futuros, não foi muita.
Deste modo, a Igreja foi sendo considerada empecilho do mundo novo que começava a nascer, com outros critérios e projectos. Esta ideia foi vingando. O poder político que surgia na Europa, por vezes com novas alianças religiosas contrárias ao catolicismo, foi carregando as cores, o pensamento filosófico que gerara a primeira ideia e a alimentava, deram suporte a movimentos políticos diversos que, impacientes ou com outros ventos no bojo, optaram pela perseguição e pela decisão de extermínio da Igreja e da sua anterior influência histórica. Vitórias passageiras, porque, não obstante as falhas inegáveis, não se apagam séculos de cultura, de promoção social e de desenvolvimento variado. Mas foram ficando marcas, acumulando-se preconceitos e sonhados, irreversivelmente, novos projectos de sociedade.
quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007
Papa anuncia documento sobre a Eucaristia
O Sínodo dos Bispos pode ser definido, em termos gerais, como uma assembleia de Bispos que representa o episcopado de todo o mundo e tem como tarefa ajudar o Papa no governo da Igreja, com o seu conselho, para procurar soluções pastorais que tenham validade e aplicação universal. Sendo um órgão consultivo, oferece “proposições” e não posições definitivas.
A partir destas propostas, Bento XVI teve a missão de redigir a exortação apostólica pós-sinodal, o documento baseado nas “proposições” aprovadas pelos padres sinodais. Para realizar este trabalho, o Papa contou com uma ajuda específica, um Conselho pós-sinodal de Bispos, eleitos tanto pela assembleia (12 membros) como por ele mesmo (3 membros).
Efeméride: "O Comércio do Porto" em Aveiro
Daniel Rodrigues, o segundo da direita,
em trabalho na Gafanha da Nazaré.
Da esquerda para a direita, Padre António Maria,
Fernando Martins e Padre Miguel Lencastre
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Recordar esta data é recordar a acção extraordinária dessa delegação e de quantos nela trabalharam, assumindo o seu papel como missão em prol da justiça e da verdade, sempre em favor das comunidades até onde poderia chegar a sua intervenção.
Daniel Rodrigues, mais um não-aveirense, oriundo das terras do demo, que se integrou, e de que maneira!, na cidade, foi exemplo de dedicação, de tenacidade e de coragem, nas lutas que teve de travar com muitos, sobretudo quando chegava a hora de denunciar o que estava mal. Sem temor, agia em conformidade com a sua consciência, ao mesmo tempo que mostrava terras e gentes do distrito, e não só, através de retratos humanos que fizeram história.
A Gafanha da Nazaré muito lhe deve quando foi preciso reivindicar o direito ao estatuto de Vila, precisamente nesse ano. Nessa altura, eu próprio o acompanhei em trabalhos jornalísticos, fundamentais à promoção desta terra em franco crescimento. Também, é certo, para lançar “O Comércio do Porto” nas Gafanhas. Na altura, pela prospecção que foi feita, apenas um exemplar se vendia, diariamente, no estabelecimento do senhor José Quinteles, junto à igreja da Gafanha da Nazaré.
F. M.
Um artigo de Ângela Silva, na RR
Frei Bento Domingues no CUFC
Estará presente Bento Domingues, teólogo, docente da Universidade Lusófona e colunista do PÚBLICO, para desenvolver o tema e animar o diálogo com todos os que o desejarem.
Estes debates integram-se no programa “Diálogo Inter-Religioso”, imple-mentado, há anos, pelo CUFC e destinado aos universitários, em particular, e aos aveirenses, em geral.
Novo quartel da GNR na Gafanha da Nazaré

Dom Manuel Clemente é o novo Bispo do Porto
Mensagem à Diocese
Ao sabor da maré - 6

Muitos dos que entravam na sala de espera vinham já de telemóvel na mão. Qual arma em riste. Pronta para o ataque. Os que vinham assim armados traziam os olhos fixos na máquina. Sentavam-se e começava a batalha do envia e recebe SMS, alguns usando uma rapidez incrível, com sorrisos nos lábios de quem está em diálogo interessante.
Ao meu lado, um mais velho, não parava de mexer no seu pequeníssimo aparelho, em jeito de quem joga qualquer coisa. Bem mirei e lá estava ele entretido, no carrega-e-carrega com um dedo ou outro.
Outros telefonavam por tudo e por nada: “Cheguei”, “Estou à espera”, “E por aí?”, “Vou sair mesmo agora”, “Onde nos encontramos?… e assim por diante.
Outros entretinham-se a mexer no telemóvel sem nada fazer de especial Parecia-me que estavam a tentar descobrir as suas múltiplas funções, muitas das quais nunca ou raramente se utilizam. E até crianças, quando chegavam, sentavam-se e reclamavam logo das mães os telemóveis para um joguinho…
Pensando bem, até acho melhor que cada um se entretenha com o seu telemóvel. Passa o tempo sem se aborrecer e… deixa de pegar em revistas velhas e gastíssimas pelo uso. Eu juro que nem lhes toco… sei lá por que mãos andaram…
F.M.
Um artigo de António Rego

Quem terá votado no sim e no não ao aborto? Dum lado foi longamente explicado que se tratava apenas de respeitar as decisões da mulher sem a mandar para a cadeia. Do outro argumentou-se que a conversa do sim era só parte da questão. O que estava em causa era sim ou não ao aborto, sim ou não à vida.
Mais de 50% dos eleitores não compareceu. Os que foram às urnas, do Norte, Centro ou Sul, decretaram a vitória do sim. Isto é, a maioria dos que votaram.
Logo foram tiradas ilações pelo governo: assim sendo, vamos legislar o sim. Transformar, com carácter de urgência, o político em jurídico. E surgem de imediato, divisões no sim: pausa para reflexão da mulher? Aconselhamento? Capacidade de resposta dos hospitais? Objecção de consciência dos médicos? Alteração do Código Deontológico? Vinculação jurídica ou política? Constitucionalidade ou não? Aprovação pelo Presidente da República? Capacidade técnica de acorrer aos pedidos de aborto? Prioridades adiadas na saúde? Entrega ou não à medicina privada?
O canto de vitória foi mais partidário que ideológico. Muitos “defensores da mulher”, pelo que se percebeu só a defendem nesta circunstância. As concepções que publicamente sustentam de sexualidade, casamento descartável, exploração comercial da mulher, fazem desconfiar de humanismos circunstanciais muito distantes da defesa da dignidade da mulher.
A Igreja em Portugal também se interroga: que pensam os 97,5 de portugueses que se declaram católicos, em questões de moral familiar? Que jogos de consciência individual esconde este referendo? Terão sido mesmo os católicos que disseram não? Ou, na dúvida, se desculparam com o dia chuvoso de Fevereiro, como o haviam feito num dia escaldante de Verão em Junho de 1998?
Seria bom que antes de tantas respostas prontas e interesseiras, todos nos interrogássemos, passado serenamente algum tempo sobre o referendo de 2007. Para alguns o resultado do referendo foi uma vitória do progresso e da modernidade. Ou será, como diz Humberto Eco no seu último livro que “a história se está a enrolar em si própria, caminhando velozmente a passo de caranguejo”?
O tema está em aberto e o diálogo precisa ser continuado com as pontes possíveis nas convergências fundamentais.
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007
Fecho de Centros de Saúde

Chaves, cidade transmontana que bem conheço e admiro, está hoje em protesto contra mexidas do Governo no estatuto do seu hospital, mas também contra o fecho de Centros de Saúde na região do Alto Tâmega.
Estas alterações nos Centros de Saúde, propostas por uma equipa de especialistas na matéria, têm gerado protestos a muitos níveis. Penso que alguns com legitimidade.
O que me choca é ver que no fundo quem vai sofrer é o povo humilde, pobre, com pensões miseráveis.
Em Chaves ouvi há pouco uma idosa protestar, e com razão. Diz ela que, agora, para vir da aldeia à cidade, ao médico, gasta 15 euros num táxi e o mesmo no regresso. E pergunta ela, apresentando-se como doente cancerosa, como é que pode viver com pouco mais de 200 euros de pensão.
A seu lado, uma mais arrebitada, disse: “Diga ao senhor ministro que queremos ser espanhóis.”
Quaresma

Arte na cidade
Figueira da Foz:
No edifício do tribunal da Figueira da Foz, junto ao jardim, há um painel de António Lino, que vale a pena ser apreciado. O tema, como não podia deixar de ser, é a justiça.
Quantas vezes por ali passamos sem nos determos na procura da mensagem do artista. O corre-corre da vida tem destas coisas. Nem nos deixa ver a arte que nos é oferecida de graça.
Sabia que...
Mensagem do Papa para a Quaresma

«Hão-de olhar para Aquele que trespassaram» (Jo 19, 37). Este é o tema bíblico que guia este ano a nossa reflexão quaresmal. A Quaresma é tempo propício para aprender a deter-se com Maria e João, o discípulo predilecto, ao lado d’Aquele que, na Cruz, cumpre pela humanidade inteira o sacrifício da sua vida (cf. Jo 19, 25). Portanto, dirijamos o nosso olhar com participação mais viva, neste tempo de penitência e de oração, para Cristo crucificado que, morrendo no Calvário, nos revelou plenamente o amor de Deus. Detive-me sobre o tema do amor na Encíclica Deus caritas est, pondo em realce as suas duas formas fundamentais: o ágape e o eros.
A palavra ágape, muitas vezes presente no Novo Testamento, indica o amor oblativo de quem procura exclusivamente o bem do próximo; a palavra eros denota, ao contrário, o amor de quem deseja possuir o que lhe falta e anseia pela união com o amado. O amor com o qual Deus nos circunda é sem dúvida ágape. De facto, pode o homem dar a Deus algo de bom que Ele já não possua? Tudo o que a criatura humana é e possui é dom divino: é portanto a criatura que tem necessidade de Deus em tudo. Mas o amor de Deus é também eros. No Antigo Testamento o Criador do universo mostra para com o povo que escolheu uma predilecção que transcende qualquer motivação humana. O profeta Oseias expressa esta paixão divina com imagens audazes, como a do amor de um homem por uma mulher adúltera (cf. 3, 1-3); Ezequiel, por seu lado, falando do relacionamento de Deus com o povo de Israel, não receia utilizar uma linguagem fervorosa e apaixonada (cf. 16, 1-22). Estes textos bíblicos indicam que o eros faz parte do próprio coração de Deus: o Omnipotente aguarda o «sim» das suas criaturas como um jovem esposo o da sua esposa. Infelizmente desde as suas origens a humanidade, seduzida pelas mentiras do Maligno, fechou-se ao amor de Deus, na ilusão de uma impossível auto-suficiência (cf. Gn 3, 1-7). Fechando-se em si mesmo, Adão afastou-se daquela fonte de vida que é o próprio Deus, e tornou-se o primeiro daqueles «que, pelo temor da morte, estavam toda a vida sujeitos à escravidão» (Hb 2, 15). Deus, contudo, não se deu por vencido, aliás o «não» do homem foi como que o estímulo decisivo que o levou a manifestar o seu amor em toda a sua força redentora.
terça-feira, 20 de fevereiro de 2007
Sabia que…
Desde 1998, já partiram de Portugal, como voluntários missionários, cerca de 2500 portugueses, para trabalhar em países lusófonos.
No nosso País, há aproximadamente 40 Movimentos ligados a congregações religiosas, paróquias, dioceses, universidades ou outras ONG (Organizações Não Governamentais) ligadas à Igreja Católica, que enviam voluntários, onde são acolhidos por missionários. A Diocese de Aveiro também tem os seus missionários e aceita boas vontades para trabalhar na Missão.
Mensagem quaresmal do Bispo de Aveiro
1- Na mensagem para a Quaresma deste ano, o Santo Padre Bento XVI escolheu o tema bíblico da Cruz para guiar a nossa reflexão: - “Hão-de olhar para Aquele que trespassaram” (Jo 19, 37). O Santo Padre convida-nos, assim, a determo-nos “com Maria, Mãe de Jesus, e com João, o discípulo predilecto, ao lado d´Aquele que, na Cruz, cumpre pela humanidade inteira o sacrifício da Sua Vida” (cf. Jo 19, 25).
Vincula-nos esta mensagem à essência da vida cristã, ao âmago da história da salvação e ao tema da primeira encíclica de Bento XVI: - “Deus é Amor”. É no mistério da Cruz que se revela plenamente o poder incontável do amor e da misericórdia de Deus pela humanidade.
“Olhemos para Cristo trespassado na Cruz! É Ele a revelação mais perturbadora do amor de Deus” - insiste o Santo Padre. “Mas aceitar o Seu amor, não é suficiente. É preciso corresponder a este amor e comprometer-se depois a transmiti-lo aos outros: Cristo ‘atrai-me para Si’, para que eu aprenda a amar os irmãos com o Seu mesmo Amor” (Bento XVI, Mensagem para a Quaresma de 2007).
“Olhar para Aquele que trespassaram” constitui assim, para a Igreja de Aveiro, a escola insubstituível de uma aprendizagem contínua, consolidada e consequente do amor de Deus e do amor dos irmãos. Só Deus é fonte de vida e de amor. Ninguém estranhe por isso que, quando nos falta essa fonte divina, cesse a vida e estio o amor.
Leia toda a mensagem em Ecclesia
Aborto
António Marujo, jornalista do PÚBLICO, diz hoje, num artigo de opinião dedicado ao referendo sobre a despenalização do aborto, que dois aspectos merecem reflexão“a) outra razão que ajudou ao insucesso do ‘não’ foi o silêncio mediático sobre o trabalho feito pelas associações criadas depois do referendo de 1998 e que têm uma acção meritória de apoio a grávidas, a mães adolescentes e a crianças. Muitos católicos estão empenhados nessas associações, várias delas nascidas à sombra de instituições da Igreja, mas isso é pouco divulgado e conhecido; b) em 1984, quando a primeira lei sobre o aborto foi aprovada no Parlamento, o objectivo era o de acabar com o aborto clandestino. Oxalá que o país seja capaz, agora, de resolver o problema. Para que, daqui a mais dez anos, não se esteja a votar num outro referendo.”
Citação
Pobreza
Ao sabor da maré
sábado, 17 de fevereiro de 2007
Um poema de Teixeira de Pascoaes
O sol, sombra de Deus, ressuscitou.
Nos montes, derreteu a neve fria.
E um raio só doirado dissipou
O nevoeiro que tudo escurecia.
Na minha noite lívida passou
Como divina aparição do dia!
Quero cantar a virgem Primavera!
Quero gritar ao mundo: Vive e espera!
in “Obras Completas”, VI volume
Inverno
Tecendo a vida umas coisitas - 11
Quando somos confrontados com essas insistentes e inocentes perguntas, é normal sentirmo-nos desarmados e só então a posição de quem acalenta a vida e se deixa desafiar e acalentar pela mesma vida nos permite ir ao encontro da curiosidade infantil e prepará-la para a realidade que a espera ali à esquina.
A “Monografia da Gafanha”, do P. João Vieira Resende, tornou-se um dos meus livros de cabeceira há muitos anos. Venham daí comigo e vamos relembrar algumas coisitas que ele teima em nos repetir desde 1940!
«Denomina-se Gafanha toda a região arenosa dos concelhos de Ílhavo e Vagos com cerca de 25 quilómetros de comprimento por 5 de largura, abraçada do Norte ao Sul (lado poente) pelo rio Mira e do Norte ao Sul (lado nascente) pelo rio Boco, afluentes da Ria de Aveiro, e confinando pelo Sul com uma linha que, saindo dos Cardais de Vagos, vai fechar ao Norte do lugar do Poço da Cruz, freguesia de Mira. Pela identidade da sua origem, topografia, condições de vida, costumes, etc., consideramos como uma continuação da Gafanha a duna situada naqueles dois concelhos, entre o Oceano e a Ria.»
Acompanhemos ainda o P. Resende:
«É bem conhecida a formação recente desta linda e ubérrima região, que em tempos imemoriais foi banhada pelas águas do Atlântico, e que agora oferece, na majestosa amplidão da sua campina, um panorama cheio de luz, emoldurado pelas espelhentas águas do Oceano e da Ria, onde brincam, como mariposas, mil barquinhos de velas pandas, a esvoaçar.»
Isto vem logo na página 1; e, depois de ir expondo a sua opinião e as suas dúvidas, atira-nos com esta pergunta de sonho:
«E não temos nós o caso da tão falada, e lendária vizinha, a submersa Atlântida?» (pág. 5)
Mais à frente, página 8, afirma, como quem estudou bem o assunto:
«Pela aproximação dos documentos de 1088, 1096 e 1296 que o sr. dr. Rocha Madail transcreve do “Livro Preto” da Sé de Coimbra, no “Illiabum”, radica-se em nós a opinião de que foi naquelas épocas que a barra do Boco deixou de funcionar directamente com o mar, e que as suas águas, impotentes da duna que viria a ser a Gafanha, faziam o seu movimento de evasão através dos baixios fronteiros, e bem assim pelo prolongado e actual canal do Boco morto, para a instável barra do Vouga.»
E remata as suas considerações com estas deliciosas palavras (pág. 9):
«Deixemos agora os geólogos e os naturalistas a contas com possível, e, por enquanto, enigmática Gafanha antiga, e tateemos um pouco esta Gafanha que os nossos olhos contemplam à luz deste sol esplendoroso, que se derrama a jorros pelas suas areias, pelas suas searas, pelas suas flores e pelas suas águas.»
[Escreveu só mais 356 páginas!]
De facto, muitos se têm debruçado e estudado esta região e chegaram à conclusão de que os cordões dunares da Ria se desenvolveram entre os séculos X e XVIII. Esperemos que outros estudos mais circunscritos à nossa península nos ajudem a continuar a leitura do P. Resende.
Bons passeios aproveitando as tardes soalheiras que este Fevereiro nos vai oferecendo.
Manuel
sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007
Exposição no Santuário de Fátima
Promessa, do livro "Fátima", de Leopoldo Nunes, 3ª edição, 1928
Isabel Maria Alçada Cardoso, presidente do Centro Cultural de Lisboa Pedro Hispano, recorda que a mostra foi “apresentada na última semana de Agosto de 2003, por ocasião da XXIV edição do Meeting para a Amizade entre os Povos, manifestação cultural constituída por conferências, debates, testemunhos, exposições, espectáculos e eventos desportivos, que, todos os anos, ininterruptamente desde 1980, na última semana de Agosto, acontece em Rimini, Itália”.
Defesa da vida

D. Carlos Azevedo, Secretário da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), na apresentação da Nota Pastoral hoje divulgada, referiu que a maioria dos portugueses não se pronunciou no referendo, mas o sim ganhou “sendo este um sinal de mutação cultural”, onde faltam valores humanos éticos fundamentais. É neste contexto que a Igreja é chamada a exercer a sua missão “e vamos fazê-lo”, sublinhou D. Carlos Azevedo, pois só assim “os grandes valores éticos se fazem presentes para a compreensão e exercício da liberdade”.
A CEP considera que o debate no referendo esteve centrado na defesa de um projecto de lei que “ao procurar despenalizar acaba por se legalizar o aborto”. Por isso o combate pela vida humana “carece agora de mais intensidade, de novos meios”, mas com os objectivos de sempre. O ajudar as pessoas, esclarecer as consciências e criar condições para evitar o recurso ao aborto, “legal ou clandestino”, luta que deveria empenhar toda a sociedade portuguesa: “Estado, Igrejas, movimentos e grupos da sociedade civil”.
A CEP considera um sinal muito positivo a “mobilização nas últimas semanas em luta pela vida humana”, mas deve permanecer activa e encontrar “respostas para continuar este debate civilizacional”.
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Leia mais em Ecclesia
Uma boa proposta
http://www.casadaleitura.org/.“CASA DA LEITURA”
ABRE PORTAS AOS MAIS NOVOS
A Casa da Leitura é um projecto inovador de promoção da leitura destinado a um universo alargado de medi-adores (bibliotecários, professores, pais, jornalistas, etc.), bem como ao mais generalista dos públicos, que podem colocar, de modo criativo e através de um conjunto diversificado de recursos, os livros ao alcance da curiosidade de leitores da mais tenra idade até à adolescência.
Inteiramente apoiado pela Fundação Calouste Gulbenkian, con-cebido por António Prole e dinamizado por uma equipa composta por especialistas em literatura infanto-juvenil, leitura e mediação leitora (Ana Margarida Ramos, António Prole, Fernanda Leopoldina Viana, João Paulo Cotrim, Rui Marques Veloso, Sara Reis da Silva, Cristina Taquelim e Susana Silvestre), este portal de promoção da leitura em meio familiar e escolar, é a primeira fase de um projecto mais amplo e em progressiva construção, que, dentro de um ano, dará origem a um outro site com objectivos semelhantes, desta feita especialmente dirigido ao público mais jovem.
Neste momento, a Casa da Leitura disponibiliza recensões de mais de 400 títulos, “uma colecção literária multifacetada e rica para estas idades”, garantiu uma das coordenadoras, Ana Margarida Ramos, na inauguração do portal, no dia 9 de Fevereiro. Nesta montra, encontram-se alguns clássicos ou obras de língua estrangeira, mas sobretudo títulos recentes, que serão actualizados sema-nalmente, “em alguns casos, com desenvolvimento e comentário e acompanhados da respectiva capa e de uma dupla página do miolo do livro, quando este é ilustrado”, explicou outro dos coordenadores, o jornalista João Paulo Cotrim, apresentando o site.
A escolha tem em consideração a qualidade estética e literária das obras, que surgem distribuídas segundo as competências de leitura das crianças: pré-leitores, leitores iniciais, leitores medianos e leitores autónomos. Em imagem iconográfica, o leque de opções vai “desde o pequeno mocho que ainda não saiu do ovo, até àquele que já sabe voar”, mostrou João Paulo Cotrim. Em cada uma destas categorias, pais, educadores ou curiosos encontram práticas criativas, capazes de captar a atenção da criança e de a motivar para leituras futuras, através de recursos diversificados.
Estas sugestões repartem-se pelas duas grandes divisões da Casa: SOL (Serviço de Orientação da Leitura) e ABZ da Leitura. Na primeira secção, é possível “passear” por “Livros da minha infância”, “Vidas e Obras”, “Temas” e “Livros de Outras Casas”. O compartimento ABZ da Leitura destina-se, em particular, a especialistas da área, divulgando bibliografia específica, orientações teóricas e informações sobre projectos ou sobre os laboratórios – com particular destaque para os dois dinamizados pela equipa da Casa nas Bibliotecas de Odivelas e de Beja –, que testam no terreno as práticas propostas. “Não temos um receituário”, sublinhou Ana Margarida Ramos. “Queremos dar testemunho do que está a ser feito e dos resultados obtidos em alguns casos, apontando caminhos. Só avaliando o que fazemos, podemos fazer melhor.”
Isabel Alçada, comissária do Plano Nacional de Leitura, elogiou o projecto, defendendo que “todas as práticas que se desenvolvam em torno da leitura são úteis”. O importante, acrescentou, “é levar as crianças a ler”.
Aberto o portal, João Paulo Cotrim deixou o convite: “A casa está aberta. Façam favor de entrar.”
Ao sabor da maré - 5
Torre de BelémOs melhores e os piores
Há programas televisivos curiosos. Curiosos, talvez por nascerem com boas intenções. Perdem, no entanto, a graça quando as boas intenções saem defraudadas por manigâncias em que há tanta gente especialista.
Os melhores e os piores portugueses de sempre aí estão para o provar, dando uma triste imagem da nossa incapacidade de olhar a história com inteligência, independência e honestidade. Por isso, há portugueses que estão nos dois grupos, por artes que ninguém conhece, de verdade.
Tenho visto alguns programas dessas séries televisivas e até ouvido alguns jornalistas e outras pessoas nas rádios e até lido nos jornais, e confesso que não perdi nada com isso, apesar de tudo, porque há sempre algo de bom e útil que se fixa na nossa memória. É o mérito dessas iniciativas. Mérito, porque nos revelam dados históricos que desconhecíamos ou estavam esquecidos. Mas também porque mostram aos mais novos facetas de homens e mulheres que foram de facto grandes, pelos serviços que esses portugueses prestaram ao País e até à humanidade. O demérito está em se falar de gente que nada fez digno de nota.
Claro que há muitos nomeados ou escolhidos que não merecem, na minha óptica, estar nos lugares em que se vai disputar o primeiro lugar. Mas isso só prova que houve gente que foi capaz de se agrupar para impor os seus ídolos, por mais ridículos que eles sejam, aos olhos da história.
E há tantos, heróis, artistas, santos, mártires, guerreiros, sábios, eu sei lá, de que ninguém se lembrou. Por isso, acho que, para além do avivar da nossa memória que o programa da RTP nos ofereceu, os resultados acabam por ser injustos e redutores.
Fernando Martins
Acção de formação
Exposição na ex-Capitania
Um artigo de D. António Marcelino
Escrevo dois dias antes do referendo e faço-o de propósito para que não seja o resultado dos votos contados a in-fluenciar o meu pensamento. Poderei, assim, antecipar algumas reflexões oportunas, quaisquer que sejam os votantes a fazer a festa.
Quero deixar claro que o resultado final não me é indiferente. Tornei público o sentido do meu voto e as razões da minha opção. Não calei, nas últimas semanas, que estamos num momento muito importante e sério da vida nacional e que os êxitos e preocupações económicas dos governantes não podem deitar para debaixo do tapete o mundo de problemas sociais e humanos graves que temos diante dos olhos e não podemos ignorar. Há situações que põem a claro o respeito ou o desprezo por valores morais e éticos essenciais, que não só dignificam a pessoa, como dão consistência à comunidade que somos e esperança ao futuro que desejamos e necessitamos.
Porque as situações e os problemas são conhecidos, temos possibilidade de tirar, desde já, algumas conclusões que podem e devem perdurar para além das eleições.
Estes meses puseram ainda mais a claro que há, na sociedade portuguesa, fracturas e divisões muito grandes e projectos muito divergentes. Desde há muito, o pluralismo nas opiniões, atitudes e opções dos portugueses se foi constituindo um desafio à convivência pacífica e ao respeito pela diferença. Uma realidade que não dispensa a mútua aceitação, o diálogo aberto, a tolerância activa, a liberdade ao alcance de todos, para que cada um se possa afirmar e exprimir, sem que seja por isso minimizado nos seus direitos de legítima cidadania, ou considerado a mais nesta terra que é também sua.
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007
Imagens de Aveiro
Fotografia marítima

Dessa viagem ao país dos pescadores, o fotógrafo compôs um álbum de emoções, de figuras e cenas emolduradas sob impecáveis grafismos.
O trabalho de Bill Perlmutter é, seguramente, uma das melhores colecções de "fotografia marítima" que se fizeram e guardaram em Portugal.
Está em exposição na galeria de fotografia do Museu Marítimo de Ílhavo até 1 de Abril.
Pobreza
Este é o objectivo da campanha mundial “Faça a ajuda funcionar. O mundo não pode esperar” (Make aid work. The world can’t wait), lançada na passada quinta-feira, em Roma, pela rede de Caritas Internacional (CI) e pela aliança CIDSE (Cooperação Internacional pelo Desenvolvimento e a Solidariedade).
Trata-se de solicitar aos líderes do Grupo dos Oito (EUA, Canadá, Japão, Reino Unido, França, Itália, Alemanha e Rússia) que cumpram os acordos alcançados em 2005 na reunião de Gleneagles (Reino Unido): mais ajuda ao desenvolvimento e perdão da dívida. As organizações católicas querem lembrar a estes responsáveis políticos que, entre as suas prioridades, deve estar a luta contra a pobreza nos países em vias de desenvolvimento, a maioria dos quais está na África. Mais informação sobre a campanha em www. make-aid-work.org
Estórias da Ria

No último Fórum do Centro Universitário Fé e Cultura, sobressaiu a relação umbilical entre a cidade de Aveiro e a Ria. “Aveiro existe graças à Ria” e “Aveiro e a Ria de braços dados” foram algumas das frases ditas sobre esta relação. Mas também: “A Ria está abandonada” ou “Quem dá um passeio na Ria desanima” (por causa do lixo e degradação que se vêem). Numa “conversa aberta”, moderada pela docente universitária Teresa Fidélis, na noite de 7 de Fevereiro, tiveram a palavra Monsenhor João Gonçalves Gaspar, historiador e vigário-geral da Diocese, e Élio Maia, presidente da Câmara Municipal de Aveiro que sugeriu a criação de uma Fundação para a Ria. O público contribuiu com intervenções apaixonadas.
Aveiro: Carnaval

Como manda a tradição, a paróquia da Glória vai animar as ruas da cidade com festejos carnavalescos. Porque, como sempre se disse, a Igreja tem de estar com o povo, nas suas alegrias e tristezas. Sempre foi assim, sem exageros, que esses não serão permitidos,neste carnaval da paróquia da Glória.
Importa dizer que o Carnaval da Glória envolve muita gente, num esforço generoso de criar e organizar carros e grupos que levem para as ruas as alegrias, os ditos jocosos, as críticas oportunas, mais cor e música, tudo para animar crentes e não crentes, num divertimento sadio.
Aveiro e as suas gentes merecem tudo isto, porque tristezas não pagam dívidas e a vida tem de ser vivida com alegria e optimismo, cultivando a fraternidade e a harmonia entre as pessoas, os bairros, as instituições e os lugares típicos da cidade. Mas ainda entre cagaréus e ceboleiros, entre os aveirenses todos e os que vierem.
Bom Carnaval para todos, mesmo em tempos de crise.
Ílhavo: Carnaval

Neste mês de Carnaval, dedicamos a rubrica “A Nossa Gente” à personagem mítica dos Cardadores de Vale de Ílhavo. Figuras ímpares no mundo, quer pelo colorido dos seus trajes quer pelas suas exóticas actuações, sempre envoltas em mistério mas respeitadas por quem as observa.
De origens conturbadas e especulativas (alguns referem a sua origem nos Índios) constituem o fascínio e a atracção curiosa de muitas pessoas, com os seus gritos e enormes saltos. Dão corpo a estas figuras que saem às ruas para “cardar”, os homens, geralmente solteiros, que, em contornos de secretismo e corporativismo, fazem as máscaras e vestes tornando-os irreconhecíveis. É dito que no início dos festejos a carda era real, posteriormente os picos foram substituídos por lixa, e hoje em dia a carda é composta unicamente por duas tábuas lisas.
Os cardadores fantasiam-se com máscaras feitas de pele de carneiro, roupa interior feminina, meias até ao joelho e vários chocalhos amarrados à cintura. Nas máscaras, os olhos são desenhados e pintados com cortiça, o formato do nariz é feitos com panos vermelhos e o bigode com pêlo de rabo de boi. Na parte de trás da máscara, prendem-se as fitas de papel coloridas, curtas e estreitas, denominadas de paródias. Nas costas do cardador são cozidas à sua indumentária, fitas largas e compridas do mesmo papel.
Vale a pena uma visita ao corso carnavalesco de Vale de Ílhavo para apreciar estas personagens ao vivo. Aqui fica o nosso convite!
:
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007
Leis de bom senso no aborto

"Sem que isso possa significar uma intromissão nas competências de outros órgãos de soberania, espero que se procurem soluções de bom senso, equilibradas e ponderadas que possam ajudar a unir os portugueses", afirmou Cavaco Silva, em declarações aos jornalistas.
Citação
Dia dos Namorados

Princípios
Podíamos saber um pouco mais
da morte. Mas não seria isso que nos faria
ter vontade de morrer mais
depressa.
Podíamos saber um pouco mais
da vida. Talvez não precisássemos de viver
tanto, quando só o que é preciso é saber
que temos de viver.
Podíamos saber um pouco mais
do amor. Mas não seria isso que nos faria deixar
de amar ao saber exactamente o que é o amor, ou
amar mais ainda ao descobrir que, mesmo assim, nada
sabemos do amor.
Nuno Júdice
:
antologia organizada
por Vasco Graça Moura
Museu de Aveiro
Com as obras a decorrer, que zonas do Museu é possível visitar neste momento? O Museu não fecha durante este período, fomos adaptando o circuito e reduzindo-o de acordo com o avanço da obra. Vamos entrar agora na última fase que é o circuito de visita: composto pela Igreja de Jesus, sala do túmulo da Princesa Santa Joana e acrescido da visita à Igreja das Carmelitas. Estamos a prever este cenário para Março. A entrada no edifício será feito pela Galilé, através da sacristia, a partir da qual poderá depois fazer-se a visita à Igreja de Jesus e à sala do túmulo de Santa Joana. Será também sugerida a visita às Carmelitas. Vamos assegurar a abertura e gerência através de um protocolo com o IPPAR e outras entidades envolvidas, e a paróquia, que acolhem os serviços técnicos, na casa anexa às Carmelitas, e nós proporcionamos a visita à Igreja com o nosso pessoal.
Imagens de Ílhavo
Na Gafanha da Nazaré falta um monumento destes. Simples como todo o nosso povo. Mas que nos lembrasse que houve gafanhões que morreram nos conflitos armados. Penso que será fácil descobrir quem foram os nossos familiares e amigos que deram a vida pelo bem de todos.
terça-feira, 13 de fevereiro de 2007
UM ARTIGO DE ALEXANDRE CRUZ

não fechem as urgências!
1. Já não havendo espaço, tempo e lugar, para os ideais mais nobres e dignificantes da vida de cada ser humano, ao menos que não fechem neste país os serviços de urgência. Ou também será sinal de ser moderno e europeu o fechar das maternidades e dos serviços de urgências?! Não propomos nenhum referendo, não venha às tantas a votação, no meio da sua abstenção da indiferença ou da ideologia economicista, decretar que deverão ser encerradas as urgências! Não, o essencial nunca deverá ser referendável, em sociedades humanas e comunidades com valores o essencial nunca dependerá da opinião de uns ou de outros.
Diríamos que este é mesmo o tempo dos “profetas”, em todas as áreas da vida humana e cívica. Será o tempo dos “profetas”, isto é daqueles que numa consciência consciente do ideal, e visando abarcar o “todo”, não baixam os braços, não ficam pela rama dos assuntos, não se diluem nem confundem com os argumentos acessórios; pelo contrário, mobilizam-se com sensibilidade inclusiva na totalidade das suas forças no atrair a realidade social sempre deficitária para o sentido dos ideais mais dignificantes, estes sim que serão o único futuro com (vida e) futuro!
2. Tempo desafiador dos “visionários”, daqueles que às problemáticas apresentem soluções de VIDA e dinamismo criativo em áreas transversais como uma educação que desenvolva os tesouros de formação integral para toda a pessoa humana; uma justiça que saiba resituar-se mais com a realidade da urgência de ser eficaz para ser significante e assim gerar mecanismos atentos anti-corrupção e de justiça social; da saúde que sempre mais viva o seu ideal de ajudar a viver com dignidade cada pessoa na sua complexa situação; da segurança e acessibilidade que hoje nos proporcione mais a garantia da estabilidade social e de “pontes” para todos na vivência de comunidade inclusiva; hoje será mesmo o tempo dos “profetas” das profissões de cada um que, na base da responsabilidade de todos, vejam reconhecida dignamente a sua viagem de vida e não sejam unicamente números de um sistema que anseia cêntimos de obsessão em todos os lados. Há vida(s) para além do cêntimo!
Este será mesmo - na era de todas as formações e informações globais - o Século da solidez do SENTIDO DA VIDA e dos valores das pessoas em que, depois de tudo estudado, decorado ou gerido, brilhará (ou a luz ou a escuridão), como síntese de tudo, a noção dos valores, dos princípios, dos ideais, da ética, da sensibilidade e liberdade com responsabilidade. O tempo presente (convite atraente, como em nenhum outro tempo histórico, às noções de facilidade, cariz prático, gerador de “ausências” e “vazios”) continuamente será um decisivo convite à não diluição dos valores fundamentais, à continuada afirmação dos tesouros que alicerçam os valores culturais, mas sempre com todos os diálogos interculturais que, assim, poderão criar novas sínteses de Humanidade em dignidade.
3. Uma síntese sem ilusões de que a ausência de identidades seja ponte de encontro comum (o nada mais o nada será igual a nada); sim, uma nova síntese com a afirmação partilhada das identidades estimulantes de todos, na busca de plataformas de encontros dignificantes (tanto que a Humanidade precisa desta base e ética mundial). Se formos a cruzar todos os modos de pensar e de viver que chegam até nós ao fim de milénios e de séculos de aberturas e descobertas do pensamento humano, a certa altura, descobrimos que somos das gerações mais pobres de sempre; não pobreza em tecnologia ou ciência que, como nunca, mostra-nos o fascinante mundo novo; mas pobreza de SER, de valores, de essência, de esperança, de partilha, de dignidade humana. É certo que (deste lado do mundo) já não vivemos em guerra; mas é irrefutável que, com todas as conquistas, deveríamos estar bem mais adiante, mas agora – usando mesmo sofismas de argumentação científica –, nas sociedades ocidentais, usamos a nossa liberdade para voltar para trás em termos de dignidade humana…
Iludimo-nos, hoje, com o prático, com o que dá mais jeito; entretemo-nos com todos os acessórios do mundo; …e perdemos o horizonte do ideal e do essencial; não há futuro que resista! Este futuro de menor qualidade está aí, todos os dias, em tantos modelos referenciais de baixa fasquia. Hoje, para quem governa o país a partir dos computadores do Terreiro do Paço parece mais prático (talvez para ir buscar cêntimos para a OTA e o TGV) redefinir o mapa e fechar urgências… Não é possível! A realidade da vida das pessoas ainda será importante para a arte de bem governar?!
4. É certo que pelo andar da carruagem estamos a fechar o país… Mas enquanto existirem habitantes não fechem as urgências. Fechem tudo o resto, mas por favor não fechem as urgências de Portugal! Ainda mora cá gente para quem a distância entre 30 minutos e uma hora e meia na viagem aflitiva para as urgências, numa carrinha dos bombeiros (que tem os apoios que tem e que terá depois…), pode significar a diferença entre a vida e a morte. Isto ainda diz alguma coisa a quem governa? Não propomos as urgências a referendo; fosse qual fosse a votação popular (sim ou não), as urgências – o essencial de saúde pública - deveriam estar abertas na proximidade das pessoas, para o serviço básico ao bem comum das populações.
APOIO ÀS MULHERES E FUTURAS MÃES
UM ARTIGO DE ANTÓNIO REGO

A DIGNIDADE
Os jornais regionais são uma espécie de reserva ecológica da imprensa. Com o dom da proximidade, contam à comunidade de perto e de longe um pouco da sua vida e dos eventos mais significativos. Têm mesmo um tom familiar de quem sabe o que diz e conhece as pessoas de quem fala. Dir-se-á que têm os defeitos dos pequenos espaços circulares onde as narrativas da aldeia falam mais de pessoas que de ideias. Ou das ideias de apenas algumas pessoas. Mas quem está atento nota que algo mudou. A tecnolo-gia veio acelerar um processo de construção muito mais moderno. As fontes de informação multiplicaram as suas potenciali-dades, a região ganhou uma soberania e afirmação que desconcerta e interroga os que julgavam que apenas na grande imprensa se fabricam as ideias dum país.
É sabido que a Igreja teve um papel decisivo na criação e desenvolvimento da imprensa regional. Respondeu aos apelos da Igreja universal que foi acompanhando o nascimento e evolução dos media. No nosso país surgiu, na linha da Boa Imprensa, um grupo de jornais diários, semanários e mensais que durante muito tempo constituíram o grande veículo de circulação de ideias e informação nas dioceses e nas aldeias mais longínquas.
O poder político olhou muitas vezes com desconfiança para este vaivém de informações para os da terra e para os emigrados das grandes cidades do estrangeiro. Outras compreendeu essa função de unir uma família dispersa e alimentar uma chama pela terra que, por ser pequena, mais querida era. Foi nesse contexto e compreensão que surgiu o apoio à imprensa regional através do Porte Pago, ou seja, da difusão do próprio jornal. A partir de certa altura, porém (as flutuações do poder) iniciou-se a operação estrangulamento, com o intuito de apoiar os mais fortes e deixar cair os mais pequenos. A ideia parecia generosa, mas pretendia, na prática, favorecer a criação de alternativas a uma imprensa cristã já existente por outra que, com mais apoios oficiais, autárquicos e nacionais, que melhor reflectisse a voz dos donos. E os apoios alternativos então legislados que obrigavam os organismos do Estado a enviar 12 por cento da publicidade institucional para os meios de comunicação regional, ainda não chegaram. Isso mesmo o reconheceu o ministro dos Assuntos Parlamentares em Bragança, na celebração do 67º Aniversário do Mensageiro de Bragança. Por isso já valeu a sessão solene. Vejamos o que se segue.
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