quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Forte da Barra espera investidores


Há muito se espera o restauro do Forte da Barra, também conhecido por Castelo da Gafanha. O presidente da Câmara de Ílhavo, Fernando Caçoilo, adianta à Rádio Terra Nova que uma solução passará por investidores particulares que dessem vida àquele edifício de interesse público e histórico. Eu congratulo-me com a ideia, porque está provado à saciedade que as entidades oficiais não têm capacidade para isso. Portanto, venham os investidores. Diz o autarca ilhavense:  «O Forte, no âmbito do acordo com a APA, depende de investidores que assumam a recuperação. Todos lutaremos para que isso aconteça. Já esteve próximo mais não foi possível. Será mais fácil haver investidores com um ambiente de recuperação económica. Associando este equipamento acredito que o espaço destinado para equipamento hoteleiro no acesso ao Santo André possa ser importante. Temos a marina que não sendo fácil não está esquecida.»

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Miguel Ângelo morreu há 450 anos



«Miguel Ângelo (Michengelo di Lodovico Buonarroti Simoni) nasceu a 6 de março de 1475 em Caprese, então República de Florença, atual Itália, e morreu há 450 anos, a 18 de fevereiro de 1564, em Roma, integrada então nos Estados Pontifícios.
Escultor, pintor, arquiteto e poeta, Miguel Ângelo exerceu uma influência sem paralelo na arte ocidental. Os frescos no teto da Capela Sistina, cenário que a Santa Sé escolhe quer para a eleição do sucessor de Pedro quer para encontros com artistas e personalidades do mundo da cultura, constituem hoje, possivelmente, a sua obra mais conhecida.
Foi o primeiro artista a ser objeto de biografia - duas, para sermos exatos - enquanto ainda estava vivo.
Tornou-se aprendiz aos 13 anos, talvez depois de ultrapassar as objeções do pai, aprendendo do pintor mais proeminente de Florença, Domenico Ghirlandaio. O ensino ficou acordado por um período de três anos, mas Miguel Ângelo saiu no primeiro ano porque não tinha mais nada a aprender, conta um dos biógrafos.»

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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

São Jacinto celebra aniversário

Freguesia chega aos 59 anos com queixas sobre a “saúde”, mas com promessas de normalização das relações com a “mãe” Câmara Municipal de Aveiro (CMA)

«S. Jacinto assinalou, ontem, o 59.º aniversário da criação daquela freguesia. Entre queixas sobre o abandono a que se sentiu votada “nos últimos oito anos”, escutou Ribau Esteves garantir “tempos de mudança positiva” nas relações entre aquela freguesia e a CMA.
Ao Diário de Aveiro, António Costeira referiu que “a freguesia não está muito saudável, mas está à medida dos dias que vivemos actualmente, com muitas dificuldades, mas com a responsabilidade e o interesse em tentar melhorar”.»


Nota: Ao ler esta notícia, como leio, normalmente, o que a São Jacinto diz respeito, logo me lembrei dos bons momentos que lá passei como professor, durante dois anos. Mas também me lembrei de uma conferência proferida por Mons. João Gonçalves Gaspar, em 2003, nas comemorações do quinquagésimo aniversário da criação da paróquia, primeiro passo ou passo importante para a criação da freguesia, que ocorreu em 16 de fevereiro de 1955, por decreto governamental n.º 40.065.
Aqui ofereço ao povo e amigos de São Jacinto fotocópia do decreto da criação da paróquia, assinado por  D. João Evangelista de Lima Vidal, Bispo de Aveiro, em 3 de Fevereiro de 1953. E ainda uma fotocópia das assinaturas dos membros da Comissão "Pró - São Jacinto".




Nota: Imagens e referências retiradas da conferência proferida por Mons. João Gaspar em São Jacinto, a que tive o prazer de assistir.

QUARESMA DE 2014

Mensagem do Papa 




«À imitação do nosso Mestre, nós, cristãos, somos chamados a ver as misérias dos irmãos, a tocá-las, a ocupar-nos delas e a trabalhar concretamente para as aliviar. A miséria não coincide com a pobreza; a miséria é a pobreza sem confiança, sem solidariedade, sem esperança. Podemos distinguir três tipos de miséria: a miséria material, a miséria moral e a miséria espiritual. A miséria material é a que habitualmente designamos por pobreza e atinge todos aqueles que vivem numa condição indigna da pessoa humana: privados dos direitos fundamentais e dos bens de primeira necessidade como o alimento, a água, as condições higiénicas, o trabalho, a possibilidade de progresso e de crescimento cultural. Perante esta miséria, a Igreja oferece o seu serviço, a sua diakonia, para ir ao encontro das necessidades e curar estas chagas que deturpam o rosto da humanidade. Nos pobres e nos últimos, vemos o rosto de Cristo; amando e ajudando os pobres, amamos e servimos Cristo. O nosso compromisso orienta-se também para fazer com que cessem no mundo as violações da dignidade humana, as discriminações e os abusos, que, em muitos casos, estão na origem da miséria. Quando o poder, o luxo e o dinheiro se tornam ídolos, acabam por se antepor à exigência duma distribuição equitativa das riquezas. Portanto, é necessário que as consciências se convertam à justiça, à igualdade, à sobriedade e à partilha.»

Francisco, Papa 

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Um poema de Ary dos Santos

Por sugestão
do Caderno Economia
do Expresso

Arte Peripoética

Aristóteles, visita
da casa de minha avó,
não acharia esquisita
esta forma de estar só
esta maneira de ser
contra a maneira do tempo
esta maneira de ver
o que o tempo tem por dentro.
Aristóteles diria
entre dois goles de chá
que o melhor ainda será
deixar o tempo onde está
pô-lo de perto no tema
e de parte na poesia
para manter o poema
dentro da ordem do dia.
Aristóteles, visita
da casa da minha avó,
não acharia esquisita
esta forma de estar só.
Ele sabia que o poeta
depois de tudo inventado
depois de tudo previsto
de tudo vistoriado
teria de fazer isto
para não continuar
com que já estava acabado
teria de ser presente
não futuro antecipado
não profeta não vidente
mas aço bem temperado
cachorro ferrando o dente
na canela do passado
adaga cravando a ponta
no coração do sentido
palavra osso furando
pele de cão perseguido.
Aristóteles, visita
da casa da minha avó,
não acharia esquisita
esta forma de estar só
esta maneira de riso
que é a mais original
forma de se ter juízo
e ser poeta actual.
Aristóteles, visita
da casa da minha avó,
também diria antes só
do que mal acompanhado
antes morto emparedado
em muro de pedra e cal
aonde não entre bicho
que não seja essencial
à evasão da palavra
deste silêncio mortal.

Ary dos Santos,
em Adereços, Endereços.
Lisboa, 1965.

Ficção para compreender o mundo

«O ter-me tornado um leitor modificou-me muito, o livro e a leitura são talvez a forma mais reflexiva de olhar para o mundo e de o compreender. Percebe-se o mundo em parte pela televisão mas ela distorce a realidade, enquanto o livro… E não falo apenas do livro rigoroso do historiador mas da ficção. O Eduardo Lourenço dizia que conhecemos ainda mal como se vivia no Estado Novo porque há muito poucos romances e pouca ficção dessa época.»


 Eduardo Marçal Grilo, 
em entrevista a Maria João Avillez
 para o caderno 2 do PÚBLICO de hoje


CÓDIGO GENÉTICO (3)

Crónica de Frei Bento Domingues 
no PÚBLICO de hoje



1. Os seres humanos só podem viver como humanos acolhendo, criando e recriando, desconstruindo e reconstruindo as narrativas simbólicas da sua condição inacabada. Apesar de todas as máquinas de desumanização, nunca esgotaremos a música, a poesia, a literatura, a pintura, a beleza das civilizações antigas e modernas.

É próprio da linguagem simbólica viver em figurações materiais, finitas, historicamente marcadas, em passagem permanente ao intemporal, ao infinito, superando-se na sua própria configuração concreta, limitada. A religião e as artes vivem do mesmo fundo de intranquilidade. Apesar de todas as tensões, têm, no impulso de transcendência, uma alma comum, que só morre ou se eclipsa quando instrumentalizada.

Como escreveu Fernando Pessoa, a literatura, como toda a arte, é uma confissão de que a vida não basta. Mas também não a pode substituir.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

OUDINOT SEM CHUVA




Estava com saudades de um dia sem chuva. Dá para ver que tive sorte. Há um velho ditado que diz: "Não há sábado sem sol, domingo sem missa e segunda-feira sem preguiça." Veremos se se confirma. Estou em crer que sim.

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O Papa e o maldito sexo. 2

Crónica de Anselmo Borges 

Papa Francisco


Num gesto sem precedentes, o Papa Francisco enviou aos católicos de todo o mundo um inquérito com 39 perguntas, para saber directamente e não já só pelos bispos o que se passa em domínios considerados tabu: novas formas de família, casais homossexuais, uniões de facto, relações pré-matrimoniais, divorciados que voltam a casar e a sua relação com os sacramentos, adopção, contracepção, uniões à experiência, educação religiosa das crianças...



FELIZES OS PUROS DE CORAÇÃO

Uma reflexão de Georgino Rocha 
para esta semana


Jesus sonha um homem novo, feliz, e faz a sua proposta de vida no ensinamento das bem-aventuranças. O local escolhido é a montanha que evoca o sítio em que Deus selou a aliança com o seu povo e lhe deu um código de comportamentos – os mandamentos. No Sinai, Moisés recebe a Lei. Neste monte, Jesus confirma o valor das promessas feitas por Deus e abre-lhe horizontes mais rasgados. 

O Reino – expressão usada para designar esta realidade – está já em realização e o coração prepara-se para o acolher e manifestar. Jesus vem não anular, mas potenciar; não denegrir, mas fazer brilhar; não aprovar os sinais exteriores, mas valorizar as atitudes interiores; não adiar a satisfação das aspirações, mas garantir que, desde já, a felicidade é possível se os ouvintes/discípulos viverem a sua proposta em todas as dimensões.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Mais um jornal online



Até ao fim do primeiro semestre do corrente ano, teremos mais um jornal online, que se afirma independente e fruto de «um novo grupo de comunicação que é 100% português e tem visão global». Nasceu «sem os condicionamentos do papel e assume o sei caráter inovador». Por cá fico à espera para ver e para ler... 

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Dia de S. Valentim - 14 de fevereiro

Crónica de Maria Donzília Almeida 
para o Dia dos Namorados


Gosto de pensar no amor 
na terceira idade como um renascer

As intempéries que têm vindo a assolar-nos, neste inverno tenebroso, tanto na meteorologia como na política deste país, têm dado o seu contributo para o humor depressivo deste povo paciente! São muitos os contratempos que a natureza nos tem apresentado e a capacidade de tolerância e encaixe vão diminuindo.
O inverno é mesmo assim, taciturno e melancólico. Mas, alegremo-nos, pois vem aí a efeméride que tem o condão de nos tirar deste torpor depressivo em que mergulhámos.
O Dia de S. Valentim, mais conhecido por Dia dos Namorados, já que estes pouco se importam com a figura do santo, aí vai estar com pompa e consumismo. 
As superfícies comerciais rejubilam com este evento, já que fazem medrar os seus rendimentos. As montras exibem toda uma panóplia de artefactos, que satisfazem os gostos mais requintados e fazem as delícias dos apaixonados.

"Evangelii Gaudium" desafia toda a Igreja

Padre Georgino Rocha considera 
a exortação "uma obra magistral"



O clero de Aveiro foi alertado para os inúmeros desafios lançados a toda a Igreja na exortação apostólica "Evangelii Gaudium". O padre Georgino Rocha, no último dia das jornadas de formação permanente, condensou os principais desafios do que considera ser "uma obra magistral" da autoria do Papa Francisco. 
O sacerdote aveirense afirmou, logo a abrir a sua comunicação, que a "Evangelii Gaudium" é um "texto muito agradável, bem exortativo, num estilo tipo anúncio querigmático".
Citando o presidente do Conselho Pontifício para a Nova Evangelização, D. Rino Fisichella, o sacerdote aveirense mostrou que há "uma continuidade de gestos e palavras" entre o Arcebispo de Buenos Aires, Jorge Mario Bergoglio e o Papa Francisco.


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Um livro para humanizar a sociedade

“Humanizar a Sociedade — Responsabilidade de todos 
Contributo dos mais vulneráveis 
Ensaios, propostas e testemunhos”


Este é o mais recente livro de Georgino Rocha, presbítero da Diocese de Aveiro com responsabilidades pastorais, culturais, académicas e outras, mantendo sempre uma «ligação aos mais vulneráveis e acompanhando grupos de intervenção nas áreas da pobreza, da doença, da prisão, da itinerância (designadamente dos ciganos), da formação de jovens, dos membros das conferências vicentinas e dos agentes da Cáritas», como se lê na contracapa. Com tal currículo, este trabalho é, à partida, uma mais-valia para a formação de crentes e não crentes envolvidos na problemática social e caritativa, todos decerto apostando na humanização da sociedade. 

Capela de S. Gonçalinho com mais 150 anos

Garante o historiador Amaro Neves 


Capela de S. Gonçalinho em dia das cavacas

«Quando, por ocasião das Festas de S. Gonçalinho deste ano, a Mordomia convidou Amaro Neves para intervir na cerimónia que visava assinalar os três séculos da capela, o historiador aveirense fez questão de avisar que não concordava com a tese dos 300 anos do templo.
A mordomia de S. Gonçalinho, presidida por Fernando Catarino, demonstrando saudável 'fair-play', manteve o programa e deu liberdade total de intervenção a Amaro Neves. O historiador gostou e lembra-se de, no dia da sessão que decorreu na Capela de S. Gonçalinho, ter dito que trazia uma prenda: "Mais 150 anos".»

A vergonha do aborto gratuito

Crónica de João Miguel Tavares no PÚBLICO 




De todos os temas dito fracturantes, nenhum é tão complexo como o aborto. Ao mesmo tempo que não existe consenso possível sobre o significado de “vida” e de “pessoa”, é igualmente impossível defender que o feto é apenas uma agremiação de células indistintas, como quaisquer outras.
O que ali está pode não ser “vida”, mas “vida em potência” é certamente, e este simples facto, em conjunto com uma vontade genuína de compreender os argumentos de ambas as partes, poderia ter conduzido o governo que conseguiu a liberalização do aborto até às 10 semanas a um mínimo de equilíbrio e de prudência quando se tratou de propor a regulação da lei n.º 16/2007. Não foi o que aconteceu. O aborto até às 10 semanas não só passou a ser permitido por opção da mulher, como lhe foi dado um estatuto equivalente ao da gravidez: isenção de taxas moderadoras e licenças até 30 dias pagas a 100%.

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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

O Miguel Lencastre (Padre)

Um texto de José António da Piedade Laranjeira,
no Correio do Vouga de hoje

Padre António Maria, Fernando Martins, Daniel Rodrigues e Padre Miguel Lencastre


O "Correio do Vouga" de hoje (22 de janeiro) dava, para mim, a inesperada notícia: "Faleceu no Brasil, aos 84 anos, o padre... Miguel Lencastre". Notícia que me apanhou em falta para com o Miguel, o que, mais uma vez, veio pôr em evidência o "não guardes para amanhã o que podes fazer hoje". Foi uma triste notícia que me pôs a recordar os tempos em que nos conhecemos e partilhámos, com mais noventa e oito colegas, uma antiga cavalariça transformada em caserna, ali na Escola Prática de Artilharia, sita na então vila de Vendas Novas, no Alentejo.
Éramos soldados-cadetes a frequentar o curso para oficiais milicianos e por lá passamos, em conjunto, as agruras, para quem não é da região, do clima do alentejo (calor de desmaiar e frio de rachar), e vencendo as dificuldades próprias do curso lá saímos com o posto de Aspirante a Oficial Miliciano.
Mas o Miguel não era fácil de se submeter às rígidas normas militares e era um dos mais irreverentes, encontrando saídas inesperadas para algumas situações que ofereciam riscos se fossem detetadas. Era um gosto vê-lo a planear as suas "manobras táticas" e foi um gozo quando, na récita que organizamos para a festa de encerramento do curso, ele e mais uns tantos se apresentaram como as "mais delicadas e elegantes bailarinas de um ballet russo contratado para aquela récita".
Em tempo, como estudante de Coimbra de capa e batina, viveu uma situação engraçada aqui em Albergaria-a-Velha, pois, pedindo com um outro colega boleia na Estrada Nacional n.°1, na proximidade da Branca e sob chuva intensa, foram atendidos por um automobilista que perante a situação os levou para a Casa Alameda, onde jantaram e dormiram. No dia seguinte, manifestaram interesse em agradecer ao senhor que tudo tinha pago e que devia ser um viajante de alguma empresa e ficaram estupefactos quando souberam que o benemérito era o médico Dr. Flausino Correia, a quem foram agradecer e convidar para participar no "Centenário da República" a que pertenciam.
Passados dias, tendo o Dr. Flausino Correia perguntado se poderia levar mais dois antigos académicos e um leitão assado e qual o traje para a cerimónia, veio a resposta: "Pode trazer os académicos com traje de passeio mas o leitão pode vir nu". (Não posso garantir mas esta resposta teve, de certo, dedo do Miguel.)
Entretanto, num dia de agosto, participando na missa que tinha lugar ao ar livre, na Praia da Barra, o padre que presidia deixou-me surpreso porque não me era estranho, mas a sua pronúncia de brasileiro levantava-me dúvidas, eliminadas quando, após a bênção, desceu do altar e veio-me abraçar. Tinha reencontrado o Miguel e logo ali o convidei para vir a Albergaria passar um serão connosco. Assim se verificou e fizemos-lhe a surpresa de também convidar o Dr. Flausino Correia e esposa e ali ficamos a conhecer outras facetas do percurso do Padre Miguel que usava o relógio de pulso voltado para baixo porque, como dizia... "é um símbolo da alteração da minha vida pois rodou 180 graus".
Do pouco que vivi ligado ao Miguel o que mais me impressionou foi o ter encontrado em Lisboa um nosso camarada de armas e este, à mesa do café, com um ar de muita preocupação, me ter dito: "Sabes como sou amigo do Miguel e ontem estive com ele e perante o que me confidenciou já decidi: vou entrar em contacto com a família e dizer-lhes que o Miguel não está bom da cabeça".
Perante a minha exclamação de surpresa e respectiva pergunta do porquê de tal decisão, a resposta veio seca: "Oh pá, ele quer ser padre... o Miguel!"
Quis ser... e foi.
Insondáveis e inesperados são os caminhos do Senhor.
Adeus, amigo. Descansa em Paz.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Dia Mundial do Doente



A Igreja Católica celebra hoje o Dia Mundial do Doente. E fá-lo para nos lembrar que os doentes devem merecer de cada um de nós uma atenção especial, envolvida pelo sentido da caridade fraterna, da disponibilidade a toda a prova, do amor incondicional. Quem sofre não pode ficar esquecido pelos seus amigos e muito menos ignorado pelos serviços de saúde estatais ou outros, nem tão-pouco pelos familiares próximos ou mais afastados. Mas ainda pelos colegas de trabalho e vizinhos.
Só quem já passou por períodos de doença mais ou menos prolongados saberá reconhecer, em plenitude, o valor dos cuidados que lhe dispensaram, o carinho e a simpatia de quem o visitou. Eu próprio, que estive acamado mais de dois anos na minha juventude, por doença pulmonar que hoje se trata sem cama, posso testemunhar a alegria que sentia quando amigos me visitavam, como dificilmente esquecerei a indiferença com que outros me distinguiram. A vida tem destas coisas. Os primeiros permanecem no meu coração, como é óbvio.
Então, que o Dia Mundial do Doente sirva, ao menos, para nos lembrar que há, garantidamente, amigos nossos que sofrem e que esperam a ternura da nossa amizade.

Pode ler a Mensagem do Papa Francisco para este dia.


A Gafanha

 

«[A Gafanha] Era um lençol desolador de areia branca, de dúzias de quilómetros quadrados, que os braços da laguna debruavam a norte, a leste e a poente, isolando do contacto da vida a solidão árida do deserto.
Lá dentro, longe das vistas, bailavam as dunas, ao capricho dos ventos, a dança infindável da mobilidade selvagem dos elementos em liberdade.
Brisas do mar e brisas da terra, ventos duráveis do norte em dias de estabilidade barométrica, e rajadas violentas de sudoeste a remoinharem no céu enfarruscado de noites tempestuosas, eram quem governava o perfil das areias movediças cavadas em sulcos e erguidas em dunas de ladeiras socalcadas a miudinho.
Era assim a Gafanha do tempo dos nossos bisavós: deserto enorme de areia solta, a bailar, ao capricho dos ventos, o cancan selvagem de uma liberdade sem limites.
Um dia, não longe ainda, um homem atravessou a fita isoladora da Ria e pôs pé na areia indomável. Não sabe a gente se o arrastava a coragem do aventureiro, se o desespero do foragido. De qualquer modo, ele fez no areal a sua cabana, à beira da água, e principiou a luta de gigantes do Gafanhão contra a areia.»

Joaquim Matias,
in Arquivo do Distrito de Aveiro,
vol IX, página 317

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

O Mar pode chegar à Ria




Carlos Coelho: 

“O mar pode chegar à ria em menos de 30 anos 
mas o cenário de não fazer nada é pouco realista”

«Se nada for feito em 30 anos o mar estará ligado à ria. A ideia foi transmitida por Carlos Coelho, investigador do departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro. Ouvido esta semana em seminário organizado pela Delegação Distrital de Aveiro da Ordem dos Engenheiros, o investigador falou de uma progressão que se agrava com as condições climatéricas.


Grandes veleiros em 2016?

No Diário de Aveiro de hoje

Grandes Veleiros (Foto do meu arquivo)

Ílhavo quer voltar a acolher a festa 
dos grandes veleiros em 2016

Paulo Costa, que assume pastas como as da Cultura ou Turismo na Câmara de Ílhavo, avançou, ao Diário de Aveiro, a possibilidade de o município voltar a receber um grande evento náutico internacional. Prometida fica também a requalificação daquele que é um dos maiores cartazes do município, o Festival do Bacalhau

Jornalista:  Maria José Santana


Paulo Costa (Foto do meu arquivo)

Diário de Aveiro: Assume um dos novos pelouros da Câmara Municipal de Ílhavo, o da Maioridade. Porque decidiram ter um pelouro dedicado aos seniores?

Paulo Costa: A Câmara de Ílhavo tem, há já vários anos, diversas políticas que têm como público-alvo esta franja da nossa população, a que decidimos chamar de maioridade. Mas achámos que era necessário ter uma intervenção mais estruturada, mais profunda e envolvendo mais parceiros. Para isso, considerámos que seria importante, neste mandato, que fosse criado o pelouro da Maioridade. E foi assim que ele surgiu.
A esta altura, temos já preparado um conjunto de acções para, durante os próximos quatro anos, fazermos grandes mudanças e investimentos a este nível. Inaugurámos, há um ano, o Fórum Municipal da Maioridade; temos, há vários anos, a Semana da Maioridade; além de outros projectos para os idosos. Agora, estamos a preparar tudo para que, durante este ano, possamos, então, trazer à luz do dia um conjunto de projectos novos, que já estão a ser preparados.

Isso tem a ver também com o facto de a franja da população idosa ser cada vez maior…

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Código genético (2)

Crónica de Frei Bento Domingues  
no PÚBLICO de hoje



1. Nada é inocente, nada está irremediavelmente perdido, tudo precisa de nascer de novo, a começar pelas palavras da fé cristã e dos seus rituais. A dignidade essencial do ser humano manifesta-se, precisamente, na capacidade de se interrogar, de se corrigir, de mudar de rumo, de não se conformar com o mundo tal como se apresenta. A história do cristianismo está carregada de ambiguidades, de equívocos, de pecados, mas a conversão faz parte do seu caminho de reencontro com o seu “código genético”.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

MIRÓ: Há males que vêm por bem



Por causa do leilão de obras de Miró, que um banco  tinha guardadas num armazém, escondidas do público e porventura à espera da melhor altura para ganhar mais uns milhões, o mundo ficou a saber muito mais sobre o grande artista catalão. Esta história, passada como telenovela   nas nossas TV, tanto falou do artista e dos seus quadros, cada um dos quais a valer fortunas, que a arte até saiu valorizada, porque mais conhecida. Não será verdade que imensa gente recorreu à Net para saber algo do artista consagrado e dos seus trabalhos? Penso que sim. Dá mesmo para pensar que há males que vêm por bem... Quero admitir que, sendo o banco menos legal nos seus negócios, como à boca cheia se apregoa,  nos armazéns só havia arte pura, muito longe de cópias ou  falsificações... 

DIABETES: Cura à vista?


(Imagem do DN)

«Cientistas norte-americanos conseguiram transformar células de pele normais em células pancreáticas produtoras de insulina, o que potencialmente abre a porta a uma cura para a diabetes.
Investigadores da Universidade da Califórnia reprogamaram células de pele, denominadas fibroblastos, retiradas de ratos e fizeram com que estas produzissem insulina, tal como as células do pâncreas, noticia a Press Association (PA).

O Papa e o maldito sexo. 1

Crónica de Anselmo Borges 




Não. Francisco não é o Papa dos "pobrezinhos", ao contrário do que, com menosprezo, escrevem certos comentadores. Ele é o Papa de todos, na justiça, na solidariedade, nas reformas da Igreja, e é esperável que tenha êxito.

Tem gigantescos desafios pela frente e, entre eles, está certamente a questão da sexualidade e da família no mundo actual. Nesse sentido, lançou um inquérito dirigido a todos os católicos do mundo e não apenas aos bispos e aos padres, precisamente sobre este tema, de tal modo que os fiéis todos puderam exprimir-se livremente a Roma, o que nunca tinha acontecido ao longo dos dois mil anos da Igreja. O Papa quer ter conhecimento directo da experiência e do pensar das pessoas sobre estas temáticas. Antes, a Cúria era informada pelos bispos, contendo os seus relatórios "mais desejos piedosos do que factos", como refere a Der Spiegel da passada semana (27 de Janeiro). Não se conhece ainda o número de respostas nem os seus resultados - em Portugal, o interesse parece ter sido diminuto e não se viu empenho forte por parte da Igreja oficial -, mas eles constituirão uma base de reflexão para o Sínodo extraordinário dos Bispos, em Outubro próximo.

A FORÇA DO SAL, O BRILHO DA LUZ

Uma reflexão de Georgino Rocha



Jesus “lança mão” de duas parábolas muito acessíveis aos seus discípulos para desvendar de forma assertiva quem eles eram e, consequentemente, qual a missão que lhes seria confiada. Condensa deste modo o ensinamento maravilhoso das bem-aventuranças e traça o perfil de quem as vive. Previne quanto ao risco de desvirtuar a novidade que comportam e adverte quanto à “ sorte” esterilizante que advém da corrupção e do engano. Realça com notável satisfação a força do sal e o brilho da luz, símbolos qualificados dos discípulos e selo inconfundível do ser cristão ao longo dos tempos. Também, hoje!

Timor-Leste ajuda Portugal

Timor-Leste doou mais 500 mil dólares 
a Portugal para ajudar vítimas dos incêndios


«O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, revelou nesta sexta-feira que o Governo timorense doou mais 500 mil dólares, para além do milhão anunciado em Setembro, ao Estado português para ajudar as vítimas dos incêndios.»


Ler mais no PÚBLICO

Nota: Aprecio a solidariedade e a cooperação entre países, comunidades e pessoas. Muito mais quando um pobre ajuda quem é suposta ou realmente mais rico, como é o caso. Um país como Timor-Leste, com tanta pobreza e ainda em fase de reorganização social, económica e política, ajuda o povo português. É certo que Portugal lutou ao lado dos timorenses para que a independência fosse uma realidade. Talvez por isso, a gratidão tem sempre lugar nas relações entre Timor-Leste e Portugal. E que este exemplo se estenda a todos nós, são os meus votos. 

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Para decifrar se tiver paciência...

Saquei isto do Delito de Opinião,
onde pode ler o original e um pouco mais 


«"falta cada vez menos para o kick-off deste jogo"
"alternar entre o aceleramento, o giroscópio e os dois joysticks"
"a proposta tem vários regimes e vários períodos de phasing out"
"o processo devia ter sido muito mais friendly user para os utilizadores"
"o event designer conta como gere a profissão"
"podia ser um storyboard"
"temos de buscar clusters de desenvolvimento"
"não se consegue compreender porque é que há este delay"
"as teorias de agenda-setting"
"criámos todo um sistema de back up"
 "downgrade sobre a dívida portuguesa"
 "o presidente fez o takeover"
"ele estaria a causar twitter storms constantemente"
"o mercado de credit default swaps atribui a Portugal uma possibilidade de default"
"case study na habitação"
"retalhistas omnichannel"
"hotel em Armação de Pêra é All inclusive"
"reestruturação de programas do daytime da SIC"
"se o governo quiser fazer um restyling, tudo bem"
"acessórios must have da estação"
"ficámos a saber o breakdown dos chumbos"
"é economic adviser do Governo"
"este país adora quick fixes"
"seria um trabalho de accountabillity útil"
"os estúdios a olharem ao espelho num blacklot em Hollywood"
"os respectivos artwork e streaming
"Portugal tem de descer os salários em relação ao core da zona euro"
"o partido funciona por key words"
"livrarias queer migram para a Net"
"a última filosofia para superar crises conjugais é o coaching familiar"
"sou uma fashion victim"
"vai ser criada uma safe house em Lisboa"
"poderá utilizar o crowdfunding"
"o governo não pode ceder nos valores core"
"tentativa de criação de um catch-all party"
"Ucrânia e Polónia preparam-se para o seu close-up"
"as contas são o nosso bottom line"
"Bolsa alvo de ataque de short-selling"
"ao Chelsea sai quase sempre bem o papel de underdog"
"um daft punk em pose de artes marciais"
"receio de ficar fora do loop"
"ex-ministro recomenda a criação de um imposto one shot"
"o percurso foi feito para ser TV-friendly"
"o investidor segue uma estratégia passiva de buy-and-hold"
"a dialéctica entre believers e haters"
"o cinema teve outros provocadores e outros pranksters"
"há muito ganhou o gosto do gimmick"
"anunciada por uma espécie de cliffhanger"
"este projecto é um wake up call fenomenal"
"o back-to-basics está para ficar"

Decifre quem quiser. E quem puder.»

Que a Comunidade Religiosa seja família

D. António Francisco, 
2 de fevereiro, 
Sé de Aveiro,
Semana dos Consagrados



«Que a Comunidade religiosa seja família onde se sente o afecto do acolhimento, o espaço do diálogo, a alegria da proximidade. Na Comunidade religiosa deveis procurar e encontrar a atenção de todas as horas, o sabor da amizade sã, a aprendizagem da gratidão, o valor suave da delicadeza, a mão que se estende, o sorriso que se entrelaça, o bem comum que se quer e se procura.»

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Praia da Barra à espera da época balnear



Praia da Barra não pode ter problemas 
de segurança na época balnear 

Estragos provocados pelo mar podem trazer problemas à segurança dos banhistas na próxima época balnear, mas a Câmara Municipal de Ílhavo está atenta à situação causada pelo mau tempo.
Marcos Ré, vereador do pelouro do Ambiente da autarquia ilhavense, afirmou, em declarações à Radio Terra Nova, que a destruição causada pelo mar na Praia da Barra «pode ter consequências na vigilância aos banhistas», uma vez que os concessionários assumiam parte da fatura com a segurança na época balnear, que implicava o pagamento aos nadadores salvadores. 
Marcos Ré sublinha que é bom começar a pensar, à distância, na organização da segurança nas praias, no verão. «Se até Maio o processo não for bem desenvolvido, admito que não haverá tempo para que 'alguém' se instale naquela zona, de forma a ter rentabilidade para poder ter 'vigilância' dentro da área que lhe compete e, caso isso aconteça, pode ser um problema», disse.


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Anotações pessoais de João Paulo II

Contrariando a vontade expressa do Papa



«Um livro baseado em anotações pessoais de João Paulo II foi hoje lançado na Polónia envolto em polémica, com documentos que deviam ter sido destruídos pelo antigo secretário particular do antigo papa.»

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Nota: Até que ponto é legítimo publicar notas de um Papa que determinou que as mesmas fossem queimadas pelo seu secretário particular? É caso para dizer, com toda a propriedade, que não se pode confiar em ninguém. O antigo secretário de João Paulo II traiu, consciente e deliberadamente, uma ordem do Papa que nele confiou. É mesmo de lamentar.


Não a uma economia da exclusão

«Assim como o mandamento «não matar» põe um limite claro para assegurar o valor da vida humana, assim também hoje devemos dizer «não a uma economia da exclusão e da desigualdade social». Esta economia mata. Não é possível que a morte por enregelamento dum idoso sem abrigo não seja notícia, enquanto o é a descida de dois pontos na Bolsa. Isto é exclusão. Não se pode tolerar mais o facto de se lançar comida no lixo, quando há pessoas que passam fome. Isto é desigualdade social. Hoje, tudo entra no jogo da competitividade e da lei do mais forte, onde o poderoso engole o mais fraco. Em consequência desta situação, grandes massas da população vêem-se excluídas e marginalizadas: sem trabalho, sem perspectivas, num beco sem saída. O ser humano é considerado, em si mesmo, como um bem de consumo que se pode usar e depois lançar fora. Assim teve início a cultura do «descartável», que aliás chega a ser promovida. Já não se trata simplesmente do fenómeno de exploração e opressão, mas duma realidade nova: com a exclusão, fere-se, na própria raiz, a pertença à sociedade onde se vive, pois quem vive nas favelas, na periferia ou sem poder já não está nela, mas fora. Os excluídos não são «explorados», mas resíduos, «sobras».»

Costa Nova de outros tempos

Um post de Ana Maria Lopes 
no Marintimidades




«Neste dia 2 de Fevereiro, domingo, em que todas as notícias amarguram, dia triste por natureza, apesar de soalheiro, em que o vento e a chuva miudinha deram tréguas, que fazer, que, de alguma maneira, distraia das intempéries marítimas e das péssimas notícias com que nos azucrinam a toda a hora?

Talvez jogar com imagens, palavras e memórias mais soalheiras!

Tive noutro dia o privilégio de ter ao meu alcance um «novo» arquivo fotográfico. Não muito vasto, mas com algumas relíquias. Nunca perco a oportunidade. Será sempre uma caixinha de surpresas. Às vezes, repetidas, mas boas.

E foi o caso.»

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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Porto de Aveiro na rede de portos comunitários


Governo português quer o Porto de Aveiro 
na rede prioritária de portos comunitários 




«O Governo português está a tentar junto das instâncias de Bruxelas que o porto de Aveiro integre a rede prioritária de portos comunitários que Bruxelas está a desenhar no âmbito do projecto do plano de investimentos anunciado na passada quinta-feira para o sector portuário comunitário, a aplicar a partir de 2014, inserido no novo Quadro Comunitário de Apoio, que deverá vigorar até 2020.
Segundo esse programa, que ainda não tem valores de investimento publicamente conhecidos, os portos de Lisboa, Leixões e Sines já estão inseridos, mas Sérgio Silva Monteiro está a tentar incluir o porto de Aveiro no pacote de apoios financeiros a aprovar.»

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Os Salmos: a anatomia da alma humana

Uma reflexão de Leonardo Boff




«Os salmos constituem uma das formas mais altas de oração que a humanidade produziu. Milhões e milhões de pessoas, judeus, cristãos e religiosos de todas as tradições, dia a dia, recitam e cantam salmos, especialmente os religiosos e religiosas e os padres no assim chamado “ofício das horas”diário.
Não sabemos exatamente quem seus autores, pois eles recolhem as orações que circulavam no meio do povo. Seguramente muitos são de Davi (século X a.C). É considerado, por excelência, o protótipo do salmista. Foi pastor, guerreiro, profeta, poeta, músico, rei e profundamente religioso. Conquistou o Monte Sion dentro de Jerusalém e lá, ao redor da Arca da Aliança, organizou o culto e introduziu os salmos.»

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Calor no estio



«Em fevereiro neve e frio; 
é de esperar calor no estio"

NOTA: De chuva e frio estamos fartos! Venha o estio para nos aquecer o corpo e a alma.

Padre Miguel: Uma evocação oportuna

Texto de Humberto Rocha, 
no blogue Schoenstatt Aveiro






«Falar do Padre Miguel Lencastre é bem difícil, por se tratar duma figura carismática, multifacetada, que não deixava ninguém indiferente.
Quanto ao aspecto espiritual e religioso do Padre Miguel, deixo a pesquisa desses atributos para outros, bem mais abalizados do que eu e que poderão dar o contributo exacto do Ser privilegiado que foi, na sua passagem terrena.
Homem de fé, convém, no entanto, recordar que o Padre Miguel não impunha a ninguém o seu credo, mas a fé imanava dele, naturalmente, pela sua maneira de se dirigir e tratar os outros.
Era Homem capaz de reunir à sua volta e sentar à mesma mesa as pessoas mais díspares, de diferentes crenças religiosas, ou até agnósticos ou ateus.
Tanto se sentia bem com os seus amigos de todos os dias, como com os Repúblicos Kágados, antigos ou actuais, artistas como Zé Penicheiro ou gente ligada ao mar.
Era capaz de recolhimento, mas igualmente alteava a sua voz no lançamento enérgico do grito dos Kágados… Ekeiá…á.
Senhor duma forte personalidade, irradiava uma alegria esfuziante, que a todos contagiava.»


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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Terrenos para jovens agricultores



«A procura de terrenos para cultivo, a título gratuito, sobretudo por jovens, está a exceder a oferta das autarquias, que avançaram com bolsas de terras ou hortas comunitárias para dar utilidade a terrenos desaproveitados.
Estarreja, que estabeleceu em 2012 as primeiras 10 hortas comunitárias no centro urbano, junto ao Quartel de Bombeiros, rapidamente triplicou os lotes ocupados e já em janeiro atribuiu mais seis.
“A adesão tem aumentado e hoje são cultivados 44 lotes. Em janeiro deste ano atribuímos mais seis”, descreve Rosa Simão, vereadora da Câmara de Estarreja.»

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NOTA: Há pouco tempo, muita terra agrícola estava abandonada no nosso país. Na agricultura, predominavam e julgo que  ainda predominam os menos jovens. A crise pode dar uma grande volta à situação, com a juventude a assumir a agricultura. Gente jovem, decerto com mais cultura académica, poderá gerar a inovação e a criatividade nos campos de Portugal. Ainda bem.

Postal Ilustrado: Forte da Barra

Forte da Barra em dia de festa

O Forte da Barra, localizado na ilha da Mó do Meio, Gafanha da Nazaré, foi  considerado imóvel de interesse público pelo Decreto-lei número 735/74 de 21 de dezembro. Este antigo forte, também conhecido
por Forte Novo ou Castelo da Gafanha, é um imóvel do século XVII, embora haja quem o considere anterior.Trata-se de "uma obra do tipo abaluartado, restando, actualmente, uma pequena cortina de dois meios baluartes.  Depois que deixou de ser necessária a defesa do Rio Vouga, foram edificadas construções sobre a cortina e o meio baluarte norte. Também o espaço entre os dois meios baluartes foi afectado. No baluarte sul foi erguida uma torre de sinalização mas, nesse lado, ainda é visível parte da escarpa, cordão e três canhoeiras, cortadas no parapeito. Os dois meios baluartes remontam, assim parece, a épocas diferentes.  O flanco norte aparenta ser oblíquo à cortina, enquanto o do sul é perpendicular. Também as linhas rasantes não são do mesmo ângulo". Assim reza a descrição do Inventário Artístico de Portugal, de Nogueira Gonçalves.

F.M.

SAUDADES


"Ainda está a acontecer e já tenho saudades: as coisas e as saudades acontecem enquanto podem e ocupam o lugar da vida, da razão e do pensamento. Para não falar no sentimento que, ao contrário do que se espera e quer, impera sempre e prevalece.

A tristeza está tão próxima da alegria como a vida vivida está da morte imaginada. Vivemos. Morremos. É pena que estes dois verbos estejam associados."

Miguel Esteves Cardoso

Público de ontem

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domingo, 2 de fevereiro de 2014

Código genético (1)

Crónica de Frei Bento Domingues no PÚBLICO

Bento Domingues


1. Fui interpelado acerca do texto do Domingo passado com duas perguntas pouco inocentes: haverá um baptismo para homens e outro para mulheres e será possível abordar o baptismo cristão sem falar da democracia na Igreja?
As tentativas de “resposta” só podem ser de ordem histórica e teológica. Na Idade Média, perante a floresta de símbolos que povoavam o imaginário sagrado do culto, das devoções e superstições, foram recortadas sete celebrações fundamentais, os sete sacramentos. No registo do pensamento analógico, são entendidos como irradiações da Páscoa de Cristo, nas etapas mais típicas e estruturantes da vida sacramental da Igreja. O baptismo é a porta de entrada, personalizada e comunitária, num processo vital da graça transfiguradora da existência humana no seu devir espiritual, do nascimento à morte, na esperança da ressurreição. A omnipresença da graça não suprime a liberdade humana nem o mistério da iniquidade actuante na nossa história.
No código genético cristão, não se conhece um baptismo para homens e outro para mulheres. Sendo assim, elas perguntam: qual é a deficiência natural ou sobrenatural de que sofremos para não podermos ser chamadas a receber o sacramento da ordem integrado pelo diaconado, presbiterado e episcopado?

sábado, 1 de fevereiro de 2014

AVEIRO: Casa do Bombeiro

Uma medida acertada




«Às 11 horas da manhã de ontem, quem passasse pela Rua Mário Sacramento já não encontrava a inscrição “Junta de Freguesia da Glória” na fachada do edifício onde durante anos funcionaram os serviços daquela autarquia. No seu lugar foi posta uma placa onde se lê “Casa do Bombeiro”, um projecto sócio-educativo que os Bombeiros Velhos inauguram hoje, no âmbito das comemorações do seu 132.º aniversário.
A Casa do Bombeiro foi criada no âmbito do projecto “Chama Viva”, que arrancou em 2012 com uma cantina social dedicada aos bombeiros e seus familiares, servindo perto de 50 refeições diárias no quartel da corporação.
A cantina vai manter-se, mas a esse serviço vão juntar-se outros pela mão da “Chama Viva”, revelou ao Diário de Aveiro o comandante da corporação, Carlos Pires, durante uma visita guiada às novas instalações, ontem de manhã.»

“Memórias a Mil Vozes”



Para reviver o passado, próximo ou mais afastado

“Memórias a Mil Vozes” é um livro com recordações de sete pessoas (Albertina Vaz, Conceição Cação, Dores Picado Topete, Fernanda Reigota, José Luís Vaz, Júlia Sardo e Maria Jorge) que delegaram em Ana e Miguel, as personagens à volta das quais as estórias se revelam, «como se de um filme se tratasse», a arte de os representar. 
Este trabalho, que nasceu como projeto de um grupo assente na Escrita Criativa, guia os leitores, com poesia e muito sabor, numa caminhada que reflete «os últimos sessenta anos de um povo que atravessou o longo túnel de todos os esquecimentos e surge renovado e repleto duma esperança que quer preservar», como se lê na contracapa.
As estórias em boa hora registadas neste livro de 396 páginas, editado por Chiado Editora, conduzem os leitores a vivências comuns a muita gente de várias gerações e estratos sociais, sendo certo que predomina, no essencial, o povo da nossa terra e região, com alegrias e tristezas, lutas e desafios, sonhos concretizados ou adiados, projetos de um mundo melhor, ideal permanentemente de portas abertas a quem não se conforma com a dormência em que alguns vegetam por comodismo ou conformismo. 

Os autores, da esquerda para a direita: Júlia Sardo, Dores Topete,
 Conceição Cação,  José Luís Vaz,  Maria Jorge,
Albertina Vaz e Fernanda Reigota 

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