quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Boas férias para todos

Bar e praia do Oudinot

Neste primeiro dia de agosto, o mês por excelência de férias, até parece que o tempo brinda à sua chegada, com promessas de calor escaldante. Os técnicos, talvez um pouco confusos com as alterações climáticas notórias que se têm verificado, ainda não nos disseram se estas temperaturas altas vêm mesmo para ficar. Talvez muitos quisessem que assim fosse,  embora os fogos florestais nos levem a desejar umas boas chuvadas de vez em quando. Não vou ao ponto de pedir sol na eira e chuva no naval, mas se tal fosse possível, seria ouro sobre azul. 
Quando abordo temas de férias, refletindo o prazer que elas nos dão, nunca deixo de lembrar os que, por razões diversas, não as podem gozar, anos após anos, ficando limitados a quotidianos repetitivos, monótonos, tristes e sem horizontes . Sinto-me incapaz de indicar pistas inovadores, de viagens abertas a outros povos e culturas, ficando por saídas limitadas ao raio de vários ângulos do campanário da freguesia. Sugiro a leitura de livros, a descoberta de recantos por onde passamos a correr e uma visitas a amigos doentes ou a familiares que raramente encontramos. 
É certo que a felicidade não assenta só em grandes périplos, em festas caras, em estadas nas zonas turísticas ou historicamente apelativas, mas pode ser encontrada em pequenos prazeres que a nossa capacidade criativa saberá descobrir e programar. 
Boas férias para todos.

terça-feira, 31 de julho de 2018

A sombra das árvores em dias de calor

A cadeira está à minha espera

A sombra das árvores é sempre um convite a um descanso tranquilizador, por pequeno que seja, a quem passa afogueado com o calor. O mês de julho deste ano, que não foi quente, teve, no entanto, um ou outro dia que nos obrigava a parar a caminhada à sombra de uma árvore. 
Hoje, ultimo dia deste mês, apeteceu-me saborear a frescura de um pinheiro do meu jardim. E aqui me lembrei das redações de pequeno, quando os professores nos pediam os benefícios das árvores. Além dos frutos e da madeira que elas nos davam, lá aparecia sempre, inevitavelmente, a sombra apetecida em dias de calor.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

"Sou mais um português ao serviço da Santa Sé"

Foto: Arlindo Homem, na Ecclesia

«"D. José Tolentino de Mendonça, o novo arquivista e bibliotecário da Santa Sé, foi este sábado ordenado bispo no Mosteiro dos Jerónimos.
Numa cerimónia presidida pelo cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente destacou a sensibilidade de diálogo do novo arquivista e Bibliotecário da Santa Sé, e elogiou a “fecunda escrita” do novo bispo.
“Agradecemos ao Papa Francisco por te ter escolhido para zelar por um património único de memória criativa. Imensamente maior é o nosso mundo, com quanto tudo nos espera, com quanto atinge de bom e menos bom. A tua inteligência e sensibilidade saberão partilhar o que agora é confiado ao teu bom zelo, e que assim mesmo crescerá também”, disse o cardeal-patriarca, durante a homilia.
O novo bispo recebeu, simbolicamente, os livros dos Evangelhos, a mitra e o báculo, como sinal da sua missão de pastor.»

Nota: Muito poderia dizer ou escrever sobre a ordenação episcopal de D. José Tolentino de Mendonça, que tive o privilégio de conhecer há anos e que, desde essa altura, me habituei a ler regularmente, tanto os seus livros como as suas crónicas no EXPRESSO.  Agora, fico na esperança, quase certeza, de que a sua obra literária vai continuar. D. Tolentino já garantiu que continuará a escrever.
Entretanto, depois de um fim de semana cheio de ocupações inadiáveis, procurei escritos que refletissem  a cerimónia da ordenação, em jeito de reflexão pessoal. E optei pela prosa sentida de Helena Sacadura Cabral. 

domingo, 29 de julho de 2018

Festa em honra de Nossa Senhora do Pranto

Associação de Amigos da Nossa Senhora do Pranto, 
Cimo de Vila - Ílhavo, 
trabalha na defesa da história e da festa da padroeira! 






A Associação de Amigos da Nossa Senhora do Pranto foi fundada em Março de 2016 e é uma instituição exclusivamente constituída por particulares, com o único objectivo de manter e divulgar as tradições e a história das festividades em torno da Nossa Senhora do Pranto, cuja Capela se situa em Cimo de Vila, existindo desde o séc. XVII, segundo os historiadores. 
O actual elenco directivo foi eleito este ano, devido à demissão da anterior direcção. Desde essa altura, tem desenvolvido várias iniciativas de índole popular, como a noite de fados, que teve casa cheia, o festival da sardinha que, durante dois dias, teve a presença de muitas centenas de pessoas, e, ainda, a edição de Pagelas — "Gentes da nossa Terra" — que já vai na 13.ª publicação. 
Recentemente, foram mandados reparar, numa fábrica, em Braga, os dois sinos da capela, os quais não estavam em condições de segurança, devido à madeira e às ferragens que necessitavam de serem substituídas. Curiosamente, e após limpeza dos mesmos, estão agora visíveis as datas de 1866 da fundição de Cantanhede de Joaquim Dias Sorrilha de Campos e de 1939 da Fundição Sinos Nova Lusitânia de Ermesinde.
Outra iniciativa a decorrer é a recuperação do Arco Alegórico, peça centenária e que representa o principal ícone das gentes de Cimo de Vila e da festa de 15 de Agosto para a qual elementos da direcção e muitos residentes em Ílhavo já se encontram a trabalhar.

V Mini Maratona Museu Marítimo de Ílhavo



A V Mini Maratona Museu Marítimo de Ílhavo realiza-se no dia 11 de agosto, voltando a ligar o Museu Marítimo de Ílhavo ao Navio Museu Santo André. Inserida no programa do Festival do Bacalhau, a prova decorre à noite, num percurso de aproximadamente 10 quilómetros. Esta iniciativa cumpre objetivos sociais, revertido a sua receita a favor de uma instituição de solidariedade social do Município.

Fonte: MMI

Uma religião inteligente


"Os escritos bíblicos são testemunhos de homens e mulheres de Deus, que viveram uma experiência e a exprimem. A sua experiência vem do Espírito e, neste sentido, pode dizer-se, com razão, que a Bíblia é inspirada, mas, ao mesmo tempo, é preciso não esquecer a mediação humana, histórica, contingente. Nunca existe encontro directo de Deus, só a sós, com o homem. Efectua-se sempre através de mediações. São os seres humanos que falam de Deus. Não aceitar mediações históricas é cair, necessariamente, no fundamentalismo"

1. Para António Damásio, “não temos qualquer relato científico satisfatório quanto à origem e ao significado do Universo, ou seja, não temos uma teoria de tudo que nos diga respeito. Serve isto para recordar que os nossos esforços são modestos e hesitantes, e que devemos estar abertos e atentos quando decidimos abordar o desconhecido” [1].
Em certas formas de espiritualidade e de teologia, a modéstia não é a regra. Na orientação espiritual, não falta quem se julgue conhecedor da vontade de Deus e com capacidade de a discernir para si e para os outros. Implorar o Espírito Santo para acolher a sua luz é uma condição essencial para estarmos prontos a dar razão da nossa esperança, como recomenda S. Pedro [2]. Sem esse cuidado, seremos cegos guias de cegos. Pedir conselho é próprio de quem reconhece os seus limites. Daí a convencer-se que podemos coincidir, nas nossas opiniões, com a vontade de Deus, é presunção a mais.
Em teologia, sempre me agradou a extrema modéstia de Tomás de Aquino. Foi discípulo de Alberto Magno, assim chamado pelo seu saber enciclopédico e pela sua curiosidade insaciável. Tomás tinha uma consciência pedagógica mais apurada. Notava que os mais novos tinham dificuldade em seguir a multiplicidade de questões no campo científico, filosófico e teológico. Comentou Aristóteles e muitos livros da Bíblia, participou em muitas questões disputadas e não receava ser exposto à curiosidade dos estudantes acerca dos temas mais variados. Resolveu elaborar um imenso guião para principiantes. Acabou por ser muito apreciado pelos investigadores. Trata-se da Suma de Teologia.
Modesta era a sua própria ideia de teologia. Depois de expor o seu projecto, as suas exigências, o seu método e de estabelecer os argumentos humanos que apoiam a fé na existência de Deus, ao dizer vamos tentar saber como Deus é, suspende esse atrevimento: vamos saber como Deus não é [3]. A sua teologia é, sobretudo, uma anti-idolatria. Não atribuir a Deus e à sua vontade o que são construções nossas.

sábado, 28 de julho de 2018

BI do cristão

Anselmo Borges

«"Será com os descartados desta humanidade vulnerável que, no fim dos tempos, Deus plasmará a sua última obra de arte." "Vinde, benditos de meu Pai! Recebei em herança o Reino que vos está preparado desde a criação do mundo. Porque tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber, estava nu e vestistes-me, estive na prisão e fostes ter comigo. Em verdade vos digo: Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos foi a mim que o fizestes."»

O que é que verdadeiramente queremos? A realização plena de todas as dimensões do ser humano, a plenitude, a felicidade. O Papa Francisco sabe disso e escreveu a exortação Alegrai-vos e Exultai, para indicar o caminho dessa realização, na convicção de que Deus, "aquele que pede tudo, também dá tudo, e não quer entrar em nós para mutilar ou enfraquecer, mas para levar à perfeição". Sempre sob o desígnio da alegria. Francisco lembra o livro da Bíblia, Ben Sirá: "Meu filho, se tens com quê, trata-te bem. Não te prives da felicidade presente" e também São Francisco de Assis, "capaz de se comover de gratidão perante um pedaço de pão duro ou de louvar, feliz, a Deus, só pela brisa que acariciava o seu rosto". Não se trata, portanto, da "alegria consumista e individualista. Com efeito, o consumismo só atravanca o coração; pode proporcionar prazeres ocasionais e passageiros, mas não alegria". A verdadeira alegria é aquela que "se vive em comunhão, que se partilha e comunica", porque, segundo uma palavra de Jesus, "a felicidade está mais em dar do que em receber". Não será por acaso que na cultura de hoje se manifestam alguns riscos e limites, a evitar: "a ansiedade nervosa e violenta que nos dispersa e enfraquece, o negativismo e a tristeza, a acédia cómoda, consumista e egoísta, o individualismo e tantas formas de falsa espiritualidade sem encontro com Deus que reinam no mercado religioso actual". "O consumismo hedonista pode enganar-nos, porque, na obsessão de nos divertirmos, acabamos por estar excessivamente concentrados em nós mesmos, nos nossos direitos e na exacerbação de ter tempo livre para gozar a vida..., acabando por nos transformar em pobres insatisfeitos que tudo querem provar. O próprio consumo de informação superficial e as formas de comunicação rápida e virtual podem ser um factor de estonteamento que ocupa todo o nosso tempo e nos afasta da carne sofredora dos irmãos. No meio deste turbilhão actual, volta a ressoar o Evangelho para nos oferecer uma vida diferente, mais saudável e mais feliz", adoptando cada um o seu caminho e discernindo segundo os tempos e as circunstâncias, sem, por outro lado, ficar sujeito a um zapping constante. Deus é eterna novidade e não se pode cair na sedução da habituação, do "sempre foi assim": a Igreja não é "uma peça de museu nem uma propriedade de poucos".

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