terça-feira, 17 de julho de 2018

Golfinhos na Ria de Aveiro

Um vídeo de Humberto Rocha

As utopias geraram um déspota: Daniel Ortega

Texto de Francisco Sena Santos 

«Quatro décadas depois, Daniel Ortega, um dos líderes do movimento revolucionário sandinista que derrubou a ditadura de Somoza, é agora o ditador. Ele tinha sido eleito presidente em 1985, com mandato por cinco anos. Sofreu derrotas eleitorais em 1990, 1995 e 2001. Voltou a candidatar-se em 2005 e nunca mais deixou a presidência que exerce em regime de poder absoluto. Começou por espalhar promessas com o apoio do aliado venezuelano Hugo Chavez, no tempo do petróleo rico. A crise venezuelana fez acabar a ajuda e rebentar as costuras do regime que, em penúria, passou a cortar direitos e a reprimir os críticos. Daniel Ortega, em despótica metamorfose para tentar fortalecer a sua autoridade, fez eleger a mulher, Rosario Murillo, como vice-presidente. Usam o exército e a polícia de choque para conservar o poder, perante a contestação geral na rua. Só em maio e junho, mais de 170 mortos. Os estudantes encabeçam a revolta contra o regime, mas a repressão é brutal

Ler no Sapo24

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Eu torci pela Croácia


Eu torci pela Croácia. Perdoem-me os franceses. É que no mundo do futebol eu coloco-me sempre ao lado dos considerados mais fracos, na esperança de que quebrem a vaidade e a arrogância dos mais poderosos. Exceção feita, está visto, quando joga Portugal.
Posicionei-me à partida na bancada da Croácia e por ali andei a sentir o palpitar dos adeptos que sabiam, à partida, ser a equipa da França mais poderosa do que a sua. Diga-se que um jogador francês lembrou que perderam o Europeu por menosprezarem a equipa lusa. E gostaria que a Croácia batesse o pé aos gauleses para ouvir a desculpa, que seria, daqui a uns anos, igual à do Europeu. 
Apesar de tudo, ganhar e perder é tudo desporto, como aprendi em pequeno e sempre assim ensinei. De qualquer modo, os meus parabéns aos Franceses e votos de que, da próxima vez, os croatas sejam mais felizes.

Rotunda da Barra: para já, não há problemas


domingo, 15 de julho de 2018

Sem mitra nem solidéu

Bento Domingues

«O verdadeiro profeta é sobretudo uma pessoa que vive a graça da lucidez humana e divina na defesa do bem comum»

1. Por vezes, confunde-se um profeta com um adivinho. O verdadeiro profeta é sobretudo uma pessoa que vive a graça da lucidez humana e divina na defesa do bem comum. Vê o que a cegueira dos interesses instalados não quer ver nem deixa ver. A denúncia da traição da aliança mística e da aliança social – duas caras da mesma moeda - é o seu tema. Como diz Miqueias, a proposta de conversão exige a instauração do direito e da justiça[1. As pessoas aduladoras dos poderosos gostam de ser chamadas profetas, mas são, apenas, os seus lacaios.Na missa de hoje, é dada a palavra ao incómodo Amós que exerceu essa missão, aproximadamente, entre 760 e 745 a.C.. Ele reconhecia a convicção comum aos seus concidadãos, a relação especial entre Iavé e o seu povo, mas tirava daí consequências diametralmente opostas: Deus não é propriedade privada de Israel. Perante Deus, todos os povos estão em pé de igualdade. O antigo Israel tinha, apenas, maiores responsabilidades morais e uma maior exposição aos castigos pelas injustiças que provocava ou consentia[2].
No tempo da actuação profética de Amós, o reino de Israel tinha atingido o máximo da sua prosperidade, mas o luxo dos ricos insultava a miséria dos oprimidos e o esplendor do culto disfarçava a ausência de uma religião verdadeira. O seu estilo era rude e simples, imagem típica de um homem do campo. Para ele, a prática do povo eleito era pior do que a dos gentios e não se calava perante essa situação.
Então, Amasias, sacerdote de Betel, disse a Amós: «Vai-te daqui, vidente. Foge para a terra de Judá. Aí ganharás o pão com as tuas profecias. Mas não continues a profetizar aqui em Betel, que é o santuário real, o templo do reino». Amós respondeu a Amasias: «Eu não era profeta, nem filho de profeta. Era pastor de gado e cultivava sicómoros. Foi o Senhor que me tirou da guarda do rebanho e me disse: Vai profetizar ao meu povo de Israel»[3].

sábado, 14 de julho de 2018

Viaduto da rotunda da Barra já aberto





«A Câmara Municipal de Ílhavo, tal como tinha sido previsto e anunciado para o dia de hoje, 13 de julho, informa que já se encontra aberta a circulação automóvel definitiva no viaduto da antiga Rotunda da Barra.
Alerta-se, no entanto, que a sinalização tem ainda caráter provisório.»

Informação da CMI

Nota: Tem gerado alguma polémica a construção de um viaduto na rotunda de acesso às praias da Barra e Costa Nova. Alega-se que a ponte não terá capacidade para suportar  o fluxo de automóveis em  tempos de verão. Eu não quero ser cético porque, à partida, costumo confiar nos técnicos que têm obrigação de estudar as situações, quando elaboram os projetos que lhes encomendam. Vamos aguardar. 

Aquele rádio é antigo?


Há tempos, perguntaram-me se o rádio que está a ocupar o espaço de alguns livros é antigo. Respondi que sim, mas a razão da sua existência em lugar de destaque só tem a ver com as recordações a que me transporta. Não sou colecionador de nada, nem jeito tenho para isso. Muito menos poderei dispor de fundos económicos que me permitam comprar peças decorativas, mobílias ou livros antigos que gostaria de ter nas minhas estantes. O que temos foi herdado de familiares. Uma ou outra coisa foi adquirida a quem tinha muito e muito atirou para o lixo para se livrar de "inutilidades", na sua perspetiva. 
Vamos ao rádio que na imagem se vê. 
Como já disse, foi comprado pelo meu pai para me fazer companhia na doença da minha juventude, na década de 50 do século passado. Nele ouvi música, notícias e entrevistas, em Onda Média. Na Onda Curta, ouvia a comunicação entre navios em pleno mar alto, mas não tão alto quanto seria de desejar. 
Ao largo, os mestres das traineiras e de outros barcos de pesca conversavam entre si, via rádio, para indicarem os pesqueiros mais abundantes. Outros lamentavam-se com a pobreza das pescarias. Dizia-se que usavam códigos e tiques para enganar os concorrentes, dando indicações preciosas, contudo, aos colegas de empresa. Também ouvia comandantes bacalhoeiros que vinham de regresso ou partiam para os mares da Terra Nova e da Gronelândia. 
Depois, o meu rádio passou à história. A Frequência Modulada destroçou a sua utilidade. E foi para o sótão das coisas inúteis. Quando o via, lá se desprendiam as recordação. 
Há anos, entrevistei o prof. António Rodrigues, ele, sim, colecionador de rádios antigos, cada um com a sua história. O colecionador autêntico é assim. Tudo catalogado e estudado, tudo procurado e adquirido com critério. E no decorrer da conversa, veio à baila o meu rádio, que ele fez questão de ver e de o preparar para funcionar. E ali está. Devo-lhe essa atenção estimulante. E o rádio deixou o sótão e regressou ao meu convívio diário. No sótão também estaria bem, agora que o elevei à categoria, embora humilde, de meu refúgio caseiro. 

Fernando Martins

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