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segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Casa-Museu Afonso Lopes Vieira

Passar por São Pedro do Moel e não visitar a Casa-Museu Afonso Lopes Vieira é como ir a Roma e não ver o Papa. Afonso Lopes Vieira (1878-1946) foi um escritor multifacetado, onde sempre sobressaía o poeta e o homem de cultura. 
A poesia, a prosa, a literatura infantil, as adaptações, o cinema e o ensaio encheram a sua vida. Mas no fim, ainda houve lugar para o homem solidário, tendo doado a sua casa, em São Pedro do Moel, para ali funcionar uma colónia de férias para filhos dos trabalhadores vidreiros e florestais. Ainda hoje funciona. 
Não tendo sido, na sua juventude, um crente, pelo casamento tornou-se um homem de fé. Curiosamente, a ele se devem os versos que são uma indiscutível marca das aparições de Fátima, o célebre Ave de Fátima, com a assinatura de um servita. 
A Casa-Museu, antiga residência de férias, e não só, do poeta, merece uma visita. O visitante pode, se quiser, sentir ao vivo a ambiência que Afonso Lopes Vieira usufruiu, com o bater das ondas na sala de estar banhada de sol, que o artista fixou em fotografias. 
A luz é presença permanente na sua alma e nos seus registos. Cultor do espírito franciscano, manifestado numa vida austera e numa preocupação pelos mais sofredores, a sua obra é reflexo de grande humanismo e da sua ternura para com as crianças.

FM

Poema de Afonso Lopes Vieira,

Onde a terra se acaba e o mar começa
é Portugal;
simples pretexto para o litoral,
verde nau qu'ao mar largo se arremessa.

Onde a terra se acaba e o mar começa
a Estremadura está,
com o Verde Pino que em glória floreça,
mosteiros, castelos, tanta pátria ali há!

Onde a terra se acaba e o mar começa
há uma casa onde amei, sonhei, sofri;
encheu-se-me de brancas a cabeça
e, debruçado para o mar, envelheci...

Onde a terra se acaba e o mar começa
é a bruma, a ilha qu'o Desejo tem;
e ouço nos búzios, té que o som esmoreça,
novas da minha pátria - além, além!...


Afonso Lopes Vieira, 

Onde a Terra se Acaba e o Mar Começa, 

Bertrand, 1940

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Museus em férias

Fotocópia do original do Avé de Fátima

Afonso Lopes Vieira foi
um poeta de Fátima, também

RECONHECEU O MILAGRE DO SOL

“A relação de Afonso Lopes Vieira com a religião não foi constante nem rectilínea. Nos verdes anos da juventude declarou-se ateu, com afirmações esporádicas de anarquismo, salpicadas da herança positivista da venerada Geração de 70. No largo período do seu amadurecimento como homem e como escritor, aprendeu a respeitar a fé da mulher, D. Maria Helena de Aboim, e reconheceu o milagre do Sol, avistado da varanda da Casa de S. Pedro de Moel, com a inauguração de uma capelinha dedicada a Nossa Senhora de Fátima, em 12 de Maio de 1929. Para essa ocasião festiva, Lopes Vieira escreve o AVÉ de Fátima, assinando apenas um servita. A estátua de N. Sr.ª de Fátima que ainda hoje adorna a rosácea da capela da casa de S. Pedro de Moel – com o altar virado a poente – foi esculpida por um canteiro da região de Porto de Mós.”

In "Roteiro da Exposição
da Casa-Museu Afonso Lopes Vieira",
em S. Pedro de Moel
:
NOTA: As férias também podem servir para passar por Museus. Qualquer cidade ou vila e mesmo algumas aldeias têm o seu, com curiosidades dignas de admiração. Em S. Pedro de Moel há este, em casa onde viveu o poeta Afonso Lopes Vieira, casa que lhe foi oferecida por seu pai, precisamente “onde a terra se acaba e o mar começa”, em S. Pedro de Moel
Hoje, para além do Museu, a casa do poeta oferece um lugar para Colónia Balnear e a Capela.
Se passar por lá, não deixe de entrar, para sair um pouco mais rico.

domingo, 9 de agosto de 2009

Passeios de Férias: São Pedro de Moel

Afonso Lopes Vieira
:
Visita para repetir? Claro!
Quando, há anos, visitei São Pedro de Moel, fiquei com a ideia de que se tratava de uma terra arejada, encravada entre o Pinhal de Leiria e o Mar, onde veraneia gente de haveres. Vivendas recentes que casam bem com moradias de traça antiga mostram que houve cuidado com a urbanização e com o asseio. Bom sítio para umas boas férias à beira-mar, com ladeiras a exigirem boas pernas para subir e descer. Durante esta visita, confirmei que se tem mantido o rigor na manutenção da povoação, imposto desde há muito. Hotéis e residenciais, restaurantes e pensões, estabelecimentos preparados para atender os residentes e visitantes, tudo serve para garantir uma ambiência que pode ser desfrutada por muita gente, principalmente no Verão, época de maior afluência.
Na praça, qual varanda virada para a praia, pontifica o busto da figura maior desta terra – Afonso Lopes Vieira – que o soube respeitar, tanto quanto o poeta a soube amar. Mas dele, da sua obra e do seu museu, falarei, com mais pormenor, num próximo registo. Se o não fizesse, seria crime de lesa-poesia e de lesa-solidariedade.
:
Nessa varanda, com tendas de artesanato variado, mais doces regionais, como penso, até nem faltou a propaganda política, da CDU, com o ainda bem conhecido homem da Rádio, Cândido Mota, a debitar os slogans do partido que mais lutas políticas apoiou ou promoveu na Marinha Grande, sede do concelho a que pertence São Pedro do Moel e centro vidreiro de renome internacional, embora, segundo penso, a entrar em decadência nos últimos anos. Não sei se agora estará em recuperação… Deus queira que sim. A marca do poeta está em cada canto. No restaurante Brisamar, premiado pela gastronomia, higiene alimentar e profissionalismo, onde degustei uma bem composta cataplana, acompanhada por um branco do Ribatejo, de nome e preço a condizer com o repasto, apreciei uma quadra de Afonso Lopes Vieira, que ali está há 45 anos, como me informaram. Mais ainda: um quadro, em jeito de tríptico, de Carlos Reys, e uma vitrina de peças de vidro dignas de museu. Visita para repetir? Claro! FM

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

S. Pedro do Moel fascina-me

Pelas praias de Pedrógão a S. Pedro do Moel, passando por Vieira





S. Pedro de Moel fascina-me. Vivendas com bom gosto; nada de prédios em altura; pintadas sobriamente e com pormenores arquitetónicos a condizer; e tudo limpo e asseado. Marcas de uma povoação onde apetece estar. Praias cuidadas e de águas límpidas, mais harmonias com sabor ao Poeta Afonso Lopes Vieira, presente a cada canto. Eu vejo assim S. Pedro de Moel. Haverá quem desdenhe. Haverá quem só saiba ver defeitos, erros e nem sei que mais. É tal qual em todo o lado.






A Praia Velha, mesmo ali ao pé do largo, onde o poeta foi homenageado, está em obras, com máquina potente a arrastar terra e pedregulhos. Garantiram-me que a Praia Velha voltará ao seu espaço de honra. Atraía as pessoas, que ficavam inebriadas pelo colorido dos guarda-sóis numa esplanada que convidava à contemplação do mar. Espero que sim.





Quando hoje lá cheguei, fiquei decepcionado quando vi as obras. Pensei que aquele recanto nunca mais teria assento na estância balnear de fama e proveito. Afinal, vai voltar.


Legendas: Farol recebe-nos à chegada, Monumento a Afonso Lopes Vieira,Piscinas e Praia, Esplanada (foto do meu arquivo).

(Continua)

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terça-feira, 29 de abril de 2008

Um poema de Afonso Lopes Vieira


Dança do vento

O vento é bom bailador,
Baila, baila e assobia.
Baila, baila e rodopia
E tudo baila em redor.
E diz às flores, bailando:
- Bailai comigo, bailai!
E elas, curvadas, arfando,
Começam, débeis, bailando.
E suas folhas, tombando,
Uma se esfolha, outra cai.
E o vento as deixa, abalando,
- E lá vai!...
O vento é bom bailador,
Baila, baila e assobia,
Baila, baila e rodopia,
E tudo baila em redor.
E diz às altas ramadas:
Bailai comigo, bailai!
E elas sentem-se agarradas
Bailam no ar desgrenhadas,
Bailam com ele assustadas,
Já cansadas, suspirando;
E o vento as deixa, abalando,
E lá vai!...
O vento é bom bailador,
Baila, baila e assobia
Baila, baila e rodopia,
E tudo baila em redor!
E diz às folhas caídas:
Bailai comigo, bailai!
No quieto chão remexidas,
As folhas, por ele erguidas,
Pobres velhas ressequidas
E pendidas como um ai,
Bailam, doidas e chorando,
E o vento as deixa abalando
- E lá vai!
O vento é bom bailador,
Baila, baila e assobia,
Baila, baila e rodopia,
E tudo baila em redor!
E diz às ondas que rolam:
- Bailai comigo, bailai!
e as ondas no ar se empolam,
Em seus braços nus o enrolam,
E batalham,
E seus cabelos se espalham
Nas mãos do vento, flutuando
E o vento as deixa, abalando,
E lá vai!...
O vento é bom bailador,
Baila, baila e assobia,
Baila, baila e rodopia,
E tudo baila em redor!


Afonso Lopes Vieira






- Antologia Poética (1966)

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Um poema de Afonso Lopes Vieira


CANTARES DOS BÚZIOS


Ai ondas do mar, ai ondas,
ó jardins das alvas flores,
sobre vós, ondas, ai ondas,
suspiram os meus amores.

No fundo dos búzios canta
o mar que chora a cantar
ó mar que choras cantando,
eu canto e estou a chorar!

Ai ondas do mar, ai ondas,
eu bem vos quero lembrar:
«a minha alma é só de Deus
e o meu corpo da água do mar!»

Afonso Lopes Vieira


terça-feira, 23 de abril de 2024

Na casa de Afonso Lopes Vieira


Sempre gostei de visitar museus e outros espaços de arte. Passei umas três vezes pela Casa Museu Afonso Lopes Vieira, situada na Praia de São Pedro de Moel, onde registei alumas fotografias. Uma delas aqui exibo para matar saudades.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Ainda a Casa-museu Afonso Lopes Vieira

A minha veia romântica vem à tona




Volto mais uma vez a S. Pedro de Moel, para me debruçar sobre a magia que a Casa-museu Afonso Lopes Vieira suscita no meu espírito. O meu lado romântico vem à tona, de quando em vez.
S. Pedro do Moel foi lugar de eleição do poeta. Aqui passava, regularmente, ano após ano, as épocas de veraneio. Num desdobrável pode ler-se que este era "um lugar de eleição e de culto, palco para a receção, divulgação e valorização públicas de uma estética florescida no ambiente fértil do lar marítimo. Da belíssima casa de S. Pedro, deitada sobre a praia como nau ancorada, casa que suscitava então, como agora, a curiosidade de todos os amantes de todos os exemplares arquitetónicos em perfeita simbiose de enquadramento com o meio". O escritor, aliás, esclarecia: "E como ainda há pessoas que supõem que a minha casa de S. Pedro de Moel foi construída por mim, recordo que ela está há um século na posse da minha família, posse que se alienou apenas durante alguns anos."
.


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Nossa Senhora, ao luar...



Nossa Senhora, ao luar

Nossa Senhora, ao luar,
toda cheiinha de luz,
põe-se a embalar, a embalar
o seu Menino Jesus.

E Nossa Senhora canta
para o adormentar;
mas a Mãe, que o mundo espanta,
tem vontade de chorar.

Entanto o lindo Menino
quere  lua, a rabujar…
Sente que o reino divino
é lá na terra do luar!


Afonso Lopes Vieira

sexta-feira, 15 de abril de 2022

Boas Noites, Afilhados

 


Na minha meninice, que já ficou lá para trás há muito, a Páscoa era, sobretudo, o folar do padrinho e da madrinha. Depois vinha a visita pascal com a campainha a anunciar a aproximação. Mais tarde é que comecei a dar importância às cerimónias litúrgicas. Vem esta nota a propósito da fotografia de Nossa Senhora do Monte, da  capela  ou da casa  de Afonso Lopes Vieira, que o próprio mandou construir em São Pedro do Moel. E a legenda, cá para nós, só podia ter saído da imaginação de um poeta. Boas Noites, Afilhados. O mesmo direi aos meus afilhados.  

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

ARES DO OUTONO


OUTONO

Recolhe-se a morrer a Natureza.
O ar é fruto e mosto. Nos pomares
O moribundo Outono põe a mesa
E despeja o seu sangue nos lagares.

A Natureza expira; e, na tristeza
Da lenta morte que lhe vem dos ares,
Morre em paz, finda em sonho e em certeza,
Depois de abastecer todos os lares.

Anda na vida a lentidão do sono.
Maternalmente, as árvores, fraquíssimas,
Mal sustentam o fruto. O Inverno vem…

Assim expira o renascente Outono,
Em tardes que são mortes sereníssimas
De dias bons e que viveram bem…

Afonso Lopes Vieira

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Uma curiosidade para este feriado nacional: Cartas de Soror Mariana



Veio-me hoje à mão, na minha biblioteca, uma edição de "Cartas de Soror Mariana", de 1941, em francês, com "Tentativa de texto português por Afonso Lopes Vieira". Foi-me oferecida há meses por um amigo, coleccionador de primeiras edições e de outras edições raras, trabalho que desenvolve, presentemente  em tempo de aposentado, com gosto e brio. Gostei de ver a paixão com que o meu amigo lida com a sua colecção.
Não colecciono livros, mas não posso deixar de apreciar os bibliófilos. Não colecciono, mas vou comprando o que me dá gozo, em princípio, ao sabor da bolsa. No entanto, quando encontro nas minhas estantes um livro mais antigo, sinto um fascínio especial, sobretudo agora que ando a ler "A Obsessão do Fogo",  obra que tem por tema dominante o livro através dos tempos, onde se revelam curiosidades preciosas.
Aqui fica esta edição antiga de "Cartas de Soror Mariana". Mas ainda tenho outras que de vez em quando hei-de mostrar aos meus amigos.

FM

quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

AFONSO LOPES VIEIRA NASCEU NESTE DIA

26 de  janeiro 1878
25 de janeiro 1946
A minha homenagem a um poeta
que tanto gostava de ler na minha infância e juventude

O VENTO É BOM BAILADOR

O vento é bom bailador,
Baila, baila e assobia.
Baila, baila e rodopia
E tudo baila em redor.
E diz às flores, bailando:
- Bailai comigo, bailai!
E elas, curvadas, arfando,
Começam, débeis, bailando.
E suas folhas, tombando,
Uma se esfolha, outra cai.
E o vento as deixa, abalando,
- E lá vai!...
O vento é bom bailador,
Baila, baila e assobia,
Baila, baila e rodopia,
E tudo baila em redor.
E diz às altas ramadas:
Bailai comigo, bailai!
E elas sentem-se agarradas
Bailam no ar desgrenhadas,
Bailam com ele assustadas,
Já cansadas, suspirando;
E o vento as deixa, abalando,
E lá vai!...
O vento é bom bailador,
Baila, baila e assobia
Baila, baila e rodopia,
E tudo baila em redor!
E diz às folhas caídas:
Bailai comigo, bailai!
No quieto chão remexidas,
As folhas, por ele erguidas,
Pobres velhas ressequidas
E pendidas como um ai,
Bailam, doidas e chorando,
E o vento as deixa abalando
- E lá vai!
O vento é bom bailador,
Baila, baila e assobia,
Baila, baila e rodopia,
E tudo baila em redor!
E diz às ondas que rolam:
- Bailai comigo, bailai!
e as ondas no ar se empolam,
Em seus braços nus o enrolam,
E batalham,
E seus cabelos se espalham
Nas mãos do vento, flutuando
E o vento as deixa, abalando,
E lá vai!...
O vento é bom bailador,
Baila, baila e assobia,
Baila, baila e rodopia,
E tudo baila em redor!

quinta-feira, 14 de outubro de 2021

domingo, 26 de janeiro de 2025

Cartas de Soror Mariana


Tenho na minha estante um livrinho um pouco diferente do que é habitual. Trata-se de Cartas Portuguesas, bilíngue, de Soror Mariana. Inclui uma tentativa de texto português por Afonso Lopes Vieira, com edição da Livraria Bertrand — Lisboa.
Quando adquiri esta obra, em formato pequeno (13 por 9,5 cm), tinha o registo a lápis de 35 euros ou escudos.
Não sendo colecionador seja do que for, que não sou rico para isso, aprecio raridades pelo prazer de observar o que é diferente. Foi o caso deste livrinho.

FM

sexta-feira, 20 de outubro de 2023

Caprichos da natureza



Estes troncos torcidos e retorcidos ornamentavam o exterior da casa de praia de Afonso Lopes Vieira, em São Pedro de Moel. Praia serena, no Verão. Quando por lá passámos algumas vezes, registei o facto. Teremos caprichos destes  por cá? É claro que havemos de ter, só que, normalmente, não temos olhos para o que nos cerca.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Uma curiosidade para começar o dia: xilofone de búzios



Na Casa-Museu Afonso Lopes Vieira, em S. Pedro de Moel, vi um xilofone de búzios, cujo som não pude apreciar. 
Vale pela originalidade, como demonstração de que a imaginação do homem não tem limites. Ontem como hoje e sempre. E o escritor e homem culto era, sem dúvida, um apaixonado pela arte-

sexta-feira, 8 de novembro de 2024

RECORDAÇÕES: São Pedro de Moel

 

Em maré de recordar, voltei hoje a São de Moel de gratas emoções. Depois de visitar a casa-museu de Afonso Lopes Vieira, donde se contemplava o mar, registei algumas fotografias para mais tarde recordar momentos tão gratificantes.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

TECENDO A VIDA UMAS COISITAS – 5

Pintassilgos
OS PASSARINHOS
TÃO ENGRAÇADOS…
Caríssimo/a: A frase sai instintiva mas convictamente: - Mas que bela arrozada! Vem ver: pombos que mais parecem patos! Sete, sete pombos prazenteiros alimentavam-se no pátio da casa; de início, há três anos, eram apenas dois, informam-nos. Corvos, pardais, rolas, gaivotas não têm conta. Duas pegas. Um melro, durante anos, foi companhia nas actividades no quintal. Agora não aparece. Já fiz referência à renovação dos grãos nos comedouros. Junto de muitas casas, assim como em parques e jardins, os abrigos, os ninhos e os comedouros são uma constante. Espectáculo que não se esquece é estar a tomar o café num restaurante, nevar intensamente e observarmos, através da janela, o colorido agitado dos pássaros em torno do alimentador. Também não menos espectacular é ouvir, quiçá na zona mais ventosa do globo: - Sabes, mana, agora aparece um pintassilgo que vem todos os dias comer ali! – e apontava para o comedouro à frente da casa. Entretanto já trazia na mão o livro onde figuravam os pássaros da região e pudemos observar o “nosso” pintassilgo. Contudo o mais espantoso para nós terá sido ver bandos e bandos de patos bravos a cruzar os céus, no seu característico V. Agora troquem de lugar connosco e, no regresso, observem o indescritível: centenas e centenas de patos, ao lado uns dos outros, a debicar no terreno de cultura mais vasto que um campo de futebol! O espanto fez calar o instinto, a “arrozada” deliu-se e ficamos a saborear a poesia de Afonso Lopes Vieira, do nosso livro da 2.a classe:
::
Os passarinhos tão engraçados Fazem os ninhos com mil cuidados… Nunca se faça mal a um ninho, A linda graça dum passarinho! Que nos lembremos sempre também Do pai que temos, da nossa mãe!
::
Falei de pássaros. Podíamos ter falado de outros animais de mais ou menos porte. Por vezes, parece irem além do carinho e do respeito… E com respeito fica o Manuel Só mais uma coisita: Quanto aos cães!… Também vi ruas sujas… Mas não há dúvida: normalmente os donos são cuidadosos!

sexta-feira, 1 de junho de 2007

TECENDO A VIDA UMAS COISITAS - 26

O MILAGRE DAS ROSAS
Caríssima/o:
Por vezes, fica-nos apenas um rosto; ou então, um nome; de outras, nem isso, apenas o perfil de uma rua. Não é o caso aqui: em Coimbra, há nomes, rostos, ruas e até pedras que não mais esqueci... Quereis ver? A rua onde vivi os dois anos durante os quais fiz o meu curso, no Magistério, chama-se (ainda hoje) Couraça dos Apóstolos. Perto da Porta Férrea, da Cabra, do Museu Machado de Castro e também do Museu de História Natural; um pouco acima ficava uma República. As sés, a Velha e a Nova, a dois passos. E podíamos ir descendo ou para o Jardim Botânico, ou para Santa Cruz, ou para o Penedo da Saudade. Quem viveu em Coimbra não terá dificuldade em reviver esses caminhos e tantos outros onde gastámos as solas dos nossos sapatos; os que não tiveram essa sorte, até perguntarão pelo Choupal, Santa Clara, ... A cidade ainda é dos «doutores», principalmente, em tempo de «queima»... Mas em Coimbra encontra-se, em cada esquina, a figura da Rainha Santa que une os corações nas Festas da Cidade que têm o seu dia grande a 4 de Julho.
:

«Correndo Janeiro, reconstruía-se o mosteiro de Santa Clara à conta da rainha D. Isabel de Aragão. Para além de custear as despesas, ela também obviava situações desgraçadas entre as famílias dos operários e dos que moravam naquela margem do Mondego. Rio manso, o Mondego, entrando o inverno, destruía quanto havia nas suas margens. Só conventos foram três ou quatro. Porém, a generosidade da rainha não era do agrado de alguns cortesãos de D. Dinis. A corte de Coimbra ficava cara e aquelas dádivas repercutiam-se no erário régio. Assim, nesse mesmo mês, um fidalgo dirigiu-se ao rei-poeta e começou com rodeios, tencionando dizer-lhe algo. O rei sacudiu-o para que falasse e ele pôs a situação em pratos limpos: a rainha gastava acima das possibilidades, pelo que importava que D. Dinis tomasse uma atitude. Enfurecido, D. Dinis mandou sair o seu cortesão e pensou no que fazer. Porém, antes do mais, reconheceu-lhe razão. Assim, passados dias, apercebendo-se que D. Isabel saíra do palácio, foi ao seu encontro. A esposa de D. Dinis ia acompanhada das suas damas e cavaleiros. Quanto tinha para distribuir o levava embrulhado no seu manto, preso ao regaço. Quando a rainha viu o marido, empalideceu e todo o seu séquito se retraiu, pois conheciam-lhe as cóleras. O que se passou naquele instante podemos ir sabê-lo em verso recorrendo a um testemunho real, eis os versos de Afonso Lopes Vieira: - Que levais aí, Senhora, Nesse regaço tamanho? - Eu levo cravos e rosas Que outras coisas não tenho! - Nem sequer há maravilhas, Menos cravos em Janeiro, Ou serão esmolas isso? Ou isso será dinheiro? A rainha não falou Só o regaço abriu E eram cravos e rosas Que dinheiro não se viu.

E o romance acaba assim:
A nossa Rainha Santa Outros milagres obrou: A uma cega deu vista, E outra, muda, falou. Outra que não tinha leite O seu filho aleitou. E com tamanhos milagres Santa bem santa ficou.» [Viale Moutinho, 79]
:
Ainda hoje, mesmo longe de Coimbra, perdura o encantamento desta Rainha! Manuel
:
NOTA: Aqui fica o TECENDO A VIDA... por dificuldades de encontrar Net disponível no domingo.

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