domingo, 27 de novembro de 2022

Como conheci a Lita

Ainda Noivos

Quando celebramos o nosso aniversário à semana é sempre difícil reunir a família. Cada um tem os seus compromissos profissionais, ou outros, e o aniversariante vê-se obrigado a programar a festa, por mais modesta que seja, para o fim de semana mais próximo. Assim aconteceu comigo. Hoje foi dia de receber filhos e netos, embora nem todos pudessem comparecer, mas não deixaram de justificar a falta.
Nestes encontros fala-se muito. Todos têm histórias para contar, perguntas à espera de respostas, evocações para fazer. De permeio, há gargalhadas entre o que se come e bebe, sem abusos que a vida precisa de saúde. E no meio da alegria de todos, dei comigo a contar como descobri a minha mulher, a Lita, mãe e avó dos presentes. E alguém lembrou que eu era um gafanhão e ela uma pardilhoense, radicada em Aveiro. E como a descobriste? — perguntou um filho.
Os mais idosos, como eu e a Lita, gostam sempre de evocar pormenores das suas vidas, falando do essencial sem grandes conversas, até porque a memória tem lapsos compreensíveis. Mas deu para contar como descobri a Lita. E lodo adiantei: — Eu estava sem namorada, tal como ela, como pude confirmar mais tarde. E então resolvi avançar.
Um dia, o meu confidente e amigo, Padre Manuel Ribau Lopes Lé, convidou-me para o acompanhar a Pardilhó, onde havia comprado a duas senhoras um órgão para restaurar, já que ele tinha habilidade e arte para trabalhos dessa natureza. E lá fomos com um amigo comum, possuidor de uma carrinha adequada ao transporte. Passámos por Aveiro, para levar uma menina, sobrinha das duas senhoras, proprietárias do órgão. Em Aveiro, a referida menina vivia com outra tia, irmã das que venderam o referido órgão.
Sentado ao lado dela, lá fomos até Pardilhó, trocando olhares fugazes, como é normal. Depois de carregado o instrumento, as tias da Lita serviram-nos vinho do Porto. Os cálices estavam numa bandeja pequena, de que guardamos a base que a Lita, amorosamente, encaixilhou. Está na nossa sala de estar, à vista de quem chega.
As simpatias transformaram-se em grande desejo de me encontrar com ela. Procurei saber o seu nome. O resto era fácil: Av. Dr. Lourenço Peixinho. Tempos depois, que não consigo precisar, escrevi-lhe uma carta com proposta de encontro. Aconteceu no dia 8 de Dezembro de 1962, dia da festa de Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Portugal, por sugestão da Lita. O nosso casamento aconteceu no dia 7 de Agosto de 1965. Até hoje, mas esperamos que perdure o tempo que Deus quiser.

Fernando Martins

Nota: Escrevo estas notas a pedido dos presentes, no almoço do meu aniversário.

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

    ResponderEliminar
  2. Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

    ResponderEliminar

Publicação em destaque

PELA POSITIVA CHEGOU AO FIM

 Saudações especiais para todos os amigos leitores. Terei de seguir outros caminhos porque parar é morrer. Fernando Martins

Os meus blogues

Seguidores