Os moradores da Aldeia da Luz, segundo vi e ouvi na televisão, não estarão felizes. Foi uma aldeia construída, de raiz, para substituir a que foi ocupada pela barragem do Alqueva. Aparentemente, tem todas as condições para se viver bem, com traçados rectilíneos e casas novas, decerto de acordo com as actuais exigências para as pessoas se sentirem comodamente instaladas. Igreja moderna, chaminés vistosas, ruas sem buracos… Mas nem assim os moradores se vêem compensados. Porquê?
Simplesmente porque é uma aldeia sem memória, sem história, sem alma. As pessoas não podem conviver nos antigos recantos que as acolhiam com intimidade, com carinho. Nem podem sentar-se nos velhos bancos cheios de segredos. Deram-lhes tudo, mas esse tudo, sem alma, não é vida. E por isso, de quando em vez, os habitantes da nova povoação lá vão espreitar à velha aldeia, na ânsia de captarem as forças telúricas que tanta falta lhes fazem.
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
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