terça-feira, 19 de novembro de 2013

O Marnoto Gafanhão — 15

Um texto inédito de Ângelo Ribau Teixeira


Marinha nunca mais! 

Agora teria de arranjar outro emprego. Marinha nunca mais!
Comunicou a sua intenção a amigos, e passados uns tempos foi-lhe oferecido trabalho no escritório de num armazém de mercearias, onde trabalharia até que arranjasse melhor emprego. Foi uma boa experiência pessoal, especialmente pelos contactos com clientes e fornecedores!
Ainda hoje recordo um facto ocorrido quando recebi ordem da gerência da firma para ir fazer um pagamento de fornecimento de feijão a um lavrador local. Era uma quantia avultada naquela época: três mil duzentos e cinquenta escudos. Teria de trazer o dinheiro para minha casa e, á noitinha, iria a sua casa fazer o pagamento, dado que se trabalhava nas terras de sol a sol e não valia a pena ir com o sol no céu porque não encontraria ninguém em casa.
Chegado a casa informei o meu pai da quantia que trazia, a quem se destinava, mas que só à noite poderia ir fazer o pagamento. Recomendou-me cuidado com o dinheiro e que não saísse de casa, não fosse por azar perder alguma nota. E deixei-me ficar por ali até se fazerem horas. Passados uns tempos o meu pai chega-se junto de mim e diz-me baixinho:
— O Ti Zé Maria Branco passou agora com o carro das vacas direito a casa. Deixa-o arrumar o gado, depois vais lá pagar ao homem, mas toma cuidado, ele que conte o dinheiro, não vá o diabo tecê-las…
Assim fiz, e dirigi-me à sua casa era já noite velha. Cheguei, bati à porta “Truz, truz, truz…”
— Quem é? — perguntaram lá de dentro.
— Sou eu, o Toino. O meu patrão…
Então a figura do dono da casa, homem já com uns bons anos contados chega rapidamente junto de mim!
— Fala baixo cas paredes têm oividos. Entra cã gente está a cozelabôla.
Entrei, disse ao que ia e entreguei o dinheiro pedindo que o contasse.
— Não é preciso homem. Tu és filho de gente séria…
Insisti, ele lá contou o dinheiro e verificada a sua exatidão dirigiu-se ao interior da casa onde iria guardar o dinheiro. Eu aguardei.
Só então reparei na dona da casa que, na sua labuta, lá estava na verdade a meter a broa no forno para que este a cozesse.
Entretanto chega o marido.
— Tudo bem Ti Zé Maria? — pergunto.
— Tudo bem, e agradece ao teu patrão ter-me mandado o dinheiro. Assim evitei uma caminhada até ao vosso armazém para ir receber.
Um aperto de mão foi o recibo que ele me passou pela quantia recebida.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

O Blogue da Semana

Para esta semana proponho uma leitura do blogue "Lazer & Labor", que tem na Mesa da Palavra o Padre Pedro José Correia, em serviço pastoral nas Gafanhas da Nazaré, Encarnação e Carmo. Uma boa oportunidade para quem gosta de viver uma meditação semanal com sentido evangélico...

Vicentinos preparam Natal dos mais pobres



«O peditório anual dos Vicentinos de Ílhavo está marcado para o próximo sábado (23). A Instituição de caridade, por intermédio dos seus confrades e alguns voluntários, procura angariar fundos para proporcionar aos mais desfavorecidos um Natal reconfortante.
Ainda durante este mês haverá uma “oração solidária” no dia 26, às 21h, na Igreja Matriz, com a presença do Presidente das Florinhas do Vouga, Padre João Gonçalves, assim como, do assistente espiritual, Padre Fernando de Carvalho e Silva e do Presidente dos Vicentinos de Ílhavo, Hernâni Santo»


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Jantar Literário com o escritor Nuno Camarneiro

Nuno Camarneiro
Decorre no próximo dia 29 de novembro, sexta-feira, às 20 horas, o Jantar Literário, integrado na Comemoração do 8.º Aniversário da Biblioteca Municipal de Ílhavo. Neste ano de 2013 teremos a presença do Escritor Nuno Camarneiro (Prémio Leya 2012), estando a animação literária ao cuidado de Albano Sousa Baluarte.
O jantar terá um custo de inscrição de 15 euros, propiciando a oportunidade de participação a toda a comunidade interessada, embora com necessidade de inscrição até ao dia 27 (lotação limitada).
Nestes seus oito anos de vida, a Biblioteca Municipal de Ílhavo tem vindo a afirmar-se como um local privilegiado de cultura, trabalho, consulta, divertimento, convívio e formação, sendo já uma referência na Rede Nacional de Bibliotecas Públicas.

Fonte: CMI

Notícias animadoras sobre o Padre Miguel




Recebi a notícia de que o Padre Miguel Lencastre, que está internado no Hospital de Santo António, no Porto, passou bem o fim de semana, com menos dores e um pouco mais animado. De tal modo que até participou, no domingo, na missa que se celebrou na capela do hospital, sentado numa cadeira de rodas. Com ele estiveram familiares e amigos, assim como membros da Confraria de Santo Humberto, de que o Padre Miguel é capelão.
Congratulo-me com as melhoras e boa disposição do nosso antigo prior e amigo, desejando-lhe pronto restabelecimento.

domingo, 17 de novembro de 2013

Costa Nova - Preservar o antigo

Capela de Nossa Senhora da Saúde

Quando passo pela Costa Nova do Prado, gosto de olhar as dunas e tudo o que as envolve. E então aprecio contrastes interessantes. Esta é a velha capelinha dedicada a Nossa Senhora da Saúde. Ao lado dela, há anos, foi construído um novo templo, mais amplo e mais adequado ao aumento demográfico da paróquia, cujo estilo nasceu ao sabor dos paroquianos e seu pároco. Mas os meus olhares dirigem-se sobretudo para a velhinha capela que foi cuidadosamente mantida no seu legítimo lugar, como homenagem decerto aos seus antigos frequentadores, naturais ou veraneantes. Foi uma ideia muito bonita, que contrasta com os projetos dos que apostam, erradamente, na minha ótica, na demolição para no mesmo lugar se erguer outro tempo.

Estaremos no começo de uma revolução na Igreja?

Sondagem ou dinamização da Igreja?

Frei Bento Domingues

1. Segundo o Pew Research Center (PRC), o centro de sondagens mais respeitado, em assuntos religiosos, em cada dez pessoas, oito são religiosas. Mais de 80% da população mundial faz parte de uma religião organizada.
A religião mais numerosa continua a ser o cristianismo. Conta com 32% da população mundial. Segue-se o islão com 23% e o hinduísmo com 15%. Enquanto o cristianismo e o islão estão em vários pontos do mundo, o hinduísmo concentra-se quase exclusivamente na Índia. Metade de todos os cristãos é católica romana, 37% são protestantes e 12% ortodoxos.
Estas realidades estão sempre em recomposição, mas indicam que as religiões não estão para acabar tão cedo. Têm-se revelado até mais resistentes do que as repetidas desqualificações críticas a que têm sido submetidas. Muitas vezes com razão. De reveladoras do sentido da vida, de fontes de renovação da esperança, de resistentes ao niilismo, abrindo horizontes ilimitados tornaram-se, por manipulações várias, instrumentos do medo. Deixaram-se envolver em absurdas guerras e torturas, dando campo livre ao fanatismo em nome de Deus.
De religião para religião, as formas de expressão simbólica e ritual, as normas que as regem, as exigências éticas a que obedecem são muito diversas. As interrogações, as perplexidades e as dúvidas suscitadas pelo mistério de existir nem sempre desaguam nas respostas que as diferentes religiões codificaram. O Espírito de Deus sopra onde, quando e como quer. De qualquer modo, as formas religiosas e as suas instituições são para o ser humano e não o contrário. O teste de autenticidade das celebrações litúrgicas, das vivências espirituais e das experiências místicas, dentro e fora das instituições, prova-se na relação com os excluídos.

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