sábado, 25 de agosto de 2007

Um artigo de Anselmo Borges, no DN

O JESUS DE RATZINGER-BENTO XVI (1)
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Foi uma jornalista que me chamou a atenção: o Jesus de Nazaré, de J. Ratzinger-Bento XVI, conteria alguns erros, como, por exemplo, Abraão ter sido chamado para sacrificar o filho Isaac no monte Horeb. Disse-lhe que ainda não tinha tido acesso à edição alemã, mas que, se lá estivesse essa afirmação, era um erro, pois haveria confusão com o monte Moriá. Agora que me chegou o original alemão, pude confirmar: na página 58, lá está que Abraão se pôs a caminho do monte Horeb.
Mas esse e outros são pequenos lapsos, que passaram despercebidos à incompetência de algum revisor ou secretário. O decisivo problema desta obra, votada aliás a um tremendo sucesso de best-seller, com milhões de exemplares vendidos em dezenas de línguas, como de todas as obras referentes a Jesus de Nazaré é outro: o da passagem do Jesus da história ao Cristo da fé. Com que bases é que Jesus de Nazaré é confessado como o Messias, o Cristo, o filho único de Deus? Como se fez, historicamente, o trânsito de Jesus, nome próprio e que significa "Deus salva", de cuja existência histórica nenhum académico sério hoje duvida, a Jesus Cristo?
Segundo historiadores e exegetas reconhecidos, como, por exemplo, o padre J. Carreira das Neves, é possível determinar com segurança histórica alguns factos: 1. O nascimento de Jesus deu-se por volta do ano 4 a.C. (este paradoxo deve-se a um erro de datação, agora corrigido, de Dionísio, o Exíguo, no século VI). 2. Mais ou menos até aos 27 anos Jesus viveu em Nazaré, desconhecendo nós o que se passou nesse período. 3. Foi baptizado por João Baptista, começando, depois da sua morte, a pregar na Galileia e arredores a chegada do Reino de Deus. 4. Foi "um reformador do farisaísmo, um taumaturgo e um pregador, que se distinguia da pregação judaica de fariseus, saduceus, essénios e baptistas." 5. Desencadeou "um movimento popular político-religioso", que levantou suspeitas e interrogações às autoridades judaicas de Jerusalém. 6. Entre os muitos discípulos e discípulas que aderiram à sua mensagem, escolheu 12 homens, sinal do novo Israel, que preparou para continuarem a sua obra. 7. Por volta dos 30 anos foi a Jerusalém para celebrar a festa da Páscoa, desencadeou "problemas religiosos e políticos com a sua acção 'profética' no Templo", celebrou "um banquete de despedida com os seus discípulos", foi julgado pelo Sinédrio como "blasfemo" e, assim, "digno de morte", condenado à morte por crucifixão pelo governador romano Pôncio Pilatos. 8. Após a sua morte e depois de "um breve tempo de abandono, desânimo e fuga", os seus seguidores mais próximos, entre os quais algumas mulheres e os 12 discípulos, confessaram que "o viram ressuscitado", proclamaram que ele era o Cristo, continuando o movimento de pregação por ele iniciado. 9. "Pertence a esta pregação dos discípulos a fé na segunda vinda para estabelecer, definitivamente, o Reino."
Há um só Evangelho, mas em quatro Evangelhos: segundo Marcos, Mateus, Lucas e João, que, aliás, não só nem sempre coincidem como contêm contradições. Aí está a prova de que não narram a história de Jesus no sentido da história crítica moderna. São testemunhos de fé, portanto, escritos por quem já acredita em Jesus e lê a sua vida histórica à luz da ressurreição.
Esta leitura não significa, porém, que não tenham um fundamento histórico. São testemunhos de fé com base na história. Decisivo é saber lê-los como textos nos seus contextos e intertextos, conhecendo a finalidade de quem escreve, os destinatários e o ambiente cultural e religioso em que se inscrevem. Estão sujeitos ao método histórico-crítico e, como lembra Ratzinger, valem no todo da Escritura ("exegese canónica").
Qual é, neste quadro, o Jesus de Ratzinger-Bento XVI? Ele é o Filho unigénito de Deus, que vive "na mais íntima unidade com o Pai". O que trouxe ao mundo? Trouxe Deus e assim "a verdade sobre a nossa origem e o nosso destino". Agora que conhecemos o rosto de Deus, "conhecemos o caminho que devemos trilhar neste mundo como seres humanos".

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

GAFANHA DA NAZARÉ CHEGA MUITO LONGE





O Grupo Etnográfico
da Gafanha da Nazaré na Polónia

O Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré orgulha-se de preservar e defender as raízes culturais da Gafanha da Nazaré e do Concelho de Ílhavo tanto em Portugal como no estrangeiro, onde já esteve por diversas vezes. Desta feita deslocou-se à Polónia, às cidades de Wodzislaw Slaski e Kedzierzyn Kozle, de onde regressou recentemente. A viagem iniciou-se no dia 30 de Julho e a chegada à Gafanha da Nazaré aconteceu no dia 11 de Agosto e foi como “pagamento” da visita do grupo polaco à nossa terra em 2002. Durante a viagem houve a oportunidade de visitar a cidade de Paris, onde pernoitámos, tanto à ida como à vinda.
Em terras da Polónia mostrámos as nossas danças, cantares, trajes e alfaias, enfim, o fruto do nosso trabalho de recolha e preservação ao longo de quase 25 anos, procurando fazê-lo com empenhamento e orgulho e dignificando o nome do grupo, da nossa terra, do concelho e, muito especialmente, do nosso país.
Desde quinta-feira, dia em que chegámos, até quarta-feira, dia em que partimos, efectuámos seis actuações. O ponto alto aconteceu no sábado à noite, num festival internacional com vários dias de exibição e em que participaram mais de 20 grupos de folclore de Portugal, Canadá, Bulgária, Áustria, Egipto, Eslováquia, França, U.S.A., Moldávia, Espanha, Macedónia, Sérvia e Coreia, além de alguns grupos polacos. Neste dia, e com muita surpresa nossa, encontrámos um nosso conterrâneo, morador na Gafanha da Boavista, a assistir ao festival. No final da actuação tivemos a oportunidade de conversar com ele durante alguns minutos. Além das actuações, houve também uma vertente cultural nesta visita à Polónia. Pudemos visitar um museu na cidade de Rybnik, visitámos a bela cidade de Cracóvia e o museu de Auschwitz, campo de concentração nazi.
A viagem decorreu sem incidentes, apesar da distância e do muito trânsito que encontrámos, sempre com um bom ambiente entre todos os componentes do grupo. O espírito de companheirismo e a alegria constante foram um tónico para nos aliviar do cansaço de tantas horas de viagem.
O Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré vai continuar o trabalho de divulgação da sua freguesia e do seu concelho por esse país fora e, sempre que surgir a oportunidade, além fronteiras. Espanha, França, Alemanha, Itália e Polónia tiveram já a ventura de contactar com a nossa cultura. Fomos embaixadores do concelho nestes países e em todos eles deixámos uma boa imagem. Aproveitamos para agradecer a todos quantos contribuíram para o sucesso desta viagem.

José Augusto Rocha
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NOTA: Fotos e texto gentilmente cedidos pelo GEGN

AVEIRO: FEIRA DAS VELHARIAS

26 de Agosto...
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VELHARIAS
PODEM SER
GRATAS
RECORDAÇÕES


Vai realizar-se, em Aveiro, a Feira das Velharias. Será no dia 26 de Agosto, das 8 às 18 horas, na Praça Melo Freitas, na Praça do Peixe, na Praça 14 de Julho e na Rua Tenente Resende.
Esta iniciativa permite adquirir os mais variados tipos de objectos que, actualmente, já não se encontram nos estabelecimentos comerciais, e que podem ser gratas recordações. Assim, os selos, os livros, os discos em vinil, os candeeiros, os móveis, os têxteis, entre outros, apresentam-se a todos os aveirenses, no centro da cidade.

Centenário do Escutismo

O apelo aqui fica...



ONDE ESTÃO
OS ESCUTEIROS "FAMOSOS"
DA REGIÃO DE AVEIRO?
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Na tarde do dia 27 de Outubro, sábado, no Fórum Picoas, em Lisboa, vai realizar-se uma sessão solene evocativa do Centenário do Escutismo.
A organização gostaria de juntar os seus escuteiros “famosos”, gente que se destacou ou destaca nas diversas vertentes da sociedade portuguesa.
Todos conhecemos aqueles nomes mais sonantes, como o Prof. José Hermano Saraiva, D. Manuel Clemente, D. Ximenes Belo, Prof. Carvalho Rodrigues, João Garcia, mas faltam muitos outros.
Assim, pedimos a sua colaboração no enriquecimento da lista, mesmo de personalidades que se destacaram em âmbito regional.
Mesmo que não saiba a morada não se preocupe, indique o nome, nós tratamos do resto.


Um poema de Afonso Lopes Vieira


CANTARES DOS BÚZIOS


Ai ondas do mar, ai ondas,
ó jardins das alvas flores,
sobre vós, ondas, ai ondas,
suspiram os meus amores.

No fundo dos búzios canta
o mar que chora a cantar
ó mar que choras cantando,
eu canto e estou a chorar!

Ai ondas do mar, ai ondas,
eu bem vos quero lembrar:
«a minha alma é só de Deus
e o meu corpo da água do mar!»

Afonso Lopes Vieira


Crédito para estudantes universitários

SEM BOM APROVEITAMENTO...
PODERÁ NÃO HAVER EMPRÉSTIMO O Governo aprovou um novo sistema de crédito para estudantes universitários. Trata-se de uma boa medida, a qual permitirá que muitos jovens, sem recursos familiares ou próprios, consigam estudar ou concluir os seus estudos universitários. Segundo a lei, os empréstimos começarão a ser reembolsados um ano após a conclusão do curso. Numa altura em que muitas famílias, com filhos em idade de entrar no Ensino Superior, vivem com grandes dificuldades, é de aplaudir esta medida do Governo, que facilitará a vida dos estudantes universitários, sobretudo dos que querem mesmo estudar e concluir os seus cursos.
Há, no entanto, uma outra perspectiva: os estudantes ficarão a saber, logo no início da sua idade adulta, que a vida não é sempre um mar de rosas e que, para se chegar longe, muitas vezes é preciso lutar muito. Aprenderão, por exemplo, a poupar, a gastar só no indispensável, porque agora o dinheiro que lhes foi emprestado tem um dia de ser pago. E também sabem que, se não tiverem bom aproveitamento, não haverá empréstimo.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Recordações de Jales

Torre de Menagem, em Chaves

MINAS DE OURO
E LANCHE TRANSMONTANO

Segundo a RTP, estão a processar-se escavações arqueológicas na zona das minas de ouro de Jales, Vila Pouca de Aguiar. Procuram-se vestígios de trabalhadores, possivelmente escravos, habitações e outras marcas do período pré-romano, antes de Cristo, para se ficar a conhecer o passado pré-histórico e histórico daquela região. Por que razão abordo esta questão, hoje e aqui?
Há décadas, uma família amiga levou-me até às minas de ouro de Jales, na altura em laboração. Recebidos com toda a simpatia por um responsável, foi possível assistir à fase da extracção do ouro do minério negro, de que guardo um ou outro bocadinho, que nada diz ter minúsculas partículas de ouro. Mas foi interessante ver e mostrar aos filhos o trabalho numa mina de onde se sacava riqueza.
Porém, o que mais marcou esta visita foi a maneira como o encarregado geral nos recebeu. Não satisfeito com tudo o que nos explicou e mostrou, achou por bem levar-nos para a sua própria casa, onde nos ofereceu um lauto lanche, à transmontana, onde o presunto e o pão de centeio, de sabores únicos, nunca mais deixaram o meu palato.
Esta atitude apenas confirmou aquilo que eu já conhecia das gentes transmontanas: afáveis, acolhedoras, disponíveis para ajudar, amigas de partilhar. Curiosamente, na altura, eu e uma família de Chaves partilhávamos as nossas habitações. A família flaviense vinha para a Gafanha e a minha família assentava arraiais em Chaves. Bons tempos....

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