quarta-feira, 4 de outubro de 2006

Um artigo de António Rego

Opinião Pública na Igreja
Não deixa de ser interessante o debate, que ainda não terminou, em torno do discurso de Bento XVI em Ratisbona no passado dia 12 de Setembro. Estamos perante matéria não teológica nem dogmática, uma vez que quase todas as análises têm surgido em torno da oportunidade das palavras do Papa no contexto político, religioso e cultural em que vivemos. Mas a reflexão filosófica, teológica e pastoral que gerou em volta do islamismo, cristianismo e secularismo é possivelmente o ponto mais importante de todo o processo do Papa na Academia. Nesse sentido têm surgido as mais surpreendentes opiniões vindas de universos culturais e religiosos infinitamente distantes. Há católicos fervorosos, progressistas e conservadores - como sói dizer-se - com reflexões inesperadas que rompem com as habituais balizas de esquerda e direita do secular ou religioso. O Papa veio explicitar um conjunto de questões que andavam arrumadas por esquecimento ou comodidade e por parecerem a muitos de menor interesse para jornais e revistas mesmo de alguma especialidade. Percebeu-se afinal que a fé ultrapassa a razão mas não a dispensa. E que o não crer ou a militância da neutralidade perante o religioso não são tão lógicos quanto se fazia crer. E que a componente política do religioso vai muito mais longe do que parece. E assim chegamos a um novo ponto: o religioso na praça pública a ser livre e desinibidamente reflectido, em muitos casos sem preconceitos, numa área em que o deve ser e com uma frontalidade saudável, mesmo dentro das muitas banalidades que se lêem e escutam. Não recordo nenhuma discussão semelhante acerca duma intervenção Papal com um rasto de debate para além do ângulo convencional de “moral católica”, prato preferido e por vezes único, de olhar a Igreja. As palavras de Bento XVI já se diluem com o tempo no impacto de primeira reacção, por vezes nervosa e estéril. Agora, e certamente por muito tempo, irão surgindo reflexões que dizem respeito a todos mas que muitos julgavam pertencer às gavetas enceradas da sacristia. Na realidade estão em plena praça pública. Ainda bem.

terça-feira, 3 de outubro de 2006

José Hermano Saraiva celebra aniversário

PROF. JOSÉ HERMANO SARAIVA,
UM MESTRE DA COMUNICAÇÃO
:::
O Prof. José Hermano Saraiva faz hoje 87 anos. Linda idade para nos mostrar que há pessoas que não envelhecem e que a reforma não pode chegar para quem, como ele, tanto tem para dar à comunidade nacional.
Especialista na arte de comunicar, ninguém neste País, na minha óptica, soube tão bem sensibilizar o povo para as questões da História Pátria, por gestos e palavras, envolvidos por imagens, grandemente expressivos. Na televisão ele é um SENHOR a falar-nos das coisas do nosso passado colectivo. E fá-lo de tal modo que nos prende e nos acicata o gosto pela História de Portugal.
Eu penso que a aposentação não pode nem deve ser um tempo para dormir mais e para nada fazer. A actividade, mesmo que noutras áreas diferentes das que nos envolveram durante muitos anos, tem de ser uma constante na vida. Se quisermos, a reforma poderá ser um tempo de criatividade, de solidariedade, de atenção aos outros, de formação contínua, de contacto com mais gente e de procura de saberes.
O Prof. José Hermano Saraiva aí está para nos abrir os olhos a novos horizontes de uma vida cheia de alegria e de felicidade. A uma vida actuante e estimulante, para nós próprios e para quantos nos cercam, numa perspectiva de todos juntos enriquecermos a sociedade a que pertencemos.
Parabéns, Prof. José Hermano Saraiva, pelo aniversário e pelo seu exemplo.
Fernando Martins

Um poema das Carmelitas do Porto

SOLIDÃO Na hora do pôr do sol, uma gaivota desceu do bando e, no rochedo onde poisou, ficou sozinha a olhar o mar que o sol, ao despedir-se, vai tingindo, para que nele fique um rasto da sua presença luminosa. Na hora do pôr do sol, quem não sentirá o fascínio da solidão?... A solidão, que enche a cela da carmelita e a faz mergulhar em Deus, mar infinito que a atrai, amor sem margens nem ocaso onde ela encontra os irmãos, que só por Deus deixou. Na hora do pôr do sol, quem não sentirá o desejo dum encontro a sós com Deus? Quem não sentirá a nostalgia do Céu?
In “DESERTO… Lugar do Encontro”,
uma brochura editada
pelas Carmelitas do Porto

SEMANA DA EDUCAÇÃO CRISTÃ

Nota Pastoral da Comissão Episcopal da Educação Cristã para a Semana Nacional da Educação Cristã (1 - 8 de Outubro de 2006)
..
A FAMÍLIA,
UM BEM NECESSÁRIO
E INSUBSTITUÍVEL
1. De 1 a 8 de Outubro próximo, decorrerá a Semana Nacional da Educação Cristã. É uma ocasião para os educadores cristãos, especialmente os pais e quantos a eles se associem, neste período particularmente favorável de início de mais um ano de actividades, reflectirem sobre a importância da educação e assumirem as responsabilidades próprias da missão que desempenham. Desejamos que o façam pessoalmente e com outros, promovendo as necessárias e variadas iniciativas, nesse sentido. Escolhemos para tema desta Semana Nacional a família, devido à sua permanente actualidade e intrínseca relação com a educação, e acolhendo, simultaneamente, o repto dirigido pelo Santo Padre Bento XVI no recente Encontro Mundial das Famílias: “Proclamar a verdade integral da família, fundada no matrimónio como Igreja doméstica e santuário da vida, é uma grande responsabilidade de todos” (Bento XVI, Palavras do Santo Padre durante a Vigília de Oração. Valência (V Encontro Mundial das Famílias), 8 de Julho de 2006. www.vatican.va).
:
Pode ler mais, clicando aqui

VOLUNTARIADO

PORTUGAL ESTÁ CHEIO DE GENTE MUITO BOA
Dirigente com uma idosa
(Foto de arquivo)
::
Nas minhas passagens por algumas instituições particulares de solidariedade social, tenho-me apercebido da dedicação dos seus dirigentes e de quantos os acompanham nos seus trabalhos. É gente que não regateia esforços e vive ano após ano cultivando o espírito de servir quem mais precisa, lutando para conseguirem os apoios económicos e outros, sempre indispensáveis para as muitas despesas que é preciso pagar. Depois, e olhando para o lado, tenho tido a oportunidade de confirmar que o voluntariado social é uma realidade muito expressiva no nosso país, não obstante dizer-se que todos fazemos pouco pelos mais carentes de tudo. De dinheiro, de habitação condigna, de pão, de saúde, de afecto. Para além dos que trabalham nas instituições de solidariedade, que são muitos, se tivermos em conta as inúmeras organizações vocacionadas para ajudar quem mais necessitado está, há bombeiros, visitadores de doentes e das cadeias, há voluntários hospitalares, há membros das conferências vicentinas e da cáritas, das organizações não governamentais e de defesa dos animais. Mas também há simples cidadãos que cultivam, no dia-a-dia, o espírito de vizinhança, apoiando os mais doentes e os que estão na solidão, os marginalizados e os sem-abrigo, os refugiados, os imigrantes e os perseguidos, os idosos esquecidos pelas próprias famílias e os desempregados. Afinal, quando se ouve dizer que a sociedade é egoísta, temos de convir que não é bem assim. Portugal está cheio de gente boa, de gente que se dá em vez de dar apenas e sem esperar qualquer recompensa, gente que vive a solidariedade e a fraternidade, permanentemente em luta pela construção de um mundo mais justo e muito mais humano.
F.M.

domingo, 1 de outubro de 2006

IDOSOS

Mais de um milhão vive com menos de 300 euros/mês
Em Portugal, mais de um milhão de idosos vive com um rendimento mensal inferior a 300 euros, denunciou, no Porto, a presidente da Associação VIDA - Valorização Intergeracional e Desenvolvimento Activo. "Os idosos representam 17 por cento da população e mais de 20 por cento do eleitorado, mas a pobreza monetária e literária retira-lhes a força que a sua vantagem numérica lhes poderá conferir", frisou Teresa Almeida Pinto.
A presidente da Associação VIDA, defendeu a inclusão dos idosos na agenda política e nas prioridades nacionais, por considerar que "uma sociedade que se diz desenvolvida não pode continuar a manter vivos, sem expectativas de vida, aqueles que contribuíram para a sua evolução e desenvolvimento".
"Os esforços para produzir mais e melhores anos de vida devem concentrar-se em medidas práticas e não em exercícios demagógicos ou de lamentação infrutífera", disse a responsável pela associação que representa em Portugal a Plataforma Europeia das Pessoas Idosas. Acrescentou que "mais de metade dos portugueses que vivem sós (58 por cento ou cerca de 321 mil pessoas), têm idade igual ou superior a 65 anos".
::
Leia mais em SOLIDARIEDADE

Um poema de Nuno Júdice

AS AVES
Afluem às margens, jogam
como se a água lhes pertencesse,
pousam no meio dos arbustos
como se tivessem todo o tempo! No
entanto, sabem que as nuvens
vão encher o céu; e que o norte
irá enviar o vento frio que as
há-de arrastar para sul, deixando
atrás de si o silêncio
nos campos. Mas pouco lhes importa
isso, quando se juntam, e
cantam a efemeridade do
instante.

PESQUISAR