quarta-feira, 1 de março de 2006

HOSPITAL DOS COVÕES - 2


Homenagem ao poeta António Aleixo

Um pouco de história


A primeira impressão que o paciente regista, quando chega ao Hospital dos Covões, diz-lhe que o edifício é antigo, com traços notoriamente diferentes dos actuais Hospitais. Mas se olhar à volta, logo vê que há pavilhões novos e funcionais. Os corredores da parte mais antiga são suficientemente largos para que tudo e todos circulem sem atropelos, mas nota-se, em certas zonas, algumas correntes de ar que incomodam. Não vi isso, porém, nos novos espaços que dão enquadramento a inúmeras especialidades médicas e serviços de apoio. De qualquer forma, a parte antiga mostra sinais de arte, com pinturas e outras decorações com marcas de antiguidade, que lhe emprestam um aspecto diferente e muito bonito.
Nasceu de um projecto iniciado em 1918, mas só concluído em 1930, projecto esse que foi baptizado com o nome Escola Pró-Pátria. A iniciativa foi da Colónia Portuguesa do Brasil, ao tempo muito generosa, tendo espalhado por todo o País Escolas, Hospitais e outros edifícios de assistência e cultura. Aquela Escola destinava-se a recolher e educar os órfãos dos soldados mortos na Iª Grande Guerra, tendo a intenção de permanecer como um Asilo-Escola, espécie de "... laboratório onde a educação transformará através dos tempos as crianças pobres em trabalhadores modelo, em cidadãos exemplares", como se lê no seu historial.
Entretanto, a 5 de Fevereiro de 1931 é publicado o Decreto 19 310 em que a Assistência da Colónia Portuguesa do Brasil faz doação do seu património ao Governo Português, transformando a Escola Pró-Pátria em Sanatório Anti-tuberculoso, para indivíduos do sexo masculino. Quem entra, se olhar à esquerda, vê no jardim fronteiro um monumento simples, com uma quadra do poeta popular António Aleixo, e do lado direito um busto do médico e filantropo Bissaya Barreto, a quem Coimbra e Portugal muito devem, tal a força das causas por que lutava e os projectos em que se empenhou. Porquê a homenagem ao poeta António Aleixo?

António Aleixo nasceu em 18 de Fevereiro de 1899, em Vila Real de Santo António, e em 28 de Junho de 1943, após a morte da filha, devido a tuberculose, é internado no Hospital-Sanatório dos Covões, por sofrer da mesma doença. A sua passagem por aquele estabelecimento de saúde foi recordada com uma homenagem do Centro Hospitalar de Coimbra, em 29 de Julho de 1978, como reza a lápide. E com justiça, diga-se de passagem, porque nem sempre as pessoas simples, embora de grandes méritos, são lembradas pelas entidades oficiais e mesmo particulares. Aqui, o nosso maior poeta popular não foi esquecido.
O homem, com a simples terceira classe, que escrevia com alguns erros ortográficos, de cultura académica elementaríssima, possuía o dom de ser poeta. Foi cauteleiro e guardador de rebanhos, cantava de feira e feira e deliciava quantos o ouviam pela naturalidade com que rimava quadras carregadas de sabedoria. No monumento, modesto mas significativo, ficou registada, para quem passa, uma quadra singular, que não deixa de ser uma censura dirigida a muito boa gente dos nossos dias.
Diz assim:

Quem trabalha e mata a fome
Não come o pão de ninguém
Quem não ganha o pão que come
Come sempre o pão de alguém

Se for ao Hospital dos Covões, leia esta quadra. Se o fizer, estará a prestar, de modo muito simples, uma homenagem ao nosso maior poeta popular.

Fernando Martins

NB: Para conhecer um pouco mais António Aleixo, pode ler “Este livro que vos deixo…”

terça-feira, 28 de fevereiro de 2006

"Brasões e escudos" nos Paços do Concelho

Aveiro: Paços do Concelho
No edifício dos Paços do Concelho de Aveiro, encontram-se três “brasões” e “escudos”, dois na zona central da fachada principal, e outro na fachada virada para a Rua de Coimbra / Rua Combatentes da Grande Guerra (“Rua Direita”).O brasão lateral, e um dos frontais, representa as “armas de Aveiro”, com algumas pequenas diferenças em relação às descritas por José Reinaldo Rangel de Quadros, no livro “Aveiro – Origens, brasão e antigas freguesias”. Este autor descreve as “armas de Aveiro” da seguinte forma: “Escudo oval sobre manto real aberto; no centro uma águia com uma coroa imperial e com as asas abertas e os pés sobre ondas; do lado direito, as Quinas em escudo ordinário; e do lado esquerdo a esfera; a contra-postas, duas estrelas de sete raios e duas meias luas com as pontas voltadas para o interior do escudo. O brasão é encimado por uma coroa real”.
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Fonte: Correio do Vouga

OS MEUS DESTAQUES

Portugal exíguo”, o Editorial de António José Teixeira, no Diário de Notícias. No mesmo diário, “Doenças cardiovasculares de origem genética com diagnóstico precoce”. No Correio do Vouga, “Onde leva o caminho do mais fácil?”, um artigo de D. António Marcelino.
Na Ecclesia, pode ler "Cada embrião é uma vida humana inviolável". Ainda na mesma Agência noticiosa, leia "Do Carnaval às Cinzas - História das celebrações dos próximos dias"

HOSPITAL DOS COVÕES - 1

Estou de volta  


Depois de viver a experiência de um internamento hospitalar, durante 12 longos dias, estou de volta ao contacto com os amigos de ciberespaço. Já tinha saudades de estar no mundo habitual, para partilhar, nesta aldeia global em que agora vivemos, graças à Internet, as alegrias da vida e o gosto da presença nos acontecimentos que nos invadem a toda a hora e a todo o momento. Mas também foi bom ter estado onde estive, no Hospital dos Covões, em Coimbra. Não só pela forma como fui acolhido e tratado (de que darei nota nos próximos dias), mas ainda por viver momentos de recolhimento, de reflexão, de partilha de sofrimentos, de alegrias e de tristezas.
Nos Covões, pude confirmar a solidariedade que se vive num estabelecimento de Saúde e senti a certeza de que há muita gente boa e com capacidade para se dar aos outros. De tudo isso darei conta aos meus amigos durante uns dias. Sempre pela positiva, porque o que é bom merece ser sublinhado. 
Penso que a nossa sociedade aprendeu muito bem o direito de criticar, de denunciar o que está mal, de reclamar mais e melhor. Isso não tem nada de negativo. As críticas, as denúncias, os protestos e as reivindicações serão, à partida, fundamentais ao aperfeiçoamento e ao progresso. Mas não será menos verdade que o reconhecimento do que está bem e o aplauso do que é bom também será muito estimulante. 
Por aqui, portanto, em jeito de notas do meu diário, escreverei sobre o que vi, na certeza de que vale a pena deixar a outros as críticas, as denúncias, as reivindicações. É que, pela positiva, há menos gente a falar e a escrever. 

Fernando Martins

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2006

Ausente, mas presente

Por motivo inadiável, penso estar ausente uns dias. Porém, se puder, procurarei estar com os meus leitores, nem que seja de fugida.
No regresso, que espero seja o mais cedo possível, voltarei ao convívio diário com os meus amigos leitores, porque também tenho necessidade de me sentir membro activo desta aldeia global que nos encanta com tantas coisas boas.
Até breve, se Deus quiser.

Fernando Martins

Português condecorado pelo Papa

Ordem de Cavaleiro
de São Gregório Magno
para Guilhermino Pires
Bento XVI condecorou o português Guilhermino Pires com as insígnias da ordem de Cavaleiro de São Gregório Magno, pelo trabalho desenvolvido como presidente da Organização Mundial das Associações de Antigos Alunos de Escolas Católicas (OMAEC).
A leitura do Breve da condecoração foi feita pelo Núncio Apostólico no Líbano, no final do XIII Congresso desta organização em Beirute, tendo sido a entrega das respectivas insígnias feita pelo Superior Geral dos Salesianos, entidade à qual o condecorado afirma dever a sua formação.
Guilhermino Pires, natural de Murça, Trás-os Montes, foi durante cerca de 25 anos Director da Imprensa Nacional - Casa da Moeda, e é docente no Instituto Politécnico de Tomar.
A OMAEC, organização a que presidiu durante seis anos, foi fundada em 1967, tem cerca de 160 milhões de associados e é reconhecida pelo Vaticano como uma Organização Internacional Católica (OIC). Enquanto ONG tem representações na ONU em Nova Iorque, em Genebra, em Paris e em Viena.

A propósito dos "cartoons"

Que a liberdade respeite
a identidade de cada povo
De um dia para o outro, por causa de uns “cartoons” publicados num jornal dinamarquês, em que se caricaturava Maomé, o mundo islâmico entrou em “guerra” contra os que satirizaram o seu maior profeta. No mundo ocidental, quando se caricaturam os símbolos maiores do cristianismo, Cristo, Papa ou Nossa Senhora, também não faltam reacções de indignação, muitas vezes violentas e impróprias da religião que prega o perdão. Temos de convir que a liberdade de expressão, sob as mais diversas formas, é um direito próprio das democracias ocidentais. Daí que muitos jornalistas e demais fazedores de opinião se insurjam contra qualquer limitação a esse direito. Fundamentalmente, porque admitem, com alguma razão, que, a abrir-se um precedente, possa renascer o espírito censório, criação e suporte das ditaduras. Aceitando, então, a liberdade de expressão, plena e sem regras, qualquer um tem o direito de se pronunciar, de forma cordata ou satírica, seja sobre o que for. Mas estará isso certo, principalmente quando o satírico se torna grosseiro, agressivo, malcriado e ofensivo da dignidade dos visados ou dos seus seguidores? Penso que não. A liberdade de expressão ou qualquer outra deve ter regras, no pressuposto de que a liberdade de cada um termina quando possa chocar com a liberdade dos outros. Todos sabemos que o humor, a caricatura e a alegria fazem parte da vida e que cultivá-los deve ser tarefa de todos, porque não podemos nem devemos viver acabrunhados pelo stresse para que problemas e inquietações nos empurram. Mas isso implica uma educação que nos leve a respeitar as ideias dos que nos cercam. Se eu sei que uma palavra minha pode ferir os outros, eu tenho a obrigação de me conter, para evitar conflitos, já que de guerras e guerrinhas andamos fartos. Ora aqui está o que aconteceu com os “cartoons” sobre Maomé. Os islâmicos sentiram-se ofendidos e reagiram com violência, por razões que se prendem com a sua cultura, bem diferente da cultura ocidental. As suas tradições e as suas religiosidades, que levam, tantas vezes, a fanatismos (daí o terrorismo que ultimamente tem atemorizado o mundo, em nome de Alá), nem sempre são compreendidas nem aceites pela civilização cristã. Por isso mesmo, julgo que importa, nos nossos comportamentos e na expressão das nossas liberdades, ter em conta a cultura islâmica, que pouco ou quase nada tem a ver com a nossa cultura, de liberdades mais amplas. Recorde-se que os países islâmicos, na sua grande maioria, vivem dominados por oligarquias e por ditaduras férreas, onde os conceitos de liberdade em nada se comparam com os vividos nas nossas democracias. Por exemplo, em algumas nações islâmicas, a mulher ainda é tratada como escrava, isto é, como um ser sem os mais elementares direitos de cidadania. E é nesses ambientes que se manipulam as pessoas, levando-as a reagir violentamente contra quem ousa fazer humor com os seus símbolos religiosos. Não aceito, em caso nenhum, a violência, por maiores que sejam as razões que a possam motivar. Defendo o diálogo e, se houver ofensas à minha liberdade, que sejam os tribunais a julgar os que eventualmente me tenham ofendido. Mas também gostaria que não caricaturassem aquilo que para mim é sagrado, quer de âmbito religioso, pátrio ou familiar. Que haja, no fundo, liberdade de expressão, mas que cada um saiba medir, responsavelmente, o peso das suas afirmações, sejam elas ditas ou escritas, sejam elas apoiadas na arte ou nos comportamentos públicos. Como muito bem disse o Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, a propósito da violência causada pelos “cartoons”, “O facto de estarmos num ambiente de liberdade de expressão significa que eu não me indigno com isso, mas quando acontece magoa-me. (…) A grande diferença entre o horizonte ocidental e o horizonte que estamos a assistir nos muçulmanos é que eu manifesto a minha indignação de outra maneira; não vou pôr bombas nas embaixadas, nem bater nas pessoas na rua.” Ainda frisou que “são precisas mais políticas acertadas lucidamente decididas, respeito mútuo e respeito pela identidade de cada povo”. Fernando Martins

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