segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Belém de Judá transferiu-se para a Gafanha da Nazaré


Cortejo dos Reis
Foi no Domingo
6 de janeiro

Menino Jesus ao colo de sua mãe. S. José completa o quadro
Pastores vão adorar o Menino
Os presentes oferecidos com alegria
Um Rei Mago beija o Menino

Cantoras
“Belém de Judá transferiu-se para a Gafanha da Nazaré”, afirmou o nosso prior, Pe. Cesár Fernandes, no culminar do mais que centenário Cortejo dos Reis, na hora da adoração do Menino, na igreja matriz, no domingo, 6 de janeiro, liturgicamente dedicado à Epifania do Senhor. Adiantou que o Menino Jesus recebeu os presentes dos Reis Magos, que representam todos os povos da terra, entre “cânticos da tradição de todos nós”, mas ainda dos pastores, figurantes e demais participantes.
O nosso prior agradeceu o envolvimento de todos, manifestando a sua gratidão pelos que tiveram o cuidado de se apresentar com os trajes dos seus avós e bisavós. “Não deixeis perder esta tradição que é um misto de religiosidade popular e de fé”, sendo imperativo dos gafanhões “transmiti-la aos vindouros”, disse.

O Cortejo dos Reis seguiu o trajeto habitual, desde Remelha até à igreja matriz, passando por todos os lugares da nossa paróquia, rumo à adoração do Menino que, ao colo de sua Mãe, sob o olhar terno de São José, ouviu as preces de pastores,  magos e povo, entre cânticos natalícios que vêm dos nossos antepassados. 
Durante o percurso, foram apresentados autos alusivos à quadra, fechando com o mais famoso, no palácio de Herodes, o qual ouviu dos sábios do seu reino que o novo Rei estaria a chegar. E dos magos ficou a saber que, segundo os profetas, a nova estrela da humanidade, o Salvador, já estaria entre nós.
Manifestando o desejo de também o adorar, Herodes não deixou de proclamar, falando para si e para os seus próximos: “Ai dele, se me cai nas mãos; esta coroa é minha e só minha e o simples desejo em possuí-la custar-lhe-á a cabeça”.
Os Reis Magos, percebendo os maus instintos de Herodes, trocaram-lhe as voltas e, depois de adorarem o Menino Jesus, escaparam-se para suas terras por outros caminhos.
Ouvimos, durante o Cortejo, algumas pessoas que nele participaram com redobrado interesse. César Valente, de Albergaria-a-Velha mas com familiares residentes na Gafanha da Nazaré, garantiu-nos que esta foi a sua segunda participação, considerando “muito interessante este género de iniciativas”, valorizadas pelo “espírito de recriar usos e costumes”. Adiantou-nos que na sua terra se faz o mesmo em algumas festividades, natalícias ou outras. E disse: “À terra onde fores ter, faz como vires fazer”.
Carlos Oliveira, de Aveiro, também veio com sua esposa para ver o Cortejo dos Reis. E aqui esteve porque um responsável pelo Grupo Etnográfico, que iria atuar na inauguração da nova sede da Universidade Sénior aveirense, neste mesmo dia, lho recomendou. “Hoje, pela primeira vez, estou a apreciar o Cortejo, depois de 20 e tal anos nesta terra, no Porto de Aveiro, onde vivi mais horas do que em minha casa”. E frisou que “uma tradição com mais de 100 anos é para manter e este reviver o passado, com os trajes antigos, é mesmo muito interessante”.
Fátima Dolores já anda “nisto desde criança”. Começou aos seis anos, integrada nos grupos da Catequese, depois, um pouco mais crescida, resolveu vender bolos. Os anos foram passando e, com colegas, com uma colcha, segurando cada uma numa ponta, “recolhiam moedas que pediam a quem assistia à passagem do cortejo”.
Sempre com um sorriso, lembrou que a sua participação se manteve a seguir “ligada às Famílias do Movimento de Schoenstatt”, e mais tarde saltou para o grupo das cantoras, porque, afiançou, gosta muito de cantar.
O leilão dos presentes oferecidos pelos participantes e outras pessoas teve lugar no Salão Mãe do Redentor,  revertendo os resultados para as múltiplas despesas da nossa paróquia.

Fernando Martins

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