sexta-feira, 26 de maio de 2017

JESUS ENVIA OS DISCÍPULOS EM MISSÃO UNIVERSAL

Reflexão de Georgino Rocha

Festa da Ascensão do Senhor
Jesus vive momentos decisivos na sua missão. Escolhe um monte na Galileia para o encontro definitivo com os discípulos. Estes ainda têm dúvidas em relação ao acontecimento da ressurreição do Crucificado que agora vive para sempre. Apesar disso, prostram-se em gesto de adoração reverente e humilde e ficam na expectativa do que vai acontecer. Será censura pela sua incredulidade ou aprovação pela obediência de deixarem Jerusalém e virem para esta região, a terra dos gentios? Ou será antes alguma surpresa que o Mestre tem reservada para a hora da despedida? Aguardam.
Jesus toma a palavra com solenidade inusitada. “Todo o poder Me foi dado no Céu e na terra. Ide e ensinai todas as nações…”. Mateus, o autor do relato, apresenta este envio a abrir novos horizontes à sua narrativa. Não faz qualquer referência à reacção dos apóstolos. Mas não será difícil de pressentir. Eles, fugitivos aquando da paixão, trancados em casa em Jerusalém, marcados pela experiência da missão entre os judeus… assumem o mundo e, nele todos os povos e cada pessoa, como “campo de trabalho”, como terra a evangelizar. Tarefa de gigantes para homens tão frágeis! Encargo de heróis para gente tão comum! Serviço de santos profetas para quem ainda sentia dúvidas. Jesus, hábil Mestre, conhecia-os bem e adianta-se na ajuda a oferecer-lhes. “Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos”. E promete enviar-lhes o Espírito da fortaleza e da sabedoria.

A missão dos discípulos/Igreja é clara: Ensinar o que Jesus viveu e que se pode resumir a fazer sempre a vontade de Deus Pai. São Cipriano, bispo e mártir, fala assim aos cristãos de Cartago: “O que Cristo fez e ensinou foi a vontade de Deus: a humildade na conduta, a firmeza na fé, a contenção nas palavras, a justiça nas acções, a misericórdia nas obras, a rectidão nos costumes; ser incapaz de fazer o mal, mas poder tolerá-lo quando se é vítima dele; manter a paz com os irmãos; querer ao Senhor de todo o coração; amar nele o Pai e temer a Deus; não pôr nada à frente de Cristo, pois Ele próprio nada pôs à nossa frente”.

A Igreja tem a missão de ver a realidade com os olhos de Jesus que sempre detesta o que indigno e desonesto, maldizente e corrupto, e ama entranhavelmente as pessoas envolvidas nessas situações para que se libertem. A missão de se fazer próximo de todos e de cada um para partilhar alegrias e tristezas, êxitos e insucessos, para oferecer e receber ajuda numa reciprocidade enriquecedora. A missão de investigar a trama dos acontecimentos e descobrir o seu rumo de modo a anunciar Jesus como boa notícia, como sentido pleno de todos os caminhos da história.

O Papa Francisco, na mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais que hoje se celebra, recorre a uma metáfora muito expressiva para explicitar o envolvimento a que estamos chamados. “Já os nossos antigos pais na fé falavam da mente humana como de uma mó de moinho que, movida pela água, não se pode parar. Mas o moleiro tem a possibilidade de decidir se quer moer trigo ou joio. A mente do homem está sempre em acção e não pode parar de «moer» o que recebe, mas cabe a nós decidir o material que lhe fornecemos (cf. Cassiano o Romano, Carta a Leôncio Igumeno). O lema da referida mensagem é "Comunicar esperança e confiança no nosso tempo".

Cabe a nós decidir o que entra na nossa mente e, a partir dela, o que se faz conversa, comentário, opinião, convicção. O que se faz e difunde em comunicação a todos os níveis. Quem aprecia a saúde mental e cultural, relacional e espiritual, designadamente os discípulos de Jesus, a Boa Notícia por excelência, tem de estar preparado e tomar posição pelas notícias, boas e positivas, que geram apreço pela nossa comum humanidade e sua elevação ética, que geram laços de fraternidade universal e fomentam a harmonia do universo.

Ouçamos, de novo a voz do Papa Francisco na sua mensagem para este Dia. “Creio que há necessidade de romper o círculo vicioso da angústia e deter a espiral do medo, resultante do hábito de se fixar a atenção nas «notícias más» (guerras, terrorismo, escândalos e todo o tipo de fracasso nas vicissitudes humanas). Não se trata, naturalmente, de promover desinformação onde seria ignorado o drama do sofrimento, nem de cair num optimismo ingénuo que não se deixe atingir pelo escândalo do mal. (…) Gostaria, pois, de dar a minha contribuição para a busca de um estilo de comunicação aberto e criativo que não se prontifique a conceder ao mal o papel de protagonista, mas procure evidenciar as possíveis soluções, inspirando uma abordagem propositiva e responsável nas pessoas a quem se comunica a notícia. A todos gostaria de convidar a oferecer aos homens e às mulheres do nosso tempo relatos permeados pela lógica da «boa notícia»”. Gosto que é apelo a todos/as nós.

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