Crónica semanal de Anselmo Borges
Terminada a festa do Carnaval, os cristãos entram na Quaresma, que consiste em quarenta dias de mais profunda meditação, de mais intensa conversão, de amor mais vivo, mais activo e perfeito, em ordem a poderem celebrar com mais dignidade a Páscoa do Senhor enquanto passagem da morte à vida, à plenitude da vida, a vida eterna. De modo significativo, no primeiro domingo da Quaresma, lê- se sempre a passagem do Evangelho referente às tentações de Jesus. Ora, é importante sublinhar que as três tentações estão todas referidas ao poder: poder económico, poder religioso, poder político... Jesus, antes de iniciar a sua vida pública, teve de decidir se queria ser um Messias político, do poder, ou um Messias do amor, do serviço. Foi por esta segunda alternativa que seguiu: Ele vinha para anunciar o Evangelho, notícia boa e felicitante, a melhor notícia que a humanidade ouviu ao longo da sua história: Deus é bom, Pai-Mãe, e só quer o bem, a alegria, a felicidade, a plena realização de todos… Por isso, a mensagem era clara: "Eu não vim para ser servido, mas para servir", e servir até dar a vida. Assim, a única verdadeira tentação, segundo o Evangelho, é a do poder, no sentido do domínio sobre os outros, humilhando, oprimindo, discriminando, obrigando à fome, à violência, à guerra, à morte, com uma cultura imperialista e, consequentemente, militarista...
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