domingo, 25 de janeiro de 2026

Há 60 anos, a revolução do Concílio Vaticano II

A 11 de Outubro de 1962, o Papa João XXIII inaugurou em Roma o II Concílio do Vaticano, que foi encerrado pelo Papa Paulo VI no dia 8 de Dezembro de 1965 — há, portanto, 60 anos. Não há dúvida de que o Concílio Vaticano II foi um dos acontecimentos maiores e decisivos do século XX. É impossível imaginar o que seria a Igreja católica e por arrastamento o mundo sem o Concílio. Não é, porém, difícil supor que a Igreja se teria tornado um bloco marmóreo a dar guarida a um museu de coisas religiosas.
Quem quiser aproximar-se da situação vá ler os manuais de teologia dogmática, de teologia moral, de direito canónico, de liturgia, por onde estudavam os futuros padres antes do~Concílio, e pense, por exemplo, que na década de cinquenta do século XX ainda se proibia às freiras a leitura da Bíblia, ou que estava em vigor o Índex ou lista dos livros proibidos ao católicos, onde figuravam não apenas os teólogos críticos, mas também — só exemplos — Copérnico e Galileu, Descartes e Pascal, Hobbes, Locke e Hume, a Crítica da razão pura de Kant, evidentemente Rousseau e Voltaire,´também Comte, os grandes historiadores Condorcet, Ranke, Taine, igualmente Diderot e D'Alembert, os juristas e filósofos do Direito Grotius, Von Pufendorf, Montesquieu, a nata da literatura moderna, de Heine, Vítor Hugo, Lamartine, Dumas pai e filho, Balzac, Flaubert, Zola, a Leopardi e D'Annunzio, entre os mais~recentes, Sartre, Simone de Beauvoir, André Gide... Perante isto, quem não mantiver algum humor fica atónito.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

PARA RECORDAR - FAROL

 

O Google tem destas coisas: leva-nos a recordar. Desta feita, garantiu-me que publiquei esta foto há nove  anos

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

"Não há portugueses puros, somos europeus"

O Presidente da República defendeu no Parlamento Europeu que a integração europeia transformou de forma decisiva a História de Portugal, das suas relações com Espanha e do papel da Europa no mundo, deixando também um aviso aos Estados Unidos ao pedir uma relação de aliança “a cem por cento”, sem “hiatos, intermitências ou estados de alma”, numa referência implícita a Donald Trump.

Marcelo Rebelo de Sousa discursou depois do rei de Espanha, Felipe VI, nas comemorações dos 40 anos da adesão espanhola à então Comunidade Económica Europeia, sublinhando que a entrada simultânea de Portugal e Espanha, em 1986, representou uma rutura histórica após séculos de conflitos e instabilidade entre os dois países.

NOTA: Das Redes Socais


Praia da Barra com Farol à vista

 
Foto antiga que sugere a evolução deste recanto da Praia da Barra - Gafanha da Nazaré.

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Nova Administração do Porto de Aveiro

Teresa Cardoso
Li no TIMONEIRO que já se encontra em funções o novo Conselho de Administração do Porto de Aveiro, para o mandato 2026–2028. Será presidido por Teresa Cardoso e que integra ainda os administradores Rogério Carlos e Valter Rainho.
No âmbito da atribuição de competências, Teresa Cardoso fica responsável pela Direção Financeira e Desenvolvimento Organizacional, Gabinete Jurídico, Gabinete de Auditoria, Área de Desenvolvimento de Negócio, Gabinete de Comunicação e Gabinete de Estratégia.
Valter Rainho assume a responsabilidade pela Direção de Gestão de Espaços e Ambiente, nas áreas do ambiente e das dragagens, bem como pela Direção de Infraestruturas.
Por sua vez, Rogério Carlos fica responsável pela Direção de Coordenação Portuária e pela Direção de Gestão de Espaços e Ambiente, no que respeita à gestão dominial. A Mesa da Assembleia Geral e o Fiscal Único mantêm-se.
O Conselho Fiscal passa a ter a seguinte composição: Maria Teresa Vasconcelos Abreu Flor de Morais (presidente); Teresa Luísa Teixeira Magalhães, Juan Carlos Ferreira Martins (vogais efetivos) e Jorge Filipe Carvalho Bernardino (vogal suplente)

FONTE: TIMONEIRO

sábado, 17 de janeiro de 2026

A Dignidade Humana e o seu fundamento

Anselmo Borges
Padre e professor de Filosofia

A Dignidade Humana e o seu fundamento


Todos os homens e mulheres são iguais, porque são pessoas. O ser humano, porque é racional e livre, faz a experiência de autoposse, de ser dono de si, responsável por si e pelo que faz. Portanto, é pessoa e não coisa. Os outros animais não são coisas, mas não são pessoas.
Historicamente, foi decisivo o contributo do cristianismo para a noção de pessoa e de que todo o ser humano é pessoa. Na Grécia e em Roma, ser humano e pessoa não eram sinónimos, pois só os cidadãos livres eram sujeitos de plenos direitos e deveres. O cristianismo afirmou e afirma que todo o ser humano — homem, mulher, escravo, deficiente... — é pessoa, com dignidade inviolável, porque é filho de Deus. O filósofo Immanuel Kant, a partir daqui, reflectirá filosoficamente, concluindo que as coisas são meios para outra coisa e, por isso, têm um preço; mas nenhum ser humano pode ser tratado como simples meio, pois é fim e, por isso, não tem preço, mas dignidade. É nesta dignidade que se fundamentam os direitos humanos nas suas várias gerações.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Viajando no Santa Maria Manuela


"No convés do Santa Maria Manuela estavam 50 doris - pequenos barcos de pesca rasos. Estas embarcações foram colocadas na água a pedido do comandante: "Baixemos estas embarcações e que Deus esteja connosco".
Cada dori levava um pescador. Depois de pousar nos mares gelados, cada homem seguiu o seu próprio destino com a ajuda de lemes ou de uma pequena vela. Por vezes, navegaram quilómetros desde o SMM e desapareciam no meio do forte nevoeiro. Os pescadores passaram 13 horas consecutivas sozinhos nos doris. Lançaram centenas de metros de linha com anzóis e isco na água, na esperança de ter sorte.
Se tudo corresse bem, um único pescador poderia pescar meia tonelada de bacalhau num só dia. Há relatos de naufrágios de doris devido ao peso das suas capturas, tal foi a vontade e o entusiasmo dos pescadores.
Ao regressarem a bordo, os homens jantaram - sopa, peixe e uma caneca de vinho - e passaram a escalar e a salgar o bacalhau. O SMM só regressaria a casa quando os porões do navio estivessem cheios de peixe. "O momento em que a bandeira nacional foi içada e começou a viagem de regresso para Portugal, foi o dia mais feliz a bordo", recorda o comandante, Vitorino Ramalheira."